vão lá dar suas opiniões.
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vão lá dar suas opiniões.
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(Minha coluna jabazística de hoje no TodoDia)
- "Um Defeito de Cor", romance da amiga e (ex) blogueira Ana Maria Gonçalves, editado pela Record, ganhou o prêmio Casa de Las Américas, um dos mais conceituados das Américas. Sobre ele, escreveu Millôr Fernandes: "Um dos 10 mais importantes do século". O blogueiro Alex Castro chamou a atenção e eu faço coro: a imprensa simplesmente ignorou o prêmio. Cadernos de cultura preferem bandas obscuras da Islândia ou videomakers experimentais. Isso quando não dão espaço à fofoca pura envolvendo celebridades. O escritor não é considerado (muchocho).
- Falando em Alex Castro, ele teve uma iniciativa inédita no Brasil, colocando o arquivo em .PDF de seu livro de contos "Onde Perdemos Tudo" à venda pela Amazon. E não é que o livro está vendendo, mesmo não existindo fisicamente? Quem diz que o leitor não quer O NOVO? "Onde Perdemos Tudo" custa apenas US$ 3,00 ou R$ 7,00 e vale cada centavo. Mais informações no blog do autor: www.liberallibertariolibertino.blogspot.com.
- Bem, e se você, amado leitor, quiser ler o meu livro, é de graça para download no meu blog: www.verbeat.org/blogs/biajoni. O livro ganha resenhas positivas semanalmente na internet, mas foi rejeitado por umas dez editoras. Você pode baixar e ler no computador ou imprimir - e vai custar mais ou menos o mesmo que se você comprasse numa livraria; tem até capinha! Será que é ruim? Leia e me diga.
- Meu livro e o de Alex Castro foram tema de uma matéria no Jornal O Globo em Novembro passado. A matéria era sobre a nova literatura brasileira que aparece na internet. Sim, a internet é ótima para divulgar e publicar os trabalhos - mas não se ganha nada, nada, nada com isso. Algumas vezes a projeção abre portas, como o que vem acontecendo com a ótima escritora Ana Paula Maia, autora de "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos", um folhetim que pode ser lido diretamente no blog da garota: www.folhetimpulp.blogspot.com.
- Uma escritora muito jovem que conseguiu ser publicada por uma grande editora é Olivia Maia que também tem um blog (quem não tem um hoje em dia?). O livro dela, "Desumano" saiu pela Brasiliense e vem conseguindo, a fórceps, aparecer na mídia. Olivia esteve recentemente no TodoDia e eu falei com ela - em breve, pinta matéria aqui. Ah, sim, o blog da Olivia é www.verbeat.org/blogs/forsit.
- Já que estou falando de blogosfera, preciso indicar o endereço do poeta americanense, leitor dessa humilde coluna, o amigo Marcelo Moro: marcelomoro.blog.terra.com.br.
- Nada a ver com o teor dessa colua, mas lá vai: o Editor-de-Cultura-Colunista-de-Cinema Gustavo Brigatti pede sugestões para a TRADICIONAL brincadeira do "bolão do Oscar" (sic). Minha contribuição: "Babel", Scorsese, Leonardo DiCaprio, Eddie Murphy, Meryl Streep, "O Labirinto do Fauno".
APDEITE RELACIONADO:
- Nos últimos dias, mais duas menções ao meu livro: C.R. Quint leu e gostou. E a enigmática "Me and My Secret Life", que fala só sobre sexo (não abram o link, crianças), relacionou o livro a um post recente que fez o blog bombar. Coisas de fetiche.
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APDEITE 2:
- Oba, a super Bibi está concorrendo ao "Seventh Annual Weblog Awards: The 2007 Bloggies" na categoria Best Latin American Weblog. É só entrar lá e votar. Vamos!
A morte de Maria Elisa Guimarães, a Meg, e a notícia de que, na verdade, não morreu, agitou a internet brasileira na última semana. Cheguei ontem de viagem e vi o soberbo post do Inagaki e nem sei de todos os detalhes direito. O caso, nesse momento de impacto, serve para reavaliarmos nossas conexões virtuais, creio. Poderá ser um divisor de águas na história da blogosfera. Tou simplesmente bolado.
