novembro 2006 Archives

Sou fã, fã, fã de Lourenço Mutarelli. Sua trilogia em quatro volumes, "O Enigma de Enigmo", é o ponto alto dos quadrinhos brasileiros. Os textos e os desenhos são dele. Os desenhos são cheios de detalhes, de um cuidado assombroso. O mesmo não se pode dizer do texto - e esse é o problema. Não chega a ser um problemão... Lourenço tem idéias simplesmente sensacionais para suas tramas, consegue envolver totalmente o leitor, cria personagens sólidos e com personalidade, mas... parece sempre haver um descuidado com seu texto. Como se ele escrevesse sempre com pressa, com uma certa urgência, para retomar logo os pincéis e fazer aquilo que ele sabe melhor: dar caras aos seus personagens, pintar os ambientes das suas neuróticas tramas. A linguagem de seus quadrinhos segue uma lógica cinematográfica, apreendida provavelmente através do cinema expressionista alemão. Estão ali encadeados "movimentos de câmera" fluídicos, margens de realce nos enquadramentos, trabalho do preto-e-branco sem nuances. Um trabalho personalista sublime.

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("Cena" de "O Dobro de Cinco")

Porém, Lourenço agora anuncia que vai deixar os quadrinhos e se dedicar apenas à literatura. É dele "O Cheiro do Ralo" - que chegou ao cinema pelas mãos de Selton Melo e Heitor Dhalia, diretor com quem ele tinha trabalhado fazendo o desenho de cena de "Nina", e venceu a última Mostra de Cinema de São Paulo. Sintomático isso: apesar de ser um livro, "O Cheiro do Ralo" é extremamente visual. É como se Lourenço tivesse escrito o livro para virar quadrinhos ou cinema - Arnaldo Antunes diz isso na contracapa. O mesmo acontece com "Jesus Kid", que li no último final de semana. As referências pop abundam, mas o autor não descamba para cabecices.

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Em "Jesus Kid" um escritor de bancas de jornais, que ganha a vida com pseudônimo fazendo pseudo-westerns, é contratado por produtores de cinema para passar uma temporada em um hotel escrevendo um roteiro sobre... as dificuldades de se escrever um roteiro. A prisão no hotel nos remete a "O Iluminado" - mas aqui os fantasmas, que no filme apenas Nicholson via, estão todos vivinhos da silva. O autor fictício tem que desenvolver uma trama à la "Adaptação", aquele filme do Charlie Kaufman. As referências vão se cruzando, o autor dialoga com seus personagens, a trama vai ficando cada vez mais absurda, envolvente e divertida. Por fim, Lourenço supreende fechando a história de maneira fantástica e totalmente satisfatória. Você fecha o livro e pensa: "esse cara é foda" - e é isso que faz um bom escritor, não é?

Porém (mais um porém no texto, Biajoni?), parece haver ali um certo descuido com o texto. Algo que vai além da revisão (aliás, a Editora Devir devia arrumar um revisor melhor; há muitos erros tanto no "O Cheiro do Ralo" como em "Jesus Kid"). Não sou de frescuras de textos lapidados, mas é estranho o que acontece com o Lourenço. Ele mesmo parece ter conhecimento do problema e faz uma brincadeira sobre isso, num diálogo de "Jesus Kid". De qualquer maneira, é um livro que merece ser lido, daqueles que se lê num tapa e nos faz terminar com um sorriso bobo na cara. Fico pensando como ficaria com a arte gráfica do Lourenço. E mesmo como ficaria nas telas. Uma sacanagem se o Heitor Dhalia não adaptar.

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(A capa ficou bem bacana, vai dizer?)

Falando em livros, cuidado com o texto e adaptação para o cinema, a vizinha Olivia Maia lança o seu primeiro livro, "Desumano", na terça-feira, dia 05/12, na Livraria da Vila, a partir das 18h30. A Olivia é muito cuidadosa com o texto. "Desumano" tem tudo para também ser adaptado para o cinema. Trata-se de uma história policial movimentada, cujo release você pode conferir aqui. Vai ser uma boa oportunidade dos amigos blogueiros e escritores se encontrarem em Sampa, dando uma força presencial para nossa amiga verbeater. Devo ir com Karen e Lia - se o tempo estiver legal, se as coisas estiverem nos conformes.

Pô, tou super feliz por esse lançamento. A Olivia merece. Chegou a hora das editoras acordarem para os inéditos. E para a blogosfera mostrar o seu potencial criativo e comercial. Gostaria muito que toda comunidade blogueira ajudasse a divulgar o livro da Olivia. Cada exemplar vendido faz aumentar as possibilidades para todos nós.

