julho 2006 Archives

Hehehe... Depois do CardosOnLine, depois de blogs mils, prosseguindo nos escritos e marcando presença na internet, dando entrevistas mil, André Czarnobai, o Cardoso, investe na carreira de modelo e ator. Ele está nesse comercial do Nextel; é o cara de pijama!
:>)

(Como? Você nunca leu o Cardoso? Comece por aqui e procure por ...)

Depois da minha Síndrome da Biblioteca de Babel, o mestre Idelber Avelar nomeia a Síndrome de Robinson Crusoé, em excelente post. Vai lá ler!

As novas tecnologias mexem com as pessoas e comportamentos e algumas dessas ações/reações serão estudadas apenas no futuro. Algumas pessoas estão mais atentas para essas coisas que outras. O Alex e o Mauro Amaral, por exemplo, estão com uma novidade na rede - e ninguém sabe se vai dar certo, como as coisas vão rolar. Estamos, de alguma maneira, construindo e escrevendo uma parte da história nesses blogs...

Vai dizer?

(Jorge Quase enviou-me seu CD de estréia e pediu resenha. Tá aqui:)

"Simancol" e, por extensão seu autor, Jorge Quase, tem um acento brega - e isso é legal. Do total de 9 músicas do disco, quatro são pop grudentas, de refrão fácil, assoviáveis, bonitinhas: "Mariela", "Outro Dia", "Deprê" e "João Saiu Pra Comprar Cigarros e Nunca Mais Voltou". São músicas com histórinha que, de alguma maneira estranha, conseguem conexão com a música popular paulistana, aquela que tem um pé no sambinha. Não por acaso, a faixa 8 tem o nome de... "Sambinha" - e é, de longe, a que eu menos gostei. Não gosto de samba, tampouco de sambinha - e a musiquinha é bem fraquinha, mais do mesmo. No meio do disco, nas faixas 6 e 7, encontramos duas músicas-piadinhas, aquele tipo de música perigosa, parodiesca, da qual podemos sorrir na primeira audição, esboçar um risinho na segunda vez, fingir que não é com a gente na terceira mas, a partir da quarta OUVIDA não se sustenta dentro de um disco. A faixa 6 dá nome ao disco, "Simancol". O ritmo é marchinha circense, vaudeville com midi, letra chatinha: "Se os seus amigos têm te evitado [...] pode ser que você seja um grande chato [...] tome Simancol que você vai ficar legal". A faixa 7 é melhorzinha... Abertamente brega, love story, uma declaração de um cara para seu amor, o "Gordinho Peludo". Sim, é uma música gay mas eu acho que esse é seu único mérito. Sobraram duas canções, as faixas 2, "Festa", e a 4, "Por Acaso". Essa última é um soul que me remeteu diretamente a Maurício Manieri e eu acho isso terrível. A voz de Jorge Quase por vezes lembra Rogério Flausino, em alguns momentos Nando Reis e, se não brilha, não incomoda. Mas Mauricio Manieri não, não dá! A instrumentação é bastante boa em "Por Acaso" mas o conjunto não funcionou pra mim. "A Festa", a faixa dois que, na verdade é a faixa 1 (tem uma brincadeirinha besta de chamar a faixa 1 de "...", sendo apenas alguns segundos de silêncio antes de começar o disco de fato) é a melhor música do disco. Não só música, como letra: "Vai ter uma festa,/ e eu vou dançar,/ até o sapato pedir pra parar.// Aí eu paro,/ tiro o sapato,/ e danço e o resto da vida". É só isso mesmo e fica ótimo na pegada pesada da boa banda de Jorge Quase. Mas essa letra é do poeta Chacal - e isso faz diferença.

As letras de Jorge Quase não são ruins quando ele conta histórinhas pop. Boa parte é assim; com aquele olhar do desprezado, aquele choramingo. Olhe esse verso de "Deprê": "Vou me entupir de chocolate,/ vou me embebedar com leite Parmalat,/ tomar dois litros de sorvete com caramelo,/ pra ver se esqueço você". Cuti-cuti, né? Talvez o músico esteja precisando de um parceiro para ajudar nas letras e botar na cabeça que tá fazendo música pop, não samba, não soul music de branco, e que ele não é o Abujamra para fazer uma música chamada "Gordinho Peludo". Se "Simancol", o disco, tivesse apenas "Festa" (nota 10), "Mariela" (8), "Outro Dia"(7), "Deprê"(8) e "João Saiu Pra Comprar Cigarros e Nunca Mais Voltou"(8) (cinco das nove do disco), ele estaria rolando direto no aparelho de casa. Acho que é esse o caminho, Jorjão. É claro que você pode querer perpetuar essa coisa eclética; a minha opinião é que não funciona.

Obrigado por ter me mandado o disco.
:>)

(Da minha coluna do TodoDia)

Na semana passada falei sobre como os filmes VHS estão sumindo das locadoras. No lugar, bolachinhas frescas de DVD. E os donos de locadoras, bem como boa parte dos clientes, preferem sempre bolachinhas bem frescas; não se encontram mais filmes antigos - e você deve entender por "antigo" qualquer filme com mais de 2 anos. Os tempos estão passando bem mais rápido atualmente. O fato é que recebi alguns e-mails dizendo que "o futuro está na internet", onde se pode encontrar qualquer filme. Basta você ter um computador com boa memória e conexão de banda larga - e saber entrar e usar os Bitorrent, Emule e quetais. Não é tão simples assim.

