junho 2007 Archives

Saiu hoje no Jornal de Limeira a primeira resenha em impresso de "Virgínia Berlim - Uma experiência". O jornalista Paulo Corrêa leu o livro e escreveu uma matéria longa e bonita, mas que contém um spoilerzinho - você está avisado, agora é por sua conta e risco: aqui.
:>)

Trechos bacanas:
"[...] a riqueza do segundo livro de Biajoni está justamente na força imposta pela narrativa. É versátil, bruto e letal. Não existem travessões ou aspas nos diálogos. O protagonista ora narra a história em primeira pessoa, ora se disfarça de um atento narrador-observador. São armadilhas do escritor para tragar o leitor ao buraco-negro do livro.[...] "Virgínia-Berlim - uma experiência" é um livro de perdas. Ou melhor, do processo da perda e da cura natural da dor. Sem ensinamentos. Sem pieguice. O personagem sem-nome, de 30 anos, vivendo em um não-lugar e que se apaixona inesperadamente por uma escriturária "sem sal" chega a roubar um arremedo de sorriso dos lábios em algumas ocasiões. Importante: o livro do americanense Biajoni não é um romance policial. Sequer é um romance. Também não é um conto. Crônica? Não também. Então, a obra é o quê? A resposta está no subtítulo: uma experiência [...]"

Uau. Obrigado, Paulo.

E obrigado também ao John Coffey, que leu e mandou o primeiro e-mail sobre o livro. Diz ele:
"Só posso dizer que o livro está entre as coisas mais bonitas e de maior sensibilidade que eu já vi. [...] A poesia está sempre presente e é realmente tocante. Terminei o livro antes que o Cd (excelente aliás) terminasse e resolvi criar coragem de te mandar essa missiva.[...] Antes que eu comece a falar besteiras e me alongar demais lhe dou os parabéns. Sinceros parabéns de quem realmente se emocionou com o que você escreveu."

Uma coisa assim faz o dia de um escritor ficar mas colorido.
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Compra!

É duro, rapá. Vou te dizer.

Como muitos sabem, co-apresento um programa de TV diário em Limeira, um programa de entrevistas das 11h30 a 12h30, horário em que batemos a dona Globo mas pedemos no finzinho para o Milton Neves na Record. Eu não sou o entrevistador direto, fico mais como um comentador-palpiteiro-atiçador - mas tem sido cada dia mais difícil para mim tocar algumas entrevistas. Vejam vocês: nesses dias tivemos Felipe Dylon (!), um autor de auto-ajuda (!!), um vereador que está se especializando em projetos inconstitucionais e um coronel da polícia militar que dá palestras falando sobre violência onde diz que a culpa pelo crescimento da mesma é a "falta de amor na família, as drogas e os filmes e videogames violentos" - mas se nega a discutir a divisão de renda. Eu mereço.

Como se não bastasse, na quarta-feira da semana que vem estará aqui o maior cientista criacionista brasileiro - e eu vou ter que me preparar para apimentar a discussão.

Ai, ai.

Bom, falando em violência, ninguém perguntou, mas foi super o evento em Santos, "Violência e Políticas Públicas". Você pode ler alguma coisa sobre o evento e ver algumas fotos - onde eu até apareço! - aqui, aqui, aqui, aqui e aqui (eu fiquei amigo desse cara, Hugo Acero Velásques, o cara que consertou a violência em Bogotá - uau! - grande cara!).

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(Maxwell Nascimento, o garoto de rua que conseguiu o papel principal de "Querô" e tá papando todos os prêmios de melhor ator nos festivais brasileiros, um garoto com uma aura magnética foda; eu; Samuel de Castro, também ator de "Querô"; meu chefe na Fesp, Prof. Pimenta Freire)

O próximo seminário será "Aquecimento Global", também em Santos, na primeira semana de Novembro. Alguém sugere nomes?

Charlotte Rampling em "Stardust Memories", de Woody Allen, dublagem original para TV, não encontrei crédito da dublagem. É isso, tem tudo a ver com o livro. Edição de Fernando Santarosa.

Confirmadas datas de lançamento: 7/7 em Limeira (Bar da Montanha, 19h30), dia 14/7 no Rio (local a definir), dia 21/7 em Sampa (Canto Madalena, 19h30). Mais informações em breve.

Claudia Lyra escreveu sobre o livro.

Compre, presenteie, leia, ame. Aqui.

