
(Lia se prepara para o jogo de amanhã)

(Será que o Brasil vai ganhar?)

(Lia se prepara para o jogo de amanhã)

(Será que o Brasil vai ganhar?)
me diga - nando reis
Se eu acordo preocupado com as
providências como uma conta no banco
que eu não tenho dinheiro pra pagar
Isso me aflige e atrapalha
faz com que eu não me dê conta
de outras coisas
Que eu deveria cuidar
(Refrão)
Então me diga
Se você ainda gosta de mim
Porque de você eu gosto
Isso não deve ser assim
Tão ruim
Dos meus filhos eu sinto saudade
eu tenho medo que eles achem que
eu não sinto a falta deles
como eu acho que eles sentem de mim
Pego o meu carro pelo asfalto
uso um sapato da mesma maneira
Por influência do meu pai
(Refrão)
Há quanto tempo eu conheço você
Há quanto tempo eu ainda vou precisar
E eu dependo do que eu
não entendo eu pretendo apenas
que você saiba que isso é o meu amor
Eu fui apaixonado pela Jessica Harper.
Woody-Allen-girl, morena, neurótica, mignon, trabalhou nos meus dois filmes preferidos do judeu: "A Última Noite de Bóris Grushenko" e "Memórias". E cantou lindamente em meu "filme preferido de todos", "O Fantasma do Paraíso", do DePalma, a estréia dela no cinema.

Pois a moça, nem tão moça assim mais, virou cantora infantil.
Acho que continuo amando ela.
(Coluna de hoje no Jornal TodoDia)

O mitólogo americano Joseph Campbell escreveu um livro que ficou famoso e fez a cabeça de hippies malucos nos anos 70, "O Herói de Mil Faces". Apoiado nas teses do psicanalista Carl Gustav Jung sobre o inconsciente coletivo e os arquétipos, ele compilou e comparou histórias mitológicas de várias épocas, culturas, raças - e encontrou muitas semelhanças entre elas. Segundo Campbell todas as narrativas criadas pelo homem (e o mito nada mais é que uma narrativa) surgem de antigos padrões e contam basicamente a mesma história, com algumas pequenas variações, pequenas adequações culturais e alguma adaptação à realidade de quem conta. O livro de Campbell fez muito sucesso; foi como uma iluminação: a mente humana vem criando ao longo dos tempos, sem parar, histórias precidas, com os mesmos padrões, de maneira quase autônoma, quase sempre sem o uso da razão. A banda Greatful Dead pirou com essa informação e começou a fazer música atrás de música baseadas em Campbell. E um jovem cineasta, chamado George Lucas, viu no livro e em suas teorias uma boa base para um filme épico; um filme que contasse a história mítica do herói de maneira definitiva. E realizou a trilogia "Guerra nas Estrelas".
A "invenção" desses mitos pela mente humana acontece muitas vezes de maneira natural, atendendo um anseio do inconsciente coletivo. Alguém com as antenas ligadas "capta" esse anseio e transforma em narrativa. Uma dessas "grandes antenas", grande criador de mitos modernos, atende pelo nome de Stan Lee. Ele esteve atrás das criações de vários mitos modernos, os heróis dos quadrinhos. Os X-Men e o Homem-Aranha são, atualmente, os mais conhecidos representantes desse Olimpo e, não por coincidência, a maiores grifes do cinema arrasa-quarteirão de Hollywwod. Porém quase todos os heróis modernos vindos dos quadrinhos são variações de um super-herói, o mais emblemático deles, o Super-Homem. Criado em 1933, pelos amigos Jerry Siegel e Joe Shuster, e distribuído periódicamente a partir de 38, Superman reúne o padrão mítico mais comum e o espírito de uma época. O padrão mítico comum costuma colocar o herói em uma condição peculiar: geralmente é criado sem os pais, não sabe exatamente quais os seus poderes e vive em um mundo que lhe é estranho, onde é obrigado a se adaptar. No caso do Superman, a época de sua criação influiu em seu, digamos, "significado": os EUA entravam na Segunda Guerra contra os alemães. Superman encontrava uma ressonância em Nietzsche e em seu conceito "super-homem" que,segundo alguns, tinha servido de base para o pensamento hitlerista. O cruzado de capa, vestido de azul e vermelho, virou o símbolo do "imperialismo americano contra a arrogância fascista". No que os aliados venceram a Guerra, o herói ficou mais poderoso. E é emblemático que ele tenha chegado às telas também na década de 70 pela primeira vez, na esteira da redescoberta do livro de Campbell. E talvez seja emblemático que ele volte agora, usando a mesma cueca vermelha por sobre a calça colante azul. E também que estejam duvidando de sua masculinidade. Segundo Campbell ainda, uma peculiaridade do herói é que as narrativas que contam suas aventuras sempre se atualizam, adaptam-se a cada tempo. Vendo o novo Superman talvez ele nos pareça misógino, ridículo cruzando os céus com aquela roupa psicodélica. O reflexo de um povo e de um tempo.
Quem faz a pergunta é o Nababu.
:>)
APDEITE:
Enquanto isso a Leila ensina como Adestrar Maridos.
Botei meu nome na busca do conteúdo Uol e apareceram como:
"Pessoas Relacionadas":
Aldo Rebelo (5)
Woody Allen (4)
Machado de Assis (4)
Fernando Henrique Cardoso (4)
Bispo Rodrigues (4)
:>/
Organizações Relacionadas:
Google (8)
O Globo (6)
NCC (4)
Partido dos Trabalhadores (4)
Microsoft (3)
?
Localizações Relacionadas:
Brasil (40)
Estocolmo (21)
EUA (19)
Rio de Janeiro (13)
Inglaterra (11)
!!!

