guei's days - a saga [finalizado em 24/03]

Comprei um Marcus James - Tannat agora a pouco e o gosto está estranho, parece vinho velho. O que eu faço? A quem recorrer? Pô, nessas horas a gente ficar sem saber o que fazer, com uma cara de quem perdeu a chave da bunda, vai dizer? O fato é que tomo assento do lado dessa garrafa para contar algumas aventuras dos últimos dias. Foram dias gueis. Foram dias de dor. Foram dias de muita bebida. Foram dias de 24 horas cada.

Tudo começou num dia aí que não me lembro. Acho que foi dum sábado prum domingo. Acordei no domingo com aquela habitual sensação: parecia que quatrocentos e trinta e dois lambaris brincavam de esconde-esconde dentro do meu cérebro. Peguei o liquidificador e fiz meu preparado NCC, receita do Gutão: sete Neosaldinas, meio litro de Coca-Cola, um limão com casca e muito gelo. Passe a tarde tomando isso enquanto via meu corpo purgar toxinas.

É muito difícil ser um tough-guy-que-don't-dance.

Porém, nem bem começou a musiquinha do Fantástico e eu já abria uma cerveja para comemorar a fantástica recuperação da bela máquina de fazer filhos que é o meu corpinho.

Na Segunda acordei com uma impressão que tinha engolido um ouriço do mar - o bicho não tinha gostado nada e estava louco para sair. Fui trabalhar, participei do programa ao vivo, enrolei um pouco à tarde e fui pra casa. A Karen reclamou que eu estava mais verde que o habitual. Tomei umas duas doses de Jack Daniels e fui dormir. Na Terça, as coisas pioraram: não era somente um ouriço do mar, eram dois; um casal! E parecia que a fêmea ia ter filhotes.

Fui pra TV, participei do programa achando que fosse desmaiar a qualquer momento. Não almocei, voei para casa certo de que os ouriços estavam montando uma comuna e algum ouriço-líder estava armado com mísseis nucleares. A Karen achou que eu fosse algum tipo de Hulk etíope.

Engoli alguns remédios e desmaiei. Duas horas depois, impressionantemente, acordei pior. Lá pelas nove da noite peguei uma toalha e fui pro hospital. Eu estava doente.

Eu a-do-ro hospital e todos aqueles enfermeiros gueis que eles têm por lá!

Sim, é verdade, eu adoro hospitais. Faço o máximo para não ter que entrar em um, mas logo que entro minhas angústias - e até um pouco da dor que talvez eu sinta - começam a desaparecer. O hospital é um bando de malucos estropiados e insanos, a começar pelo médico plantonista até o drogadicto que acha que tomou uma overdose e aparece por lá pela sexta vez na semana. O hospital é a real fotografia da humanidade: ali ninguém é mais que ninguém: todo mundo é uma máquina cheia de falhas idealizada por algum Deus brincalhão que certamente nada entende de biologia. No hospital as pessoas se tornam crentes: elas botam a mão sobre o ventre - se acaso lhes dói - e invocam o Todo-Poderoso - sem talvez se darem conta que talvez tenha sido Ele mesmo quem provocou a dor.

Nos hospitais eu sinto sempre menos dor. Talvez seja porque eles nos dão remédios e remédios tiram a dor.
De qualquer maneira, uma médica muito simpática me atendeu, me apalpou e disse que podia ser apendicite. Isso me deixou aborrecido, já que eu teria que ficar sem beber por umas duas semanas.

Colheram excrementos do meu corpo, me botaram no soro e eu aproveitei para acabar de ler "Linhas Tortas" do Graciliano Ramos - que eu ganhei de presente do Branco Leone. Eu acabei de ler e o resultado dos exames ainda não tinha chegado. A médica plantonista foi embora e passou o serviço prum cara que parecia o John Turturro. Eu temi pela minha vida. Eu comecei a achar que o hospital talvez fizesse experimentos com seres-humanos em algum tipo de porão nojento, cheio de restos de corpos e bicicletas. Não sei por que pensei em bicicletas, mas pode ser que tenha a ver com o "Alucinações do Passado", aquele bom filme do Adrian Lynne.

O novo médico achou que não era apendicite e pediu que eu fosse embora. Eu não devia comer muito e se a dor não passasse, devia voltar no dia seguinte.

Eu voltei no dia seguinte.

Pois os exames recomeçaram, eu reli "Ficar ou não ficar" do Tom Wolfe, e parecia que todo hospital, inclusive dois seguranças grandes e negros, já tinha apalpado minha barriga. Já eram seis da tarde, eu estava suado, cansado e morto de fome quando disseram que iam tirar sangue novamente e o resultado, novamente, ia demorar três horas para ficar pronto. Eu deixei que eles tirassem o sangue, mas não estava a fim de esperar: esgueirei-me por uma porta e me mandei pra casa. No caminho, passei numa rotisserie e comprei uma bela torta de ricota. Comi, tomei banho, botei uma camiseta do "Missão Impossível 3", calcei meus chinelos Havainas verdes (da Seleção Brasileira), apanhei o "Desvendando o Arco-Íris", do Dawkins, e voltei para o hospital.

Uma pequena comoção acontecia lá.

Ficaram preocupados com o meu sumiço. Assim que cheguei, a enfermeira chefe veio ao meu encontro com dois guardas municipais:

- Você fugiu, tivemos que fazer um boletim de ocorrência!
- Bom - respondi - agora vocês me levam para o quarto negro e me serram ao meio!

Ela não gostou.
Minha barriga ainda doía, talvez tivessem que abrir.
Mais um médico foi chamado para me ver.
Eu contei que fugi por estar com fome.
E ele matou a charada. Não era apendicite. Apendicite tira o apetite. Se eu estava com fome, meu caso devia ser só uma gastroenterite. Era isso.
Ele me deu uma receita e eu a joguei no lixo tão logo ganhei a rua.

Esse negócio de remedinhos não combina com tipos como eu.

