Minha memória estava muito sensível. Você é quem manda.
Eu mando aqui, porra!
Foi há tanto tempo.
eu gosto de Desumano. mas eu gosto muito mais de OPERAÇÃO P-2.
não; eu sou um ENTUSIASTA do OP-2.
também porque tive a rara chance de acompanhar o livro no processo. me afeiçoar e ver seu desenvolvimento e lapidação - que é, sim, uma palavra apropriada.
há ano e meio Desumano ia ao prelo e eu pensando: bom, que assim se acostumam com o nome; e quando OP2 chegar, finca de vez o pé da autora na lista de autores que devem ser lidos na contemporaneidade.
pra dizer de uma vez, OPERAÇÃO P-2 é um dos melhores de 2007. se eu fosse você, esparava até semana que vem pra fazer sua lista.
ao longo de 180 páginas, Olivia tortura seus personagens e os faz avançar numa espiral perfeita. o livro parece um furacão no mar: começa girando em torno da boca larga, ganha velocidade até o vórtice e mergulha, sem fôlego, num segundo de calmaria subaquática. sem surpresas ou pirotecnias. se sabe que é um furacão, e para onde ele está levando. OP-2 é brilhante no ritmo, no timing. não há segredos a revelar para o leitor; apenas momentos para encaixar peças formadas por verdades.
é um policial? sem dúvida. começa com um crime, tem uma investigação acontecendo - com a mídia de olho, tem um policial agindo pelas beiradas. porém ao invés da montanha russa de ações impensadas do protagonista em Desumano, em OP-2 Leonardo pensa, e muito. e envolve o leitor com sua empatia, embora pouco faça, ou a trama cause, qualquer traço disso. Rafael, que divide quase toda a primeira pessoa da narrativa com Leonardo, também calcula muito bem - ou não tão bem, mas calcula - seus passos e os riscos de investigar o assassinato de seu professor orientador por conta própria.
mas ao mesmo tempo, o policial é apenas um componente de OP-2; ele é, também, um suspense psicológico multifacetado, onde Olivia testa a todo instante a capacidade de reconstrução de seus indivíduos. e ao abrir caminho - não só em São Paulo, cenário habitual da autora, mas também numa candente participação de Copacabana (inclusive a dos anos 70) - para que eles levem o leitor até a base do furacão, vai exibindo os rastros inalteráveis das vidas que estão sendo desenhadas naquele minuto. OP-2 é um livro que tem a urgência de seus personagens e evoca no leitor um desejo de paz que não pode ser saciado, desde que a inocência foi vendida.
Bereteando recomenda, dá cinco de cinco estrelinhas, nota 10/10, assina embaixo e indica ao Nobel de Literatura (Independente).
se acharem a capa ou o miolo feios, reclamem comigo. chega na segunda: mais informações com a autôra. 20 pilas no lançamento ou 22+frete no's viralata. tiragem limitada. mexa-se.