outubro 2006 Archives

eleições

(Minha coluna no TodoDia)

A indicação para o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado de um "filmezinho adolescente", em 1999, surpreendeu muita gente. Porém, apesar de se passar em um colégio e ter atores cintilantes e bonitos, "Eleição", dirigido e roteirizado por Alexander Payne, era uma crítica à hipocrisia das campanhas eleitorais nos EUA. A eleição para a presidência do Grêmio Estudantil agita a pacata escola de Carver High, em algum lugarzinho perdido da América. Dois candidatos disputam: a melhor aluna, uma obstinada Reese Whiterspoon e um burrão-popular, vivido por Chris Klein. Um professor (Matthew Broderick) que odeia a candidata bonitinha-e-arrumada vai fazer de tudo para eleger seu candidato, usando artíficios que transbordam falta de ética. É uma comédia, mas podia ser um drama. A ação, ágil, com diálogos mordazes e igualmente rápidos, aponta para o cinema de fantasia - porém "Eleição" é, na verdade, ao mesmo tempo a miniaturização da realidade de uma eleição qualquer com o artifício da ampliação das situações inusitadas, ao ponto do cômico, própria dos pastelões. Uma maneira satírica de se dizer as verdades.

Na semana passada, em Limeira, houve uma eleição para o novo diretor do Colégio Técnico da Unicamp, o Cotil. Duas chapas disputavam: a do atual diretor Paulo Sérgio Saran e a do professor Sérgio Lordello. As campanhas internas bem podiam ter saído da mente criativa de Tom Perrota, autor do livro que serviu de base para "Eleição". Cartinhas anônimas, reuniões secretas, choppinhos pós-aula e um clima de guerra rolaram nas duas semanas que antecederam o pleito. Na personificação do "eterno embate", professores e funcionários apoiavam o status-quo enquanto alunos lutavam pela mudança. O maniqueísmo eleitoral e universal dentro dos quatro muros de um colégio. Porém - sim, temos o porém - os votos de funcionários e de professores têm peso diferente dos votos de alunos -; e 85% dos alunos votaram na alternativa Sérgio Lordello que acabou perdendo a eleição. Na sequência, manifestações, protestos, ovos atirados à diretoria. E o diretor reeleito, Saran, algo esbaforido, ligando para a imprensa tentando conter as matérias.

Essa campanha eleitoral, que culminou na reeleição de Lula, mostrou que a sordidez continua presente. Da mídia geral, apenas poucas revistas mais ou menos independentes falaram sobre as armações que tendiam prejudicar Lula; o dossiê fantasma incluso. Falaram sobre ONGs que não existiam, de "mais uma" bebedeira do presidente e até de sobre um novo confisco de dinheiro. E falaram como? Essencialmente através de e-mails. Se você tem uma conta de e-mail certamente recebeu um spam com algum texto anti-Lula. Foi, no final, um bando de mauricinhos com a vida ganha brincando de eleição de Grêmio Estudantil, querendo denegrir a imagem do preferido. Não se tocaram que menos de 10% do povo brasileiro têm acesso à internet, especialmente os 45 milhões que recebem o Bolsa Família. E tampouco sabem que vivemos uma democracia real, diferente daquela dos campi da Unicamp, onde o voto do professor vale três vezes o do aluno. O seu voto, spamzeiro anti-Lula, valeu igual ao da dona Maria Cristina, de Natal (RN). Ela não tem computador - e nem sabe ler -, mas seu neto está na faculdade graças ao FIES. Ah, ok, você não sabe o que é FIES.

saudações

"A condição mínima para que haja um estado democrático é que exista nele um povo sem fome"

karens

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(Não vou ver Karen O. no domingo. Prefiro fica com Karen B. E com Lia B.B., claro!)

fotas mil

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(Dudu, Karen, Lia, Eu, Belle)

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(Belle, Dudu e Kyn)

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(Lia e Viva)

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(Jennifer Aniston - que está grávida - e Lia)

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(Ká e Lia)

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(Pai e filha no chuveiro)

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(vovó faz cócegas)

Grande post, rafa. Grande post.

A blogosfera festeja a volta do gordinho gago mais odiado pelas blogueiras trintonas.

Ops, gago não...

Gago é o outro.

