empilhados na categoria (?) bandeiras

a pergunta do NYT (em 2003) foi:

"o que você acha que está reservado para o futuro da ciência?"

John Maeda, do MIT, autor de The Laws of Simplicity, respondeu assim:



["Em meio a toda a atenção dada às ciências e como elas podem levar à cura de todas as doenças e problemas diários da humanidade, creio que a maior revolução será a compreensão de que as artes -- convencionalmente consideradas "inúteis" -- serão reconhecidas como a maior razão pelo qual tentamos viver mais, ou com mais prosperidade. A arte é a ciência de apreciar a vida." tradução livre]



eu não poderia concordar mais.


a ciência, aparelhada pela tecnologia, progride vertiginosamente. conhecemos mais partículas sub-atômicas do que se poderia fantasiar quando batizaram o indivisível atomos grego. sequenciamos genomas como quem opera uma calculadora de camelô. fizemos mais avanços sobre o universo do que deveria ser permitido a uma mente humana conceber. fatiamos esse cérebro em mil pedacinhos para descobrir minúsculas áreas responsáveis por ações e sentidos, e contamos sinapses e medimos eletricidade.

ainda assim, a neurociência ainda não foi capaz de chegar perto de descobrir o que forma a consciência. onde está o dispositivo que transpõe a atividade químico-elétrica em um fluxo coordenado de ações. como se organiza, cientificamente, o interlocutor da arte.

estamos caminhando para o pós-humano; criando robôs e/ou usando parte deles em nosso corpo. da mesma forma, emulamos neurotransmissores, enzimas e hormônios em laboratório. mas não avançamos na compreensão lógica da mente. para uma visão reducionista, isso não faz diferença; a "existência" não passa de estratagema, fantasia, caleidoscópio cerebral. o problema dessa abordagem é bem descrito por Jonah Lehrer no ensaio "The Future of Science... Is Art?", da revista Seed:


Conhecemos a sinapse, mas não nos conhecemos. A lógica do reducionismo implica que nossa autoconsciência é apenas uma ilusão elaborada, um epifenômeno gerado por algum tremor elétrico no córtex frontal. (...) Seu cérebro contém 100 bilhões de células elétricas, mas nenhuma delas é você, ou se importa com você. Na verdade, você nem mesmo existe. A mente não passa de uma realimentação infinita de matéria, reduzível pelas calejadas leis da física.


O problema com este método é que ele nega o próprio mistério que tenta resolver. (...) O paradoxo da neurociência é que seu incrível progresso expôs as limitações de seu paradigma, já que o reducionismo fracassou em esclarecer nossa mente. Muito das nossas experiências continuam fora de seu alcance."
tradução livre. leia mais


o texto de Lehrer aborda a questão por um outro viés: o de como a ciência precisa da arte para poder evoluir. da importância do pensamento metafórico estar próximo à ciência -- para que possam surgir novos insights, novas concepções que levem a novas teorias. de abordagem totalmente diferente das existentes. arte na ciência para alavancar mudanças de paradigmas onde não houve sucesso - apenas complexificou-se o entorno da questão.

já na frase de Maeda, há ambiguidade. tanto pode a ciência prestar mais atenção à arte, sua função existencial, quanto passar a um segundo plano -- onde a velocidade e o poder da ciência sejam fato consumado e a arte passe a ocupar os principais esforços nas tentativas de proporcionar uma jornada mais plena aos humanos.

sempre cabe lembrar: ambas as possibilidades encontram lastro na sociologia. o caminho estéril da pós-modernidade é um fato, mas não uma sentença. o vazio e a solidão inexorável do indivíduo são um traço cada vez mais presente; é possível imaginar que, com tempo, haja menos combate e mais construção. se a sociedade fica rasa e muito veloz, a importância da arte só cresce: a partir dela é possível atingir profundidade, questionamento e entendimento da própria condição. tarefa onde escritores, pintores e cineastas tem saído-se muito melhor do que físicos ou geneticistas.


a arte é uma nascente vital da modernidade líquida. é possível que seja mais? talvez a frase-título do post possa conter menos licença poética do que parece à primeira vista.


o ponto de encontro de arte e ciência é o momento em que a razão ficará confortável para entender a consciência e seus sentimentos -- sem tanger espiritualidade ou psicanálise. hoje conhecemos a máquina orgânica que somos, mas não sabemos porque estamos discutindo tudo isso o tempo todo. e trata-se de assunto delicado, porque assim como a finitude do universo, "mistérios para a ciência" também é uma concepção perturbadora. e estamos todos tentando apreciar a vida, certo?

talvez surja de uma nova grande teoria. ou quem sabe apenas uma questão de tempo a essa mesma linha de trabalho. invariavelmente, a arte é o que continua, e continuará, alimentando o que as células não são capazes de nutrir.