Espero todos lá.

dedada

(Minha coluna de hoje no TodoDia)

Chegaram o Brasil ontem os primeiros 50 computadores do Programa "Um Computador por Aluno", parceria do Governo Federal com a ONG Americana "One Laptop per Child", ligada ao Instituto de Tecnologia de Massachussets, talvez o mais importante do mundo. Como diz o programa e o nome da ONG, a idéia é que todos os alunos de países, ãhn, "menos favorecidos" possam ter seu próprio laptop para utilizar em classe e levar para casa, provocando a inclusão digital de toda família. Para que a ONG possa disponibilizar esses computadores por apenas 100 dólares cada, é necessário que o Brasil, junto com outros países (Argentina, Nigéria, Líbia e Tailândia integram o programa) façam um pedido de cinco milhões de unidades. Estamos longe dessa realidade, mas a parceria do Governo Lula é um primeiro passo. Esses 50 computadores que chegaram ontem servirão apenas para testes, mais mil unidades devem chegar no início do ano que vem. Só espero que não façam o teste ligando conexões de internet superpoderosas de servidores próprios do Itamaraty. O Governo deve testar esses laptops em conexões discadas, de preferência analógicas, que é o que a maioria dos bairros de periferia tem para se conectar ao "mundo globalizado". Já que todos estão pensando em "computadores para alunos" é bom que comecem a pensar em "conexões para escolas", já que a grande maioria das escolas do País não contam com conexões rápidas - algumas delas sequer contam com linhas telefônicas convencionais.

Para falar a verdade, acho que o problema nem é tanto "o computador", mas sim "a conexão". Depois de três grandes ondas, a internet mundial, neste momento, simplesmente desconsidera o internauta conectado via linha telefônica. É impossível fazer as coisas básicas da internet com uma conexão discada. Não se pode abrir páginas em flash, não dá para baixar arquivos em .pdf, livros, filmes, música. Não dá pra conversar de maneira decente em um desses programas tipo msn-messenger - portanto, não dá para fazer "trabalhos em grupo". A chamada "inclusão digital" (dedada) deveria começar com uma conversa séria com os provedores, especialmente os "via cabo", que operam também com canais de TV. Essas empresas operam com concessões federais e devem oferecem uma contraparte social; deviam ser obrigadas, por exemplo, a conectar todas as escolas públicas das cidades onde atendem. Isso seria um mínimo de benefício, já que as empresas exploram comercialmente os cabos como qualquer outra empresa privada, visando o lucro, estabelecendo estratégias de mais-valia que, observam alguns, acabam ampliando ainda mais a erosão digital.

Entrevistado por Flávia Tavares e Mônica Manir, do Estadão, Silvio Meira (blog.meira.com), professor da Universidade Federal de Pernambuco, disse uma frase interessante que devia nortear os programas de inclusão digital no País: "Se o cara não tem o que comer, acham que não precisa de internet. Pois eu digo que ele talvez não tenha o que comer justamente porque não tem internet”. É verdade: em uma entrevista de emprego, entre dois candidatos com a mesma qualificação, é selecionado o que tem mais intimidade com o mundo virtual, com programas e processos.

Sem contar que muita coisa se pode fazer pela internet hoje, sem custo, que onera o bolso do cidadão no mundo real. Ler livros para o vestibular, por exemplo. Ou entregar as declarações de imposto de renda. O prazo para entregar a declaração de isento se encerra depois de amanhã, dia 30. Eu fiz a minha pela internet (receita.fazenda.gov.br), sem custo. Quem não tem internet, vai pagar uma taxinha nos correios. Fiz a declaração numa lan-house. Moro em bairro periférico, também sou um desconectado.

Se você que me lê acha exagero dar todo esse, ãhn, "valor" à internet, desculpe, mas você está à margem da margem de uma sociedade de marginais. Em menos de cinco anos teremos programas inteiros de TV sendo exibidos - e produzidos - na internet. Mudaremos totalmente nossa maneira de nos relacionarmos uns com os outros por conta de hiperconexões. Celulares, aparelhos de tv, utilitários domésticos, computadores de bordo em automóveis, tudo está conectado à grande rede. Talvez cinco anos seja muito pouco tempo para que você se atualize tecnologicamente. Se você estiver por fora, certamente estará fora.

bom, bom

Ao contrário do que costuma acontecer, o Folhateen trouxe uma matériazinha legal. Falaram sobre esse novo disco da PJ Harvey que reúne algumas canções executadas no lendário programa do John Peel. Desde já, meu pedido para o Papai Noel.

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Porém, o mais legal na matéria é o box onde resgatam a lista de John Peel dos seus 20 discos preferidos de todos os tempos que saiu originalmente no The Guardian, em 1997. Veja:

1 - Captain Beefheart & Magic Band - Trout Mask Replica
2 - The Velvet Underground & Nico
3 - The Ramones - The Ramones
4 - Pulp - Different Class
5 - Misty in Roots - Live at Counter Eurovision
6 - Nirvana - Nevermind
7 - The Smiths - The Smiths
8 - Neil Young - Arc/Weld
9 - The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced?
10 - Enzenzé - Wawali Bonané Generation Soukouss
11 - Pink Floyd - Piper at the Gates of Dawn
12 - Dreadzone - Second Light
13 - The Four Brothers - Makorokoto
14 - Dave Clarke - Dave Archive 1
15 - Big Black - Songs About Fucking
16 - PJ Harvey - Dry
17 - Richard and Lisa Thompson - I Want to See the Bright Lights Tonight
18 - Elastica - Elastica
19 - Hole - Live Through This
20 - The Rolling Stones - The Rolling Stones

Tirando as obscuridades, duas coisas me chamaram a atenção na lista: a ausência de Beatles e o disco do Hole, que está na minha lista de melhores de todos os tempos. O disco realmente é um dos melhores já lançados e não importa se tinha ali ou não a mão do Kurt Cobain.

