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tem dias que eu queria poder desatarrachar a minha cabeça, abrir a tampa e tirar um monte de entulho de lá de dentro. com uma colher de sopa daquelas grandonas e bem cõncavas. que nem limpar caixa de gordura. tirar pás daquela massa escura pegajosa que entope os canos. e limpar a massa de fios de cabelos que escorreram de ti e entraram pelos meus ouvidos. as pausas não são longas o suficiente para realizar a devida manutenção e meus olhos ardem. cada vez mais preciso do que me abre clareiras. que me abram espaços de um vazio sorridente de frio na barriga por ser preenchido de momento. eu preciso instalar uns respiros na caixa craniana pra que a evaporação da incineração de lixo seja otimizada. tem que fazer geometria e balanceamento, também. na verdade tem mais é que fazer uma retífica completa. hoje passou por mim um gol tipo 84 com faróis de milha instalados no pára-choque traseiro. chug chug chug puf puf pof.

triema churrasco de cachaceiro
o relógio já mostrando umemeia da madrugada
e eu aqui
salada
aê. tamos aí. só não tamos aqui. ou aquê. nê.
efemérides. milésimo post da casa.
procrastinei a noite inteira, formulário em branco me esperando. reli dinamicamente o blog. um montão de palavras. tanto tempo embutido. deve caber num disquete, se zipar. reli e me vi envelhecendo. emagrecendo. trocando de geladeira. inventando. tendo dor de dente. trocando de paradigmas. adicionando estilos. chutando. largando o café. comendo pizza e nuggets. me derramando. brincando com dinossauros. fazendo amigos. quebrando aquários. assentando pilares. enchendo a cara. enchendo a casa. casando gente. fazendo inimigos. odiando. nonsense. depressivo. melancólico. com sono. atrasado. infame. brigando com o ganha-pão. me vi nos silêncios. nos poucos períodos sem postagens. nas garotas que nunca apareceram no blog. na que apareceu. nos sinais gráficos. nas pausas. nas intersecções. no que eu completo com memória. me vi cada vez mais subjetivo. advérbio. cada vez mais objetivo. econômico. adjetivo. volátil. vulnerável. tentando entender alguma coisa e fazendo um post sobre música. pulsão do expressar. respiradas. angústia de peito inchado. sóis. luas. estrelas. bancos de praça. avenida aberta, esparramada. dos elos. do que brilha. de todos os bereteios que não estão aqui. todos os fogos o fogo. felizes são os peixes. deixe-me em paz, eu nasci ontem demais. porque tudo é metáfora pra vida. e essa fada, essa fada, se ela voa onde andaria ou se não anda onde ela pensa eu apenas acho, que ela pensa e voa em mim ou se apenas anda eu acho fácil. que sinto-me deus, mas não deus como zeus no olimpo. de achar que a vida anda a passando a mão em mim. desatomizarte-me-irei.
mas penso que cumprir a vida seja simplesmente/compreender a marcha, ir tocando em frente.
que o negócio é sambacriar tamporilando heavy a unha no metal.
e estou amando até os dentes essa desmelancolia prateada que vem de um sorriso qualquer. negro, num dia sem trem. que estou na quinta estrofe, sem pai nem mãe no mundo; agradeço a quem, por amor, traduzir meu mergulho no mar.
a colagem de itálicos no final contém frases de poemas de michel melamed, pedro rocha, cazé peccini, viviane mosé, bruna beber e andré pessoa.
Dixie vai estudar na Europa, como quase todo mundo, e sai de cena por um tempo. se não tivesse trepado com ela, teria escrito alguma coisa. uma carta, um bilhete. uma poesia para ela ler nos momentos de solidão. ouvindo algum jazz deprê. se não tivesse trepado com ela, teria assunto pra escrever durante um semestre, enxergando-a daqui, Dixie longe, Dixie linda, caminhando de sobretudo cinza pelos pubs amarelados de Londres, ricocheteando o sol no sorriso, pedindo no balcão uma cerveja, bebendo até ficar possuída pelo selvagem rancor da solidão, subindo numa mesa e chorando alto o vazio que sente, Dixie desmaiando de cansaço, sendo recolhido por uma ambulância, esquecendo a bolsa no bar, perdida num hospital gelado, de ressaca e com apenas três euros no bolso, sentando na escadinha de mármore branco e acendendo um cigarro que filou do porteiro paquistanês, fumando a sobrevivência da noitada, os cabelos sujos, Dixie longe, Dixie linda, que não consegue evitar um sorriso, fade out.
when I grow up I want to be
one of the harvesters of the sea
I think before my days are done
I want to be a fisherman
and again.
após a longuíssima bobagem, há um recado importante
A ação se passa numa TAVERNA medieval. Numa mesa, conversam alguns PEÕES, em tom de LAMENTO.
