empilhados na categoria (?) wit & beauty

sol, café (= bom)

dino flare

window/tree

café

a pergunta do NYT (em 2003) foi:

"o que você acha que está reservado para o futuro da ciência?"

John Maeda, do MIT, autor de The Laws of Simplicity, respondeu assim:



["Em meio a toda a atenção dada às ciências e como elas podem levar à cura de todas as doenças e problemas diários da humanidade, creio que a maior revolução será a compreensão de que as artes -- convencionalmente consideradas "inúteis" -- serão reconhecidas como a maior razão pelo qual tentamos viver mais, ou com mais prosperidade. A arte é a ciência de apreciar a vida." tradução livre]



eu não poderia concordar mais.


a ciência, aparelhada pela tecnologia, progride vertiginosamente. conhecemos mais partículas sub-atômicas do que se poderia fantasiar quando batizaram o indivisível atomos grego. sequenciamos genomas como quem opera uma calculadora de camelô. fizemos mais avanços sobre o universo do que deveria ser permitido a uma mente humana conceber. fatiamos esse cérebro em mil pedacinhos para descobrir minúsculas áreas responsáveis por ações e sentidos, e contamos sinapses e medimos eletricidade.

ainda assim, a neurociência ainda não foi capaz de chegar perto de descobrir o que forma a consciência. onde está o dispositivo que transpõe a atividade químico-elétrica em um fluxo coordenado de ações. como se organiza, cientificamente, o interlocutor da arte.

estamos caminhando para o pós-humano; criando robôs e/ou usando parte deles em nosso corpo. da mesma forma, emulamos neurotransmissores, enzimas e hormônios em laboratório. mas não avançamos na compreensão lógica da mente. para uma visão reducionista, isso não faz diferença; a "existência" não passa de estratagema, fantasia, caleidoscópio cerebral. o problema dessa abordagem é bem descrito por Jonah Lehrer no ensaio "The Future of Science... Is Art?", da revista Seed:


Conhecemos a sinapse, mas não nos conhecemos. A lógica do reducionismo implica que nossa autoconsciência é apenas uma ilusão elaborada, um epifenômeno gerado por algum tremor elétrico no córtex frontal. (...) Seu cérebro contém 100 bilhões de células elétricas, mas nenhuma delas é você, ou se importa com você. Na verdade, você nem mesmo existe. A mente não passa de uma realimentação infinita de matéria, reduzível pelas calejadas leis da física.


O problema com este método é que ele nega o próprio mistério que tenta resolver. (...) O paradoxo da neurociência é que seu incrível progresso expôs as limitações de seu paradigma, já que o reducionismo fracassou em esclarecer nossa mente. Muito das nossas experiências continuam fora de seu alcance."
tradução livre. leia mais


o texto de Lehrer aborda a questão por um outro viés: o de como a ciência precisa da arte para poder evoluir. da importância do pensamento metafórico estar próximo à ciência -- para que possam surgir novos insights, novas concepções que levem a novas teorias. de abordagem totalmente diferente das existentes. arte na ciência para alavancar mudanças de paradigmas onde não houve sucesso - apenas complexificou-se o entorno da questão.

já na frase de Maeda, há ambiguidade. tanto pode a ciência prestar mais atenção à arte, sua função existencial, quanto passar a um segundo plano -- onde a velocidade e o poder da ciência sejam fato consumado e a arte passe a ocupar os principais esforços nas tentativas de proporcionar uma jornada mais plena aos humanos.

sempre cabe lembrar: ambas as possibilidades encontram lastro na sociologia. o caminho estéril da pós-modernidade é um fato, mas não uma sentença. o vazio e a solidão inexorável do indivíduo são um traço cada vez mais presente; é possível imaginar que, com tempo, haja menos combate e mais construção. se a sociedade fica rasa e muito veloz, a importância da arte só cresce: a partir dela é possível atingir profundidade, questionamento e entendimento da própria condição. tarefa onde escritores, pintores e cineastas tem saído-se muito melhor do que físicos ou geneticistas.


a arte é uma nascente vital da modernidade líquida. é possível que seja mais? talvez a frase-título do post possa conter menos licença poética do que parece à primeira vista.


o ponto de encontro de arte e ciência é o momento em que a razão ficará confortável para entender a consciência e seus sentimentos -- sem tanger espiritualidade ou psicanálise. hoje conhecemos a máquina orgânica que somos, mas não sabemos porque estamos discutindo tudo isso o tempo todo. e trata-se de assunto delicado, porque assim como a finitude do universo, "mistérios para a ciência" também é uma concepção perturbadora. e estamos todos tentando apreciar a vida, certo?

talvez surja de uma nova grande teoria. ou quem sabe apenas uma questão de tempo a essa mesma linha de trabalho. invariavelmente, a arte é o que continua, e continuará, alimentando o que as células não são capazes de nutrir.

cinco filmes emossionantes

veio do MondoKicha - e já faz um tempo - meme daqueles divertidos de responder. cinco filmes que tenham sido malhados pela crítica ou ignorados pelo público. vou logo avisando que estou longe de ser um cinéfilo, portanto uso como o parâmetro os titanic, twister, indiana joe etc. que se desvio o meme não vale dizer "ah, mas o número 3 ganhou globo de ouro!". até porque, pô, é só um meme... êta palavrinha tenebrosa. links via imdb



ace ventura

Ace Ventura: Pet Detective (1994)
yeah! esse eu devo ter visto umas trocentas vezes (seguido de perto por O Mentiroso, também preferido da Gabi). Jim Carrey: love it or leave it, pal. esse foi o que deu origem à série de sucessos do ator. tosco, mal-feito, rasteiro, show-off, pastelão e engraçado pra cacete. é um festival de emossões: tem perseguição de carro, polícia, tiroteio, Courtney Cox galetinho, futebol americano, piada com bunda falante, golfinho, Cannibal Corpse, animais variados, travestis etc. e um personagem chamado Mr. Shickadance! não basta ser engraçado, tem que ser cretino e absurdo. estranho como me identifico com isso.