Agora está a um passo de virar crime o preconceito sexual.

Talvez esteja na hora do governo repensar aquela cartilha politicamente correta. Daqui a pouco não sei mais como chamar meus amigos. Eu chamo todo mundo de GUEI - se alguém achar ruim posso pegar até três anos de cana, ora vejam. Pelo menos nunca IMPEDI pegação perto de mim, quer seja de heterossexuais, homossexuais, bissexuais ou transgêneros (embora eu não saiba o que é uma pessoa, er, "transgênero"). Aliás, até gosto. Especialmente se forem duas mulheres - o melhor tipo, como diz Woody Allen.

Portanto, cuidado se você é acostumado a cumprimentar seu amigo que passa ali do outro lado da rua com um "Falaí, viadinho!".

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(Nem ouse chamá-lo de "boneco")

coisas

- Já estão abertas as inscrições para o 1o Festival de Curtas-Metragens de Direitos Humanos. Podem se inscrever audio-visuais em quaisquer suportes com duração até 15 minutos. Todas as informações estão no site - que, por sinal, ficou beeeeem legal. Os prêmios são incrivelmente bons e eu peço ajuda dos amigos blogueiros e jornalistas para divulgação.

- Gabi filma hoje sua ponta na nova produção de Zé do Caixão, "Encarnação do Demônio". O longa já é cult só pela participação da maior anã do Brasil.

- Olivia lança seu aguardado "Desumano" (Brasiliense) no próximo dia 5 e a Verbeat está em festa! Ontem teve lançamento do livro de crônicas reunidas "Soltando o Verbo", onde participa a amiga Márcia Kawabe.

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- O marketeiro Antonio Mela Cueca tem que levar uma surra, vai dizer, Idelba?

- Fabião cada dia mais legal. Grande blogueiro limeirense.

- E Neloah cada vez mais minimal.

- Eu já ia me esquecendo: todo blogueiro é jornalista.

Um disco com nome de "Summer Sun" e a primeira faixa "Beach Party Tonight" pode parecer algo do Jack Johnson. Não é o caso. Até tem uma guitarrinha havaiana, mas o disco de 2002 do Yo La Tengo é o ápice de uma banda que, a partir de agora, parece ter pouco mais a mostrar. Acontece.

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Um disco que compensa comprar, ouvir de ouvidos abertos.

robert altman

É o tipo de subversivo que eu admiro.

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O tipo de artista que tem a excelência da sua arte e subverte por dentro.
RIP.

Os amigos de Sampa estão convidados a comparecer à Choperia do SESC Pompéia amanhã, dia 22 de Novembro, às 20h, para o lançamento oficial do Primeiro Festival de Curtas Metragens de Direitos Humanos.

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O site também vai ser lançado amanhã e vocês irão encontrar mais informações sobre o festival aqui, neste humilde.

Quem quiser and puder ir até lá amanhã, é melhor mandar um e-mail antes. Mas se quiser pintar na hora também não tem problema.
:>)

De: Marcos VP
Para: Biajoni

> Guei,
>
> Ficou muito bacana a resenha do teu livro no Globo. Eu li e gostei.
> Parabéns. Vamos ver se agora vai...:-)
>
> De qualquer modo, vc já está pensando em escrever algum outro livro?
> Escreve aê, pô...
>
> Abração
> VP.


De: Biajoni
Para: Marcos VP

"
pô, velhaco, cumé que tá aí em brasília?
:>)

bicho, a correria está alucinada por aqui.
eu fiquei praticamente 4 anos sem trabalhar, só no bem-bom, vivendo meio espartanamente, escrevendo, bebendo, fazendo bicos - e achei que ia ficar assim o resto da vida, achei que tinha conquistado o que precisava: uma casa própria, um carro véio, umas parcas economias.

mas aí pintou a karen, eu pensei em casar de novo, ela engravidou, casamos de fato, nasceu a lia, eu assumi o dudu e, quando vejo, voltei ao furacão do trabalho diabólico - como diz henry miller.
:>)

assim, estou com pouquíssimo tempo para escrever e ler blogs e mesmo postar coisas de maneira decente - como acho que fazia antes.