Natasha (chorando): Oh, happy day...
Sonja: Kreeeaaaaaak! Sei lá, na real.
Silvano: Tô me sentino assim meio, sem vontade nem de fal... Ahhh.
Guehfen de Lata: Vai sobrá tudo pro véio.
Natasha: Uen jisa uaaaal... oooô-
Guehfen de Lata: Passa a passa ali, pasfavor.
Num canto escuro da taverna TELEPORTA-SE Zerjen, conduzindo um pequeno grupo de chineses do futuro.
Zerjen: Aqui, podemos ver um belo exemplar da arte pagã do século XV. É uma natureza morta. Por favor, fiquem em fila.
Chinês do Futuro 1: Pode botar a mão?
Chinês do Futuro 2: Não vai rolar um vinhozinho?
Chinês do Futuro 3: Nossa, essa barba parece real!
Guehfen de Lata: Por São Carvalho! Tira a mão de mim, infeliz!
Zerjen: Opa. Natureza não-tão-morta. Vam'bora!
Acompanhante de Chinês do Futuro 2 (gritando para Guehfen): N-n-n-n-n-Ni! Ni! Ni!
Zerjen: Próxima parada, Galeria Cobal de Tegucigalpa. Exposição de leguminosas art-noveau de Bruno Horto. Em fila, fassavor.
Chinês do Futuro 1: Ih, acho que eu pisei numa borboleta.
A excursão de Zerjen EVANESCE
Natasha (se acalmando): Calma, zente. É natal. Vai dar tudo certo. Eles vão aparecer.
Sonja: Sinto falta de Pterodáctilo!
Guehfen de Lata: Eu só queria um coração...
Silvano: E o Autor sumiu sem me casá, sem me dá uma mulé. Ator de teatro de blog tem mais é que se f-
Guehfen de Lata (com uma lágrima): um coração... e um... prestobarba!
A trilha sonora SOBE, Guehfen LEVANTA-SE da mesa, pega da mesa ao lado uma MAÇA e inicia sua CANÇÃO
Guehfen de Lata (cantando): Eu era um síndico, um peão / Mas cresci e hoje quero um coração / Um coração e um cheiro, um axé / Me barbeia pra ver qualéquié... Oh, ye!
Entra SGTO. FERSZINSKI
Sgto. Ferszinski (apontando uma Glock): Ei, eu gosto disso!
Guehfen de Lata: Ye!
Sgto. Ferszinski (mirando a Glock): Mas está nas escrituras ... o Autor é que não gosta muito de cantoria!
Sonja: Quac! Cuidado!
Sgto. Ferszinski (descarregando a Glock): Hahahahahah! You like that, huh? Mas o qu-
Guehfen de Lata: Rá! Lata, mas impenetrável!
Guehfen de Lata arremessa a MAÇA no crânio da Sgto.
Sgto. Ferszinski (chateada): Putz. Fui defender o outro e agora vou chegar atrasada pra assistir House.
Dr. House, MD (em sonho): Eu vim te buscar.
Sgto. Ferszinski (entregando os pontos): Me leva que eu vou.
Sai Sgto., LEVITANDO.
Homem da Mesa ao Lado: Ei, minha maça!
Natasha: Acho que devíamos sair e procurá-los pela floresta.
Guehfen de Lata: Podemos procurar os Sábios da Caverna!
Sonja: É uma boa idéia, mas acaba deixando o texto muito longo.
Silvano: Mais?
Eles SAEM para a floresta. Durante o caminho até a caverna, são abatidos por uma profunda tristeza, até que o SOL surge e o que os abate é um suador dos infernos. Eles encontram a CAVERNA DOS SÁBIOS
Guehfen de Lata: Alô! Tem alguém aí?
Sábio Barbudo 1: Quem vem lá? E esse quem, torce pro Internacional de Porto Alegre?
Sábio Barbudo 2: Deixa, deixa, pode ser alguma mina!
Sábio Barbudo 1: Pô, mas eu tô ouvindo Vivaldi!
Guehfen de Lata: 'Cença? Tamo procurando um autor, um pterodáctilo e um coração.
Sábio Barbudo 1: Saco. Tá, chega de música! Te arranca, ô chato!
Johnny Vivaldi: Pô! Vim até aqui pra isso, Sábio!
Sábio Barbudo 2: Larga, larga a garrafa! Deixa o vinho!
Sai VIVALDI, tomando croques
Natasha: Será que os sábios não sabem o samba, digo, o que sucedeu ao nosso autor?