Diferente do que você imagina, pouquíssima gente possui computador no País. Em termos de Brasil, de maneira geral, podemos dizer que menos de 10% da população possui um aparelho em casa. No estado de São Paulo acredita-se que o número ultrapasse os 30%; no Rio de Janeiro, os 20%; em Minas Gerais, os 15%. Boa parte desse pessoal que tem computador utiliza alguma conexão de internet, mas apenas 20% têm em casa a chamada "banda larga", ou seja, não chegamos a 2 milhões de usuários de equipamentos com capacidade para "puxar" os filmes da internet. Boa parte desses usuários acha mesmo que "ter o acesso" ao filme, poder baixá-lo na internet, significa, de fato, apreciar a obra; e aí estão dois pontos de distâncias monstruosas. Se o camarada "baixa" um filme na internet e assiste no monitorzinho, com o som daquelas caixinhas pequenas que geralmente acompanham os PCs, e acha que está bom assim, bem, ele não é um apreciador de filmes. Ele precisaria ter um bom gravador, encontrar o filme em bom estado na rede, para poder assistir em uma TV decente, com um som decente. Mas se o cidadão tem um bom computador, uma boa conexão e a idéia de que tudo o que ele precisa, todos os filmes do mundo, todas as músicas do mundo, estão ali ao seu alcance naquele momento, isso dá a ele uma certa sensação de conforto. Até a sensação de que não precisa se preocupar em ver mais qualquer filme ou escutar atentamente quaisquer músicas. Eu vou dar um nome a isso: a Síndrome da Biblioteca de Babel. O nome é uma homenagem ao escritor argentino Jorge Luis Borges que tem um conto com esse título: "A Biblioteca de Babel", onde o mundo era uma imensa biblioteca, uma biblioteca infinita, onde não faria diferença ler algum ou nenhum livro; nunca seria possível ler todos, nem por várias e várias existências... Esse "conforto" aparente que o "acesso" total gera pode criar também uma apatia. Um amigo nomeou essa síndrome de "Toque de Mídias", numa alusão ao Toque de Midas da mitologia: tudo quanto é mídia que ele pega, não consegue usufruir. É bem isso mesmo.

O exemplo é o que aconteceu com outro amigo: ele me contou todo empolgado que já tinha conseguido "baixar" mais de 48 mil músicas. E o que será que ele vai fazer com todas essas canções? Botar para rodar no random do player do computador enquanto ele navega por sites bestinhas, procurando novas músicas? Será que ele vai prestar atenção? Será que ele vai reconhecer e diferenciar uma banda da outra? Teve algum critério para "baixar" essas músicas?

A situação é diferente do que acontecia quando eu juntava uma grana para comprar um disquinho de vinil de vinte e poucos minutos de cada lado e botava aquilo para rodar e sentava com o encarte, ficava prestando atenção nas letras, etc... Conseguia comprar um ou dois por mês - e dava a eles a atenção que eles mereciam; passava o mês ouvindo aquilo. Nós éramos todos baianos, o tempo passava de maneira difrente, a gente prestava atenção aos filmes, às canções, aos livrinhos que líamos - e isso era muito bom. Eu adoro a tecnologia e procuro não ser saudosista. Só devemos ficar espertos a tal Síndrome da Biblioteca de Babel.

Esse blog tem pouco mais de um ano, a mesma idade de meu livro, ainda inédito, o "Sexo Anal". Nesse um ano alguns blogueiros leram e fizeram resenhas, a grande maioria compiladas aí ao lado, embaixo da capinha do livro. Hoje, para minha surpresa, apareceram mais dois interessantíssimos texto sobre minha "novela marrom" na rede.

- Lefebvre de Saboya, muitas vezes crítico demais, alegrou-me com uma análise em que me distancia da prosa seca de Bukowski...
- Enquanto o amigo André Montanhér, Mr. Seco e Sujo, me aproxima dos beatniks sem ideologia.
:>)

E, poxa, El Rey Tiagón escreveu uma das resenhas mais legais sobre o livro e o pessoar não foi lá comentar. Vão , gente...

No momento duas editoras avaliam. A esperança é não receber mais um daqueles e-mails: "é muito bom, mas não se enquandra em nossa linha, etc..."

Em Janeiro do ano passado aconteceu um grande show em Sydney, Austrália, para homenagear a carreira de Leonard Cohen. A atriz, produtora e diretora de documentários musicais e tetéia Lian Lunson, que mora em Sydney, arrancou uma grana de Mel Gibson e registrou os bastidores e as performances dos convidados. Cantam alguns dos clássicos de Cohen: U2, Nick Cave, Rufus Wainwright, Beth Orton, Jarvis Cocker e Perla Battalla - essa última, divina backing vocal do bardo por anos.

mc leozinho.jpg

O filme teve estréia no mês passado. O amigo e leitor deste blog, Cabela, achou a trilha-sonora alhures e me gravou um CD. Serei eternamente grato.

