setembro 2006 Archives

- Explica, Hermê: Carlos Chagas denuncia a criação da ONG Sociedade Amigos de Plutão com sede na Esplanada dos Ministérios e liberação de verba de 7,5 milhões publicada no Diário Oficial. A "missão" da ONG é realizar uma campanha mundial para reintegrar Plutão à condição de planeta. Ah, sim, o presidente da ONG é um ex-petista, amigo íntimo de Lula, segundo Chagas. Vale a pena ler e divulgar o artigo todo do jornalista. Incrível!

- Fico impressionado com a indignação geral do não-comparecimento de Lula ao debate da Globo. Ele fez certo, se eu estivesse na campanha dele, orientaria para não participar. Dificilmente ele subiria algum ponto se tivesse ido - e ia servir de sparring para os outros candidatos. Difícil também confiar na Globo que já sacaneou a ele e ao País naquele fatídico debate com Collor. Outro ponto que não vejo as pessoas levantarem (e no qual o mestre Walter Bartels toca em sua coluna de hoje no TodoDia) é sobre essa ação tão "democrática" da Globo de programar um debate para as 23h. Isso é hora de trabalhador estar na cama. Se a emissora quisesse mesmo prestar um GRANDE serviço, colocaria o debate no lugar de "Cobras e Lagartos". Conversa mole.

- Acho que o tal Peroba acredita mais em seu discurso "contra os caras-de-pau" que a maioria dos outros candidatos. Cogito votar no sujeito para Deputado Estadual, a Assembléia Legislativa de São Paulo é tão apagada e inexpressiva que um cara assim agitaria as coisas por lá. Certamente, ele meteria medo em deputados cagões (coisa que não falta).

- Vou votar na Soninha para Federal, como o Ina. Conheci o trabalho dela como vereadora de Sampa e tenho certeza de sua honestidade. Deve estar bem assustada com tudo o que vem acontecendo com o PT, de maneira geral.

- Não me decidi ainda no voto para Presidente nem para Governador. Estamos literalmente a pé para Governador aqui em São Paulo.

- Falando em Governador, Rafael Galvão descansa e retoma seu blog depois de uma campanha agitada (como todas), confiante em Marcelo Déda (PT) para o Governo de Sergipe. Déda saiu na frente, mas as coisas ficaram emboladas nesse final de campanha. Boa sorte a ele.

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- Gustavo Brigatti (comigo, na fota aí em cima) casou. Incrível! Coitada da Solange! Essa garouta vai pro céu. (Beijo pros dois)

- O amigo Renmero, comparsa no Dois Discos, leu meu livro e parece que gostou. Obrigado pelo post, véi.

- O Daniel Lopes é um cara legal (apesar do Bad Religion, apesar do Coeetze, apesar de gostar de travecos, apesar...). Ele linkou meu livro no blog dele. Obrigado, véi.

- O amigo EDV gravou "Crooked Rain, Crooked Rain" do Pavement pra mim e posso dizer que "Stop Breathin" é uma das música mais linda já feitas. Da lavra do Malkmus só perde para "Vague Space", minha preferida. Achei que o Nando fosse me fazer uma cópia de "Face the Truth"...

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- Essa merda de YouTube vicia!

Simplesmente sensacional a dica do Nelsão.
Vila Sésamo, por Martin Scorsese. Huhauahuahuahuahau...

tb sheets

Acho que o melhor vocal gravado em uma música pop é o de Van Morrison para "TB Sheets", de seu álbum de estréia solo. O segundo é de Mick Jagger para "Hard Woman", também de seus disco de estréia solo. No YouTube, o ruivo mais negro do mundo mostra seus dotes ao vivo.

Embora, é claro quem prefira esse indiano-sensação. Afe.

Alguém pode me dar? Pelamordedeus!

Capa do Caderno 2 de hoje trouxe "Erotismo nas Prateleiras"; Conrad e Azougue lançam livros e quadrinhos com apelo erótico. O Dória recomenda a Giovanna, opulenta italiana.

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(Arte safada de Giovanna Casotto que usa o próprio corpo como modelo)

Enquanto isso, meu livro segue para download aí ao lado, inédito nas livrarias.