- Depois da Luana Chnaiderman é a vez de Edd Caufield escrever sobre o meu livro. Adorei especialmente o "literatura rock" - sim, sim, gostei demais. Vão lá ler.
- Gostaria de agradecer a Bibi também, por ter colocado o livro na sua lista da LibraryThing - muito bem acompanhado de Ana Maria Gonçalves, Mutarelli, Muriel Spark, Orhan Pamuk.
- Achei que tivesse linkado, mas acabou passando, essa matéria sobre novos autores, internet e mercado editorial publicada na excelente Revista Idiossincrasia. O novo autor não é publicado porque não tem público ou não tem público porque não tem oferta de novos livros?
- Hoje esse blog entra num pequeno recesso de cinco dias. Amanhã bem cedinho caio na pista, rumo a Volta Redonda. Levo a Isabelle para casa, Dudu nos acompanha. Se tiver algum blogueiro ou leitor estiver pela região por esses dias, com uma disposição absurda de me pagar umas cervas, manda e-mail - o endereço taí do lado. E-mails serão checados.
Queria escrever um post decente falando sobre minha indignação (e isso não ia mudar nada) com as incongruências (sim, sim, gastemos o português) na listagem dos concorrentes ao Oscar 2007 divulgadas hoje. A lista pode ser conferida aqui.
Mas estou com um sono dos diabos. Fui com as crianças jogar boliche ontem e estou detonado. Às segundas é mais barato, R$ 24,00 a hora - aí fico estragado para todo resto de semana.
Como se não bastasse, a Lia dormiu entre eu e Karen e ficou se esticando a noite inteira, tentando puxar minha barba. Essa é sua nova mania.
Então vou falar pouco sobre o Oscar: puta que pariu; "Dreamgirls" foi o filme mais indicado, oito indicações, mas não entrou para Melhor Filme? Leonardo DiCaprio e Djimon Hounsou foram indicados por "Diamante de Sangue" e de "Os Infiltrados" só entrou na disputa o Mark Whalberg? "Volver" não entrou para Filme Estrangeiro mas Penélope Cruz entrou para Melhor Atriz? Aliás, coitada da Penélope, batendo com Judi Dench, Helen Mirren, Meryl Streep e Kate Winslet. "O Labirinto do Fauno" - impossível pensar num filme "menos" Hollywood - teve seis indicações? Alguém pode me explicar por quê "Borat" concorre a roteiro adaptado?
Nas categorias de atores, nunca vi tanto desconhecido, no final das contas: Ryan Gosling, Jackie Earle Haley, Djimon Hounsou, Adriana Barraza, Abigail Breslin, Jennifer Hudson, Rinko Kikuchi. Tá uma verdadeira Babel, vai dizer?
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Em quem você aposta?
Eu: "Babel", Scorsese, Leonardo DiCaprio, Eddie Murphy, Meryl Streep, "O Labirinto do Fauno".
(Minha última coluna no TodoDia)
Minha filha Isabelle em férias em casa e peguei na locadora o "A Dama na Água", último filme de M. Night Shyamalan. Somos, eu e ela, grandes fãs do diretor indo-americano. A criticalha toda caiu de pau, mas nós gostamos. Eu gostei muito: um zelador de um condomínio, um homem amargo e sem esperanças, dono de uma vidinha insossa, tem contato com uma "narf", uma espécie de "fada das águas". Ela precisa da ajuda dele e ele mobiliza os moradores do condomínio para que a fadinha consiga ser levada por uma grande águia antes de ser comida por um lobo com grama no lugar de pêlos. Enredo bobinho? Filme para crianças? Um pouco mais que isso: Shyamalan não é nenhum inocente, veja o que ele costuma fazer em seus filmes. Veja especialmente os últimos dois: "Sinais" e "A Vila". Se você observar a filmografia do cara vai sacar que "A Dama na Água" encerra ua trilogia que eu vou chamar de "Elementos Estranhos para a Manutenção do Status Quo" - EEMISQ. Mas esse Biajoni está metido demais, meu Deus!
Mas é isso: em "Sinais" temos uma família em frangalhos depois de um acidente que matou a mãe - e é preciso que naves alienígenas desçam no planeta para que cada membro da família reconheça suas qualidades e seus valores e voltem a ser uma, ér, família. Em "A Vila", a própria sociedade cria monstros que servem para a manutenção da ordem num pequeno vilarejo. Em "A Dama da Água", o drama da fada vai fazer com que cada indivíduo, cada condômino, pense sobre a sua missão na sociedade - e aprenda a agir em conjunto para o bem-comum. É tudo muito mais que isso, no fim, mas não há espaço para tudo aqui. E também quero falar de outro filme, contraponto total à "Dama na Água".