Olha só, a divulgação oficial já começou e eu só fiquei sabendo hoje. Saiu minha Oficina de Blogs pela Secretaria de Estado da Cultura. Através do escritório de Limeira estarei falando sobre blogs e auxiliando interessados aos sábados, entre os dias 4 e 25 de Novembro.

São apenas 20 vagas e como as atividades acontecem no Colégio Técnico Trajano Camargo creio que muitos alunos já reservaram.

Legal. Taí uma coisa legal que blogueiros podem fazer.

A série da parceria Johnny Cash/Rick Rubin, American Recordings, foi sucesso de crítica e vendas, alavancando a carreira do Homem-de-Preto no final de sua vida. Rubin tentou fazer uma série com outro de seus ídolos, Donovan Leitch, mas o projeto não saiu do primeiro disco.

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Um disco só, mas um disco lindo. "Sutras", no Dois Discos.

pílulas

(Coluna de hoje no TodoDia. Aqui, com links e fotas!)

- Ganhei de presente do editor desse caderno, Gustavo Brigatti (a.k.a. Camila Morgado), a edição número 1 da revista Rolling Stone nacional. A revista está ótima, com destaque para o material americano - os perfis de Bob Dylan e Jack Nicholson -, e para a reportagem da relação entre PCC e policiais de autoria do jornalista Claudio Tognolli. Tognolli é um dos mais importantes jornalistas do País, banido dos grandes jornais pela sua independência. Tem um grave erro na revista: no pequeno comentário sobre o lançamento da caixa de DVDs da “Pantera Cor de Rosa” o jornalista, que não assistiu nada, acha que se trata de uma compilação dos desenhos da pantera quando na verdade a caixa reúne cinco filmes da franquia estrelada por Peter Sellers. Lamentável. Mas em comparação com a outra revista sensação lançada recentemente, a Piauí, ganha a Rolling Stone. A Piauí reúne grandes nomes, mas falta uma certa unidade, alguma “urgência” - ela parece ratificar o que combate: o excesso de ego dos colaboradores.

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(Agradeço Camila Morgado pelo presente. Foto tirada por Deus)

- Participei do encerramento do Salão do Livro Infantil de Limeira e, na ocasião, conheci pessoalmente o ator-escritor Mário Bortolotto. Personalidade forte, Mário é uma espécie de Plínio Marcos atual, um Charles Bukowski brasileiro. Difícil achar texto mais personalista e contundente que o dele, vale a pena procurar para conhecer. Seu novo livro, “Atire no Dramaturgo”, reúne textos publicados em seu blog (www.atirenodramaturgo.zip.net).

- Falando em literatura infantil e infanto juvenil, é incrível a quantidade de bons títulos lançados. Comprei “Como Fazíamos Sem”, delicioso livro de textos curtos de Bárbara Soalheiro que conta como as pessoas se viravam sem escova de dentes, óculos, água tratada, e toda sorte de objetos banais de hoje em dia. Deveria ser adotado nas escolas. Essa discussão, sobre os livros adotados, deu o tom do encerramento do Salão do Livro: com tanta coisa interessante que poderia despertar a atenção dos jovens para a leitura, continuam recomendando José de Alencar e Machado de Assis para quem tem 12 anos. Não é de se espantar que os teens gostem cada dia menos de ler e de escola.

- Cinéfilos estão em polvorosa aguardando o novo filme de Martin Scorsese, “Os Infiltrados”, com DiCaprio, Matt Damon e Nicholson. Sim, sim, sem dúvida será mais um show de violência estetizada e eu também estou ansioso. Mas dificilmente Marty fará melhor do que o filme original, japonês, no qual se baseou, o “Conflitos Internos”.

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(A japa não pega em nenhuma pistola no filme todo!)

- O amigo de aventuras e artista plástico americanense Sérgio Efe foi selecionado para o prestigioso Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, que acontece logo mais. Sem comentários a respeito dos méritos dessa grande figura. Parabéns, Serjão!

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(Sérgio Efe e eu, na minha festa de aniversário, sábado)

- Cruzada forte no Brasil contra a disponibilização de músicas em sites e blogs começa a afetar as páginas pessoais no Multiply e no MySpace. Não vão ter como segurar. A cada dia cresce o número de endereços com álbuns inteiros para download. Com essa discussão, me vi com uma dúvida: se existem bibliotecas públicas por que não existem discotecas públicas? Não seria legal um local cheio de discos onde você pudesse retirar um disco para ficar com ele 10 ou 15 dias e escutar tranquilamente? Talvez gravar uma música ou outra?

bia on the tv

Se você é de Limeira ou pequena região pode ver Luiz Biajoni diariamente pela TV Jornal, canal 39 UHF, das 11h30 às 12h30.
:>)

O programa se chama Fatos & Notícias e tem três jornalistas que fazem duas ou três entrevistas por dia, com algumas matérias e comentários dos assuntos mais relevantes nos jornais.