Você já leu? Se leu, pô, entra lá na comunidade do livro no Orkut, plis.
:>)

Alex Castro está vendendo seu maravilhoso livro de contos pela Amazon. Comprem, ajudem, incentivem, divirtam-se, divulguem.

O GGG (gordo, gago, gay, o Alex) botou no ar hoje sua versão de um dos mais famosos poemas da língua portuguesa, o "Poema em Linha Reta" do Fernando Pessoa. É incrível, mas muita gente não conhecia o poema original que derivou a versão. Aí perde um pouco a graça.

Falando em graça, tá bem legal isso aqui. Mas é só pra convidados.
:>)

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Uma trilha sonora, com streaming estiloso para ouvir enquanto lê o post.
Oferecimento, Bibi-a-Johnny Produções e Eventos.
;>)

(E pé-de-pato mangalô trêis vêis procêis!)

uácarismascá

No sábado estivemos no aniversário de um ano do Giovani, filho da Giul e do Rodrigo Francis. Como todo bom aniversário de criança, o lance foi mais uma desculpa para beber com os amigos e se empanturar de doces depois. Foi o que eu fiz. Acabamos todos aproveitando o friozinho e dormindo cedo.

Aí eu acordei às seis e meia da manhã de domingo com uma sensação estranha: queria desesperadamente fazer alguma coisa. Pensei em:

- Responsavelmente, escrever um texto que está cerca de 10 dias atrasado;
- Botar um disco e escrever meu texto semanal do Dois Discos;
- Escrever minha coluna do jornal TodoDia para terça feira;
- Trabalhar um pouco mais na continuação de Sexo Anal (está na página 40);
- Retomar o texto do novo livro, "Zimboro" (parado na página 10);
- Sentar e escrever qualquer coisa despreocupadamente;
- Botar um disco e jogar um pouco de paciência;
- Sair e fazer uma caminhada;
- Acordar a Karen para jogarmos um pouco de buraco;
- Sentar na cama e jogar um pouco de Resta Um;
- Descer e fazer café, ler o jornal;
- Pegar pra valer o "Rádio Guerrilha" para ler;
- Fazer a barba (sim, estou sem barba);

Tomei um copo d'água sem me decidir. Aí deitei na cama e me concentrei firmemente em esquecer essa estranha vontade de fazer alguma coisa. Acordei às dez e meia. Foi bom.

Inferno astral total, Lia ficou chatinha no final da tarde, todo mundo ficou estressado. Tou no estágio que é melhor fazer nada, já que meu aniversário taí, dia 21/10, preparem os bolsos, aceito livros e discos estranhos.

A fé é de que essa fase passa.

dois discos...

Amanhã vou postar mais uma OBSCURIDADE no blog Dois Discos, que mantenho com o amigo Renmero. Renmero estava devendo umas resenhas para lá e botou tudo de uma vez. Vale a pena conhecer as coisas relativamente novas que ele indica, em contrapartida para as velharias desse velhote senhor senil aqui.
:>)

Idelbão, obrigado por linkar, lindão.

replicantes

Gustavo Brigatti respondeu ao meu texto sobre O Bom e O Gosto dos críticos e intelectuais (boto-os -ui! - no mesmo barco, aumentando o conceito de um, nivelando pra baixo ainda mais o segundo), onde digo que ele é chato e irritante em suas colunas de música e cinema no jornal TodoDia. O TodoDia é um jornal baseado em Americana, distribuído para 11 cidades da região metropolitana de Campinas.

Eu não acho ruim ser chamado de chato e irritante. Até me esforço, às vezes, para ganhar esses adjetivos. Noutras vezes nem me esforço. Chamar crítico de chato acaba sendo pleonasmo. No caso do Briga, e a coisa toda que eu quis dizer, tem mais a ver com "irritante". Sim, me irrita na mesma proporção ver algumas pessoas elegendo a "nova sensação da música" a cada semana, como ver o cara dizendo "que merda de cena, não tem nada de novo, bom mesmo é o álbum branco dos Beatles".

Há que se ter uma certa ingenuidade no olhar e no ouvir. Há que se balançar as referências e considerar as questões históricas. Há que se apreender. Há que se desaprender. Há que se "des-ra-cio-na-li-zar" um pouco.

