Quarta-feira passada a Karen e as crianças me levaram até a rodoviária às oito da manhã, quando peguei ônibus para São Paulo. Em Americana a manhã era linda, com muito sol. Eu vestia uma camisa com mangas curtas e uma jaqueta de couro. Cheguei em Sampa e estava horrendos nove graus, com um vento alucinante. Botei um suéter sobre a camisa, mas ainda assim batia o queixo. Trabalhei assim, o dia todo, com frio. Mais de oito da noite, a caminho do apartamento de um amigo, onde ia dormir, parei num Franz Café e pedi um conhaque. Me serviram um Domecq num cálice para licor e cobraram R$ 6,90 - o que é um roubo. Briguei e me serviram uma dose de cortesia. Menos mal.
Lá por Pinheiros parei num simpático restaurante chinês e mandei um Yakisoba quente com preço honesto.
Na Quinta foi dia de seminário, aquele sobre o novo marco regulatório do saneamento. Tivemos que acordar às seis da manhã e estava frio, mas menos que Quarta. Apreensivo, como em todo evento, nem tomei café direito. Não eram 8 horas e estávamos no Novotel Jaraguá. Sim, o evento foi um sucesso, tivemos que mudar a sala de última hora por conta da quantidade de inscritos: 282. Durante todo dia ficamos lá e eu reencontrei (pura coincidência!) amigos que não via há anos. Foi muito bom.
Animados - eu e meus amigos de seminário - decidimos tomar um chopp no nosso já conhecido reduto O Canto da Madalena e a Lulu - ora vejam! - nos acompanhou. Foi muito legal, ficamos batendo altos papos. O dono do bar, meu amigo Giba, estava lá e liberou o local para o lançamento de Virgínia Berlim - agora é só marcar a data.
Fomos embora todos levemente alcoolizados. E eu tinha que pegar outro ônibus na manhã seguinte para Santos. Acordei às seis da manhã com um frio dos diabos: os nove graus tinham voltado.
Com esforço, tomei banho e saí para enfrentar uma baldeação de metrô, até Jabaquara (também conhecido como "o fim da linha"). Mas tudo bem, estava lendo empolgado "O Baphomet", estranho e chocante livro de Pierre Klossowski comprado a cinco real num sebo. Me assentei no busão, encapotado até as orelhas e saímos. No caminho a temperatura foi subindo e chegamos em Santos com hor-ro-ros-so-sos vinte e nove graus - um calor dos infernos!
Bem, fui tirando um pouco de roupa, enquanto esperava meu contato chegar. Para quem não sabe, coordeno um seminário sobre "Violência e Políticas Públicas" em Santos no dia 13 de Junho (com MV Bill, o pessoal que fez o filme "Querô", o sociólogo Sérgio Adorno, o colombiano Hugo Acero Velásquez, entre outros). Tinha uma série de reuniões na cidade, ainda não era 10 da manhã e eu suando.
Em frente à rodoviária uma simpática banca-sebo, fui até lá fazer uma hora. Comprei um "O Exorcista" para minha filha, também por cinco real.
eu carona chegou, cumprimos agenda que terminou com alguns choppinhos num boteco frente ao mar enquanto acabava o empate do Brasil com a Inglaterra e o Dunga se justificava.
Cheguei no hotel cansado, ia dormir e volta no sábado pela manhã, quando passo os olhos pela "A Tribuna", jornal local. Pois ia ter, naquela sexta, dali uma hora e meia, a apresentação do novo espetáculo do Mawaca na cidade. Ah! O Mawaca é uma banda realmente sensacional e eu sou grande amigo do "homem dos sopros" do Mawaca, o Ramiro! Estava cansado, mas resolvi ir. Que pena seria se eu não tivesse ido. No novo show o grupo apresenta músicas de refugiados de todo mundo, num espetáculo altamente emotivo. Muito bonito, chorei muito, em breve faço um texto sobre a banda e o show.
Assim, findo o show, depois de dar um abraço em Ramiro, decido voltar para o hotel a pé - já que a noite está quente e as emoções afloradas. Vou caminhando e caminhando e começo a suar - aquele suor de beira-mar, mais pegajoso que o normal. Ando por mais de 40 minutos e chego ao hotel ensopado e exausto. Mal consigo subir para o quarto. Arranco a roupa e deito suado na cama - onde apago.
Acordo às cinco da manhã congelado e com um princípio de pneumonia. Terrível.