para que você tenha idéia: estou apresentando um programa de tv diário na emissora de limeira, dou uma oficina de blogs aos sábados pela secretaria de estado da cultura, estou na equipe de coordenação de um festival de curtas sobre direitos humanos da fundação escola de sociologia e política de são paulo (indo pelo menos uma vez por semana à sampa) e envolvido com o evento nacional dos direitos humanos que acontece no rio dia 10 de dezembro - com provável show surpresa de gilberto gil no aterro do flamengo.

ufa.

ainda assim, arrumo tempo para escrever a continuação do sexo anal (tá com 80 páginas e tá bem legal), reescrevendo um romance policial paródia (michelle) e um romance realista-fantástico que tá no início ainda mas acho que vai ficar bacana. com tudo isso, ainda brincando com a lia, transando a karen, aguentando um filho pré-adolescente e uma filha que acabou de arrumar namorado. meu... tou perdendo os cabelos.

mas a vida é assim, vai dizer? um dia dum jeito, outro d´outro e, como diz o ina, sempre boa e cheia de possibilidades.

ficamos de nos encontrar algumas vezes, mas nunca rolou. porém considero você e a lontra dois dos super-amigos que fiz nesse lance de blogs e internet. e amigo eu acho que é isso: alguém que gostamos apesar de tudo. amigo não é o que liga lembrando do aniversário (eu nunca sei o aniversário de ninguém, só sei o da isabelle pq é 11 de setembro); amigo não é aquele que concorda com tudo, muito menos aquele que inveja ou parece procurar sempre ficar dando força, no cangote da gente dizendo: "conte comigo!".

amigo é aquele com quem a gente conta sempre - independente d´ele dizer.
:>)

torço pra vocês aí.
espero que fiquem bem e que sempre envie notícias.
beijos na família.

:>)
"

Que bebê linda é essa na capa do TodoDia?

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Hehehe. É a Lia!
:>)

(Tem mais fotos aqui, precisa rolar a página um pouco)

(Abaixo, a crítica do meu livro, que saiu nO Globo, sábado, dia 11 de Novembro. Muita gente disse que não conseguiu abrir o site do jornal, então trancrevo:)

Trama Pornográfica com Escatologia e Bom-Humor - André Luis Mansur

Alguns títulos de livros seguem a linha do "parece, mas não é". Ou seja, chamam a atenção mas não têm nada a ver com o conteúdo. Não é o caso aqui, pois o autor dá o recado logo no início. Ao pedir desculpas pelo constrangimento, ele tranquiliza os leitores. "Jamais vou perguntar a qualquer um 'você leu minha novela?' pois, apesar de não parecer, eu tenho bom senso".

Utilizando uma linguagem que em alguns momentos faz "O Doce Veneno do Escorpião", de Bruna Surfistinha, parecer literatura infantil, Biajoni (que também escreve no blog www.verbeat.org/blogs/biajoni) constrói uma interessante trama urbana altamente pornográfica, com alguns momentos escatológicos e muito bom-humor.

Virgínia, a protagonista, é uma jornalista iniciante que só sente realmente prazer quando faz sexo anal com seu namorado Luiz, um escriturário sem maiores ambições na vida. Um problema de hemorróida a leva a procurar um médico, dr. Júlio, e ali, no consultório, ela se deixa levar por suas fantasias e acaba traindo Luiz.

A jornalista tem a sua grande chance quando o chefe a manda cobrir um crime que chocou a cidade: uma moça estuprada e esfaqueada por três bandidos. Sua vida se torna confusa, dividida entre a desconfiança de Luiz (para quem ela contou a aventura com o dr. Júlio), o estresse da cobertura, o assédio do dr. Júlio e de Ana (uma amiga da faculdade apaixonada por ela) e a falta de dinheiro, que a obriga a pegar ônibus lotados todos os dias.

Além disso, ela vê seu segredo começar a "cair na boca do povo", pela indiscrição de pessoas que transaram com ela do seu jeito preferido e não conseguiram se conter. A jornalista começa a ver fantasmas por todos os lados e entra em pânico quando um dos estupradores, já preso e devidamente "amaciado" pelos policiais, grita para ela uma frase que vai atingir seu ponto mais sensível. "Ah, era o suficiente para vir-lhe um calafrio".

Biajoni faz também um interessante painel da rotina de um jornal popular de interior, aqueles do tipo que "se espremer, sai sangue". Enquanto o rival adota a linha de "não explorar a miséria humana", o jornal de Virgínia dava total prioridade à matéria do estupro, com a foto do estuprador na capa. "Cortem os quadrinhos, cortem os resumos das novelas, cortem toda a página de cultura se for preciso!".

Alguns diálogos poderiam ser mais bem trabalhados para ficarem mais naturais, há muitos erros de revisão (alguns gramaticais) e algumas situações inverossímeis, como o momento em que o colega de trabalho de Ana consegue facilmente o telefone de Luiz, sem nenhum questionamento.