No período em que trabalhei na emissora (93-01) cobria férias na apresentação desse programa, agora fizeram uma proposta e me deram uma cadeira cativa. Começou ontem.

Quem assistir, manda e-mail comentando. Talvez no ano que vem o programa vá parar na internet.

- Convido os amigos de Limeira e região para o bate-papo sobre livros infantis que acontece hoje entre eu mesmo e o grande Mário Bortolotto no encerramento do Salão do Livro Infantil de Limeira. É às 19h no Centro de Eventos Municipal (Antiga Lival), no anel (ui!) viário da cidade.

- No feriado de 12 de Outubro recebi aqui em Americana a super visita da amiga mais linda e gente-fina da blogosfera e do MUNDO, a Viva. Ai, ai... Não tinha comentado até agora pois esperava que as fotos ficassem prontas - ainda não estão. Obrigado, linda, adorei o presente. Ela me deu um jogo de taças para conhaque. Agora vou poder te servir o Macieira de maneira decente, Francis.

- Então, amanhã e meu aniversário. Às 17h estarei abrindo a primeira latinha, quem aparecer no Solar Biajoni toma umas conosco e troca uma fralda da Lia. Quem não puder aparecer, queima aquele cdzinho legal - ou presentes igualmente legais - e me manda pelo correio.

(Como não tenho internet em casa, esse blog volta só segunda. Beijos a todos)

No final de semana em que pego emprestado e começo a ler o famigerado livro, acabo vendo o filme em DVD. Já parei com o livro, não vou gastar minhas horas com ele. O filme é uma porcaria. Apesar de tudo, o leit-motiv e as idéias são ótimas e o tal Dan Brown perdeu a chance de fazer um grande livro e nós a de termos um grande filme.

O principal problema? As coisas acontecem rápido demais. Toda trama se desenvolve em pouco mais de um dia. Charadas são elucidadas como se fossem brincadeiras de criança e, vamos combinar!, todas eram muito, muito complexas - até mesmo para a mente brilhante do pacato professor Langdon, um cara que, de repente, se vê numa intriga mundial e tem que fugir, pular, brigar, não beijar a Audrey Tautou... ou seja, coisas muito difíceis.

O personagem Langdon só pode ter sido baseado em Joseph Campbell. O livro do professor de Brown me fez pensar imediatamente em "A Imagem Mítica", de Campbell. A descrição do professor no livro e a própria figura de Tom Hanks remetem ao jovem Campbell.

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Pior frase do filme: "Eu tenho um avião" - como se pessoas tivessem aviões no quintal.
Pior anticlímax: o velhote com duas muletas derruba o obstinado albino assassino.
Pior anticlimax 2: o mocinho não beija a mocinha no final. Contei, mas, o que interessa?
Pior cena: o dr. Octopus vestido de bispo levando um tiro sem querer do albino assassino.
Pior tradução do mundo: na seqëncia de uma boa cena, o professor-fodão fala a palavra-senha que descobriu solitariamente sozinho: apple. A tradutora boca-de-bode do DVD brasileiro traduziu como... FRUTO! Fruto! Vocês acreditam? Porra, é a maçã O GRANDE LANCE! Tem a ver com Eva e com a descoberta da gravidade por Isaac Newton! Afe. Ainda bem que estava no final do filme.

Não assistam o filme e não leiam o livro!

- O único delito que cometi em toda minha vida está em meu novo texto no Dois Discos. O gonzo manda, Gabi, vai dizer?

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- Anna V. fez um simpático post falando sobre seus livros da infância, a partir da enquete feita aqui.

- As amigas Luciana e Pat Kholer retomaram uma idéia antiga e fizeram um blog em dupla. Vão lá, comentem, divulguem.

- Ah, sim, e o Rafa voltou com o blog. Grande trotskista!