Eu adoro o Briga, todos sabem, e meu texto não fala dele, mas aponta apenas um cacoete de críticos e comentaristas, especialmente no que diz respeito ao que eles gostam e do que criticam. Eu sei que o Briga gosta de Bon Jovi (ele já foi cover do Bon!) e de Guns´n´Roses. Mas se você perguntar qual o disco preferido dele é fácil ele sacar um clássico dos Stones, talvez para mostrar que é rocker de raiz. Assim como o crítico todo metido a antenado vai citar uma obscuridade recém lançada no Reino Unido, dizendo a seguir: "você ainda vai ouvir falar dessa banda, ela vai mudar a sua vida".

buko brabo

Bukowski gostava de dar uns porrões nas minas, saca? No YouTube tem esse vídeo onde ele se EMPUTECE com a mulher e parte pra porrada. Isso pode comprometer sua obra?

A pergunta lá em cima foi pura sacanagem, esqueçam.

Se alguém reparou, a foto do topo do blog é de um de meus filmes preferidos, "O Tambor" (que dividiu a Palma de Ouro com "Apocalipse Now" em 1979), do Volker Schlöndorff, roteiro do Jean-Claude Carrière, baseado no Gunter Grass que lançou biografia contando que fez parte da juventude nazista e agora boa parte da Humanidade acha que ele é um demônio. Falam até em cassar o Nobel que o velhinho ganhou.

Tem gente bruta nesse mundo, rapá.

Não vou votar em mais merda nenhuma de Lula, quero que o PT se foda!

Conheço uma carrada de gente do PT e fico cada vez mais impressionado com a burrice, estupidez e, especialmente, com aquela postura de "nós é que somos honestos e queremos o bem do povo; os outros políticos são todos safados". Isso quando não têm uma ingenuidade tão BARROCA que deve mesmo ser confundida com ignorância pura, embora vivam arrotando (pre) conceitos. Na sede do PT de Limeira tem um quadro de Trotski, ora vejam.

Conheci o Cel. Ubiratan, estive com ele duas vezes. Na primeira, participei de um debate na TV,ao vivo, sobre a anulação da condenação dele pelo Massacre do Carandiru. Na segunda, apenas assisti à entrevista que deu para um programa policial daqui, depois conversamos um pouco. Um sujeito cordial, quase afetado. Vaidoso, cabelinho penteado, bigode rigorosamente aparado. Língua presa. Não mais que 1,70m. Não vi nele nada que pudesse atrair as mulheres.

Nas duas ocasiões, ele estava com a sua assessora, Karina Rodrigues. Karina foi ouvida hoje pela polícia sobre a morte do coronel. Saiu do depoimento e veio à Limeira, para me conceder uma entrevista e participar ao vivo do programa (18h). Eu falei com ela. Suspeitas foram levantadas de que também ela pudesse ter um caso com o coronel. Ela nega, tem namorado. Mas fala do coronel com paixão. Os olhos brilham. Ela diz que ele era divertido, alegre, engraçado. E que era bon-vivant. E que era alcoólatra, não ia pra cama sem os três ou quatro choppinhos com stanhegger. Nas reuniões do clube de tiro, às quintas, matava uma garrafa de uísque. Ela não se impressionou com as três caipirinhas de caju que ele tomou na noite em que foi morto. Impressionada, ela diz: "ele aguentava muito mais!".

Nas vezes que o coronel esteve aqui, saiu para jantar com pessoas da cidade, a assessora junto, claro. Ela chegou a fazer o prato para ele. Ela controlava a comida dele. Ela dizia a hora em que ele podia sair do carro, do restaurante. Ela tinha algum controle sobre ele. Controle que a namorada, Carla Cepolina, advogada, cinco línguas, estágio europeu, família rica, veio abalar. Karina pediu exoneração do cargo de assessora por causa de Carla. O coronel ligava escondido para Karina, sempre tentando manter o contato.

A relação com Carla, porém, ficou abalada quando apareceu a delegada Renata Madi que trabalhava em Brasília, agora está em Belém. A assessora assegura: eles não tinham nada, apenas a paixão comum pelos cavalos. E por alguns goles. Karina me diz que Renata gostava de beber. Mas diz isso com certa ingenuidade. Ou não.

Karina desempenhou durante muito tempo a função de assessora de imprensa, "mesmo sem ser jornalista", diz. Ela sabe lidar com a imprensa, fala cuidadosa, mexe os cabelos talvez procurando o applomb de Carla, que jamais terá.