Vi "O Labirinto do Fauno", novo filme de Guillermo del Toro, também com Isabelle no Cine Paradiso, pequeno reduto de filmes de arte em Campinas. Ufa, saí da sala arrebentado. É um dos filmes mais tristes, cruéis, violentos e angustiantes que já vi. Mas não deixa de ser "belo"; adjetivo mais usado pelos jornalistas quando escrevem sobre ele. Del Toro trabalha com contrapontos e descarta metáforas. A violência é explícita e, até o meio do filme, achei exagerada. Depois achei que não: toda mutilação, tiro, sangue, tortura, clima de terror, servem para fazer pesar o lado da realidade na balança da vida de Ofélia. Ofélia é a pequena garota que gosta de livros e conversa com fadas, faunos e ferozes monstros. É o mundo onde ela se refugia, já que o pai alfaiate morreu e a mãe engravidou de um cruel capitão espanhol que mata sem dó os camponeses rebeldes que se escondem na montanha e arquitetam uma revolução contra o regime fascista de Franco. A gravidez da mãe é complicada e o futuro parece cada vez mais sombrio.
A menina Ofélia está deslocada, num mundo de personagens deslocados. Até em sua fantasia, os personagens parecem deslocados. E a crueldade permeia tudo. Não é um conto de fadas, nem para crianças nem para adultos. É um filme duro, para quem tem estômago forte e nervos de aço; para pessoas que cresceram assistindo a filmes hollywoodianos cheios de explosões. Depois dessa porrada de Del Toro talvez essas pessoas fiquem mais sensíveis.
Pois é, super legal o que a Luana escreveu sobre meu livro. Adorei.
Quem ainda não leu, o link pra baixar, com capinha e tudo, está aí do lado.
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Falando em capinha, eu adoro a capa do livro, montada pelo amigo Helton Winter.
A primeira idéia - e acho que nunca disse isso aqui - era fazer com esse quadro do espanhol Antonio de Felipe, mas achei que o autor fosse achar ruim e encrespar.
Aproveito para mostrar outra foto da Marilyn, em outro ângulo, na mesma sessão que gerou a capa do livro.

Marilyn era tudão, vai dizer?
Mas eu adoro moela de galinha ao molho.

Tive vontade de ver "O Labirinto do Fauno", novo filme de Guillermo del Toro, desde o anúncio, já que sou fã do mexicano e de seus filmes - aguardo ansioso por "Hellboy 2". Ontem finalmente fui com Isabelle até o Cine Paradiso, pequeno reduto de filmes de arte em Campinas, para conferir. E ufa, saí da sala arrebentado. É um dos filmes mais tristes, cruéis, violentos e angustiantes que já vi. Mas não deixa de ser "belo"; adjetivo mais usado pelos críticos, jornalistas e blogueiros quando se referem ao filme.
Del Toro trabalha com contrapontos e descarta metáforas. A violência é explícita e, até o meio do filme, achei exagerada. Depois achei que não, toda mutilação, tiro, sangue, tortura, clima de terror, servem para fazer pesar o lado da realidade na balança da vida de Ofélia. Ofélia é a pequena garota que gosta de livros e conversa com fadas, faunos e ferozes monstros. É o mundo onde ela se refugia, já que o pai alfaiate morreu e a mãe engravidou de um cruel capitão espanhol que mata sem dó os camponeses rebeldes que se escondem na montanha e arquitetam uma revolução contra o regime fascista de Franco. A gravidez da mãe é complicada e o futuro parece cada vez mais sombrio.
A menina Ofélia está deslocada, num mundo de personagens deslocados. Até em sua fantasia, os personagens parecem deslocados. E a crueldade permeia tudo. Não é um conto de fadas, nem para crianças nem para adultos. É um filme duro, para quem tem estômago forte e nervos de aço, para pessoas que cresceram assistindo a filmes hollywoodianos. Depois dessa porrada de Del Toro talvez essas pessoas fiquem mais sensíveis.