está pipocando no twitter - inclusive brazuca - um link para matéria da eyeweekly sobre a tal da quarterlife crisis, ou "crise dos 25". que é descrita assim, tradução livre:


Indecisão implacável, isolamento, confusão; ansiedade com trabalho, relacionamentos e futuro. São sentimentos relatados por pessoas com idade entre 25 e 35, geralmente urbanas, de classe média e boa educação - que deveriam ser capazes de lucrar com sua juventude, liberdade sem precedentes e individualismo desenfreado. Mas eles não conseguem tomar qualquer decisão porque não sabem o que querem, e não sabem o que querem porque não sabem quem são, e não sabem quem são porque podem ser qualquer coisa que desejem. leia mais (em inglês)


qlo termo quarterlife crisis foi cunhado em 2001 por Alexandra Robbins e Abby Wilner, em livro homônimo. Uma tradução chegaria ao Brasil em 2004, pela Sextante - inclusive recebendo alguma repercussão, como uma reportagem na IstoÉ. hoje, ao ver o assunto sendo redescoberto via redes sociais, tive a mesma sensação que tive naquela época:


PERIGO. se o tema chega a ficar realmente popular, será consumido como mais uma doença "bonitinha", bacana, cute, "olha como isso me justifica e tem tudo a ver com meu horóscopo" - - - justificativa fácil pré-cozida pela mídia e usada e descartada como se fosse motivo de orgulho. um "defeito legal de ter" - na visão de gente provavelmente muito fútil. (o que não diminui o problema.)


da mesma forma como banalizou-se a bipolaridade e o TDAH/DDA, e palavras como TOC e anorexia foram incorporadas ao vocabulário rotineiro; não é apenas a vulgarização mas também a glamourização de doenças psicológicas. num estado de sociedade onde a busca por diferenciação parece patologizar-se, a incorporação de uma doença "da moda" parece dar (uma evidentemente falsa) profundidade ao indivíduo. coloca-se algo muito sério na prateleira do supermercado - onde inclusive profissionais preguiçosos (pra dizer o mínimo) de psicologia/psicanálise/psiquiatria compram - e, pior de todos os males, dissemina (e se apoia na) desinformação.

quem conhece alguém que realmente sofre dos transtornos listados acima sabe que, nem por um instante, é algo para se desejar.


quarterlife crisis, o livro, foi escrito por uma jornalista e uma psicóloga. com aparições substanciais na mídia dos EUA (sim, Oprah), parece ter chegado ao seu objetivo: quarterlife crisis, o negócio. com continuações oficiais da série, palestras motivacionais (US$ 3,600), o kit completo.


era inevitável que acontecesse, talvez; mas há de se lamentar, principalmente, dois fatos:


1. a clara intenção de marquetizar uma angústia. é simplesmente triste. pra citar um exemplo oposto, Douglas Coupland, que também criou um rótulo geracional (inclusive "prevendo" inúmeras características) no romance Generation X (1991), sempre recusou a pecha (e a grana) de guru ou autoridade no tema. talvez por ser escritor/observador, ou simplesmente princípios. (ainda que outros tenham lhe "tomado" o nome e feito dinheiro mesmo assim; isso também era inevitável.)


2. que se invista na produção/capitalização de uma angústia quando há um diagnóstico claro e bem posicionado sobre o tema - e ele provém da sociologia. é fácil reconhecer o "enlatado crise dos 25" já na sinopse de Mal-Estar da Pós-Modernidade (1998), grifo meu:

MalEstarPosModNeste livro, Zygmunt Bauman faz uma vigorosa reflexão sobre as ansiedades modernas, estabelecendo nexos diretos com o famoso O mal-estar da civilização, de Freud. Para o sociólogo, a marca da pós-modernidade é a própria "vontade de liberdade", princípio que se opõe diretamente à segurança projetada em torno de uma vida social estável, ou da ordem, como pensou Freud. (...) Enquanto outros teóricos do pós-modernismo assinalam a fragmentação da cultura e do sujeito contemporâneos, Bauman lida com a universalização do medo ou das perdas derivadas da troca da ordem pela busca da liberdade. Jorge Zahar Ed.


se a Crise dos 25 caracteriza um conjunto identificável de sintomas repetidos em larga escala para ser classificado como uma psicopatologia, eu não sei dizer; mas até por aí, as autoras da "síndrome" também não. o que posso afirmar é que os efeitos existem e podem ser verificados - tanto num grupo de amigos quanto nas estatísticas daqueles. porém não como um surto de histeria coletiva - e sim por uma gama de mudanças sociais que colocam o conceito de modernidade (e seus indivíduos) em xeque, e pelo descompasso que se cria entre expectativa (deslocada atemporal/geracionalmente) e probabilidade, possibilidade e desejo.