Mas não eram apenas três mulheres que disputavam a atenção do coronel. Ele tinha ainda uma "vizinha" - era assim que ele a chamava -, que "visitava" constantemente...

Quatro mulheres. Um morto.
Quando vivo, o morto esteve no comando do Massacre dos 111.
Ironia do destino?

bom & gosto

(Minha coluna de ontem no TodoDia)

É uma verdade dura, mas os intelectuais também têm o seu senso comum. Em literatura, ninguém se atreva a falar mal de um Shakespeare. Em cinema, o melhor terá sempre que estar entre o “Cidadão Kane” e o “Encouraçado Potemkin”. Na música pop, os Beatles foram a raiz de tudo o que está aí. O problema é que intelectual não tem gosto, ele se baseia sempre num background. Quando não é assim, bate no peito e se regozija por ter descoberto algo completamente obscuro e sen-sa-cio-nal que, garante, vai ser fun-da-men-tal no futuro. Quando o intelectual gosta de algo popular, algo que a massa também gosta, sempre tem a ver com “pesquisa”, ou “os aspectos da manifestação popular”, ou porque “a gente sempre gosta de alguma coisa brega, né?”, ou ainda “não é brega, é kitsch!”.

Intelectuais acham que têm gosto refinado, mas só regurgitam uma faixa de conhecimento que pode ser chamada de hermética e que acaba dando o aval para o indíviduo bater no peito e se autodenominar “in-te-lec-tu-al”. O intelectual brasileiro tem que ter lido meia dúzia de livros fundamentais, nada além disso, e conhecer mais uma dúzia de autores estrangeiros. Intelectual cita “A Terra Devastada” de T.S. Eliott e sabe bem do que se trata sem nunca ter lido um verso sequer da longa epopéia poética. Eles sabem o que foi importante em todas as áreas do conhecimento, o que foi relevante em seu momento, o que vai ser fundamental para a história das artes no futuro e isso é muito bom.

Os intelectuais sabem o que é bom; eles têm boas referências para indicar-lhes o caminho. Mas eu pergunto se eles têm gosto. Eu, na minha franca pequenez, sei que Shakespeare foi fundamental e nem preciso do Harold Bloom para me dizer isso. Mas tenho que dizer que não gostei de “Hamlet” ou de “Romeu e Julieta”. Prefiro a imprecisão de “Rei Lear”, com seu bobo-da-corte que some como por mágica no meio do livro, numa histórica “comida de bronha” do autor. Meu gosto pende mais para isso, para histórias como a de Lear, mesmo que contenham imprecisões...

Meu professor de cinema dizia que seu filme preferido era o “Cidadão Kane” de Welles. Eu dizia que não era. Pode ser um filme bárbaro, um dos filmes mais importantes da história do cinema, mas você não pode confundir esse valor intrínseco da obra com seu gosto pessoal. O filme te tocou, falou profundamente em você? Você gosta dele por algum traço de personalidade que talvez possam ter em comum ou só se vê, como conhecedor de cinema, obrigado a dizer que gosta dele? O que te impede de dizer que o seu filme preferido seja, por exemplo, “Priscila, a Rainha do Deserto”, embora “reconheça as qualidades e a importância do ‘Encouraçado Potemkin’”?

E se você gosta de música, é um grande conhecedor, pesquisador, etc..., escute uma canção nova como se nunca tivesse ouvido nada. Você corre o risco de gostar até de obviedades. Esqueça tudo o que os Beatles fizeram, senão você não vai conseguir ouvir mais nada. E se continuar buscando revoluções estéticas em tudo, deixando o histórico influir, acaba correndo o risco de se tornar um crítico tão chato e irritante quanto o Gustavo Brigatti, editor e colunista desse caderno.

Um disco que foi um grande amigo.

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(Mr. Edgard Scandurra in person)

Um amigo me liga, diante da nova Bizz:

- Tu tá na capa da revista.

Tsc. Era mais uma confusão provocada pela minha incrível parecença com todo mundo.

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O Aluado, blog focado do Denis, fez post sobre o Jackson C. Frank e citou o Dois Discos - além de dar link para um blog americano onde se pode baixar o precioso único álbum gravado pelo músico. Vale a pena.

