empilhados na categoria (?) metástases

laaaaaaaaaaaaa: uh cinco anos

laaaaaaaaaaaaaa
-- laaaaaaaaaaaaaaaa!


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clica, não é música, é poesia! texto do MESTRE Melamed


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----- Original Message -----
From: Tiago Casagrande
To: Gejfin
Sent: Friday, June 27, 2003 3:22 PM
Subject: dicionário

gejfin, eu preciso de uma definição para "beretear".


não pergunta.


----- Original Message -----
From: Leandro Gejfinbein
To: Tiago Casagrande
Sent: Friday, June 27, 2003 3:40 PM
Subject: Re: dicionário

Putz... foi o Geva que inventou isso.... tenho que perguntar pra ele. É complexo...ehhe

Mas acho que...

beretear - [be-re-te-ar] [Do lat. beretearum]: V. int. 1. Caminhar, andar, passear sem ter destino certo. 2. Divagar; pensar sobre alguma coisa sem a necessidade de um porquê ou de se chegar a uma conclusão. 3. Contemplar. Ex.: Saí para beretear por aí. / Ele está ali, bereteando.


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beretear não é simplesmente evocar o flanêur. bereteio é o maravilhamento infantil necessário ao sujeito moderno-líquido diante do seu esvaziamento. é o sentimento que pode conectar indivíduos-ilhas pós-modernas e lhes devolver conexões em troca. é o thaumas filosófico e o deus grego do espanto.

beretear tem proposta - e proposhta, inclusive. e conceito. beretear é dar uma resposta a Bauman. um dia vira manifesto.


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o blog não era pra ser sobre isso; era e ainda é pra ser sobre mim. mim ser bereteio abstrato. e aqui um espaço que já foi maior, e em mim um espaço que já foi maior, mais explodindo, menos logística.

mas eu, e tantos de eu, e até tantos de eu que tem que refletir pra não constranger.
mas eu, foi eu que fiz, é o que tinha, e o que tem, e um dinossauro leprechaun gritando graaack!


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cinco anos de bereteando, já faz uns dias.
cincão, cara. 1298 posts, 0,7 por dia, só número, desimportante. mas é vida pra cacete.
não vale dez pila, mas não é coisa de se botar preço, né?


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algum dos leitores (principalmente os mais antigos) lembra ou lembrou em algum momento desta caminhada (oooh) da palavra "bereteio"? promoção: o comentário mais bacana sobre isso ganha o zuniceratops (o laranja de frente pra câmera) entregue na porta de casa.

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bereteando sorri e faz mesuras de obrigado. às ganha :)))

finais

leprechaun03.gif

FINAIS

Depois de usar a moeda mágica de prata para subornar o guarda, Wilboard escapou da prisão e acabou sendo arrastado para dentro de um boteco vizinho, onde foi forçado a beber cerveja de péssima qualidade. Nenhuma testemunha viu ele reclamar. Dois dias depois, acordou num quarto-e-sala no Baixo Gávea, abraçado à filha da Gretchen, que estava estranhamente vestida como boneca de pano (ou abraçado a uma boneca de pano estranhamente vestida como a filha da Gretchen). Os helicópteros do resgate já foram acionados.

Já a chave fez uma festa excelente no Café ****ão (?). Encontrou um cadeado perfeito e passaram a noite toda num canto escuro cantando "A Pulga e o Percevejo", do Gilliard. Infelizmente, ao raiar do dia, decidiram tomar um banho de mar para lavar a ressaca. Os dois enferrujaram. Um fim poético, mas, ainda, um fim.

O carro capotou. Não posso fazer nada.

Aulay, o que é "seguro"?