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Je suis Freddy Mercury

As pessoas a-do-ram futebol. Isso é uma coisa que eu nunca vou entender. Não o futebol, isso eu entendo: essa necessidade que os homens têm de se reunir em esportes coletivos para ficarem se esfregando bem suados, sim, isso eu entendo, já li sobre isso em Freud. Eu não entendo é as pessoas gostarem de ficar assistindo a esse espetáculo besta, juntando as mão diante de uma televisão, como se a FÉ pudesse fazer qualquer coisa diferente.

Eu não entendo que as pessoas gostem tanto de futebol. Eu entendo que gostem de jogar e depois se reúnam todos em banheiros coletivos e tomem banho todos juntos, num simbólico ato de congraçamento para além das práticas esportivas. Mas não entendo quem fica na arquibancada lambendo os beiços.

Voyeurismo guei, vai dizer?

Porém, as pessoas gostam de futebol e no programa que eu co-apresento na TV Jornal, em Limeira, geralmente falamos sobre futebol, damos os resultados das partidas, etc... E o nosso operador de áudio é um corinthiano fanático (ele tem uma águia tatuada no braço). O time estava muito mal no campeonato e eu fiz uma aposta-brincadeira com ele no ar, ao vivo, durante o programa: se o Corínthians ganhasse o jogo do final de semana eu tirava minha barba.

O filho-da-puta do time venceu o Bragantino.
Na Segunda-Feira pela manhã fui tirar a barba no Bodinho, mais tradicional barbeiro de Limeira, há 50 anos tosando os limeirenses numa garagem ao lado do Mercado Municipal. A equipe de TV foi atrás para registrar o "acontecimento" e mostrar no programa. Enquanto tirava velozmente minha barba com uma navalha, Bodinho, esperto, questionou: "A aposta incluía o bigode?". Bingo! "Deixa o bigode!" - eu disse.

E fui apresentar o programa de bigode.
Você já deixou o bigode?

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Um homem de bigode é uma força da natureza

Os eventos da gastroenterite e da retirada da barba/manutenção do bigode coincidiram com outro evento igualmente inusitado, mas não tão dolorido quanto o primeiro nem tão alegórico quanto o segundo: Flávio Prada estava em Limeira. Flávio Prada, essa entidade que diz se refugiar em Riva del Garda na Itália, mas é nascido na antiga Capital da Laranja, formou-se em Harvard e colocou as ferraduras em Rafard, depois de 13 anos, voltava à cidade original. Um dia desses, pouco antes da doença, eu estava em minha baia, quando o telefone tocou e a telefonista anunciou: "Flávio Prada está aqui".

Flávio estava todo de preto. Ele falava manso. Parecia não querer ser visto. Ele guardava algum segredo...

Ficamos de tomar uma por aqueles dias mas aconteceu toda desgraça da gastroenterite, seguiu-se a retirada da barba e eu devo ter perdido o papel onde anotei o fone dele... Uns 10 dias se passaram até que consegui o número e liguei e então marcamos um churrasco em casa. Era uma Quarta-Feira, o Flávio ia passar na TV por volta de seis da tarde.
Por volta de quatro da tarde nuvens negras começaram a surgir. Quando Flávio chegou, o céu estava tomado, um temporal se anunciava.

- Cadê teu carro? - perguntei, ao notar uma mala nas mãos de meu ilustre amigo blogueiro.
- Não tenho carro, eu vim de avião, lembra?
- Sim, sei, mas... Como você vai fazer para voltar para Limeira? Eu moro em Americana, vamos fazer o churrasco lá!
- Ué, eu não vou voltar! Estou pensando em passar uns dias lá.

Comecei a ficar com medo desse cara. De novo ele estava todo de negro. De novo ele falava baixo e manso. E, pior: usava cavanhaque. Não se pode confiar em pessoas que usam cavanhaques.

Confusão numa macarronada à la matricciana bastante esquisita

Chegamos em casa com uma incrível chuva. Fazia semanas que não chovia. O Flávio trouxe chuva à região. Depois ficamos sabendo que ele tem essa característica de levar chuva para onde vai: ele inclusive tem um contrato com o governo italiano para viajar pelo país em algumas épocas do ano levando chuvas para onde quer que vá.

O Flávio é um cara pessimista. Ele é como o carro da Família Adams.

De qualquer maneira, com aquela chuvarada, não ia dar pra fazer churrasco. Fomos então até o supermercado. Minha idéia era comprar um frango assado com farofa e um litro de cachaça. O Flávio achou melhor fazer uma macarronada. E quis ele mesmo fazer. Deixamos, pois eu e Karen somos sempre escravizados por contantes visitas exigentes que nunca colaboram com nada e - pior! - sempre vão embora muito tarde deixando tudo uma su-jei-ra!

Mal nos demos conta e lá estava o Flávio cortando calabresas, misturando com cenouras e creme de leite, botando o macarrão para cozinhar sem passar um fio de azeite na água antes... Ele simplesmente contrariou todas as regras da famiglia Biaggioni para o preparo de uma boa macarronada, todas! Disse ele que aquele era um macarrão à la matricciana (sic) - e eu e Karen fingimos acreditar.

Mal colocávamos a refeição na mesa - sob os olhares desconfiados de Lia -, ouvimos buzinas. Três jornalistas. Brigatti, André Montanhér e Fábio Shiraga. Esses caras têm algum tipo de faro para onde haja comida. E lá apareceram, com fome absurda. Congratularam-se rapidamente com Flávio e já foram abrindo geladeira à procura de latas de cerveja e o armário, alcançando pratos que logo foram lotados do referido macarrão. O pior é que estava bom!

Até esse momento, tudo corria estranhamente bem. Estranhamente.
Sentamos na varanda para fumar uns charutos cubanos e conversar um pouco.
Foi quando o Shiraga saiu-se com essa: "Flávio, eu trouxe o violão que você me pediu".
Senti então um arrepio. Um arrepio de coisas que talvez estivessem acontecendo e eu sequer imaginava. Eles tinham combinado algo e usavam minha hospitalidade para algum tipo de encontro...

Olhei firme para André Montanhér, que virou rápido para Flávio Prada:
- Você sabe tocar "Andanças"?

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O nascimento de mais uma dupla sertaneja: Fábio & Flávio

Pois bem. Meu faro jornalístico ma non troppo logo viu que ali acontecia uma trama - e eu iria desvendá-la em breve.

