agosto 2006 Archives

Hoje é o BlogDay e eu fui indicado pelo Ossos no Armário, do Luciano Ska, que está lá no Japão e lê este humilde. Muito obrigado, véi.

Eu tenho que indicar cinco blogs, tem uma lista grande aqui ao lado (lista que está sendo atualizada) e onde estão os "trutas"; os amigos que conheço pessoalmente, o pessoal com quem me relaciono mais, digamos, frequentemente. Vou indicar cinco que vão entrar no blogroll em breve: Alexandre Matias (que escreveu sobre o maravilhoso novo Dylan ontem na Folha); Naomi (que, como eu, espera ansiosa a adaptação de "Belas Maldições"); Renato Doho (que é fã de Lou Reed, como eu); Miguel Cordeiro (um dos poucos que conhecem Willie Nile por aqui - obrigado pela dica); Fer Funchal (que faz aniversário no findi; parabéns!). Ok, não são blogs novos, mas são blogs que leio tem pouco tempo...

Nesse BlogDay não dá pra não falar sobre o mais amplo estudo já feito sobre a Blogosfera Brasileira, obra dos criadores desse nobre condomínio onde tenho meu quarto-e-sala. Confira os dados clicando aqui. Você tem dado?

Por falar em blogs, blogosfera, etc..., o Ina fala sobre o perigo dos comentários abertos em seu último post. Vale a pena ler, quem é blogueiro ou quem não é. (Ah, e o Ina apareceu ontem na Folha Informática em uma matéria sobre... blogs, claro)
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Jackson C. Frank gravou apenas um disco, "Blues Run The Game" (1965), 15 canções, que influenciaram pelo menos três dos meus singer/songwriters preferidos: Nick Drake, Nick Cave e Lou Reed. Drake gravou apenas três discos em sua curta e trágica carreira, mas deixou canções esparsas que foram reunidas no póstumo "Tanworth-In-Arden 1967/1968", incluindo as suas três preferidas de Frank. As três canções, na gravação original e na versão de Drake, você pode baixar com grande qualidade aqui.

Nick Cave fez uma homenagem a Frank na capa de "Boatman´s Call", o disco que está na lista dos meus preferidos de todos os tempos.

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O rosto duro na foto preto-e-branca, com uma parede de tijolos ao fundo e um olhar entre o altivo e o melancólico para o lado esquerdo (para o passado?) revela mais que coincidência entre esses dois discos. Há quem possa ver referência também na capa de "New York", de Lou Reed. Quando Jackson C. Frank morreu, Reed disse que morria um dos seus heróis novaiorquinos.

Você pode conhecer um pouco mais sobre Jackson C. Frank em minha coluna de hoje na Dois Discos.

Falando em influências, Nick Drake impressionou bastante um jovenzinho naqueles fins dos anos 60. Reginald já tocava piano muito bem e estava prestes a adotar a alcunha pela qual passaria a ser mundialmente conhecido: Elton John. Há uma discordância sobre de quem foi a idéia, mas Elton John gravou quatro canções de Drake, ao piano, com arranjos sofisticados, no disco que ficou conhecido como "Nick Drake Sessions". Aqui você consegue três delas e aqui a outra, viu Ina e Yvonne?!

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Muito bem; e se você baixou todas essas canções e estiver precisando de mais algumas para queimar um cedêzinho lindo, clica aqui e baixe essas duas de Bambi Lee Savage. O que ela tem a ver com tudo escrito acima? Bem, ela é backing vocal da banda de Nick Cave e é produzida pelo Mick Harvey.

Olha só: todas as capinhas desse post são P&B!

(Minha coluna de hoje no TodoDia)

Há 10 dias estive no Centro Cultural SP, visitando a Primavera dos Livros, feira que reúne editoras de pequeno/médio porte. O bom de visitar uma feira dessas é que se pode encontrar coisas que não achamos em livrarias. Feira é para se perder por horas, gastar minutos lendo orelhas e sinopses na segunda capa, ouvir conversas em estandes - e encontrar coisas inusitadas. Pois na Primavera dos Livros encontrei o fantástico "Mamãe Eu Quero - Guia Prático de Alimentação para Crianças de Todas as Idades", da Sonia Hirsch. (Obs: leia um trecho aqui)

Jornalista das boas, daquelas que vão até o fundo, Sonia Hirsch escreveu para vários veículos, editou até histórias em quadrinhos. O interesse pela alimentação estava lá, mas foi necessário que ela tivesse uma giárdia, uma verminose intestinal, para que se lançasse de corpo e alma pela medicina oriental e ayuvérdica, pelas mais recentes pesquisas sobre alimentos e escrevesse mais de 10 livros sobre o assunto. O seu best-seller foi o "Manual do Herói", onde ela ensina o leitor a identificar os alimentos que lhe dão energia e os que subtraem. As temáticas muitas vezes inusitadas afastaram Sonia das editoras e ela abriu a sua própria, a CorreCotia (www.correcotia.com). Por ela, lançou, entre outros, "Deixa Sair", livro em que questiona nossa educação ocidental que ensina que é errado arrotar ou emitir gases e até defecar, gerando uma sociedade de intestinos presos com gente mau-humorada, enfezada (cheia de fezes) e doente. Em "Almanaque dos Bichos que Dão em Gente", ela faz o alerta para as parasitoses, verminoses e vírus de todas as espécies que continuam presentes, apesar de muitos se fingirem de cegos. Há 20 anos era normal se falar em "lombriga"; hoje temos a impressão de que essa palavra está proibida nos círculos médicos; parece uma doença do século passado. Um amigo meu começou a se sentir mal, procurou um médico e diagnosticaram uma espécie de tumor em seu fígado. Num exame para biopse o que encontraram foi uma pequena lombriga que havia se instalado ali. Segundo Sonia, casos como esse existem aos montes: tem gente morrendo de parasitoses enquanto os médicos receitam ansiolíticos ou caros tratamentos. Outro livro fundamental é "Só Para Mulheres", onde Sonia tem uma conversa franca e aberta com as mulheres sobre os assuntos mais cabeludos do chamado "sexo frágil". Mas não é um livro só para mulheres não, eu mesmo aprendi um bocado quando li. Esse "Mamãe eu Quero" traz receitas e informações importantes, além de alertas. Estamos numa época de drogas e as crianças aprendem, ainda ao colo, que para uma cólica o bom é um Luftal ou um Flagass - "temos sempre uma droga à mão, para a sua satisfação". O chazinho, a massagem, a compressa, acabam sempre encaradas como curandeirismo e as mães não se vêem esfregando as mãos, aquecendo as palmas e colocando sobre as barriguinhas dos nenês - é mais fácil aplicar umas gotinhas sobre a língua deles.

Eu tive a satisfação de conhecer Sonia Hirsch, almocei com ela em Limeira há uns anos, quando ela lá esteve proferindo uma palestra. É uma mulher que poderia liderar uma revolução, mas o espaço que tem permite apenas que ela aponte os caminhos; caminhos para poucos. Quem está interessado naquilo que coloca boca adentro? Quem está interessado naquilo que os filhos colocam boca adentro? E olhos adentro? E ouvidos adentro? Ninguém se importa, não é? E a qualidade vai sendo toda nivelada por baixo. A massa ignara segue comendo porcaria, ouvindo porcaria, lendo porcaria. Você é o que você consome, meu amigo.