Sábio Barbudo 2: Deve estar vagando o mundo! Entregue aos prazeres do vinho e da carne! Dilatando músculos! Barbarizando geral! Ah, hahahah!
Sábio Barbudo 1: Ele ficou assim depois que começou um livro falando de hemorróidas.
Sábio Barbudo 2: Criticando, né? Bem tua cara mesmo! Olha pra ele! Fica escutando musiquinha piririm-pim-pim pararã de comercial de sabonete e vem me sacanear!
Sonja: Yeaaak! Chega! E aí, viram alguma coisa ou não?
Sábio Barbudo 1 (tentando ser solene): Eu vi uma grande sombra voando em direção a...
Silvano: Onde?
Sonja: Qual lado?
Sábio Barbudo 2: Vai dizer? Ou não vai?
Sábio Barbudo 1: ...ao mar. Procurem o mar. Vão ao mar! Vão!
Saem OS DOIS SÁBIOS
Sábio Barbudo 2: Ei, não era pra gente ficar na caverna?
Sábio Barbudo 1: É a falta do autor. Tá tudo vindo abaixo. Vamos ao mar com eles. Ao mar! Ah!
O grupo segue pela floresta, discutindo filosofia quântica durante 18 minutos, até encontrarem o MAR
Mar: Shoooooooshhh...
Natasha: Mamãe, você tinha razão! Ti lindo!
Silvano: Nuca tinha visso ess'trem.
Guehfen de Lata: Esse lugar me deixa nervoso... Oh! Vejam! Uma embarcação!
Sábio Barbudo 1: É a nau do terceiro sábio!
Sábio Barbudo 2: Oba! Mais um e a gente consegue fechar a mesa de truco!
A NAU se aproxima, e na sua proa aparece o SÁBIO BARBUDO 3
Sábio Barbudo 3: Ahoy, gentleman!
Sábio Barbudo 2: Comandante! Estavas a singrar os mares de- ah, que sede.
Sábio Barbudo 1: Não sei como é que esse barco não afunda com tanto rum estocado.
Natasha: Meu bom homem. Precisamos de respostas.
Sábio Barbudo 3: Respostas. Quem não precisa delas?
Silvano: Tem alguma aí sobrando?
Sábio Barbudo 3: Hm, deixa eu ver... três punchlines, dois numerais complexos, dois sentidos da vida... ah, tem o gabarito de geografia da UNB, também. Interessa?
Guehfen de Lata: Nós precisamos achar o Autor, urgentemente, sob risco de ficarmos presos nesta peça que já vai longe!
Sábio Barbudo 3: Entendi. Talvez a Orácula possa ajudar vocês. Orácula!
Sábio Barbudo 2: Eu vou tomar uma bereja. Alguém?
Sábio Barbudo 1 (cantarolando): Piririm-pim-pim pararã...
A ORÁCULA desce da nau e faz uma mesura ao grupo.
Sábio Barbudo 3: Conversem com ela com paciência, tá? Tripulação, turno livre! Mocinha, você fala com esse pessoal, eles querem respostas. Eu vou até a Caverna com a turma pra tomar umas geladas.
Olívia, Orácula: caploft.
Sonja: Obrigado, sábio.
Sábio Barbudo 3: Ela tem as respostas. Mas...
Sábio Barbudo 2: Vâmo nessa, ô lontra!
Sábio Barbudo 1 (pensativo): Será que ela sabe porque meu filho se afastou tanto da alma barroca da família? Quer ser ferreiro, só quer saber de metal...
Sábio Barbudo 2 (empurrando): Depois! Cerveja! Glub.
Saem os SÁBIOS
Guehfen de Lata: Orácula! Você sabe nos dizer onde está o Autor?
Olívia, Orácula: hup! hup!
Sonja: Quid?
Silvano: Onde?
Olívia, Orácula: vooosh! ~i. !
Guehfen de Lata: Não se entende nada do que ela fala! Céus!
Olívia, Orácula: ip! ip! puf!
Natasha (chorando em desespero pungente): Por favor! Por favor, nos ajude! Nos mostre onde ele está!
A ORÁCULO faz uma cara de enfaro, mas, notando o sentimento sincero dos perseguidores, faz um esforço sobre-humano para articular uma frase usando palavras
Olívia, Orácula: Se quiserem... encontrar... o autor... lhes guiarei... até lá... sigam... o meu... acento!
Todos: Oooooh!
Uma LUZ alumia o mar, que vira SERTÃO. O ACENTO da oráculo se DESPRENDE e paira no ar, como uma seta, movendo-se em direção ao zonte. O grupo parte atrás do acento
Olivia, Aliviada: cataploft.
Sai OLIVIA, Aliviada. Nossos heróis galopam em velocidade pela savana
Sonja: 'Tamerda. Já mudou de novo.
