agosto 2007 Archives

encontrão

Foi assim meio sem querer que ontem à noite, numa esquina da Conselheiro Brotero com Alameda Barros, Sampa, encontrei-me com Almirante Nelson Moraes & esposa, Branco Leone & esposa, Roger Cultcoolfreak & esposa, Tuca & esposa... Hehehe... Cynthia, Fernanda, Olivia e Pat Kholer, as respectivas, odeiam ser chamadas de "esposa". Essa foi uma das constatações da rara noite que juntou ainda Ratapulgo e Donizetti na vasta mesa onde várias Originais foram saboreadas com pães de alho tostados. Diliça! Fotas, aqui.

Hoje, quando pelo menos dois blogueiros se encontram, um dos assuntos invariavelmente é a monetização dos blogs. O assunto não faltou no encontrão de ontem. E decidimos todos iniciarmos a campanha "Monetize seu Blog" - a qual eu dou o start:

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Sim, sim, além dessa outras grandes besteiras foram ditas ontem à noite.
Mas acho que essa foi a melhor!
:>)

Entre na campanha!
Monetize o seu blog e seja feliz!

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Muita briga por todo lugar, muita confusão injustificada.
É preciso sempre calma. É preciso respirar fundo.
Força pra ti, Fal.
Calma pra todos.

Os religiosos não deviam se importar com os ateus. Quanto mais ateu tiver no mundo, mais os religiosos terão Deus só para eles.

A amiga Paula Lee me mandou seu livro recém-lançado, "Alugo o Meu Corpo", que lerei assim que acabar o novo do Dawkins.

Com gentileza, mandei um "Virgínia Berlim - Uma Experiência" para ela, que leu e postou:

(trecho:)

O que marca esse romance do Luiz Biajoni é justamente a sua escrita, o seu estilo, a forma com que vai misturando situações numa só, e descrevendo, ao pormenor, os pensamentos que nos rodeiam em momentos de expectativa.

(outro:)

A parte mais erótica do livro, algo esperado pelo menos para quem leu o “Sexo anal”, livro anterior do autor, com uma outra Virgínia, bem diferente da Berlim, segundo a minha opinião é a da página 26. Mas não vou reproduzir aqui, claro que não. Quem tiver comprado o livro, vai na página 26 e vê se esse momento erótico não é uma das passagens mais belas do livro.

Ér, gostei demais do post, Paula. Um post assim faz um escritorzinho ganhar o dia.
:>)

Leia o post todo da Paula Lee.
Compre "Virgínia Berlim" - restam pouquíssimos exemplares.
E compre "Alugo o Meu Corpo", o livro da Paula, pô.

fotas no rio

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(Bruno Cattoni, que lançou "Silêncio de Girassóis na Livraria da Travessa, e Vicente Pironti)

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(Dira Paes com o livro e num clic especial para o papai aqui)

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(Eu e Viva comemos excelentes sushis num lugar bacana de Ipanema)

perigo no rio

Pegamos o avião em Viracopos e em 40 minutos estávamos no Galeão, Rio. Eu estava com uma camisa fofa, branca, que me deixa com os pêlos do peito à mostra, com uma grandissíssima cara de guei. Meu companheiro (no sentido social, não sexual), Vicente, precisou passar no caixa eletrônico, sacar dinheiro. Fiquei por ali, quando um cara encostou. Não falou nada mas nos acompanhou até o elevador e entrou. Tinha outras pessoas no elevador e eu decidi fazer uma daquelas piadinhas bestas; virei pro meu amigo e resmunguei que não aguentava mais esse trabalho de cover do Renato Russo, estava estafado. Ele riu, o pessoal olhou meio desconfiado e, bem, esse cara que tinha se encostado na gente lá em cima, também.

Podia ser um pederasta, sei lá... Mas o cara foi chegando, perguntou se queríamos táxi até o centro. "Sim, queremos". "Eu faço mais barato, R$ 50,00". Bem, pensei, o cara é um taxista caçando clientes!