(Fora do assunto, se vc é fã de quadrinhos, Sonia editou o famoso "Gibi" e aqui tem um texto dela falando sobre a experiência.)

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just one toque

Ér. Vou dar uma ajeitada nesses links aqui do lado, alguns blogs fecharam, outros mudaram de endereço, etc... E também vou tirar os links dos contos, artigos, resenhas de filmes, livros, etc... Vou tentar postar mais sobre livros no sublinhado e todas as terças tem um disco novo resenhado na Dois Discos. Em Dezembro, vai para o limbo todos os milhares de textos do Tiro&Queda.

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Não estou com tempo de ver filmes, por isso não tem rolado dicas aqui. O último que vi, by the way, foi "Totalmente Kubrick", onde John Malkovich dá um show, très guei, como Alan Conway, o cara que se fez passar por Kubrick em Londres no inícios dos anos 90. Dá pra ver sem prejuízos, embora eu estivesse esperando extras interessantes no DVD com imagens reais, etc..., e não tem extra nenhum na porcaria do disco.

o blog da gabi

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É isso mesmo! Minha ex-chefa, presidenta do meu fã-clube, uma das maiores anãs do Brasil, pessoa de cultura vastíssima, amiga querida, uma das pessoas mais fodonas que eu conheço, a Gabi, também conhecida como "A Elektra de Barueri" ou mesmo "A Ninja da Liberdade", acaba de estrear o seu mais novo lançamento, o blog Fogona Sentranhas. Atualizem seus blogrocknrolls com esse endereço e não perca os textos fodas dessa grande pequena amiga, ou pequena grande amiga, sei lá, tamanho não é documento. Pelo menos não nesses casos.
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Conheces Patti Smith? Ela vem ao Brasil e eu quero ver. Falei sobre em minha coluna de ontem no TodoDia. O texto tá láááá embaixo no link.

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Conheces Daniel Lanois? Produziu os grandes sucessos do U2 e vários outros grandes discos. Tem um trabalho solo, iniciado com "Acadie". Falei sobre ele no Dois Discos.

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Aconteceu no último sábado , no Centro Cultural São Paulo, o aguardado encontro "Bilboquê é Literatura, Literatura é Bilboquê?", reunindo alguns dos maiores nomes da arte do bilboquê, ops, desculpe, deixa eu escrever com maiúsculas senão alguém pode se chatear, Arte do Bilboquê, agora sim.

Coincidentemente, ou não por tanta coincidência assim já que muito foi falado sobre essa, digamos, peculiaridade, muitos dos Mestres do Bilboquê são também escritores. E, como se sabe, os escritores são todos oportunistas, adoram aparecer, então aproveitaram o encontro para venderem seus livros, fazer propaganda descarada de suas obras e até escarnecer dos livros dos outros. Tem escritor que é filho-da-puta, tá pensando o quê?

Eu saí de Americana por volta de duas da tarde com o Joaquim, um vizinho meu, maravilhoso travesti de 21 anos que está se iniciando aos poucos na Arte do Bilboquê. Por conta de nossa intimidade, eu o chamo de Kin - ou "Kyn", como ele prefere e assina os bilhetes de amor. Kyn também é uma referência velada a KY, a "pomadinha" preferida do moço. Aliás, é uma moça linda, o Kyn. Ele nunca havia estado em São Paulo e ficou maravilhado com as ruas largas, os bofes largos e o que ele chamou de "sabor amargo que emana das travessas concretas, só para citar Caetano". Não entendi o que ele quis dizer.

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Deixei o carro num estacionamento perto da rua Vergueiro e andamos uns quinze minutos até o tal Centro Cultural. Assim que chegamos pudemos ver um grupo grande de garotos jogando iô-iô, um esporte besta e próprio dos adolescentes que nada sabem sobre a magnitude do Jogo do Bilboquê. O iô-iô - permitam-me escrever assim -, é um jogo marasmento e solitário que consiste basicamente no fazer ir e vir um disco pequeno amarrado por uma corda. A pessoa joga com a própria mão, e fica naquele vai e vem. Até o jogador cansar o braço ou acontecer alguma epifania estranha. Um jogo solitário, enfim.

O Bilboquê, ao contrário, é um jogo onde a imagem do praticante está associada à uma série de arquétipos, dependendo, para o seu sucesso, de pelo menos de um observador. Muitos dizem que é um jogo infantil, onde basta enfiar o pau no buraquinho - mas somente essa descrição tosca já basta para demonstrar que não estamos falando de um jogo simples, mas carregado de simbolismos, especialmente os "pós-modernos" - embora eu, particularmente, ache que os símbolos pós-modernos não sejam muito bons para metáforas já que têm poucas curvas.

Enfim, alguns dos maiores Mestres do Bilboquês [o cartaz bilíngüe anunciava "Masters of Bilboke" (sic)] estavam no local para discutir o jogo e sua intrínseca relação com a literatura. Achei a montagem da mesa de debates bastante preconceituosa: apenas mulheres foram convidadas. O mediador, Marcelo Duarte, autor do Guia dos Curiosos (que tem um amplo capítulo exclusivamente para o Bilboquê), estava bastante à vontade. Na mesa, uma Bilboqueteira profissional, a Bruna Surfistinha, best-seller com seu livro da abordagem junguiana/esotérica sobre a Arte do Bilboquê; Rosana Hermann, experiente Ghost-Bilboqueteira, alguém que já colocou muita bolinha em cima do pau para outros levarem a fama; Índigona, uma mulher de várias vidas e estórias, que já foi até boneca-bilboquê - quando utilizou de seu corpo magricelo para "incorporar" um "bilboquê-humano" numa feira de variedades; e Ivana Arruda Leite, grande teórica do assunto, mas que nunca botou o pau no buraquinho.

O papo foi animado. Bruna se saiu muito bem, falando sobre a variedade de paus que já utilizou e o quanto isso se reflete na sua literatura, especialmente no uso de travessões. Rosana se destacou dizendo que já fez "tanto Bilboquê para os outros" que nem se lembra mais do "prazer que é executar a arte sozinha ou na companhia de meu marido". Índigona, para espanto da platéia, afirmou ter 73 métodos diferentes de "encaçapar"- palavra dela. Ivana, que acabou de publicar o livro "Falo de Bilboquê", explanou sobre como essa nobre arte pode ser utilizada pelas mulheres para conseguirem o que ela chamou de "liberdade total do falo".

