(Minha coluna de hoje no Jornal TodoDia)
Quando o "negócio" do vídeo começou no Brasil, na década de 80, não existiam fitas seladas. Os filmes também não eram de boa qualidade. Muitos eram gravados da própria TV, com comerciais e tudo!, e colocados para a locação. Você vai dizer: que podre! Mas era legal! A gente podia encontrar muita coisa que hoje não se tem em catálogo; muita coisa que só se encontra em DVD importado, a preços impróprios e sem legenda em português.
O mercado do vídeo se profissionalizou no início dos anos 90 e eu e mais um monte de gente, achávamos que as locadoras iriam se transformar em imensas "bibliotecas de audiovisuais" onde poderíamos entrar e pedir por aquele filme obscurantíssimo e ele estaria lá. Acontece que alguns fatores inviabilizaram isso. Primeiro o VHS se mostrou um suporte frágil - as formigas adoram! Segundo: as locadoras não tinham espaços para seus acervos. E terceiro: o consumidor é ávido por lançamentos. Ele pode não ter assistido ao filme lançado no mês passado, mas, para ele, trata-se de VELHARIA. Ele quer o filme que saiu HOJE. Então as locadoras adotaram uma prática lamentável que é vender o filme que não é alugado há alguns meses. Se ele fica 6 meses na prateleira é porque ninguém mais se interessa por ele. O advento do DVD contribuiu para a retirada dos filmes em VHS das locadoras; títulos importantes, não lançados em DVD, acabaram sendo vendidos por cinco reais. Muitos encontraram destino no lixo! A soma de todos esses fatores resultou em um quadro diverso do que eu, e mais aquele monte de gente, esperávamos: as locadoras têm acervos baseados em hits apenas; aquele filme obscurantíssimo já era. O filme, no final, é tratado apenas como peça comercial.
Quando uma ou outra distribuidora relança em DVD um Chaplin, um Hitchcock, um Kubrick, são poucas as locadoras que se dispõem a comprar. "Quem vai querer rever esse filme que já tanto passou na TV e cuja fita VHS acabou de ser vendida por cinco reais?", questiona-se o dono da locadora. Bom, eu sempre revejo. E tenho muitos amigos que também gostam.
Ou seja, as locadoras não satisfazem nossa paixão por cinema, apenas esvaziam nossa curiosidade momentânea pelos lançamentos. E é certo que contribuem, com essa postura, para o esvaziamento das salas de cinema. Quantas vezes você não pensou: "esse filme não vou ver no cinema, espero sair em vídeo"? Em três meses o filme está na prateleira; seis meses depois, está numa banquinha sendo vendido por trocados. Êta época descartável, sô!
Se eu quiser rever, por exemplo, "A Honra do Poderoso Prizzi", filme de John Houston com Jack Nicholson, tenho que rezar para que um programador maluco da Globo encaixe o filme lá pelas três da manhã de uma Quarta-Feira qualquer... Programo o videocassete e gravo, com comercial e tudo. Se algum amigo quiser, eu empresto. A humanidade funciona por ciclos e as primeiras idéias são sempre as melhores.
algum de voces que tem vhs tem o filme encontro marcado no audio em portugues
Sou do tempo do VHS. Tenho MUITO mais VHS que DVDs, até pq os raros essa mídia não lança. Tenho filmes muito legais, em VHS, quase todos os de Fellini, por exemplo. Estão guardados no fundo de algum armário obscuro em casa e todo o dia eu penso em me desfazer deles...desistindo da idéia 2 segundos depois. Vou fazer uma camiseta "Eu ainda uso o video-cassete"
E ainda tem o problema de bolor nas fitas né? Mas você sabe que também está sendo difícil encontrar umas velharias em dvd? Cansei de procurar Os Goonies em dvd (porque em vhs também criou bolor) e não achei. Felizmente meu marido foi para NY e achou pra comprar.E o melhor de tudo, veio com legenda em português :)
Recentemente passei um sufoco, quando o meu último vídeo-cassete morreu. Aqui nas lojas do Rio está muito difícil se achar um aparelho de vídeo. Finalmente consegui comprar um. Mas fiquei preocupado. Tenho várias fitas com clássicos guardadas.
gd ab
então, tenho uma amiga aí de americana que vive me fazendo inveja, dizendo que compra vhs (todos filmes muito legais) por R$1,99!!! e eu que nem vídeo tenho mais... fazer o quê, né? bj
http://www.ventania.com.br/produtos.php?vtn=9d8a7a6a30af6edf6a047abeaeb293646835692e753cb79fde1eb9a5a11c37e7b1ea69dd373f0cb6aeb37a58d4e81465
And stop complaining.
:-)
mr teeth, esse é o tema da próxima coluna. cerca de 10% da população tem computador em casa, uns 80% destes tem internet, uns 30% destes com internet banda larga e apenas uns 20% destes conhecimento de processos, coisas como o bitorrent... isso dá mais ou menos uns 2% do pessoal que tem computadores que conhecem e usam coisas como o bitorrent. pouquíssimo, né?
Biajoni, caríssimo: eu consigo as coisas 'fora de linha' no bittorrent, depois gravo em DVD (cujo drive já está ficando barato) e guardo em casa.
Pois aqui havia uma locadora que se especializara em comprar todas aquelas fitas vendidas como velharias. Além disso, comprava o acervo de qualquer video-locadora que falisse. Acabou falindo.