- Começa amanhã a balada literária de Marcelino Freire & Friends em Sampa; quem dá o toque é o Idelber. Muita gente legal, Bortolotto, Mattoso, Mutarelli, Xico Sá... Não vai dar pra pintar, já que sábado e meu aniversário e deve baixar uns bebuns em casa.

- Gatíssima a Clarah! Ela não vai na balada literária?

- Vocês responderam o quiz do Miltão?

- Alguém aí falou em Alex Castro?

(Minha coluna de hoje no TodoDia. Super legal a participação dos leitores na pesquisa abaixo sobre os primeiros livros. Obrigado a todos, vocês são lindos, espero usar isso em minha participação no Salão do Livro Infantil)

A cidade de Limeira entra no circuito literário brasileiro com a realização do Primeiro Salão do Livro Infantil, evento que teve abertura ontem e que vai até sexta-feira, reunindo vinte e uma das mais importantes editoras do País. Mais de vinte mil títulos serão apresentados e comercializados a preços especiais e a Biblioteca Municipal receberá vários volumes como doação das editoras. Além dos livros, oficinas, palestras, teatros de bonecos, contadores de histórias e outras atividades farão parte da programação. A realização do salão acontece através de uma parceria entre três secretarias (Educação, Cultura e Turismo e Eventos) com realização de uma empresa especializada nesse tipo de evento, a TXT, de Londrina. É uma mostra de que o poder público, quando quer, pode fazer coisas bacanas. E, pelas informações que tive, a intenção é realizar outras edições do salão, transformando Limeira num nome de referência quando o assunto for literatura infantil e infanto-juvenil.

Espantosamente, fui convidado para a atividade de encerramento do salão. Convidaram a mim e a ao escritor e dramaturgo Mário Bortolotto, dois escrevinhadores que aparentemente não têm nada a ver com o, digamos, universo infantil, para conversarmos com a platéia sobre como foi o nosso primeiro contato com os livros. Gostei da proposta.

Logo após o convite vi-me numa viagem ao passado escolar com os livrinhos da Coleção Vaga-Lume debaixo do braço ou com os gibis de super-heróis sentado debaixo do pé de caqui. Pensei num título que tivesse me marcado realmente e o primeiro que me veio à mente foi "O Gênio do Crime", grande livro de Joaõ Carlos Marinho que muitos da minha geração foram "obrigados" a ler. As aventuras da Turma do Gordo eram aquelas quer todos nós gostaríamos de ter vivido e os personagens eram tão parecidos conosco que era como se fôssemos amigos. De todos os livros que tive que ler no colégio esse é o que mais me desperta afetividade, como se fosse um grande amigo que deixamos lá atrás. É um sentimento bonito.

Tenho uma filha de 14 anos que gosta muito de ler. Sempre leu, sempre dei livros de presente e ela se interessa por tudo, de maneira geral - lê revistas, jornais, bulas de remédio. Atualmente ela destrincha "Belas Maldições", livro de Neil Gaiman e Terry Pratchett com mais de 300 páginas. Antes, leu os dois volumes relativamente taludos do "Mahabharatha pelos olhos de uma Criança", de Samhita Arni. Os dois títulos lidam com imagens, com a imaginação. Crianças e pré-adolescentes precisam de estímulos que os façam desenvolver a imaginação. Porém, minha bela filha não tem se intressado pelas leituras obrigatórias do colégio. Deram-lhe "David Copperfield" do Mark Twain, "Dom Casmurro" do Machado de Assis e "A Hora da Estrela" da Clarice Lispector e ela teve dificuldades para conseguir lê-los. Penso que está na hora de reverem essa lista de livros indicados para a garotada. É claro que esses clássicos são ótimos, mas por que a criançada deve ter contatos com eles exatamente no momento em que começam a ler; quando o "gosto" começa a ser moldado?

Creio que muitos desses livros acabam afastando a garotada da literatura. Lembro com horror do momento e que li, com uns 12 anos, "Iracema", de José de Alencar e pensei que todo e qualquer livro fosse enrolado e rebuscado como ele. Achei que nunca mais fosse ler. Ainda bem que logo depois apareceu "O Cortiço" de Aluísio de Azevedo e então as coisas entraram nos eixos.

pesquisa

Que livro te fez gostar de ler?

(Dê preferência à memória afetiva; cite o livro que você leu na idade mais tenra)

Cara!
Neste post do Judão, trailer de Grindhouse, novo Tarantino+Rodriguez filme.
Nossa! Sem comentários!

