(Coluna de hoje no Jornal TodoDia)

O mitólogo americano Joseph Campbell escreveu um livro que ficou famoso e fez a cabeça de hippies malucos nos anos 70, "O Herói de Mil Faces". Apoiado nas teses do psicanalista Carl Gustav Jung sobre o inconsciente coletivo e os arquétipos, ele compilou e comparou histórias mitológicas de várias épocas, culturas, raças - e encontrou muitas semelhanças entre elas. Segundo Campbell todas as narrativas criadas pelo homem (e o mito nada mais é que uma narrativa) surgem de antigos padrões e contam basicamente a mesma história, com algumas pequenas variações, pequenas adequações culturais e alguma adaptação à realidade de quem conta. O livro de Campbell fez muito sucesso; foi como uma iluminação: a mente humana vem criando ao longo dos tempos, sem parar, histórias precidas, com os mesmos padrões, de maneira quase autônoma, quase sempre sem o uso da razão. A banda Greatful Dead pirou com essa informação e começou a fazer música atrás de música baseadas em Campbell. E um jovem cineasta, chamado George Lucas, viu no livro e em suas teorias uma boa base para um filme épico; um filme que contasse a história mítica do herói de maneira definitiva. E realizou a trilogia "Guerra nas Estrelas".
A "invenção" desses mitos pela mente humana acontece muitas vezes de maneira natural, atendendo um anseio do inconsciente coletivo. Alguém com as antenas ligadas "capta" esse anseio e transforma em narrativa. Uma dessas "grandes antenas", grande criador de mitos modernos, atende pelo nome de Stan Lee. Ele esteve atrás das criações de vários mitos modernos, os heróis dos quadrinhos. Os X-Men e o Homem-Aranha são, atualmente, os mais conhecidos representantes desse Olimpo e, não por coincidência, a maiores grifes do cinema arrasa-quarteirão de Hollywwod. Porém quase todos os heróis modernos vindos dos quadrinhos são variações de um super-herói, o mais emblemático deles, o Super-Homem. Criado em 1933, pelos amigos Jerry Siegel e Joe Shuster, e distribuído periódicamente a partir de 38, Superman reúne o padrão mítico mais comum e o espírito de uma época. O padrão mítico comum costuma colocar o herói em uma condição peculiar: geralmente é criado sem os pais, não sabe exatamente quais os seus poderes e vive em um mundo que lhe é estranho, onde é obrigado a se adaptar. No caso do Superman, a época de sua criação influiu em seu, digamos, "significado": os EUA entravam na Segunda Guerra contra os alemães. Superman encontrava uma ressonância em Nietzsche e em seu conceito "super-homem" que,segundo alguns, tinha servido de base para o pensamento hitlerista. O cruzado de capa, vestido de azul e vermelho, virou o símbolo do "imperialismo americano contra a arrogância fascista". No que os aliados venceram a Guerra, o herói ficou mais poderoso. E é emblemático que ele tenha chegado às telas também na década de 70 pela primeira vez, na esteira da redescoberta do livro de Campbell. E talvez seja emblemático que ele volte agora, usando a mesma cueca vermelha por sobre a calça colante azul. E também que estejam duvidando de sua masculinidade. Segundo Campbell ainda, uma peculiaridade do herói é que as narrativas que contam suas aventuras sempre se atualizam, adaptam-se a cada tempo. Vendo o novo Superman talvez ele nos pareça misógino, ridículo cruzando os céus com aquela roupa psicodélica. O reflexo de um povo e de um tempo.
Ética, coragem e definição do heróismo são exaustivamente discutidos no livro "OS Super-Heróis e a Filosofia" de William Irwin, altamente recomendável.
Fiz um post sobre ele, na Era Mezozóica,lá no Grandona
http://peganagrandona.blogspot.com/2006_03_01_peganagrandona_archive.html
O nome é ENTRUDO e mais um pouco.