Foi quando ele pegou minha bolsa, "pode deixar que eu levo", e foi em direção às escadas. Fui atrás e, logo atrás de mim, o Vicente. Na descida, observou que os caixas eletrônicos estavam bem vazios naquela manhã - e eu concordei. E perguntou de onde éramos - eu respondi.

Envolvido na conversa quase não reparei no carro quando ele abriu o porta malas e colocou minha mala dentro. Mas reparei que Vicente não estava logo atrás de mim. Olhei para trás e ele estava parado a uns 50 metros... Foi como se tivesse caído a ficha pra mim: aquele cara era um sequestrador. Vicente gritou: "Bia, pega a mala e vem pra cá". E eu fiz isso rapidamente, saímos correndo, subimos as escadas correndo e só pude ouvir o cara ligando o carro lá atrás.

Escapamos.

O carro do cara não tinha identificações de táxi e o Vicente estranhou a consideração sobre o caixa eletrônico... Foi rápido para não se deixar envolver com a conversa mole e corajoso para gritar e me alertar. Se tivéssemos entrado no carro provavelmente teríamos sido assaltados, roubariam nossas bagagens, saques em caixa eletrônicos, sequestro relâmpago, talvez coisa pior.

Deu uma tremedeira depois. Pegamos um táxi de linha e contamos a história para o taxista - ele disse que esse tipo de coisa acontece direto; e não só no aeroporto como em rodoviárias no Rio. A associação dos taxistas sabe, já fez várias denúncias, existem tapes com gravações das ações, com as caras dos marginais, mas... Não pegam ninguém e a ação continua ocorrendo.

Não é de se conjecturar que gente graúda saiba? Gente da própria Infraero? Por conta desse medo, não fizemos uma denúncia formal, um B.O. qualquer.

Acho meu dever contar a história aqui para alertar os parcos leitores - e seria legal se todos divulgassem. Se eu tivesse ouvido algo sobre práticas assim, teria me precavido.

Fica o alerta.

Ah, sim, aconteceram coisas ótimas no Rio, que eu conto assim que passar o trauma.

Você lê muito?
Sei.

É daqueles que DEVORAM, né?
Não pode ver uma livraria que já vai sacando o talão de cheques?
Sei.

Então me diz, você conhece Carlos Nascimento Silva? E Antonio Torres?
Quem sabe você conheça Affonso Ávila. Não? E Neide Archanjo? Armando Freitas Filho?
Artur Oscar Lopes, conhece? E João Anzanello Carrascoza?

Marta Rossetti Batista? Lira Neto? Araújo Freire?
Talvez Eliane Brum ou Klester Cavalcanti?
Não?

Pois são todos vencedores do Prêmio Jabuti, o mais tradicional do Brasil.
Quase todos lançados por pequenas editoras ou editoras em ascenção: Agir, Arquipélago, Ateliê, A Girafa, Edições Inteligentes, Vila das Letras, Capivara Editora...

No ano passado deu Cia das Letras quase de cabo a rabo.
A lista completa, aqui.

Interessante, vai dizer?

Pego avião amanhã cedinho em Viracopos e volto na Quinta. Muitos compromissos, por isso nem comuniquei amigos. Vou para:

1 - Acertar detalhes da minha participação na organização do Fórum Mundial Social 2008 que, nesta edição, não terá um encontro único, mas várias jornadas de mobilização e debates em todo mundo. Um desses encontros acontece no Rio e espero ser um dos organizadores.

2 - Lançamento do novo livro de Bruno Cattoni, "Silêncio de Girassóis". Cattoni é da Central Globo de Jornalismo Rio, um dos diretores do Movimento Humanos Direitos (Mhud) e o lançamento acontece na Livraria Travessa, em Ipanema. Quem quiser, pinte - e tomamos um café.

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3 - Começar a conversa sobre a adaptação de "Sexo Anal" para a telona. Que tal Fábio Jr. e Cléo Pires no elenco?