Claro, lá estavam vários dos meus amigos, todos mestres, em maior ou menor grau, na Arte do Bilboquê. Eu sou um iniciante perto de Idelber ou Alex Castro, por exemplo. Alex fez uma excelente explanação que praticamente parou o evento. Ele discorreu longamente sobre a importância do silêncio no momento da finalização do encaixe. Foi aplaudido por mestres como o Inagaki ou o Doni. O Doni está se tornando um grande teórico no assunto, na linha da Ivana. Apesar de não ter longa prática no Bilboquê é capaz de palestrar com propriedade sobre o assunto. Inagaki busca uma nova "Tautologia do Bilboquê"; defende que o uso de barba aumenta a possibilidade de encaixe, por exemplo. Ele mesmo está ostentando uma charmosa barba e disse que conseguiu várias finalizações depois da iniciativa. "O casamento entre a barba e a técnica do 'som do silêncio' de Alex Castro irá proporcionar um novo espectro de realizações bilboquísticas para mim", acredita. Meio descrente e mais interessado em Literatura, lá estava também o Ian. "Apesar de não estar muito interessado, eu pratico o Bilboquê, tenho até um endereço na internet", afirmou, mas eu não entendi o que uma coisa tinha a ver com a outra.

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(Juju com seu Bilboquê preferido)

Amigas também lá estavam, grandes Bilboqueteiras Juju, Gabi e Pat. Todas as três estão em busca de novidades no ramo. Juju disse estar "em busca do Bilboquê ideal", Gabi quer o "Bilboquê mais lindo do mundo" - inclusive para tatuar num pequeno pedaço de pele ainda em branco, embaixo da axila esquerda; e Pat disse já ter encontrado o "Bilboquê perfeito", estando agora mais interessada nas "posições perfeitas para jogar". Mulher tem um lance tipo superior com esse jogo, entendem?

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(Aparelho da Bilboqueteira Belly, autora da fota e grande teórica sobre o assunto)

Meu amigo Kyn ficou maravilhado com todas as discussões & explanações sobre a Ancestral Arte, mas não demorou muito até encontrar um cara ali por perto que estivesse a fim de algo menos metafórico e mais metadêntrico - e sumiu por algum tempo. Fomos então verificar os estandes de venda de livros. Alguns amigos gastaram pratas, a saber: Ina comprou "Como Salvar a Terra e Ganhar o Mundo"; Doni levou "Embu", registro fotográfico de sua cidade, uma homenagem ao seu tio Oscar, dono da fabrica de placas mais famosa do Brasil, a "Embu Setas"; Gabi saiu com um exemplar da edição bilíngue de "Canções da Inocência e da Experiência", de Blake - mas menos interessada nos poemas e mais nas ilustrações: "um dia eu vou ter um outro corpo branquinho, todinho meu, para eu tatuar o que quiser!"; Alex adquiriu mais um exemplar dos "120 dias de Sodoma" sob o pretexto de estar "pesquisando novos horizontes sexuais que me deêm prazer e alimente meu discurso bilboquetístico". O Alex adora falar difícil, a gente sabe, mesmo quando quer apenas um fio-terra. Para os neófitos em Bilboquê, o mais indicado é o iniciador livro de Sérgio Klein.

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Lá no canto, a Ana Maria Gonçalves, autora do excelente estudo sobre a influência das cores do Bilboquê e a gênese do jogo pelos escravos africanos, ria sozinha vendo aquele bando de escritores e Bilboqueteiros nos cueiros. "Cresçam e apareçam, garotos!".

No Canto.

Depois dessas alegres horas de Bilboquê e Literatura, fomos todos encher as caras como alegres bárbaros que somos. Meu amigo Kyn já havia reaparecido, dessa vez com dificuldades para sentar. Achamos estranho.

Fomos para o bar Canto da Madalena, de propriedade do escritor e Bilboqueteiro profissional Dan Brown. Desavisadamente chegaram Bibi e seu namorado, André Takeda, e o agora internacional blogueiro André Kenji. Na sequência, a Alessandra e o Helder. O papo prosseguiu com os assuntos de sempre: Bilboquê, Drogas e Literatura. Ah, sim, também falamos sobre o eterno tema da importância dos fumetti na vida cotidiana. Gabi e Inagaki não se acertaram sobre o valor do Tex e de Dylan Dog.

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(Imagem roubada das Bilboqueteiras Que Dizem Ni)

A noite se alongava, o frescor paulista batia no sudeste do corpo e eu senti uma alegria estranha de viver. Aqueles caras eram todos malucos, um bando de dementes que eu não conhecia direito, mas que, paradoxalmente, conhecia há eras. Bastou para mim ter visto a Pat, por exemplo, jogar o Bilboquê umas duas ou três vezes para saber tudo sobre sua vida. É estranho. Eu tenho essa capacidade de observação. Eu pensei: "Eu amo essas pessoas!". Mas eu estava bêbado.

Olhei para o lado e o Doni estava tentando beijar meu amigo Kyn. "Joaquim!", alertei, "vamos embora, a Karen está sozinha com a Lia e temos uma longa viagem de volta até Americana". O Kyn, chateado por eu ter chamado-o pelo nome de batismo, levantou de pronto e "vamos!". Foi então que aconteceu o "pedido de carona do Doni".

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O Pedido de Carona do Doni

Bem, um intertítulo não serve para nada. Eu bem podia ter entrado direto no assunto, mas botei um intertítulo para vocês acharem que agora eu vou falar de algo especial - mas nem é.

O Doni precisava ir embora cedo pois no Dominho de manhã tinha que estar na Igreja Pentelhocostal de Embu, onde ensina princípios de Bilboquê para jovens evangélicas de 18 anos. Uma coisa bem teórica, mas que dá grande prazer ao amigo.

Quando o Doni pediu, senti um calafrio na espinha. Ir até Embu, centro nervoso do PCC, em meu Uno 94 Vinho Furado Por Tiros, não parecia ser uma boa idéia. Ainda mais acompanhado por um traveco lindo e um Bilboqueteiro gordo de cavanhaca ridícula. Fiquei nervoso. Pensei em subir na mesa, sacar meu spray de pimenta do bolso, espirrar nos olhos de todos e fugir cantando "Babalú, Baba Baba Babalúúúúúú". Só iriam me achar umas semanas depois em Juquiti do Norte, Sergipe, em companhia do Rafael Galvão, tomando sorvete de cupuaçu em companhia de duas nativas totósas - e eu diria que não me lembrava de nada, estava berbo, like Mel Gibson.

Ai, ai.

Mas se um amigo pede, você faz o quê? Me diga? Se um amigo pede: "por favor, chupe minhas meias usadas", você vai fazer o quê? Vai chupar, é claro. É para isso que servem os amigos. E na noite de Sábado eu teria preferido que o Doni me tivesse pedido para que eu chupasse suas meias lilazes ao invés de pedir que eu o levasse até Embu. Como todos sabem, além de Embu ser a sede secreta subterrânea do PCC, é também o pêlo do cu do mundo. O cu do mundo fica em Taboão da Serra.

É foda.

Mas não tive como dizer não. Amigos, etc...

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(O Doni e o Kyn. Veja a cara de mau do homem. Digo, do homem da esquerda)

Assim que pagamos nossa parte na conta e entramos no carro a coisa piorou: o Doni não sabia como sair da Vila Madalena (também de propriedade de Dan Brown - esse cara tá pegando todas as fatias de mercado) e chegar em Embu. Ele usou então sua indefectível tática apreendida no único livro que o experiente Bilboqueteiro leu em toda sua vida: "O Gênio do Crime"; a tática de seguir o ônibus.