O site do filme é lindão - notem o detalhe do relógio do Cohen :>)
O cartaz me lembrou "O Poderoso Chefão III".
Um super fã de Cohen mantém há anos um dos melhores e mais completos sites de fãs que se pode encontrar por aí
A diretora tetéia tem um blog com fotas.

E, ah, sim, depois de alguns anos num mosteiro budista... o Cohen parece estar bem malandrão.

"Nós, jornalistas brasileiros, queremos informar e denunciar ao Brasil um novo estado de coisas. Informar nosso pensamento coletivo a respeito dos desafios profissionais, a serem enfrentados com determinação, nos próximos anos, principalmente em relação às precárias relações de trabalho e ao achatamento salarial, imposto pelas principais empresas de comunicação. E denunciar as ameaças que pairam sobre a consolidação da democracia brasileira e impedem a inserção autônoma do Brasil no cenário mundial."

Continue lendo...

O Briga falou da Juliette & The Licks em sua coluna infanto-juvenil no Jornal TodoDia. Eu já tinha ouvido alguma coisa da garouta, mas fui ver - e ouvir - um pouco mais. Uau.

julie.jpg

Para que você não PERDA tempo, aqui o site da banda com músicas e quetais, aqui o site dos fãs com outras coisas e também, claro, no YouTube. Se você é fã da PJ Harvey, cheque.

lia.jpg
(Essa garouta não quer saber de dormir de noite... Seriam os genes boêmios do pai?)

karen e lia.jpg
("Neste colo fico tranquila")

pés da lia.jpg
("Uma fota para Alex Castro")

belle dudu e lia.jpg
(Lisa, Bart e Maggie)

velhos filmes

(Minha coluna de hoje no Jornal TodoDia)

Quando o "negócio" do vídeo começou no Brasil, na década de 80, não existiam fitas seladas. Os filmes também não eram de boa qualidade. Muitos eram gravados da própria TV, com comerciais e tudo!, e colocados para a locação. Você vai dizer: que podre! Mas era legal! A gente podia encontrar muita coisa que hoje não se tem em catálogo; muita coisa que só se encontra em DVD importado, a preços impróprios e sem legenda em português.
O mercado do vídeo se profissionalizou no início dos anos 90 e eu e mais um monte de gente, achávamos que as locadoras iriam se transformar em imensas "bibliotecas de audiovisuais" onde poderíamos entrar e pedir por aquele filme obscurantíssimo e ele estaria lá. Acontece que alguns fatores inviabilizaram isso. Primeiro o VHS se mostrou um suporte frágil - as formigas adoram! Segundo: as locadoras não tinham espaços para seus acervos. E terceiro: o consumidor é ávido por lançamentos. Ele pode não ter assistido ao filme lançado no mês passado, mas, para ele, trata-se de VELHARIA. Ele quer o filme que saiu HOJE. Então as locadoras adotaram uma prática lamentável que é vender o filme que não é alugado há alguns meses. Se ele fica 6 meses na prateleira é porque ninguém mais se interessa por ele. O advento do DVD contribuiu para a retirada dos filmes em VHS das locadoras; títulos importantes, não lançados em DVD, acabaram sendo vendidos por cinco reais. Muitos encontraram destino no lixo! A soma de todos esses fatores resultou em um quadro diverso do que eu, e mais aquele monte de gente, esperávamos: as locadoras têm acervos baseados em hits apenas; aquele filme obscurantíssimo já era. O filme, no final, é tratado apenas como peça comercial.

Quando uma ou outra distribuidora relança em DVD um Chaplin, um Hitchcock, um Kubrick, são poucas as locadoras que se dispõem a comprar. "Quem vai querer rever esse filme que já tanto passou na TV e cuja fita VHS acabou de ser vendida por cinco reais?", questiona-se o dono da locadora. Bom, eu sempre revejo. E tenho muitos amigos que também gostam.

Ou seja, as locadoras não satisfazem nossa paixão por cinema, apenas esvaziam nossa curiosidade momentânea pelos lançamentos. E é certo que contribuem, com essa postura, para o esvaziamento das salas de cinema. Quantas vezes você não pensou: "esse filme não vou ver no cinema, espero sair em vídeo"? Em três meses o filme está na prateleira; seis meses depois, está numa banquinha sendo vendido por trocados. Êta época descartável, sô!

Se eu quiser rever, por exemplo, "A Honra do Poderoso Prizzi", filme de John Houston com Jack Nicholson, tenho que rezar para que um programador maluco da Globo encaixe o filme lá pelas três da manhã de uma Quarta-Feira qualquer... Programo o videocassete e gravo, com comercial e tudo. Se algum amigo quiser, eu empresto. A humanidade funciona por ciclos e as primeiras idéias são sempre as melhores.

