(Minha coluna de hoje no TodoDia)
Em um polêmico poema chamado "Se te queres matar", Fernando Pessoa pergunta: "O que que tu conheces,/ Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?".
As pessoas em geral precisam e gostam de acreditar em coisas, das mais variadas: malucas, fantásticas, incríveis. Pessoas acreditam em Adão e Eva - embora nenhuma delas saiba dizer se ambos tinham umbigo. Pessoas acreditam em discos voadores como se esse assunto fosse algo que pudesse mudar a vida delas. Pessoas acreditam em reflexologia, sonhos premonitórios, paranormalidade, numerologia ou mesmo no poder mágico de um relógio que elas talvez possam ter encontrado numa esquina com as próprias iniciais gravadas nele. Muita coincidência? Claro que não: uma mensagem divina - ou qualquer coisa assim. Pessoas que acreditam podem começar a desacreditar adquirindo esse primeiro livro que comento aqui: "O Umbigo de Adão" (Ediouro), de Martin Gardner.
Gardner bota abaixo boa parte dos mitos bestas nos quais as pessoas acreditam piamente - quando se aproximam do Q.I. dum símio. Gardner é da turma do biólogo Richard Dawkins, um dos cientistas best-sellers mais quentes do momento. É de Dawkins "Desvendando o Arco-Íris" (Cia das Letras). A premissa é ótima: ele diz que todo mundo acredita em arco-íris, não é? Só que não existem arco-íris. Isso mesmo. Nós achamos que, lá no céu depois da chuva num dia claro, existe um arco todo colorido. "Sim, é claro que ele existe: todos veêm!", dizemos para nós mesmos numa tentativa de auto-afirmação. Porém, ensina Dawkins, o arco-íris não existe tal qual cremos, lá no céu, todo colorido: ele existe apenas dentro de nossos olhos pois o fenômeno é uma ilusão de ótica causada pelo cruzar dos raios do sol através de gotículas d'água. A partir do exemplo do arco-íris, o escritor vai desconstruindo mitos, mostrando como casos de mágica simples ou de simples coincidências são vistos, através dos tempos, como fenômenos esotéricos, religiosos ou místicos. É nesse livro que ele, através de cálculos rápidos e simples, mostra a probabilidade que qualquer um de nós têm de, ao encontrar um relógio, vermos nele cravadas as nossas próprias iniciais.
É de Dawkins o novo grande sucesso editorial do Reino Unido: "The God Delusion" ("A Ilusão de Deus") onde o autor destrói todos os tipos de religião, "argumentando brilhantemente", segundo Clive Cookson em matéria no "Financial Times". Diz Dawkins sobre o livro: "Os leitores que começarem o livro religiosos serão ateus quando terminarem" e "[as pessoas têm que] se libertar totalmente do vício da religião". Dawkins pode ser encarado como um demônio por uma postura assim, mas ele é só um pacato, bem articulado e inteligente professor, que leva a vida dentro da lei, sem prejudicar ninguém.
Viver a vida dentro da lei, sem prejudicar ninguém é a proposta básica de "Aprenda a Viver" (Objetiva), de Luc Ferry, ex-ministro da educação da França. O livro foi best-seller por lá e acabou de sair no Brasil. A proposta vai além para defender uma sociedade sem restrições de ordem religiosa. "A transcendência [...] não reside mais em grandes entidades abstratas, superiores e exteriores à humanidade, mas, cada vez mais, na humanidade".
Quando vejo livros assim entrando para a lista de mais vendidos volto a ter fé na humanidade, embora ache que a Cientologia ainda vai crescer, os homens-bomba vão continuar espocando por aí e os adeptos da urinoterapia vão continuar bebendo xixi.

estou lendo O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS, DO cARL sAGAN, JÁ LEU? MESMO ASSUNTO, MUITO BOM.
o problema não é se deus existe ou não, isso não faz a menor diferença
toda a fúria luminar e esclarecedora tem que ser dirigida contra essas máquinas de embotamento dos sentidos que são as religiões
mas eu quero ler o livro antes de comentar mais!
abração
Esse livro eh maravilhoso!! Eu li em poucos dias, e recomendo a todos, sem excecao. Dawkins se supera como divulgador, uma primazia intocavel. Escrevi um post hah um tempo sobre o livro, que gerou muita discussao no Roda de Ciencia - mas estou na pressa agora pra deixar link. :P
Beijocas, Bia.
Será que as pessoas seguem e praticam o que lêem. Espero que sim. Já fui mais íntimo de Deus até um passado recente. Hj prefiro acreditar mais em mim mesmo.
gd ab
eu sou ateu, mas não fundamentalista. cada um com os seus problemas. só não aguento a igreja transmitir missa pelo alto-falante. aí é demais. um dia eu ainda vou distribuir de porta em porta uns folhetos com trechos do livro do Dawkins, pra verem o que é bom.
e você...? não quis comer a placenta das suas crianças???
ai, ai... quem sabe um dia tomemos toda a coragem necessária para assumir, de fato, a responsabilidade de nossa existência e essência.Mas talvez isso seja mais fantasioso que a crença no arco íris... enfim.
Biajoni, todos precisamos de nossas muletas. Você não?
puxa Biajoni, esse lance das pinturas eu desconhecia, aliás tenho várias fotos delas, mas não sabia que se tratava de "arte de limeirense"... valeu pela dica!!!
Me passa umas estratégias pra dar um up-grade no meu blog!!!! To adorando cuidar dele hihihihihi
Até mais
Voce...nunca tomou mijo?