empilhados na categoria (?) hepatozóides

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referências.
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de uma antiga série de 'fábulas fóbicas'


vou lhe contar o que eu lembro daquela noite, porque é só o que eu poderia contar. primeiro eu vi uma luz azul; apaguei o abajur do criado-mudo. depois não lembro de mais nada.

isso era 1979. no dia seguinte, acordei com um zumbido estranho no ouvido, que simplesmente não passou nem foi embora. quando chegava perto de aparelhos elétricos ele ficava mais intenso. melhorava a céu aberto - mas não em lugares muito altos, onde fica mais vulnerável à interferência das ondas de rádio e tevê. os médicos disseram que não havia nada de errado com minha saúde, próximo por favor. sem muita escolha, aprendi a conviver com o tinitus infinito.

em 1992 visitei a colina do Maragão, para fazer uma reportagem sobre o festival de ufologia que acontece no local. num determinado momento, me afastei do grupo de jornalistas e comecei a andar pela mata. encontrei um penhasco com visão panorâmica para toda a região; sentei-me e fiquei a olhar pra paisagem, curtindo a onda de uma erva que tava circulando entre o pessoal de um jornal famoso, não posso dizer quem é. sem querer, comecei a prestar atenção ao zumbido, que foi ficando menos agudo, mais lento, rarefeito, e então pude perceber uma voz em meio ao ruído.

alienígenas.

-- pô, até que enfim tu sintonizou direito essa naba!
-- desculpa, não li o manual de instruções.
-- paciência. arram, mano, a gente somos aliens do espaço, tá ligado?
-- que papo é esse? aliens do hip hop?
-- ué? não é assim que todo mundo fala?
-- não. ainda não, pelo menos.
-- então. a parada é a seguinte: cê tem que finalizar o presidente. esterol!
-- hein? o presidente? a troco de quê? que foi que o cara fez pra vocês?
-- é que a gente tem um replicante pra botar no lugar dele. rê, rê rê.
-- servicinho sujo, hein.
-- orra, que é isso, meu. cê é um dos escolhidos, tá sabendo?
-- não tô sabendo de nada. não me vem com messianismo que eu sou muito preguiçoso pra isso.
-- o senhor porventura não teria assistido a palestra das três e meia, no festival?
-- ãhn... não. a essa hora eu tava no coffee break.
-- hmpf. jornalistas. tá, mas, e aí? vai virar a cara para o teu destino? aw, ninguéim meréssi.
-- ó, na boa, acho que vocês chiparam o cara errado. eu não sou um assassino! nem parecido.
-- ora, quem vem com tudo não dança.
-- quem é que escreve os textos de vocês, hein?
-- tá, chegou! se liga que a parada é a seguinte: acabou a cortesia pra tu! cala tua boca! erra na nossa, a gente te taca uma sonda anal!
-- chantagem! golpe baixo!
-- e digo maish: sem aneshtesia, maluco! vai caminhar todo dodói, viadinho!
-- não! argh!
-- bonequinha! no meio da noite, tu só vai sentir o cutuco!
-- tá! eu faço! pra isso que se elege vice, mesmo. cutuco, por exemplo, eu só tenho um.
-- então anda na linha, barnabé.
-- o que é que eu tenho que fazer?
-- te liga na idéia. no dia primeiro, tu vai lá e dá um sumiço no homem.
-- antes da posse?
-- exatamente. estaremos por perto e substituiremos o original. bzzt.
-- mas como é que eu vou fazer uma porra dessa?
-- aê, se vira, zé pequeno! agora vaza, que senão vai dar na pinta.
-- socorro.
-- é isso aí, valeu? paz.

no dia da posse, dei cem pilas pra um faxineiro e fiquei no lugar dele. com uniforme e crachá, foi fácil de entrar no Palácio. encontrei a sala onde o presidente esperava pelo solene momento e me instalei no banheiro, limpando interminavelmente o chão com um esfregão. meia hora depois, quando o infeliz finalmente sentiu vontade de mijar, nocauteei os cornos dele com um extintor de incêndio.

esperei. onde estavam os malditos alienígenas? dois minutos se passaram, e nada do replicante prometido. abri ainda mais as janelas, espiei para fora, tentei fazer contato ouvindo o zumbido. mas em vão. logo em seguida os seguranças invadiram o banheiro e me levaram algemado.

fui a julgamento e peguei seis anos na cadeia. contei tudo sobre os aliens, com todos os detalhes, e acabei sendo condenado a mais doze, e uma menina do pstu jogou uma torta na minha cara. na primeira noite na cela, o zumbido cessou por completo. no início senti alívio por ter recuperado a paz no cérebro; depois, tive muita raiva dos fiadasputa do outro planeta, que me colocaram nessa enrascada e depois me deixaram na mão.

cumpri pena cheia - não tive redução porque meu comportamento tornou-se arredio, agressivo, violento, enfim, um pouco bestial. mas você sabe, na cadeia é cutucar ou ser cutucado. quando fui libertado, segui o objetivo tomado desde o início: naquele mesmo iria pro Maragão acertar as contas com aqueles bichos desgraçados. roubei um carro a duas quadras do presídio e peguei a estrada.

cheguei dois dias depois, e no topo da colina encontrei o shopping center Maragón del UFOs, construído para consagrar a o grande desenvolvimento da região. nos entornos do empreendimento havia hotéis temáticos, prédios comerciais, turismo e japoneses a granel. se era um lugar sagrado, fodeu.

ainda assim, tentei uma última cartada. durante a noite, subi no terraço do shopping e me sentei em lótus, tentando emitir ondas telepáticas ou o que o valha. atenderam depois de ter deixado caído na secretaria eletrônica duas vezes.