Foi difícil localizar um ônibus que fosse para Embu, encontramos um próximo ao Largo de Pinheiros. E passamos a seguí-lo. Nativos de Taboão e Embu que estavam dentro do coletivo sacaram armas e ficaram em alerta para nos alvejar, transformar nós três em pedaços mortos de presunto, manchetes no Notícias Populares do dia seguinte. Eu sei, não existe mais o Notícias Populares, mas não pude evitar.

"Fiquem tranquilos, o pessoal desse ônibus não usa armas automáticas", tentou amenizar o Doni.

Depois de três horas e meia de tensão seguindo o busão, chegamos à um ponto perdido entre Taboão e Embu, um ponto que nem Rod Sterling conseguiria imaginar. Ali eu parei. Eu olhei para o alto e nuvens vermelhas choviam gansos. Vacas malhadas passavam ouvindo iPods. Embaixo corria um rio de lava amarela. Kyn ficou confuso. Eu estava acostumado. Embu foi fundada por hippies e já se fumou tanta maconha no local que os ares têm poderes alucinógenos. Uma placa azul no horizonte apontava a rodovia dos Bandeirantes a 3 kilômetros. "Doni, eu prezo nossa amizade, mas você vai ficar aqui; tenho que ir embora desse local antes que sinta uma vontade irrefreável de cursar quatro anos de psicologia, como você". O Doni é insensato, mas reconheceu que seria terrível. Demos um abraço e ele passou a mão na bunda do Kyn.

Essa vida não presta.

Respirei e pisei fundo. Três quilômetros depois estávamos na Bandeirantes. Agora era só chegar em Americana. Inadvertidamente, Kyn tirou da bolsa um belo Bilboquê vermelho e colocou-se a treinar. Eu disse que com o carro em movimento não era legal, não era o melhor local para se Bilboquetear. Ele não ligou. Ele está se especializando. Posso arriscar que em poucos anos será um dos melhores Bilboqueteiros do Brasil. Quem sabe não será convidado, no futuro, para uma mesa com a Bruna, Rosana, Ivana e Indigona? Ele só terá que mudar o nome para Kynana, já que todas as Bilboqueteiras convidadas para esse tipo de evento devem ter o nome finalizado por "na".

Esse é mais um mistério desse vasto universo Bilboqueterístico.

Pois é, mais uma Primavera dos Livros chegou. No ano passado o evento aconteceu em Novembro, teve o lançamento do Blog de Papel e um encontro BÁRBARO entre amigos blogueiros em Sampa. Foi massa.

Em minha modesta opinião, o evento (que neste ano acontece no Centro Cultural São Paulo) podia ser melhor divulgado & estruturado, já que parte da excelente idéia de reunir editoras pequenas para debates, atividades, lançamentos e vendas com preços promocionais. Mas nada é perfeito. No Sábado, 17h, tem o eterno debate "Blogs e Literatura". A chamariz é a Bruna Surfistinha. Daniel Piza ironizou a presença da moça no evento. Muita gente boa em Sampa podia ser convidada para debater o assunto, isso é fato.

Eu, Idelber e Doni estaremos lá, no debate. Ou do lado de fora do debate, trocando abraços e batendo papo. O Inagaki, me parece, também vai - mas, esperto, acho que estará conferindo as promoções da Barracuda.

O lance é, lá pelas 19h30, pegar todo mundo e ir até o nosso já recanto "O Canto da Madalena", barzinho cool, de chopps gelado. Reza a lenda que o Alex lá estará.

Muita gente disse que vai. Se estiver tempo bom, sem chuva, devo despencar em Sampa com a família completa. Se não, vou solo.

Não pude ir ao lançamento do livro da Ana, "Um Defeito de Cor", em Sampa pois foi exatamente no dia em que Lia completou dois meses e teve que tomar algumas vacinas que a deixaram chatinha. Mas já está tudo lindo. Ana, beijão.

Quem vai Sábado?

grindhouse!

Quem é foda é foda e Quentin Tarantino é foda. Robert Rodriguez não é foda, mas tem uns amigos fodas que dão altas forças para que ele também execute algumas fodices. Ambos os dois estão produzindo a mais nova criação comunitária desde "Um Drink no Inferno" - ou "Sin City", se você preferir. Chama "Grindhouse" e é uma homenagem aos filmes de terror de episódios ou mesmo aos filmes seriados das décadas de 50/60. "Grindhouse" será composto de dois filmes de pouco mais de uma hora cada, com um intervalo no meio para comprar pipoca, beijar, fazer xixi. O primeiro episódio é "Planet Terror", de Rodriguez, o outro é "Death Proof", de Tarantino. Podemos esperar sangue, cenas cool, trilha sonora sinixtra... E outra novidade: os dois filmes apresentam trailers falsos, de filmes inexistentes. Legal!

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"Planet Terror" lida com um ataque de zumbis e tem Rose MacGowan na dianteira. Pelo cartaz, parece que Rodriguez assimila um pouco do imaginário de Frank Miller, mas pode ser pista falsa.

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Em "Death Proof", a arma mortal de um serial-killer é seu próprio automóvel. O elenco tem Kurt Russell, ícone dos filmes B de Carpenter, Zoe Bell e Rosario Dawson, outra referência a Sin City, vai dizer?

"Esse é o meu próximo filme, esse é o próximo filme de Robert", disse Tarantino.
(Ah, sim, eu fiquei sabendo sobre esse lance lá no Blog da Fer. Tem mais um cartaz massa lá.)

Biajoni diz:
faz três noites que sonho com carro debaixo d´água...
Biajoni diz:
que será que significa?

Nelson diz:
Junguianamente falando, é sua estrutura psicomotora querendo voltar ao útero, denotado pelo líquido amniótico.

Biajoni diz:
será?
Biajoni diz:
achei que estava só preocupado com o fato de estar sem seguro.

Nelson diz:
Claro que não. Cê vai acreditar em minhas interpretações oníricas? Tá doido??

Biajoni diz:
mas é sério.
Biajoni diz:
num sonho um carro veio correndo, entrou no mar e atropelou um amigo que estava na água.
Biajoni diz:
em outro eu estava andando com o carro debaixo d´água, como no filme "peixe grande".
Biajoni diz:
e ontem sonhei que caí com o carro numa piscina.
Biajoni diz:
o que quer dizer, doutor?

Nelson diz:
Ué, eu insistiria no sistema psicomotor, desejando uma volta ao útero materno denotado pelo líquido aminiótico, uma vez que o excesso de estresse dos últimos dias, seja o medo dos ataques do PCC, seja a responsabilidade pelo nascimento da Lia, induziu o sonhador a querer um porto seguro retroativo, como asseguraria Jung em "O Homem e Seus Símbolos..."
Nelson diz:
Mas eu mesmo não acreditaria numa só palavra disso.

Estaria o Almirante certo? Qual o seu palpite?

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verde vale

(Na minha coluna de ontem no TodoDia)

Li com interesse a boa matéria de Cristiani Custódio no Caderno Z de sexta-feira, onde se fala sobre os 25 anos do "Som do Verde Vale", evento que aconteceu por oito anos na praça Rotary em Americana. Como morei os primeiros 15 anos de minha vida a dois quarteirões dessa praça e acompanhei todas as edições do festival, queria comentar algumas coisas - sobre a matéria e sobre algumas declarações nela.

