maio 2007 Archives

É incrível, mas apesar dos apelos, nenhum blogueiro santista se pronunciou. Para quem não sabe, estou na coordenação do seminário "Violência e Políticas Públicas - A importância do envolvimento da comunidade", que acontece no SESC Santos dia 13 de Junho. Presenças confirmadas até agora de MV Bill, Professor Sérgio Adorno e do sociólogo colombiano Hugo Acero Velásques. Não confirmada até o momento, a de Caco Barcellos.

O fato é que o evento vai contar com a participação de duas iniciativas sociais importantes da Baixada, o "Arte no Dique" e o pessoal que fez o filme "Querô". Pensei em fazer uma blogagem coletiva com o pessoal da Baixada com a possibilidade de uma exibição exclusiva do "Querô" (que só estréia em Agosto) para eles. E também organizar a participação geral de blogueiros no show do "Arte no Dique", que acontece no dia do evento.

E aí? Não tem mesmo blogueiro nessas plagas?

e uma puta zona no blog dele.

Mas está super.

Não deixem de perder!
:>)

verbeat news

Eu nunca sei o que se passa na cabeça dos proprietários aqui. Agora inventaram um blog pra falar do tempo. Ah, o tempo aqui está assim, o tempo aqui está assado... Um blog inútil, como a maioria dos blogs, mas que já é campeão de audiência aqui na Verbeat. Vai entender... Cada vez mais acho que leitor é maluco.

Maluco mesmo é esse pessoal vidrado em Second Life. Bom, pra eles, a Verbeat botou no ar o The Konstrukt, a versão em português da melhor revista sobre Second Life. Como diz mestre Millôr, "latim, pra mim, é grego!".

O que pega mesmo pra mim, nessa nova onda verbeater, é a estréia do amigo Jorge Rocha, com seu bordão heróico de "O Jornalismo Morreu!" e o distintivo que lhe dá superpoderes expra & supra terrenos ExuCaveiraCover aqui nessas plagas. Vão ler!

Sobre meu novo livro, gentes: não tem nenhum local ou data confirmados para lançamento ainda. O livro fica pronto apenas na segunda quinzena de junho. Guardem as granas!
:>)

novo livro

Preparo post sobre meu novo livro, "Virgínia Berlim - Uma experiência", mas o Alex, que está indo para Cuba, já adiantou boa parte das novidades. A coletânea de crônicas do LLL e meu livro saem pelo selo de Branco Leone, a editora OsViraLata. Os livros poderão ser comprados juntos, com desconto. Eventos de lançamento devem acontecer em Sampa, Rio, Salvador, Campinas e Limeira.

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"Virgínia Berlim" é um pequeno romance triste, com algumas novidades de estilo, algumas bossas. Serão impressas poucas cópias - quem quiser, grita!

TS Eliot e Ezra Pound, dois caras que não tinham muito o que fazer, discutiam sobre qual seria o "mais cruel dos meses", sem se darem conta que o mais importante é agasalhar quem tem frio. Bródi Negão conta essa história comovente hoje.

Aqui por essas bandas, Alex Castro e Cardoso (que não é o Czarnobai), discutem o sexo dos anjos de maneira metafórica, digladiando-se sobre o uso do "leia mais" em blogs. Ambos não se dão conta que, pô, depende. Alguns usam o "leia mais" de maneira subversiva, como é o caso do Hermê - embora geralmente me irrite muito.

Enquanto isso, o Cardoso (sim, o Czarnobai) convida a todos para a festa Pecha Kucha Night Porto Alegre Brasil Volume 01. Se eu estivesse em Poa não perderia por nada. Esse Cardoso é que sabe se divertir.

E hoje, de maneira mais "realista", tem lançamento do novo e explosivo livro de Cláudio Tognoli na Livraria da Vila: "Mídia, Máfias e Rock´n´Roll". O lançamento é da Editora do Bispo que também tem blog. Como estarei em Sampa, estarei vendo se vai dar para estar indo.