Esse é o post de maior sucesso do blog do Rafael Galvão.
Semanalmente, novos comentários.
Vejam que o que permanece quase sempre é a ESBÓRNIA.
Rodei pontos de troca de figurinhas ontem, mas não consegui achar o Zidane. Se alguém tiver, eu troco por um Tevez!


Fábio Shiraga manda duas fotos só pra me deixar puto! Ah, que ódio!


Eu não queria mesmo ver esse show!
Ainda mais em Londres!
:>P'''
"Alta Fidelidade" é um filme com ótimos momentos. Para mim, o melhor deles está na cena em que o empregado putz-putz de Cusak vai convidá-lo para sair, mas o patrão não pode; está empenhado em uma tarefa mais atraente: organizar os discos. O empregado-amigo quer saber em qual ordem os discos serão colocados e Cusak informa: em ordem sentimental-cronológica. Os olhos do outro brilham.
Jorge Luis Borges dizia que organizar livros em uma estante é uma maneira de se exercitar a crítica. Com discos é mesma coisa. Cada pessoa que gosta de música deve ter sua coleção organizada de maneira própria e particular. Colocar em ordem alfabética demonstra uma falta de personalidade inadmissível. Não se pode colocar AC/DC próximo de Belle & Sebastian, por exemplo. Separar por gêneros parece muito programático e não dá espaço para artistas ou bandas que não se deixam rotular. A separação e disposição deve, então, seguir características próprias e pessoais, com espaço para improvisos e com misturas inusitadas. Organizar discos é como jazz.
Eu já tive mais discos, mas duas separações, eu posso afirmar, dilapidam o patrimônio. Em uma ocasião tive uma única e comprida prateleira de sete metros onde enfileirava, por pura ordem de gosto, meus mais de mil discos. Eu gostava daquela disposição e estava bem acostumado com ela quando tive que me mudar - de casa e de mulher.
Hoje, meus seiscentos e tantos CDs ficam em três caixas de plástico, dessas de feira. Exceto pelos cincoenta e tantos discos do Velvet Underground, Lou Reed, John Cale e Nico e a coleção de Vic Chesnutt, que ficam em um armário fechado, os outros ficam fáceis, bem ao alcance da mão. Para dar um exemplo de minha organização, vou dizer o que tem na caixa número 1, que eu chamo de "Clássicos".
Ali estão minhas Billie Holiday, Dinah Washington e Ella Fitzgerald, seguidas de umas coletâneas de blues, mais meus B. B. King, John Lee Hooker, Muddy Waters, Johnny Winter, Howlin Wolf, Chet Baker, Ray Charles, Stevie Wonder, Jimmi Hendrix, Ten Years After ("SSSSH" é um dos meus discos preferidos, grande clássico do Blues) e Led Zeppelin. Só depois desses discos é que aparecem os Beatles, Rolling Stones e The Jam, com solos de McCartney, Jagger e Paul Weller.