PS:O Superman é o herói MAIS CHATO que já existiu em todo o Universo. Odeio ele. Perfeitinho demais...
Ah, a jornada do herói, a história mais contada, recontada e filmada do mundo!!
Mas sabe Bia, para mim o que fez o Superman ficar passé foi o bom-mocismo excessivo. Ele é tão irritantemente perfeito que precisou ter nascido em outro planeta para convencer. Os heróis que fazem sucesso hoje têm fraquezas, lados escuros, dúvidas.
roberson, o texto do sérgio dávila saiu o mesmo dia que o meu... eu li e vi semelhanças. ele cita um pesquisador americano que relaciona heróis com religião, mas não cita o campbell, que foi, digamos, precursor, nisso de "cruzar" os mitos.
:>)
Bia, Bertrand Russel falou que o ser humano precisa de um "pai". Quando ele é criança, logicamente o pai (que pode ser a mãe, avô, tio, etc) cumpre esse papel.
No entanto, ao se tornar adulto e independente, essa figura paterna já não é mais necessária e aí começa a fase da ideologia política, da religião e dos mitos.
Tio Sam é um pai, Hitler também foi um.
O Superman apareceu em uma época que os EUA estavam sofrendo demais com a Depressão. Acredito que não foi intencional, mas o governo posteriormente soube bem aproveitar a idéia. E qual é a grande meta para o simples mortal? Superar obstáculos e ser um super herói como ele. E como o país foi vencedor na Segunda Guerra, isso ficou bem mais forte, conforme você disse muito bem.
Eu adoro ele, mas para mim o grande mito é e semre será o Rei Arthur.
Beijocas
Aqui só vai estrear dia 14 de julho, aí eu vou ver aí com vocÊ!
bom que você me explica...porque eu estou meio disiludida, vi o codigo da vinci e só fui acabar de entende-lo umas horas depois do final ¬¬
;**
amoT
Chegaste a ler a matéria do Sérgio Dávila na Folha (Ilustrada) de ontem?
Ele começa assim:
"Ele é o único filho de um pai com superpoderes que o envia a este planeta para ajudar a humanidade (...)originalmente seus pais terrestres se chamavam Joseph (José) e Mary (Maria). Tem de assumir identidade humana para esconder a identidade sobrenatural. Seu arquinimigo quer controlar a terra e nutre desprezo pelos homens. É um pássaro? É uma avião? Não! É o Messias disfarçado de super-herói."
Genial o texto do moço.
E vai de encontro a essa história de mitos aí, não vai??
amei esse texto... há 30 anos atrás ele era um super herói e marca de uma nação inteira, agora ele é um cara forte com uma roupa um tanto inadequada hehehehe... Acho um maximo esses processos de "evolução" cultural... É que nem suspensório. primeiro era classico, aí virou descolado, aí virou brega e saiu de moda e agora, vintage... clássico e descolado. Acho que estou ficando velha :)
Mas apesar disso eu nao gostei do ator. Acho que o Tom Welling (q faz o superman do seriado) era sim um pouco jovem e thank the lord eles nao escalaram o justin timberlake, como previsto... mas esse cara... sei la...
Há muito, o incosciente coletivo tem ajudado a produzir heróis e ídolos nas artes em geral. Fugindo um pouco da praia do Superman, mas não fugindo muito, um pouco antes de Superman - O filme, um outro herói mais "humano" conquistava o mundo: Tony Manero, do Embalos de Sábado Á Noite, cujo criador deve ter percebido que mesmo o norte-americano médio já estava cansados de se lamentar pelo fim do sonho dos anos 60, por Watergate, pela derrota no Vietnã e por term sido enganados por Nixon e só queria mesmo era balançar os quadris.
gd ab
gd ab
teria ele saído fugindo as pressas de um marido traído, e se confundido ao se vestir?
respondendo: é só um nick, mas minha origem é como de muitos judeus espalhados pela itália e europa.