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Trabalhando a mil na divulgação do Seminário "Os Municípios e o Novo Saneamento", que acontece quinta que vem, dia 31, em Sampa. Aliás, quem puder ajudar a divulgar, ótimo.

Tem uma grana preta para o saneamento no PAC, mas as prefeituras não estão apresentando projetos. O novo marco regulatório para o setor é uma lei novíssima, que pouca gente conhece. Por isso, esse seminário.

Ok, esse não é um assunto que tenha a ver com esse blog, mas de repente alguém se interessa por participar. Ou ajuda a divulgar.
:>)

Ah, isso merece um post!
:>)

Peguei lá no Rafael Reinehr.
;>)

sexta-feira..

Marcos VP está com leiauti novo, querendo fazer do seu Pirão um blog mais pro e eu acho isso lindo! Para bebemorar, os blogueiros cariocas têm o que fazer na sexta: Cachaçaria Mangue Seco.

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Euzinho, infelimente, estarei trabalhando. Devo estar em Santos na sexta - e, vejam vocês, ainda não achei um santo blogueiro santista para me pagar uma cerva.

Não deixe de perder neste blog, na semana que vem:

- Sérgio Efe coloca 20 quadros à venda, numa pancada só. Preços vão de 300 a 800 reais - baratinho, baratinho e tem coisas tão legais quanto esse ou essa:

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- Resenha do livro de Branco Leone. Você já viu o impecável trailer do livro?

- Novidades do seminário sobre Violência e Políticas Públicas em Santos, dia 13 de Junho. Eu e MV Bill lá estaremos. Confirmadíssimo.

- Novidades também sobre meu novo livro, "Virgínia Berlim".

- Fim de semana de descanso. Excelente findi a todos. Beijos mil.
:>)

ESTULTO.JPEG

"...
Eu escrevo com o corpo
Poesia não é para compreender mas para incorporar"

Manoel de Barros

Essa é uma resenha do livro de poemas de Caco Ishak, "dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa" (7Letras) - mas não podia começar sem evocar Manoel de Barros e sobre como fiquei fã da obra deste poeta pantaneiro. Em 1990 participei da mostra Artes e Ofícios da Poesia, no MASP, e um dos vencedores na categoria Vídeo (em que eu concorria) foi "Caramujo-Flor", de Joel Pizzini - adaptação de tecrhos de livros do poeta, com Ney Matogrosso e Rubens Corrêa e música de Tetê Espíndola. Um filme lindo - e assim que o vi fiquei com aquela expressão besta no rosto, sem entender aquela poesia cheia de imagens estranhas, palavras ainda mais estranhas, incompreensíveis até, uma música de impacto apaixonante e de certa rejeição para os ouvidos. Ao sair da sessão, estava à venda o novo livro do poeta: "O Guardador de Águas" e eu comprei. É o melhor livro de Manoel de Barros e guarda proximidade, não por acaso, com "O Guardador de Rebanhos", obra-prima de Pessoa sob o heterônimo Alberto Caeiro. Manoel de Barros não é um guardador de águas: as águas são seus pensamentos. Os pensamentos se liquefazem em palavras, oxímoros, neologismo ou mesmo simples criações desconexas de palavras, frases insensatas, róis, recolha de objetos e abjetos que porventura ali estejam no chão:

"o artista recolhe neste quadro seus companheiros pobres do chão: a lata a corda a bôrra vestígios de árvores etc.
realiza uma colagem de estopa arame tampinha de cerveja
pedaços de jornal pedras e acrescenta inscrições produzidas em muros - números truncados caretas pênis coxas (2) e 1 aranha febril
tudo muito manchado de pobreza e miséria que se não engana é da cor encardida entre amarelo
e gosma
"

Existem muitos exemplos desse tipo de poesia na obra de Manoel de Barros, como quando ele diz que "Tudo aquilo que a nossa / Civilização rejeita, pisa e mija em cima / Serve para poesia" ou "O poema é antes de tudo um inutensílio". Mas mais que denegar grandes coisas à poesia, deixando o que é "reles de chão" para o ambiente poético, o poeta quer reciclar "as palavras que estão em estado de lixo" em beleza verbal, fonética, literal.