Eu não tenho dúvida que esse filme vai suscitar (bonito "suscitar", né?) uma onda de revival dos filmes "grindhouse", B-movies que exploram o sexo e a violência. (Alguém falou no meu livro, "Sexo Anal"?)

Se você quiser ver trailers de filmes grindhouse, tem vários no YouTube.

(via Briga)

lã de umbigo

Hehehe.

André Czarnobai, o tradicional (sic) Cardoso, botou no ar o seu, ér, "agregador de conteúdo", onde você entra e navega por boa parte da produção do comunista mais ruivo do Brasil. Eu, como tiete das antiga, não só recomendo como, ér, recomendo mesmo, enfaticamente. Especialmente se você se interessa por gonzo, textos inclassificáveis cheios de humor, webtosqueira e música eletrônica. Mas tem muito más!

:>)

pega, doni!

Obra-prima do Grant Lee Buffalo no Dois Discos.

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Eu sei que é um dos discos preferidos do Doni também.
:>)

Caralho, eu não aguento mais receber e-mails com "denúncias" de candidatos. Não aguento! Os piores são dos amigos. Você acha que seu amigo é esperto e inteligente e então recebe um e-mail dele com o título "Lula volta a beber" ou "Alckmin tem conta-conjunta com FHC em Caimã". Pô. É incrível. Às vezes acho que é boa-fé, o camarada pensa que aquilo é verdade e manda para "alertar" os amigos.

O Thiago me contou que recebeu um e-mail dizendo que o Ricardo Kotscho, em seu livro "Do Golpe ao Planalto", afirmava ter presenciado um encontro entre Lula, José Dirceu, José de Alencar e Valdemar Costa Neto onde teria sido fixado o valor do mensalão. Indignado, Thiago mandou e-mail para Kotscho, que respondeu: "Caro Thiago, favor desmentir esta indignidade que está circulando na internet em meio à guerra suja da campanha eleitoral. Meu livro foi lançado há mais de dois meses e conta a história vitoriosa da geração da qual o Lula é o símbolo".

Na semana passada um amigo enviou o link para esse vídeo, onde o desinformado (70 assessores para quê, meu amigo?) Senador Heráclito Fortes, do PFL do Piauí, fala em plenário sobre a fatídica ONG Sociedade dos Amigos de Plutão. Tinha mais de 200 endereços copiados para receber o mesmo vídeo. Um estrago, hein Chagas?

Há dois anos, nas eleições municipais, o pessoal usou a internet, mas não tanto quanto nessa. É uma verdadeira enxurrada de informações usando todos as ferramentas, Orkut, YouTube, MySpace, Blogs... Uma nojeira. Sou a favor de alguma regulamentação sobre isso. Democracia, livre acesso à informação e expressão... Mas quando eu começo a me sentir constantemente invadido, atacado, bombardeado por lixo ou por coisas sobre as quais não quero saber, há que se fazer algo. Nem tenho tido vontade de abrir minha caixa de e-mail.

Desculpe o desabafo, em breve, a programação normal. E, por favor, não me passe mais nenhum e-mail sobre candidatos e eleições, ok? Já basta meu nome estar incluído na relação mundial dos portadores de paus pequenos e eu receber diariamente vários e-mails para aumentar meu pênis. Isso já me causa depressão suficiente.

APDEITE: O Alex tem um texto legal sobre.

metáforas

(Coluna de 10/10 do TodoDia)

Na coluna da semana passada falei sobre a ONG "Sociedade Amigos de Plutão" que teria sido montada em Brasília e que teria conseguido verba de sete milhões e meio do Governo Federal para sensibilizar autoridades mundiais no sentido de restituir Plutão à sua condição de planeta. O artigo falando da ONG saiu na revista "Brasília em Dia", assinado pelo jornalista Carlos Chagas. No dia dois de outubro, um dia depois da eleição portanto, Chagas publicou em alguns jornais e sites uma retratação, dizendo que aquela coluna havia sido uma "metáfora", uma brincadeira que ele havia feito. Você pode ler a retratação na íntegra em http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2006/outubro/02/coluna.asp?coluna=chagas.