Escrevi falando sobre a figura do herói e estava torcendo para que o filme fosse bom. Num papo de MSN vi as opiniões divididas entre o Alex (que não gostou) e o Rafa (que gostou). O filme começa bem, muito bem; a primeira cena de ação, do avião com Lois Lane, é fantástica, de provocar suor. A direção de arte, fotografia, os efeitos especiais e o próprio Bryan Singer estão supimpas; até os atores estão muito bem, obrigado. Tá certo que em alguns momentos achei que fosse a Ana Paula Arósio com o Gianechini no filme...

Porém (sim, sim, existem poréns), o personagem está ultrapassado, não envelheceu bem. E o Singer, como fã, não teve ousadia e/ou permissão para proceder mudanças necessárias. Eu aproveitaria o sumiço de 5 anos para apresentar um Super-Homem mais misterioso. Ele é um personagem muito, muito, digamos, SUPER. Ele podia voltar de sua jornada pelo espaço com um tom mais atormentado...

A parecença entre Kent e o herói também é perturbadora para mim. E para a criançada, que está muito mais esperta hoje em dia. Fui ver com minha filha (13 anos) e com o Dudu (9); tanto eles quanto os pequerruchos do redor ficavam dizendo que "é claro que dá pra ver que ele é o superómi!". Kal-El podia ter aprendido algum truquezinho para mudar um pouco a aparência, vai dizer? E achar que um cara de óculos fica feio e um cara de gel com pega-rapaz é que é bonito é uma idéia um tanto quanto retrógrada, né?

Por falar em pega-rapaz, aquele cabelo do herói é inconcebível. A GRANDE QUESTÃ é: quando ele passa o gel? O cara sai sempre correndo... ele passa o gel no caminho? O gel está na botina, junto com o pente Flamengo?

pente flamengo.jpg
(Imagem roubada do Rafel Lima)

Desculpa, não é mau-humor, é que depois de tudo, depois do "Cavaleiro das Trevas", não dá mais pra ver o bom-mocismo desse herói de maneira ingênua... E, principalmente, não dá pra encarar tão mais a sério qualquer herói com capa depois de "Os Incríveis". Superman devia dar um pulo na Edith Head dos Incríveis para refazer o uniforme... Bryan Singer redefiniu o lay-out dos X-Men mas não conseguiu mexer na inticável cueca-vermelha-sobre-o-collant. Tsc. Eu tiraria a capa, colocaria um azul escuro inteiro, uma sapatilha... OK, sapatilha é meio guei, mas aquelas botas até o joelho... bem.... ér....ainda por cima vermelhas?!

EDITH HEAD.jpg
("Ele se veste mal porque não tem uma mulher que o oriente, coitado")

O lenga-lenga amoroso do filme empata um pouco o DESLANCHAR, mas no final se resolve bem. Como bem disse alguém, Singer deve ter um caso com James Marsden, o ator (sic) que faz o Ciclope no X-Men e é o marido da Lois Lane. Aliás, Marsden está cotado para MAIOR CORNO do cinema contemporâneo, já que perdeu a Fênix para o Wolverine e a Lois para o Superman.
:>)

Para encerrar, o filme tem algumas cenas desnecessárias... Como aquela do tiro que (não) atinge o olho do herói. Como eu, Singer deve ter pensado sobre isso quando via as aventuras do personagem: "pô, será que o olho dele também é de aço?". Singer devia ter deixado o MISTÉRIO perdurar.

Um filmezinho bom, que se assiste sem susto, mas que não vai mudar nada, não vai ter impacto como teve os primeiros, ou Guerra nas Estrelas, ou Matrix, ou mesmo os filmes do Homem-Aranha - que conquistaram uma legião de fãs que nunca leram as aventuras do aracnídeo em gibis; muitos sequer conheciam o personagem. Ficou a impressão de um herói certinho demais, nojentinho demais, emo demais, metrossexual demais, super demais, espalhafatoso e/ou ridículo demais.

APDEITE:
Todo mundo falando da atuação de Kevin Spacey. No filme ele faz o papel de Kaiser Soze.

Um cara foi preso em Caruaru pilotando uma moto completamente bêbado. Tava tão chapado que falou que matava até o delegado, que foi o diabo que deu cachaça pra ele e ainda arriscou cantar uma musiquinha. A reportagem foi parar no YouTube e o Jeremias ficou famoso.

O caso serviu para mostrar que a criatvidade humana não tem limites.

No Orkut já lançaram o bebum para presidente, a candidato do BBB e líder religioso. Virou até personagem no Charges.com. Daqui a pouco ele ganha um programa esportivo na RedeTV.

Vi lá no Marcaurélio e no Doni. Essa pergunta também foi feita pelo Caderno Mais da Folha de SP para algumas pessoas interessantes que deram respostas idem. Na ocasião, fiz até texto lá no Tiro&Queda. Desde então, fico pensando: o que eu queria que me falta. Não sei se ESTA lista é a definitiva, mas hoje as 10 coisas são essas:

1 - Ver meus filhos crescidos, com cabeça boa.
2 - Comprar uma chácara, um local amplo, com três ou quatro casas, para que meus filhos sempre tenham onde morar.
3 - Viver de literatura.
4 - Curar meu glaucoma para poder continuar lendo (espero que descubram um remédio).
5 - Dirigir um filme.
6 - Ser fluente em inglês e aprender um instrumento qualquer, nem que seja flauta doce.
7 - Passar um tempo na Europa, depois de cumprir o (parte do) Caminho de Santiago de Compostela.
8 - Fazer uma puta festa num lugar do caralho, chamar todos os meus amigos, mandar dinheiro e passagens para eles. Botar uma super banda no local e brincar de karaokê com todo mundo... Mas a banda tem que tocar de tudo, de Lou Reed a Calcinha Preta.
9 - Não ficar terrivelmente doente, nem ter alguém próximo terrivelmente doente. Eu sei, isso quase nunca depende de nós.
10 - Ter uma enfermeira ruiva legítima - essa foi pro Ina.
:>)

roque

Ontem foi dia do rock, e minha filhota fez post, olha só!