Em 2003 fui processado pela concessionária Fiat de Limeira por causa de um texto publicado no site Tiro&Queda. A empresa conseguiu liminar para retirar o texto do ar e entrou com pedido de indenização no valor de R$ 9,6 mil. Na semana que passou, o processo chegou ao fim e eu venci. Creio que seja uma vitória da internet brasileira.

Creio que esse tenha sido o primeiro caso de um pedido de indenização de uma pessoa jurídica por causa de um texto publicado na internet no Brasil. Meu advogado, pelo menos, não encontrou jurisprudência, casos já julgados. Fica sendo o primeiro então, gerando a jurisprudência - felizmente privilegiando o autor. Embora isso possa ser ligeiramente perigoso, pois não? Sei disso.

Vamos rapidamente ao caso, só para contextualizar: meu Uno quebrou, eu o levei à concessionária Fiat, consertaram, paguei os R$ 360,00 do conserto à vista. Passadas algumas semanas, o carro pára novamente. Chamo o guincho e voltamos à concessionária; estava na garantia. Porém, segundo o atendente, não havia relação entre esse novo defeito e o anterior. Dessa vez a correia dentada havia se partido, causando uma pane geral no motor, válvulas, etc... O conserto ficaria em R$ 1.099,00. Pedi que não consertassem, eles insistiram, mas não autorizei. Tirei o carro de lá no outro dia de manhã e levei para um mecânico da confiança de um amigo e ele me disse que o veículo não tinha nada, NADA, só a correia que havia mesmo se partido - e uma correia nova custava apenas R$ 60,00.

Indignado, pensei friamente sobre a questão e voltei à concessionária. Queria falar com o gerente pois algum esquema de superfaturamento podia estar acontecendo ali sem que ele soubesse. Expliquei brevemente o que aconteceu para um atendente que subiu umas escadas e veio logo depois com a resposta: "O gerente disse que é para você procrar os seus direitos". Essa é, tipicamente, a resposta que esse tipo de empresa irresponsável dá ao cidadão. A empresa sabe que os órgãos de defesa do consumidor demoram com as coisas e sabe também que a maioria dos cidadãos nem sabe quem recorrer em casos assim.

Recolhi os documentos, o orçamento do primeiro conserto, a nota de pagamento, o segundo orçamento de R$ 1.099,00 e a nota da compra da correia de R$ 60,00 - e fiz um texto para publicar no site. Procurei um advogado amigo, mostrei as provas e o texto e ele disse: "publica!". Publiquei. Como se não bastasse, alguns dias depois recebo um telefonema da concessionária cobrando R$ 46,90 pelo orçamento do serviço de R$ 1.099,00 não realizado. Essas coisas não deixam mesmo a gente PUTO NAS CALÇAS?

Retirei o texto do ar, reescrevi ainda mais virulento, incluindo a parte do orçamento. E pedi para que a empresa me processasse; queria ir para o pau com ela. Mal esse texto bateu no site, foi copiado e usado em spams por toda cidade. No pedido de liminar, a concessionária afirmou que era eu quem fazia os spams, coitados. O juiz deu a liminar e seguiram-se quase quatro anos de idas e vinda aos Fóruns de Americana e Limeira, papéis e papéis e contestações e informações. Ficou provado que eu não era o autor dos spams. Eu nunca neguei a autoria do texto. Passamos ao conteúdo do texto - e eu não estava errado, farto de documentos.

A sentença ao processo 1463/04, do Juiz de Direito Márcio Roberto Alexandre, de Americana, é um bom exemplo de bom senso e conhecimento da matéria. Diz ele: "Conquanto não tenha o requerido [eu] se utilizado de palavras amenas e suaves [e não usei mesmo] para veicular sua irresignação diante do suposto comportamento duvidoso da autora [a concessionária Fiat de Limeira], com a qual não concordou, convenço-me de que a conduta por ele perpetrada teve muito mais o caráter de um desabafo do que a intenção de difamar ou denegrir a imagem da autora perante os seus atuais e eventuais futuros clientes, diante do que não me convenço da ocorrência de dano moral passível de reparação."

E adiante:
"Consigno que a liberdade de expressão do pensamento foi erigida à cláusula pétrea pelo Poder Constituinte Originário, devendo ser tolhida somente nas hipóteses em que afronta direta e seriamente outro direito de idêntico patamar, o que não ocorre na hipótese ora 'sub judice' sob pena de se instaurar novamente a censura, tão repudiada em um Estado Democrático de Direito."