(Minha coluna de hoje no TodoDia - que FOI publicada!)
No filme "A Guerra dos Mundos", de Spielberg, a paz terrestre é perturbada por imensas máquinas alienígenas que estavam enterradas em locais estretégicos do planeta, aguardando o momento para a tomada. O herói, um Tom Cruise irresponsável, pai de família, vai acabar tendo sorte e conseguindo escapar do massacre promovido pelos aliens. Mas quem destrói os inimigos não é a força dos esteróides anabolizantes de Cruise, nem sua cientológica mente criativa; mas sim os vírus, bactérias e microscópicos seres que - os aliens não são tão poderosos assim - defenestram (uau!) a capacidade imunológica dos invasores. O realismo do filme impressiona, especialmente nas cenas de destruição, onde fica claro que os extraterrestres não têm coração. Eles saem de dentro da terra apavorando, destruindo tudo, pisando em tudo, derrubando tudo, sem dó nem consideração. Eles abrem enormes crateras, que sugam tudo, para dentro de onde tudo vai...
Enormes crateras. Como essa, recente, aberta em São Paulo. Assim que vi a primera imagem daquela cratera grandiosa, como se feita em computação gráfica por um megalômano diretor hollywoodiano, pensei imediatamente que estávamos sendo atacados. Sim, seria a confirmação da predição de Orson Welles, que uma vez transmitiu a Guerra dos Mundos via rádio e vários americanos - eles são tãããão espertos - acharam que o planeta estava mesmo sendo invadido e deram cabo em suas próprias vidas - o que é conhecido como suicídio. A imagem na TV daquela cratera me causou uma ansiedade por ver sair uma grande peça alienígena trípode que talvez pudesse soltar raiox dizimadores pelos olhos e fogo pelas ventas. Mas nada saía da cratera. Pelo contrário: a cratera só aumentava e ia engolindo com seus dentes de asfalto e cimento as casas, pessoas, carros, esperança. Mudei de canal e a cratera lá estava. Na internet, mais fotos da cratera. Era real, não era uma releitura da "Guerra dos Mundos". Ou talvez fosse. Uma releitura que passasse pelo "Brazil" de Terry Gilliam, onde a burocracia e a burrice tudo emperram, tudo atrapalha. Não, a releitura teria que ir além, teria que passar pela teatralidade canastrona dos poderosos políticos que só pensam em seus bolsos e querem que o povo se dane. Esses poderosos políticos que, à medida dos aliens, também não têm consideração, não têm coração.
A mortal cratera paulistana não é resultado de uma invasão alienígena, mas de uma tomada que aconteceu há muito tempo e nem nos demos conta. A tomada geral da administração do Mundo por parte de gente que não está nem aí com o Mundo. Só querem mesmo sugar o que pode haver de bom - talvez o dinheiro - para dentro de si. E não há perspectiva de vírus ou organismos microscópios que talvez possam nos salvar.

(Foto de Clayton Souza, Reuters)
Marcos VP não me convidou, mas vou nessa meme:
1. Qual o primeiro CD que você lembra de ter comprado na vida? E o último?
O primeiro foi um "Best Of" do Lou Reed. Eu já tinha quase tudo do Reed em vinil, tinha uma certa resistência ao CD, nem tinha tocador... O primeiro CD do Reed que achei, comprei. Gostei e, na sequência, comprei toda discografia dele em digital. O último foi o excelente "Vagabundo" do Ney Matogrosso & Pedro Luis e a Parede. Sim, sim, eu sou grande fã do Ney Matogrosso.
2. Existe algum artista do qual você tenha a coleção completa de tudo o que ele tenha lançado?
R. Alguns: Velvet Underground, Lou Reed, Nick Drake, Jeff Buckley, Nick Cave, Vic Chesnutt, Leonard Cohen.
3. Existe algum disco, CD ou LP que você gostaria muito de ter e até hoje não conseguiu comprar?
R. Vários. O mais clássico dos meus obscuros nunca conseguidos é "Basic", do Robert Quine & Fred Maher. Fica o desafio: quem conseguir achar as músicas e montar esse disco para mim - que está fora de catálogo faz tempo - terá minha eterna gratidão.
