empilhados na categoria (?) ruminâncias

tempos modernos

goo.jpg fui ao templo da perdição na livraria Cultura hoje e notei, quietinha como quem não quer nada -- ao final da gôndola dos cds, havia uma outra, pequena, de DISCOS DE VINIL.

socorram-me; subi no ônibus em 1988.

a delícia à esquerda foi quem captou minha atenção. gigante e gloriosa como uma pizza de sulcos harmônicos.

250 pilas. sendo que os preços começam nos 80.

donde,
1. porque o raio da indústria fonográfica não investe de novo no vinil? ganhar mais dinheiro de menos pessoas e tal etc.
2. maior variação de preço para um bem de consumo cultural em parco período de tempo.
3. championship vinyl lives on. e a toca do disco também.
4. SMELL THE HYPE. backwards hype. vintage feeling.
5. um ouvinte de vinil será como o cozinheiro que planta seu próprio tempero. vinil será o slow food da música.

alô procon

alô procon (zoom)

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parem as rotativas os leitores de feed! atalhe urgente para estes posts:

publicitários, SEO e mentiras - uma revolta, por O Primo
Olivia avisa: futilidade e inércia, não confundir com "internet", pera lá!
achismos sensíveis e bereteios da Tainã sobre as possibilidades do jornal impresso
Rafael Galvão sobre press releases, coragem e o fim da crítica de cinema
e - sem queimar o Dunga - que o Brasil fique fora da Copa 2010! Milton Ribeiro cansado de guerra


daqueles dias em que a inspiração parece certeira. grandes, pertinentes, questionadores ataques e defesas. boas críticas. mini-ensaios, tubos de. sementes.


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segue até as 14h desta quarta o Firefox Download Day. tá por fora? argumentos? comofas///? logo abaixo! até o momento deste post madrugadeiro, 3.740.238 cópias baixadas, sendo mais de 120 mil brasileiros. e de Samoa, 4.

machine listening

nessa onda recente de serviços web2.0 de mixtapes, hoje uma notícia me chamou a atenção. post do Techcrunch sobre o EchoNest, dizendo:

"Machine Listening" is the idea that computers can be programmed to interpret audio signals the same way humans do. This means that they can tell when a song belongs to the blues genre rather than techno. And they can detect musical characteristics like tempos, transition types, and harmonies.

ou seja: uma tecnologia capaz de entender a música como nós, humanos, entendemos - para distingüir gêneros, tempos e harmonias e melhor organizar dados e correlações entre músicas distintas.

a aplicação-teste que já está no ar é o thisismyjam, que permite que se busque as músicas desejadas (ou quase; muitos artistas, poucas faixas), adicione ao mix e o serviço monta o melhor setlist para suas queridas canções.

pois administrei-lhe um teste.

/music nerd mode on

bastante didático, cheio de barbadinhas, oferecendo um caminho lógico para que trabalhasse - com uma ou outra pegadinha. os artistas que adicionei, em ordem alfabética: Anal Cunt, Black Sabbath, Brian Eno, Carcass, Crowbar, Colleen, Disgorge, Entombed, Gorod, John Lee Hooker, Led Zeppelin, Loscil, Morbid Angel, Polvo e Quest of Aidance.

a mixtape (que é feita de samples de 15 segundos :P) entregue foi a seguinte:

bem ruim, né?

a favor: ele lê bem os ritmos e os compassos parecidos.
contra: ele altera o tempo na hora de fazer o crossfade entre uma e outra.
e mais: se ele tá tentando ser criativo, não tá funcionando.

a ordem gerada foi a seguinte: John Lee Hooker, Loscil, Colleen, Black Sabbath, Led Zeppelin, Brian Eno, Gorod, Disgorge, Polvo, Carcass, Entombed, Morbid Angel, Crowbar, Anal Cunt e Quest of Aidance.

são vários acertos "individuais" (que estamos contando transições): Loscil com Colleen, Sabbath com Led, Carcass e Entombed, Anal Cunt e Quest of Aidance. mas jogar a primeira faixa do Music for Airports de Brian Eno - uma peça ambient minimalista só com um pianinho - no meio de Immigrant Song e Gorod, que é tech death... é uma aberração. Polvo, que faz rock alternativo, também ficou perdido no meio de duas quebradeiras extremas. Crowbar lá no final ficou lamentável.

o gabarito da prova seria: Loscil, Brian Eno, Colleen, John Lee Hooker, Polvo, Led Zep, Sabbath, Crowbar, Entombed, Carcass, Gorod, Morbid Angel, Disgorge, Quest of Aidance e Anal Cunt. se ele tivesse pesquisado as tags dos estilos (de uma API do last.fm, digamos), e pudesse fazer relação entre eles, teria chegado lá fácil.

