john cale

O primeiro disco que comprei na Amazon foi "Vintage Violence", a estréia solo de John Cale, a outra face da moeda criativa do Velvet Underground. Lançado em 1970, "Vintage Violence" agradou apenas uma parte da crítica. Muitos esperavam que o trabalho solo de Cale fosse experimental e cheio de esquezitices; a impressão que todos tinham sobre sua função no Velvet. Ao contrário, o disco se mostrou um apanhado de canções de estilos variados, com interpretação segura e um pé no pop. O disco matou Lou Reed de raiva & inveja e ele (Reed) acabou produzindo "Transformer", seu segundo disco, com intenção de fazer algo melhor que Cale. A tensão criativa entre eles fez o Velvet ser o que foi e movimentou a carreira solo de ambos. Mas enquanto Reed se apressava para lançar um disco melhor, Cale já estava em outra. Espírito inquieto, lançou em 71, o instrumental "Church of Anthrax", quase um dueling-pianos enérgico entre ele e o amigo Terry Riley. Que chatice!, pode pensar o leitor que desconhece Cale. Eu peço que você procure por aí por "The Protege", uma das músicas de "Church of Anthrax" e me fale o que achou.

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Em 72 e 73 vieram dois ábuns luminosos, "Academy in Peril" e "Paris 1919" - ambos apontando para um caminho que parecia ser o perfil da obra de Cale solo: a mistura entre o erudito, o experimental e o pop. Mistura entre instrumentos do início do século XX, elementos eletrônicos e fórmulas prontas de "melodias para assovio". Ledo engano: em 74 aparece "Fear", um disco punk, associação do músico com Phil Manzanera e Brian Eno. Pela história do músico e por essas associações, você pode concluir que não é um punk básico, não é guitarra e bateria mal tocados. Não. É um disco punk na raiva e no entusiasmo criativo, com piano e tudo. Ouça "Fear is Man's Best Friend". A convulsão da confusão sonora veio em 75 com "Slow Dazzle" onde o ponto alto é sua versão para "Heartbreak Hotel", famosa na voz de Elvis.

Convulsionado, acelerado, lançou "Helen of Troy" ainda em 75. Pinta um quase-sucesso com "Pablo Picasso", canção emprestada do amigo Jonathan Richman (e regravada por Bowie no recente "Reality"). A (auto) observação de que Cale tinha "mão boa" para produção fez com que ele fosse convidado e aceitasse produzir uns discos naquele ano. Produziu "Horses", da Patti Smith. Se ele tivesse morrido em 76, seria eternamente lembrado por seus discos e pelos que produziu até então. O que se seguiu foram 5 anos de produção de discos de outros artistas, turnês, lançamento de compilações... Nas turnês, parrcia estar sempre maluco, quebrava coisas, usava máscaras variadas, chegou a matar uma galinha no palco, na imitação de um ritual africano. Em 1981 reuniu alguns dos melhores músicos de estúdio de Nova Iorque e lançou "Honi Suit...", mostrando que estava em forma, ouça "Dead or Alive", o single. Eu realmente gosto de "Honi Suit" e o próximo disco de Cale, "Music for a New Society", de 82, cheio de comentários políticos, que é considerado um de seus melhores trabalhos, eu acho terrivelmente chato.

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E aí me divorcio de Cale.
Dele tenho apenas "Wrong Way Up", de 90, disco parceria entre Cale e Eno, que achei em uma promoção em edição nacional - mas não devo ter escutado mais que cinco vezes.

Também de 90 é "Songs for Drella", colaboração tardia entre os dois cérebros do Velvet Underground para construírem a primeira biografia musical (musibio) da História, a de Andy Warhol. É um ótimo disco.

Cale passou os próximos 15 anos fazendo álbuns que não me chamaram a atenção, trilhas para cinema e até para comerciais. Quase não me lembrava dele quando vi "black Acetate" aparecer na lista de melhores discos no ano passado. Uma amiga ouviu e gostou muito. E me mandou o disco. Obrigado, Gabi. A resenha do disco novo está no "Dois Discos".

4 Comments

Eba!! Resenha!

Tsc...eu tenho um puta de um bom gosto, vai dizer?

O que eu mais gosto no Cale é esse amor dele pela música, pela música em si e não por um gênero em especial.

Ele bebe de todas as fontes possíveis e mesmo assim, faz algo único, sin perder la identidad jamás

O cara é foda. Hobosapiens eu adoro e esse, quando ouvi, pensei: Cacete...o Bia vai adorar.

Escuta sempre, xuxu.

Adorei a resenha. E que negócio é esse de ex-chefa?

Quem é chefa nunca perde a chefia, ow...se liga.

beijos


Pô, vou babar também. Eu comprei esse cd como presente de aniversário pra mim mesmo há alguns anos atrás. "Hello There" é espetacular. Talvez a melhor música pop já feita. Gosto muito desse cd do Cale. O resto nem tanto. No quesito biografia, prefiro mais o JJ Cale.

[]s

Bia, Cale sempre foi mais experimentalista, sempre transitou por terrenos mais arriscados. Reed optou para fazer crônicas musicais do mundo que via a sua volta. Ele sempre foi um grande contador de histórias. Mas cada um tem o seu mérito.
gd ab

Gostei de conhecer um pouco mais da história de John Cale por aqui.
Curti a história, Bia.

Abraço.

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Esta página contém um post de Biajoni publicado em agosto 15, 2006 8:09 AM.

eu tinha esquecido... é a postagem anterior.

verde vale é a próxima postagem.

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