Seguem, na mesma caixa, Dylan, Cash, Ry Cooder, Neil Young, Willie Nelson, Bob Seger, Bruce Springsteen, Randy Newman, Tom Petty, a coleção completa de Leonard Cohen e Nick Drake, os Van Morrison, Billy Bragg e vários Elvis Costello.
Aí temos um bloco das mulheres com Fleetwood Mac, Patti Smith, Joni Mitchell e Kate Bush, seguidas de The Smiths & Morrissey, Stone Roses, Suede e Prefab Sprout. Perceba ligações intrínsecas entre essa última fila, por favor. Solitário e destoante, está o "Greatest Hits" duplo do Elton John, porque ninguém é de ferro.
:>)
A idéia não é original, claro. Em "Memórias", Woody Allen usa um artifício para sugerir o estado de espírito de seu personagem, o "diretor de filmes engraçados que quer parar de fazer filmes engraçados", Sandy Bates. No período em que está casado com a emocionalmente instável Charlotte Rampling, ele mora em uma ampla cobertura. Ao fundo, um papel de parede, que é trocado duas ou três vezes durante o filme, mostra como Bates está se sentindo. Uma vez vemos Groucho Marx com seu charuto, noutra vemos a famosa foto da execução de um vietnamita in cold blood.

Veio daí a idéia de alterar a foto no topo do template do blog, sempre esperando que a imagem reflita um pouco do estado de espírito no momento. A idéia inicial foi de manter sempre fotos p&b, acompanhando o fundo xadrez - mas pela primeira vez coloquei uma foto colorida. Isso diz muito, vai dizer?
A foto anterior à atual era do filme "Kafka", de Steven Soderbergh - e foi trocada quando roubaram minha senha do hotmail e tinha alguém se fazendo passar por mim e eu nada podia fazer. Situação estranha.
Antes dela, tinha uma foto de Bukowski tomando uma taça de vinho. Buko aderiu ao vinho quando percebeu que as bebidas mais fortes estavam matando-o. Tive uma impressão parecida e passei um tempo apenas no vinho; um conhaquinho de quando em vez, né Francis? A foto do Buko tem a ver também com a leitura que eu e Karen fazíamos de seus poemas.
Agora, boto foto de "Aprile", lindo filme, que a Pat Kohler disse amar como eu, onde o Nanni Moretti se atrapalha entre a gravidez da mulher, mudanças políticas no País, a tentativa de produzir arte, confusão generalizada. Quem viu, quem não viu?
Biajoni diz:
vc acha que alguém pode ter se matado depois de ter lido esse poema do pessoa?
Nelson diz:
Rapaz, com a onda avassaladora de suicídios pela Europa depois dos "Sofrimentos do Jovem Werther", do Goethe, não duvido que alguma alma mais sensível tenha também tentado tirar a vida por causa do poema do Pessoa.
Nelson diz:
Mas como a obra em questão do Goethe é um livro e a do Pessoa só um poema, talvez ele tenha gerado uma meia dúzia de tentativas de suicídio. Nego deve ter pulado no Tejo em época de estiagem. Acredito que ninguém deve ter conseguido...
Biajoni diz:
o poema é lúcido e instiga, vai dizer?
Nelson diz:
Sim, sem dúvida. Mas como eu disse, a obra do Goethe é mais densa, longa e provoca empatia com o personagem. O poema do Pessoa, a despeito de ser instigante, leva mais a pessoa a pensar em como a vida não vale nada - mas sinceramente não creio que tenha suscitado suicídios.
Biajoni diz:
é, mas não dá pra saber, né? de repente o cara leu aquilo e - pum - se matou...
Biajoni diz:
cumé que fica a responsabilidade do poeta?
Nelson diz:
Responsabilidade não é o ponto, nunca. O trabalho do artista, seja ele pintor, escritor, poeta ou o escambau, é dissertar tanto sobre passarinho, borboleta e solzinho quanto sobre o negrume da vida. Arte é provocação e metáfora. Se a pessoa for levar ao pé da letra a sugestão do poema, o problema é com a obtusidade do leitor.