Flávio Prada começou a cantar "Andanças". "Na lua cheia, eu sei.../ Meu namorado, é guei.../ Na mão direitaaaaaa, rosaaaaaaas... vou levaaaaaaar!" e, estranhamente, Shiraga e André Montanhér faziam força para acompanhar.

O Shiraga eu conheço faz pouco tempo. Mas o André... O André conheço a tempo suficiente para saber que ele não é dessas viadagens de ficar fazendo corinho em músicas de boteco...

O Gustavo olhava assustado enquanto fumava um curto.
Chamei-o num canto.
- Que tá havendo aqui?
- Eu se-sei lá! - respondeu, gaguejando com fumaça.
- Fala o que você sabe!
- Eu ta-tava em casa. Nem sabia que o Flávio Prada ta-tava no Brasil. Ele não contou nada no blog dele...
- É mesmo... Estranho isso, né?
- É. Então... Eu ta-tava em casa e o telefone tocou e era o André, dizendo que você ia fazer um churras e seria bem legal aparecer se sopetão...
- Vocês sempre fazem isso!
- Então... Aí ele falou que o Shiraga também viria e ia trazer um violão...
- Estranho.
- Pa-parece...
- ...
- Pa-parece...
- Fala logo, porra!
- Parece que o Shiraga combinou algo com o Flávio... Pa-parece que eles vão tocar juntos num barzinho...
- Ãhn?

Eu odeio ser o último a saber das intenções vexatórias de meus amigos.
Eu odeio ser o último a caçoar de algum amigo que acabou de fazer uma poesia ou de algum outro que porventura me diz que vai escrever um livro.
Eu odeio perder o momento de dar um tapa na nunca de um amigo que acabou de ser abandonado pela mulher.
Eu quase não consigo viver quando um amigo se mete a músico e eu não estou por perto para arrebentar, xingar, cuspir, pisotear, denegrir e defenestrar do sujeito. Ah, sim, isso é o melhor: olhar bem nos olhos do sujeitinho e dizer: "Ah, você quer ser o novo João Gilberto, pois não?" ou "Ah, você quer reinventar o rock, náo é?" ou "Ah, você faz isso só por diversão? Seu lance mesmo é fazer cover do Capital Inicial?".

Já fizeram algo parecido comigo quando me olharam nos olhos e disseram: "Ah, você quer ser o novo Nelson Rodrigues, é?"

Bem, tomei o ar nos pulmões.
Flávio e Fábio teriam que me explicar o que estava havendo.
Eu TINHA que participar da brincadeira!

Voltamos, eu e Gustavo, a nos sentar com a dupla e André. Karen estava ali do lado, com os olhos arregalados e um medo claro do que a dupla executaria na sequência de "Andanças".

Pois acreditem: Flávio & Fábio fizeram uma versão sertaneja de "Mother", do Pink Floyd.
Mas eu não deixei que terminassem.
Tomei o violão das mãos de Flávio e pedi explicações.
Fábio Shiraga começou a chorar.

- Bia, é o seguinte... A gente não queria te contar...

André levantou para pegar uma cerveja enquanto Flávio explicava.

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- Eu conheci o Shiraga através do seu blog, eu nem sabia que ele era limeirense também...
- ...
- A gente te admira, sabe da sua adoração pelo Velvet Underground, pelo Lou Reed...
- ...
- Mas assim que nos conhecemos, eu e o Shiraga, descobrimos imediatamente que... que... apesar de gostarmos de tudo isso que você e todos esses blogueiros bacanas gostam...
- ...
- Wilco, Bloc Party, Muse...
- ...
- Bem, nós gostamos de música sertaneja. Música sertaneja de raiz.

Fábio Shiraga se acabava em lágrimas quando me abraçou e sussurrou no meu ouvido:
- Por favor, não conta pra NINGUÉM!

O Gustava estava petrificado - um pouco pela informação um pouco pelo excesso de tabaco de alta qualidade que havia acabado de entrar em sua corrente sangüínea. Eu caí na risada, quando o André reapareceu e colocou a mão no meu ombro.

- Não ri não, Bia. Eles são nossos chapas e se a onda deles é essa a gente tem mais é que respeitar!

Ãhn?

André Montanher, um dos redutos de integridade punk do Brasil dizendo uma coisa dessas? Onde fomos parar? Onde VIEMOS parar? Cai o muro de Berlim. Eu me caso pela terceira vez e me declaro fiel sob qualquer prova. E agora o André se mostra condescente quando o assunto é música? Ele, que esses dias disse que o Placebo era emo?!

O Gustavo pigarreou e, hram, disse: "é i-isso a-aí!". E eu fiquei quieto.

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O Fábio então se sentou ao lado de Flávio e eles cantaram juntos, em sobrevoz, "Nuvem Passageira", do Kleiton & Kledir. Eu cheguei mesmo a me emocionar quando se abraçaram no trecho "Eu sou como um cristal bonito / que se quebra quando cai".

O nível de desespero no meu termômetro do desespero que fica no meu cérebro, exatamente na zona do desesperamento, estava atingindo níveis homicidas. E eu tentava de tudo para calar aqueles dois, ofereci todo tipo de comida ou bebida para que eles fechassem a boca, mas nada era suficiente.

Só fui saber bem depois que Flávio Prada veio à Limeira, na verdade, para ensaiar com Fábio Shiraga. Eles alugaram uma chácara e lá passaram dez dias adaptando músicas que gostam para o formato "sertanejo de raiz". Shiraga disse à família que ia dar um pulinho em Londres ver o novo show do Belle & Sebastian. Prada disse à família que ia para Florianópolis visitar amigos. A farsa pode ser comprovada por amigos que esperaram Prada em São Paulo, quando ele deveria "voltar" de Florianópolis e não o encontraram. Ora, é claro, ele NUNCA ESTEVE em Florianópolis nos últimos 13 anos.

O Gustavo foi buscar a Solange, a Lia chorava compulsivamente de medo daquelas músicas e André Montanher (que já tem os tímpanos atingidos por anos de The Stooges no volume máximo) estava catatônico de tanta cerveja. Karen dava sinais de que esse seria o último encontro de amigos em casa em muito tempo. E a neo-dupla Fábio & Flávio executava destraidamente outra canção de Kleiton & Kledir, composição de Renato Terra: "Bem-Te-Vi".