É claro que muita gente engoliu as palavras do jornalista com 45 anos de profissão como verdadeiras e se indignou com a tal ONG e a verba federal. Eu mesmo indignei-me e fiz a coluna aqui dizendo da impossibilidade que temos de saber a verdade sobre fatos assim. Agora, confesso, me mantenho ainda mais indignado; se a ONG não existe, fica provado que o jornalismo pé-de-chinelo e mal intencionado atinge o seu state-of-art e, pior, chega a um dos poucos cumes de (suposta) integridade moral jornalistica do País: Carlos Chagas. Minha indignação vai além por conta do uso do termo "metáfora" pelo jornalista. O que é uma metáfora? Uns dizem que uma metáfora é uma mentira e o jornalista usa "metáfora" apenas como eufemismo: o que ele contou foi uma mentira, uma boa mentira, dessas que muitos acreditam. Outros, porém, defendem que metáfora não é uma mentira mas sim uma "imagem alegórica".

Joseph Campbell conta uma história sobre metáfora. Ele dava uma entrevista sobre os símbolos bíblicos, dizendo que as histórias antigas eram metáforas. O entrevistador, querendo contradizer o nobre professor, disse que as histórias não eram metáforas, mas mentiras. Campbell, então, experiente, perguntou se o entrevistador sabia o que era uma metáfora, se podia dar um exemplo. Depois de muito pensar, o jornalista saiu-se com essa: "Aquele corredor corre como um coelho". E o velho Campbell corrigiu; "Isso é uma comparação; uma metáfora seria se você dissesse que 'aquele corredor É um coelho'". No que se substitui uma imagem (do corredor) por outra (do coelho) consegue-se uma dimensão melhor do que se está querendo dizer.

Carlos Chagas, exímio com as palavras, diz que metaforizou em sua coluna uma situação recorrente que vêm acontecendo no País: a criação de ONGs com fins de captar e desviar recursos federais. Ao contar a mentira da Sociedade Amigos de Plutão apontou um dedo para a situação e três para si mesmo: por que, ao invés de inventar a "metáfora" não fez um trabalho jornalístico e levantou a verdade, nomes de ONGs que recebem os recursos e aplica-os mal? A "metáfora" contada por Chagas acaba sendo o exemplo de uma prática cada vez mais comum do "jornalismo de colunas" no Brasil. É mais fácil sentar e inventar, escrever qualquer coisa, sem levantamento, sem pesquisa, sem conversas. É uma situação generalizada, um dos indíces da morte do jornalismo. Se alguém questionar a veracidade, o jornalista saca a preservação das fontes ou até uma suposta "metaforização" da informação. É a tucanização do jornalismo, no fim. Eu mesmo faço isso vez em quando.

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Quando vi o nome do novo blog do Ricardão achei que ele quisesse pagar de novo Amaury Jr. da blogosfera brasileira. Na verdade ele só quer entrevistar tipos comuns. Eu acho. Veja .
:>)

Submeti quatro fotos minhas para análise no MyHeritage...

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e o site que compara parecenças disse que eu sou uma mistura de Russel Crowe, Edward Norton, Ozzy Osbourne e Uri Geller...

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Mas não só isso; eu também pareço, por ordem de mais parecença: Augusto Pinochet (!), Alan Rickman, Lou Diamond Phillips, John Cusack, Pierce Brosnan, Benício Del Toro, George Soros, Rutger Hauer, Christopher Reeve, Bill Gates, Franz Brentano (?), David Schwimmer, David Arquette, J. K. Rowling (!!), Jon Stewart, Josephine Baker (!!!), Claude Shannon (?), Paco de Lucia, Tommy Lee, Ayn Rand (!!!), Prianka Chopra (!!!??), Gandhi (!!!!!!!), Mike Leigh, D. H. Lawrence (ui!), Samuel L Jackson (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) e Rebecca Gayheart. Aliás, não conhecia, muito prazer, dona Rebecca!

Pô, em nenhuma vez apareceu John Lennon ou Andy Garcia, dois com os quais mais me comparam. Ou mesmo Tom Selleck, quando tou de mustache. Magoei.

(Ah, sim, dica da Gabi)

- A situação do meu amigo Júnior Jóia, preso na megatentativa de assalto com reféns em Limeira, piora a cada dia. Acharam notas fiscais frias e documentos falsos com ele; ele pode ter envolvimento em roubo de cargas. Ficou provado que ele conhecia a rotina da empresa assaltada, tinha amigos lá dentro e vinha especulando sobre. Como se não bastasse, algumas pessoas da quadrilha têm ligação com o PCC. Na noite passada Júnior Jóia foi enrolado em um cobertor dentro da cela e os marginais disseram que iam matá-lo se não transferissem todos para um Centro de Detenção Provisório. A polícia negou, controlou a situação e iam transferir Júnior Jóia de cela - mas ele, impressionantemente, não quis.

