A estética cinematográfica francesa estabelecida nos anos 80 perdura mesmo em filmes díspares contemporâneos como "Irreversível" e "Swimming Pool" tem dois ícones: "Subway" de Luc Besson e "A Lua na Sarjeta" de Jean-Jacques Beineix. Na verdade, "A Lua..." foi pouco visto fora da França, então podemos creditar talvez a outro filme, também de Beineix, a estética - e talvez a temática-amálgama - do cinema francês oitentista: "Betty Blue".

Luc Besson foi fazer filmes de ação e declarou recentemente sua aposentadoria. Pai de cinco filhos, quer escrever livros infanto-juvenis e talvez produzir intermináveis seqüencias de "Táxi" e de animações com elfas sexies.
Beineix, muito mais promissor, rodaria um bom filme em 92, "A Ilha dos Paquidermes", mais conhecido como o último trabalho de Yves Montand, e sumiria no fog do estrelado instantâneo produzido por "Betty Blue" - um filme lindo, lindo, lindo e triste, triste, triste - talvez o primeiro filme a mostrar uma garota com transtorno bipolar de maneira direta - ainda que com algum romantismo. Você viu, Marina?

Mais o maior mérito de Beineix - e o motivo desse post - não foi ter contribuído para a renovação estética do cinema francês; foi ter descoberto um dos melhores trilheiros do cinema nos últimos 30 anos: Gabriel Yared. O libanês Yared, radicado na França, fez a linda música de "A Lua na Sarjeta" e depois se consagrou com a soberba trilha de "Betty Blue". Embora tenha feito algumas trilhas para o cinema americano, ele não gosta de filmes de ação: prefere produções pequenas e intimistas.
Ele ganhou o Oscar pela trilha de "O Paciente Inglês" e foi indicado por "Cold Montain" e "O Talentoso Mr. Ripley". Destacam-se ainda seu trabalho em "Cidade dos Anjos" (uma das trilhas mais vendidas nos últimos anos) e em "Sylvia" (a cinebio da poeta Sylvia Plath).
A trilha de "Betty Blue" é uma das poucas que se pode ouvir de ponta a ponta, com um sorriso no rosto.
Veja mais sobre ela no Dois Discos. :>)
Saco, ontem os comentários não foram aceitos, vou tentar de novo. O Yared que fazia a trilha sonora uétima de um desenho animado chamado Ernst, o vampiro, que passava no Castelo Rá-tim-bum. Desenho sensacional, cada episódio de no máximo 1 minuto, que eu me perguntava se era para crianças mesmo. Andei procurando na rede, e nada. Alguém sabe algo? abs
fugindo um pouquito ao tema, vc já viu o seriado Heroes? acredito q o autor tb seja leitor do Joseph Campbell...
abçs
Nada contra o Gabriel Yared, pelo contrário. Mas desconfio que a trilha de "Cidade dos Anjos" foi muito vendida por causa daquela música dos Goo Goo Dolls, "Iris", não?
Ah, sou "long time reader, first time writer" por aqui. :-)
Abs!
Acho que é o único caso em que eu conheci um filme por causa da trilha;) adoro. abraços
A trilha sonora de Betty Blue é linda linda linda. E a melhor cantada que já recebi na vida, dessas que a gente guarda e nunca esquece, foi de um moço que falou que eu era parecida com a moça do Betty Blue. Era adolescente, e mesmo ao lado que hoje me faria torcer o nariz ( pô... moça maluquinha e triste da porra!) conferia um ar chic à cantada, e a mim também. Enfim... lembrei dessa história, fiquei com vontade de rever o filme. E de ser de fato parecida com a atriz. Com a atriz, não com a personagem!!
Beijos,
Lu.
Acho que Irreversível está muito à frente do seu tempo. Se o filme é bom ou é ruim, não se discute, mas ele tem uma estética inovadora.
gd ab
Vou assistir pelo lance do bipolar. é uma temática triste mesmo.
mas do cine francês, Irreversível não me desceu a goela - odiei - típico filme desnecessário (pelo menos a primeira metade).
Outro que não suportei foi O Adversário...
mas tem outras coisas boas, como, por exemplo, 36.
Anotei alguns nomes aqui e vou procurar assistir logo mais.
Mesmo porque preciso praticar mais o francês, que é uma língua máscula. :ob