brain candy

Brain Candy (1996)
pouquíssimo visto, o longa-metragem do Kids in the Hall! o que é uma pena, porque, evidentemente, é hilário. no esquema cinco-atores-fazem-31-personagens, o grupo conta a história de um grupo de farmacêuticos que descobre uma pílula que cura a depressão. as pressões da indústria pra lançar logo o remédio evitam todos os testes necessários e... bem, é um festival de emossões! tem ciência, conspiração, gays fazendo número musical, jornalistas, referências múltiplas, humor nonsense avançado etc. e participação de vários personagens da série, inclusive Cancer Boy! mas vale procurar na sua torrent-locadora mais próxima mesmo se você não for fã ou não conhecer o seriado. bem atuado, descompromissado, um dos melhores filmes canadenses que já vi. (?) (ah, o Denys Arcand)



get shorty

O Nome do Jogo (Get Shorty, 1995)
descobri esse filme quando meu pai tinha uma locadoura de bídeo. vários endossos: dirigido pelo Barry Sonnenfeld, baseado num livro de Elmore Leonard, estrelando John Travolta, Rene Russo, Danny DeVitto e Gene Hackman. pô, se eu lesse isso num release hoje ia achar uma baita - droga. mas nem! a história de um cobrador da máfia apaixonado por cinema não rende só um roteiro redondinho, como bota Gene Hackman a fazer um dos papéis mais engraçados que não se poderia imaginar que ele fizesse (bem antes de The Royal Tenenbaums, lembrar). e como se pode imaginar, é um festival de emossões: tem mafiosos, tiroteio, metalinguagem, canastrice, drogas, chicanos, roteiros de cinema, ego, citações, Beverly Hills, Rene Russo etc. e tem Dennis Farina, o ator-B mal-humorado mais engraçado do mundo! (tu sabe, o Avi de Snatch!) aliás, das suas linhas nesse filme, eu seguido repito "Fuck you, fuckball" e "E.g., i.e., fuck you!"



point break

Caçadores de Emoção (Pointbreak, 1991)
esse também tá na lista do Fabrício. é um filme que não tem nada a ver comigo ou com o tipo que eu gosto, mas paro qualquer coisa pra assistir numa eterna reprise. Patrick Swayze e Keanu Révis vivendo loucas haventuras? isso é TANGO & CASH PÓS-MODERNO, maifrend. mais do que qualquer um dos outros, é... um festival de emossões: cinemão com tiro, surfe, skydiving, reféns, polícia, perseguição de carros, cena de sexo com mina palha, suicído etc. e tem o Gary Busey! um dos meus preferidos na galeria pessoal de celebridades dementes (vida longa à britney careca). dos ruins, um dos melhores. e aquele lance de usar as máscaras de presidentes é bom demais pra ser verdade. (até rendeu homenagem do teatro do concreto armado)



aqua teen

Aqua Teen Hunger Force Colon Movie Film for Theaters (2007)
ia colocar na lista o fantástico, tão-marcante Singles do Cameron Crowe, mas preferi fechar seguindo a mesma linha comic-nonsense anterior. e isso aqui, bicho, é puro caos. antimatéria. de Matt Maielaro e Dave Willis, demônios nonsense da [produtora] Williams Street ((almighty) Space Ghost Coast to Coast, Metalocalypse, Sealab 2021, Harvey Birdman - Attorney at Law, 12oz Mouse, Robot Chicken), vem esse festival de - arrá - puras emossões: tem máquinas de musculação, busca das origens, plutonianos, antigo Egito, personagens de Atari, Mastodon, fêmeas botando ovos, viagens no tempo, flashbacks, Neil Peart, nuggets de frango etc. bom, se o leitor não está acostumado com o desenho, saiba o que a imagem acima confirma: ele é estrelado por um pacote barbudo de batatas-fritas de lanchonete, um copo de milkshake e uma almôndega.

ou seja, estamos falando de algo que REALMENTE PODE FAZER ALGO PELO MUNDO. (e tem bem menos ironia aqui do que se pode imaginar.)

o roteiro é uma linha muito fina, continuidade é luxo, orçamento baixíssimo. surrealista. abstrato. dadá. muitas vezes ofensivo, e de gargalhar. a trilha no começo avisa: "If you do not understand, you should not be here". e o caso aqui é compreender que o cultivar o caos é a única forma de encontrar algum sentido nisso tudo que nos cerca.

e dando risada, o que é melhor!

~. ~

bereteando não repassa o meme, mas ó - se servir de empurrão, que se diga que há curiosidade de ver que listas de filmes impop (heh) produziriam brigatti, milton, renmero e o xará com agá. quem quiser, claro, que tome pra si - avisa pra eu lincar!


cinematic leprechauns, unite!

for your eyes only

ian_penguin

The centenary of Fleming's birth was clearly a good time to revisit the Bonds and cover them in a package that says, yes these are fun, but also makes it implicit that there's no reason not to take them seriously. Most importantly, they should look like books worth owning.(palavras do editor)

fantástica, belíssima, tesuda série de capas que Michael Gillette pintou para a nova série de Bonds da Penguin Books. veja todas aqui - e como você sempre quis, sem o logo 007-Penguin grotesco destruindo a arte.