- Minha coluna de terça-feira no TodoDia falou sobre a "Sociedade dos Amigos de Plutão", título de um artigo de Carlos Chagas divulgado em vários jornais do País, para qual coloquei link neste post. O post e a coluna geraram repercussão, Marcus Pessoa afirmou categórico que era hoax, alguns levaram em conta a credibilidade de 45 anos de jornalismo de Carlos Chagas. Segundo Chagas, aquilo foi apenas uma "metáfora". Ele fez uma lamentável retratação na Tribuna da Imprensa um dia depois das eleições. Eu digo que Chagas foi irresponsável e que não sabe o que é metáfora. Quando sair a retratação no Brasilia em Dia - se é que vai sair - a moral do velho jornalista vai cair ainda mais. Triste.

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- Atrasei a postagem no Dois Discos, mas tá lá: falo sobre "Being There", do Wilco, disco que está na minha lista dos melhores de todos os tempos na Amazon.

- Aviso: a Verbeat procura WebDesigner louco pra trabalhar de grátis!

- Neloah dedicou poema para Alex Castro. Inveja.

Em 1990 eu estava num miserê danado (grande novidade). Tinha acabado de sair do banco onde trabalhei por quatro anos para trabalhar em uma emissora de TV recém inaugurada. Porém tinha muito tempo livre e agarrei umas coisas que apareceram. Uma delas era vender consórcio Sharp. Era a época áurea do consórcio e o escritório da Sharp em Americana tinha uns dez vendedores. Eu e um outro cara éramos os que mais vendiam; disputávamos o recorde todas as semanas. Não tinha pra ninguém, era eu e o Júnior.

Sempre me incomodou o cara chamar Júnior. Parece que o camarada não tem um nome, se esconde atrás de um apelido que o diminui; não quer ter importância, quer passar despercebido.

Éramos eu e o Júnior, naquele longínquo início dos anos 90. Aí a TV começou a me consumir mais (e como!) e as vendas caíram. Também fui trabalhar em rádio, e nasceu minha filhota. Peguei a primeira eleição para trabalhar, em 92. Foi a segunda vez que Chico Sardelli, então no PSDB, tentava um cargo público (prefeito). Não se elegeu nem naquela nem nas outras duas vezes em que concorreu. Foi suplente de federal nas penúltimas eleições, venceu a última.

Eu gosto do Chico Sardelli, ele é um católicão italiano, mezzo cafajeste com um bigode totalmente demodê, mas uma aura ingênua e infantil. Eu gosto dele e fico feliz que tenha se eleito, agora no PV. Não gosto mais do PSDB.

O Júnior não se ligava em política. Ele era bem mais bonito que eu, tinha um magnetismo interessante. Eu perdi o contato com ele, até que fui trabalhar em Limeira em 1993. Um dia cheguei à rodoviária da cidade e lá estava o Júnior com um carrinho cheio de listas telefônicas.

"O que você está fazendo da vida, Júnior?"
"Peguei esse bico de entregar listas telefônicas!"

Fiquei com um pouco de pena de ver um cara com potencial, um bom vendedor, ali com aqueles livros amarelos e um uniformezinho velho da Telesp. Pensei que ele talvez pudesse me invejar. Não tinha nada que pudesse gerar inveja em alguém, mas eu tinha focado minha vida profissional em TV e estava obtendo algum sucesso. Eu sempre soube que ele ia se dar bem, ele tinha simplesmente a cara de quem ia se dar bem.

Novamente fiquei um tempo sem encontrá-lo. Quando aconteceu foi em uma visita de Paulo Maluf à Limeira. Aí fiquei sabendo que meu amigo Júnior tinha se filiado no PPS do turcão e fiquei um pouco decepcionado. Maluf era candidato ao governo e apostei com o Júnior que ele não levava. Aposamos um almoço num rodízio. Eu ganhei. O Júnior nunca me pagou.

