Pau em mim por ter escrito o que escrevi.
Acontece.
Para deixar claro: quem acha que não tem condições, quaisquer que sejam, não deve mesmo ter filhos. Quem faz a opção mesmo tendo todas as condições, eu acho egoísta. O Alex não concorda. E a vida segue.
E não apenas condições materiais são necessárias. Eu sou pai e adoro isso, eu tenho a impressão de que sou um bom pai. Você também está curtindo o seu momento e parece fazê-lo bem, também. Mas vai me dizer que você não conhece ninguém que nunca deveria ter tido filhos? Ter filhos é ceder. Nem todo mundo pode, consegue ou deveria.
Olha, existem pessoas que optam por não ter filhos porque se sentem muito responsáveis por uma vida nova e têm medo do resultado. Porque tanto pode ser maravilhoso como pode ser péssimo. Eu sei, lendo esses posts nota-se que vc é um pai maravilhoso, e talvez seja difícil p/ vc entender como isso pode NÃO ser maravilhoso para outra pessoa, mas acontece. Há pais e mães que abandonam seus filhos. Que os maltratam. Que até os matam. Que acabam confessando numa psicoterapia que se arrependem de tê-los tido, que não os amam nem se realizam com eles tanto quanto achavam que iriam, que preferiam ter escolhido outra vida. Isso acontece bem mais do que a maioria das pessoas vê exatamente porque isso vai contra o discurso oficial, que diz que tê-los é amá-los é o "normal". Eu não conheço nenhuma mãe que tenha admitido publicamente q seus filhos não são tudo na sua vida porque ela sabe que seria linchada moralmente, mas isso não significa q elas não existam.
Eu não sei ainda se vou ter filhos ou não. Às vezes eu lembro da minha experiência como irmã mais velha, quase mãe do meu irmão, e acho que deve ser um barato curtir uma vida nova de novo. Eu tenho orgulho do homem que meu irmão se tornou, e eu sei que tem um dedinho meu ali. Outras vezes, eu tenho medo de me arrepender. Eu morro de medo de me sentir presa e acabar virando a Julianne Moore, no "As Horas", e dando no pé e deixando tudo para trás. Por isso, eu ainda não decidi. Porque NESTE momento, eu não posso garantir que eu não teria sentimentos contraditórios a respeito de um filho. E não me preocupo com relógio biológico, porque provavelmente se eu tiver um filho, ele será adotado. (É, eu penso demais, talvez o mais saudável seria simplesmente tê-los, e não pensar a respeito).
Duas últimas coisas: 1. eu fiquei pensando em todos os grandes homens e mulheres que eu conheço na História e a maioria que me veio à cabeça não procriou, e ainda assim suas contribuições ao mundo foram inestimáveis: algo a pensar; e 2. há muita confusão entre os termos "egoísmo" e "individualismo", coisas bastante diferentes. O egoísta, por definição, é um ser co-dependente do generoso, e que não pode ficar sozinho simplesmente porque não sabe se manter. Por isso, é muito pouco provável que egoístas não tenham filhos: eles precisam "explorar" o máximo de generosos possível. Eles "precisam" de filhos que lhes permitam ter o prazer narcisista de "fazer gente" (principalmente gente que possa ser melhor que a gente dos outros) e lhes provenham a velhice. Em geral, me parecem que são os autônomos individualistas, e não os co-dependentes egoístas, que pensam duas vezes antes de assumir a responsabilidade por outrem.
Bom, eu nunca comento aqui, mas quando resolvo comentar escrevo um livro!, heheheeh. Inté mais, vizinho, e não repare minha mania de argumentar.
Bia,
Eu já pensei em ter filhos quando era mais jovem, mas hoje, depois de pensar muito sobre o assunto, não quero mais. O mundo esta sobrecarregado de pessoas e trazer mais um ser humano a existência dificilmente contribuirá para inverter essa situação. Tanta criança pelas ruas, passando fome, desnutrida, doente, submetidas a violências físicas e psicológicas inominaveis. Daí eu fico pensando na situação dessas crianças e me pergunto em quê seus pais contribuiram social ou ecologicamente para melhorar a atual situação da espécie humana. Outra coisa que discordo do seu texto é que não vejo nenhuma relação entre capacidade de amar (amor é um sentimento subjetivo) e gerar descendência (uma consequência física do ato reprodutivo). Oras, você pode muito bem dividir sua vida, partilhar seus conhecimentos e amor com outra pessoa independente de estar unido a ela por laços de sangue ou não. Gerar filhos é fácil (até uma ameba gera descendência e nem por isso tem consciência para pensar no quê o universo mudará depois disso) difícil é ser pai (ou mãe) com todas as responsabilidades, conflitos, alegrias e preocupações que esse "cargo" nos impõe.