O mais importante, no entanto, é que Biajoni conta bem a sua história, reunindo grande quantidade de personagens, quase todos bem construídos e relacionados de algum jeito à forma de prazer preferido de Virgínia. Quanto à linguagem, não esperem muitas metáforas. É bastante explícita mesmo (recomendo, inclusive, deixá-lo fora do alcance de crianças e de pessoas com muito pudor), mas nada gratuito, como às vezes acontece, mesmo com autores consagrados. O autor também não quer chocar ninguém, mas também não usa meias palavras para as cenas de sexo que dominam boa parte do romance.

A leitura flui rápida, não apenas pelo interesse nos personagens, mas porque a linguagem de Biajoni traz momentos propositadamente exagerados, como é comum em textos de humor. Ele poderia ter desenvolvido mais a trama, pois, apesar de concluir sua história de forma satisfatória, ainda havia fôlego para as várias subtramas que cria. Mas o desabafo final de Virgínia, cheia de culpas, remorsos e dominada por suas fantasias, não deixou espaço para mais nada - ainda mais depois da última frase, romântica às avessas em todos os sentidos.

Foi para Porto Seguro a trabalho.
Em São Paulo, ninguém esperava uma camiseta-lembrança.

- Lá no Dois Discos, Baiano e os Novos Caetanos. Mas não é um texto que fala sobre as mensagens veladas de críticas e resistência à ditadura nas letras de Chico Anísio e Arnaud Rodrigues.

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- Quem indicou meu livro para ser resenhado nO Globo foi a Tata Maneschy - e eu nem sabia! Muito obrigado, Tata. Como é que está Salvador?

- Amanhã estarei em São Paulo e o Doni quer tomar uma cerva rápida num boteco perto da casa da Olivia, lá pelas 18h. Quem estiver por Sampa, entre em contato.

- Post literalilário do Almirante.

- E o grande amigo, jornalista e poeta, Cristiano Kock Vitta, finalmente montou um blog.

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Pulei da cama rápido no sábado, uma estranha sensação de que meu dia seria complicado. Como se não fossem todos.

Mas, sim, aquele era especial: ia sair uma resenha sobre meu livro num dos maiores jornais do País. E não podia comprar O Globo em Americana ou Limeira - quase nunca se pode comprar quase nada nessas cidades.

Eu tinha que sair rápido para Limeira, era o primeiro encontro da minha Oficina de Blogs. Como havíamos conseguido dez computadores, restringi o número de participantes a dez. Eu sabia que mesmo dez seria difícil de conseguir: tivemos nove inscritos.

Sábado, quinze para as nove da manhã, lá estava eu no Colégio Trajano Camargo esperando minha turma, uma certa angústia de não saber coisa nenhuma sobre as resenhas, sobre o que estava escrito n'O Globo sobre "Sexo Anal", minha novela marrom.

Chega um garoto mirrado e simpático, pergunto se ele veio para oficina e ele confirma. Mas já me avisa que talvez os outros não apareçam. É que houve um comunicado sobre uma prova com os alunos no domingo e muitos pensaram que a Oficina havia sido adiada. Esses velhos e bons problemas de comunicação.

Achei legal, daria para navegar um pouco, descobrir algo sobre a publicação. Fomos eu e André Medeiros (sim, ele já tem blog, é claro) para dentro da sala e ligamos alguns micros. "Bom, é sábado, está friozinho, vamos esperar um pouco pra ver se o pessoal chega...".

Entrei no Alex e li o seu post sobre. Eu nem sabia que o livro dele também estava sendo analisado. Fiquei um pouco mais leve de saber que ao menos o resenhista tinha falado bem. Tentei entrar na página do Globo, procurei pelo caderno Prosa & Verso mas não achei. Foi quando o telefone tocou e era a Viva, louca para ler a resenha pra mim.

Eu tenho amigos lindos.

Ela leu e eu acendi um cigarro e, ora, o Mansur acertou na mosca. Sorri.
Na sequência - o André me esperando lá na sala, coitado! -, toca o celu de novo e é o Doni, dando parabéns, falando que viu a resenha no site. Pô, se eu não conseguiria o jornal aqui, imagina o Doni, lá em Embu, no pêlo do cu do mundo!

Pedi o link e ele falou que ia mandar. Tinha que desligar logo pois estava falando de um gato num telefone público e o acordo local era que as ligações não podiam passar de dois minutos para a Telefônica não desconfiar.

Eu tenho amigos malandros, rapá.

Voltei para a sala e o André estava com cara de enfado, mas tentei animá-lo falando sobre como é boa a vida de blogueiro, contando que no auge da minha fama eu saía por aí e era agarrado na rua por mulheres sedentas por sexo e projeção, contei sobre mulheres que enviam fotos nuas para blogueiros e até mesmo como alguns conseguem bolsas em universidades americanas - essas coisas que nós, blogueiros famosos, conhecemos bem e estamos até acostumados.

Expliquei também que o negócio é meio viciante e que muitas vezes não conseguimos deixar o mundo blogueiro - eu mesmo tenho dificuldades até hoje de me desvencilhar das mulheres, dos convites, do assédio. E contei outras coisas mais, mas se você quiser saber terá que se inscrever para minha próxima Oficina - que só deve acontecer se o João Batista Andrade continuar na Secretaria da Cultura no Governo Serra.