- A gente gosta dessas duplas com nomes parecidos - disse Flábio.

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(Ma... cá-cá-cá pra nóis: tem coisa ma redícula que Kleiton e Kledir?)

Que sera, sera, wathever will be, will be

A noite avançava e minha experiência com reuniões exógenas é que: se você não manda logo embora os seres presentes na confraternização antes de quinta mijada, eles nunca mais vão embora.

Como já tinha mijado dezenove vezes, achei melhor tocar a todos.
Tinha já me empanturrado de muita música ruim e sete fardos de cerveja já haviam sido consumidos. O dia seguinte seria difícil. O dia seguinte! O DIA SEGUINTE!

Putz!

Me lembrei que no dia seguinte, ou seja, na Quinta-Feira eu tinha que ir à Mirassol. Isso! Eu sairia de Limeira depois do programa, às 12h30, e enfrentaria 350 kilômetros de estrada rumo à região mais quente do Estado para mediar uma audiência pública na manhã de Sexta. Um trabalho para o qual eu fui convocado e não podia furar.

Já passava da uma hora da manhã e eu decidi então abrir meu pacote de docinhos cristalizados de caju. Eu tenho sempre em casa um pacote de docinhos cristalizados de caju. São ótimos para comer depois da cerveja. A boca se amarra um pouco e o único tipo de líquido que a garganta aceita é água mineral gelada. Assim, comendo docinhos e tomando água gelada, em poucos minutos a bebedeira passa.

Em Aracaju costumam comer o caju em compotas o que também é bom, mas pode dar uma pusta caganeira no dia seguinte.

Bom, servi os docinhos e esperei as reações seguidas de "Me dá um copo d'água gelada!".
E aproveitei para dizer: "Viu, vocês não querem aproveitar e dar o fora daqui?"

Fábio e Flávio levantaram e disseram que precisavam mesmo dormir já que na noite seguinte teriam uma apresentação num barzinho guei em Piracicaba.

- Pô, Flavito! Bar guei?
- Ah, Bia, foi o único que aceitou nosso repertório até agora!

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(Camiseta especialmente confeccionada pelo Shiraga para o evento)

Rumo à estação Calorândia

Ainda impactado pela audição da cantoria alienígena da dupla Fábio & Flávio, acordei na quinta com uma dor de cabeça infernal. Eu tinha convidado Brigatti para ir comigo até Mirassol. Eu não tinha mesmo responsabilidade. Nenhuma. Já não me bastavam todos os problemas? Não bastava a conta estourada no banco, a família ouriço no estômago, o bigode de Tom Selleck na cara e a bobagem que eu fiz de aceitar essa missão de rodar 350 kilômetros até o recôncavo mais quente de todo Estado para fazer um trabalhinho, dormir num hotelzinho e voltar no dia seguinte? Não bastava minha cabeça estar doendo quase que diariamente há, deixa eu ver..., 36 anos? Não bastava a preocupação com a pensão da Isabelle e com um suposto (assim espero) namoradinho que agora ela tem? Apesar e/ou por conta disso tudo não seria melhor viajar sozinho, com a cuca-fresca, sem ter que me preocupar com a criançona folgada, testosteronada e inconseqüente chamada Gustavo Brigatti?

Balancei a cabeça descontente. Eu tinha feito merda.

Atravessei a cidade já atrasado para encontrá-lo. Buzinei e ele apareceu faceiro, os braços e a cara besuntadas com Sundown 60, uma pequena mochila numa mão e alguns cds na outra. "Passei a madrugada gravando isso aqui pra gente ir ouvindo no caminho", informou solene.

Montamos no velho e bom Uno-sem-seguro-vinho-à-gasolina e nos mandamos para Limeira. "Vamos ouvir o novo do Nick Cave!", disse o Alemão. E eu estranhei, já que: 1) O Gustavo não é fã de Cave; 2) O Gustavo está casado (e casados não ouvem Nick Cave); 3) Estávamos com sono e nem sempre é bom ouvir Cave com sono; 4) Já haviam muitos bons motivos para não ouvir Nick Cave naquela manhã, de forma que dispensamos um quarto motivo. Nick Cave? "É a nova banda do Cave...". E aí sim eu assustei. A nova banda do Cave atende pelo nome de "Grinderman" - e é uma porrada, mermão!

Acordamos totalmente enquanto rodamos os 20 kilômetros até Limeira ouvindo aquela mistura do vozeirão grosseiro de Cave com distorções e acordes monocórdicos das insanas canções do álbum estréia da patota. De foder com o célebro, falo sério. Experimente "No Pussy Blues", para saber do que estou falando...

Afe.

Atordoado pelo som de Cave, pela apresentação ainda tóxica de Fábio & Flávio, pelo sol no cocoruto durante os 20 kilômetros até Limeira, enfim, uma puta Quinta-Feira dos infernos, chegamos à TV Jornal e eu mandei bala no trabalho, fiz o programa, comemos um croquete com Caracu no Bar da Joanete e caímos na estrada. Mal acabou o Grinderman e já estávamos ouvindo outra porrada, o novo do Kings Of Leon. No total, uma hora de pista transcorreu tranquila, apesar do calor, que só aumentava. Foi então que aconteceu o "caso do coelho vermelho gigante que pulou na frente do veículo".

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O caso do coelho vermelho gigante que pulou na frente do veículo

Bem, o que a gente pode esperar enquanto dirige por uma estrada quase sem movimento, rumo à região conhecida como "O Triângulo do Sol" onde existe uma rádio chamada "Morada do Sol" onde a transportadora chama "Sol Nascente" e onde a casa de frios tem o singelo nome de "Trinta Graus"? O que se pode esperar - eu respondo - é que vai-se passar calor. Isso é TUDO o que se pode esperar - embora muita coisa de bom possa acontecer, é claro.