(Pano Rápido)

O consumidor só se fode. Quando se fode mais que o normal, não tem onde reclamar. Acreditem, eu sei o que falo. Na maioria das vezes, Procon não adianta. Noutras, o sacrifício seria grande demais - e haja saco. Eu ajudei a montar aqui uma ONG de defesa do cidadão - que existe até hoje - mas pulei fora do barco por desavenças com outros diretores. Logo eu, uma pessoa doce.

Enfim.

Quinta-Feira começou a acabar a água no bairro em que moro. Na Sexta acabou de vez. Decidimos esperar, saímos para comer algo. Fomos para Limeira, eu, Karen e Lia até a Cachaçaria Água Doce onde havíamos provado uma moela com mandioquinha tempos atrás... Fizemos o mesmo pedido. Uma cerva, uma cachaça, um caldo de mandioquinha para Lia, um pão com alho... E então eu peço, hmmm, meio copo com uma laanja esperemida para a Lia. Não queria uma jarra de suco, já que ela não ia beber tudo e teríamos que jogar fora. A garçonete diz que pode fazer, mas cobraria o mesmo valor da jarra. É mole? Pedimos então a jarra.

A porção foi decepcionante, com meia dúzia de moelas picadas num caldo aguado. A caneca de mandioquinha da Lia, igualmente fraca - parecia sopa de hospital. No meio da, ér, "refeição", pedi um pouco mais de queijo ralado - que me foi cobrado na conta, R$ 1,00. A solução é não mais voltar lá, claro.

Voltamos pra casa com fome - e não conseguimos tomar banho.

No Sábado fomos para Itatiba em fuga da falta d´água. Paramos no Giovanetti do Shopping Dom Pedro e comemos uma deliciosa porção de bolinhos de bacalhau com chopes. Quando veio a conta nem olhei direito e saquei o cartão... Sorte que voltei atrás e peguei para ver... cobraram 20% (!!!) do serviço. Espantei-me. O garçon pediu desculpas, disse que se engaram. Fiquei com cara de samambaia.

Essas coisas me deixam cabreiro, embora quase sempre eu simplesmente não consiga reagir no momento.

Chegamos em casa no Domingo e eu me aprontei na cadeira para assistir a "All That Jazz". Encontrei o filme numa banca de promoção dentro do supermercado na Quinta passada e comprei entusiasmado - quase não se vê o filme por aí... Comprei. Cheguei em casa, abri e... surpresa!: o filme não estava lá dentro! Comprei só a capinha! A Karen voltou ao supermercado no dia seguinte e o trocou. No Domingo, botei o filme mas o DVD não aceitava... Isso porque a mídia estava COMPLETAMENTE arranhada; nunca vi nada parecido.

O que eu faço?

No momento, só me passa pela cabeça dançar um tango argentino.

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O Escrúpulos continua sendo um dos blogs mais gostosos de se ver.

(des)gracinha

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Corega na véia!

(Pô, bem hoje que eu ia fazer um post lindão do Drummond. Bah!)

Meu irmão, Alex Castro, me trouxe dos States alguns presentes, entre eles essa maravilha, "The Abattoir Blues Tour", de Nick Cave e seus The Bad Seeds.

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Tá cinqüenta reals na Amazon - a lista das músicas tá errada na Amazon. Sabe o que vem na caixinha? Dois DVDs com dois shows quase inteiros da turnê do disco duplo "Abattoir Blues/Lyre of Orpheus" mais dois CDs com gravações ao vivo durante a turnê. Tem ainda alguns clipes, um video footage e um documentariozinho sobre as gravações do disco... Tudo, dá umas 50 peças e, numa lógica à la Mulheres Negras, sai, então, um real cada uma delas. Vale a pena, vai dizer?