"A imarcescível puta preta
que me arrastou na adolescência
me ensaurou de sua concha
"

Essa introdução foi necessária para criar um paralelo com a poesia de Caco Ishak. Meus ouvidos estavam desacostumados à dissonância poética; fazia tempo que não apanhava o "Gramática Expositiva do Chão", compilação da obra de Manoel de Barros até "O Guardador de Águas" (e depois desse livro ele fica chato e repetitivo), quando recebi o pequeno mas recheado volume (51 poemas) de "dos versos fandangos". E assim que comecei a lê-lo, tive uma primeira reação de confusão. Como quando bate a primeira sensação de um entorpecente.

"queres ver o tosco, meu chapa?
a bisca nasceu já madrugando
as fichas sempre caem quando expectativas
acabam

nunca o uno útil ao agradável
soou-me tão perfeito aos ouvidos
embora tenha de com isso
arcar com o necessário
"

Mandei um e-mail para o autor, dizendo que tudo estava muito confuso. Comentei com minha mulher que eu lia o livro e ficava confuso. O livro estava batendo estranho na minha mente, com frases como "meu argumento é tua tosse" ou "sobrancelhas apenas prolongam o dito" ou "não me surpreendo com o descaso das paredes".

Demorou um pouco para entender que Ishak recolhe também coisas do chão, estabelece fios de amarração entre o que percebe ao seu redor em listas, descrições indiscretas, relatos nem sempre lineares, discursos entrecortados de frases ouvidas - ou seja - faz também ele sua coleta disléxica e a tem como matéria de sua poesia. Diferente do pastoral Pessoa ou do líquido Barros, Ishak trabalha com "coisas" sólidas & cosmopolitas, soando algumas vezes como um beatnik, evocando a confusão da modernidade e a cultura pop - essa última, de leve. Um exemplo é o "poema-em-pedaços" chamado "desfaireuoliariza isso, mulher", que diz no começo:

"comecei uma frase
e tentei terminá-la sem antes
passar pelo miolo

antecipei-me mais do que devia
e me faltaram os predicados
"

e segue:

"[a vaca] rumina seus prazeres faça sol ou neblina"

e

"recobro o hábito e / descasco o maço"

Nesse sentido, o livro de Ishak poderia ser um "Guardador de Escombros Modernos" ou um "Guardador de Pedaços de Si e de Outros neste Louco Mundo Globalizado" embora nenhum desses dois títulos fiquem muito longe de "dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa". Assim, a pedra no rio de Manoel de Barros pode ser uma seringa plástica jogada numa sarjeta; o sapo mimetizado numa árvore pode ser uma garrafa de vinho tinto barato pela metade; a espera pela chuva vespertina no pantanal pode ser a espera pelo toque do telefone de um amor antigo... Na verdade os objetos não são tão importantes (e para Barros, quanto menos importantes, melhor!): apenas figuram e flutuam no universo de climas & intenções dos dois poetas. Ou dos três, se contarmos Pessoa.

Recomendo o livro do Caco, especialmente para quem gosta de Manoel de Barros.
Eles perseguem a mesma poesia, embora Ishak seja um pouco mais ocre.

O Biajoni (conhece?) recebeu nomeação do Lorde Quebrado pela Putaria para o The Thinking Blogger Awards - que eu não sei muito bem o que é. Obrigado, mesmo assim.

Mesmo escrevendo, navegando e comentando na rede há quase 10 anos, nunca estive tão distante do mundo blogueiro ou mesmo das vias internéticas como agora. Não tenho feeds, leio blogs clicando nos links - e não tenho lido muitos ultimamente. Tenho usado o bom e velho método randômico: alguém comenta aqui, eu vou lá e leio os últimos posts, etc... Tou com muito trabalho e coisas na cabeça; tá sobrando pouco tempo para diversão.

Aí essa brincadeira do Thinking Blogger Award pede que eu indique 5 blogs e... bem... tem cinco blogs que eu abro diariamente, sim: o do Alex, do Briga, do Doni, do Idelber e do Rafa. Mas acho que indicá-los é chover no molhado; eles estão em qualquer lista respeitável dos melhores do Brasil.