Gerry - 34/Xo/§0?b

fuga ao pampa

há uma ordem que age fraterna há uma ode que ilumina lanterna há um bode bebendo água da cisterna
há uma velha vontade há um formato há boato hiato
age em prol da bondade toalha sacode poeira levanta
ave em rol de vaidade despacho pra feiosa tornar-se beldade
ai de quem geme vai açúcar e creme ainda hei de tornar-me sultão
ah se ela fosse ah se soubesse ah é um lance meio pop
aw-wob bop a-loola chiclete bam boom
a sonda soyuz invasão na aracruz é tudo assim
a vida é meio pra você meio pra mim
areia arena combate ringue ding-dong alô

há uma sincera preocupação há um pequeno perdão há uma transubstanciação e aí ninguém entende mais nada
há uma pretensa verdade há um verbete há Ivete Sangallo
age por uma causa grafita muralha enfrenta opressor
ave em teu nome ó paixão ainda hei de acabar bufão
ai disse a moça vai te esforça pra ser alguém na vida
ah como foi triste ah nem tão triste ah mas foi difícil
aquela época era arílson adílson eu você campeão
a crise do gasoduto greve do magistério é tudo assim
a vida é freio pra você medo pra mim
aveia lavanda covarde ping-pongue alô

há uma confusão entre os conceitos de eterno e prisão há disputa entre empregado e patrão há um mate
há uma tensão no ar há terror há maldade
há uma sincera intenção de tornar as coisas melhores ao menos há milênios -
há um pequeno alento no chimarrão
age fazendo pausa avenida é compromisso ai de quem perde ah sem serviço ainda hei de tornar-me estancieiro
a disputa presidencial crise no setor hoteleiro é sempre assim
a vida é isso aí pra você, o mesmo pra mim
apeia te abanca compadre oigalê alô.

sonhei contigo essa noite

e eram beijos e sorrisos, e eu sorria 'mas como pode' e tu sorria de sonho, mesmo, sabendo e me aproveitando. passando a mão no meu rosto desenhando perfil com o dedão, deslizando pelo nariz, as pontas dos dedos fechando meus olhos. acordei com um pedaço dos teus lábios entre os dentes. guardei na gaveta do criado mudo, junto dos outros cacos que tu me abandona. meus pedaços de pele solta. meus pedaços soltos. pedaços.

longe
é um lugar que existe
dentro da gente.

bianca ramoneda

les ondes silencieuses

e foi novamente acossado por uma insatisfação grudenta, pegajosa, tanto enfaro, tanto limo, resmungou em silêncio e serviu um copo de uísque. sentou na borda da cama pra beber e teve uma vontade idiota de chorar. e chorou mesmo, porque seria muito mais estúpido ficar tremendo beicinho. chorou com raiva, secou a bebida, e saiu bufando pela porta.

taís não moveu um cílio. fumava, devagar, esperando por algo diferente. era a quarta vez seguida em que ele tinha uma crise depois do sexo. na terceira ela já começou a dar pra outro cara, porque era prática e não queria se deixar crescer em gente atormentada.

vestiu-se sem pressa, para dar distância a pedro. as botas estavam embaixo da cama; no resgate ela espirrou e ficou com o nariz trancado. o apartamento estava abafado e sentia sede. pensou em suco de laranja. coçou o nariz em frente ao espelho e ajeitou o cabelo. estava triste. estava com um olhar triste. não gostava disso. gostava de pedro.

ele a esperava sentado na calçada e ela pensou em suco de laranja com vodca. abaixou-se e abraçou-o por trás, colando o rosto no dele sobre seu ombro. ficaram assim por instantes. a madrugada só tinha o barulho da lua. levantaram-se, deram as mãos, taís sorrindo, pedro taciturno. abraçou-a, mudo. taís enfiou os dedos em seu cabelo e fechou os olhos.

ela de braços cruzados sobre a bolsa enquanto caminhavam, pedro com os braços soltos, jaqueta de couro pesando nos ombros. as palavras lhe soterravam a cabeça baixa e amontoavam-se no peito, apertando como uma morsa. a garganta forrada de concreto. taís queria que ele dissipasse. mas sabia o que ele sentia, também sentia, procurava não dar atenção. o confronto, ah, sempre invencível. nas frestas entre os prédios altos à volta, estrelas. ao menos estavam ao ar livre. o orvalho deixava a noite leve.