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"Abattoir Blues/Lyre of Orpheus", o disco duplo, marca a terceira ou quarta mudança de rumos na carreira de Cave. Depois da sua banda punk experimental The Birthday Party, ele se firmou como um crooner sombrio, tocando em temas como morte e desesperança, durante 10 anos, entre 1984 ("From Her To Eternity") até "Let Love In" (1994). Em 96, a segunda mudança, com "Muder Ballads", onde ele começa a carregar (ainda mais) nas tintas do sofrimento amoroso, na desilusão geral... Segue com sua obra-prima "Boatman´s Call" e "No More Shall We Part" e "Nocturama" (2003). Esse último mostra o potencial radiofônico de Cave, revela uma ponta de paz e pretensa alegria, em faixas como "Bring it On", "Rock of Gibraltar" e "Wonderful Life". O compositor mostrava que estava equilibrado, talvez pronto para explorar todo seu potencial fazedor de hits. Houve então uma "raspa na panela" com a excelente coletânea "B Sides & Rarities" e o lançamento de "Abattoir Blues/Lyre of Orpheus" - o disco que poderia levar Nick Cave para o mainstream.

E ele não mediu esforços para que isso acontecesse.

Deu entrevistas, gravou clipes e fez uma extensa e amplamente coberta excursão pela Europa e Estados Unidos. Distribuiu sorrisos, apertou mãos, pulou freneticamente nos palcos. Não deu muito resultado, apesar das grandes canções do disco, como "Breathless", "Nature Boy" e a faixa de abertura "Get Ready for Love", catártica.

Talvez por conta do plano "conquistar o mundo e o mercado" não ter dado tão certo, é que ele montou a banda Grinderman partindo novamente para o experimentalismo barulhento dos primeiros tempos, mirando um público jovem que baixa músicas descompromissadamente na internet. Antes mesmo do disco dos Grinderman estar pronto, a faixa "de trabalho" estava disponível no myspace da banda.

O mundo e o mercado, como sói acontecer, cometeram mais uma injustiça quando não entregaram "o sucesso" em bandejas para Cave, levando-o a cometer o quase inaudível (ao menos para mim, não para o Brigatti) disco de estréia dos Grinderman.

Vá para "The Abattoir Blues Tour", se você gosta de energia, de uma banda afiadíssima, duas baterias no palco, um coral maravilhoso (membros da The London Community Gospel Choir incorporados da "alma caveniana") - mostram Cave & Seeds em seu auge. Não sei se Grinderman terá futuro, não acredito. Não é som feito para fãs do som desenhado por Cave e seus comparsas nos últimos 20 anos. Creio que a banda deva voltar em breve para a proposta mais musical-melódica-poética.

Não sei se eles conseguirão retomar a mão no mesmo ponto de "Abattoir Blues/Lyre of Orpheus".

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fófis

Eu acho esses os The Magic Numbers uns fófis.

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Brancão estará hoje, dia 13 de Agosto, dia do cachorro louco, às 20h, DANDO entrevista na AllTV - se ele não mandar um abraço pra mim, não falo mais com ele. Assista e confira!

E veja também essa interessante adaptação de um dos melhores textos do Branco. O nego tá tudo e não tá prosa!

Não passa uma semana sem um e-mail ou um post sobre "Sexo Anal", meu modesto livrinho para baixar. Hoje mesmo vejo que um casal de namorados - olha que meigo! - fez posts. Sim, cada um fez o seu. Legal.

Aí recebo um e-mail de uma estudante de letras de Minas querendo informações sobre o livro pois o TCC dela é sobre "literatura marginal de internet" (sic). Pô, marginal? E... "de internet"? Isso sim é que eu chamo de... nicho!

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Vai dizer?
Dentro da discussão, ér, "lanço livro por uma editora e ganho quinhentos real se vender mil exemplares" ou, ér, "boto de grátis na internet" ou, ér, "lanço de maneira independente", Valter Ferraz (que lança "Capão, outras histórias") e Branco Leone fizeram posts, ampliando o debate... E também teve a entrevista da Olivia Maia no Digestivo Cultural, onde ela cita meus livros e os do Alex, e a editora OsViraLata... Ah, você não achou a menção? É porque o Julio Daio editou, cortou essa parte, pois a entrevista ia ficar "muito grande".