E hoje eu descobri esse site, que tem umas coisas bem interessantes e com preços razoáveis. Acho que o Rafa vai gostar. Tem umas obscuridades dos Beatles e até o Traveling Wilburys. Pra quem não sabe, os Wilburys são uma banda formada por Bob Dylan, Jeff Lyne, Tom Petty, Roy Orbison e George Harrison. Isso é que é QUINTETO, vai dizer?

:>)

para passar as férias escolares. Vamos ler o Mahabaratha, jogar boliche e cuidar da Lia, claro! Vai ser lindo!

bele e bia 2.jpg
(Lisa e Homer Simpson)

- As lindas ex-blogueiras e escritoras Gabi e Pat Kholer participam hoje (12/07) às 19h30 do evento do Escritoras Suicidas na Casa das Rosas, em São Paulo. Elas irão ler trechos de textos de autoras que integram o projeto. Se eu estivesse em Sampa, não perderia por nada!

- Ainda sobre Literatura, começa hoje a venda de ingressos para a FLIP 2006.

- Minha coluna de ontem no Jornal TodoDia fala dos ídolos instantâneos da música pop e da cabeçada de Zidane. Idelba e Xico Sá fizeram textos sobre o assunto.

- Luiza Voll montou novo blog com as coisas mais legais que acha por aí. É o Favoritos.

- Thiago Neloah procura um "Desvidente". Vale a pena ler o poema do meu irmãozinho português.

- Alex Castro e o Hermenauta estão de briguinha. Oba!

- Parece que Alexandre Soares Silva está tendo problemas com sua última coluna na Revista Bravo. O que me disseram é que e-mails indignados têm chegado à revista por causa do artigo que desdenha da música brasileira. O título do artigo é "Música Boba Brasileira": "O que eu não gosto da música brasileira é que é tudo vagina music. [...] É música para mulher; e para uma mulher especialmente boba ainda por cima. Caetano Veloso é uma espécie de Alanis Morissette de saia". E por aí vai.

- Por falar em música brasileira, obrigado ao compositor Jorge Quase que me enviou seu CD de estréia, "Simancol". Estou ouvindo e achando bem legal. Logo sai a resenha, amigo. E eu recebi o convite para o 9o Prêmio Visa de Música Brasileira - Compositores, que tem a primeira eliminatória hoje. Infelizmente não vai dar pra ir...

- Domingo passado ficou bem ruim para o Fernando Vanucci. Ele entrou para apresentar o programa "Bola na Rede", na Rede TV, bastante alterado. Parecia o Almirante Nelson. O comunicado oficial da emissora é que o apresentador havia tomado dois comprimidos de Lorax. Só não falou com que uísque. O vídeo, óbvio, está no YouTube.

oba!

Tiagón fez post sobre meu livro. Vai entrar aqui do lado, figurando entre as resenhas mais legais jamais escritas. Fiquei todo bobo.

tiagón enxuga.jpg
(Enquanto lê, El Rey beberica um Macieira)

A resenha entra no mesmo dia em que recebo e-mail da Editora 7Letras:
"Já tinha recebido o livro, achei interessante e ousado, mas é um livro muito difícil de ser trabalhado comercialmente, e não se enquadra bem na linha da 7Letras. De qualquer modo, desejo-lhe boa sorte com a edição, e com o trabalho de escritor. Atenciosamente."

Depois do expediente de sábado convenci o jornalista André Montanhér a enfiar a mão no bolso e pagar uma cerveja. O local escolhido foi o Bar do Mané, onde costumava-se encontrar o mais saboroso mocotó da região. A ar estava frio, o sol já quase ia-se e meu nobre amigo teve a excelente idéia de convidar o gordinho peludo e meu ogro preferido, Cristiano Kock Vitta. Sim, sim, depois de horas de convencimento ao telefone o misantropo decidiu deixar a caverna para tomar uma brisa & algumas cervas conosco. Dirigimo-nos então para o referido bar - e qual não foi nossa estupefação quando ficamos sabendo que o dito havia sido comercializado, tendo-se transformado num infernal bar com música ruim & alta ao vivo! Horror! Espanto! Exclamação!