Nelson diz:
Se a arte for se engessar pela "responsabilidade", pelo compromisso em não causar mal à alma coletiva, ela assina a própria sentença de morte.
Nelson diz:
Gente como Augusto dos Anjos, Camus, Virginia Woolf, Rimbaud e tantos outros melancólicos de carteirinha simplesmente deixaram ver com suas dissertações, ensaios e poemas que o lado escuro da vida era parte obrigatória da jornada, nunca um desvio que tinha que ser evitado.
Nelson diz:
Ou, como dizia o Scott Fitzgerald, "Na noite escura da alma são sempre três horas da manhã".
Biajoni diz:
esse poema tem alto impacto se lido em voz alta. é arrepiante...
Nelson diz:
Já li e reli. E cada vez gosto mais.
Nelson diz:
E - acredite - nunca pensei em bater a caçuleta por causa dele.
Pau em mim por ter escrito o que escrevi.
Acontece.
Para deixar claro: quem acha que não tem condições, quaisquer que sejam, não deve mesmo ter filhos. Quem faz a opção mesmo tendo todas as condições, eu acho egoísta. O Alex não concorda. E a vida segue.
O post abaixo gerou discussão e eu acho isso legal. Assim que li o primeiro comentário, da Viva, pensei: "ops". Ela escreveu: "Há outros que não têm filhos porque não se sentem capazes emocional ou financeiramente". É claro que pessoas sem "capacidade emocional ou financeira" devem pensar muito bem antes de se decidirem a ter ou não filhos. Depois veio o Milton, contextualizou e falou sobre "opção de vida" e é mais ou menos sobre essa "opção" que escrevi: se a pessoa tem "todas as condições", uma relação estável com outra pessoa, etc, e decide não ter filhos pois "dá muito trabalho, muita despesa e, mais importante, suga a liberdade", como escreveu o Alex no post-resposta, eu acho que se trata mesmo de "egoísmo intrínseco" - e não "pessimismo", Alex.
Antes de entrar no post do Alex, a Lucia Malla escreveu um ótimo comentário que resume o paradoxo da questão "ter ou não ter filhos" X "futuro da humanidade". O Leo, também nos comentários, falou em adoção e o meu post fala em FILHOS, naturais ou não - é claro que a adoção é uma ótima opção. E a Pat Kohler ficou chateada com o post, disse que ainda não se decidiu se gostaria ou não de ser mãe e ressaltou, num desabafo, as dificuldades psicológicas do processo. Eu amo a Pat e tenho certeza que assim que ela estiver segura e feliz com alguém vai querer ser mãe pois se existe alguém que é o ANTÔNIMO do egoísmo, essa pessoa é a Pat Kohler.
Vamos agora ao post-resposta do Alex e os comentários de lá. Escreveu meu irmãozão:
"Mas, por outro lado, quanta gente vocês conhecem que gosta de cachorro e não tem cachorro? Ter cachorro envolve uma série de responsabilidades que vão muito além de um simples gostar de cachorro. É um compromisso muito sério, um compromisso pra vida toda. Se é assim com cachorros, imagine com crianças".
A comparação dá o viés do pensamento do Alex, que está todo calcado em responsabilidades que os filhos trazem consigo. É ótimo passar uns momentos com crianças e devolvê-las aos pais, mas não é sobre isso que escrevi no famigerado post abaixo. Dividir as responsabilidades - assim como as tristezas, alegrias, etc... - significa Amar; o contrário do egoísmo.
Mas o Alex acerta quando diz que pode ser que mude de idéia sobre a questão, pois ter filhos é mais ou menos (vou eu me arriscar a uma comparação besta) como experimentar compota de caju: você vê, cheira, torce o nariz... mas depois que experimenta não quer nunca mais largar.
:>)