Pois o calor ia cozinhando nosso corpo, o Sundown 60 do Gustavo escorria pela pele formando uma pequena poça no assoalho do carro, quando, repentinamente, um ser passou correndo pela estrada. Foi algo que não identificamos. Foi muito rápido. Eu tenho certeza que foi um grande coelho, um coelho que alguma criança desocupada ali pela região acabou tingindo de vermelho, talvez usando papel-crepom. Um coelhão vermelho. O Brigatti não soube o que pensar e, na verdade, nenhum de nós disse qualquer coisa sobre o ocorrido. O cd do Kings of Leon tinha acabado, deixando algum gosto de drogas lisérgicas dos anos 60 em nossas bocas.

A humanidade derretia, tínhamos mais 200 kilômetros pela frente e Sartre só tinha dito que o inferno são os outros porque não conhecia os arredores de São José do Rio Preto.

Apesar de toda a desconfiança sobre a existência de uma inteligência superior, apesar de várias dúvidas existenciais que o "coelho vermelho" talvez pudesse sucitar, eu e Gustavo tínhamos, ali, no meio do nada, apenas uma única e grande dúvida: que cd ouvir.

Eu queria o novo do Wilco, ele queria o acústico do Nirvana.
Como o carro era meu e eu ia pagar o jantar logo mais, colocamos o novo do Wilco.

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O novo disco do Wilco

"Sky Blue Sky" começa lindamente. Lindamente. As três primeiras canções nos fazem esquecer quaisquer preocupações. São belas, profundas, densas e flutuantes ao mesmo tempo. A primeira evoca McCartney, a terceira tem um fechamento instrumental que remete a "Being There" - o melhor disco da banda. A quarta faixa do disco, que tem o título do álbum, é fraca, fraca, fraca. As faixas 5, 6 e 7 também são fracas. E a partir da faixa 8 a coisa começa a melhorar, sendo que a faixa 12, a última, é nota 8. Mas as três primeiras são nota 10. Eles valem o disco. E essa foi a resenha mais curtinha e cheia de números que eu já escrevi.

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A Room for Two

E Zzzzzzzuuuuuummmmppppp!
Chegamos em São José do Rio Preto, mas especificamente ao Hotel.
Saímos suados do carro, em direção à grande porta de vidro espelhado da entrada.
E foi aí que tomei realmente um grande susto.
Ao olhar o nosso reflexo naquela porta, eu pulei.
Ali estava o Gustavo, cabelos amarelos sem corte, óculos Ray-Ban espelhados, vestindo uma camisa preta com mangas dobradas acima dos cotovelos, calçando coturnos, uma malinha de mão que provavelmente ele emprestou da Solange...
E eu: calça jeans, mocassim sem meia, camiseta Levi´s branca, óculos escuros redondos... e... um... contrangedor bigode.
Sim, estávamos um verdadeiro casal.
Estávamos muito, muito gueis.
Muito.
Demais.
Eu fiquei constrangido.
Constrangido e levemente chateado por ser bem mais velho que Gustavo.
Nós sabemos como são esses velhos pederastas.

Olhei para o Gustavo e tive vontade de chorar.
Eu não queria ser um velho pederasta.

O Gustavo chupou o ar com o nariz e disse um "não liga".

Eu tive certeza que todos iam pensar que eu bancava o Gustavo.
Eu tive certeza que a menina da recepção ia nos olhar por cima dos óculos, caso ela usasse.

E ela usava.

A reserva do quarto era para um e eu pedi para que ela mudasse.
"Ele está comigo", eu informei.
E ela engoliu rápido um riso que subiu como um pequeno vômito, como num desses arrotos pós-feijoada.

"Um quarto para dois, aqui está... Não precisam se preocupar com as malas, os carregadores já vão levá-las até o quarto", dise ela, querendo dizer que era para que não nos preocupássemos com nossas unhas.

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No pun intended

O quarto era minúsculo e eu fui logo tirando a roupa, ansiava por um banho.
O Gustavo ligou o ar condicionado no máximo, ligou a TV e se jogou numa das camas.

Liguei toda água fria e fiquei lá debaixo por uns 20 minutos. Saía fumaça de minhas costas.

Assim que saí do banheiro o Gustavo entrou correndo, também ansiava por um banho ou queria cagar ou sei lá...
Botei uma cueca... e... olhei... para... a... TV...
Estava passando um documentário sobre maridos gueis!

Sim, eu sei, começa a ficar tudo cada vez mais difícil de acreditar.
Mas, afinal, esse é o motivo desse texto enorme: mostrar como a vida pode ser absurda.
É tudo verdade, nada do que aqui está sendo descrito é mentira.
É realmente incrível, mas estava mesmo passando esse documentário!

Eu fingi não ligar, desliguei a TV e procurei descansar um pouco.
Tinha uma reunião logo mais, às 19h, no Hotel. A idéia era que eu e Gustavo caíssemos na noite riopretana, aproveitando que estávamos momentaneamente solteiros. Íamos cair na noite. Sim, sim! Talvez até descolássemos umas garotas, pois não? Não é isso que fazem os jovens casados quando viajam aos pares, solteiros? Não é para isso que servem as viagens a negócios, os encontros com amigos em chácaras para um futebolzinho e churras? Então...

Cochilei um pouco e já era hora da minha reunião - e o Gustavo ainda no banheiro.
- Tou indo pra reunião, mermão.
- Beleza, depois apareço lá.

Ele estava com uma boa voz.
Achei que estivesse realemente tudo bem.

Botei uma camisa e fui pro salão, falar de negócios sérios.

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Ferre o bule, Deise Of

Pois estava eu na reunião séria, chega o Gustavo com a cara ligeiramente amassada de sono.
Cumprimenta a todos, coloca a mão no meu ombro e pergunta: "Vai demorar aí, Bia?".
"Bia." Por quê ele me chamou de Bia?
Não podia me chamar de Luiz. Ou de um "Biajoni" inteiro, claro e másculo?

Meus novos amigos se entreolharam com risinhos nervosos.
E logo um deles encerrou a reunião, já que tudo estava combinado.
No dia seguinte sairíamos às sete da manhã para o evento. Ainda não eram dez da noite e decidimos, eu e Gugu, cair na noite - ou no que restava dela.

