
Eu sei, o nome correto do livro é "Os Melhores (e também alguns dos piores) textos de Branco Leone" - mas o mais correto seria o título deste post. Na excessiva modéstia auto-indulgente do título está escondida a maior qualidade e o pior defeito de Branco Leone; o que faz seus contos-crônica valerem a pena e o que traz à boca um gosto algo insípido: ele vive querendo dizer que os textos não prestam, que não está preocupado com o conteúdo dos textos, que os textos não são muito bons (e podiam ser piores), que nada é substancioso. E essa insistência por vezes acaba, enganosamente, convencendo a gente.
Existe uma coisa de o artista ter que ser humilde - e isso é uma besteira. Por que o artista, o escritor, não pode ser arrogante, prepotente ou mesmo chato? O que importa, no fim, não é o que ele escreve? E quando ele escreve não deve ter ambição? Não deve querer fazer "algo além"? Algo, ér, "superior"? Penso que sim. Mas Branco Leone parece escrever se colocando sempre numa posição franciscana, talvez para nos provocar uma simpatia por ele, desviando a atenção do texto. Ele está errado.
Sim, Branco Leone não se importa muito com os temas e conteúdos de seus textos-crônicas - mas se importa muito com a forma deles. Por isso, ele devia nos chamar a atenção continuamente para a forma, mostrando seu esforço para burilar temas bestas e pequenos ao invés e ficar batendo continuamente na tecla da desqualificação do conteúdo. Quase qualquer coisa fica muito legal e e-le-gan-te nas mãos de Branco Leone.
Esta sua postura despretenciosa geral (o livro com a capa branca, a propalada propaganda que mostra que o livro é fácil de rasgar, o "e também alguns dos piores", notinhas aqui e ali falando que os textos não cheiram bem ou não são úteis...) pode gerar tanto uma aproximação do leitor pelo autor, uma "simpatia", como um afastamento, uma "desconsideração", dos textos e do livro, de maneira geral. "Ah, o livro do Branco? Li sim, legalzinho!".
E é uma sacanagem chamar os textos desse livro de "legaizinhos" já que alguns são realmente muito bons, vários deles engraçadíssimos, alguns com um gosto peculiar de saudosismo português, aquela coisa doce-amarga própria dos portugueses - e Branco não renega suas origens (nem poderia).

(Foto de Branco Leone por Luis Fernando Macian)
No final das contas, se chamasse "Alguns dos Melhores Textos de Branco Leone" começaríamos uma relação de honestidade com o livro e com o autor. Se ele (o livro) tivesse alguma outra aura (de pretensão, talvez), leríamos os textos com mais cuidado - e eles se revelariam melhores do que parecem.
A mim também interessou o livro. Tinha visto a propaganda antes e dei várias gargalhadas aqui, sozinho, parecendo louco na cadeira.
E Bia, li teu livro. ;-)
Um tesão, bitcho!
Preciso de inspiração para concluir um roteiro para a Oficina de Vídeos.
Claudia, é só pedir. O livro é bom demais, nem queira saber. E estranhamente barato. Não sei onde estava com a cabeça quando fiz preço.
Pois é... no geral, as pessoas têm essa mania de se desmerecer. Mas sua resenha me deixou com vontade de ler o livro. E é esse a finalidade de uma resenha, não é?
Eu gosto disso, resenha que faz o autor pensar. Mas já vou agradecendo muito. Depois comento mais. Beijo.