empilhados na categoria (?) hepatozóides
(inspirado nesta notícia, numa discussão na cinefelia e numa histórica conversa com uma vegetariana que comia peixe - ou um poema do kurt cobain, o que valha)
ou ainda, em breve na verbeat!: ?:
alface: o blog
01/01, 10h26. hoje foi um dia ótimo. tomei bastante sol e a terra estava úmida.
02/01, 19h34. pediram que eu me apresentasse. olá, eu sou uma pé de alface. quer dizer, ainda sou um broto, mas tô chegando lá.
03/01, 08h13. não consigo me acostumar com esses eletrodos, incomodam minhas folhas.
04/01, 17h22: obrigado pelo comentário, nabo #336! gostaria de postar com mais freqüência, mas não consigo...
05/01, 23h06: ...formular pensamentos tão rápido.
07/01, 12h44: olá pessoal! fiquei de castigo ontem por não fazer minha fotossíntese direito. o tempo tá nublado, tá um tédio...
08/01, 16h25: hoje um pulgão caminhou pelas minhas folhas, e eu como nunca quis ter um taco de baseball. EWWWW
09/01, 07h25: paulinho, te mandei meu msn por e-mail bjs
09/01, 19h31: lttc_272 posted a picture:
10/01, 17h22: ok, officially WORST SHIT EVER que eles tão usando como fertilizante aqui. ok? OK.
11/01, 15h52: gente, o que é essa chuva? delícia! e pessoal tá pensando em reclamar das pragas pro sindicato.
12/01, 07h34: @alpha-C vc tá blogando tb? kkkkkk! alô galera da segunda fila!!! from twitter
12/01, 22h21: seu Zé hoje veio com o rádio, mas ficou ouvindo só sertanejo, acredita? affff. pelo menos ganhei uma borrifada extra de água.
13/01, 10h41: esses eletrodos continuam incomodando. mas ou é isso ou é ficar offline. inveja dos hidropônicos, q tem wi-fi
13/01, 22h53: agora parece que o hype é ficar comparando quem tem o verde mais bonito. ah, por favor, né. amadureçam.
14/01, 11h22: gente!!!! hoje bem cedo quase toda a primeira fileira toda sumiu. num tendi nada!!! paulinho, vc tá bem? posta alguma coisa
14/01, 20h35: pessoal do sindicato tah dizendo q começou o genocídio ai será q é sério gente??? me ajuda! naum vô consegui dormi
15/01,05h27: SEU ZEH TAH ARRANCANDO TODA SEGUNDA FILA CRUELDADE A GENTE VAI MORREEE preicso consegur fazer mais um p
15/01, 05h31: esta postagem foi removida pela administração.
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• a foto é de photofarmer, no flickr
• esse post me lembra os tempos áureos deste blog. ou, melhor dizendo, o meu preferido.
• the future is awesome.
vamos lá, clique e alimente os peixes.
vou lhe contar o que eu lembro daquela noite, porque é só o que eu poderia contar. primeiro eu vi uma luz azul; apaguei o abajur do criado-mudo. depois não lembro de mais nada.
isso era 1979. no dia seguinte, acordei com um zumbido estranho no ouvido, que simplesmente não passou nem foi embora. quando chegava perto de aparelhos elétricos ele ficava mais intenso. melhorava a céu aberto - mas não em lugares muito altos, onde fica mais vulnerável à interferência das ondas de rádio e tevê. os médicos disseram que não havia nada de errado com minha saúde, próximo por favor. sem muita escolha, aprendi a conviver com o tinitus infinito.
em 1992 visitei a colina do Maragão, para fazer uma reportagem sobre o festival de ufologia que acontece no local. num determinado momento, me afastei do grupo de jornalistas e comecei a andar pela mata. encontrei um penhasco com visão panorâmica para toda a região; sentei-me e fiquei a olhar pra paisagem, curtindo a onda de uma erva que tava circulando entre o pessoal de um jornal famoso, não posso dizer quem é. sem querer, comecei a prestar atenção ao zumbido, que foi ficando menos agudo, mais lento, rarefeito, e então pude perceber uma voz em meio ao ruído.
alienígenas.
-- pô, até que enfim tu sintonizou direito essa naba!
-- desculpa, não li o manual de instruções.
-- paciência. arram, mano, a gente somos aliens do espaço, tá ligado?
-- que papo é esse? aliens do hip hop?
-- ué? não é assim que todo mundo fala?
-- não. ainda não, pelo menos.
-- então. a parada é a seguinte: cê tem que finalizar o presidente. esterol!
-- hein? o presidente? a troco de quê? que foi que o cara fez pra vocês?
-- é que a gente tem um replicante pra botar no lugar dele. rê, rê rê.
-- servicinho sujo, hein.
-- orra, que é isso, meu. cê é um dos escolhidos, tá sabendo?
-- não tô sabendo de nada. não me vem com messianismo que eu sou muito preguiçoso pra isso.
-- o senhor porventura não teria assistido a palestra das três e meia, no festival?
-- ãhn... não. a essa hora eu tava no coffee break.
-- hmpf. jornalistas. tá, mas, e aí? vai virar a cara para o teu destino? aw, ninguéim meréssi.
-- ó, na boa, acho que vocês chiparam o cara errado. eu não sou um assassino! nem parecido.