Nham.
A gente não acha espaço pra aparecer nem na mídia marginal alternativa internética, negada!
Vamos rodar uns panfletos no mimeógrafo!
Blé!

Falando em meu livro (ainda tem alguns), tá vendendo lesgal.
A Sandra Pontes comprou, leu e fez post sobre. Ricardo "Homem-Baile" Monteiro, também. Obrigado, lindos.
Olha! O Brigatti também acabou de escrever sobre o livro, relacionando-o ao novo filme de Gus Van Sant.
Ufs!

Pegando link daqui e dali fui parar no ranking "Top 100 blogueiros brasileiros", lista elaborada pelo Edney de Souza. Ontem, eu ocupava a posição 89 na lista; hoje já estou na 94... Veja logo, antes que eu caia!
:>)

Ontem cedo eu estava por aí na internet e achei a foto abaixo. Segundo a legenda, foi tirada no dia em que ela, Sharon Tate, foi morta pela Família Manson, em 9 de Agosto de 1969. Sem nenhum motivo aparente - e eu faço muito isso - dei um clique com o direito e salvei.

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Ainda ontem cedo, um pouco mais tarde, 11h15, um crime caiu no meu colo. Um senhor de 63 anos, o "seu" Antenor, esfaqueou várias vezes seu senhorio e a senhora; o senhorio, de 73 anos, morreu, a mulher está internada em estado grave. O assassino, que morava na pensão há 11 anos, se entregou tranquilamente, disse que não estava arrependido, que matou os dois porque eles deixavam "maconheiros" se hospedarem por lá, e que... estava "fazendo justiça"... Há algum tempo ele havia começado a frequentar uma igreja evangélica e, lá, ele viu que devia fazer isso: uma "limpeza".

Vi semelhanças com o caso Tate-Manson; malucos guiados por vozes existem desde sempre.

O que me impressiona é que... será que ninguém observou, ao longo dos 63 anos deste senhor, que ele era um maluco desequilibrado? Ninguém notou nada de errado? Ninguém lá na igreja dele, nenhum amigo, vizinho, parente ou mesmo os senhorios? E se alguém tivesse detectado, como deveria reagir. Se eu vejo um cara perigoso, que pode se tornar mais perigoso ainda por conta de qualquer desequilíbrio mental, como devo reagir?

Alguém sabe?

Olhando as efemérides deste 9 de Agosto, para confirmar o dia da morte de Tate, vi que há 10 anos morria Betinho. Lembrei. Eu deveria estar no Rio de Janeiro hoje, para o lançamento de "Betinho: Sertanejo, Mineiro, Brasileiro", de Carla Rodrigues, no Circo Voador. Acabou não dando para ir...

Betinho, seu Antenor...
Quanta diferença entre as pessoas, vai dizer?

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Ai. Alguém me dá?

?

Hehehe...

Olha eu ali, nadando no Mar de Chongas.
:>)

"Diminua as luzes, chame os gatos para perto, um copo, sirva-se de uísque com gelo, coloque o CD, sente-se no sofá. Virgínia. Berlim, uma experiência o novo livro do Luiz Biajoni acabou de chegar pelo correio."

Lindo texto da Lulu.
Obrigado, nêga.