Aliás, sempre me pego pensando sobre isso: o que faz um blog ser, ér, "bom". Por exemplo: não acho o meu blog "bom" - acho legalzinho, bonitinho, limpinho... Mas "bom" remete sempre a uma qualidade, ér, "superior". Então, comparativamente, blog "bom" é só "melhor" que toda enxurrada de blogs medíocres com gente escrevendo merda? É pouco para comparação, vai dizer?

Então acho que blog bom é blog que tem personalidade.
Personalidade é uma palavra que me agrada muito mais que "atitude".
Fico, assim, com meus bons e velhos 5 blogs de leitura diária pois personalidade é o que não lhes faltam.

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Freddy Bilyk, o homem-Barracuda, é um cara esperto e antenado. Ele tem lançado hits pela sua pequena editora e sempre consegue repercussão. O segredo é o seguinte: Bilyk sabe o que pode dar mídia, o que tem grande potencial para sair nos cadernos de cultura. E também o que tem apelo para ser replicado em sites e blogs. Ele sabe que o lance é "cultura pop" - mas tem que ser cultura pop com algum charm, com um toque de classe e sofisticação; cultura pop que não seja muito pop e que seja mais, ér, cultura. Nesse filão, dando uma olhada no catálogo da editora, permito-me citar alguns títulos tecendo breves comentários: "Coração Envenenado - Minha Vida com os Ramones" (Dee Dee Ramone faz sua autobiografia com a ajuda de uma profissional; o livro é 1997, Dee Dee morreu em 2002); "Serge Gainsbourg : Um Punhado de Gitanes" (Curta e essencial biografia do cantor-compositor francês); Confissões de uma groupie (Autobiografia/diário, da groupie mais famosa do mundo, Pamella des Barres); Disparos do Front da Cultura Pop (artigos escritos entre 1976 e 1994 pelo jornalista e escritor inglês Tony Parsons); Radio Guerrilha - Rock e Resistência em Belgrado (História da rádio sérvia B92 contra Slobodan Milosevic) e agora "Kind of Blue – A História da Obra-prima de Miles Davis". Temos aí uma figura central do punk-rock; um bardo da chanson française dos 60s; uma garota ingênua mostrando os bastidores do rock setentista "por dentro"; um sensível crítico inglês falando de música pop, quase essencialmente dos anos 80; o rock como instrumento de mudança social e... bom... faltava algo do jazz, vai dizer?

Oportunamente, Bilyk escolheu o livro que conta a história do maior clássico do estilo. Não é um livro novo, como não são os outros. Mas não fosse a Barracuda é possível que nem esse nem os outros chegariam até nós. Assim, Bilyk é um "oportunista do bem" - para o nosso bem e para o dele.

Quando a biografia de Gainsbourg foi lançada eu fui dos primeiros a comprar, antes mesmo de sair na Veja e em todos os jornais e revistas. Já era fã de Serge há eras. Muita gente que não conhecia mais que "Je t´aime moi non plus" acabou comprando o livro impulsionado pela divulgação - e depois procurando pelas músicas, discos e tudo mais sobre o francês. Os livros da Barracuda têm esse poder de despertar para coisas que não conhecíamos ou que tínhamos ouvido falar por aí apenas. É assim também com o "Kind of Blue" - um livro sobre um disco mais conhecido que ouvido.

Meu tio tinha esse disco e eu não gostava dele; achava estranho um disco ter apenas 5 faixas e também achava-o lento demais, chato demais. Sem saber o que significava "cool", do alto dos meus 12 anos, ainda assim achava aquele disco muito, ér, chique. Aquela capa linda. Aquela orquestra (sim, eu achava que era um disco de orquestra, e daí?) tocando devagar... não gostava, mas achavam, hmmm, bacana.

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Quando fui conhecer algo de jazz, gostei de Stanley Jordan e, depois, de John Coltrane. Acho Coltrane legal para se ouvir no carro enquanto se fuma ou em casa enquanto se escreve. Meus discos de vinil do Stanley Jordan eu não comprei em CD. Meio que cansei dele. Não cheguei ao Miles Davis nesse meu pequeno desvio de paladar.