4. Qual sua lembrança mais interessante de uma música em particular?
R. A pergunta sobre a lembrança mais antiga de uma música me foi feita pelo Maurício Pereira num workshop de criação e depois de muito pensar e meditar cheguei à melodia de "Can't Take My Eyes Off of You", de Frank Valli, gravada pela Gloria Gaynor, tema do filme "O Franco Atirador". Essa melodia se mistura à da canção "Crimson & Clover", da Tommy James & The Shondells, que tocava muito no rádio. Era tudo pop, até que ouvi o disco e vi o filme "The Wall" e fiquei doente com tudo, com o conceito, com o som. E a primeira vez que ouvi uma coletânea em vinil do Lou Reed, com canções do Velvet Underground. Achei que o disco estava com problema. Quando entendi a coisa, tudo ficou claro.
5. Alguma música mudou efetivamente sua vida?
R. Bem, "Venus in Furs" do Velvet causou um grande impacto. Quando ouvi "Temper" do John Cale, pensei: "Rock!". Mas tenho várias músicas marcantes em determinados momentos da vida, como todos. Assim como choro cada vez que ouço "Far From Me", do Nick Cave.

Acharia legal se o Briga, o Bruno, o Nando e o Doni falassem também.
Semaninha conturbada essa; não consegui nem ler os blogs dos chapas. Mas hoje é sexta e espero poder surfar um pouco, logo mais à noite, papear no msn com os brous, descansar e bebericar com amigos neste findi.
Amanhã, Sábado, a partir de cinco da tarde, estarei tomando algumas em casa - e os amigos estão convidados - em comemoração ao aniversário da dona patroa, Karen, a mulher que eu amo. Mas já vou avisando os folgadinhos: nada de enveredar pelas altas horas.
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Domingo espero poder ir com a turma toda à Piracicaba, na tradicional Rua do Porto, degustar uma piapara no tambor.
E Segunda, putz, adoraria poder ir à Sampa para abertura da exposição da DaniCast, na Casa da Xiclet, mostrando toda extensão do seu trabalho. Super! Na abertura não estarei, mas quero ver a exposição meeeeesmo!
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Os amigos (muy amigos) Adriano, (vulgo Hemenauta) e Mauro Amaral (vulgo Aeroporto de Mosquito), simultaneamente e ao mesmo tempo, convidaram-me para uma meme (que é uma corrente - é a "même chose", por isso o nome "meme"). É engraçado, nenhum dos dois nunca me convidaram pruma pizza com cerveja.
Ai, ai.
De qualquer maneira, ao ler as resoluções para 2007 deles e de outros amigos, pensei: "Ei, hoje está um belo dia para beber uma Bohemia e não pensar em coisa nenhuma". Foi o que eu fiz.
Porém, passado um dia, na noite do dia seguinte, saí com Isabelle (14 anos), Dudu (9 anos) e minha prima preferida, a cineasta mirim Livia (9 anos), para uma disputadíssima e suadoura partida de boliche. Eu venci, como é de praxe. Chegamos todos agora em casa, eu ainda a gozar com as crianças por terem perdido de mim. Tomei um banho, Karen dorme com Lia, bem, também vou dormir, mas... Sim, sim, tudo está bem para mim: eu sou o grande campeão do boliche; eu escrevi um livro que - ei! - não é tão ruim assim; tenho uma grande alcatéia de filhos, Lia está com otite e ainda assim come com uma disposição anticapitalista; já plantei algumas mudas de árvores, reguei, cuidei embora admita que tenha usado algumas para fazer a casinha do meu saudoso Nicolau Sevcenko.
A propósito, Nicolau é meu cão, um boxer negro, apaixonado pela Jade e pelo Chet Baker. Jade é uma cadela - no melhor dos sentidos - que mora na rua de cima.
Mas Nicolau passa um período na empresa de minha irmã. Não haveria espaço em casa para duas feras: ele e Lia.
Nessa semana que passou, vi que o prefeito de Aparecida (vulgo Zé Louquinho), proibiu enchentes na cidade. Não, ele não fez nada de infra para evitar enchentes, simplesmente as proibiu. Achei interessante que talvez pudéssemos ter um poder de canetar coisas assim. Deus deu ao homem o poder de nominar as coisas, mas não de agir diretamente sobre elas - a não ser no sentido de extinguir os seres. Alguns. Os carrapatos não dá, por exemplo. Deus é burro: tivesse nos dado o poder de canetar leis que regissem (uia!) esse nosso Universo - afinal, ele não o fez para nós? - talvez tivéssemos desenvolvido um maior grau de responsabilidade através dos tempos sobre o meio-ambiente ou sobre o ambiente inteiro - já que nunca entendi direito esse negócio de "meio".
