Abaixo, minha coluna que iria sair amanhã no TodoDia, mas foi vetada pelo editor Gustavo Brigatti por não "ser pop o suficiente".

(Desenho de Anne Karin Glass)
CORTANDO AS UNHAS DO PÉ
Algumas questões ancestrais têm perturbado minha vida nesses dias de Copa. Uma é se Adão tinha umbigo. Outra é a real utilidade dos mamilos masculinos. Mas a mais angustiante, que desafia as explicações de criacionistas, tem a ver com a existência das unhas do pé. De que servem? Para quê existem? Deus pensou bem nelas quando as criou? Chego a algumas conclusões inconclusivas. As unhas do pé crescem para que outras pessoas as cortem. Quer dizer: é anatomicamente desajeitado cortar as unhas do prórpio pé. Talvez o criador tivesse pensado nisso quando nos projetou – a necessidade de outro para nos cortar as unhas do pé exigiria uma integração, uma socialização. Estou tentando convencer minha mulher dessa teoria, mas ela prefere visitar a pedicure a deixar que eu execute o serviço. É mais profissional, ela diz. O fato é que fico sem ninguém para me cortar as benditas e acho um desperdício pagar alguém para fazê-lo. Minha pequena mas saliente pança de cerveja contribui no sentido de dificultar minha ação. Cada vez que me vejo obrigado (no limite do furar de meias) a cortar as unhas, idéias estranhas chegam à minha mente. As unhas da mão têm lá sua utilidade: servem para coçar, arranhar, tirar cravos, roer, cutucar o nariz – mas e as do pé? Não que eu queira questionar a criação divina, mas... que coisa mais estranha a unha do pé! Fica lá crescendo escondida, fora da nossa visão e do nosso controle. Cresce como quem diz: “o tempo está passando, você está envelhecendo...” Imagino que seria interessante se o cortar de unhas do pé se tornasse um ritual de acasalamento, de namoro. Você marcaria com sua gata: hoje vamos cortar as unhas. Passaria pela casa dela no horário habitual, todo cheiroso, e iriam prum motel. Chegando lá cada um colocaria sobre a cama seus instrumentos: tesouras, alicates, lixas, cremes... Ambos, nus, poderiam começar então, num revezamento de dedos, começando pelo mindinho, a podar, lixar e embelezar a unha do outro. Goles de vinho nos intervalos. A visão daqueles instrumentos cortantes na penumbra, sob a luz negra, o reflexo do inox. E o barulho da unha se partindo, tic, tic, com Kim Carnes ao fundo. Depois o sexo sobre os restos. Unhas duras espetando e furando um pouco as costas. Gozo e unhas aparadas. O fisiológico se impondo sobre nossa condição humana... Para muitos o cortar de unhas não passa de um exercício algo banal e troncho que serve apenas para atrapalhar nossa rotina. Mas podíamos transformar essa pequena ação em algo mais poderoso. Que a vida é rasteira e as unhas crescem todos sabem. Pensar novas maneiras de apará-las é que pode significar o início da construção da razão para nossa existência. Algo muito mais interessante a se fazer do que ver o jogo da seleção.
1) As unhas, tanto as do pé quanto as da mão, servem para comer! Sim, pergunte a um onicofagista, aquele que pratica a onicofagia.
2)Vou incluir seu post no meu Tratado Geral de Ungueologia, tá?
E não é que meu pai e meu tio acham tem a mesma idéia que as mulheres deveriam cortar as unhas deles e vice-versa? Deve ser coisa de homem, pois minha mãe e minha tia não aceitam a proposta. Eles já tentaram me incluir na jogada, mas também recusei.
A Lia já nasceu?
Algums pessoas nunca cortam as unhas do pé.
Bia, que saudades de vc! Adorei ler seu recadinho lá no Ventania. Como estão as coisas? Espero que tudo ótimo! Bjs.
Cara, cadê a Lia?
Bota a foto dela aê, ô meu!
:)
Entenda e perdoe, Biajoni. Seu editor devia estar sofrendo com unhas encravadas... Abrs.
Só passo aqui para ver se já nasceu a Lia, se está quase nascendo, quantos quilos tem, etc. :-) Bjos.
Pô, esse post é de utilidade pública. Tinha me esquecido de cortas as unhas do pé. Também, já são dois meses que não tiro o sapato. Boa pedida!
Realmente, concordo com a edição do Brigatti. Assunto underground esse aí...
Agora, depois da apresentação explícita de seus devaneios e taras sexuais envolvendo rituais para se cortar unhas do pé em motéis só posso testificar o que já suspeitava: Vc é definitivamente doente.
Te adoro, freak
Já vi post sobre, mas sobre a serventia das unhas dos pés foi o must, rsrsrs. Beijocas
Quando o cara vai ser pai, mesmo pela segunda vez, ele toma tons mais clássicos... Unhas, motéis, panças, cervejas e fisiologias são temas utilizadíssimos pela literatura clássica.
Viva o Brigatti! Bela avaliação...
Nasceu?
Pra minha sorte , o chefe aqui de casa queria ver minhas unhas e elas estavam cortadíssimas.
>D
Um abraço!
Gay. Da próxima vez, coloco uma simpatia pra amarrar marido. Ou um poema do Neruda.