Outro nosso amigo, nesse ínterim, o arquiteto Maurício Vigerolli, entrou em contato e sugeriu o sui-generis Bar do Pimenta onde pode-se encontrar simultaneamente ao mesmo tempo a cerveja mais gelada e o pior atendimento de todo País. É sério! O tal Pimenta é um ser bruto e animalesco que pouco se importa com a presença clientelesca de ninguém. Mas sabe que oferece a tal loura-ao-ponto, assim como um bastante bom sanduíche de pernil, então dá-se ao luxo. Para lá fomos, decididos em arrumar alguma confusão caso o ardido dono do local se indispusesse de facto conosco.

Temos que ser duros às vezes na vida.

Nem bem aportamos no local, já lá estava o Maurício degustando o líquido. Estavam todos por ali com certa angústia referente ao jogo Portugal e Alemanhã que desenrolava-se em um monitor de 14´ ali próximo. Não demos conta. Montanhér chamou o tradicional conhaque para abrir o apetite e logo algumas Skóis já se faziam presente à mesa.

Qual não foi nossa surpresa quando, de supetão, aparece ali, como que materializado, o jornalista Paulo Corrêa e, ato contínuo, o japa mais pop da redondeza, Fábio Shiraga! "Pôxa, já dá para jogarmos um truquinho!", exclamou Montanhér, dando florescimento à constatação de mais um de seus vícios pequenos. Não, não era o caso de perdermos tempo de tanto talento & boas cabeças juntas num simples joguete. Colocamo-nos a conversar intensamente, quase todos juntos e ao mesmo tempo. Discutimos quase tudo o que se pode discutir, incluindo aí a importância da flexibilidade do rabo das lagartixas nas marés.

Alguns ítens da conversa me animaram. Foi triste sabe que Cristiano, o mais genial autor inédito desse país, acabou de destruir seu romance, achando que não estava verdadeiro o possível. Mas alegrou-me que parece já estar comprometido em novos projetos. Uma coisa que cada vez fica mais difícil para mim imaginar é que um dia eu reaverei todos os meis 134 livros e 68 cds que estão emprestados com o Cristiano. Mas esse é um problema meu e, apesar de ser ele muito meu amigo, estou cogitando uma interferência policial no caso.

Foi bom saber que Paulinho está de trabalho novo, no Jornal de Limeira, e que Shiraga está escutando coisas boas, algumas das quais parece até que vai tirar cópias para mim. Espero.

Nesse momento da conversa, quando todos falavam juntos e ao mesmo tempo sobre música, uma senhora gorda e muito simpática, pirata de profissão, apareceu com vários DVDs e CDs copiados ilegalmente em uma grande sacola. Começamos a revirar a bolsa da velha, fazendo-lhe questionamentos difíceis como, por exemplo, se ela tinha o novo trabalho solo do White. Ela ficou bastante perturbada com nossa interferência. Mas não saiu de mãos abanando: por 10 reais eu levei este DVD do Led Zeppelin e esse CD do Roberto Carlos, e por 8 reais Monatnhér pegou um piratão dos Rolling Stones em Copacabana.

inimitavel.jpg

A euforia era grande quando mais um personagem chegou: o Noblat limeirense, João Leonardi. Acompanhado de sua esposa, Cristina, já chegou com garrafa e copo na mão. Considerei se o estoque do Pimenta seria suficiente.

Interessante como nada foi combinado; a confluência do destino fez com que todos, que não nos víamos a muito, acabassem se encontrando ali, naquele local improvável, naquela mesinha de calçada, naquele sábado estranho. Foi muito bom encontrar esse pessoal e jogar um pouco de conversa fora. Infelizmente não pude ficar muito, Karen estava sozinha com Lia e eu precisava ir embora... Mas os poucos momentos ali foram muito importantes por rever esse pessoal que eu gosto MESMO e saber que todos estão bem, estão aí, brigando com a vida. Fui embora feliz. E fiquei sabendo hoje que o estoque do Pimenta realmente não foi suficiente. Bando de bebuns do caralho!

pois ela MERECE!

viva e bia.jpg

Ia escrever algo aqui para complementar os parabéns à essa moça linda, mas leio esse post xuxu do Bruno e, bem, ai, ai... A Viva é a prova viva (ops) de que a internet e a blogosfera podem resultar em bons e verdadeiros amigos. Eu amo essa nêga, que sabe que a vida é a arte do encontro.

Vai dizer?
:>)

briga pop

Bob Dylan Ele Mesmo e equipe convidaram o Flaming Lips para abrir os shows da turnê de lançamento do novo disco. Wayne Coyne, líder dos Flaming, aceitou - mas não agradeceu ou sentiu-se envaidecido. Tascou essa: "Dylan é um velho enrugado com bigodinho. Você já ouviu Dylan ultimamente? Não dá mais pra reconhecer nenhuma música que ele toca. É como se você pedisse pizza e Dylan trouxesse comida de cachorro". Bocudinho esse Coyne, vai dizer?

A entrevista completa aqui. Eu, particularmente e antes de mais nada, acho que esse Coyne se veste muito mal!

Porém. Achei legal a escolha da banda; o som do último disco está enérgico, com um pé no folk e BARULHINHOS. Realmente deve ser um grande show a DOBRADINHA.

Queria, porém novamente, saber o que Dylan pensou das declarações de Coyne. E o que ele acha do polêmico disco "Zaireeka", do Flaming Lips.