Primeiro, uma observação sobre a praça: ela mesma é um símbolo de transformação, um maravilhoso exemplo de integração urbanística. Naquele local, no final da década de 70, havia uma grande pedreira abandonada e sobre ela, aproveitando suas arestas e deformações, é que foi "moldada" a Praça Rotary. Tenho uma ligação afetiva inegável com o local, é claro, já que foi lá que brinquei minha infância/pré-adolescência; mas posso afirmar, tendo visitado várias praças, algumas fora do País, que a Praça Rotary é uma das mais belas e interessantes. No Brasil temos uma idéia de que praça é local para vagabundos ou obscenidades; que não se pode pisar na grama... Em outros locais não é assim; praça é lugar para descanso, lazer, namoro. Nas famosas praças argentinas as pessoas almoçam sentadas na grama, estendem toalhas e lancham, fazem a "sesta". No período em que morei próximo, a Rotary era assim: as crianças escorregavam pelas ladeiras em caixas de papelão, existiam competições de rolimã que levavam famílias inteiras até o local e havia... o Som do Verde Vale. Bandas reuniam-se para tocar de maneira descompromissada, pessoas sentadas por toda praça, um clima "woodstockiano", com carga e mensagens ecológicas.

Vejo o amigo Marcel Barbosa na matéria, dizendo que chegaram a distribuir mudas de árvores. E adiante, também na matéria, o também amigo (e ex-patrão) André Bastelli, dizendo que os tempos eram outros, que havia mais poluição e o momento político de abertura casava bem com o evento. É verdade, mas se os tempos são outros não pode ser menor a preocupação ambiental e a conscientização política. A poluição não é menor hoje, como acredita Bastelli, e estamos em tempo de eleição. E o simples "revival" do Som do Verde Vale sem essas questões na pauta corre o risco de ser somente o encontro de velhotes saudosistas, acomodados com a situação geral; yuppies surgidos onde antes haviam hippies preocupados.

A volta do Verde Vale tem que ser carregada de indignação juvenil, energia transformadora, inconformismo - ou irá parecer Joe Cocker cantando pela milionésima vez "With a little help from my friends" com voz já enfraquecida, parecendo uma cópia de si mesmo, no aniversário de Woodstock - edição que, por sinal, registrou altos indíces de violência, acabando definitivamente com o sonho americano de reviver os anos dourados de festivais ideológicos de música, paz & amor. Tem que haver alguma ideologia por trás do Som do Verde Vale, ou não irá funcionar. E precisa também do apoio do poder público, como houve nas outras edições. É um evento arriscado, mas que tem tudo para dar certo. Quem está à frente do "revival" deve contatar novos talentos da cidade, dar a outros os votos que tiveram nas edições de outrora.

Ou, mais uma vez, a cidade de Americana irá mostrar que, nos últimos tempos, a saída para amenizar a sensação de marasmo está em tão somente olhar para o passado. Lá aconteciam coisas bem interessantes por aqui.

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john cale

O primeiro disco que comprei na Amazon foi "Vintage Violence", a estréia solo de John Cale, a outra face da moeda criativa do Velvet Underground. Lançado em 1970, "Vintage Violence" agradou apenas uma parte da crítica. Muitos esperavam que o trabalho solo de Cale fosse experimental e cheio de esquezitices; a impressão que todos tinham sobre sua função no Velvet. Ao contrário, o disco se mostrou um apanhado de canções de estilos variados, com interpretação segura e um pé no pop. O disco matou Lou Reed de raiva & inveja e ele (Reed) acabou produzindo "Transformer", seu segundo disco, com intenção de fazer algo melhor que Cale. A tensão criativa entre eles fez o Velvet ser o que foi e movimentou a carreira solo de ambos. Mas enquanto Reed se apressava para lançar um disco melhor, Cale já estava em outra. Espírito inquieto, lançou em 71, o instrumental "Church of Anthrax", quase um dueling-pianos enérgico entre ele e o amigo Terry Riley. Que chatice!, pode pensar o leitor que desconhece Cale. Eu peço que você procure por aí por "The Protege", uma das músicas de "Church of Anthrax" e me fale o que achou.

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Em 72 e 73 vieram dois ábuns luminosos, "Academy in Peril" e "Paris 1919" - ambos apontando para um caminho que parecia ser o perfil da obra de Cale solo: a mistura entre o erudito, o experimental e o pop. Mistura entre instrumentos do início do século XX, elementos eletrônicos e fórmulas prontas de "melodias para assovio". Ledo engano: em 74 aparece "Fear", um disco punk, associação do músico com Phil Manzanera e Brian Eno. Pela história do músico e por essas associações, você pode concluir que não é um punk básico, não é guitarra e bateria mal tocados. Não. É um disco punk na raiva e no entusiasmo criativo, com piano e tudo. Ouça "Fear is Man's Best Friend". A convulsão da confusão sonora veio em 75 com "Slow Dazzle" onde o ponto alto é sua versão para "Heartbreak Hotel", famosa na voz de Elvis.

Convulsionado, acelerado, lançou "Helen of Troy" ainda em 75. Pinta um quase-sucesso com "Pablo Picasso", canção emprestada do amigo Jonathan Richman (e regravada por Bowie no recente "Reality"). A (auto) observação de que Cale tinha "mão boa" para produção fez com que ele fosse convidado e aceitasse produzir uns discos naquele ano. Produziu "Horses", da Patti Smith. Se ele tivesse morrido em 76, seria eternamente lembrado por seus discos e pelos que produziu até então. O que se seguiu foram 5 anos de produção de discos de outros artistas, turnês, lançamento de compilações... Nas turnês, parrcia estar sempre maluco, quebrava coisas, usava máscaras variadas, chegou a matar uma galinha no palco, na imitação de um ritual africano. Em 1981 reuniu alguns dos melhores músicos de estúdio de Nova Iorque e lançou "Honi Suit...", mostrando que estava em forma, ouça "Dead or Alive", o single. Eu realmente gosto de "Honi Suit" e o próximo disco de Cale, "Music for a New Society", de 82, cheio de comentários políticos, que é considerado um de seus melhores trabalhos, eu acho terrivelmente chato.

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E aí me divorcio de Cale.
Dele tenho apenas "Wrong Way Up", de 90, disco parceria entre Cale e Eno, que achei em uma promoção em edição nacional - mas não devo ter escutado mais que cinco vezes.

Também de 90 é "Songs for Drella", colaboração tardia entre os dois cérebros do Velvet Underground para construírem a primeira biografia musical (musibio) da História, a de Andy Warhol. É um ótimo disco.

Cale passou os próximos 15 anos fazendo álbuns que não me chamaram a atenção, trilhas para cinema e até para comerciais. Quase não me lembrava dele quando vi "black Acetate" aparecer na lista de melhores discos no ano passado. Uma amiga ouviu e gostou muito. E me mandou o disco. Obrigado, Gabi. A resenha do disco novo está no "Dois Discos".

como adoro terrivelmente o Raul Seixas. E você? Qual sua canção preferida?