–– tu não precisa me amar.
–– eu quero te amar.

porque todas as palavras já haviam sido ditas, e isso muito antes deles não dizerem nada. e então só o que restava eram as sensações que acabavam por confundir-se. também pela falta da definição que as palavras trazem. pedro vinha de pescoço retesado, tanta coisa sem sentido atravessada pra sair, sem sopro, como dizer tudo. o que não se sabe classificar. caminhavam na mesma passada, as pernas lado a lado, como sincronizadas. a respiração dela mais alta que a dele, difícil. a noite grande demais de repente e um silêncio que dói tanto quanto qualquer frase. ela de olhos marejados, arrastando as sandálias, diminuindo o passo. abraçam-se como se a osmose pudesse desfragmentar a angústia.

voltam pra casa. deitam-se de janelas abertas. faces unidas em silêncio, taís com o queixo apoiado no ombro de pedro, conectando bochecha. cultivando aquele quadrado sensível de toque como fosse a única esperança de conquistar a compreensão. sem movimento. sem mente. sem interferências. apenas concentrados na sinceridade imaculada do calor daquele pedaço de pele.

o meme da página 161

vem passando o trem com uma encomenda do honorável Hermenauta - e Bereteando aproveitar pra lançar a campanha "Na Playboy das Blogueiras¹ Quero Entrevista com o Hermenauta". não fiz selinho porque não dá pra brincar com essas coisas. mas que ia render uma belo bate-papo, ia. na opinião de Bereteando, o Hermê é o melhor blogueiro desta, erm, pátria. mas:

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure); 2ª) Abra-o na página 161; 3ª) Procurar a 5ª frase completa; 4ª) Postar essa frase em seu blog; 5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro; 6ª) Repassar para outros 5 blogs.

fiquei na dúvida. o mais próximo é o fandango do Caco, logo em cima de Identidade, do Bauman. e nenhum deles tem 161 páginas! oh! e agora? fiquei na dúvida entre dividir por dois e ler a quinta linha a partir da metade da página 80 de cada um - ou me levantar da cadeira e pegar o Buk que me olha na cabeceira. é próximo, né?

e n'Essa Loucura Roubada etc. diz assim:
rápido aclarar

pô, mas só isso? na frustração, peguei o que estava abaixo, Jazz Poems:
you were practicing.
(praticamente uma 'sorte do dia' do orkut)

voltei pra cadeira. o velho Bauman há de me dizer algo. pela página oitenta - e meio -, a quinta frase é:
Sua única utilidade sensata é servir à sobrevivência do indivíduo.

ok, uma última chance, com a sucinta poesia do Caco?
los cios de madre helena


não sei qual era a mensagem escondida, mas acho que falhei. consegue fracassar no meme.

____
¹ referência.

literalmente; era uma tira, e o desenhista fugiu pra lutar na guerra e acabou montando uma franquia de tremoço empanado na indonésia.

a idéia inicial de Ovo Pil era que fosse um ovo interagindo com o mundo e sempre se quebrando no final. (literalmente, de novo). tosco, e na linha da cretinice pela cretinice. abaixo segue a primeira temporada, licenciada em creative commons 2.5 pra qualquer desocupado entediado.


OVO PIL

Ovo Pil entra na internet (tira dupla de estréia)
1. Ovo PIl aperta numa tecla, com legenda "Postar". E ri.
2. a tela pisca; "NADA!"
3. Ovo Pil dá um chute no mouse. "mas que lixo!"
4. no movimento, perde o equilíbrio e cai sobre o teclado.
5. ovo escorrendo pra dentro do teclado.
6. tela do computador mostra letreiro OVO PIL, escorrendo.


Ovo Pil e o presidente

1. Ovo Pil assiste comício do presidente, que discursa "Todo brasileiro precisa comer ovo".
2. ele fica puto e salta sobre o presidente, caindo na barba.
3. barba com ovo escorrendo.

