(Minha coluna de hoje no TodoDia - que FOI publicada!)
No filme "A Guerra dos Mundos", de Spielberg, a paz terrestre é perturbada por imensas máquinas alienígenas que estavam enterradas em locais estretégicos do planeta, aguardando o momento para a tomada. O herói, um Tom Cruise irresponsável, pai de família, vai acabar tendo sorte e conseguindo escapar do massacre promovido pelos aliens. Mas quem destrói os inimigos não é a força dos esteróides anabolizantes de Cruise, nem sua cientológica mente criativa; mas sim os vírus, bactérias e microscópicos seres que - os aliens não são tão poderosos assim - defenestram (uau!) a capacidade imunológica dos invasores. O realismo do filme impressiona, especialmente nas cenas de destruição, onde fica claro que os extraterrestres não têm coração. Eles saem de dentro da terra apavorando, destruindo tudo, pisando em tudo, derrubando tudo, sem dó nem consideração. Eles abrem enormes crateras, que sugam tudo, para dentro de onde tudo vai...
Enormes crateras. Como essa, recente, aberta em São Paulo. Assim que vi a primera imagem daquela cratera grandiosa, como se feita em computação gráfica por um megalômano diretor hollywoodiano, pensei imediatamente que estávamos sendo atacados. Sim, seria a confirmação da predição de Orson Welles, que uma vez transmitiu a Guerra dos Mundos via rádio e vários americanos - eles são tãããão espertos - acharam que o planeta estava mesmo sendo invadido e deram cabo em suas próprias vidas - o que é conhecido como suicídio. A imagem na TV daquela cratera me causou uma ansiedade por ver sair uma grande peça alienígena trípode que talvez pudesse soltar raiox dizimadores pelos olhos e fogo pelas ventas. Mas nada saía da cratera. Pelo contrário: a cratera só aumentava e ia engolindo com seus dentes de asfalto e cimento as casas, pessoas, carros, esperança. Mudei de canal e a cratera lá estava. Na internet, mais fotos da cratera. Era real, não era uma releitura da "Guerra dos Mundos". Ou talvez fosse. Uma releitura que passasse pelo "Brazil" de Terry Gilliam, onde a burocracia e a burrice tudo emperram, tudo atrapalha. Não, a releitura teria que ir além, teria que passar pela teatralidade canastrona dos poderosos políticos que só pensam em seus bolsos e querem que o povo se dane. Esses poderosos políticos que, à medida dos aliens, também não têm consideração, não têm coração.
A mortal cratera paulistana não é resultado de uma invasão alienígena, mas de uma tomada que aconteceu há muito tempo e nem nos demos conta. A tomada geral da administração do Mundo por parte de gente que não está nem aí com o Mundo. Só querem mesmo sugar o que pode haver de bom - talvez o dinheiro - para dentro de si. E não há perspectiva de vírus ou organismos microscópios que talvez possam nos salvar.

(Foto de Clayton Souza, Reuters)
Via uma luz no final do túnel, mas o barro tampou.
Boa análise. abç
A vida é um buraco!
mais é isso aí q adianta ter o havia o haver se lá e cima existem pessoas do alto escalam q mais parece do baixo...mais é isso aí bola para frente...coitadas das famílias q perderam alguém lah...
caramba não dah para acreditar...
já avia tendo muitos sinais de q isto iria acontecer e ninguém ligou...
toda a sujeira foi empurrada para debaixo do tapete, aliás como sempre.. ué pq eles não empurram a cratera para debaixo do tapete e finge q nd aconteceu como sempre....
"...não há perspectiva de vírus ou organismos microscópios que talvez possam nos salvar." O pior de tudo é isso. No filme, microorganismos ínfimos fizeram o que não conseguimos fazer: estirpar essa raça que nos domina. Uma lástima.
Sexo Anal: Acho que terminarei a leitura hoje. Estou na página 160 e de queixo caído. Muito duca. No fim de semana eu preparo um post a respeito.
Bom dia.
Bia, seu post de hoje foi uma porrada no meu estômago. Gostaria de fazer um brilhante comentário, mas fiquei um pouco sem rumo, tal qual a filha do personagem do Tom Cruise. É notícia ruim demais nesse mundo. Beijocas
É sempre assim; os homens sempre se matam, por Alá ou por petróleo!
Sempre se matam...
Wait a minute.
O velhote disfarçado de cogumelo ainda tá aí, pombas? :)
Lavou, tá novo.
(Hermenauta em momento Rafael Galvão)
Coloquei a última frase do teu artigo como epígrafe do resumo de notícias do meu trampo. Resumiu tudo. Um beijo
Cada vez me sinto pior quando vejo coisas assim... tipo, vai dando aquela sensação de que não tem mais o que fazer mesmo...
Acho que foi o Umberto Eco que disse que o maior problema do Brasil é que ele é mal administrado.