e/ou como diz Bauman, numa entrevista para a Tempo Social, grifos meus:


Maurice Blanchot disse certa vez, em palavras que ficaram famosas, que as respostas são a má sorte das perguntas. De fato, cada resposta implica fechamento, fim da estrada, fim da conversa. Também sugere nitidez, harmonia, elegância; enfim, qualidades que o mundo narrado não possui. Tenta forçar o mundo numa camisa-de -- força na qual ele definitivamente não cabe. Corta as opções, a multidão de sentidos e possibilidades que a condição humana implica a cada momento. Promete falsamente uma solução simples para uma busca provocada e impelida pela complexidade. Também mente, pois declara que as contradições e as incompatibilidades que provocam as questões são fantasmas -- efeitos de erros lingüísticos ou lógicos, em vez de qualidades endêmicas e irremovíveis da condição humana.


Creio que a experiência humana é mais rica do que qualquer uma de suas interpretações, pois nenhuma delas, por mais genial e "compreensiva" que seja, poderia exauri-la. Aqueles que embarcam numa vida de conversação com a experiência humana deveriam abandonar todos os sonhos de um fim tranqüilo de viagem. Essa viagem não tem um final feliz -- toda a felicidade se encontra na própria jornada.


(...)

Diferentemente da sociedade moderna anterior, que chamo de "modernidade sólida", que também tratava sempre de desmontar a realidade herdada, a de agora não o faz com uma perspectiva de longa duração, com a intenção de torná-la melhor e novamente sólida. Tudo está agora sendo permanentemente desmontado mas sem perspectiva de alguma permanência. Tudo é temporário. É por isso que sugeri a metáfora da "liquidez" para caracterizar o estado da sociedade moderna: como os líquidos, ela caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma. Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades "auto-evidentes". Sem dúvida a vida moderna foi desde o início "desenraizadora", "derretia os sólidos e profanava os sagrados", como os jovens Marx e Engels notaram. Mas enquanto no passado isso era feito para ser novamente "re-enraizado", agora todas as coisas -- empregos, relacionamentos, know-hows etc. -- tendem a permanecer em fluxo, voláteis, desreguladas, flexíveis. A nossa é uma era, portanto, que se caracteriza não tanto por quebrar as rotinas e subverter as tradições, mas por evitar que padrões de conduta se congelem em rotinas e tradições.

Como um exemplo dessa perspectiva, li outro dia que um famoso arquiteto de Los Angeles estava se propondo a construir casas que permanecessem lindas "para sempre". Ao ser perguntado o que queria dizer com isso, ele teria respondido: até daqui a vinte anos! (...) Virtualmente todos os aspectos da vida humana são afetados quando se vive a cada momento sem que a perspectiva de longo prazo tenha mais sentido.

Jean-Paul Sartre aconselhou seus discípulos em todo o mundo a ter um projeto de vida, a decidir o que queriam ser e, a partir daí, implementar esse programa consistentemente, passo a passo, hora a hora. Ora, ter uma identidade fixa, como Sartre aconselhava, é hoje, nesse mundo fluido, uma decisão de certo modo suicida. leia mais


descompasso; o temor de um caminho sem trilhos. uma angústia que pode crescer a um ponto patológico. não um produto. até porque, se experimentada a termo, não encontra solução ou saída ou resposta fácil. em ensaio na Cronópios, Nete Benevides aponta muito bem, grifo meu:


Do mesmo modo que na Idade Média observamos o "estilo teológico" e durante a modernidade verificamos o "estilo econômico", na pós-modernidade vem sendo elaborado o "estilo estético" e uma nova ordem se esboça. É a partir dessa ordem que se deve buscar, conforme Nietzsche, "a profundidade na superfície das coisas". Para isso, é necessário olhar novamente para as coisas e, nesse novo olhar buscar uma identificação (que é um conceito mais "móvel" que a identidade) com as várias culturas e "tribos", apreendendo e apreciando cada coisa a partir da nossa coerência interna e não a partir de um julgamento exterior que dita o que ela deve ser, como se fosse possível estabelecer a supremacia de um código, principalmente, quando compreendemos que a idéia central da trajetória do "aprender a viver" possui a mesma dimensão filosófica de se "aprender a morrer" - angústia maior do homem. leia mais


você se identificou com a quarterlife crisis? só não siga nem deixe que sigam um hype falso, a expandir essa tendência nefasta de consumir doenças como produtos (da confusão de identidade). reflita, avalie sua autocobrança, procure mais informações. se a angústia estiver muito grande, às vezes conversar com um profissional é a saída, ou pode tranquilizar. às vezes se aprende com cascudo e peitaço, também. e se vale um recado direto de Bauman, ele diz: (agradecendo outra vez a Maria Pallares-Burke pela entrevista)


Qual seria sua mensagem para os jovens de hoje?


