1. BUDDY GUY
brigatti cantou a pedra hoje cedo: a gente acha que vai ver um bluesman tocar e é subitamente HUMILHADO por coisas diversas como a) lições de blues vida; b) incomparável perícia técnica; c) funky carisma da lousiana; x) YEAH.
porque não é em qualquer show que o artista pede - com tanta propriedade - um
SAY YEAH
porto alegre 29/03/09, 20h. jovem bluesman Buddy tocou o terror. entre um solo ensandecido e outro tirou risadas, did the jive talk e contou suas histórias. conversou com o público e declarou-se diversas vezes. correu pra um lado e pro outro. parecia realmente muito feliz de estar ali - apresentando-se para o séquito que lotou o teatro.
ah: mr. George nasceu em 1936.
se olhar pelo ângulo dele, ONTEM.


fotos do flickr de Farlei Heinen
Buddy cumpriu o rito de tocar no meio da platéia. não somente; saiu do palco e peregrinou até o setor de platéia alta. caminhando no meio do povo e solando interminável. calculo que pelo menos vinte minutos de solo apenas interrompido durante alguns instantes - em que parou, pegou o microfone e encheu uma garota de bluesobscenidades. logo retomou seu caminho ao palco, nós público a maior parte do tempo sem ver nada, só ouvindo um solo furioso vindo de todos os lados.
solo? com uma mão só, com a barriga, as costas, os dentes. com baqueta da bateria e com a toalha de enxugar a careca. Buddy Guy sola até quando não está fazendo nada. eu mais de uma vez pensei "mas que gesto estranho é esse que ele tá fazendo" pra logo depois notar que ele estava tocando a guitarra num milissegundo, entre um movimento e outro de braço.
foi aplaudido até encher o saco, várias vezes pediu silêncio (sorrindo) pra seguir o show. chamou a platéia pra cantar e não parou enquanto não ouviu as frases no volume que desejava. pediu shhh mais de uma vez quando um chato insistia em gritar bobagem nos momentos de pausa; o show de Buddy Guy é cheio de silêncios, de volume baixo e solo suave de guitarra. de "She's nineteen years old/And got ways just like a baby child" (de Muddy Waters) e brincar rindo "I didn't wrote that" - pra emendar "I always say that and people goes uh-hum everytime haha!". nenhuma burocracia ou ensaio, apenas feeling; mais de uma vez interrompeu o que estava tocando pra começar outra música ou mudar o rumo do show. sem formalidades. na parte final já largava a guitarra pra dar autógrafos, de cima do palco. Buddy Guy - e sua excelente banda - estavam ali mais do que cumprindo data em tournê; se ele me diz que viaja o mundo inteiro mas adora tocar no brasil because in brazil you give me fever -- make that funky --
eu acredito.
porque eu tenho ALMA.
e o blues serve pra nos lembrar disso.
eu ia fazer um post em tópicos, mas o comentário virou textão, então amanhão eu comento synecdoche, ny e o último livro que eu li numa viagem de avião. não perde como eu te deixo curioso. woooo!