Bem, ficamos ali no papo bom e já era mais de meio-dia e saí em disparada. Minha missão era conseguir um exemplar d'O Globo. Eu precisava de um exemplar. Precisava mostrar para a Karen que todas as noites e mais noites de laboratório haviam valido a pena. Tinha que mostrar para o meu vizinho, o Adílson, que sempre caçoava de mim quando eu passava para ir à quitanda ("Escritor, hein?"). Precisava mostrar para minha família que sempre me chamou folgado, achando que as horas passadas na frente do computador eram inúteis.

A resenha d'O Globo era a prova de que talvez eu não estivesse errado.

Enquanto meditava dentro do carro em direção à pista, caí na besteira de passar defronte ao Bar do Gilson e lá estava, pendurado no balcão, meu amigo André "Seco e Sujo" Montanhér. Ele comia um espetinho de jabá e tomava uma Brahma. Não tive como não parar. Mandei pra baixo a boa coxinha - "100% batata" - e também arrisquei um espetinho de jabá - o que provocou a demanda de umas cinco cervas.

As duas da tarde batiam e eu ainda tinha o desafio em mente. Agora estava calibrado para encarnar um Ethan Hunt básico e sair desafiando vilões em busca do meu exemplar do fatídico diário.

Despedi-me do meu amigo e voei pra casa. A idéia era levar toda a família comigo, mas as coisas não estavam muito bem no doce lar. O Dudu tinha quebrado um vaso da Karen, a Lia estava acesa demais (estão começando a apontar dentinhos). Meu vizinho, o Kyn, não tinha voltado do trabalho. Estava sem parceria para minha caça aO Globo.

Um herói solitário.

Ergueu-se em mim todos os Césares e parti para a FNac Campinas, local para onde meus instintos me guiavam. O Shopping Dom Pedro estava lotado, rodei várias vezes à procura de vaga. Achei, corri, mas foi tudo em vão: não tinha nenhum exemplar do jornal. Noutra banca do Shopping igualmente não encontrei, assim como na maior revistaria de Campinas, no Largo do Taquaral.

Não podia voltar pra casa; seria humilhante.

Peguei a rodovia Anhanguera crente de que iria achar o jornal no mini-shopping rodoviário de Orestes Quércia, o SerrAzul. Tem uma grande banca de jornais lá, mas eles não trabalham com O Globo.

"Ando mais um pouco na pista e mais próximo à São Paulo certamente encontrarei o jornal"

Parei em seis postos, Graal, Frango Assado, Lago Azul, Campeão, Fonte da Fazenda, Rei da Pamonha... Em nenhum achei um único exemplar do jornal. No Rei da Pamonha comprei quatro pamonhas doces a R$ 2,50 cada. Recomendo.

Já estava ali, na entrada de São Paulo e pensei: "ora, o que é um tiro para quem está estendido?".

Entrei na megalópole com coragem e fé, como um cavaleiro do rei Arthur que entrasse na Floresta Negra sem saber nenhum caminho. Nessas horas é bom ter sempre o Campbell no bolso, FH!

Parei em dois postos de combustíveis na marginal, querendo saber onde encontrava uma boa banca - ninguém, em nenhum deles, soube informar. Paulistano não lê jornal.

Num momento, uma só coisa me ocorreu: se havia algum lugar em Sampa onde eu certamente iria achar um exemplar dO Globo esse lugar era a Rodoviária do Tietê. Sim, pra lá eu fui.

Meu carro está sem seguro, o trânsito estava caótico, na imediações da Rodoviária, um caos. Achei melhor parar no estacionamento da rodo, seis reais a primeira hora. Putz, eu só ia demorar uns 20 minutos! Saco, não tive outra alternativa: estacionei e saí correndo em direção ao meu intento.

Assim que cheguei na banca eu vi! Tinha três exemplares do jornal. Três. Peguei-os todos.

Inconformado de ter que pagar seis reais, dei uma rodada por ali, lendo o caderno Prosa & Verso. Beatriz Resende fala muito bem do livro da veterana jovem Ana Paula Maia, "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos", livro que estou lendo nas minhas (poucas) horas de folga no trabalho. Miguel Sanches Neto também elogia o livro de Alex Castro que - vergonha! - ainda não li. E Josué Castello e Elias Fajardo apontam mais falhas que qualidade nos livros de Carlos Gustavo Jaimovich e Ricardo Rocha. André Luis Mansur fez uma crítica muito legal do meu livro. Gostei, é claro, do trecho "Utilizando uma linguagem que em alguns momentos faz 'O Doce Veneno do Escorpião', de Bruna Surfistinha, parecer literatura infantil, Biajoni constrói uma interessante trama urbana altamente pornográfica, com alguns momentos escatológicos e muito bom-humor". Essa parte salvou meu final de ano, compensou a ida até Sampa e me animou a retomar a continuação de "Sexo Anal".