Para quem não sabe, "Zaireeka" é quadruplo e todos os 4 discos devem ser tocados ao mesmo tempo. As opiniões sobre esse trabalho são as mais divergentes: tem gente que acha a coisa mais estúpida já feita no pop, tem gente que acha inovador e genial. Nunca ouvi, a gente encontra apenas os trechos individuais na rede...

zaireeka.jpg

No final das contas, tou mais pra Neil Young que é fã do Placebo.
Aliás, achei bem do caralho o último disco dos gueis, viu carol?
Já pensou uma dobradinha dessas no palco?
;>)

neil.jpg
(Um velho enrugado sem bigodinho e com camiseta do Placebo)

Muito, mas muito melhor que final de Copa é final de novela do Silvio de Abreu.

O capítulo final, que vai ao ar na sexta e é reprisado no sábado, vai apresentar, pela primeira vez num fim de novela, não apenas um, mas DOIS, casais gueis. A voraz Rebeca (Carolina Ferraz), que é a personagem mais consciente e bem construída da trama, vai largar mão dos complicados homens e ficar definitivamente com Karen (Mônica Torres). E Gigi (Pedro Paulo Rangel) vai se engraçar com o maquinista do espetáculo das ex-vedetes. Gigi ainda irá mostrar seus dotes vocais, cantando no show, depois que o cantor cair e quebrar a perna, na armadilha que seria para Mary (Carmen Verônica).

Eu reagi com suspeita sobre a lacrimosa partida de Nikos (Tony Ramos) de volta para a Grécia. Não seria ele o vilão da história? O cara era bonzinho demais, assim como o filho, Cemil (Leopoldo Pacheco). Apostaria na hipótese de ambos serem cúmplices de André (Marcelo Anthony). Aliás, se o autor fosse mais OUSADO, faria de todo o final uma apoteose guei: Nikos, Cemil, André, comandados por Gigi - um bando de boiolas - seriam os responsáveis pelos crimes. Que Gigi é O cabeça, parecem restar poucas dúvidas.

(Ei, isso seria bem interessante, vai dizer?)

Mas o final será mais prosaico, com o casamento de Narciso (Vladimir Brichta, esse sim o verdadeiro filho de Bia Falcão/Fernanda Montenegro com Murat/Lima Duarte) e Taís (Maria Flor). E talvez Safira (Claudia Raia) aceite se casar com o borracheiro mais ngato de todos os tempos. Silvio de Abreu faz uma homenagem aos whodunit ao reunir todos os suspeitos em um mesmo local - como em "Torre de Babel" - para que o personagem detetive-mais-ngato do quarteirão (Marcos Palmeira) desenvolva toda a teoria sobre os crimes e o desaparecimento de Bia Falcão. A inspiração teria sido Agatha Christie. É a segunda homengem do último capítulo, a outra é o show das vedetes que não vai durar mais que cinco minutos no ar e demorou dois dias inteiros para ser gravado pela Central Globo de Produções.

Uns dizem que Vitória (Claudia Abreu) vai morrer, mas eu duvido. Ela é muito cuti-cuti para morrer no último capítulo. Os três que vai abotoar o paletó de madeira no último capítulo são mesmo André, Medeiros (Ítalo Rossi) e Ivete (Angelina Feijó). Bia Falcão consegue fugir com Mateus (Cauã Reymond), deixando Ornela (Vera Holtz) putíssima.

*Informou Biajoni, neo-convertido a novelas globais.

(Minha coluna de hoje no TodoDia)

A FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty firmou-se como o mais importante evento literário do Brasil e um dos maiores do mundo. A quarta edição acontece entre 9 e 13 de Agosto. O evento já reuniu, em edições passadas, a nata da literatura como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Paul Auster entre outros. Porém, mais importante que o evento oficial são as festas paralelas que reúnem o off-FLIP, novos autores, autores marginais, zumbis das letras - e eles ficam por toda a parte, tropeçando nas pedras desniveladas das calçadas históricas da cidade. O evento sempre elege uma sensação, sempre serve para agitar as editoras, torná-las mais antenadas, aguçadas com as novidades - e isso é muito bom. Contudo, é sempre a presença das estrelas que agita a cidade e leva até o evento os verdadeiros interessados em literatura, mercado editorial, novidades das letras. Li alguns artigos reclamando grandes nomes para a edição deste ano. A abertura é com Maria Bethânia; Toni Morrison, Nobel de Literatura em 93, e o argentino Ricardo Piglia fazem palestras; a precursora do jornalismo literário, Lilian Ross, discorre sobre o que entende... E quase só - o que não é pouco, claro. Confesso que nenhuma dessas, digamos, "atrações", chamaram minha atenção. Mas há uma mesa de debate na FLIP que eu não vou gostar de perder. Não mesmo. É a mesa "Do Amor e Outros Demônios" e vai reunir André Sant´Anna, Reinaldo Moraes e Lourenço Mutarelli. Não li nada do André, mas Moraes e Mutarelli são dois dos mais geniais autores nacionais de todos os tempos. Não, isso não é exagero.