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dois discos

Um velho insano, nostálgico e babão (eu) e um jovenzinho talentoso (Renmero) montam um blog para falar de dois discos por semana. O velho vai falar daquelas coisas empoeiradas e obscuras, tentar mostrar algum conhecimento besta sobre álbuns que vivem apenas no éter do pensamento de saudosistas embengalados. O jovem vai trazer novidades e mostrar que o velho é mesmo caquético, pura caricatura de si mesmo. Talvez o blog valha algumas risadas.

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Botem nos favoritos o Dois Discos.

Os contos mais famosos de Borges são aqueles fantásticos que dão a impressão que o autor tomou algum ácido forte antes de escrever. Um ácido que lhe atiçasse a mente, mas que não atrapalhasse a lógica e o encadear das palavras. Por esse tom e tema lisérgicos, esses contos fizeram sucesso nos anos 70, especialmente entre os hippies. Paulo Coelho e Raul Seixas idolatravam o escritor, tendo usado o método borgiano em algumas letras e mesmo deixando pistas sobre isso. O uso de oxímoros também delatam a "influência". Em sua carreira de escritor popular, Coelho se aproximou de Borges na escolha por temas e paisagens orientais, caras ao autor argentino. Não à toa, o último livro do brasileiro leva o nome de "O Zaphir", idêntico a um desses famosos contos mágicos de Borges. Livros de Coelho fascinam alguns leitores com pendores místico-filosóficos, neo-hippies.

Como costuma acontecer, contos fantásticos de autores muito lidos, famosos em sua época ou posteriormente, muitas vezes acabam sendo idolatrados demais; muita gente acaba vendo neles, nas entrelinhas, antecipações, previsões. Livros de Julio Verne e H. G. Wells, entre vários outros, muitas vezes escritos para pura diversão, acabam servindo para que "analistas" se debrucem, procurando evidências de os autores tinham visões privilegiadas do futuro. O mesmo acontece com o conto "A Biblioteca de Babel", de Borges, onde muitos viram uma "antecipação da internet". Eu não sabia disso quando dei nome à "Síndrome da Biblioteca de Babel", que fala da ansiedade ou apatia do internauta diante do diário e crescente, complexo e, talvez possamos dizer, infinito universo de informações (especialmente produtos culturais) disponíveis na rede e, especialmente, da inabilidade deste mesmo internauta de usufruir desses produtos.

No conto em questão, Borges empenha-se em descrever o universo "que outros chamam a Biblioteca", como "um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais" com um poço de ventilação no meio e escadas que levam a infinitos andares acima e abaixo repletos de livros. "A Biblioteca é uma esfera cujo centro cabal é qualquer hexágono, cuja circunferência é inacessível" - falaí se o velhinho não tinha lambido uns selos?

Cuidadosamente ele descreve esse universo imaginário, falando sobre quantas estantes existem, quantos livros em cada estante, quantos símbolos ortográficos (vinte e cinco: o alfabeto, o ponto e a vírgula e só), mas, especialmente, não fala sobre a "importância de se ler" ou trata da Biblioteca como "reduto de saber". Antes: fala de livros de onde não se pode apreender nada, como o estranho livro que encadeia em páginas e mais páginas as letras MCV, repetidas continuamente. "Outro [...] é um simples labirinto de letras, mas a página penúltima diz Oh, tempo tuas pirâmides. Já se sabe: para uma linha razoável ou uma correta informação, há léguas de insensatas cacofonias, de confusões verbais e de incoerências". Borges, bibliotecário que não era fã de romances caudalosos (só escreveu contos e poemas), parece criticar a prolixidade, o exagero e mesmo o misticismo demasiado na literatura. Ele desdenha em "A Biblioteca de Babel"de "livros impenetráveis", tidos como sagrados. Sim, o trecho que selecionei pode ser aplicado à internet e esses outros parecem apontar para a "Síndrome da Biblioteca de Babel":

"Quando se proclamou que a Biblioteca abarcava todos os livros, a primeira impressão foi de extravagante felicidade. Todos os homens sentiram-se senhores de um tesouro intacto e secreto."

"À desmedida esperança, sucedeu, como é natural, uma depressão excessiva."

Foi um choque para mim reler o conto dia desses e encontrar esses trechos, ou algo como "[alguns] pegam o livro mais próximo e o folheiam à procura de palavras infames. Visivelmente ninguém espera descobrir nada".

Não creio que Borges tenha antecipado a internet com o conto, mas as questões levantadas em "A Biblioteca de Babel", por um estranho viés onde o fantástico encontra o real, parecem ser essas mesmas atuais, sobre nossa interação com o conteúdo disponível na grande rede.
E questionar não é ser nostálgico ou reacionário.

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O articulista da Folha, Nelson Ascher, na Ilustrada de 7 de Agosto, fala sobre a Abebooks, um site "para o qual convergem alfarrábios e antiquários do mundo inteiro", onde se pode achar versões históricas de livros esgotados ou não, como um "D. Quixote" de Cervantes ba-ra-ti-nho. Ascher fala da dificuldade de antes para se encontrar um livro esgotado na internet. Hoje, achamos de tudo!

Ascher, direitista anaeróbico (como diria Hermê), só vê benefícios nessa maravilha - e conclui: "Tal convergência planetária de sebos, inimaginável há poucos anos, ilustra, através de seu sucesso, a proliferação de oportunidades geradas pela interação econômica e comunicativa da humanidade, um processo aparentemete inesgotável que, ocorrendo diante dos nossos olhos, surpreende-nos, a cada dia que passa, com sua criatividade. Esse processo chama-se globalização. A globalização, resultado da interconexão progressiva de mercados apoiada em meios revolucionários de comunicação, malgrado não cessar de ser combatida pelos retrógrados e nostálgicos que habitam todos os extremos ideológicos, continua a solucionar problemas antigos, multiplicando bens e serviços e dando mais alternativas seja aos consumidores, seja aos cidadãos. Esse processo faz jus, portanto, a outro nome também: democratização."

Sim, termina triunfante o artigo de Ascher. Queria comentar alguns trechos. Começando pelo fim, Ascher deve acreditar que todo mundo tem internet nesse Brasilzão de Meu Deus. Estou para receber dados novos sobre isso, mas a média nacional é de 10% - e isso, para mim, não é "democracia". A falta de política de inclusão digital (a famosa "dedada") está na pauta do dia em Brasília e é herança de FHC que abriu para que grupos estrangeiros viessem para o Brasil ligar cabos. Incrivelmente, esses cabos de TV e banda larga são ligados em bairros nobres, condomínios fechados - não existem ações que mirem pobres & carentes.

A ANATEL deveria exigir um cronograma para cabeamento que incluísse os bairros pobres. E também podia exigir que essas ricas empresas montassem centros de acesso gratuitos à internet para a população carente. Aí talvez começássemos a falar em alguma, ér, "democratização".

Quando Ascher fala em "interação econômica" eu quase sinto como se minha moeda de um real valesse um dólar. Faça-me um favor! E, adiante, quando se avilta dos grandes benefícios do tal sebo planetário, eu coço o bigode e me pergunto: benefício para quem? Para o acadêmico, para o doutor, para o esnobe que quer comprar um livro que só se encontra ali e botar na mesinha da sala?