Nos comentários do Alex, está o Inagaki, que é um cara que eu também amo. Ele acerta sobre o texto ser, segundo ele "xiita", prefiro "reativo": é um texto escrito para jornal, e meus textos para jornal procuram ser sempre, digamos, "provocativo". A idéia é sempre que o leitor leia, faça uma cara de espanto, e chame o camarada do lado: "Ei, olha aqui o que esse cara escreveu!".
Kitagawa disse, lá, que quem não quer ter filhos talvez não seja egoísta, mas individualista, embora eu ache a mesma coisa. No final, talvez basicamente, seja o que o Lefebvre comentou lá: "A velha questão da responsabilidade. A desculpa para tudo".
Também gostei muito dos comentários da Kyn (linda!) e da Flavia (que é viciada em listas!). Acho que a discussão está boa e legal e espero que ninguém leve nada pelo lado pessoal. Essa coisa de filhos, mexe com a gente, vai dizer? Sem contar que fiquei sabendo hoje, logo cedo, que minha irmã também está grávida! Esses Biajonis têm aptidão pra gerar.
:>)
(Artigo meu que deve ser publicado em alguns jornais da região amanhã, terça-feira)
No final de semana passado nasceu minha segunda filha. Minhas duas nasceram no Hospital Municipal de Americana, que desenvolve um tabalho maravilhoso, exemplar. Como, por princípio, sou contra planos de saúde, acreditando que é dever do Estado nos dar prevenção e cura, recorro ao sistema municipal sempre que preciso - e nunca me decepcionei. Já me dirigi ao hospital mais de meia dúzia de vezes com cólica renal, e sempre fui muito bem atendido. Muita gente reclama da demora, de alguma rispidez que talvez possa haver, mas tudo isso é natural. Geralmente é o povo mesmo que é impaciente, bruto, mal-educado e exigente demais. Enfim. Nasceu minha filha Lia e sempre que uma criança nossa vem ao mundo traz com ela reflexões. E a primeira que me veio, remanescente ainda do parto de minha primeira filha, Isabelle, é que as pessoas que vivem sem pensar em ter filhos são genuinamente egoístas. Tenho nojo, apesar de respeitar, aqueles que batem no peito e dizem: "não quero ter filhos". É um ato covarde, que mostra bem a personalidade: são pessoas que nada acrescentam à sociedade, pessoas de um pessimismo intrínseco, que não deviam ser consideradas no censo. Se você não pensa em prolongar a existência, dar continuidade à Humanidade, obra de Deus, através de um filho é provável que você não se importe com o destino do Mundo, ações de preservação da Natureza e deve mesmo ser daqueles que jogam o papel de bala pelo vidro do carro. Independente de qualquer crença, ou da estúpida definição de família como celula-mater da sociedade - não é disso que falo! - querer ter filhos é querer dividir sua vida, as coisas todas boas que você viu e aprendeu ao longo da existência, compartilhar, surpreender-se, maravilhar-se com as pequenas capacidades das crianças mui pequenas e as grandes capacidades das crianças nem tão miúdas... A genética não sabe ainda até que ponto somamos e nos dividimos, em matéria química, em nosso reflexo-contínuo; não são apenas as cores dos olhos, dos cabelos, o comprimento dos dedos, o contorno dos lábios que fazem dos nossos filhos espelhos de nós... Algo vai além, algo que algum espiritismo canhestro tenta nos explicar evocando crendices bestas, reencarnacionices de dívidas que nunca saldamos. Bobagem. Algo vai além pois em nosso contato fino com alguém criança, alguém novo, barro úmido, carimbamos nosso melhor, tentamos filtrar nossa negatividade toda, formando & transformando alguém melhor para o futuro do Mundo, um contribuinte do Mundo Melhor de Amanhã. Quando desistimos disso, ou subvertemos isso, criando pequenos bandidos ou assassinos, assinamos termos de compromisso com a Desumanidade. Não, a Desumanidade não é o Diabo, não é Satã. A Desumanidade é o que vai exterminar em algum tempo esse nosso Planeta. Ao tentar se eximir dessa responsabilidade muita gente joga mais uma pá de cal na cova do Mundo.