Com o lançamento do livro, ora, "vamos ouvir de novo o disco para ler o livro e vamos ler o livro para melhor entender o livro". Algumas pessoas acham que essas coisas não se complementam. Aprendi que as coisas se complementam sim - e quem me ensinou foi Bertrand Russell. Em "Elogio ao Ócio", o filósofo britânico ensina que "saber a origem do abricó torna o fruto mais doce". E eu acho isso uma verdade, mesmo nunca tendo comido abricó e nem sabendo que catzo é isso.

No caso de "Kind of Blue", o disco é o abricó que se faz mais doce a cada página de "Kind of Blue - A História da Obra-Prima de Miles Davis", do jornalista Ashley Kahn. Certo, tem detalhes demais até para fãs inveterados do disco e do jazz, com mais de 40 páginas finais de bibliografia, discografia e notas. Mas é o trabalho de um fãzaço, antes de mais nada. E, dessa forma, imagine se eu fosse contratado para escrever um livro sobre, ér, digamos, "Berlim", do Lou Reed. Ia ser mais ou menos como esse trabalho do Kahn.

Tem também umas partes chatas, técnicas demais, mas a compensação é a bela edição, recheada por fotos e capas de discos, aquelas coisas maravilhosas que os designers faziam na virada dos anos 50/60. É incrível como ficou tudo brega depois, o flower-power, o Jefferson Airplane, argh!

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(Aprendam com o Titio Bia: no primeiro disco de Miles, ele não faz pose de ultracool na capa... Ele apenas está tapando os ouvidos para sentir melhor o som, mais ou menos como faz o Zé Rico, segunda metade da dupla sertaneja que mais vendeu discos no País)

De qualquer maneira, o livro mostra que os músicos de jazz talvez possam ser encarados como precursores do punk, como bem lembrou Gustavo Brigatti, em um de seus poucos momentos de lucidez. Os músicos queriam estar na estrada, tomando venenos na veia, tocando alucinadamente, gravando sem se lixar para os produtores ou gravadoras. Eles não eram realmente grandes músicos como muitos pensam: sobrava sensibilidade no lugar da técnica. E eles tinham um sentimento de grupo muito interessante, muitas vezes com embates de egos, onde o privilégio ficava sempre para a música.

O livro lançado pela Barracuda iluminou algumas idéias que eu tinha sobre jazz e transformou o clássico e mais-famoso-que-ouvido disco de Miles Davis em uma fruta doce e infinita, que se repete ao meu bel querer sempre que o meu dedinho ativa o play do aparelho. Como agora.

Obrigado Bilyk. E, por favor, prossiga.

Isso mesmo, meu livro num texto de Caco Ishak.
E o link para baixar o livro ainda está quebrado.
É duro ser um retardado virtual.


intervenção não-autorizada d'EL REY:
e o livro está aqui: www.verbeat.org/blogs/biajoni/sa.pdf


:>)

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- Nos últimos encontros com os amigos por aqui estamos discutindo muito sobre as questões sobre reações das pessoas em cinemas versus balbúrdia e falta de educação. Gustavo Brigatti fez post contra o meu. Na discussão, falaram sobre filmes dublados. Ora, gente, não há nada de mal em filmes dublados; parem com esse purismo.

- Renmero, o homem-que-combina-coisas-e-some, fez post sobre o novo disco do Wilco, repetindo algo que quase todo mundo anda dizendo sobre o fatídico álbum: que é "soul", ou que tem uma "aura (sic) soul". Não vi nada de soul. Vi o mesmo velho e bom Wilco ressonando paisagens country, bucolismo, enquadrando arranjos perfeitos e sessões instrumentais irrepreensíveis, enfim, fazendo o bom pop-rock-alt-country com ecos talvez de um Paul McCartney de primeiros trabalhos solos, como bem lembrou o Doni.

- Da série "Pessoas Legais Ouvindo Merda": Daniel Lopes e Fábio Shiraga.