Estávamos famintos.
Pegamos a avenida principal da cidade à procura de Mr. Goodbar.
E tinha uns bares legai, uns points bem agitados, um clima quente agregador.
Pensamos em parar algumas vezes, mexemos com algumas meninas que passavam pela calçada, quando vimos uma Cachaçaria. Gostamos de cachaçarias. Em Americana vamos sempre à Cachaçaria Água Doce e pedimos Seleta com moela ao molho e pimenta. Seria uma boa opção - e o lugar fervia.

Paramos o carro, fomos nos aproximando do local, quando percebemos, em seu interior, uma grande mesa com muitos... adolescentes! Argh! Odiamos adolescentes, como qualquer pessoa normal. Adolescentes são detestáveis. Eles falam alto e costumam ter brincadeiras enfadonhas como aquela do "vira, vira"... E também passam mal, vomitam pelo chão... Sem contar que adolescentes sempre acham que sabem tudo, sempre ficam olhando para você com uma falsa cara condescendente...

Ali estava uma verdadeira mesa infernal de adolescentes.
Uma garota de 15 ou 16 anos ficava instigando os amigos a encherem a boca com cerveja e gargarejar. Horrível, lamentável.

Respiramos fundo e demos uma boa olhada em volta. E reparamos num outro local que talvez pudesse ser interessante... Era um restaurante japonês que ficava logo ao lado da cachaçaria.

Um peixe cru seria refrescante naquela calor infernal.

Então entramos animados no lugar, conversando alguma besteira - o que é bem comum quando se está com o Gugu.

Sentamos e logo veio uma simpática garçonete nos atender com cardápio.

Pedimos um combinado e ficamos um pouco de papo, quando... o... Gustavo... lentamente... virou o pescoço e soltou:

- Bia, você não vai acreditar! Mas esse é um bar guei!

E era!

Não tínhamos notado, na pressa & fome, na conversa animada em que estávamos, nem olhamos em volta. Mas era sim um bar guei. Era um bar MUITO guei, já que estava bem lotado e chegava mais gente. Gente de mãos dadas, vejam vocês. E do mesmo sexo!

God!

Não dava para cancelar o pedido, não dava para sair dali. Não dava para nos concentrar em qualquer outra conversa. A garçonete apontava de longe para nós, mostrando para o sushiman - que deve ter pensado que nós dois éramos novos outter of closet.

Ninguém nos conhecia - e decidimos ficar ali mesmo. O combinado chegou e estava ótimo.
Comemos levemente rápido e saímos dali.
Estávamos esgotados.
Corremos para o hotel.

Na TV, passava "Brokeback Mountain".

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Noite & Dia, Dia & Noite, tanto faz como tanto pôde

Foi uma noite, digamos, desconfortável.
Primeiro, Gustavo fazia questão de deixar o ar condicionado ligado e eu estava com medo do frio impactar em minhas preciosas cordas vocais - que seriam utilizadas logo pela manhã, no evento.
Contrariado, ele quis ligar o ventilador, que fazia um barulhão dos diabos.
Estava calor, é verdade, mas era só dormir sem camiseta que, bem, refrescava.

Pedi para que ele desligasse tudo e tirei a camiseta.
Ele fez o mesmo.
...

E eu... já... estava... pegando... no... no... no... sono, quando um barulho infernal começou.
Eu não contei isso, mas estávamos em um quarto no térreo, logo ao lado da cozinha.
Já eram umas duas ou três da manhã e deve ter chegado o pessoal que apronta o café da manhã. O café é servido entre 6 e 8h30.
Um barulhão de conversas e copos e pratos e... música. Sim, música. O pessoal trabalha ouvindo uma rádio estranha, com muito axé, canções dançantes dos anos 70... Tocou até Gloria Gaynor e Village People! Meu Deus!, pensei. "Nada pode piorar!"

Mas piorou.
De repente começou uma música... uma música que... eu conhecia. Sim, conhecia.
Não lembrava de onde, não sabia quem cantava, comecei a me esforçar para identificar, agucei os ouvidos. Quem era aquele rapazinho cantando? Que sotaque estranho era aquele?

A música estava quanse acabando quando identifiquei e quase soltei um grito:
"Luis Miguel!"

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A música ia acabando e junto ia me chegando, dos recôncavos mais remotos do inconsciente, as memórias de uma pré-adolescência bonita onde eu passava as tardes cantando as belas canções de Luis Miguel ou dançando alegremente as coreografias bonitas dos Menudos. Ah, bons tempos! E, assim, fui embalando-me num sono alegre, feliz, ingênuo e extremamente delicado, recheado por cantores latinos com faixas de cores berrante na cabeça.

Despertei assustado com o telefone - era o despertador programado do hotel.
Sete da manhã.

Rumo a Mira lo sole

Rapidamente estava bonitamente vestido com meu Giorgio Armani.
Gustavo também pulou rápido, se aprontou, e logo estávamos tomando um café rápido.
Queria chegar bem antes do combinado ao evento para não ter surpresas.
Achei que talvez tivesse dificuldades de achar o local - mas nada, a cidade é pequena e achamos rápido.

O evento transcorreu calmamente, a não ser pelo desconforto da presença do Gustavo lá no fundo da sala - parecia que todo mundo olhava para mim e depois olhava para ele e depois olhava para mim e cochichavam algo nos ouvidos uns dos outros.

Não havia muito o que fazer. Agora era me concentrar no evento e sair dali com uma puta fama de gueizão mesmo. Acho que cumpri minha função - ou minas funções, já que enquanto saía dali um rapazote de uns vinte anos, bonito, olhos claros, passou a mão na minha bunda.

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O retorno

Pô, chegamos no hotel 12h30 e quiseram cobrar uma diária a mais.
Chegou um cara grande para intimidar-nos.
Aí não deu para ficar quieto, eu e Gustavo saímos no cacete com o segurança grandão.
Socamos o cara até dar dó. Deixamos o brutamontes estendido no chão.

A atendente correu para o telefone e chamou a polícia.
Corremos para o estacionamento do hotel, íamos fugir loucamente...
No caminho trmbamos com duas garotas, duas suecas que estavam na cidade para um trabalho em uma grande agência de modelos... Trombamos com elas literalmente, quase derrubamos as duas no chão.