Ovo Pil na Lancheria do Parque
1. Nei Lisboa, numa mesa, faz o pedido: "Um xis bacon e um suco de laranja".
2. Ovo Pil tem um surto ao encontrá-lo e fica feliz pra caralho! "porra Nei Lisboa sou teu maior fã e tal canta aquela do mar azul que dá barato sim pô mó parceria aí". Nei Lisboa fica chocado.
3. Ovo Pil continua falando. "tá ligado que eu tô montando uma banda que mistura folk com hip-hop e umas batidinhas mudernas queria que tu ouvisse a fita pô faz a mão". Nei Lisboa grita pro balcão: "E COM OVO!"

Ovo Pil versus Preta Gil
1. Preta Gil entrevista Ovo Pil. "e aí, meu preto!" Ovo Pil não entende. "preto?"
2. ela ataca o pobre coitado. "me dá um beijo de língua nham". leva o ovo à boca.
3. e mastiga. Ovo Pil escorrendo do canto da boca. eca.

Ovo Pil no supermercado
1. Ovo Pil procura azeitonas no balcão. "cadê a azeitona? ameixa, tremoço..."
2. ele vê as gôndolas com embalagens de ovo, muitas e muitas delas. plaquinha aparece com preço: "GRÁTIS! OVO DE GRANJA R$ NADA". Ovo Pil dá um grito de horror.
3. tia da limpeza fica braba com ovo fora da caixa. "volta pra caixa, seu ovo!" ela fecha a caixa com força.
4. Ovo Pil escorrendo pra fora da caixa de ovos.

Ovo Pil no Escaler
1. Ovo Pil fumando um baseado. mesinhas ao fundo, gente suspeita, cerveja etc
2. bate a onda; os olhos viram espirais, estrelinhas saem da cabeça
3. a casca começa a quebrar e cair
4. cai a casca e fica um ovo cozido. no fundo se aproximam um saleiro e uma lata de azeite, sorrindo

Ovo Pil e a solidão
1. Ovo Pil sentado na grama, olhando para o leitor. no fundo, vários e vários pintinhos estão ciscando, fazendo "pil", brincando etc.
2. Ovo Pil imóvel. ao seu fundo, rola um futebolzinho. "chuta, passa", essas coisas.
3. Ovo Pil imóvel. o fundo troca para um casais se chamegando. "eu te amo, Aurélia", "ai não põe a mão aí não" etc.

Ovo Pil e a reengenharia
1. japonês pega Ovo Pil e diz "ovo ineficiente no?"
2. ele coloca o ovo numa máquina. "tanam! japoneso foda nesse negócio no?"
3. do outro lado da máquina, sai um à la minuta. "japoneso com fome pra caraco", metendo o garfão no ovo frito.

Ovo Pil no camarim do circo
1. Ovo Pil num camarim. mesa, espelhos, etc. ele está fazendo movimentos pélvicos em um nariz de palhaço.
2. palhaço ranzinza surge reclamando. "odeio esse emprego, bando de criança desgraçada etc". ele pega Ovo Pil na mão, ao invés do nariz de palhaço.
3. ele enfia Ovo Pil no nariz. "Que cheiro horrível, vida de merda etc". Ovo Pil escorre.

origens de Ovo Pil
1. uma galinha abobada sentada num ninho, caixinha, sei lá
2. a mesma galinha, de costas
3. ela levanta e põe um ovo (qualquer, branco), "cot!". de costas, podemos ver bem a sua cloaca.