Viva!

Em tempo: a concessionária Fiat de Limeira foi vendida há cerca de um ano. O pessoal que comprou a bandeira agora parece ser gente séria. De qualquer maneira, Fique de Olho na Fiat.

Leio a Rayssa tem uns dois anos e agora ela está com 17! Sim, precoce a linda garota. E agora ela está de blog novo, morando no Rio. Não conhece? Taí uma grande chance. Vai .

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(Além de escrever, Rayssa dança!)

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A Lu perguntou e o Marcos VP respondeu e me botou na roda para responder também e, ora, vocês devem ter percebido que esse blog está meio devagar, o lançamento do livro tumultou as coisas, teve aniversário de Lia e as coisas todas, reais, irreais, blogosféricas, internéticas e po-le-mi-zan-tes ficaram em banho-maria. Mas, como dizem os franceses, enfim! A pergunta é se existe concorrência na blogosfera brasileira. Eu respondo que sim, como existe competição em tudo. Mas também que tem alguns blogueiros, talvez os melhores, que não se preocupam em competir. Isso tem a ver com o perfil de cada um e, falando muito grossamente, o camarada que não quer competir, não quer ser "mais" que ninguém, não quer ficar parecendo "o fodão", etc..., geralmente é o mais gente fina, é o que saca mais os lances, é o mais simpático, é o que acaba tendo mais visitas e se destacando.

Acho que você pode inscrever seu blog em sites de busca, sair comentando a torto-e-direito (recurso chamado blog-climber), ficar fazendo spams de seus posts, usar o msn para dizer "leia o meu blog", qualquer coisa para chamar a atenção... Mas fidelizar o leitor, fazê-lo voltar, comentar, torná-lo um "amigo virtual", requer carisma, atenção, dedicação e uma boa dose de tranquilidade - que muitas vezes a "ânsia" por querer destaque ou atenção ou links ou visitas & comentários não proporciona.

O blog, ora, é o retrato do seu dono. Quem fica desesperado por atenção, acaba mal. Quem quer aparecer nas costas de outros, sobrepujar outro blogueiro, coisa assim, vai rapidamente ser tachado de antipático. O negócio, nesse negócio de blog, é mesmo ouvir o conselho da velha e boa fêssora Marta: "relaxa e goza".

Imagina se eu quisesse competir com Mestre Ina ou com Alex ou o com Miltão. É melhor ser amigo desses caras.
:>)

O gentilíssimo Nababu, que não pode perder ao lançamento do livro no Rio, teceu belas palavras.

O super afrodescedentão Bródi Tom, com seu peculiar estilo, reforçou a idéia que dei para que as pessoas comprem dois exemplares - dando um deles para um grande amor do passado.

Lindos.

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(mã e fia)

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(pai e fia)

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(a criançada se diverte)

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(os irmãos)

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*Fotas de Albano Martins Ribeiro.

O primeiro a escrever sobre Virgínia Berlim foi Renmero Rodriguez, ainda antes de ser lançado. Agora ele fez um postezinho de divulgação, remetendo ao post sobre o livro. Foi um post lindo. Eu adoro esse moleque.

Shiraga, que ajudou nas traduções das letras das músicas no livro mas não o tinha lido, escreveu sobre. No embalo, sua amiga Dre também.

Enquanto isso, você pode comprar o livro no novíssimo site d'Os ViraLata, basta mandar um e-mail para Albano, dizendo como quer pagar os R$ 28,50 ou R$ 50,00 por dois exemplares. Eu aconselho comprar dois, dar um de presente para um amor antigo, um amor do passado, um amor não correspondido... Acredite, vai ser lindo.

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O livro acompanha um CD de brinde, com 12 canções.

Apdeite: Hoje me deparo alegremente com o post do mestre Idelber falando de Virgínia Berlim. Muito obrigado, negão!

pronto!