Gostaria que tentassem, apesar de tudo (e talvez esteja aí o elemento de nostalgia que você notou), apesar de todas as tendências em contrário e de todas as pressões de fora, reter na consciência e na memória o valor da durabilidade, da constância, do compromisso. Eles não podem mais contar, como a antiga geração, com a natureza permanente do mundo lá fora, com a durabilidade das instituições que tinham antes toda a probabilidade de sobreviver aos indivíduos. Isso não é mais possível e, na verdade, a vida humana individual, apesar de ser muito curta, abominavelmente curta, é a única entidade da sociedade de agora que tem sua longevidade aumentada. Sim, somente a vida humana individual vê crescer sua durabilidade, enquanto a vida de todas as outras entidades sociais que a rodeiam -- instituições, idéias, movimentos políticos -- é cada vez mais curta. Assim, o único sentido duradouro, o único significado que tem chance de deixar traços, rastros no mundo, de acrescentar algo ao mundo exterior, deve ser fruto de seu próprio esforço e trabalho. Os jovens podem contar unicamente com eles próprios e só haverá em suas vidas o sentido e a relevância que forem capazes de lhes dar. Sei que essa é uma tarefa muito difícil... mas é a única coisa que posso lhes dizer.






~.~


• sobre "doenças da moda": Doni também levantou essa bola no twitter há um tempo atrás e ficou devendo um post, para o qual está novamente convocado.

• trivia: um dos projetos primeiros e engavetados da verbeat é um manifesto líquido - que apresente a modernidade líquida e proponha um olhar mais sensível como contraparte de seus defeitos. mas principalmente trazendo à luz conceitos que abrem a possibilidade de uma melhor compreensão e aceitação de si mesmo na (e da) sociedade. contra a confusão causada pelo mal-estar da pós-modernidade, informação.

• este post é dedicado, porque vale como um de nossos valiosos bate-papos, aos camaradas rënmero e aldurin.

de uma vez por todas: a internet

o professor Jeff Jarvis é uma dessas figuras proeminentes do pensamento sobre a internet, em sua convergência com a mídia; foi através do BuzzMachine que fiz o primeiro contato (lúcido) com jornalismo participativo, UGC (conteúdo gerado pelo usuário) e cidadania através dos blogs. além disso, muitas de suas análises sobre mídia e blogs serviram, e servem, naquele momento "ah, eu não estou tão sozinho/maluco/doente por ter esta e aquela visão".

donde que o post de hoje do BuzzMachine - transcrição de sua coluna no Guardian - tem tantas verdades que já deveriam ser verdadeiras, e que posicionam o debate de uma maneira a "evoluir pra frente", perdonando pleonasmo, que o transcrevo em português, à guisa de jurisprudência, ou não-me-torra, ou o que valha.


De uma vez por todas

"Não falha nunca. Vou estar conversando com um grupo sobre as incríveis oportunidades da era da internet e inevitavelmente alguém vai gritar:"sim, mas há imprecisões na internet". E: "lá não existem padrões". Ou: "a maior parte das pessoas só fica assistindo lixo". Aí a conversa empaca. Pra mim é uma derrota pessoal, não manter a atenção de todos focada no futuro. De uma hora para outra, estamos girando no presente ou escapando ao passado, perdendo a chance de explorar (nos dois sentidos da palavra) nossa nova realidade. De uma vez por todas, eu gostaria de responder à estes medos e reclamações. Eles não irão embora. Mas ao menos eu posso, como o primeiro-ministro fez no interrogatório¹, mandar a honorável massa de ranzinzas para as respostas que dou aqui.


Há lixo na internet. Verdade. Há lixo em todos os lugares (até em prateleiras de livraria). O erro é achar que a internet deveria ser embalada e perfeita, como a mídia. Não é mídia. O blogueiro Doc Searls, co-autor do Manifesto Cluetrain, diz que a web é um lugar onde nós falamos e fazemos conexões. Em sua Declaração de Independência do Ciberespaço de 1996, John Perry Barlow chamou-a de "o novo lar da mente". A internet é vida. A vida é bagunçada. Acostume-se.

A maioria das pessoas assiste lixo. Verdade. Mas "a maioria" é uma medida que só faz sentido na economia da mídia de massa, que já ruiu. Em nosso novo mercado de nichos, podemos procurar e dar apoio ao que nos interessa. Sim, todos nós assistimos ao vídeo do Jeremias² (pra não falar no Big Brother). Mas nós assistimos também a momentos de gênio, só possíveis por causa da internet. Por que se concentrar nas porcarias quando o brilhantismo está a um clique?

Qualquer um pode dizer o que quiser na internet. Verdade. Com a graça de Deus. Essa cacofonia que você ouve é a democracia, e o mercado livre de idéias.