(Um vídeo amador com a canção "Milk and Honey" pode ser conferido no YouTube)

eu mereço

Devo merecer mesmo. Com certeza. E-mail recebido ontem (ligeiramente editado):

"Bia, acompanho seus escritos desde o Tiro&Queda e queria fazer uma crítica. Eu acho que falta um foco para eles; você escreve muito sobre tudo e parece que fica faltando um Norte."

Segue dizendo que faz tempo que não faço resenha de filmes e que eu devia fazer o blog só de cinema, dando dicas. Deve mesmo ter alguma coisa errada comigo.

iêba!

- Marcos Donizetti começa coluna sobre TV na RockPress. Leia primeiro o post, depois vá pra lá.

- Gosto muito de blogs temáticos, como o Blues Traveller, do Zero. Posts curtos, informativos, com um MP3, um bom vídeo garimpado no YouTube. Lesgal

- Os malucos do Cavalo Verde entram na produção de vídeos. Bando de desocupados do caráleo!

- Ah, sim, na Vitrola da BethS, Mulheres Negras!

(Minha coluna desta semana no TodoDia)

Um filme ruim pode ser indicado e até ganhar o Oscar. Mas quando se fala em documentários laureados pelo prêmio máximo da Academia Americana é provável que você nunca se decepcione. Se encontrar um documentário que tenha sido premiado ou indicado para um Oscar pode crer que se trata de algo especial, algo que pode mudar sua vida, sua maneira de ver as coisas. Os documentários têm esse poder. É o caso de "Sob a Névoa da Guerra" (The Fog of War, Estados Unidos, 2003), que tem o subtítulo "Onze Lições da Vida de Robert. S. McNamara", levou uma estatueta, foi indicada a outra (trilha-sonora de Philip Glass) e pode ser encontrado com certa facilidade nas locadoras.

Robert S. McNamara é um desses sujeitos estranhos - e não por acaso o "S" em seu nome é justamente Strange, "estranho" em inglês - que esteve nos lugares certos nas horas certas. Ou talvez nos lugares errados nas horas certas. Ou nos lugares certos nas horas erradas. Foi um dos estudantes universitários de maior destaque em sua época, com um cérebro genial para estatísticas, números, contas, análises. Num piscar de olhos estava chefiando o Controle Estratégico da Aeronáutica Americana em plena Segunda Guerra. De seu cérebro calculista partiram orientações para o lançamento de bombas incendiárias que foram lançadas sobre mais de 60 cidades japonesas matando cerca de um milhão de pessoas. Ele fala sobre esses ataques no filme, e espanta-se que não tenha ido a júri por crime de guerra contra a Humanidade. "Não fui a júri porque vencemos a guerra", diz.

Acabada a guerra, McNamara ingressa na Ford onde alcança, em pouco mais de 10 anos, a presidência da empresa automotiva. Ele se gaba por ter salvado algumas vidas já que implementou melhorias em carros com intuito de proteger o motorista. Mas a vida do cara estava "amarrada": em 1961 é "intimado" por Robert Kennedy a ocupar o cargo de Secretário de Segurança do Governo, de onde gerencia a Guerra do Vietnã. Ele foi o grande estrategista, e desde sempre considerado o grande culpado pelo fiasco da campanha e pela grande quantidade de baixas de soldados americanos. No documentário, ele se defende dizendo que em um determinado momento pediu ao presidente que retirasse as tropas. Uma conversa gravada entre os dois corrobora a afirmação. O presidente na ocasião era Lyndon Johnson; Kennedy havia acabado de ser assassinado.

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Sempre em atividade, McNamara deixa o governo (mas não totalmente, já que...) - vai presidir o Banco Mundial. Neste cargo não irá fazer planos para o lançamento de bombas nem pensar estratégicamente sobre atear fogo em choupanas de velhos vietnamitas, mas sim como emprestar dinheiro a países massacrados por reflexos da guerra ou mesmo por quaisquer outros tipos de azares subjugando-os quase que eternamente ao Império Americano.

Falando assim, pensamos num velho pulha - mas o filme humaniza a figura, embora não pareça seu propósito. Não se sabe bem o que pensar. Talvez esse velho McNamara pudesse ser um tio nosso que traz bombons no Natal. Ou um vizinho que tem o ferromodelismo como hobbie.