Muito bem, está pronto: "Virgínia Berlim - Uma experiência" está à venda, por enquanto apenas pelo e-mail d'OsViraLata. Quem quiser comprar - e espero que todos comprem, leiam e resenhem - é só mandar um e-mail para o endereço que está e combinar com o Albano como fazer o pagamento: transferência, depósito, envio de cheque, etc... O preço? Ah, sim, o preço é R$ 28,50. Achou caro? Algumas razões para esse preço:

- Apesar das poucas 68 páginas, o livro demorou 10 anos para ser concluído. Eu sei, muita gente não acredita nisso, mas "Virgínia Berlim" nasceu em 1996, quando morei sozinho num pequeno apartamento por 4 meses. Depois desses 4 meses, passei um mês no litoral. Durante todo esse período fui escrevendo alucinadamente enquanto revia meus filmes preferidos e lia Joseph Campbell e "Retrato do Artista Quando Jovem" do Joyce. Fui anotando idéias, transcrevendo trechos de filmes, etc..., e em Janeiro de 97 eu tinha cerca de 400 páginas que começaram a ser trabalhadas e foram finalizadas de fato em Janeiro deste ano - exatos 10 anos depois. É claro que durante esse tempo escrevi "Sexo Anal" e mais algumas coisas... Mas talvez eu possa dizer que em "Virgínia Berlim" eu consegui alcançar algo... Ou "algos". Tecnicamente o livro não é um conto, mas também não é um romance - tem uma proposta; é uma "experiência", como diz o subtítulo. Mesmo narrado na primeira pessoa, queria tirar essa impressão - sinto que consegui fazer com que o personagem conte sua própria história como se fosse alguém externo. As pequenas coisas prosaicas que o personagem executa podem ter várias camadas de leituras - e há algum hermetismo particular, referências pop inconfessáveis, mas nada que interfira na leitura do leitor médio. A narrativa é simples e fuida e o espírito de todo livro está na frase inicial: "Quase todo dia a gente saía, no final do expediente, pra tomar umas num boteco ajeitado que ficava perto do escritório.".

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- Outro bom motivo para você pagar R$ 28,50 neste livro é que ele é dividido em duas partes. Temos a narrativa e depois temos 10 letras de canções de singer/songwriters americanos, com tradução livre minha e de Fábio Shiraga - e as canções têm conexão com a história.

- Ah, sim o livro vem com um CD com 12 canções. É um brinde. Sempre pensei em escrever um livro no qual um personagem grava uma fita K7 para a namorada e a fita vinha junto com o livro. Achava isso romântico. Bem, agora eu tenho um livro que tem um CD como brinde - mas as canções não são ouvidas ou conhecidas pelos personagens. Ou, pelo menos, não todas. São canções que o autor sugere como trilha-sonora do livro.

- Bem, eu acho - e comentei isso com o Doni - que esse não é um livro para ser lido: é um livro para ser dado de presente. Um livro para você dar para um antigo amor do passado, para alguém que foi uma boa experiência... Então, compre dois e pague R$ 50,00 - fique com um e dê outro para essa pessoa.

- Albano Martins Ribeiro diagramou, fez a linda capa, criou o clima, criou a tipologia, montou os livros um a um manualmente e, principal: amou esse livro. Então pense que você está comprando um livro quase artesanal amado por, pelo menos, duas pessoas.

- Eu dei "Sexo Anal" de graça para vocês, agora está na hora de vocês retribuirem.
:>)

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(Vocês já viram a capa, essa é a estilosa contracapa)

Comprem, divulguem, amem.

* E é claro que teremos mais posts sobre isso.
:>*

Dia dos namorados, vai dizer?
Tirarei o dia para ficar com Karen.
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Dia 13 estarei em Santos para o "Seminário de Violência e Políticas Públicas". Vai ser lindo, terá posts aqui com fotos e resumo do que rolou. Só apareceu um blogueiro santista. Em breve, farei uma oficina de blogs lá para "fomentar" a área.
;>)

Dia 14 minha super-filha sai de Volta Redonda e vem para essas plagas para o aniversário de um ano da irmãzinha Lia - que tá cada vez mais linda.
:>*

Dia 15, sexta-feira, terminam minhas férias da TV e eu volto a trabalhar no dia-a-dia. Voltar na sexta é bão pois o fim de semana já tá aí.
:>/

E no sábado, ora, tem o aniversário de um aninho da princesa. Com muitas diversões divertidas no Solar Biajoni. Alguém vai estar por essas plagas? Acheguem-se.
;>*

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Meu novo livro estará disponível no site OsViraLata a partir de sexta-feira.
Se você é de Sampa, Rio ou Campinas e adjacências, deixe para comprar nas noites de autógrafo, terá surpresas. Toda divulgação será bem vinda.
:>*

É um pequeno livro triste.
Além da narrativa de poucas 40 páginas, o livro tem 10 letras de músicas com tradução minha e de Fábio Shiraga.
Em breve, mais informações.
O que acharam da cara do bicho?