Há imprecisões na internet. Verdade. Mas a internet nos permite corrigir os erros - porque nada está terminado jamais, aqui. Com um link ou um comentário, nós também corrigimos os outros. E com o Google, podemos verificar informações em muitas fontes num instante. Eu diria que a internet nos deu maior respeito e acesso aos fatos, e fez de nós uma sociedade muito mais precisa.

A Wikipedia tem erros. Verdade. Assim como os jornais. Ambos são melhores em fazer correções do que livros e enciclopédias. A Wikipedia, como a web, permitiu uma coleção sem precedentes de conhecimento, paixão, criação e colaboração.

Nós precisamos de um "selo de qualidade" para o conteúdo da internet. Falso. A última coisa de que precisamos é de um sistema de certificação. Pois quem teria a autoridade para fazê-lo? Quem empunha este escudo na China, no Irã ou na Arábia Saudita? A web não é "tamanho único". Nem o conhecimento.

Blogueiros não são jornalistas. Verdadeiro e falso. Pesquisa do Pew Internet & American Life diz que apenas um terço dos blogueiros considera jornalismo o que faz. Mas hoje qualquer testemunha pode realizar um ato de jornalismo, dando-nos mais olhos na sociedade - o que os jornalistas deveriam celebrar.

As pessoas são rudes na internet. Verdade. Elas são rudes na vida real - mas talvez mais online, graças ao anonimato. Mas nos todos sabemos quem são os idiotas. A resposta inteligente é ignorar os estúpidos.

A internet não tem ética. Verdade. Não possui maior conjunto de valores do que um fio de telefone, um carro ou uma faca. Nós, que a usamos, trazemos a ética e as leis sob as quais já vivemos.


Agora que tiramos isso do caminho, vamos, por favor, voltar à metade cheia do copo e examinar as muitas oportunidades que a internet apresenta a partir destes desafios. Quando você não enxergar nada além de lixo, crie qualidade. Onde a qualidade for difícil de encontrar, seja o curador, dando seu próprio selo de qualidade com um link. Quando ler imprecisões e mal-entendidos, adicione fatos, correções, contexto e jornalismo. Se alguém na internet entendeu algo errado, as eduque. Quando ouvir o ruído das pessoas falando online, ouça. Sei que surjo como um triunfalista da internet. Alguém tem de sê-lo. Alguém precisa opor o opositor."


você pode ler o original seguindo este link - e, se puder, acompanhar algumas bons respostas que por lá estão. a caixa de comentários aqui está aberta, como sempre, para expandir. à vontade.


__________________
¹chiste político local
²o exemplo foi modificado para o cenário brasileiro. a referência original é para silly cat videos.

se o amigo leitor ainda não parou pra pensar sobre esse papo todo de projeto de cibercrimes que foi votado no Senado e etcs, pues bueno, chegou a hora. pára tudo aí um instantinho.

abrem-se aspas:


Vem a esta Comissão, para exame, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) n° 89, de 2003 (n° 84, de 1999, na origem), e os Projetos de Lei do Senado (PLS) n° 137, de 2000, e n° 76, de 2000, todos referentes a crimes na área de informática. PLC2008061889.rtf

