Assim como Woody Allen, eu adoro mágicas. Passei toda minha infância próximo a um local que recebia circos, assim aprendi a andar na corda-bamba (não no fio esticado), subi em elefante (guardei um fio do rabo do elefante até pouco tempo; muitos acreditam que dê sorte), vi alguns truques de mágica serem executados (até aprendi alguns com cartas que fazem sucesso até hoje). Porém, não me animei em ir até os cinemas para ver "O Ilusionista" e "O Grande Truque" - vi-os recentemente em casa. Ambos são muito bons.
"O Ilusionista" é, na verdade, uma história de amor. Um bom mágico na Viena do século 19 perde e reencontra seu grande amor e tem que usar seus dons de ilusionistas para ficar com a beldade. O filme me entusiasmou no começo, mas estava bem desanimado no início da segunda metade. A coisa melhora muito no terço final, onde acontece a conclusão - que confunde o próprio cinema (arte ilusória) com a mágica.
"O Grande Truque" é, na verdade, uma história sobre o ódio e a vingança. São dois mágicos rivais que tentam, ao mesmo tempo, se superar e prejudicar o outro - inclusive utilizando elementos do ofício.
É o melhor filme do superestimado Christopher Nolan que surpreendeu a todos com "Amnésia" e depois fez os fracos "Insônia" e "Batman Begins". O que Nolan (que também assina o roteiro com o irmão) faz melhor (quando está em boa forma) é brincar com o tempo nos filmes. "Amnésia" pode ser chamado de sensacional pela forma ousada de edição, contemplada no roteiro intrincado dos irmãos Nolan. "Insônia" tinha um um roteiro muito linear e não foi possível que o diretor brilhasse. Já em "Batman Begins", ele escorrega a mão nos momentos em que poderia brincar, fazendo "sequências com musiquinha eletrizante e cortes rápidos para sintetizar blocos de tempo", como quando Christian Bale aprende as técnicas de Jedi com Liam Neeson. Clichê desgastado, hiper-satirizado no excelente "Team America".
Bem, a grande qualidade de "O Grande Truque" está na manipulação do tempo do filme, na história que é contada em vais-e-vens, dando informações surpreendentes em escala homeopática e mantendo a suspensão da platéia até o final - como num bom show de mágica. Um ou dois truques que o diretor achava que ia surpreender muito acabam previsíveis, mas não atrapalham a trama, que tem um número razoável de enigmas.
Aliás, de um ponto de vista mais, digamos, ér, metafísico, talvez pudéssemos dizer que "O Grande Truque" é um filme que trata de símbolos, duplos, realidades alternativa e (porque não, nesses tempos de "O Segredo"?), de física quântica, realidade virtual e obsessões pelos "domínios do ambiente" ou "excelência da técnica" - essas coisas que faz jovens estudantes sul-coreanos entrarem armados em universidades americanas.
"O Ilusionista" é um filme linear que se conclui em um flashback, mais ou menos como se o Mister X explicasse o truque de um grande mágico. "O Grande Truque" se constrói a partir de fragmentos que se unem em nosso cérebro e ficam por lá instigando pensamentos bem depois que o filme acaba. E assim são as grande mágicas.
Subestimei os filmes e faço um mea-culpa: devia ter ido no cinema. A sala escura seria o local ideal para espetáculos de tal magnitude.

(Aqui dois pôsteres promocionais bacanas de "O Grande Truque")
Eu gostei é do pôster, que é sensacional. Bem diferente do feijão-com-arroz normalmente usado para vender os filmes...
Eu quero.
Gostei do Ilusionista, alias meu sobrinbo de 7 anos mais que eu, rs mas prefito filmes violentos ou de ação !
Assisti ao Ilusionista. É um filme feito para entretenimento. É um drama, um romance e um suspense. Entrelaça bem estas diferentes nuances e não nos faz ficar com cara de quem gastou X reais à toa em uma locação. Já é uma vitória!
Assista também, se tiver tempo, a Peaceful Warrior, ou "Poder Além da Vida" em português. Pequenos drops budistas com sal e limão para serem ingeridos sem culpa. Bom para quem tem pentelhos de 10 meses perambulando pela casa.. hehehe
Um super-abraço!
Não assisti a nenhum dos dois!
;D
mais agora pretendo.
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