-- ora, quem vem com tudo não dança.
-- quem é que escreve os textos de vocês, hein?
-- tá, chegou! se liga que a parada é a seguinte: acabou a cortesia pra tu! cala tua boca! erra na nossa, a gente te taca uma sonda anal!
-- chantagem! golpe baixo!
-- e digo maish: sem aneshtesia, maluco! vai caminhar todo dodói, viadinho!
-- não! argh!
-- bonequinha! no meio da noite, tu só vai sentir o cutuco!
-- tá! eu faço! pra isso que se elege vice, mesmo. cutuco, por exemplo, eu só tenho um.
-- então anda na linha, barnabé.
-- o que é que eu tenho que fazer?
-- te liga na idéia. no dia primeiro, tu vai lá e dá um sumiço no homem.
-- antes da posse?
-- exatamente. estaremos por perto e substituiremos o original. bzzt.
-- mas como é que eu vou fazer uma porra dessa?
-- aê, se vira, zé pequeno! agora vaza, que senão vai dar na pinta.
-- socorro.
-- é isso aí, valeu? paz.
no dia da posse, dei cem pilas pra um faxineiro e fiquei no lugar dele. com uniforme e crachá, foi fácil de entrar no Palácio. encontrei a sala onde o presidente esperava pelo solene momento e me instalei no banheiro, limpando interminavelmente o chão com um esfregão. meia hora depois, quando o infeliz finalmente sentiu vontade de mijar, nocauteei os cornos dele com um extintor de incêndio.
esperei. onde estavam os malditos alienígenas? dois minutos se passaram, e nada do replicante prometido. abri ainda mais as janelas, espiei para fora, tentei fazer contato ouvindo o zumbido. mas em vão. logo em seguida os seguranças invadiram o banheiro e me levaram algemado.
fui a julgamento e peguei seis anos na cadeia. contei tudo sobre os aliens, com todos os detalhes, e acabei sendo condenado a mais doze, e uma menina do pstu jogou uma torta na minha cara. na primeira noite na cela, o zumbido cessou por completo. no início senti alívio por ter recuperado a paz no cérebro; depois, tive muita raiva dos fiadasputa do outro planeta, que me colocaram nessa enrascada e depois me deixaram na mão.
cumpri pena cheia - não tive redução porque meu comportamento tornou-se arredio, agressivo, violento, enfim, um pouco bestial. mas você sabe, na cadeia é cutucar ou ser cutucado. quando fui libertado, segui o objetivo tomado desde o início: naquele mesmo iria pro Maragão acertar as contas com aqueles bichos desgraçados. roubei um carro a duas quadras do presídio e peguei a estrada.
cheguei dois dias depois, e no topo da colina encontrei o shopping center Maragón del UFOs, construído para consagrar a o grande desenvolvimento da região. nos entornos do empreendimento havia hotéis temáticos, prédios comerciais, turismo e japoneses a granel. se era um lugar sagrado, fodeu.
ainda assim, tentei uma última cartada. durante a noite, subi no terraço do shopping e me sentei em lótus, tentando emitir ondas telepáticas ou o que o valha. atenderam depois de ter deixado caído na secretaria eletrônica duas vezes.
-- alou...
-- vão falando, seus idiotas!
-- a ligação tá ruim... tá cortando...
-- o que é que vocês pensam, hein? anos na cadeia por causa de vocês!
-- não tô lhe ouvindo... vai cair...
-- desçam aqui! desçam e venham me encarar no soco, seus merdas!
desligaram na minha cara. depois disso, só dava fora da área ou desligado.
hoje ganho a vida escrevendo livros e dando palestras sobre minha experiência - até alguns programas de tevê. talvez role um filme. ganho um bom dinheiro - me pergunto se é a recompensa que os visitantes me deixaram.
desisti de procurá-los. acho que já estamos quites.
mas, por via das dúvidas, durmo sempre com a bunda colada na parede.
Roundelay
on all that strand
at end of day
steps sole sound
long sole sound
until unbidden stay
then no sound
on all that strand
long no sound
until unbidden go
steps sole sound
long sole sound
on all that strand
at end of day
- Samuel Beckett

O tempo humano é um pouco como comer pizza: mesmo quando você não quer, não pode evitar. a divisão em horas, minutos e segundos é um recurso até saudável para que os seres biológicos possam organizar sua vida, mas não há nada igual a acordar debaixo de uma árvore com os primeiros raios do sol. ora, nessa minha nova rotina não tenho nem conseguido acordar! fico trancado numa sala onde pouco vejo a luz natural, respirando ácaros atômicos lançados pelo tal "ar-condicionado". ora! a brisa de Willesford é mais refrescante do que qualquer aparato tecnológico...falando em tecnorgânico, meu computador resolveu conversar comigo pelos fones de ouvido, agora. vou botar fogo nessa porra antes que ele desenvolva patas.
eu vi blade runner.
Gerry - 28/03/2003
um amigo, repórter da grande mídia em cobertura de Saúde nos confins desse país, perguntou hoje:
-- O que a senhora faz em casa pra se proteger do mosquito?
-- Não deixo água nos pratinhos de planta e limpo o quintal. Aqui não tem vez pro aerosmith!

acabei de receber o scrap 999 no orkut.