/music nerd mode off

ainda que os resultados não sejam bons o suficiente, fica a pergunta óbvia: será que um dia o computador vai ser capaz de analisar a música da forma que nossos ouvidos e cérebro processam? me parece que sim. mas será que ele vai ser capaz de dar um toque de estilo, criando pausas criativas ou sugerindo conexões brilhantes e pouco óbvias para nós?

hm, parece que sim, também.

será que um dia sites da web vão montar mixtapes para outros amigos sites da web escutarem?


ando vendo muito Futurama.

a título de por aqui

já fui, já voltei e não apenas parece tudo no lugar - piscando de sono aqui na minha mesa, quase não lembro que estive embora. culpa minha. dessa mania de exercer instantes; as experiências ganham halo de sonho em flashback. não é uma grande idéia. viver em episódios cria muitos intervalos.

ou ainda, duas semanas sem coreldraw: muito pouco.com.br.



disto posto, esperemos



O INCRÍVEL MUNDO QUE FOI EMBORA DURANTE AS FÉRIAS

estranhou que não houvesse ninguém para conferir o canhoto da bagagem. pensou que podia ter pegado a sacola de freeshop que ficou rolando três vezes na esteira. na área externa do aeroporto, parou e acendeu um cigarro, estranhando: ué, trocaram o lugar do ponto de táxi? nem táxi nem carregadores de malas; coçando a cabeça, uns pássaros piando na mureta em frente, intrigado. o silêncio. jogou a mão na frente do sensor da porta, abrindo para luzes e mais vazio. zumbido de luminosos e vapor dos alto-falantes, a cada instante irrompendo ao nada na voz metalizada da locução: todos os passageiros, embarque imediato. por favor, portão 2.

então era assim: um dia ia acontecer, bem que o vô dizia. um dia o mundo é que ia tirar férias do resto da gente.

arremessou a bituca na direção dos pássaros, levantou a mala no ombro e partiu a pé, tentando lembrar onde morava.

deu no The Sun:

LED ZEPPELIN are rearranging classic tracks for their big reunion - after ageing frontman ROBERT PLANT found he could no longer hit the high notes. (...)

“Jimmy is a bit rusty and Robert has been struggling with the high notes. To avoid any embarrassing vocal wobbles with the world watching, they decided it would be best to transpose the songs in a lower key.”


bueno - faz tempo que a voz de Plant não é mais a mesma. pra usar um marco fácil, naquele 'acústico' No Quarter, de 94, ele preferiu cantar em tons baixos (ajudado pelos arranjos mais leves), e os agudos já estavam bem feios. agudos, mesmo problema de Ian Gillan, do Deep Purple: depois da gravação de "Child in Time" no In Japan - o melhor disco ao vivo da história do rock -, era 1972 e se sabia que ele não poderia fazer aquilo muito mais vezes. faz tempo que mudou o estilo de cantar.

(claro - não seria mesmo possível que Plant pudesse ainda gritar como na introdução de "Immigrant Song", 25 anos depois. mas não deixa de ser um pouco triste quando seus ídolos envelhecem como humanos.)

melhor sorte tem o véio Ozzy, que sempre teve uma voz média e de estilo sem muita gritalhada. ainda segue cantando muito parecido como nos anos 70; antes a voz era melíflua por causa do trago, e hoje é porque ele ficou meio abobado das dogras. mas sempre foi um bom vocalista - um dos maiores pelo estilo e carisma, não pela técnica - que precisou de parcerias. e as últimas tem sido terríveis. e ele entrou numas de fazer baladinha pros filhos a cada disco desde 92 e aí é bucha. Ozzy pode cantar, apesar da voz bem cansada - mas tem ficado cada vez menos interessante.

o que nos leva a uma contagem de dois, entre os remanescentes deste reality show de Bereteando. envelheça como fã, o show!

thumb.JPG

não sobraram mais humanos nesta disputa. o maior entre os vocalistas continua sendo aquele que é um dos menores a habitarem a Terra: na última medição, Dio tinha 1m27cm de altura. é provável que Dio jamais morra - quando terminar a mutação de volta para elfo e não conseguir mais alcançar o microfone, recolherá-se em sua caverna em Beverly Hills ao lado de sua esposa Wendy Dio. enquanto isso, segue barbarizando os palcos afora com seu timbre ainda perfeito, e ótimo fôlego.

apesar disso, numa comparação de vocalistas entre os anos 70 e hoje, nunca ouvi nada igual a Geddy Lee - ou unidade FPK63243v2.2 do planeta Przçñfghrwqk. seus osciladores seguem muito bem calibrados e continuam soando daquela forma bizarra - e única. aliás, o Rush é a única banda que segue a mesma, e fazendo shows muito parecidos com os dos 70.