-- alou...
-- vão falando, seus idiotas!
-- a ligação tá ruim... tá cortando...
-- o que é que vocês pensam, hein? anos na cadeia por causa de vocês!
-- não tô lhe ouvindo... vai cair...
-- desçam aqui! desçam e venham me encarar no soco, seus merdas!

desligaram na minha cara. depois disso, só dava fora da área ou desligado.

hoje ganho a vida escrevendo livros e dando palestras sobre minha experiência - até alguns programas de tevê. talvez role um filme. ganho um bom dinheiro - me pergunto se é a recompensa que os visitantes me deixaram.

desisti de procurá-los. acho que já estamos quites.

mas, por via das dúvidas, durmo sempre com a bunda colada na parede.

Roundelay

on all that strand
at end of day
steps sole sound
long sole sound
until unbidden stay
then no sound
on all that strand
long no sound
until unbidden go
steps sole sound
long sole sound
on all that strand
at end of day

- Samuel Beckett

leprechaun03.gif

O tempo humano é um pouco como comer pizza: mesmo quando você não quer, não pode evitar. a divisão em horas, minutos e segundos é um recurso até saudável para que os seres biológicos possam organizar sua vida, mas não há nada igual a acordar debaixo de uma árvore com os primeiros raios do sol. ora, nessa minha nova rotina não tenho nem conseguido acordar! fico trancado numa sala onde pouco vejo a luz natural, respirando ácaros atômicos lançados pelo tal "ar-condicionado". ora! a brisa de Willesford é mais refrescante do que qualquer aparato tecnológico...

falando em tecnorgânico, meu computador resolveu conversar comigo pelos fones de ouvido, agora. vou botar fogo nessa porra antes que ele desenvolva patas.

eu vi blade runner.

Gerry - 28/03/2003

um amigo, repórter da grande mídia em cobertura de Saúde nos confins desse país, perguntou hoje:

-- O que a senhora faz em casa pra se proteger do mosquito?
-- Não deixo água nos pratinhos de planta e limpo o quintal. Aqui não tem vez pro aerosmith!

dino_bere.gif

todo culto a ryan north

das efemérides 2.0

acabei de receber o scrap 999 no orkut.

seraphinianus_.jpg

clique para ver a transmutação completa


não entendi nada, mas achei a ilustração magnífica. eu, que seguido apareço em meus textos na forma reptícia (que às vezes escondo a cauda), imprimi pra colocar no mural do quarto.

via fffound.
(que é genial mas tem a parte chata de, muitas vezes, impossibilitar que se descubra de onde saiu a foto.)

update: o gênio aqui se deu conta de fazer uma google search pelo nome do arquivo, e viva a wiki. tem várias páginas do livro aqui e aqui. e site oficial (quase vazio). e agora eu preciso arranjar esse livro.

começou com o mundão do orkut e foi ganhando cada vez mais foco, até ficar ridículo. por exemplo:

eu lendo o ius communicatio (da verbeater reversa Gabriela) e encontrando o Arsebook - "um utilitário anti-social que o conecta com pessoas que você odeia. upload blackmail material or publish lies • get the latest gossip from your fiends!".

e via mashable, logo depois, surgiu o 12Step: 12StepSpace is MySpace for Drug Rehabilitation, ou "o orkut para reabilitação de drogas".

quando cheguei no Grow Your Mustache to Fight Cancer, eu achei melhor parar de ler as notícias e dar umas cabeçadas no tampo da mesa, pra ver se passa.

isto posto, bereteando espera ver em breve na internet as estréias de:

suafranjarulez.net - rímel e sentimentos? à prova d'água! o único com 14 opções de "gender" no profile!
mypereba.com - acne? mancha com pêlo no meio? este é o seu lugar para dividir suas verrugas com o mundo!
eivizinha.org - precisa de uma xícara de açúcar? encontre sua vizinha! saiba se ela está online ou não, e o quanto ela tem de mantimentos em casa!
elvisnaomorre-argh!.net - elvis impersonators do mundo, uni-vos!
leprechaun.zim - porque nós sabemos a verdade sobre você.

na linha da gloriosa Drogasmil - "para você se sentir bem" -, a publicidade sem malícia segue firme em sua marcha.

que hoje passei pela 24 de Outubro e vi a faixa na janela do simpático restaurante, provavelmente sob nova direção: "Sabor da Mama".

só não deu pra ver se é livre ou por quilo.



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