Uma delas me olhou fundo nos olhos, a outra olhou para Gustavo.
Nem sabemos bem o que aconteceu mas... em instantes estavam as duas conosco dentro do meu bom e velho Fiat Uno, enquanto ganhávamos a rodovia.
O Gustavo colocou a trilha-sonora de "Pulp Fiction" - já que sempre toca qualquer música do "Pulp Fiction" quando acontecem cenas assim, carros alucinados por estradas e louras suecas doidas com os peitos de fora...

Várias viaturas apareceram com giroflexes ligados, uma barulheira infernal.
Gustavo tirou então sua pistola .765 da bolsinha de mão e mandou bala pra cima dos policiais.
A trilha era de sangue na rodovia Washington Luis.

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Despistados os policiais paramos num pequeno boteco de beira de estrada chamado, acreditem pelo amor de Deus, Nietzsche Bar. Não é sacanagem, existe mesmo um Nietzsche Bar.

As suecas já estavam exaustas, loucas por um banho renovador... Elas imploraram para que ficássemos com elas, voltássemos com elas para a Suécia onde ambas são muito ricas e iriam nos cobrir de caprichos e ouro e discos de bandas obscuras e um computador super-poderoso com banda larga para cada um... Além de afirmarem que não são CIUMENTAS!

Ficamos levemente tentados, mas não somos homens assim, baby.
Somos homens da estrada, somos homens de um futuro incerto.
Somos homens de porrada e cachaça.
Somos homens, enfim!

Deixamos as duas chorando no Nietzsche Bar e nos mandamos, rumo à Americana.

Acendemos nossos cigarros sem filtro, botamos um cd do Da Bad Guys e rimos alto e desbragadamente enquanto cuspíamos agressivamente pelas janelas do carro.

Paramos num posto para abastecer e pegar umas latas de cerveja e saímos sem pagar...
Não demorou muito e enfrentamos mais uma perseguição, que logo foi resolvido pelo bad boy Gustavão e sua pistola cuspidora.

Cruzamos Limeira velozmente, provocando uma série de acidentes graves e chegamos em Americana por volta de sete da noite. Larguei Gustavão em seu pardieiro e me amndei pra casa.

Karen me esperava, devia estar morrendo de saudades.
Eu também ansiava muito por sua presença.
Mas antes dei uma pequena passada na casa de meu grande amigo e vizinho Joakyn para uma massagem máscula e rápida que me recobrasse as energias.

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Esses dias, caros amigos, foram estranhos.
Mas só serviram para reafirmar minha heterossexualidade.
Pfú!

41 Comments

O Final nao poderia ser melhor!
seu final exorbitantemente final de saga de dois homem que precisam mostrar sua masculinidade.

**: p vcs

post muito divertido
só esse final que foi tosco

tava bom mas RI ÀS GANHA com esse finale. se era um laboratório, funcionou. se não era, pensa sobre! :-D

Terrivelmente bom especialmente na inversão de expectativas e no ritmo. Faça mais posts assim, Biajoni, por favor.

Eita, bichisse!

Ps - depois de revelar que toma Marcus James, se redimiu dizendo que toma Seleta com pimenta. Isso sim é que é degustação!

cara, isso não é um post, é um conto, uma novela, uma epopéia.

só tenho uma coisa a dizer, que me ocorreu logo no início, ainda no marcus james com gosto estranho.

uma vez eu comprei um Domaine Saint Germain, que é o melhor dos piores (pelo menos é barato e não dá dor de cabeça e é seco) e ele estava avinagrado.
Não tive dúvidas, corri pro site da Vinícula Aurora e reclamei, contei a história toda: "sempre tomo esse vinho, mas esse que eu comprei alí e tal, estava passado"
Os caras não apenas me reponderam com me enviaram (a partir do Rio Grande do Sul, eu tô em SP) uma caixa de Domaine Saint Germain e ainda mandaram alguém recolher o vinho avinagrado que eu não pude tomar!
Portanto, vá à luta, vai que rola?

abração e cuide do fígado, sabendo usar não vai faltar.

Quer dizer que a boneca saiu pra farra com o gato do Brigatti e nem me convidou pra ir junto? Ai que ódio, Biazinho! Vou dar mais oito gritinhos, viu?

Está muito bom mesmo. E muito guei também! :)

Caraca! Continua véi...

BIAJONI, VC NUNCA ME ENGANOU!!!
ahahahaha

que bobinho que sou. Indiquei o endi errado. O certo é esse aquí ó;
http://www.gaybrasil.com.br/noticias.asp?Categoria=Colunacena&Codigo=3262

Dear Bi,
É sempre um enorme prazer receber novos simpatizantes da causa.
Não fique constrangido com ameaças.
Abra de uma vez a porta deste armário, rasgue logo a fantasia e não pense nas consequências negativas, e sim nos prazeres que esta nova vida cintilante irá proporcionar. Aliás, você já teve uma pequena prova dos prazeres que o esperam.
Nosso grupo dà o maior apoio.
Aprovetamos para enviar um convite para você (pode levar um 'amigo', tá). Tenho certeza que você vai se divertir muito. Assim como nós estamos nos divertimos com sua pública revelação. É só clicar no end. aí em baixo.
Você foi muito corajoso, direto esempre com muito talento.

Mil Beijinhos cintilantes.

Caro Sr. Luiz Biajoni,

Na condição de adEvogado do Sr. Gustavo Brigatti, venho por meio desta notificar vossa excelência da proibição de publicar o desfecho dos acontecimento que aqui estão sendo relatados. Meu cliente alega que tal fim ira prejudicá-lo seriamente em seus afazeres profissionais, podendo mesmo acarretar sua demissão da boate onde trabalha e uma desastrosa separação judicial, que incluiría a perda da guarda do toy poodle Bibi, os aparelhos de musculação e a discografia da Barbara Straisend.
Sem mais, espero contar com a colaboração e bom senso de vossa excelência.

Att.

Celso Kamura, adEvogado e cabeleireiro

nusss... que gay ;D
acho que voce estava mais para o outro personagem do filme
e o briga esse pq o briga e loiro e talz...
eu = sem comentarios!
esta otima a saga!