No início do filme, antes dos créditos, enquanto o diretor Errol Morris prepara sua câmera, McNamara fala que pode retomar uma linha de raciocínio tempos depois, mesmo que a câmera tenha desligado. Ele é bom com isso. Em alguns momentos parece estar sendo bem verdadeiro, deixando-se manipular por Morris. Em outros momentos parece não transmitir convicção. É um ser-humano estranho, complexo. Num instante parece uma máquina fria (ele tinha o apelido de "IBM"), em outros deixa os olhos se encherem de lágrimas. Não há como mensurar quantas vidas foram apagadas porque esse homem tinha a mão no interruptor. Não fosse ele, provavelmente teria sido outro.

A direção de Morris é inventiva, com imagens históricas e recursos de edição inspirados, e o roteiro tem "A Arte da Guerra", clássico de Sun Tzu, como base. Vale a pena ver o filme e conferir também o site, um dos melhores do gênero: www.sonyclassics.com/fogofwar.

Eu e Miguel Cordeiro, o ladrão de banco mais famoso da blogosfera, já tínhamos batido um papo legal que eu acabei postando aqui. Esses dias conversamos de novo e, dessa vez, ele postou. O assunto é rock´n´roll, claro - entre outras besteiras.

O Miguel é artista, grafiteiro, gente fina.
A Cipy (lindaaaaaaa!) escreveu sobre ele no Rafael Galvão, certa vez.

mais de meme

O Marcos VP esqueceu de uma de suas qualidades, nos adjetivos que CUNHOU para si próprio: botar no dos outros. Bão, aqui cinco COISAS que eu acho que eu sou - e até pareço com o carioca:

- Pobre - Não sei lidar com dinheiro, não sei guardar, não sei administrar.
- Preguiçoso - Odeio trabalhar e me admiro quem diz que gosta. Nunca gostei. Nasci para baiano. Gosto de ficar em casa, em rede, na cama, ouvindo música, lendo, vendo filmes, escrevendo...
- Criativo - Minha cabeça não pára, fico criando coisas, inventando, tendo idéias.
- Leal - Tenho um sentido de lealdade forte para com os amigos, junto a quem eu considero - e que também me considera.
- Bebum.

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Ah, não vou passar pra ninguém não.
;>)

Um dos cinco melhores discos dos anos 80, "The Head On The Door", do The Cure, que completa 20 anos. O disco marcou minha adolescência. Vai lá ver.

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E pra você? Quais os melhores dos 80?

para dizer o quanto te amo.

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(a fota é velhinha, mas acho bem bonitinha :>)

Estou fazendo todos os esforços possíveis para ir te dar um beijo, filha.
Se não for neste final de semana, será em breve.
Parabéns pelos 14 anos, o Dudu, a Karen e a Lia mandam zilhões de beijos no seu coração.

*Muita, muita saudade aqui.littleheart.gif

Assisti ontem, meio ressabiado, à versão de Robert Towne para "Pergunte ao Pó", o clássico do Fante. E me surpreendi: o filme é bastante bom.

O Colin Farrel não seria minha escolha, talvez um Ashton Kutcher ou um Josh Hartnett ficariam melhor, atores que juntam alguma grosseria com uma certa sensibilidade. Ui, ficou bem GUEI essa frase. De qualquer maneira, a Salma Hayek está ótima, ainda mais nas cenas em que aparece nua e pe-la-di-nha. A cena da praia à noite é especialmente bonita, bem fotografada e dirigida.

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Destaque ainda para os pés de Salma, que aparecem muito no filme, fazendo-me SE perguntar se não ficaria melhor "Pergunte ao Pé", ao invés de "Pergunte ao Pó".

(Esse foi mais um post-colírio oferecido por Luiz Biajoni)

O YouTube é quase um gerador automático de posts, vai dizer? Nesse 7 de Setembro, coçando cuidadosamente a virilha na redação, esperando que um ex-prefeito qualquer tivesse um ataque cardíaco fulminante (ex-prefeitos morrem diariamente, especialmente em feriados, tudo para FODER com plantões de jornais e TVs), achei essa dupla de irmãos pagando de Crazy Frog e eu posso garantir que foi uma das coisas mais divertidas que eu já vi na vida.