O senador Eduardo Azeredo (PSDB - MG) transformou-se no cruzado do controle da internet ignorando, voluntária ou ingenuamente, que a liberdade de circulação e recombinação da informação está na base do processo de geração de conhecimento sobre o qual a nova economia digital. Carlos Castilho
Não custa lembrar que o Senador Eduardo Azeredo, principal incentivador do projeto de Cibercrimes, recebeu doações do banco Bradesco para sua campanha. Coincidentemente, esse banco é proprietário da empresa Scopus, que entre outras coisas trabalha com certificação digital e será imensamente beneficiada pela redação desta lei. Marcelo Träsel
"Pedro sez, "Brazil is about to pass possibly the strictest legislation ever regulating the internet. The bill will be voted in the next few days by the Brazilian Senate." Please see the translation of the article published today by Folha de Sao Paulo, the largest newspaper in the country. Boing Boing, um dos blog mais populares do mundo
Do modo como é proposta a lei, cria-se uma "sociedade do medo", na opinião de André Lemos, professor da Faculdade de Comunicação da UFBA e um dos idealizadores da petição contra a lei. "O pior do medo é aquele que se constrói por dentro, disseminado socialmente, invisível e, pior, em segredo [já que o provedor é obrigado a informar em sigilo]". (...) "Assim, o papel do provedor passa a ser de vigiar, controlar e delatar. O juízo passa a ser dos provedores", explica André. Para o advogado Ronaldo Lemos, coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV (Fundação Getúlio Vargas) do Rio de Janeiro, a lei diz que os provedores devem informar de maneira sigilosa indícios de práticas de crimes, mas que isso contraria a constituição. UOL Tecnologia.
O projeto aprovado continua a sustentar a idéia do provedor de acesso vigilante. Se qualquer um fizer denúncia ao provedor de que algum usuário comete crime, o provedor é obrigado a comunicar sigilosamente à Justiça imediatamente. Sigilosamente. É obrigado a acompanhar cada passo de seu usuário em segredo. Como uma escuta que não necessita prévia autorização judicial. Coisa de Estado policial. Pedro Dória
A redação APROVADA, com o apoio do governo, foi esta: "285-B. Obter ou transferir, sem autorização ou em desconformidade com autorização do legítimo titular da rede de computadores,dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, protegidos por expressa restrição de acesso, dado ou informação neles disponível." (...) Qual a mudança? A redação aprovada NÃO CRMINALIZA A CÓPIA? NÃO PIORA A SITUAÇÃO, uma vez que cria a figura do "legítimo titular da rede de computadores"? Quem é ele? O diretor do Blogspot? Do Flickr? Do Youtube? Terei que tirar meu blog da rede? Por que? Para evitar que as imagens que estão sem autorização do "legítimo titular da rede" de onde copiei me levem a ser denunciado por algum apoiador do Azeredo. Sim, pois basta que ele acione o meu provedor e denuncie. O provedor, agora, na qualidade de polícia privatizada (inciso III do 22), de vigilante, terá que "sigilosamente" me denunciar às autoridades competentes. Na verdade, com o Art. 285-B ficará mais fácil ao apoiador do Azeredo me denunciar diretamente na PF. Sérgio Amadeu
Do jeito que está escrito, o artigo está amplo, pois todo o tipo de difusão de código malicioso. (O problema aqui seria comprovar o "dolo" necessário para o crime e como discutir a falta dele se alguém enviou um email com vírus, por exemplo, por engano ou descuido.) Depois, acho que a punição é bastante excessiva, pois há o adolescente que inclui um codigo para sacanear um amigo e há o cracker que insere com uma percepção de causar um grande dano e são condutas, na minha opinião, diferentes. Raquel Recuero
Em outras palavras, o Senador Eduardo Azeredo quer criminalizar basicamente tudo o que fazemos na internet: citar, copiar, colar, compartilhar. Não tenho nada a acrescentar ao que vários colegas blogueiros já disseram sobre o assunto. Limito-me, então, a convidar os leitores a que assinem a excelente petição escrita por Sergio Amadeu e André Lemos. O selinho que segue foi retirado do blog do Sergio Amadeu (veja que fantástico: se aprovado o projeto de Azeredo, eu estaria cometendo um crime ao circular este selinho): Idelber Avelar





agora agite bem, agradeça aos amigos que compuseram este post, e tome partido. mesmo que o Senador Azeredo vá considerá-lo uma pessoa de má-fé.

vale contrapor, o Gravataí Merengue não vê nada de errado no projeto de lei.


eu? assinei a petição. não quero fazer parte do big brother da legislação de internet mais restritiva do mundo.

nesse momento, são 22.976 assinaturas.
(quem conhece um deputado pra levar isso ao plenário?)


23 mil assinaturas é uma grande mobilização? pequena? será que cada um desses sabe bem o que está fazendo?
não importa; é uma mobilização. e qualquer mobilização é bem-vinda.
se der pra juntar com consciência política então, bah - fica louco de bom.

por isso, releia os textos; siga os links; faça sua própria pesquisa. e posicione-se. manifeste-se publicamente e semeie. se esse projeto for aprovado ou não, seguirá a urgência pela manifestação pública. e não me olha com essa cara aí, você seu cínico. há muito que se pode fazer aqui no éter.



Por um lado, o relator do projeto, Eduardo Azeredo, só respondeu com lengalenga e ofensas quando confrontado, em vez de divulgar a nova redação proposta -- a depender dele, aliás, teria sido aprovado um texto completamente absurdo, quem promoveu as mudanças foi o Mercadante. Por outro lado, como saber até que ponto a pressão na blogosfera não foi justamente a causa das modificações no PLC 89/2003? Agora o projeto volta para a Câmara dos Deputados para votação final. Melhor ficarmos de olho. Träsel, na Nova Corja



*assinado: eu, a verbeat, a blogosfera, a internet, seu vizinho, sua cidade, seu país, e quiçá o mundo.

firefox

Ó incauto usuário de Internet Explorer, quer saber por que deve usar o Firefox?