No final de semana em que nasceu minha filha houve encerramento de Festa do Peão e jogo do Brasil. Foi um final de semana de fogos de artifício. Não consigo pensar em nada mais estúpido e besta que fogos de artifício. Alguns torcedores da Seleção - como se torcer resolvesse alguma coisa - soltaram fogos antes do jogo (pra quê?), na hora do intervalo (hein?) e no final (ok, para mostrar o contentamento com a Seleção. Havia motivo para tanto?). Fogos de artifício são uma coisa invasora. Quem solta não está preocupado se seu vizinho está doente ou se uma criança acabou de nascer: ele quer enfiar goela (ou ouvidos) alheios abaixo que está feliz. Ora, ache outra maneira de se expressar! Não me imagino provocando tal balbúrdia em ambiente urbano, incomodando meus vizinhos. A Festa do Peão não deve saber, mas os fogos que ela queima no evento podem ser ouvidos até por internos do Hospital Municipal. Deixar de soltar fogos não iria influir na grandeza e maravilha do evento. A sugestão para o próximo ano é que o valor que investiram nesse ano em fogos seja doado para instituições que cuidam de crianças. A ação talvez revertesse até em mais marketing para o evento. E podia mesmo ter efeito educativo sobre os viciados em fogos. Além de, é claro, ajudar no futuro de nossa mísera Humanidade.
(Primeiríssima foto de dona Lia)
(Karen dava de mamar menos de uma hora depois do parto. Incrível o que se faz hoje em dia)
(Nascida em dia literário, se fosse homem chamaria Luiz Ulisses, independente do dia que nascesse)
(Trio Parada Dura, minha irmã, Jennifer Aniston, com Lia e Karen)
(Com a Tia-Madrinha, que deve receber homenagem no nome. Pensamos em colocar Lia Mel Bassetti Biajoni)
(Minha mãe e a mais nova neta)
(Única fota com o fotógrafo. Ela botou a mão na frente, cansada dos paparazzi)
Super obrigado a todos que ligaram, mandaram boas vibrações, ligaram, mandaram torpedos, e-mails, comentários. Obrigado mesmo, Karen também agradece. Especialmente a linda da Viva, com quem não pude conversar direito ontem... Desculpa Viva, Gabi e Sandra. Super abraço pro Flavio Prada que ligou lá da Itália.
:>)
Estamos sem internet em casa. Novidades só na segunda. Mas está tudo ótimo, muito bem mesmo!
A Lia é linda, mas está chatinha por causa da vacina BCG que tomou agora a pouco.
Beijos a todos!
Às sete da manhã fomos eu, minha mãe, Karen, Dudu e mãe da Karen, para o hospital.
Fomos ouvindo Sonic Youth pra acordar.
Sete e dez chegamos ao hospital.
Lia nasceu exatamente às oito horas!
Incrível como essas coisas acontecem rápido hoje em dia, vai dizer?
:>)
Nasceu cabeluda e banguela, com 50 centímetros e 3,470 kg.
Não eram nem nove horas e já tava SUGANDO nos peitos da mãe.
Karen passa super bem, deve ir para o quarto daqui a pouco, onde fica até domingo por volta do meio-dia. Se tudo correr maravilhoso como está, assistimos ao jogo do Brasil em casa.
Obrigado a todos pelas vibrações, e-mails, telefonemas.
Vocês são lindos!
APDEITE:
Com essa correria, nem lembrei do aniversário de um ano do blog.
E hoje é o Blogs Bloomsday do Leandro Oliveira, no ano passado meu post sobre o assunto foi um dos primeiros aqui. Tá valendo ainda, Leandro?
:>)
Karen será internada amanhã, sexta, 7h. Lia deve nascer lá pelas 9h.
:>)
Abaixo, minha coluna que iria sair amanhã no TodoDia, mas foi vetada pelo editor Gustavo Brigatti por não "ser pop o suficiente".