*:

Continua de forma constrangedora??? Nada pode ser mais constrangedor do que esse se bigode mexicano com essa sujeirinha no queixo!
Ai, ai, a Karen é mesmo uma sofredora...

Aquele horror chamado "Nuvem Passageira" é de outro gaúcho: Hermes Aquino. Acho q não tem nada a ver com os ridículos K & K.

Caralho, esse vinho Marcus James Tannat é porrêta. Tô até pensando em mandar umas quatro garrafas pra você ir mais rápido com isso, Eh eh eh eh

Ei, eu não tinha visto a foto da dupla caipira de irmãos gêmeos... o Flávio é o do cavanhaque né? São tão parecidos que quase não consegui distinguir.

que puta post gostoso.

O pior é que é tudo verdade, o que vcs não sabem é que depois desses posts enormes, eu tenho que fazer massagem nas pontinhas dos dedos dele com óleo de maracujá, pra acalmar...ser mulher do biajoni é isso...não existe rotina na minha vida, cada dia eu fico imaginando como ele vai chegar em casa e o que ele vai aprontar.Um beijão gigante pro shiraga, que lavou toda a louça pra mim, e amor vc é demais!!!Tô adorando essa farra!

Que viagem, Bia! [hahaha]
Acho que este é o post mais louco que já li na blogosfera.

Por falar nos discos. Lembrei que você tinha separado um Nick Cave para me emprestar, mas quando nos expulsou da sua casa jogando o violão em nossas cabeças, nem se lembrou de pegá-lo para me entregar. Tem jeito de trazê-lo qualquer dia aí?

Tirou o bigode no hotel?

Aê... queremos beijo, hein?

A blogosfera não é a rede-grobo-sal-e-doce.

Puxa que história hein.. cheguei as 6h30 da manhã e perdi noção do horário lendo esta saga de amigos!!!
Não sabia que tu era um "sertanejero" doente hihi
Muito boa!
Pedi pro teu amigo blogueiro lançar a receita da macaronada no blog.
Até mais

Caramba! (ainda se fala 'caramba", hoje em dia?). E eu que pensava que inferno astral não existia? Aguardo por aqui: se precisar de psiquiatra, claro!!!!

né por nada não, Biajoni, mas tu ficou bem na capa da G Magazine.

rapaz, nem sei se tu ainda vai ler esse comentário, aqui estou eu te visitando quase no fim do dia, mas enfim. eu queria virar cinéfilo, e tu manja do assunto. eu queria saber se tu conhece algum site que vende os filmes clássicos por uns preços que não arrombam muito o bolso do cidadão, tipo se há alguma revista que venda os clássicos nas bancas e na internet... pô, eu ia te agradecer pelo resto da vida se tu me desse um toque.

Presenciei a quase-morte de nosso querido Bia. Cheguei na sua casa a tempo de ouvir sua alma, que pairava sobre o corpo estirado na cama, dizer: "Tô morrendo, véio..."
Felizmente não foi dessa vez, senão teríamos sido privados de mais um texto divertidíssimo.

Belle, tô curioso pra saber porque você lembrou de mim vendo as fotos.

Não, posso ate ter pai que convide amigos em casa para ouvir musica sertaneja, agora pai que pareça guei, e não é apenas um guei mais sim um guei que faz casal com o Brigatti!
não...aí eu não agüento!
Ainda acredito que o texto de amanha ficará mais engraçado que este (se possível!!).
eu tive que te ligar no meio do tão esperado texto que eu estava aguardando ansiosamente desde sábado a noite - o dia em que mais ri em toda a minha vida - foi então que eu comecei a ler este texto e vi que não era o que eu estava pensando, mais sim uma nova aventura de BB (nossa...lembra?)
então é isso...aguardaremos até o texto de amanhã!
;***


obs: assim que vi a foto que mostram os nossos cantores, me lembrei instantaneamente de Sergio Efe...se você descobrir o porque te dou um premio!

Ai meu deus do céu.

Ainda bem que eu não tenho reputação para manter.

When you got nothing, you got nothing to lose.

A propósito, tem uma versão do caralho do Karnak para a canção do Hermes de Aquino. Se eu soubesse tocar...

Hahahaha, mais uma sensacional narrativa épicômica do Bia. Andança? Flavio e Fabio?

Ah, ele cozinha bem mesmo, o cara. Pude comprovar.

E como estás de saúde AGORA?

Abraços.

Bigode... eu já deixei, quando eu tinha 16 anos. Não há fotos para comprovar, mas esse bigode costumava ser chamado de "jogo de basquete"... Eu tirei porque eu tava a fim de uma chinesinha que trabalhava comigo e ela achava feio. Mas mesmo assim ela não quis me dar.

"Nuvem passageira" não é de Kleyton e Kledyr (é de Hermes de Aquino), mas eu entendi a metáfora.

Mais ridículo que essa dupla? Esse violão Craaaaafteeeergh que aparece na foto.

Nojo.

O maior número de IPL (Insights Por Linha) da História. Você é imbatível nisso Bia.

gargalhadas...
O macarrão tava bom mesmo! Acho que melhor do que seria o churras.

Mas Bia, mesmo que o bigode esteja mais simpático pessoalmente do que na tela, tire o bigode, vai.

Abraço, guei.

Ah, Bia... esse tal de Marcus James é sempre bem ruim. Só de bigode? A Karen é que é uma mulher de verdade, fala sério...

Já estou rindo só de tentar imaginar onde vai parar esta estória...

Eu deveria ter ido nesse encontro e não ter mandado aquele cara no meu lugar. Sabia que ia dar nisso.

Freddie Mercury? sei....

Bia!! que delícia de narrativa!!
É claro que o lance brokeback mountain prometido para os próximos capítulos vai fazer com que todos estejamos aqui, em peso e ansiosos!!

Até aqui tudo bem, vamos ver o que vem...

E esse visual Zappa-gay?

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Esta página contém um post de Biajoni publicado em março 18, 2007 6:36 PM.

é verdade! é a postagem anterior.

a estranha lógica do petismo local é a próxima postagem.

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