André aponta erros de revisão, mas a verdade é que meu livro não foi revisado. Eu mesmo passei os olhos nele antes de fechar o .pdf e hoje, cada vez que dou uma olhada, encontro um erro. Sei que isso não é bom, mas creio que a essência esteja ali - e o próprio André não se deixou abater pelos inúmeros erros. "O mais importante, porém, é que Biajoni conta bem a sua história".

Satisfeito, tomei um chopp e fiquei ali olhando a arte do caderno Prosa & Verso - arte da grande Tata Maneschy.

Aí fui ver uns CDs e - veja o que é o destino! - acabei encontrando um disco que eu não via há mais de 25 anos, um disco que eu ouvia muito quando tinha uns 9, 10 anos, na casa da minha tia Júlia. Um disco que eu comprei por 13 reais e fui-me pra Americana ouvindo com dois sorrisos bestas nos lábios. Um disco que vai ganhar resenha essa semana no Dois Discos: "Baiano e os Novos Caetanos" - edição remasterizada, mas com poucas informações, infelizmente.

Na pista, toca o celular, e é a garota mais linda do mundo, minha filha Isabelle. Ela estava levemente decepcionada de não ter conseguido ludibriar o bilheteiro do cinema e então não pôde ver "Jogos Mortais 3". Ela é fã de filmes de terror. Conversamos bastante, ela vem pra cá em Dezembro passar as férias.

Cheguei em casa e tudo estava ótimo. Karen havia feito strogonoff e colocado várias Skóis (algumas Skóis Lemons) para gelar. Tinha emprestado alguns DVDs do amigo Sérgio Efe e decidimos rever "Delicatessen". A Lia colou no peito da mãe e a gente ficou viajando na poética visual de Jeunet & Caro. Um filme absurdo. Um filme absurdo de legal. Um filme absurdo como a vida. Assim como a vida também é absurda. Absurda de legal.

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São nove da manhã e ainda não sei o que saiu n´O Globo.
:>/

Pelo menos sei que foi algo positivo, segundo li no Alex.
:>)

Não sei quem resenhou meu livro, mas quem escreveu sobre o do Alex foi o Miguel Sanches Neto e putz, eu a-do-ro o Miguel, estive num debate com ele no Itaú Cultural uma vez. Com ele e com o grande João Alexandre Barbosa, que nos deixou recentemente.

Apdeite: A linda da Viva me ligou e leu a resenha toda e eu estou extasiado. Muito legal, muito, muito mesmo. Que legal. Depois tem um post mais completo falando sobre.
Ai, ai.

Apdeite 2: O Doni me ligou também e enviou o link onde estão as resenhas. Precisa fazer um cadastro no Globo, mas é DE GRÁTIS. A resenha do meu foi feita por André Luis Mansur. Ficou linda, André.
:>)

Apdeite 3: Não achei o Globo aqui na região. Pelamor, se você é do Rio, compra e manda o caderno Prosa & Verso pra mim?

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Amanhã sai resenha sobre meu livro no Caderno Prosa & Verso d´O Globo. Eles escolheram quatro e-books nacionais para análise e como "Sexo Anal - Uma Novela Marrom" é o livro mais resenhado da internet, estou entre eles.

*Medo*

Tomara que saia no blog do Prosa também.
:>)

Pesadelo essa noite. Sonhei que dirigia uma perua Kombi até Brasília levando o Banhart e o Antony que iam ouvindo toda discografia do Caetano e comentando "Wonderful, wonderful"; o Banhart com aquela voz esganiçada e o Antony com aquele fio de voz fina e GUEI.

Foi terrível.

no Dois Discos.

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Waits é um cara legal e cheio de idéias, mas bastante irregular e, para mim, cansativo. Muitos ressaltam a qualidade de suas letras, que já foram gravadas por artistas como Rod Stewart, Elvis Costello e Ramones - isso sim que é diversidade.

O que você acha?
Eu fico impressionado com gente que acha que Waits é UM GÊNIO.
E tem gente que vê PÊLO EM OVO.
:>)

(Minha coluna de hoje no TodoDia)

Uma entrevista do Luiz Schwarcz, chefão da Companhia das Letras, na FSP, creio, e o filme "Mondovino" me fizeram pensar sobre isso, o que eu chamo de "globalização do gosto".

Schwarcz fala sobre como o mercado editorial mudou e como, há cerca de 20 anos, era relativamente fácil lançar um novo autor com algum sucesso e retorno. A crítica, como o mercado, era mais aberta. Hoje existem ondas, como, por exemplo, a alçada pelo "Código da Vinci" - romances, livros de auto-ajuda, pseudo-históricos com esse tema esotérico anti-Igreja e similares. Se as editoras só lançam livros com esse perfil, só vai haver isso nas prateleiras e, conseqüentemente, só vão comprar isso. É um "efeito tostines": vende isso porque só tem isso e existe essa retroalimentação - até que haja um esgotamento geral e uma nova onda surja. Os cadernos de jornais só falam sobre esses livros, até por conta da verba publicitária aplicada pelas editoras. O gosto é definido pelo mercado, imposto pela imprensa, estabelecido pelo hábito do leitor médio que só compra o que "ouve falar" que é bom.