(Desenho de Anne Karin Glass)
CORTANDO AS UNHAS DO PÉ
Algumas questões ancestrais têm perturbado minha vida nesses dias de Copa. Uma é se Adão tinha umbigo. Outra é a real utilidade dos mamilos masculinos. Mas a mais angustiante, que desafia as explicações de criacionistas, tem a ver com a existência das unhas do pé. De que servem? Para quê existem? Deus pensou bem nelas quando as criou? Chego a algumas conclusões inconclusivas. As unhas do pé crescem para que outras pessoas as cortem. Quer dizer: é anatomicamente desajeitado cortar as unhas do prórpio pé. Talvez o criador tivesse pensado nisso quando nos projetou – a necessidade de outro para nos cortar as unhas do pé exigiria uma integração, uma socialização. Estou tentando convencer minha mulher dessa teoria, mas ela prefere visitar a pedicure a deixar que eu execute o serviço. É mais profissional, ela diz. O fato é que fico sem ninguém para me cortar as benditas e acho um desperdício pagar alguém para fazê-lo. Minha pequena mas saliente pança de cerveja contribui no sentido de dificultar minha ação. Cada vez que me vejo obrigado (no limite do furar de meias) a cortar as unhas, idéias estranhas chegam à minha mente. As unhas da mão têm lá sua utilidade: servem para coçar, arranhar, tirar cravos, roer, cutucar o nariz – mas e as do pé? Não que eu queira questionar a criação divina, mas... que coisa mais estranha a unha do pé! Fica lá crescendo escondida, fora da nossa visão e do nosso controle. Cresce como quem diz: “o tempo está passando, você está envelhecendo...” Imagino que seria interessante se o cortar de unhas do pé se tornasse um ritual de acasalamento, de namoro. Você marcaria com sua gata: hoje vamos cortar as unhas. Passaria pela casa dela no horário habitual, todo cheiroso, e iriam prum motel. Chegando lá cada um colocaria sobre a cama seus instrumentos: tesouras, alicates, lixas, cremes... Ambos, nus, poderiam começar então, num revezamento de dedos, começando pelo mindinho, a podar, lixar e embelezar a unha do outro. Goles de vinho nos intervalos. A visão daqueles instrumentos cortantes na penumbra, sob a luz negra, o reflexo do inox. E o barulho da unha se partindo, tic, tic, com Kim Carnes ao fundo. Depois o sexo sobre os restos. Unhas duras espetando e furando um pouco as costas. Gozo e unhas aparadas. O fisiológico se impondo sobre nossa condição humana... Para muitos o cortar de unhas não passa de um exercício algo banal e troncho que serve apenas para atrapalhar nossa rotina. Mas podíamos transformar essa pequena ação em algo mais poderoso. Que a vida é rasteira e as unhas crescem todos sabem. Pensar novas maneiras de apará-las é que pode significar o início da construção da razão para nossa existência. Algo muito mais interessante a se fazer do que ver o jogo da seleção.
- Diliça entrevista que o Xande Xanxes fez com Odair José. O cantor tá em alta, fazendo até comercial de cartão de banco!