Ou não - como costuma dizer, de maneira contraditória mas sempre co-producente, nosso Ministro Fica Gi, pai da Feia Gil.
Bom, eu queria canetar umas coisas. Tipo: meu filhos nunca mais ficam doentes. Ou: minha mulher vai sempre parecer muito mais jovem que eu. Ou: morram todos os que discordam de mim.
Coisas bobas assim.
Ainda nesse final de semana li a coluna do Jorge Coli no Caderno Mais da Folha. Eu adoro o Coli. Até quando arrota cultura ele é legal. No Domingo, falou de Champfleury, um contemporâneo de Balzac (falei que li a bio de Balzac pelo Paulo Rónai e gostei muito? Pô, o Balzac fazia o que eu gosto de fazer: contar histórias reais e contemporâneas. Aliás, ele só é famoso porque contou histórias contemporâneas da sua época e hoje são consideradas registros históricos daquela época e nada têm de contemporâneas). Bom, Champfleury era considerado o GRANDE INTELECTUAL por Wagner, Manet, Rodin. O cara estava podendo.
Pois a coluna do Coli resgatou um texto de Champfleury, prefácio do seu "Grandes Figuras de Ontem e de Hoje". O texto, lista conselhos a si mesmo. Servem como resoluções e aqui estão, devidademente copiados para os mui amados leitores deste blog:
1 - Nunca faça concessões a ninguém.
2 - Pense o que você escreve e escreva o que você pensa.
3 - Se você quer enriquecer, jogue fora sua pena.
4 - Se você teme ferir a sociedade, jogue fora sua pena.
5 - Se você quer agradar a toda gente, jogue fora a sua pena.
6 - Se você quer, aos 30 anos de idade, chegar à honra, à fortuna, à tranqüilidade, jogue fora a sua pena.
7 - Se o amor ao jogo, ao vinho, às mulheres é, em você, mais forte do que a arte, jogue fora a sua pena.
8 - Não se submeta às leis da sociedade e não tema viver sozinho, com seu pensamento diante de si, com seu pensamento como companheiro, com seu pensamento como namorada.
9 - Obrigue-se a ser pobre. Se você é rico, gaste logo o seu dinheiro para pedir sustento às letras.
10 - Com 20 anos todos somos ricos, o dinheiro virá mais tarde.
11 - Nunca escreva uma só linha por complacência com quem quer que seja; de complacência em complacência, você se tornará apenas um empregado doméstico.
12 - Não espere uma popularidade súbita; só os medíocres conseguem o sucesso na primeira tentativa.
13 - Pense muito no futuro, pouco no passado e esqueça o presente.
14 - Não se gaste com polêmicas frívolas. As polêmicas não fazem bons volumes.
15 - Negam sua obra; sua obra responde por você.
16 - Você foi negado, logo, você existe.
17 - De 18 a 25 anos permito-lhe todas as paixões; para pintar o amor é preciso ser amado. Você ainda não é homem e não sabe o que vai se tornar; mas tome cuidado para que as paixões não grudem em você por toda vida.
18 - Se precisar de um amigo dedicado, sempre alegre, sempre disposto a acompanhar-lhe em longas caminhadas, pegue um cachorro.
19 - Você deve julgar tudo por você mesmo. Por seus olhos e seus ouvidos. Nunca decida nada pelos olhos de outro e pelos ouvidos de seu vizinho.
Depois de digitar, já um pouco alto pela terceira Bohemia, penso nesses "auto-conselhos" do Champfleury e - acho que digo bem! - estou pronto para as minhas resoluções:
1 - Jogar fora a minha pena.
2 - Gastar menos dinheiro com futilidades.
3 - Pegar frilas; guardar dinheiro como nunca guardei.
4 - Tentar ser o mais medíocre possível para conseguir a popularidade súbita.
5 - Pensar mais no futuro.
6 - Deixar o Nicolau mais um tempo com minha irmã.
7 - Ouvir mais os meus vizinhos - pelo menos os vizinhos de frente, já que o vizinho de fundos foi preso recentemente por latrocínio.
