(Minha coluna de hoje no TodoDia)
A Escola Estadual Ana Maria Moraes Barros, no Jardim Brasil, em Americana, pediu que os alunos da quinta série lessem um livro chamado "E-Mãe - A Internet Me Aprontou Uma!", da escritora americanense Tânia Alexandre Martinelli, lançado pela Scipione. É um bom livro, honesto, atual, que trata da relação entre pré-adolescentes e a Internet. Porém, vejo alguns problemas na indicação do livro. Primeiro: é um livro muito caro. Com apenas 96 páginas, o livro custa R$ 19,90 - mesmo preço, apenas para comparação, dos livros da série "O Mochileiro das Galáxias" que têm mais de 200 páginas, edição com orelhas e um autor que apesar de morto está no auge, Douglas Adams. Sendo o livro indicado para estudantes da rede pública, penso que "E-Mãe" devesse ter um preço diferenciado - sendo como é, custando quanto custa e, ainda por cima, tendo uma autora local, fica tudo parecendo um certo lobby. Aliás, Tânia também é professora de português na rede pública.
O segundo problema é grave e reforça suspeitas de lobby - o que eu, particularmente, não acredito -; o livro não pode ser encontrado nas Bibliotecas Públicas de Americana, Santa Bárbara d´Oeste e muito menos na biblioteca do colégio do Jardim Brasil - e acho que também não vão achá-lo em outras bibliotecas de escolas públicas que por acaso o terão indicado. Ou seja: o jovem leitor só pode mesmo ler "E-Mãe - A Internet me Aprontou Uma!" se comprar o livro. E aí caímos no terceiro problema: não se encontra o livro para comprar em qualquer lugar. Nas livrarias virtuais (doce ironia) o livro, apesar de novo, está esgotado. Em Americana, só foi possível encontrar o volume na Papelaria Apolo - que não é exatamente uma livraria. O quarto problema (talvez o mais grave) é que o livro apresenta questões que estão longe da realidade dos jovens alunos do Jardim Brasil - assim como de vários bairros periféricos. Talvez 20% ou não mais que 25% desses alunos têm acesso à internet. E um livro que se propõe discutir problemas concernentes à rede mundial de computadores junto à estudantes que não têm acesso à ela é, diretamente, provocativo ou até traumatizante. Imagine um garoto lendo o livro sem ter um computador em casa, sem sequer saber como funciona a internet. Pra início de conversa, nem a própria escola pública tem o equipamento para que o aluno utilize.
Essa questão da indicação de livros para jovens leitores é complicada e sempre gera discussões. Eu acho que a série de Douglas Adams, citada acima, cairia muito bem para alunos de quinta série de quaisquer condições sociais. Algumas pessoas acreditam que leituras de clássicos são imprescindíveis nessa fase, para que o jovem leitor "pegue embocadura".
A professora paulistana Luana Chnaiderman discutiu o assunto em seu blog (lulu-diariodalulu.blogspot.com). Ela estabeleceu sete pontos que devem nortear a educação literária na escola. São eles:
1 - O aluno não precisa gostar do livro lido. Inclusive, é livre para odiá-lo.
2 - Ao aluno deve ser oferecido sempre o que há de melhor na literatura universal, passando por todos os gêneros.
3 - A literatura não é objeto santificado, sagrado nem de culto máximo.
4 - Livros inteligentes devem ser tratados com inteligência.
5 - Se o aluno não lê nada, mas nada mesmo, é porque, provavelmente, não sabe ler.
6 - Os alunos têm direito a excelentes bibliotecas e a livros baratos.
7 - Os alunos têm direito a professores ultra bem remunerados e com tempo para dedicarem-se a eles.
Se você se interessa pelo assunto, deve ler todos os posts que Luana fez sobre cada um dos sete pontos. Essencialmente quando diz que "ser alfabetizado não quer dizer saber ler" ou que "nas escolas reina uma espécie de consenso de que os alunos devem, sempre, gostar das leituras pedidas e se encantar com elas". Ensinar a ler é mais que alfabetizar e há realmente nas escolas uma forçada de barra para que os alunos se encantem com os livros lidos - e quando eles (os alunos) não se encantam, acabam achando que há algum problema. "Poxa, não devo ter entendido direito!".
Essa questão do "entendimento" de um livro pode gerar um quinto problema na obrigatoriedade de leitura do livro de Tânia Alexandre Martinelli: será que os alunos que nunca navegaram na internet vão saber do que o livro realmente trata?
Tenho certeza disso.
Apesar de ter mais uma reclamacao, eu acho que os professores nos mandam ler livros antigos pois estes sao cobrados no vestibular. entao acredito que deveria mudar tambem o tipo de livros que se pedem nos vestibulares!
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obs: O Guia e bom p CaRaMbA!!
Bia!!
Obrigada querido. mesmo. Tô toda chiquérrima.
O mochileiro das galáxias é um livro tão legal, mas tão legal que dá até pena de indicar na escola!! hihihi... brincadeira, mas é o tipo do livro que o aluno deve ler completamente desobrigado. mas talvez todos os livros devam ser lidos assim... né?
um beijo,
Lulu.