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Eu sei, o nome correto do livro é "Os Melhores (e também alguns dos piores) textos de Branco Leone" - mas o mais correto seria o título deste post. Na excessiva modéstia auto-indulgente do título está escondida a maior qualidade e o pior defeito de Branco Leone; o que faz seus contos-crônica valerem a pena e o que traz à boca um gosto algo insípido: ele vive querendo dizer que os textos não prestam, que não está preocupado com o conteúdo dos textos, que os textos não são muito bons (e podiam ser piores), que nada é substancioso. E essa insistência por vezes acaba, enganosamente, convencendo a gente.

Existe uma coisa de o artista ter que ser humilde - e isso é uma besteira. Por que o artista, o escritor, não pode ser arrogante, prepotente ou mesmo chato? O que importa, no fim, não é o que ele escreve? E quando ele escreve não deve ter ambição? Não deve querer fazer "algo além"? Algo, ér, "superior"? Penso que sim. Mas Branco Leone parece escrever se colocando sempre numa posição franciscana, talvez para nos provocar uma simpatia por ele, desviando a atenção do texto. Ele está errado.

Sim, Branco Leone não se importa muito com os temas e conteúdos de seus textos-crônicas - mas se importa muito com a forma deles. Por isso, ele devia nos chamar a atenção continuamente para a forma, mostrando seu esforço para burilar temas bestas e pequenos ao invés e ficar batendo continuamente na tecla da desqualificação do conteúdo. Quase qualquer coisa fica muito legal e e-le-gan-te nas mãos de Branco Leone.

Esta sua postura despretenciosa geral (o livro com a capa branca, a propalada propaganda que mostra que o livro é fácil de rasgar, o "e também alguns dos piores", notinhas aqui e ali falando que os textos não cheiram bem ou não são úteis...) pode gerar tanto uma aproximação do leitor pelo autor, uma "simpatia", como um afastamento, uma "desconsideração", dos textos e do livro, de maneira geral. "Ah, o livro do Branco? Li sim, legalzinho!".

E é uma sacanagem chamar os textos desse livro de "legaizinhos" já que alguns são realmente muito bons, vários deles engraçadíssimos, alguns com um gosto peculiar de saudosismo português, aquela coisa doce-amarga própria dos portugueses - e Branco não renega suas origens (nem poderia).

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(Foto de Branco Leone por Luis Fernando Macian)

No final das contas, se chamasse "Alguns dos Melhores Textos de Branco Leone" começaríamos uma relação de honestidade com o livro e com o autor. Se ele (o livro) tivesse alguma outra aura (de pretensão, talvez), leríamos os textos com mais cuidado - e eles se revelariam melhores do que parecem.

desafio

Preciso da música "I Don't Stand a Ghost of a Chance With You" na versão de Chet Baker.

Não encontro para download em lugar nium. Se alguém conseguir, plis, me manda e recebe um exemplar do meu novo livro como prêmio. Ah, quem tiver o único disco do Chet com a canção pode também tirar uma cópia dele e me enviar que, além do exemplar do livro, terá minha eterna gratidão.
:>)

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taí!

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Quarta-feira passada a Karen e as crianças me levaram até a rodoviária às oito da manhã, quando peguei ônibus para São Paulo. Em Americana a manhã era linda, com muito sol. Eu vestia uma camisa com mangas curtas e uma jaqueta de couro. Cheguei em Sampa e estava horrendos nove graus, com um vento alucinante. Botei um suéter sobre a camisa, mas ainda assim batia o queixo. Trabalhei assim, o dia todo, com frio. Mais de oito da noite, a caminho do apartamento de um amigo, onde ia dormir, parei num Franz Café e pedi um conhaque. Me serviram um Domecq num cálice para licor e cobraram R$ 6,90 - o que é um roubo. Briguei e me serviram uma dose de cortesia. Menos mal.

Lá por Pinheiros parei num simpático restaurante chinês e mandei um Yakisoba quente com preço honesto.

Na Quinta foi dia de seminário, aquele sobre o novo marco regulatório do saneamento. Tivemos que acordar às seis da manhã e estava frio, mas menos que Quarta. Apreensivo, como em todo evento, nem tomei café direito. Não eram 8 horas e estávamos no Novotel Jaraguá. Sim, o evento foi um sucesso, tivemos que mudar a sala de última hora por conta da quantidade de inscritos: 282. Durante todo dia ficamos lá e eu reencontrei (pura coincidência!) amigos que não via há anos. Foi muito bom.