Ai, ai.
Eu vou me esforçar para fazer tudo o CONTRÁRIO de Champfleury. Afinal, algum de vocês alguma vez sequer ouviu falar nesse Champfleury?
Eu posso até gostar do Coli, mas se imortalidade for aparecer numa coluna do Coli no futuro, eu prefiro um presente um pouco mais suado e farto.
Falando em farto, fiquei hoje o dia todo sem comer. Não deu pra tomar café, saí correndo. Depois atrasei o almoço e, quando vi, já eram duas e meia da tarde. Saí às seis, fui pra casa, peguei Isabelle e Dudu e fomos comer um lanche. Eu disse:
- Quando a gente fica o dia inteiro sem comer, parece que podemos comer um elefante inteiro. Mas quando chega a comida basta um pouco e já estamos saciados.
Minha filha:
- É verdade. É por isso que eu não passo uma hora sequer sem comer muito. Assim não dá pra sentir fome.
É desse pensamento pragmático infanto-juvenil que eu sinto falta.
Obrigado, Nababu.
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O jornal impresso deixou de ser o que era há muito tempo. A urgência das notícias deu lugar à matérias que tentam contextualizar mais as informações e o colunismo assumiu seu lugar de força analítica que antes era do editorial. O jornal impresso virou um amontoado de editoriais pelos quais o jornal não se responsabiliza. É uma boa maneira de tirar o cu da reta.
O colunista de jornal deve ter, assim, alguma liberdade. O Millôr diz que não existe "alguma" liberdade, já que "alguma" censura já é censura suficiente. A maior qualidade que um colunista de jornal deve ter é o bom-senso. Bom-senso de, digamos, falar sobre a prática de trocar presentes no Natal quando a coluna sair ali por volta do dia 25 de Dezembro. Bom-senso de encaixar em algum lugar do texto a palavra "retrospectiva" quando o final do ano estiver próximo. Bom-senso de investigar os primórdios da tradicional brincadeira do "amigo oculto" para escrever um texto informativo e que vai servir para impressionar familiares reunidos diante da árvore de Natal antes da ceia. Bom-senso é lugar comum, amigos. E o jornalismo, de maneira ampla, geral e irrestrita, vive disso. O (pouco) resto é recheio.
É tudo isso que eu vi nas colunas dos grandes jornais nesse mês de Dezembro. E foi algo mais ou menos assim que tentei fazer em minha coluna do dia 26 de dezembro do jornal TodoDia, publicada aqui no blog. A coluna não saiu naquela ocasião, era pra sair hoje e também não saiu e eu acho que sei porquê.
Escrevo para jornais tem 10 anos. Trabalho com comunicação, essencialmente televisão, há 16 anos. E escrevo para a internet há, bem, desde Fevereiro de 2001. Cada mídia é diferente de outra, e eu tenho uma visão pessoal sobre elas.
A internet é um território restrito em expansão. Quando montei o site Tiro&Queda em Limeira, reunindo amigos, jornalistas, escritores, assustei com o número de acessos, com a repercussão da coisa. O site entrou em uma monografia sobre a história da imprensa limeirense por conta da influência que ele teve em, digamos, toda uma geração. Colaboradores do site hoje tocam blogs que dão o tom da discussão política na cidade, trabalham em jornais, emissoras de TV, rádios, fazem assessoria de imprensa... A experiência serviu para mim pois mostrou que a internet proporciona um feedback mais rápido e instantâneo - através de comentários em textos e e-mails - e o texto PERMANECE. O calor do momento já me fez publicar coisas das quais me arrependo, coisas com muitos erros crasos, principalmente de português - eu, que odeio revisão.
E desde então, na fase já final do Tiro&Queda, tenho tido algum cuidado com as coisas que publico na internet. O contato com o leitor é muito grande, quase físico.
Essa amarra eu já não tenho com as colunas de jornais. Ao contrário: a coluna de jornal tem que ter algo que reacionária - no sentido de provocar uma reação. Na internet você se mostra, peito aberto, algumas vezes analisando algo profundamente, outras fazendo uma piada interna. No jornal você tem que pegar um assunto, um tema, um fato, e torcê-lo, revirá-lo, causar algo no leitor. Os colunistas de quem eu gosto, com os quais me identifico, fazem assim. Começam a falar de A, passam para Z e chegam a B, metendo uma dúvida na sua cabeça, fazendo você pensar qual seria o resultante C.