tremores harmônicos

os dias correm vesgos e nós sapos pulando na chuva chamando noite, ribbit, ribbit. embolam as semanas e uma constelação de sonhos ruem nas fundações em que os baseamos todos os dias. e a lua em forma de cenoura a emanar sua coroa laranja nos céus que desenhamos negros em ribbit ribbit chamando noite; todos os dias escorrendo dias se passando. as repetidas imagens abrindo-se sempre aos pares de avenidas gêmeas abertas no leito esparramado do entrecolinas a verdejar. semana-feira. o ritmo quatro por quatro e a batida pasteurizada do pop. top cem. as mais pedidas. variando desconfiado um cálice de vinho no almoço. nós sapos pulando de rejunte em rejunte de calçamento aproveitando as pocinhas d'água a batraquejar com os papos pendendo da boca. ribbit ribbit . o vento zunindo nos ouvidos. quanto mais noite menos dia e os zeros a subtrair-se gerando seu próprio infinito particular. pingando. reconhecendo no gelado da pedra a textura de casa. as manchas e o inferno se multiplica em cada célula e a deidade denomina exceção a erosão natural. e as ventosas e tinta preta. abrem-se licenças e cai-se de cabeça no chão, quicando a aplausos, pausando e vertendo. as janelas de outro dia cinza e nós aqui de bochechas gordas chamando noite. os rebeldes nas ruas machadinhas em punho a bradar o cansaço de andar em círculos e estômagos embrulhados. cabeça baixa. e sempre os velhos na praça a rir de tudo e apontar com os dedos as verrugas pretas da bile maldita ribbit ribbit que se torna limo e humo em contacto com a atmosphera húmida do hábitat selvagem. os ossos estalam e enterramos os ouvidos na água e isso sempre parece tão verdadeiro. os ecos e as espirais e as ondas silenciosas dos terremotos. nós de um vagar submerso. nós sapos de olhos estalados a empurrar o sol para fora do horizonte. esperando que ele gire como uma moeda caindo de um prédio e volte logo, amanhã. os dias em espasmos verdes aproximando-se. a orquestra treinando e repetindo a mesma nota. dobrando o corpo em louvor a. deixando a pá da escavadeira cair. fazendo espuma nos charcos. ribbit ribbit . engolindo formiga e cigarra. vesgos saltando ferozes. lanças em punho. pausados à base da garganta do gigante.

transmutando.

os dias pulando e nós vesgos na chuva sapeando noite. ruem as constelações e baseamos fundações em forma de lua. a emanar os céus que desenhamos negros todos as noites; escorrendo, passando. imagens aos pares a verdejar. semana-feira.




com confessor e battle of mice

a nada incrível história de coiso
coiso não tinha nome, mas tinha sexo, porque não era coisa, era o coiso; logo, mesmo que nada o definisse, o definia um gênero, o que de resto não define muito pra algo que nem sabe direito se pode tirar alguma vantagem disso. mas além de ser menino o coiso sabia que tinha um poder - o poder de todos os buracos, ranhuras, falhas e rompimentos na memória, ocupando o vácuo de uma sinopse bêbada, cansada, o coiso, ali no coiso, que não consigo ver, na terceira gaveta, atrás da estante etc. é disso que ele se alimenta, percebe: fica chupando em osmose as memórias que tropeçam por ali, desassistidas. e fica mais ou menos nisso, mesmo. o coiso não tem muita ambição. podia, sei lá. fazer uma colagem.


parawestern
maverique era altão, meio-campo e jogava usando aqueles óculos 3D, que tem uma lente azul e outra vermelha, uma armação branca extravagante, grossa, pesada, circense. dizia que assim tinha melhor percepção do efeito que ele queria dar na bola. os outros ceguinhos davam risada, selando a pesada bola com guizos nas pernas dele pra sacanear.


Jacob's, o Gerente de Marketing Com Nome de Bar
já sei! e se a gente vendesse felicidade? porque, pô, pensa só: a gente vai estar facilitando! vai estar entregando o produto diretamente ao consumidor, ao invés de usar um objeto como veículo! hein? vocês não acham que o pessoal sublima o fetiche do objeto? sublima, claro que sublima. caixinha linda ali, embalagem luxo, muito brilho, cheia de felicidade dentro. quem não vai querer ter um na estante? 150 pila o de conta, 250 o de cartão, fecha todas! hein?


e te manejo como uma lanterna selvagem, guiando teu facho a contragosto
auditório 2, 9h: aspectos randômicos do horror estético na literatura. 1. a frase verdadeiramente horrível pode adquirir o status de arte? 2. uma frase ruim de um autor consagrado - relevar ou restaurar? 3. coffee-break com biscoitos e canapés tematizados. 4. aplicando uma postura dadá para compreender (ou ao menos se divertir) com temas de auto-ajuda. 5. gerúndio, este incompreendido. 6. banquete turco à helloween. 7. show de arnaldo antunes.


piano aquieu
adormecido em
lençóis negros
e ruído branco.



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