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- Eu tenho orgulho de não ser jornalista "de fato e de direito". Eu cuspo no Sindicato dos Jornalistas Profissionais (sic) no Estado de São Paulo pela nota emitida pela entidade (sic) pela morte do Jornalista Luis Carlos Barbon Filho, assassinado em Porto Ferreira, cidade dos políticos e empresários pedófilos. Idelber fez post e eu concordo. E também concordo com a Cora Rónai, citada pelo Felipe Voigt neste post.

- Queria saber a opinião do Jorge Rocha sobre a nota do Sindicato dos Jornalistas. Aliás, o que aconteceu ao blog do Jorjão? Bródi Negão arrestou?

- Concordo com o Serjones sobre o que o Roberto Carlos devia fazer com os 11 mil livros que ele levou pra casa.

- Falando em livros, semana que vem tem, impreterivelmente, resenhas de "Kind of Blue", do livro do Caco Ishak, do livro do Branco Leone e do livro de contos do Alex. Eu juro!

papa em sampa

O representante de Deus chega a Sampa e a cidade vai virar um inferno.

Se você pensa em circular de carro entre as quatro da tarde de hoje e as oito da noite de amanhã, esqueça. Eu mesmo vou protelar uns trampos.

A melhor história sobre a visita, até agora, foi contada pelo Juca Kfouri.
O pessoal da W/Brasil ia fazer uma faixa para colocar no prédio da empresa, que fica atrás do estádio do Pacaembu. Eles haviam feito uma faixa pro show dos Rolling Stones, "A W/Brasil saúda os Rolling Stones". O Olivetto pediu para os criadores da agência pensarem num frase legal e se mandou para o Rio de Janeiro por uns dias.

O pessoal criou a seguinte frase: "O Papa saúda o Papa". O primeiro papa da fase, no caso, era o próprio Olivetto. Ligaram para o publicitário e ele rechaçou: "Vocês estão loucos? Isso vai pegar mal!".

Os caras viraram a noite pensando em uma alternativa. A faixa será colocada hoje com a seguinte frase: "Nem o Corinthians juntou tantos fiéis no Pacaembu".

Achei legal.

antenado

"Gostei muito do primeiro disco do Artic Monkeys. Gosto de Thom Yorke e do Radiohead. Sempre me atrai a voz e a cara do cara do Coldplay, sobretudo cantando 'Fix You'. Achei bacana White Stripes logo que ouvi. O guitarrista é espetacular e aquela garota que quase não toca bateria... Mas das bandas novas, a que mais me impressiona e interessa é a TV on The Radio. E o disco que mais definiu o desejo de fazer o 'Cê' foi um disco mais velhos do que essas bandas: o dos Pixies na BBC. [...] Só uso CD player. Ouvi muito The Streets e Artic Monkeys, por prazer. Agora estou ouvindo uma seleção do Ween, já que alguns jornalistas falaram desse grupo ao comentar o 'Cê'."

Sim, Caetano no Folhateen de ontem.

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Assim como Woody Allen, eu adoro mágicas. Passei toda minha infância próximo a um local que recebia circos, assim aprendi a andar na corda-bamba (não no fio esticado), subi em elefante (guardei um fio do rabo do elefante até pouco tempo; muitos acreditam que dê sorte), vi alguns truques de mágica serem executados (até aprendi alguns com cartas que fazem sucesso até hoje). Porém, não me animei em ir até os cinemas para ver "O Ilusionista" e "O Grande Truque" - vi-os recentemente em casa. Ambos são muito bons.

"O Ilusionista" é, na verdade, uma história de amor. Um bom mágico na Viena do século 19 perde e reencontra seu grande amor e tem que usar seus dons de ilusionistas para ficar com a beldade. O filme me entusiasmou no começo, mas estava bem desanimado no início da segunda metade. A coisa melhora muito no terço final, onde acontece a conclusão - que confunde o próprio cinema (arte ilusória) com a mágica.

"O Grande Truque" é, na verdade, uma história sobre o ódio e a vingança. São dois mágicos rivais que tentam, ao mesmo tempo, se superar e prejudicar o outro - inclusive utilizando elementos do ofício.