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no próximo bloco, a reforma da língua e como ela deve afetar o falseto.

o Träsel publicou um mini-ensaio chamado "os blogs já eram", trazendo pontos de uma palestra que ministrou recentemente. num primeiro momento, ele faz uma análise criteriosa dos principais aspectos que caracterizam o Blog (enumeradas autoria individual, publicação freqüente, ordem cronológica reversa e espaço para comentários), e mostra como elas tornaram-se onipresentes na internet. mais adiante, ele também fala sobre conteúdo e monetização.

no texto, o fim dos blogs passa pela assimilação completa de seu formato. e conclui que os blogs, hoje como os usamos, são apenas versões rudimentares de um 'lifelogging' mais efetivo, inteligente e dinâmico - e tendem a desaparecer ou ter uso muito restrito diante do eventual surgimento destas ferramentas. sua contribuição estaria dada, e finalizada.

Antes de mais nada, os blogs continuarão existindo. Ao menos, ninguém no Insanus.org pretende fechar seus veículos no futuro próximo e passar a usar outras ferramentas, ou arranjar um emprego em uma redação. Os blogs como ferramenta seguirão muito úteis, mas seu sentido de mídia alternativa revolucionária vai se perder. A maioria das pessoas passará a usar uma diversidade de ferramentas e serviços para inúmeros fins de que antes apenas os blogs davam conta. Só em casos muito específicos o formato atual continuará sendo o melhor.

grifo meu - pra fazer uma conexão com o que escreveu o Gejfin, dia desses, refletindo sobre a blogosfera no barcamp do Rio - e concluindo que ela acabou. ao citar um modelo de monetização, o compara a mídia de massa:

o texto acima serviria tranqüilamente para descrever, há uma boa centena de anos, a proposta de um jornal. isso, aquele mesmo, de papel. é uma visão que na prática não faz outra coisa senão moldar os blogs e tudo que está diretamente relacionado a eles a um formato antigo e que pressupõe a manutenção de uma série de valores que a ferramenta, ao surgir, veio confrontar.

voltando ao Träsel:

Tendência ainda mais prejudicial é a dos posts pagos (...). Infelizmente, os autores mais preocupados em ganhar dinheiro com blogs, a ponto de venderem sua alma tão barato, não percebem que estão degradando seus próprios recursos. Qualquer empreendimento que viva de informação ou opinião tem como principal ativo a credibilidade, que é construída historicamente, à medida que os leitores verificam a honestidade do autor e a precisão das informações.


em comum entre os dois posts, a visão de que os blogs vão se dissolvendo; seja deixando suas um-dia inovações marcadas na cultura web/cidadã e na mídia de massa, seja numa mudança de mentalidade propulsora.

(Jeff Jarvis nota que o TechCrunch, um dos maiores blogs sobre tecnologia dos EUA, está realizando entrevistas com os candidatos a presidente daquele país. revolucionário ou grande mídia? o blog está repleto de anúncios - embora nenhum deles pareça ter porte o suficiente para interferir numa pauta. (pareça, porque nunca se sabe quem financia start-ups 2.0.) eles precisam dos patrocinadores porque têm uma equipe contratada; são um blog profissional. no que diferem de uma revista, ou jornal, ligeiramente modificada? quase nada. blog é só a ferramenta de publicação, no caso.)

deste bunker Bereteando concorda em grande parte com essa análise. as redes sociais - o killer app idealizado pelo Träsel, uma mutação do Facebook - ou do OpenSocial, como deixou nos comentários a Olivia - já absorvem (e deverão cada vez mais) grande parte da demanda que um dia caía nos blogs. e o uso dos blogs como renda certamente não contribui com o fortalecimento do suporte, uma vez que é ferramenta só do lucro.

mas.

sobre monetização. a blogosfera foi um lugar romântico onde tudo o que podia incomodar era um banner no blogspot bem em cima do título. mas como o que se tinha antes disso eram páginas de geocities e tripod, ficava tudo bem. então houve o adsense e cobriu de poluição blogs de menor cuidado com o leitor. em meio a blogrolls, se vêem anúncios. e a ferramenta que era útil e cheia de ideais começou a se tornar uma agregado de publicidade.