Tomo um banho quente, arrumo minhas coisas, acerto as contas, compro a "Rolling Stone" nova (eles puxam o saco do Ira! - em breve vou escrever sobre isso) e me mando para a rodoviária. Pego um ônibus para Campinas e chego em casa às quatro da tarde. Saí de Santos com chuva, cheguei em Americana com chuva. E com o nariz tapado.
Abri um vinho e fiquei brincando com a Lia - estava com saudades da baixota. Agora, os próximos 10 dias serão de umas "férias" mascaradas... Não tenho que ir à TV, mas tenho muito trabalho do seminário de Santos. Posso fazer isso de casa. Já estou fazendo. Só parei um segundo para contar sobre esses quatro dias, que resultaram nesta insuportável gripe. Mas vai passar.
Espero aproveitar esses dias também para colocar os posts prometidos em dia. E também passear com o pessoal aqui, preparar as coisas para o aniversário de um ano da Lia (dia 16!) e fazer algo que há muito não faço: bater papo com os amigos no MSN. Ei, pessoal, nesta semana vai dar para colocar o papo em dia.
:>)
esse post poderia ir par ao Atmosfera!! :-)
foi uma dílicia.
beijos,
Lu.
Que dias agitados, não? Vou adorar quando você escrever sobre o show. Beijocas
Bia, acompanhei seu périplo pela Paulicéia: do frio ao calor, da chuva ao "aconchego" do lar... Interessou-me saber um pouco mais do seminário lá de Santos (Violência e Políticas Públicas). Dá pra compartilhar alguma coisa?
A propósito, republiquei aquele post sobre Meninos do Tráfico (MV Bill), do ano passado... Abraços.
ai, carai!
:>)
Olá Biajoni,
Eu não sei se você conhece uma lenda sobre a cidade de Santos que relata alguns fatos extranhos relacionados às pessoas que visitam a cidade.
Me lembrei dela por causa de seu post e porque toda vez que vou a Santos volto com algum probleminha de saúde. Hora uma gripe, às vezes uma diarreia, muitas vezes insolação. Quando não, com queimaduras de 3º grau.
E verifiquei que isso não ocorria somente comigo.
Várias pessoas são anualmente acometidas por males decorrente da visita a Santos. Há inclusive uma comunidade no orkut chamada, Vítimas de Santos- Os Cavaleiros da Nova Povoação, onde é possível ler relatos surpreendentes com os mais diversos males que acometeu os viajantes que por lá passaram. Existem até casos, e não são poucos, de mortes. Todos relatados postumamente. De próprio punho.
Como você sabe a cidade foi fundada por Brás Cubas, não o do Machado, mas o
português, amigo de Martim Afonso de Sousa.
Dizem que Brás Cuba viveu 100 anos e foi fundador da irmandade de Santa Casa de Misericórdia de Santos.
A lenda diz que certa vez um lavrador muito simples vindo de São Paulo de Piratininga, na intenção de levar uma vida melhor sem a correria da cidade grande e respirando o ar fresco do litoral, fixou residência por aquelas paragens.
Alguns meses depois, acometido por uma febre, procurou os serviços do hospital onde foi violentamente colocado para fora. Porque além de ser pobre e negro, não era morador natural da cidade.
O sujeito foi embora, mas não sem antes lançar uma praga; todos que à aquela cidade chegasse, seriam acometidos por algum mal, e assim, por mais que o hospital se ampliasse nunca haveria lugar suficiente para todos. De forma que se estabelecesse o caos permanente e crescente naquela instituição.
Está é, segundo a pagina do orkut, a Maldição do Diabo de Piratininga.
A lenda também diz que, com o passar do tempo, a cidade foi se transformado em caos completo. O hospital sempre cheio, gente morrendo nos corredores, falta de remédios, quartos, médicos e enfermeiras.
Até que um dia resolveram tomar uma atitude. Construíram uma capela em cima de um morro, colocaram dentro a imagem de Nossa Senhora de Mont Serrat e realizaram uma missa. Toda comunidade participou, inclusive turistas.
E daquele dia em diante só sobreviveria à praga quem fosse à cidade e na volta passasse em Mont Serrat e rezasse à virgem do Monte.
Não é por nada não, mas aconselho você voltar lá e se ajoelhar aos pés da santa. Como agora sempre faço antes de voltar a São Paulo.