Fui fazer uma eleição municipal para o PT de Piracicaba e sempre que cruzava com Júnior, ele me zoava. Zoava a pobreza e a ignorância dos petistas e de como o PT nunca chegaria ao poder.

Na próxima eleição, trabalhei para o PL em Limeira. Ele encarou como uma virada-de-casaca minha, não entendia o lance profissional da minha atividade, diretor/redator dos programas do horário eleitoral. Nesse mesmo pleito, em 2000, Júnior saiu candidato a vereador. Ele havia se casado com a filha de um empresário do ramo de jóias e achava que podia representar o setor. Tentei dissuadi-lo. Ele pareceu firme, decidido, confiante que ia levar. Teve 71 votos.

Por essa época, ele teve uma filha. Lembro de vê-lo andando pela cidade com carrões, sempre bem vestido, sempre perfumado. Decididamente, um cara bonito.

Logo depois, em novo evento, de novo com Maluf e asseclas, ele me informou que estava se separando, que ia montar uma pequena empresa de jóias e queria tocar a vida, curtir a vida. Ele entrou no Orkut, me adicionou, montou um fotolog que eu sempre espiava, belas mulheres, locais bonitos. "O Júnior se deu bem, eu sabia!"

Ontem, cinco e meia da tarde, uma gangue entra em uma fábrica de jóias daqui. A polícia é acionada e é recebida com balas. Um PM morre no local. Dentro, com a gangue, quarenta e quatro reféns. Seis da tarde, entra no ar o programa A Hora da Verdade, sensacionalista-policial, o programa é comandado por Geraldo Luís, repórter que serviu de inspiração para o meu Geraldo Assis, de Sexo Anal.

Não temos nem dez minutos de programa, toca o telefone e é um ds sequestradores querendo negociar, ao vivo, com Geraldo a saída com vida deles e dos reféns. Nunca soube de nada igual na TV brasileira. Ficamos uma hora e meia ao vivo com os sequestradores falando de dentro da fábrica. Mulheres grávidas e algumas pessoas foram liberadas. O programa terminou e as equipes foram até o local. Depois de muita negociação, os marginais se entregaram e saíram em meio aos reféns, às duas e cinco da manhã, no melhor estilo "O Plano Perfeito", filme do Spike Lee.

Mas "O Plano Perfeito" é um filme americano e os americanos são mais inteligentes.

Hoje, chego na TV e vou ver as imagens. Vejo com cuidado a primeira dupla que foi liberada: uma grávida e um jovem bonito. Sim, era o Júnior. Até então ele estava dentro da fábrica, onde tinha negócios, quando a gangue chegou. Porém, fiquei sabendo na sequência, foram encontradas com ele três barras de ouro, escondidas nas meias e na cueca.

Ele saiu como refém liberado de um crime em andamento com três quilos de ouro escondido.

Por quê?

Teria sido oportunista? Aproveitou a confusão para faturar algum?

Talvez não. Uma hipótese é que ele tenha dado o serviço para a gangue e, quando tudo deu errado, ele ficou incumbido de sair com o ouro para contratar um advogado.

Talvez não tenha nenhuma participação em nada e o ouro era dele mesmo, frio, sem nota, sem documento. "Esse ouro é meu, ia tantar vender para a empresa".

Lugar errado, hora errada - ou não - meu amigo Júnior foi enquandrado em latrocínio, formação de quadrilha, porte ilegal de armas e cárcere privado. Difícil ele escapar de trinta anos de cana.

Não conseguimos uma entrevista com Júnior. Quando ele deixou o prédio era apenas um refém liberado. A coisa se arrastou e só fomos saber de seu possível envolvimento boas horas depois.

Fiquei abalado, tento arrumar uma maneira de ajudar o Júnior. Relativizei sua participação na coisa toda o máximo que pude aqui na TV. A imprensa está malhando sem que ele seja julgado. A matéria do Cosmo até que é boa.

O PM Modesto, quinze anos de polícia, foi enterrado hoje a tarde e a cidade parou. Ele fazia jus ao seu nome de guerra. O nome político de Júnior era Júnior Jóia. Jóia, talvez, como aquelas com um banho fino de ouro vagabundo que descasca com um pouco de suor. Tomara que não.

super!

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O vizinho Caco Ishak entrevista Wander Wildner para a RockPress.
E o gaúcho aparece na capa da revista mordendo o livro novinho do Caco.
:>)

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  • luiz biajoni
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