Na Síndrome da Biblioteca de Babel, o sujeito tem computador, conexão banda larga, informação e praticamente todos os filmes e canções do mundo ao seu alcance. Esse sujeito é uma pequeníssima parcela da população. Ele tem essa infindável prateleira e, em alguns casos, a ânsia de absorvê-la; fica baixando tudo e mal tem tempo de ver/ler/ouvir qualquer coisa com calma, absorver de fato. Muitas vezes também, baixa alucinadamente tudo achando que, dessa maneira, pode dizer que tem/conhece o "produto". Em outros casos, o sujeito, sabedor dessas possibilidades todas, fica apático. Ele não vai procurar o último disco do fulano que ele gosta, já que o disco está lá e ele baixa "noutra hora", ouve quando tiver tempo. E quase nunca tem tempo, enquanto a Biblioteca vai crescendo infindável.
Para contextualizar, em meu texto sobre o assunto, citei exemplo de antigamente, quando comprávamos os discos de vinil - havia poucos títulos a disposição, era caro, etc..., mas a gente comprava e prestava atenção àquilo.
O professor Idelber Avelar, fez post falando do assunto, definindo a Síndrome de Robinson Crusoé: "a tendência de achar que em algum momento do passado a relação com a cultura, com a música, com o sexo ou com qualquer outra coisa foi mais pura, autêntica ou verdadeira".
Rafael Galvão, como lhe é peculiar, contextualizou e tocou no ponto da excelência da liberdade de escolha que a internet proporciona. Ele me coloca como um saudosista - que não sou. Adoro tecnologia, mas, novamente, creio que o "acesso" é uma ilusão; apenas uma pequena parcela tem o bom computador, a conexão, etc... Sobre a "arte do disco", Rafael cita o caso dos compactos - somente posteriormente apareceram os Long-Plays; a atenção sempre foi para a música. É disso que estamos falando, afinal. Certo?
Mais ou menos. O Hermenauta entrou na discussão. Ele relaciona as posições com questões de mercado, relacionando "a crescente importância da indústria do entretenimento" com "a veloz taxa de convergência tecnológica". Vale a pena ler.
Assim como vale a pena ler os comentários nas caixas desses posts; ums discussão que em breve estará extrapolando a blogosfera. Certo. dr. Claudio?
- Por falar em "extrapolar", os blogs foram parar na capa da Revista Época. Quem está lá é o japaraguaio mais lindo do País, maestro Inagaki. Leia o post do Ina e do Idelber e siga os links. Pronto: você tem muito o que fazer nessa terça-feira.
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Véio, é um pouco de tudo. Saudosismo, sim, mas não barato. LP era o bicho, porque era outro mundo. Talvez para a nossa geração o sobressalto seja maior. A gente viveu aquela época de saborear cada segundo, cada nota, cada detalhe da capa. Hoje em dia estamos atontados com tanto mp3. Eu mesmo sofro desse problema de "baixei e nunca escutei". Vai ver os nossos ouvidos estão cansados e a nova geração ainda nos proporcione alguma vantagem. Como talvez o renascimento do r'n'roll. Ou o seu enterro final.
[]s
Bia, continuo no meio. O advento do mp3 veio facilitar o acesso a músicas que, por exemplo, já estavam fora de catálogo ou que não haviam sido lançadas no Brasil. Por outro lado, acredito que o ojeto disco seja ai seja um fetiche como o livro e que nos fazia apreciá-lo faixa por faixa, enquanto apreciávamos a capa, acompanhávamos as letras, saber quem estar tocando teclados em tal música e tudo mais. Os tempos mudaram. A era dos Lps era melhor? Apenas por um lado. O grande problema está nas pessoas. Ninguém tem mais tempo de apreciar um disco. Com a exceção das gerações mais velhas, ninguém tem mais tempo para se dedicar a uma audição de um cd. Quanto mais o de um mp3 jogado no seu micro.
Acho que tudo tem o seu pró o e o seu contra.
Aliás, no meu atual post no Bala estou falando de algo que acho que ninguém vai discordar: a péssima qualidade da maioria das rádios atualmente. Para argumentar, fiz um apanhado das últimas mudanças ocorridas nas rádios aqui do Rio desde os tempos do Big Boy até hoje. Quando puder passe lá.
gd ab