Também não me acho uma pessoa pessimista por não querer ter filhos. Ainda acredito que o mundo pode melhorar, só acho que primeiro temos que arrumá-lo para depois repovoá-lo. Pensamos de forma diferente, só isso. :\
Concordo com Alana. Pode até ser um pouco de egoismo, mas isso também não quer dizer que a pessoa que não deseja ter filhos seja um poluidor despreocupado com o futuro da humanidade.
Claro, o texto foi propositalmente redigido para ser polêmico, mas obviamente as respostas vêm à altura. Felizmente o alto-nível foi mantido no debate.
Abraços para você e a crescente família! :-)
Bia,
Geralmente me identifico muito mais com seus textos do que com os do Alex. Dessa vez, concordo com os post dele, principalmente com o comentário do Ina. Assim como a clareza do comentário da Viva.
Mas assumo que sinto uma pontada de egoísmo por não desejar ter filhos. É responsabilidade e perda de liberdade demais, o que não me impede de gostar de crianças e tomar conta dos filhos dos meus amigos. Agora minha opção é essa e não sei se mudarei de idéia. Discordei mesmo foi da parte da educação. Reciclo papel, economizo água e tenho uma parte para guardar lixo na bolsa quando não encontro lixeira. Bem diferente da minha própria mãe, por exemplo.
Acho que o melhor do seu texto, assim como o livro, foi despertar questionamentos, porque é muito chato sempre concordar ou aceitar tudo que nos oferecem goela abaixo sem mastigar. O problema é que levar para o lado pessoal.
Sim, fogos de artifícios é terrível. Além de não gostar do barulho, tenho medo até de bombinha.
Mais uma vez, parabéns pela Lia. E agora pela sua irmã também. Ser pai novamente realmente te trouxe novas e fortes emoções.
Bia, independentemente da sua opinião, você é lindo, tem uma filha linda e sabe fazer um novo post esclarecendo melhor o que você sobre o assunto. Curta a prole e parabéns para a irmã. Beijocas
Bia, todos nós temos o direito de expressar nossas opiniões. Sejam elas de acordo ou não com a maioria. O que não podemos é falseá-las para agradar. Aliás, nunca conseguiríamos esta façanha.
Há pessoas que não se sentem à vontade com crianças, outras, acham a responsabilidade de cuidar de um serzinho, que não sabe pedir nada, imensa. Outras têm medo de sentirem responsáveis pelos atos dos filhos, outros querem liberdade, sem se privarem de viagens, baladas, graças a um filho, ou seja, há inúmeros motivos, pessoais, que os levam a essa decisão.
Eu, no fundo, acho que é um ato de covardia colocar uma criança no mundo e largá-la na mão de babás, avós, somente para falar: sou mãe, sou pai. Para ter filhos e largar com os outros, para que cuidem, melhor não ter, mesmo. Li o post do Alex e o comentário do Ina. Concordo com eles. Eu, que tenho filho, que preciso ser "pãe" desse garoto, sei o quanto é difícil criar e educar. E não, não teria outro jamais! Por opção. Ou por achar que um só já basta para sofrer nas mãos dessa mãe desmiolada e completamente sem instinto visível de maternidade, e que precisou buscá-lo sabe Deus lá onde.
As opções de cada indivíduo são únicas, irrevogáveis e completamente válidas (pelos menos para ele!).
E chega que tô com sono e escrevi demais.
Beijão.
Bia querido...
Também amo vocês um tantão assim, ó: \o/
Só quis registrar aqui que, mesmo não tendo certeza absoluta se um dia colocarei alguém no mundo (ou mesmo adotar), me considero uma pessoa com tanto senso de cidadania ou educação como qualquer outra que tenha um, dois ou cinco filhos.
Aliás, nem consigo relacionar uma coisa à outra. Vejo por aí dezenas de pessoas jogando lixo na rua ou pela janela do carro, com crianças ao lado e até mesmo no colo. Belo exemplo, não?
Mas enfim... deixa este papo pra lá e curta sua Liajoni. :-)
Este assunto ainda renderá muito pano pra manga, pois há tempos quero escrever sobre isso.
By the way, meu blog saiu do ar, mas logo mais voltarei a blogar. :-)
Beijos em todos aí. :-)
ps: quanto ao censo não me computar, cheguei à seguinte conclusão: caso isso me isente de impostos, acho até uma boa idéia! :P
Ah, pois é...
Cara , concordo contigo. Pra quê botar gente no mundo se você não consegue cuidar nem de você mesmo?
Abraço!
Mas, afinal, vc vai ter um terceiro filho ou vai parar no segundo?
quer ter opinião, é? então toma!
;-D
em tempo: também não concordo. reconheço que o egoísmo tem vencido a índole. mas acho que o tempo (ah, o tempo) vai mudar isso. e um dia terei um tiaguito pra chamar de 'fio'.
Ação e reação, rapaz. Você meteu pau em quem não quer ter filhos. Pau nos outros, pau em mim. É assim. E eu acho que a reação até que foi bem educada, bem civilizada. Inclusive a reação desses "selvagens" que não querem ter filhos.