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A gente entende melhor isso quando assiste ao filme de Jonathan Nossiter que acaba de virar seriado. É um documentário sem narração em off, costurado apenas por entrevistas -, e quem não conhece nada de vinhos vai ter dificuldade para entender. Quem não conhece, pode não entender tudo, mas uma coisa fica bem clara: existe uma guerra no mundo do vinho, entre as empresas americanas (especialmente a Mondavi, maior vinífera do mundo) e os pequenos e tradicionais produtores (especialmente os italianos e franceses). Históricas casas de vinhos produzem o que chamam de "terroir". "Terroir" é a alma específica de cada safra, depende da terra, da quantidade de chuvas do período, da soma de todas as condições climáticas, do tempo de maturação. As empresas americanas priorizam a produção: querem fazer cada vez mais vinhos com "alguma qualidade".

Na verdade, essa "alguma qualidade" foi criada nos últimos 20, especialmente pelo crítico americano Robert Parker, da revista "Wine Spectator". Foi ele quem definiu o gosto dos tomadores de vinhos na América. Segundo ele, vinho bom é vinho jovem e explosivo, de gosto acarvalhado. Com isso, a recente produção industrial deixou de ser considerada de segunda linha, ganhando público. As novas linhas de produção utilizam, cada vez mais, barris de carvalho novos para "acarvalhar" o gosto da fruta. As empresas americanas vão provocando a falência e comprando as casas de vinho tradicionais; esvaziam os sistemas antigos de produção artesanal, botam as uvas nos tonéis de carvalho e... mandam pros americanos que, a cada ano, bebem mais vinho - ainda mais por conta de suspeitas pesquisas que aparecem anualmente reforçando os "benefícios" do consumo de vinho.

Estamos falando de um universo que envolve muito, muito dinheiro. Para se ter uma idéia, uma das mais tradicionais famílias de banqueiros italianos (desde o século XIV) é sócia da Casa Mondavi. Com tanta grana rodando, no sistema capitalista selvagem, é normal que os titereiros puxem as cordinhas e nos levem a fazer & pensar & consumir tudo o que eles querem.

Apdeite: A Anna me corrigiu nos comentários e eu corrigi aqui: é Luiz Schwacz.

Você gostaria de saber o que seu seu cantor favorito está ouvindo? Pois a Amazon está listando a preferência de alguns músicos e o resultado é bem interessante - me perdi por algumas horas nas listas. Podemos saber, por exemplo, que Dylan é de um obscuro jazzista experimental cego de rua chamado Moondog (Tiagón, você vai gostar desse velhote maluco!) ou que Elvis Costello está interessado no novo country-algo-gospel de bandas como Rilo Kiley e Olabelle.

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Ou que a lista de Ian McCullough é bem parecida com a minha.
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Já que estamos falando de listas, música e Amazon, saiu o rol (hehehe) dos melhores de 2006 e o melhor disco do ano - pelo menos até agora -, segundo o consagrado site é esse:

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Ô, do caralho a voz da moça, vai dizer?

E procê? Qual o melhor do ano?

O amigo Sérgio Efe, com quem já vivi aventuras relatadas aqui, grande artista plástico de Americana (SP), teve três trabalhos classificados no prestigioso Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba. A abertura do Salão aconteceu na sexta-feira passada e lá estivemos, nós do Clã Biajoni.

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Sérgio trabalha com colagens e pinturas de princípios abstrados e surreais, geralmente fazendo uma crítica à sociedade de consumo, à modernidade, sempre com muito humor. Nessa série de três peças, ele usa molduras redondas antigas, bem parecidas com retratos que víamos na casa da vovó. O fundo é vermelho quente, remetendo a paixão, sexo. Porém, os casais retratados em linhas realistas não se comunicam; em um deles, a mulher está de costas; as pessoas estão sem bocas ou olhos, existe uma formalidade algo chique no vestuário; as pessoas estão "presas" dentro do quadro antigo, embora estejam distantes umas das outras. Um trabalho brilhante na realização e no discurso. Eu tenho orgulho de ser amigo desse cara.

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Acima, o autor e a obra.
Repare bem nesse, que foi o que eu mais gostei dos três:

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Falaí, showz de ball!

Apdeite: Ah, o vestido da Lia foi presente da Carol!

No Dois Discos, um dos discos mais estranhos e perturbadores dos anos 90, o único vôo solo do malucão Scott Weiland. Para que você tenha idéia sobre o que eu tou falando, veja aqui uma das mais palatáveis canções do álbum. Repare em como é cool o vídeo e na diversidade sonora da música.

A mais bela, porém, é a sensível "Son". Achei abaixo essa linda versão acústica com a participação de Daniel Lanois e Victor Indrizzo. Vejam que lindo. E depois leiam a coluna .
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