porém, há práticas aceitáveis e outras não dentro de qualquer modelo que envolva propaganda. duas linhas de texto que chegam no rodapé do rss não me incomodam; imagens ou banners, sim. um anúncio único e que tenha relação com o seu blog, integrado ao template, pode ser bacana; uma coluna de adsense complica a leitura. um break de 30 segundos na programação é um refresco, uma revista feita de anúncios é ilegível.

mas a capitalização da ferramenta era inevitável, e cabe aos blogueiros a manutenção do status adquirido e crescente. porque todo o poder da ferramenta blog vem da palavra. a força da palavra escrita se somou a uma capacidade de difusão jamais vista - que chega ao infinito transitando por humanos no caminho. relizado por qualquer um e sem editorialização. e é por isso que mesmo diante desse cenário acredito no blog como mídia alternativa revolucionária, mesmo diante de novas ferramentas que venham a surgir, diante da assimilação do formato pela grande mídia, e de atores da blogosfera que tenham como objetivo o lucro. ao mesmo tempo em que se agrega um vídeo, foto ou música a um post, se adiciona ao suporte da palavra; um agregador que junte a cacofonia de dados pela web em um só eficiente local ainda será uma aplicação. um blogueiro 'comprometido' ou caçador de adsense será mais lixo no google; uma blogosfera formada pensando em dinheiro será consumida como tudo de resto é - tendo vida efêmera e sucumbindo diante da próxima obsolecência planificada.

mas isso nada tem a ver com a mídia alternativa revolucionária. ela mesma, inclusive, pode fazer o papel de contraponto. ou pode coexistir sem tocar seus pares assimilados; há espaço, e o risco de diluir a força de ferramenta é anulado pelas conexões estáveis existentes nos círculos de blogueiros. blogs e suas comunidades movem-se em eixos cada vez mais curtos e focados (inclusive modificando hábitos de compra, num cenário onde a aferição por audiência vai perdendo seu sentido). a Comunicação pós-moderna é um elo que torna-se mais fraco à medida em que a distância aumenta ou a multidao cresce. que da ferramenta, nada a reclamar; o hábito de ler blogs é, até que surja algo mais inteligente, de melhor alcance e mais soberano do que a palavra escrita de outra pessoa, um suporte que não deve encontrar poder igual tão cedo.

e é preciso lembrar que a popularização da produção de conteúdo proporcionada pelos blogs ainda atinge uma parcela muito pequena. a expressão cidadã pela palavra ainda tem muito terreno a percorrer.


se tudo isso soa um pouco romântico é porque o blog, essa ferramenta generosa, se oferece a todos os intuitos, inclusive os idealistas. o blog cresceu com instinto nobre e até que a palavra caia em desuso, acho que estaremos publicando posts no éter e lendo por rss no cérebro.

acabei de notar que o meu limite de armazenamento no GMail pulou pra 4360 MB, confirmando o que foi divulgado no Google Operating System há algumas semanas. ou seja, esperemos ~ 6300 MB em janeiro/08.


pode parecer uma bobagem, principalmente se comparado àos yahoomail, com mais espaço. mas pra quem vinha passando dos 85% de ocupação, e sem jeito razoável de tirar ou migrar os e-mails lá de dentro, já levantava a sobrancelha. agora voltamos aos 51% e podemos esperar pelo Gdrive grátis, quando também entregaremos as chaves de casa e um pedacinho de dna pro Google.

Stando l’ascensore a disposizzione del publico, il propietario no a responsabilitá per l’accidente ocasionatte per il uso de la scala.

culpa do Milton. Les Luthiers faz meu cérebro ebulir e assim eu fico imprestável pras tarefas práticas. tchaf.

Giovanotto da diciasette a dicianove anni si avete una vera vocazione di mandoe un grande amore a la patria. Eh.

acho que a vida anda

penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, ir tocando em frente.

porque ler (aqui ou principalmente aqui) Bruna Beber é que nem ouvir música.

artes que entendem fazendo sinapses brilharem e aberçarem-se e a gente também.



cause sometimes i feel like a man that has two broken legs.

nrlngstc (5) [embed: sub.txt]

Rio de Gejfin, 82ºF.
Enquanto isso, o capítulo Porto Alegre da Verbeat fica feliz quando arranja caixas de nuggets antigas para reciclar numa sôpa.
Lembre-se disso, quando escolher seu candidato no próximo dia 34/~Ê.