Não quero parecer maluco, eu que adoro livros, dizendo que não é muito, muito, muito legal que exista um sebo virtual como esse. Eu só, hoje em dia, não consigo ter esse entusiasmo todo do Ascher. Tem muita coisa para se ler, muitos livros impressos, muitos livros virtuais, livros novos a cada mês, essa biblioteca de crescimento incessante que é a internet... Estaremos, eu e Ascher, com sintomas contraditórios da "Síndrome da Biblioteca de Babel": ele, eufórico; eu, apático?

A internet, cada vez mais, me parece um universo paralelo - e tão maluco quanto o conto de Borges. Uma biblioteca fútil, com um porteiro de uniforme com ombreira com franjas que impediria qualquer visitante pobre de entrar. Esse porteiro podia ser o Nelson Ascher.

(Em minha coluna de ontem no TodoDia)

Existem 50 milhões de weblogs (ou somente "blogs") no mundo. Se você não sabe o que é um blog deve ter passado os últimos dez anos em Marte. Os "diários virtuais" na internet começaram como uma diversão infanto-juvenil; mas a ferramenta era boa demais para ficar na mão apenas da galerinha que contava fofocas, agitava briguinhas e escrevia sobre a angústia de não ser mais nem criança e nem adulto. Sim, ainda existem blogs assim. É possível que seja a maioria deles, mas hoje o blog é um veículo importante para a expressão de artistas, livre-pensadores, jornalistas... Ou de quem mais queira se expressar. A grande mídia está descobrindo agora os blogs; tanto a revista Exame como a Veja já fizeram matérias. Na semana passada foi a vez da revista Época botar os blogs na capa com texto interessante, bons endereços de referência. Parte da matéria pode ser conferida no site da revista (revistaepoca.globo.com), onde se pode conferir um interessante "25 Grandes Momentos da Blogosfera Brasileira", de autoria de um dos maiores blogueiros do País, o jornalista Alexandre Inagaki (pensarenlouquece.com).

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(Inagaki, eu mesmo e Milton Ribeiro num boteco em Sampa)

Na tal "blogosfera" existe uma brincadeira que diz que quando o adolescente completa 16 anos o pai antenado o pega pelo braço e diz: "Agora está na hora de você começar a ler o Inagaki" - meio como uma espécie de "desvirginamento virtual" do jovenzinho. O Ina, como é mais conhecido, escreve sobre cultura pop, memorabilia televisiva e também faz digressões, poesia, lamentos. Ele se dá esse direito; o blogueiro deve ter personalidade e escrever sobre o que está a fim - não existem regras, padrões ou patrões. Por esse motivo, o suporte "blogs" é o que se conhece de mais subversivo para o artista, para quem gosta de escrever, para quem quer se expressar. A falta até mesmo de uma legislação específica para a internet faz com que blogueiros tenham mais liberdade do que teriam em qualquer outra mídia. A facilidade (montar e cultivar um blog é fácil) e a linkania (um blog linka o outro, criando comunidades que se autoprotegem) faz com que as qualquer pessoa possa ter um veículo como esse, com bom acesso. Em Americana, por exemplo, existem alguns bons blogueiros.

Para ficar em cinco exemplos: Felipe Gava Cardoso (blogdogava.blogspot.com) é sociólogo e começou a postar excelentes textos recentemente; vale a pena ler e comentar. O editor de cultura do TodoDia, Gustavo Brigatti (zipernaboca.blogspot.com) mantém o "Zíper na Boca" com os excessos do que escreve para o jornal e umbiguismo. A Mariana (senoritaeme.blogspot.com) usa o psudônimo "Senhorita Eme" para reclamar da vida e escrever com propriedade sobre os livros que lê. Denis Guimarães (essemundodemeudenis.blogspot.com) alimenta o seu "Esse Mundo de Meu Dênis" com observações sobre futebol e seu cotidiano de homem bonito. A jornalista Núria de Oliveira (nuvensdepalavras.blogspot.com) coloca suas impressões sobre música e devaneios no seu "Nuvens de Palavras". Comece por esses e siga os links que existem neles; conheça o que estão pensando alguns blogueiros americanenses. E comece você mesmo a pensar em um blog. É ótimo como terapia, não exige muito, é de graça e te faz conhecer pessoas. E se você estiver pela rede buscando alguma interação, passe lá no meu blog: www.verbeat.org/blogs/biajoni.

Bebericando com uns amigos no final de semana e eles começaram a falar de textos meus que estão por aí na internet desde 2001 marromenos, jogados no limbo. A partir de uma falta absurda do que fazer nesse início de tarde compilei alguns links e separei por assuntos - os links estão aí ao lado.

Não sei se alguém terá interessante ANTROPOLÓGICO de visitar meus textos velhos sobre alguns livros, filmes, discos. A maioria foi escrito em calores-de-momento, com muitos erros, não reviso meus textos de internet. De alguns tenho particular orgulho. Pelo menos quando os parcos leitores desse blog vierem até aqui e não encontrarem nada de novo, têm onde fuçar.

Aproveitem que é por tempo limitado.

demorou

Ontem à noite um Gol bolinha com três ou quatro caras, por volta de nove da noite, passou lentamente em frente à emissora de TV onde trabalho, a TV Jornal de Limeira. Dois dos caras sacaram armas e dispararam várias vezes contra a emissora, quebrando vidros, furando paredes... Foram mais de 15 tiros. Por sorte, o porteiro não estava em seu local habitual. Excepcionalmente também, dentro da emissora só estava o operador de master, em uma sala lá nos fundos. Ele ouviu os tiros e se atirou no chão.

Enquanto isso esse irresponsável Secretário de Segurança (sic) fica dizendo uma besteira atrás da outra, e o Lembo - o homem-que-não-queria-ser-governador - continua exercendo seu dolce far niente.

Meu exercício de futurologia: não vai parar, mais gente vai morrer.

dimais!

Deu na Veja. Quem me alertou foi a Isabela Menezes e o Cristian Vieira. Tocador digital de vinil. Ah, fala sério! Que coisa mai linda! Eu quero um!

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O preço é salgadaço: mais de 10 mil dólares.
Informação interessante na Veja: no ano passado venderam 3,2 bilhões de CDs no mundo, contra 3 milhões de discos de vinil. Impressionante, vai dizer?

Aqui um textinho sobre o tocador em português e um post do Boing Boing aqui.

a carol é má

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Ela me mandou por e-mail. Darth Vader do Bia. Blé!

(Minha coluna dessa semana no TodoDia)

DAR "VALE CD" NÃO VALE

Eu adoro dar e receber CDs de presente. Seja em aniversários, Natais, finados. Não importa, CD é sempre uma delícia. É muito melhor que livro. Livro é uma coisa muito pessoal, tem que ser a gente mesmo para comprar. E o livro dá para ser "usufruido" por apenas uma pessoa de cada vez. CD é sociabilizante, como maconha: a gente bota na roda e todo mundo se diverte. Livro é cocaína: fica só um lá se divertindo e depois procura alguém para conversar, angustiado querendo contar a história que acabou de ler. Um saco.