PARA VOCÊ
• o Firefox é software livre
• é mais rápido que o IE
• é muito mais seguro que o IE
• permite adicionar complementos que tornam a navegação mais eficiente
• mais divertida
• e personalizada
• sem deixar o Bill Gates ainda mais rico
• e barrando a proliferação de softwares muito ruins como o IE
• além de fazer você parecer mais sintonizado com as novas tecnologícias


PARA CONTAR AO SEU FILHO
Era uma vez um barquinho azul, grátis, chamado Nétisqueipe. Os pioneiros, como o Vovô, descobriram as Internets que você tanto gosta navegando com ele. Mas o vilão, um riquíssimo explorador, tinha muito ciúmes e queria que todo mundo usasse a frota dele - mesmo que fosse uma porcaria. Então resolveu encher o mar com seus próprios barquinhos. E eles eram todos feios, bobos, malvados, e com furos no casco que podiam destruir quem andasse neles! O pior aconteceu. O explorador matou o nosso amigo Nétisqueipe por asfixia. E viveu feliz fazendo "har har har", até que anos depois surgiu uma raposa flamejante (tipo lança-chamas, filho) andando sorrateira e esguia (escondidinha) pelas florestas (procura no google), levando as pessoas até as internets com mais segurança, brinquedinhos pra curtir a viagem, e livre, e de graça. Hoje, o explorador tenta pegar a raposa pra assar no espeto, e ela usa seu poder de multiplicação para estar em cada vez mais lugares ao mesmo tempo e não virar churrasquinho.


PARA DONAS DE CASA
Firefox não lava mais branco, mas também não deixa um rastro de imundície por onde passa. Os adolescentes da família estão incomodando? Dê um Firefox pra eles. Com sorte, eles vão ficar incomodando na internet, e não você. É de graça, mas diga que pagou bem caro. Seu marido aprendeu a limpar o histórico da navegadinha pornô? Coloque Firefox e veja como ele vai demorar um bom tempo até descobrir como fazer isso de novo. A vaca da sua vizinha é loira, lisa, rica e tem três amantes? Destrua a reputação dela usando um navegador mais eficiente. Seja mais completa com Firefox. Até o padre da paróquia aprova. Repita a frase dez vezes bem rápido.


PARA A GRANDE, FEIA E SUJA AD-BLOGOSFERA
navegador download grátis nu pelado peitão fuck shit cock ass titties boner bitch muff pussy cock butthole barbra streisand!


PARA MIGUXOS
bx çe pograma navg +rpd joguinho msn spr legas kkkkkk!


PARA VENCER NAS INTERNETS
clique aqui e instale o Firefox 3!

~.~

disclaimer: no momento deste post, a página do Firefox só carrega com muita reza, tem vezes que aparece o link apontando para a versão 2, antiga (e às vezes aparece banner da versão velha também). tudo isso é porque as pessoas estão em chamas batendo recorde mundial de download. mas tem um link direto aqui procê, ó: http://tinyurl.com/5fr8vm (dica da @raquelcamargo). e não deixe detalhes e detratores o desestimularem. mesmo que dê tudo errado hoje (dia de polvorosa), o Firefox seguirá sendo muito melhor do que o IE maledetto. se foi bobagem subdimensionar a escala de um chamado para recorde mundial, é outro papo. pra mim, tio Bill sentou no servidor deles e tá tentando sufocar a raposinha.

update, 19h10min: parece que tudo voltou a funcionar belamente! clicai, clicai!

• A man that can't laugh at himself should be given a mirror.
• A man takes a drink; the drink takes a drink; the drink takes the man.
• Morning is the time to pity the sober. The way they're feeling then is the best they're going to feel all day.
• You can lead the horse to the well, but you can't make him drink.
• Be nice to them on the way up. You might meet them all on the way down.
• If a man fools me once, shame on him. If he fools me twice, shame on me.
• Let your anger set the sun and not rise again with it.

(as they say)

leprechaun03.gif

Resposta para Jessica Leite Morno TipoB, de Caramanhos - CE:

Nós somos aquilo que você não vê. Aquilo que você sabe, mas duvida. Aquilo que você só sentiu passar. Somos tudo aquilo que se pode fazer com o passado e com o futuro, sem comprovação. Somos reais, seja lá onde a definição do que é real possar ir. Somos o que você está pensando agora, sem saber. Ou aquilo que fez, sem pensar. Aquele ruído estranho na madrugada, e que você achou que era o gato, que nós colocamos lá. Somos várias coisas. Somos o que você não espera, sempre, mas acontece. Surpresa. Surpresa boa. Além disso também somos verdes, temos orelhas pontudas, publicitários e apreciadores de tremoço e grispit. Viemos da Irlanda. E somos amigos. Quer dizer... isso quando a Balancê dá atenção para todos... senão a gente briga. E ganha quem encher as calças do outro com mais fliwicks.


Aulay - 28/05/2003

leprechaun03.gif

e o que é o nexo senão mais uma forma de controle? uma das tantas utilizadas pela hipocrisia para manter todas as coisas como estão: uma merda.