Isso não é fácil, mas tem algumas colunas de jornal que me dão satisfação, especialmente as que escrevi para o Jornal de Limeira em 1998. Para provocar, chamar a atenção, fazer o leitor acompanhar o raciocínio e aceitar ou negar o argumento, o colunista tem algumas artimanhas. Lembro de uma história - que cito de cabeça, apenas para ilustrar - que entre todos os grandes colunistas de um grande jornal, um era o "mais lido". Não me lembro se era Fernando Sabino ou Paulo Mendes Campos... Quando perguntaram à ele qual o seu "truque" ele explicou que sempre dava um jeito de colocar uma letra "X" na chamada da coluna e mais alguma no início do texto. Segundo ele, a letra "X" chamava a atenção do leitor que associava o texto a "seXo". Lenda ou não, taí uma história sobre um "método" chamativo. Temos também o Diogo Mainardi, esse sim reacionário no pior sentido do termo.
Resumindo; na internet não temos a necessidade de provocar nada, já que as pessoas que estão por ali te lendo já te conhecem, vem por um link, tem uma outra postura. No jornal você é um desconhecido que tem a chancela do jornal e um susto, uma poesia fora do lugar, uma frase de efeito, vem sempre a calhar.
Nesse contexto, o título da coluna é importante. Tento ser o mais sucinto possível, para que o leitor bata o olho e saiba do que se trata. Não quero que enganá-lo ou fazer com que perca seu tempo. Assim, se falo sobre livros boto como título, "Livros". E às vezes tento alguma gracinha com títulos chamativos como foi o caso da última coluna, não publicada pela segunda semana consecutiva, "Deus Está Velho".
No caso desta coluna, minha defesa para o título está no próprio texto. A revista Time já estampou na capa um "Deus Está Morto" - por quê o TodoDia não podia publicar uma coluna com "Deus Está Velho"? Afinal, é melhor estar velho que morto, vai dizer?
Mas o texto, de maneira geral, não trata da velhice de Deus; essa é apenas uma isca. O texto fala da hipocrisia geral de quem se esconde atrás de religiões, posando de santo(a) para o público mas quando o dinheiro fala, não consegue esconder a verdadeira natureza. No caso específico da Gretchen, o texto não condena sua ação, só vê como hipocritamente perigosa a sua, digamos, "escapada", na frase "só Deus pode me julgar". Se assim for, tudo é permitido; até matar, roubar ou cometer qualquer sórdido ato. Falando em hipocrisia e em "posar de santo" e em religiões de maneira geral, o texto se liga à essa época de final de ano, quando os casais se abraçam e beijam os filhos e dizem que o amor é mais importante e oram de mãos dadas. Hipocrisia ruleia.
Tanto para a internet quanto para os jornais, o processo de escrita tem criação. Diferente do meu trabalho em TV que se divide em duas frentes: no texto para TV é só seguir algumas regras, o texto tem que ter um casamento com imagens e isso o restringe. Outra frente do trabalho para TV é o programa de entrevistas, quando temos uma pauta inicial, mas a entrevista constrói o clima. Às vezes a entrevista é feliz, às vezes sai muita merda. A volatibilidade da TV permite o deslize ao vivo e suporta o texto incoerente gravado e editado. Inclusive, já fiz o teste: inverti offs e entrevistas numa matéria e passei para algumas pessoas. Elas balançaram a cabeça e acharam que a matéria estava OK.
Nunca trabalhei numa redação de jornal, mas acredito que o princípio que leva ao convite de um colunista é que ele tenha o bom-senso, sim, mas que também tenha apelo para ser lido. Quase qualquer apelo serve. Não gostaria de comandar um jornal recheado de colunistas insípidos que pesquisam coisinhas na internet para depois compilar um texto recortado que mais caberia num trabalho escolar de quinta série. É só ali, numa coluna de jornal, quando o próprio veículo se desvincula do argumento, que cabe o choque, o argumento elíptico, algum umbiguismo. Se o texto da Gretchen não cumpriu seu objetivo para o jornal, eu falhei. No próximo eu conto a história do Papai Noel Azul da Escandinávia.