(Ixtaiêl)
- Falando em música, o Cláudio Costa conta como as autoridades australianas estão usando o feitiço contra o feiticeiro, usando música para espantar baderneiros que ficam com o som alto ligado e músicas hor-rí-veis!
;>)
- O Ronzi, que tá de blog novo, entrevistou o "Guru do Gore Nacional", Petter Baiestorf para a revista OpenHead. É dele o clássico "O Monstro Legume do Espaço". (Cuidado com o link, imagens fortes) Diz o cineasta catarinense: "Quem quer assistir que assista, eu mesmo não encho mais o saco de ninguém... Filme é tudo bobagem mesmo!".

(Gravando cena do mais recente filme, "A Curtição do Avacalho")
- E hoje, quem toca em São Paulo é o Sigue Sigue Sputnik. É mole?

(Medonho, vai dizer?)

Clique no clássico banner abaixo para ler minha nova coluna na Antena 1:

O disco, ganhei de presente de Alex Castro.
Eu e Karen fomos ver X-Men 3 e devo dizer: é maravilhoso! Grande filme, excelente síntese e resumo das histórias em que foi baseado. É incrível como essa "nova" mitologia inspirada em quadrinhos atende às questões filosóficas, existenciais e etc... dos jovens/adolescentes. Um filme de ação cheio de mutantes estranhos (que é afinal como se sentem todos os adolescentes) onde o maniqueísmo vira fiapo, onde a morte é real, onde a(s) responsabilidade(s) inerente(s) a cada ser-humano é questionada (já a partir do slogan: "De que lado você está?"). Muito bom mesmo, grandes atuações, gostei tanto quanto o Bruno. O filme fecha uma trilogia e temo pelo quarto episódio. Mas talvez calem minha boca de novo.

(Foto que eu ganhei da Rebecca, na época em que eu era místico)
APDEITE:
Sobre X-Men 3, vejam isso!
(Eu e Isabelle)
(Minha irmã, Melissa, e o filho dela, Théo)
Asssti com prazer esse filminho, "Layer Cake", que teve esse PUTA título em português: "Nem Tudo é o Que Parece". Uma merda de tradução, vai dizer? Enfim. O filme é bom e o diretor estreante, MatthewVaughn, produtor de Guy Ritchie e CATADOR da Claudia Schiffer, parece fazer jus às moedas que apostam nele. À frente de "Layer Cake" está o novo James Bond, Daniel Caig.

Certo, certo, Craig não é Lawrence Olivier, mas até que tem aquele ar blasé importante para o Agente Secreto preferido de Vossa Majestade. Vendo o filminho com o ator e reparando em alguns de seus trejeitos indisfarçáveis; numa semana que passei ouvindo o novo Morrissey, bateu-me uma idéia que talvez pudesse ser a salvação para a série 007:
A música de abertura podia ser "You Have Killed Me", da bicha gorda. Na abertura, um monte de ármarios, de vários tipos, cores, tamanhos, formas... Os armários iam se abrindo e deles saíam musculosos ITALIANOS de mustache, sem camisas. Em lenta fusão, a face atormentada de Daniel Craig, como se estivesse dormindo, em pleno pesadelo. Segue a musiquinha do Morrissey e os créditos, quando Craig soltaria um gritinho e acordaria. Ele está na Itália para uma missão. O bandido talvez pudesse ser Tom Selleck. Ele tem uma foto de Tom Selleck na parede e olha para ela (a foto) com certo ódio determinado... o olhar fica afável. Ele está apaixonado pelo vilão!

Bond viveria uma crise; chegara o momento de sair do armário. Isso atualizaria o herói e podia ser o mote para, novamente, a série mostrar um monte de mulher pelada, todas querendo DAR pra ele e ele fazendo "CREDO, SANTA!". Esse primeiro episódio podia ter participação especial de Billy Zane.
Dei de presente e minha filha está lendo um dos livros que marcaram minha pré-adolescência, o "Histórias Extraordinárias", de Edgar Allan Poe. Essa nova edição da Ediouro, apesar de um pouco mais cara que outras, traz a tradução de Clarice Lispector - a mesma que eu li há muitos anos. Clarice traduzindo Poe é super, vai dizer?
Meu conto preferido é "O Gato Preto", que tem uma edição especial da Cosac&Naify com ilustrações antigas de Goeldi e tradução novinha de Bernardo Carvalho.
Se você tem mais bala na agulha e ama esse senhor sombrio, "Not exactly the boy next door", segundo Lou Reed, arrisque a obra completa.