é uma coisa meio assim:
uma casinha cheia de você e eu fora
porque isso é coisa de
gente grande.
e eu mesmo grandão fico um pouco
pequeno quando tenho medo de
podar pra poder crescer
mais.
e as flores no teu cabelo e
eu desfolhando no jardim, tendo que
esperar outro verão pra ter mais
sorte.
e no balanço me jogo
pra você mas há as correntes e a árvore
balança e o céu é maior
que a terra.
e tu voando e eu
engatinhando e te esperando pra
me acompanhar e planar juntos
no fim da tarde.
e os pássaros cantando pra gente e
levando galhinhos pra enternecer tuas
mãos e eu me pego querendo criar
raízes pra sempre aqui.
e os morcegos de noite porque eu
ainda broto sem saber que destino
condena-me e por isso mantenho-me
cativo do lado de fora.
mas ouve, aduba em mim e me cria samambaia
plena e patética pendendo no umbral da janela
enverdecendo teu ar e alimentando os
beija-flores.
que nas minhas folhas recito poesia de
clorofila e abraço teu corpo com longos caules –
pouquinho do que poderia ser mas ao
menos pertinho de ti.
é meio estúpido, eu sei;
mas é que é coisa de gente grande
e eu ainda me
sinto meio verde.