É o melhor filme do superestimado Christopher Nolan que surpreendeu a todos com "Amnésia" e depois fez os fracos "Insônia" e "Batman Begins". O que Nolan (que também assina o roteiro com o irmão) faz melhor (quando está em boa forma) é brincar com o tempo nos filmes. "Amnésia" pode ser chamado de sensacional pela forma ousada de edição, contemplada no roteiro intrincado dos irmãos Nolan. "Insônia" tinha um um roteiro muito linear e não foi possível que o diretor brilhasse. Já em "Batman Begins", ele escorrega a mão nos momentos em que poderia brincar, fazendo "sequências com musiquinha eletrizante e cortes rápidos para sintetizar blocos de tempo", como quando Christian Bale aprende as técnicas de Jedi com Liam Neeson. Clichê desgastado, hiper-satirizado no excelente "Team America".

Bem, a grande qualidade de "O Grande Truque" está na manipulação do tempo do filme, na história que é contada em vais-e-vens, dando informações surpreendentes em escala homeopática e mantendo a suspensão da platéia até o final - como num bom show de mágica. Um ou dois truques que o diretor achava que ia surpreender muito acabam previsíveis, mas não atrapalham a trama, que tem um número razoável de enigmas.

Aliás, de um ponto de vista mais, digamos, ér, metafísico, talvez pudéssemos dizer que "O Grande Truque" é um filme que trata de símbolos, duplos, realidades alternativa e (porque não, nesses tempos de "O Segredo"?), de física quântica, realidade virtual e obsessões pelos "domínios do ambiente" ou "excelência da técnica" - essas coisas que faz jovens estudantes sul-coreanos entrarem armados em universidades americanas.

"O Ilusionista" é um filme linear que se conclui em um flashback, mais ou menos como se o Mister X explicasse o truque de um grande mágico. "O Grande Truque" se constrói a partir de fragmentos que se unem em nosso cérebro e ficam por lá instigando pensamentos bem depois que o filme acaba. E assim são as grande mágicas.

Subestimei os filmes e faço um mea-culpa: devia ter ido no cinema. A sala escura seria o local ideal para espetáculos de tal magnitude.

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(Aqui dois pôsteres promocionais bacanas de "O Grande Truque")

Inusitadamente, Gustavo Brigatti me convida prum programa cultural. Da última vez quase deu briga, vocês devem se lembrar.

O convite era para a pré-estréia de "Homem-Aranha 3", meia noite.

Eu já sou um homem velho e costumo vestir meu pijama de usinhos amarelos e minhas pantufas lá pelas dez da noite, no máximo. Dirigir até o outro lado da cidade, pegar um cinema de Shopping lotado para ver um filmequinho não é o que eu chamo de "diversão". "Diversão", pra mim, é bebericar um Santa Carolina Carmenère na cama com a Karen, isto sim.

Mas, ora vejam, senti um certo tom de desespero na voz do nobre amigo. Como sua esposa trabalharia até mais tarde (jornalista, quem mandou não estudar!), talvez ele buscasse mesmo um apoio para suportar tão sufocante sacrifício para uma Quarta-Feira. Eu o ajudaria.

Falei com Karen que apoiou: "Vai sim, vocês precisam ficar um pouco sozinhos". Senti na frase algo que talvez pudesse ter ressonância na saga que nós dois recentemente encetamos.

Assim, fui.
Passei apanhar o bonitão e logo estávamos entornando chopps com o amigo Beraldo (sim, sim, um Geraldo com B) enquanto esperávamos o sinal de abertura da sala. Da sala, não: das salas. Três salas do Tívoli Shopping, em Santa Bárbara, iam exibir a pré-estréia. A garotada começou a chegar, alucinada. Pessoas nem tão jovens assim também. E nós. E eu. Mais velho que eu só uma velhinha insana que estava acompanhando a netinha talvez como forma de alguma compensação sentimental.

Era tarde para pessoas velhas estarem nas ruas. A possibilidade de pneumonia era grande.

