(Jorge Quase enviou-me seu CD de estréia e pediu resenha. Tá aqui:)
"Simancol" e, por extensão seu autor, Jorge Quase, tem um acento brega - e isso é legal. Do total de 9 músicas do disco, quatro são pop grudentas, de refrão fácil, assoviáveis, bonitinhas: "Mariela", "Outro Dia", "Deprê" e "João Saiu Pra Comprar Cigarros e Nunca Mais Voltou". São músicas com histórinha que, de alguma maneira estranha, conseguem conexão com a música popular paulistana, aquela que tem um pé no sambinha. Não por acaso, a faixa 8 tem o nome de... "Sambinha" - e é, de longe, a que eu menos gostei. Não gosto de samba, tampouco de sambinha - e a musiquinha é bem fraquinha, mais do mesmo. No meio do disco, nas faixas 6 e 7, encontramos duas músicas-piadinhas, aquele tipo de música perigosa, parodiesca, da qual podemos sorrir na primeira audição, esboçar um risinho na segunda vez, fingir que não é com a gente na terceira mas, a partir da quarta OUVIDA não se sustenta dentro de um disco. A faixa 6 dá nome ao disco, "Simancol". O ritmo é marchinha circense, vaudeville com midi, letra chatinha: "Se os seus amigos têm te evitado [...] pode ser que você seja um grande chato [...] tome Simancol que você vai ficar legal". A faixa 7 é melhorzinha... Abertamente brega, love story, uma declaração de um cara para seu amor, o "Gordinho Peludo". Sim, é uma música gay mas eu acho que esse é seu único mérito. Sobraram duas canções, as faixas 2, "Festa", e a 4, "Por Acaso". Essa última é um soul que me remeteu diretamente a Maurício Manieri e eu acho isso terrível. A voz de Jorge Quase por vezes lembra Rogério Flausino, em alguns momentos Nando Reis e, se não brilha, não incomoda. Mas Mauricio Manieri não, não dá! A instrumentação é bastante boa em "Por Acaso" mas o conjunto não funcionou pra mim. "A Festa", a faixa dois que, na verdade é a faixa 1 (tem uma brincadeirinha besta de chamar a faixa 1 de "...", sendo apenas alguns segundos de silêncio antes de começar o disco de fato) é a melhor música do disco. Não só música, como letra: "Vai ter uma festa,/ e eu vou dançar,/ até o sapato pedir pra parar.// Aí eu paro,/ tiro o sapato,/ e danço e o resto da vida". É só isso mesmo e fica ótimo na pegada pesada da boa banda de Jorge Quase. Mas essa letra é do poeta Chacal - e isso faz diferença.
As letras de Jorge Quase não são ruins quando ele conta histórinhas pop. Boa parte é assim; com aquele olhar do desprezado, aquele choramingo. Olhe esse verso de "Deprê": "Vou me entupir de chocolate,/ vou me embebedar com leite Parmalat,/ tomar dois litros de sorvete com caramelo,/ pra ver se esqueço você". Cuti-cuti, né? Talvez o músico esteja precisando de um parceiro para ajudar nas letras e botar na cabeça que tá fazendo música pop, não samba, não soul music de branco, e que ele não é o Abujamra para fazer uma música chamada "Gordinho Peludo". Se "Simancol", o disco, tivesse apenas "Festa" (nota 10), "Mariela" (8), "Outro Dia"(7), "Deprê"(8) e "João Saiu Pra Comprar Cigarros e Nunca Mais Voltou"(8) (cinco das nove do disco), ele estaria rolando direto no aparelho de casa. Acho que é esse o caminho, Jorjão. É claro que você pode querer perpetuar essa coisa eclética; a minha opinião é que não funciona.
Obrigado por ter me mandado o disco.
:>)
A letra "Vai ter uma festa" é do Chacal? Biajoni, então a única boa coisa nesta letra (faz diferença?) é ter a etiqueta Chacal, que no resto... Concorda?
Tu tá parecendo aqueles jurados do Silvio Santos:
o Piccinini, é coisa nossa! o Pedro de Lara, é coisa nossa! o Biajoni, é ...!
Malha, malha e depois dá três oitos e um dez???
Poucos discos de estréia têm mais de metade das músicas tão bem cotadas!
(Putz, e essa que é só "...", hein? não ouvi, mas aposto que é a melhor.)
bjs
"As letras de Jorge Quase não são ruins quando ele conta historinhas pop"... BIAJONI, do céu! Fiquei curiosa, hehehe. =*