embora a parente mais famosa seja a Nuit Blanche de Paris, quem primeiro colocou em prática a idéia de dedicar uma madrugada a museus e eventos culturais foi Berlim, com a Lange Nacht der Museen. de 1997 para cá, somaram-se outras 124 cidades que, anualmente, fazem um convite especial para que sua população saia de casa e dê uma noite para a arte.
para flâneurs de hábitos corujescos como eu, é atividade praticamente DISNEILANDER.
e tive sorte dupla. não apenas a Noche de Los Museos aconteceu durante minha estada em buenos aires como o evento central se tornou um dos momentos mais incríveis da viagem. da minha viagem por este imenso pântano de desesperança conhecido como terra, digo.
em frente à central dos museus, entre a costanera e os diques de puerto madero, houve a projeção do filme da aula de cinema chamada Metropolis, de Fritz Lang, 1927 - com trilha sonora ao vivo, ao cargo da La National Film Chamber Orchestra, tendo a figurinha carimbada Fito Paez como convidado nos teclados.
apesar do nome "orquestra", o que havia era na verdade uma banda: guitarra, bateria, e três teclados, contando com Paez. destes três, detectei um moog e pelo menos um synth - que compareceu com cellos e vibrafone em determinadas passagens. o som? POST-ROCK, uma imensa faixa de 100 minutos que variou entre o ambient minimalista e o hard rock progressivo.
com trilha em volume altíssimo, e sendo película de alto teor subversivo, MARXISTA e redentor, comoveu. em diversos momentos o público dançou, olhos vidrados na (infelizmente pequena) tela. noutros, emocionou-se de escorrer lágrimas. pena que a banda tenha ficado invisível ao grande público, refugiada no terraço do museu e área vip/de prensa. não pôde observar a reação e a concentração que ajudaram a impor.
à guisa de observação e registro, seguem três vídeos mais para ser ouvidos que vistos. se a qualidade é pobre, serve para dar uma breve noção do CLIMA.
não soubemos precisar o público. pensei ter visto 3 mil pessoas, casal gejfin refutou pra mil - o clarín diz que passaram mais de 28 mil pessoas pelo local durante a noite (após o filme, três djs foram até as 2h da manhã tocando). ao todo, foram quase meio milhão de porteños - e turistas - nas ruas de buenos aires, ocupando 120 museus e espaços de arte. também saímos nós caminhando, meio tontos, por puerto madero e pelo centro, digerindo a experiência de transe coletivo, errando em quaisquer museus abertos e sem fila, incapazes de saber para onde iríamos depois.
acabamos indo beber, claro.










