o auge do cavernoso e suas más sementes

Meu irmão, Alex Castro, me trouxe dos States alguns presentes, entre eles essa maravilha, "The Abattoir Blues Tour", de Nick Cave e seus The Bad Seeds.

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Tá cinqüenta reals na Amazon - a lista das músicas tá errada na Amazon. Sabe o que vem na caixinha? Dois DVDs com dois shows quase inteiros da turnê do disco duplo "Abattoir Blues/Lyre of Orpheus" mais dois CDs com gravações ao vivo durante a turnê. Tem ainda alguns clipes, um video footage e um documentariozinho sobre as gravações do disco... Tudo, dá umas 50 peças e, numa lógica à la Mulheres Negras, sai, então, um real cada uma delas. Vale a pena, vai dizer?

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"Abattoir Blues/Lyre of Orpheus", o disco duplo, marca a terceira ou quarta mudança de rumos na carreira de Cave. Depois da sua banda punk experimental The Birthday Party, ele se firmou como um crooner sombrio, tocando em temas como morte e desesperança, durante 10 anos, entre 1984 ("From Her To Eternity") até "Let Love In" (1994). Em 96, a segunda mudança, com "Muder Ballads", onde ele começa a carregar (ainda mais) nas tintas do sofrimento amoroso, na desilusão geral... Segue com sua obra-prima "Boatman´s Call" e "No More Shall We Part" e "Nocturama" (2003). Esse último mostra o potencial radiofônico de Cave, revela uma ponta de paz e pretensa alegria, em faixas como "Bring it On", "Rock of Gibraltar" e "Wonderful Life". O compositor mostrava que estava equilibrado, talvez pronto para explorar todo seu potencial fazedor de hits. Houve então uma "raspa na panela" com a excelente coletânea "B Sides & Rarities" e o lançamento de "Abattoir Blues/Lyre of Orpheus" - o disco que poderia levar Nick Cave para o mainstream.

E ele não mediu esforços para que isso acontecesse.

Deu entrevistas, gravou clipes e fez uma extensa e amplamente coberta excursão pela Europa e Estados Unidos. Distribuiu sorrisos, apertou mãos, pulou freneticamente nos palcos. Não deu muito resultado, apesar das grandes canções do disco, como "Breathless", "Nature Boy" e a faixa de abertura "Get Ready for Love", catártica.

Talvez por conta do plano "conquistar o mundo e o mercado" não ter dado tão certo, é que ele montou a banda Grinderman partindo novamente para o experimentalismo barulhento dos primeiros tempos, mirando um público jovem que baixa músicas descompromissadamente na internet. Antes mesmo do disco dos Grinderman estar pronto, a faixa "de trabalho" estava disponível no myspace da banda.

O mundo e o mercado, como sói acontecer, cometeram mais uma injustiça quando não entregaram "o sucesso" em bandejas para Cave, levando-o a cometer o quase inaudível (ao menos para mim, não para o Brigatti) disco de estréia dos Grinderman.

Vá para "The Abattoir Blues Tour", se você gosta de energia, de uma banda afiadíssima, duas baterias no palco, um coral maravilhoso (membros da The London Community Gospel Choir incorporados da "alma caveniana") - mostram Cave & Seeds em seu auge. Não sei se Grinderman terá futuro, não acredito. Não é som feito para fãs do som desenhado por Cave e seus comparsas nos últimos 20 anos. Creio que a banda deva voltar em breve para a proposta mais musical-melódica-poética.

Não sei se eles conseguirão retomar a mão no mesmo ponto de "Abattoir Blues/Lyre of Orpheus".

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5 Comments

Ô Bia, só passei para agradecer o apoio. Não precisa se preocupar, eu já estou bem melhor. Não tenho temperamento para sofrer por muito tempo...

...diferentemente do senhor Cave aqui. (E olha que ele dormia com a Kylie Minogue! Como isso pode deixar alguém infeliz?)

Tirando o clipe daqueles travestis que você achou lindíssimos na música Bring it On é tudo do caralho, gostei bastante, foi nesse álbum que comecei a gostar dele na verdade.

Excelente post, caro! Mr. Cave tem lugar cativo no meu panteão.

O Cave tá cada dia mais magro. Excesso de carne de macaco, talvez?

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Esta página contém um post de Biajoni publicado em agosto 15, 2007 5:08 PM.

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