TANTO FAZ.jpg O DOBRO DE CINCO.jpg

Reinaldo Moraes escreveu um livro genial em 1981, "Tanto Faz". Se Moraes fosse americano, seria chamado de “novo Kerouac”, ou “novo Salinger”. O livro perfaz a trajetória de um estudante de economia brasileiro em Paris no início dos anos 80. Ele não freqüenta as aulas e vive a vagabundear pelas ruas da cidade em meio a porres, elucubrações, amores. Reduzir a narrativa ágil, cheia de referências pop e cultas, trechos em outras línguas, neologismos, brincadeiras a um simples: "vida de estudante vagabundo em Paris" é o mesmo que resumir "Ulisses", de James Joyce, a "um dia na vida de um cara". "Tanto Faz" é curto e pungente, causou tumulto na cabeça de quem o leu no início dos Oitentas, influenciou artistas e novos autores e, para mim, é inadmissível que não seja adotado em escolas e faculdades, não seja estudado, lido, repercutido. É a prova viva da mediocridade do mercado brasileiro. Moraes acabou ficando famoso por ter feito a polêmica foto de capa do disco "Todos os Olhos", de Tom Zé.

Lourenço Mutarelli é descrito no site da FLIP como "premiado cartunista" - o que mostra que até uma organização como essa tem ridículos redatores de releases. Mutarelli é o artista gráfico mais incrível do País, o quadrinista com mais personalidade entre vários dos ótimos desenhistas brasileiros. Sim, ele tem Personalidade. E, como disse sobre Moraes, se tivesse nascido lá fora talvez fosse rotulado como “um cruzamento entre Alan Moore e Robert Crumb". Mas só talvez; é difícil encontrar influência nele, tamanha a Personalidade. Mutarelli é autor de uma trilogia em quatro livros de quadrinhos chamada "Trilogia do Acidente". Trata-se de um trabalho tão fantástico que chega a ser indescritível. Em arte seqüencial, Mutarelli começa contando uma história noir envolvendo um mágico desaparecido e um detetive brasileiro chamado Diomedes para, nos números posteriores, abusar da metalinguagem e inserir a si próprio na trama, realizando quase um tratado existencial. Não é pouco. Expandindo o próprio domínio, Mutarelli enveredou-se pela literatura e escreveu romances, como o bom "O Cheiro do Ralo", que está virando filme com Selton Mello.

O DOBRO DE CINCO INTERNO.jpg
(Página de "O Dobro de Cinco")

Ia ser realmente muito interessante ver essas duas grandes cabeças debatendo o tema em questão nesta edição da FLIP.

Eu participei da primeira Bienal Nestlè (em 1991 se não me engano) com três livros na categoria poesia. Isso é que é pretensão, vai dizer? Um desses livros chegou quase às finais. Ei, eu tinha só 21 anos!

Gosto de poesia, escrevo para me divertir. Não tenho a genialidade do Neloah, do Ina ou da Chris Nóvoa quando o negócio é métrica, rima, sensibilidade.

Há um ano escrevi um poema sobre as dificuldades de comunicação entre dois namorados recentes - e gostaria de republica-lo, pedindo desculpas antencipadas pelo mal-jeito. O poema nada tem a ver com minha situação atual, nenhuma conexão com nada no momento. Apenas o reli por acaso e talvez ele possa interessar a alguém. Ou não.

Não, isso não é um alicate!

beber nos solta,
a vista fica turva.
vamos fazer o seguinte:
vista a tua roupa
enquanto eu pego a curva
e a gente se encontra num instante
lá longe,
depois do horizonte,
num dia ainda a ser combinado mas não hoje nem amanhã, talvez no ano que vem!

ah, meu bem!
se eu falei que te adoro ou que queria casar contigo,
foi pura inconsequência!
não corrias perigo!
quis apenas ser um ombro forte,
um braço amigo...
não queria a tua permanência.
(mas é claro que também não te queria a morte)

(nem quero! valhe me deus de desgraceiras como essa!)

queria apenas levar-te como quem não tem pressa...
como andar pela praia de manhã na brisa fresca...
como um licor de amarula antes da sesta...
como a calma que precede a reza...

é claro que em alguns momentos a gente demonstra
uma certa agitação, um certo descontrole...
mas é só felicidade incontida, nada que amole...
: é uma vontade de ser mais novo ou outro, e não quem o espelho aponta.

beber nos solta,
eu dizia.
e uma parte do que queremos se revolta,
dentro, querendo não-querer...

não há motivos para que você se enfureça;
eu não quero que você se afaste...
afinal isso é uma chave-ingleza,
e não um alicate.

hehehe

francês é massa.jpg
(huahauhauhauhauahuaauau)

hehehe.jpg heheheheeheh.jpg
(ow!)

Este arquivo

Esta página é um arquivo de posts de julho 2006, listado do mais novo ao mais antigo.

junho 2006 é o arquivo anterior.

agosto 2006 é o próximo arquivo.

Posts recentes na página principal - ou vá aos arquivos pra ver outros posts.

  • luiz biajoni
    é jornalista e escritor
    ma non troppito


    e-mail e msn:
    luizbiajoni
    arromba
    hotmail
    ponto
    com

    :^)
  • assine o feed