Thiago Neloah, com sua capacidade incrível de síntese, resumiu tudo em oito versos.
:>)
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A reedição de "Fup" no Brasil, revelando uma horda de fãs (muitos escritores), com total êxito (números apontam para 30 mil exemplares vendidos), fez com que Jim Dodge, o autor, viesse para a FLIP - que podia se chamar "FLUP", segundo alguns, em homenagem à pata, personagem principal que dá nome ao livrinho. Livrinho pois são poucas páginas que contam a história do relacionamento entre um jovem órfão e seu avô mais a tal pata. É leitura leve e rápida, de grande fluidez, com final psicodélico. Dodge é um hippie. Mas provavelmente o hippie com maior capacidade narrativa entre todos os escritores hippies. Não é "Fup" que o coloca neste posto. É "O Enigma da Pedra" ("Stone Junction", no original), sua obra mais ambiciosa, já lançada no Brasil com uma horrorosa capa pela José Olympio. Sebos virtuais colocam o preço de 50 reais em exemplares dessa edição nacional, de 1995. Comprei dois deles em sebos de Limeira por R$ 8,00 cada, depois de pechinchar um pouco. Um dos exemplares eu dei para o brou Fábio Shiraga, por ocasião de seu aniversário. O outro, li.

E que livro!

Primeiro é preciso ressaltar o grande trabalho de tradução de Mauro Pinheiro. Profissional - você vê a coisa fluir como se um velho hippie contasse a história. Dá pra sentir o sabor. Veja esse trecho:


"Ele teve dois momentos de sorte seguidos. O primeiro foi uma bala que raspou seu lábio inferior, tão perto que fez uma bolha de água, mas não chegou a romper a pele. O segundo foi um velho enrugado seguindo na direção do estacionamento, alheio à luz persecutória do holofote e aos estampidos dos disparos, tão distraído no meio daquilo que quando Shamus encostou o revólver na nuca do velho e disse "Entre no carro e caia fora", ele virou-se e disse, aturdido, "Catapora?"

Vai dizer?

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Mas, bem, qual a história de "O Enigma da Pedra"?

É a história da educação e do descobrimento de Daniel Pearse.

Ele nasceu de pai desconhecido, tendo como mãe a jovem adolescente e impetuosa Annalee. Mal nasceu e já está dentro de um caminhão, fugindo com a mãe. Fugindo, ambos, de um destino que a sociedade iria impor a eles de maneira muito cruel. Espíritos livres, não poderiam viver adequadamente entre os comuns. São, então, adotados por uma sociedade internacional de marginais, magos e foras-da-lei chamada de AMO (Alliance of Magicians and Outlaws). De plena concordância com o filho, Annalee decide não manda-lo à escola - ele aprende a ler, escrever e sobre tudo o mais em casa; um velho rancho que serve de abrigo a vários integrantes da AMO. Vai também, é claro, aprendendo sobre "o que não deve". Nesse início de aprendizado temos personagens lindos e cativantes, como o descendente de índio Johnny Seven Moons (personagem que já havia aparecido em "Fup"). Num dia de chuva no verão, Johnny, que era hóspede no rancho da AMO, tirou a roupa e convidou mãe e filho para fazerem o mesmo... Saíram todos correndo, nus e de mãos dadas, numa das cenas mais bonitas do livro.

Um desses hóspedes do rancho foi Shamus, por quem Annalee se apaixona. Daniel gosta dele e gosta de ver a mãe passar algumas noites no quarto de Shamus. Ela diz ao filho que o ama acima de tudo, mas que gosta muito de estar com Shamus - ele a faz feliz. Daniel concorda em dividi-la com ele.

Por uma série de fatores, mãe e filho ficam longe de Shamus por um tempo. Annalee e ele voltam a se encontrar um tempo depois: ela enta numa biblioteca e o vê folheando um livro:

"Shamus fechou o livro que estava examinando e o devolveu à estante sem dar por sua presença. - Eu tenho amado você e sentido a sua falta a cada minuto nesses últimos dois anos - sussurrou ele, olhando para os livros - e estou com medo de olhar para você, medo de que não seja você, talvez uma alucinação desesperada, um sonho ardente"

Sacou?
Já viu um trecho mais lindo que esse?