Reparem na MALICE do menorzinho de camiseta preta e na desenvoltura do irmão de óculos fundo de garrafa naquilo que eu chamo de "dança da lagartixa com cãimbras". Sim, sim, e ainda há quem prefira a Ana Botafogo. Tsc.

Eu gosto muito da Editora Barracuda, antenada que tem até blog. Li a biografia do Gainsbourg, que adorei; as "Confissões de uma Groupie", de Pamela Des Barres, que achei bem legal; o livro dos "wunderblogs.com", presente de grego do Alex. Hahahahaha. Mas até que gostei de algumas coisas, sim.

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Assim como li uns artigos esparsos do Reinaldo Azevedo no "Contra o Consenso", e alguns outros do fantástico Tony Parsons no "Disparos do Front da Cultura Pop". Na Primavera dos Livros, o Doni comprou o "Radio Guerrilha - Rock e Resistência em Belgrado", de Matthew Collin, e eu fiquei com uma pusta inveja.

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Pois foi também na Primavera dos Livros que eu revi o Freddy Bilyk, editor e FIGURA da Barracuda. Ele me cumprimentou pelo nascimento da Lia e disse que lê este humide blog. Fiquei todo bobo. Conversei com ele sobre a paixão pelo Bunker e sobre outras coisas que não posso contar.
;>)

Confesso que não tinha reparado, no catálogo da Barracuda, neste "A Verdade Sobre os Bebês de A a Z", de Ian Samson.

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E eu o recebi ontem pelo correio, de presente do Freddy, junto com o "Radio Guerrilha". Poxa, só posso agradecer, Freddy. O dei uma boa folheada no livro dos bebês e é realmente lindo, vou ler e resenhar.

Continue com garra na Barracuda, assim todos nós ganhamos.
:>)

(Em minha coluna de ontem no TodoDia; obrigado pelo comentário da Alcinéa Cavalcante no post abaixo))

Censura na Rede

Bom, se você navega com frequência pela rede, especialmente visitando os blog mais quentes do momento, já vai estar sabendo da Campanha Xô Sarney, provavelmente a primeira grande campanha de cunho político na história da blogosfera brasileira. E não sem motivos. Sarney, autoproclamado o presidente que mais outorgou concessões de emissoras de rádio e TV - na época seu Ministro das Comunicações era Antonio Carlos Magalhães, vulgo "Malvadeza"; então é de se imaginar nas mãos de quem foram parar boa parte dessas concessões -, agora virou publicamente o "Carrasco dos Blogs", o "Verdugo da Liberdade de Expressão" no Brasil. Pois o nosso presidente-sem-ter-sido-eleito entrou com uma dezena de ações para tirar o blog da jornalista Alcinéa Cavalcanti, do Amapá. Ele pode dizer que não foi ele, mas sim os "advogados da coligação", mas uma atitude assim não seria tomada sem a consulta da chefia, vai dizer? O fato é que o post da Alcinéa não somente foi tirado do ar, mas também todo o seu site. O desserviço à democracia teve o apoio do Grupo UOL. Se você ler as letrinhas miúdas nos "Termos de Uso", quando for botar um blog no UOL, vai ver que 1) ali quem manda são eles; 2) o que você escreve, é deles; 3) eles apagam o que querem e nem precisam avisar; 4) não querem se meter em briga e se algum político influente ligar para eles, o blog é apagado. Eu não li as letras miúdas, mas pelo que aconteceu, é assim que funciona o UOL.

A partir do fato, blogs de todo País entraram na Campanha Xô Sarney e hoje, uma semana depois do fato, já somam mais de 150 sítios que colocaram a charge do cartunista Ronaldo Rony no ar: um "Xis" ladeado por um desenho com bigode nietzscheano, característico do Maranhense vivo mais famoso do mundo. Aliás, a história merece ser contada: Sarney mudou seu domicílio eleitoral do Maranhão para o Amapá por não-declarados ("Ah, eu tenho uma tia que mora aqui!"), mas deduzíveis motivos ("Aqui é mais fácil dar para entrar no Senado!"). Sic.
Conhecido pelo jeito enganosamente manso e vaidoso, Sarney escreveu livros que ninguém leu - ou melhor, Millôr Fernandes leu e afirma que não há nada pior escrito em português (se é que podemos chamar aquilo de "português") - e ainda conseguiu entrar para a Academia Brasileira de Letras (dizem que prefere os bolinhos de polvilho, assim como Paulo Coelho). No Maranhão todos sabem de quem se trata: político truculento e dominador, verdadeiro senhor de sesmarias. Sarney faz parte de um passado político histórico onde era comum interpelar, intimidar, acuar, reprimir e afrontar quem quer que pensasse minimamente diferente dele ou do senso comum impetrado pelos seus pares. Sorrateiro, o bigodudo se impôstante até mesmo nesse último governo federal ao ditar regras e pedir Ministérios ao Presidente Lula. Está mais que na hora de sumir com essas sucatas políticas. No caso do povo do Amapá, há uma boa opção: a candidata Cristina Almeida (PSB) - mulher, negra, batalhadora.