Wilboard - 03/04/2003

me livro do livro

livro.jpg

o meme partiu do flavio prada, e eu honro o convite. abandonei um livro aqui a uma quadra de casa. é um exemplar de Restaurante Chinês, coletânea de contos que conta com um texto meu. não por ter um texto meu que eu larguei o livro, pô, nem assinei o texto da primeira página [botei e-mail, bereteando@], é só porque, além de ser um livro bacana, eu tinha um sobrando.

blogmeme que se preze tem que tacar no do outro, né? como eu não vi nenhum dos outros indicados (na verdade, não vi nem ele, o proponente da idéia, cumprindo a promessa feita no post) seguirem adiante, renovo a maldição aqui - adicionando à lista já composta por milton ribeiro, biajoni, olivia, lucia malla e viva os nomes de gabriela zago, larissa bueno, jorge rocha, gejfin, leila, jojo, caco, afonso, flávio [diário], roger, bruno, ander, nora, diego, marcão, sérgio, briga e aran - mais a galera do faça sua parte - pra espalhar livros mundo afora também. el_rey mandou brincar de desapego. e pra espraiar a brincadeira coletivo afora chamo também os comparsas doni e träsel.

no final é bem mais massa do que parece. participem também, leitores! e avisem por aqui para updates neste post.


porque ler, tecnicamente, e cada vez mais, também é um esporte.

my mini city

da série de brinquedinhos pra aumentar a dificuldade de concentração no trabalho, pipocam pelos cantos links e links para cidades criadas no MyMiniCity.

é bonitinho: sem login, registro ou burocracias, se escolhe um país, nomeia a cidade e pronto, surge ela, com uma solitária cabaninha no meio do terreno. pra que cresça, basta que alguém a visite - pronto, simples assim. quando apareceu um visitante, vi surgiram mais três casinhas e dois terrenos preparado para o plantio.

fica evidente o 'modelo de negócio', não? o que o site quer é visitação, e fez um mix de jogo com ranking pra lá de rasteiro. cada cidade gera links para o site, ou seja, tráfego e visitas. em troca, uma maneira lúdica de medir sua popularidade.

e pelo lúdico e fácil de usar, claro que plantei um campinho lá. fica na República Checa e leva o mesmo nome do último disco da melhor banda de tech death de lá da Europa, a finada !T.O.O.H.!.

visitem Rád a Trest - não "ordem e progresso", e sim "ordem e punição".

~.~

cidade criada, agora eu quero ver é lembrar de voltar lá.

outras cidades da vizinhança que pintaram, via twitter ou rss (lista atualizável):
Fagulhas, Rep. Central Africana (Menezes)
Capitalismo, França (Carla Castilhos)
Piada, Brasil (Gabriela Zago) Sin Título, Cuba (Moe Ribeiro) Csókolom, Hungria (Thiago Gonçalves)

Qual o presente para o blogueiro que já tem tudo? Fora uma encenação ao vivo do calendário das blogueiras, não consegui pensar em nada, até que…

Vejamos: mesmo os blogueiros que adoram dinheiro gostam muito de feedback. É importante sabermos que estamos sendo lidos. Ajuda a orientar os textos, ajuda a manter o pé no chão, evita que migremos para a blogosfera intelectual, onde o único leitor que importa é o umbigo. Então, ao invés de dar CDs e gravatas de presente pra meia-dúzia de quatro ou cinco, pensei em um presente bem melhor:

É fato que comentar em blogs cansa. Quem acompanha via RSS então, só se sente tentado a comentar se o post foi MUITO interessante. O RSS é bom para quem lê, mas péssimo para quem escreve, sob esse ponto de vista. (...)

Então, vamos presentar os blogs que visitamos e gostamos: Neste final de ano me esforçarei para comentar em todos os posts que ler e achar que tenho algo relevante a dizer (comentário “cool”, “first post”, “legal” é melhor não fazer). Sugiro que você siga esse exemplo. Faça um blogueiro feliz, neste Natal, deixe um comentário.

post tipo campanha com jeito de meme do popularíssimo Cardoso do Contraditorium - a qual Bereteando apóia e subscreve desde já. não é só um agrado ao blogueiro - movimenta e dá sentido à blogosfera. 'comemora' o blog com seu componente de conversação, celebra a viabilização do feeback em tempo real - essa conquista tão importante quanto premente, que se tornou instantaneamente hábito e hoje configurou-se, como poderia se imaginar, (idealmente) valor, inteligência e conteúdo para o blog que recebe o comentário.

o blog só se popularizou porque tem interlocutores. façam uso, oras! :D



Este arquivo

Esta página é um arquivo de posts recentes da categoria bandeiras.

avisa é a categoria anterior.

bereteios é a próxima categoria.

Posts fresquinhos na página principal - ou mexa nos arquivos pra ver outros posts.

v e r b e a t  b l o g s

all your gardening needs

últimos bookmarks

leituras compartilhadas

verbeatblogs.org

blog 'n' roll