Bem, tem alguns ainda mais tocantes que esse. O meu preferido, na verdade, seria muito extenso para ser colocado aqui. Mas num aniversário de Daniel, em que ele passa sozinho com a mãe em um grande barco ancorado, ele pergunta sobre seu pai. Quem seria? Annalee perde o controle, eles brigaram, desfiguraram o bolo: ela não sabe quem era. Ela teve muitos homens entre os 16 e 17 anos... Senta ao lado do filho e vai contando pra ele suas transas, devagar, "com todo homem de carne e osso ou de sonho que ela conseguia lembrar ou inventar, heróis, poetas, fora-da-lei, loucos. Daniel ouviu atentamente e, quando ela acabou, ele fez algo que encheu os seus olhos de lágrimas: partiu um pedaço de bolo desfigurado e ofereceu para ela".

Assim caminha a história de Daniel Pearse, criado entre libertários e marginais, anarquistas e usuários de drogas, mas sempre gente que não quer o mal do outro. Ou quase nunca.

Tragédias acontecem em sua vida, ele acaba caindo sob os cuidados do Grande Volta, um grande ex-mágico, pessoa importante na AMO. Ele passa por treinamentos, ele tem uma missão, ele acaba tendo contato, no terço final do livro, com "a pedra": um diamante estranho e enorme, do tamanho de uma bola de boliche. Nesse último terço as coisas vão ficando estranhas, o LSD vai batendo nas tampas de Jim Dodge, mas não importa: a conclusão é linda e redime quaisquer falhazinhas desse entrecho dinâmico "um jovem criado para uma missão".

No meio disso tudo vemos a educação de Daniel Pearse progredir com ensinamentos de um velho e bem-sucedido jogador de pôquer ou de um jovem especialista na arte da maquiagem. E sabemos também de um problema específico de Daniel - e só isso já o tornaria um grande personagem -: ele não consegue transar duas vezes com a mesma garota. Nunca. É só uma e nunca mais.

Posso dizer que o ritmo de Jim Dodge impede que a gente perca o interesse e sempre cria painéis de fundo para personagens. Ficamos intrigados com narrativas que parecem deslocadas da trama, mas que desenham perfeitamente personagens e estados de espírito. Uma dessas cenas é quando o Grande Volta, um senhor bastante seguro de si, vê uma jovem ruiva de 10 ou 11 anos, "aquela idade estranhamente mercurial de pré-pubescência feminina que na verdade varia dos três aos 35", tentando acertar bolinhas dentro de aquários num pequeno parque de diversões. Volta quer ajuda-la, dar dinheiro, fazer com que ela ganhe um peixinho. Ele se lamenta breve e insensatamente por não ter tido filhos. Até que a menina erra suas útimas bolinhas e "disse 'Merda' rapidamente, como se a rapidez tornasse aquilo mais aceitável". Volta dá dinheiro a ela e ensina como ganhar. Ela ganha o peixe, mas não quer levá-lo com ela. "Minha mãe diz que é uma grande responsabilidade tomar conta de uma outra coisa viva". Volta fica com o peixe.

Uma cena que dava um livro inteiro, quase.

Assim é esse cativante e originalíssimo romance. Não tem mais pra vender nas lojas. Procure por aí, pois vale qualquer centavo de quaisquer 50 reais que você venha pagar.

E aposto que você jamais vai adivinhar o final.

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Post-Scriptums:
- Pynchon é um dos maiores fãs desse livro, tendo escrito: "Aqui encontramos a ficção americana em toda sua dimensão, fartamente imaginada e profundamente sentida, exuberante pelo seu senso de humor fora da lei e sua mágica franqueza".
- Reza a lenda que Dodge escreveu esse livro dentro de uma rotina auto-estabelecida, trabalhando nele cinco horas por dia durante um ano.
- Não me conformo de não terem feito um filme de "Stone Junction" até hoje. Seria um grande filme nas mãos de alguém como Terry Gillian.
- A ilustração desse post é de João Maio Pinto. Não conhece o cabra? É interessante!

melda!

Eu caí!

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  • luiz biajoni
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