Se você quer saber sobre a Campanha Virtual Xô Sarney, dois textos essenciais podem ser encontrados nos blogs de Alexandre Inagaki (gardenal.org/inagaki) e de Idelber Avelar (idelberavelar.com).

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"Belas Maldições", no sublinhado. E "The Jam at the BBC" no Dois Discos.

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Você pode conferir a versão Fucking Short de "O Grande Lebowski" sem grandes perdas & danos.

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Mas fique longe da *FUCK* short version de Scarface, por favor.
:>)

Eu disse que uma boa maneira de reformular James Bond com Daniel Craig era transformar o herói em homossexual, fazê-lo sair do armário. A vida imita a arte, rapá.

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- Não casarás.

- A essa altura já não é novidade a Campanha Xô Sarney. O ex-presidente por sorte do Brasil arrumou treta com a jornalista e blogueira macapense (ê, palavrinha fêa!) Alcinéia Cavalcante (o blog da moça está fora do ar, não sei por qual motivo, talvez seja somente o alto número de acessos por causa da campanha), querendo impor censura ao blog da moça e, por extensão, a todos s blogs brasileiros. Na época do Sarney presidente o ministro das comunicações era Antonio Carlos Magalhães, o Malvadeza, e foi o período de maior número de concessões de rádio e TVs no Brasil. Apadrinhados ganharam, claro. Chamaram isso de "democratização da comunicação", à época. Agora, o nobre imortal (que Academia a nossa, vai dizer?) quer ser o "carrasco da democracia". Vai cagar, Sarney.

APDEITE: O filho da puta do Sarney conseguiu mesmo tirar o blog da Alcinéa do ar!!! Ela está aqui, contando o babado. Agora quero ver ele tirar TODOS os blogs da campanha do ar. Te fuder, Sarna!

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(Adote o selo, ingresse na campanha. E deixe de votar nesses velhacos)

- Vou sempre na Vitrola da Beth Salgueiro. Ela colocou lá algumas músicas de um grande clássico udigrúdi dos anos 80 e vale a pena dar uma boa escutada nas canções de "Tubarões Voadores", do Arrigo Barnabé - até porquê não se acha mais discos dele para se comprar.

- Onde é que eu estava que não havia lido "Belas Maldições - As Belas e Precisas Maldições de Agnes Nutter, Bruxa", de Neil Gaiman e Terry Pratchett? O livro saiu por aqui em 1990 e eu nem tinha ouvido falar! Poutz! Raríssimas vezes me diverti tanto com um livro! Dois anjos, um do Bem e um do Mal, que habitam a Terra desde a Criação, empenham-se para evitar o Armagedon que vai ser provocado por um garoto de 11 anos chamado Adam. Em breve farei resenha sobre no sublinhado. O mais sensacional é que acabei de ler o livro e pensei: "Porra, isso daria um belo filme do Terry Gilliam!". E não é que o Terry Gilliam também achou? O filme está em pré-produção com Johnny Depp e Robin Williams nos papéis dos anjos. Eu vi aqui.

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(Terrivelmente engraçado, nonsense e original)

- Wilson Vieira é um grande artista brasileiro que mora na Itália e envia e-mail dizendo que lê este humilde. Muito legal. O blog do Wilson é um show visual e mostra que o quadrinista tem personalidade. Muito prazer, Wilson.

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(Página de "Gringo", de Wilson Vieira)

- Bom final de semana a todos.
:>)

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  • luiz biajoni
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