Animados - eu e meus amigos de seminário - decidimos tomar um chopp no nosso já conhecido reduto O Canto da Madalena e a Lulu - ora vejam! - nos acompanhou. Foi muito legal, ficamos batendo altos papos. O dono do bar, meu amigo Giba, estava lá e liberou o local para o lançamento de Virgínia Berlim - agora é só marcar a data.

Fomos embora todos levemente alcoolizados. E eu tinha que pegar outro ônibus na manhã seguinte para Santos. Acordei às seis da manhã com um frio dos diabos: os nove graus tinham voltado.

Com esforço, tomei banho e saí para enfrentar uma baldeação de metrô, até Jabaquara (também conhecido como "o fim da linha"). Mas tudo bem, estava lendo empolgado "O Baphomet", estranho e chocante livro de Pierre Klossowski comprado a cinco real num sebo. Me assentei no busão, encapotado até as orelhas e saímos. No caminho a temperatura foi subindo e chegamos em Santos com hor-ro-ros-so-sos vinte e nove graus - um calor dos infernos!

Bem, fui tirando um pouco de roupa, enquanto esperava meu contato chegar. Para quem não sabe, coordeno um seminário sobre "Violência e Políticas Públicas" em Santos no dia 13 de Junho (com MV Bill, o pessoal que fez o filme "Querô", o sociólogo Sérgio Adorno, o colombiano Hugo Acero Velásquez, entre outros). Tinha uma série de reuniões na cidade, ainda não era 10 da manhã e eu suando.

Em frente à rodoviária uma simpática banca-sebo, fui até lá fazer uma hora. Comprei um "O Exorcista" para minha filha, também por cinco real.

eu carona chegou, cumprimos agenda que terminou com alguns choppinhos num boteco frente ao mar enquanto acabava o empate do Brasil com a Inglaterra e o Dunga se justificava.

Cheguei no hotel cansado, ia dormir e volta no sábado pela manhã, quando passo os olhos pela "A Tribuna", jornal local. Pois ia ter, naquela sexta, dali uma hora e meia, a apresentação do novo espetáculo do Mawaca na cidade. Ah! O Mawaca é uma banda realmente sensacional e eu sou grande amigo do "homem dos sopros" do Mawaca, o Ramiro! Estava cansado, mas resolvi ir. Que pena seria se eu não tivesse ido. No novo show o grupo apresenta músicas de refugiados de todo mundo, num espetáculo altamente emotivo. Muito bonito, chorei muito, em breve faço um texto sobre a banda e o show.

Assim, findo o show, depois de dar um abraço em Ramiro, decido voltar para o hotel a pé - já que a noite está quente e as emoções afloradas. Vou caminhando e caminhando e começo a suar - aquele suor de beira-mar, mais pegajoso que o normal. Ando por mais de 40 minutos e chego ao hotel ensopado e exausto. Mal consigo subir para o quarto. Arranco a roupa e deito suado na cama - onde apago.

Acordo às cinco da manhã congelado e com um princípio de pneumonia. Terrível.

Tomo um banho quente, arrumo minhas coisas, acerto as contas, compro a "Rolling Stone" nova (eles puxam o saco do Ira! - em breve vou escrever sobre isso) e me mando para a rodoviária. Pego um ônibus para Campinas e chego em casa às quatro da tarde. Saí de Santos com chuva, cheguei em Americana com chuva. E com o nariz tapado.

Abri um vinho e fiquei brincando com a Lia - estava com saudades da baixota. Agora, os próximos 10 dias serão de umas "férias" mascaradas... Não tenho que ir à TV, mas tenho muito trabalho do seminário de Santos. Posso fazer isso de casa. Já estou fazendo. Só parei um segundo para contar sobre esses quatro dias, que resultaram nesta insuportável gripe. Mas vai passar.

Espero aproveitar esses dias também para colocar os posts prometidos em dia. E também passear com o pessoal aqui, preparar as coisas para o aniversário de um ano da Lia (dia 16!) e fazer algo que há muito não faço: bater papo com os amigos no MSN. Ei, pessoal, nesta semana vai dar para colocar o papo em dia.
:>)

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  • luiz biajoni
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