O livro depende muito do nosso astral para ler. Eu tenho fases em que gosto de romances chulos e, em outras, quero filosofia densa e profunda. É muito difícil o camarada acertar um livro para me dar. A pessoa tem que conviver comigo, saber das minhas oscilações. Com CD isso não acontece. Basta saber que estilo de som eu gosto — e eu gosto basicamente de rock —, basta tomar por base alguns dos artistas que eu gosto (Lou Reed, Dylan, Bowie...), ser levemente ousado. Sim, a gente tem que comprar um CD específico e confiar que o presenteado vá gostar. Dar um CD significa dizer "olha, eu teconheço bem o suficiente para saber que você vai se amarrar nesse som!". Não vale dar "Vale CD", pelo amor de Deus! O "Vale CD" é a maior prova da incapacidade da pessoa em presentar; uma confirmação de que quem oferece o presente não sabe a mínima sobre o presenteado, não esté nem aí para ele. Nunca, em toda sua vida, dê um "Vale CD" - é melhor não dar presente algum.

E é um porre receber "vale CD", vai dizer? A pessoa te dá um pacote embrulhado, no formato de um CD e, ao abrir, você vê uma caixinha vazia, aquela expressão de frustração vinda lá do fundo do seu ser, o sorriso amarelo de "obrigado". O "Vale CD" é um "não-presente". E temos que dizer do impressionante trabalho que temos depois, de ir até a loja para trocar o "vale". Você chega na loja, procura e encontra o disco que quer, é um duplo importado que custa mais de 100 reais... mas o seu "vale" não vale para ele; seu vale é de apenas vinte reais! Dá pra levar, no máximo, uma coletânea do Kleiton e Kledir. A pergunta: por que alguém te dá liberdade de escolher se, de verdade, você não pode escolher?

É sacanagem alguém dar um "Vale CD". Eu sempre penso: "Pô, fulano não podia ter sido ousado e me presenteado com algo legal, original, surpreendente?". Já ganhei um disco do Pet Shop Boys, do Ministry e até do Antonio Carlos e Jocafi. Prefiro assim. Quando acontece um disparate podemos trocar o próprio disco que ganhamos - aí pelo menos estamos trocando uma coisa nossa, não algo impalpável ou indefinido, como um "Vale CD".

Eu adoro dar CDs e nunca dei um "Vale CD". Prefiro errar a assinar esse atestado de incompetência. Creio que tenha acertado na maioria das vezes. Na verdade, lembro de um grande erro: foi quando eu dei o CD da Lan-Lan e os Elaines para a minha filha. Acho que ela nem tirou do celofane, até hoje.

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Fota feita pelo Nababu no lançamento de "Um Defeito de Cor", livro da linda Ana Maria Gonçalves, onde se vê três blogueiros gordos fêos. É nada, o Bruno tá lindão! Lindo MESMO!

dois links

- Fábio Cavinatto é um limeirense que mora em Campinas (mas não bebe a água de lá, ele diz), amigo virtual de longa data - e nunca deu certo de nos encontrarmos pessoalmente. Em 2003 eu tinha algumas idéias para livros aqui no meu sótão e sabia que a maioria delas nunca ia se concretizar. Tive então uma outra idéia: criar uma editora fictícia, chamada "Livros Possíveis"; criar capas para esses livros nunca escritos, escrever plots, tramas, e resenhas, espalhar tudo pela internet de maneira aleatória. Seria uma ação cultural-subversiva, artística-crítica, intelectual-narcisística baseada em Duchamp e Borges. Eu era maluco. E o Fábio Cavinatto entrou na maluquice, criando as capas. O projeto morreu e as maravilhosas capas para meus livros-nunca-escritos ficaram na obscuridade - pelo menos até agora. Em seu blog ele coloca a capa de um dos "Livros Possíveis" e o resumo do que o livro poderia ser se eu o escrevesse. Em breve colocarei aqui outras capas e um pouco mais sobre essa idéia que, passados 3 anos, ainda me parece atraente.

- Falando em livros, outro limeirense, Flávio Prada (que diz morar na Itália, mas na verdade reside no Jardim Nova Itália) escreveu a mais hilariante resenha sobre meu livro (real), "Sexo Anal". Vale a pena ler.

papinho massa

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A jornalista Ana Marson, do TodoDia, bateu um longo papo comigo sobre várias coisas e botou um recorte da entrevista no jornal, edição de domingo passado. A Ana é ótima, super simpática, e quase não anota, no melhor estilo Truman Capote. Hehehe. Beijão Ana, e obrigado pelas palavras. Você pode ler aqui, o lance está láááááá embaixo na página.

Na Síndrome da Biblioteca de Babel, o sujeito tem computador, conexão banda larga, informação e praticamente todos os filmes e canções do mundo ao seu alcance. Esse sujeito é uma pequeníssima parcela da população. Ele tem essa infindável prateleira e, em alguns casos, a ânsia de absorvê-la; fica baixando tudo e mal tem tempo de ver/ler/ouvir qualquer coisa com calma, absorver de fato. Muitas vezes também, baixa alucinadamente tudo achando que, dessa maneira, pode dizer que tem/conhece o "produto". Em outros casos, o sujeito, sabedor dessas possibilidades todas, fica apático. Ele não vai procurar o último disco do fulano que ele gosta, já que o disco está lá e ele baixa "noutra hora", ouve quando tiver tempo. E quase nunca tem tempo, enquanto a Biblioteca vai crescendo infindável.

Para contextualizar, em meu texto sobre o assunto, citei exemplo de antigamente, quando comprávamos os discos de vinil - havia poucos títulos a disposição, era caro, etc..., mas a gente comprava e prestava atenção àquilo.

O professor Idelber Avelar, fez post falando do assunto, definindo a Síndrome de Robinson Crusoé: "a tendência de achar que em algum momento do passado a relação com a cultura, com a música, com o sexo ou com qualquer outra coisa foi mais pura, autêntica ou verdadeira".

Rafael Galvão, como lhe é peculiar, contextualizou e tocou no ponto da excelência da liberdade de escolha que a internet proporciona. Ele me coloca como um saudosista - que não sou. Adoro tecnologia, mas, novamente, creio que o "acesso" é uma ilusão; apenas uma pequena parcela tem o bom computador, a conexão, etc... Sobre a "arte do disco", Rafael cita o caso dos compactos - somente posteriormente apareceram os Long-Plays; a atenção sempre foi para a música. É disso que estamos falando, afinal. Certo?

Mais ou menos. O Hermenauta entrou na discussão. Ele relaciona as posições com questões de mercado, relacionando "a crescente importância da indústria do entretenimento" com "a veloz taxa de convergência tecnológica". Vale a pena ler.

Assim como vale a pena ler os comentários nas caixas desses posts; ums discussão que em breve estará extrapolando a blogosfera. Certo. dr. Claudio?

- Por falar em "extrapolar", os blogs foram parar na capa da Revista Época. Quem está lá é o japaraguaio mais lindo do País, maestro Inagaki. Leia o post do Ina e do Idelber e siga os links. Pronto: você tem muito o que fazer nessa terça-feira.
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