Tínhamos tomado chopps e coragem suficientes para encarar as filas - e para lá fomos. O Gustavo tinha carteirada, essa coisa que os jornalistas têm mas se negam a chamar de JABÁ. É jabá, mas tem que chamar como "incentivo para divulgação", nomes empolados de um tucanês que já invadiu a imprensa faz tempo.

Usamos a carteirada do Gustavo e aí nos foi aberta uma opção: ou veríamos o filme com legendas numa sala hiper-lotada ou podíamos optar pela versão dublada numa sala um pouco, hmmm, menos cheia. Gustavo, Beraldo e a namorada do Beraldo queriam assistir ao filme na sala com legendas, ora vejam. Eu contestei: um filme de ação se pode ver muito bem com dublagem; é até melhor pois dá para prestar mais atenção às cenas.

Eles acabaram concordando e pra lá fomos.

Nem bem conseguimos uma fileira de quatro poltronas, aparece a Solange, a esposa do Gustavo. Ela saiu do jornal e correu para lá, disse que não perderia a estréia por nada deste mundo. É mole? São essas coisas que se faz por amour.

Pois bem, a sala ia lotando, a molecada gritando, fazendo aquele alvoroço que eu fazia toda vez que ia ver a reprise de "O Campeão", no Cine Cacique. Ou quando fui na estréia de "Conan - O Bárbaro", alguns anos depois. Normal, vai dizer?

Mas o filme começou (com 20 minutos de atraso) e, ai, a molecada nã parou de gritar. Era aparecer o Tobey Maguire ou a Kirsten Dunst e o pessoal gritava. E quando apareceu o Homem-Aranha, ah, aí foi um delírio.

Foi aí que o Gustavo e a Solange levantaram e saíram. Foram embora! Me largaram lá! Acreditam?

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O Gustavo me liga hoje: "ah, o pessoal tava gritando, assim não dá!". Ué. Mas filme do Homem-Aranha, você queria que o pessoal fizesse cenho de cincoentão assistindo "Morangos Silvestres"?

A experiência do cinema - e isso eu digo sempre nos meus cursos -, é se deixar levar pelas emoções que os filmes causam. Chorar e rir quando quiser, gritar, uivar, bater palmas, pular na cadeira. Ver um filme como Homem-Aranha 3 é como ir ao Hopi-Hari e andar na montanha-russa. Tem que ser essa experiência catártica. Até quando é cinema profundo e nos faz doer a alma.

Sair da sessão por causa da algazarra da garotada é se privar de uma experiência coletiva; é deixar passar a oportunidade de gritar um "pega ele, Aranhão!" sem que ninguém olhe de atravessado para você, achando que você é um bestinha com Síndrome de Peter Pan. Sair da sessão pode parecer algo muito intelectual, mas é o contrário.

Algumas pessoas saíram e talvez a algazarra estivesse demais. Algumas pessoas saíram por causa do sono. Eu fiquei até o fim, gritei, curti e fui embora com um sono dos infernos, dormi mal, acordei mal e a viagem a Sampa pela manhã foi quase insuportável.

Talvez não devesse ter ido. Mas como dizia o grande filósofo Vicente Matheus, "Quem sai na Chuva é para se Queimar".

APDEITE: Ah, sim, o Alex tem um post sintetizador sobre.

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Por favor, NÃO deêm camisetas T-Shirt Hell para meus filhos.
Obrigado.

(Valeu, Diego!)
:>)

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Após assistir o famoso documentário, aprendi que a felicidade pode sim ser alcançada.

Basta ir à um casamento polonês, encher a cara, desenhar um monte de corações no próprio corpo com uma caneta esferográfica, tomar um banho de banheira e dormir num banco de praça.

Não é muito difícil, vai dizer?
É uma fórmula até bem fácil.
:>)

Tem quem fale bem do documentário, tem quem fale mal.
Eu prefiro mesmo passar os olhos vez em quando no Projeto Ockham.
;>)

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Depois do livro do Branco, esperamos ávidos pelo livro do titio Alex.
:>)

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  • luiz biajoni
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