Silvano: Eu tenho medo! Medo de cabalo! Ahhh! Socorro! Odeio cavalo!
Cavalo(dizendo algumas palavras mágicas): Rinch!
Desaparece SILVANO, que incomodava o cavalo
Natasha: Estamos condenados. Sem autor, tudo virou uma bagunça.
Sonja: Já estamos galopando há horas, e parecemos não sair do lugar!
Guehfen de Lata: É inútil. Somos joguetes do destino.
Natasha: Talvez se a gente desejar com força, do fundo...
Guehfen de Lata: Não!
Natasha: Você precisa querer com todo seu coração!
Guehfen de Lata: Eu não tenho um coração, estúpida! Se não fosse por isso eu não tava nessa droga! Dá pra calar a boca?
Sonja: Aéééé? Não fala assim com a minha filha!
Sonja faz um gesto hipnótico e transforma Guehfen de Lata em CORAÇÃO DE LATA
Sonja: Toma o que tu queria.
Coração de Lata: ...
Sonja: Bom, eu não sei mais o que fazer.
Natasha: Vamos parar de galopar. Não estamos indo a lugar algum.
Sai SAVANA
Natasha: Ih. Agora ficou tudo escuro.
Entra MAR AMARELO ESPUMANTE
Sonja: Yeaaaaa-blub...
Natasha: Socorro! Soc-glub...
Coração de Lata (afundando): ! ! ...
Sonja: Consegui! Natasha! Consegui me agarrar na... borda?
Entram os Três Sábios Barbudos
Sábio Barbudo 2: Mas que droga, tem uns bichos aqui no meu chope. Olha, chegou o cara!
Entra AUTOR
Autor: Falaê, gurizada.
Sábio Barbudo 1: Pô, onde é que tu andava? Tinha um pessoal te procurando.
Autor: Eu sei.
Teletransporta-se Zerjen
Zerjen: Eu já sabia também. Somos todos telepatas.
Sábio Barbudo 3: O que houve?
Autor: Vou precisar me afastar do blog por um tempo.
Sábio Barbudo 2: Qualé?
Sábio Barbudo 1: Putz!
Autor: Aqui fora, mudaram as coisas. Estou saindo do meu emprego. Vou ficar sem internet. Não vou poder postar por um tempo, blogar, escrever online, responder e-mails, essas coisas.
Sábio Barbudo 3: Vai deixar o lugar vago, vai perder o cargo!
Autor: Não, eu volto, volto em breve. Assim que descobrir onde estarei.
Sábio Barbudo 2: Claro. Pra poder voltar.
Sábio Barbudo 1: É, faz sentido.
Zerjen: E a turma que o procurava?
Autor: Deixa eles. Devem estar se divertindo.
Sábio Barbudo 1: Num texto sem sentido como esses? Escrito numa correria e sem revisão?
Autor: Afff. Tá.
Entram Sonja, Natasha, Coração de Lata Enferrujando Rapidamente e Silvano
Sonja: Yeaa-
Autor: Nem um pio!
Os quatro SILENCIAM
Autor: Vocês vão dar um tempo no Valhalla. Ano que vem a gente se encontra. Eu vou ficar afastado daqui até as coisas se ajeitarem.
Natasha: ...
Autor: Vai ficar tudo bem. Está tudo bem.
Sábio Barbudo 1: Pelo menos ajuda a coisa de lata. Coitado.
Autor: Ah, que saco. Mas, vá lá, vamos dar um final feliz pra ele, então.
Entra IEMANJAR DE CAFÉ
Iemanjar de Café: Oh! Que lindo coração de lata! Pena, todo enferrujado... O que eu posso fazer por ele?
Autor: Bem, é natal.
Sábio Barbudo 2: Hm, isso me dá fome. Alguém tem panetone aí?
Iemanjar de Café: Eu tava fazendo, mas me faltaram... (brilhando os olhos, antevendo o futuro) ...passas!
Iemanjar de Café devolve Coração de Lata à sua forma NORMAL
Gehfen Barbudo de Passa: Tô me sentindo bem melhor. E um pouco mais sábio.
Todos SAEM
Autor: Opa! Foi mal aí.
Todos SAEM menos Iemanjar de Café e Gehfen de Passa
Iemanjar de Café (meiga): Oiii...
Gehfen de Passa (bobo): Eh, eheheh, eheh. Vamos nessa.
Entra PTERODÁCTILO, que num rasante rouba as preocupações e os cílios de todos apaixonados da Terra
Pterodáctilo: Graaaack! Snif!
Autor: Putz! Devolve os meus cílios, chê! Que mania!
Pterodáctilo (usando a magia que aprendeu na cena do cavalo): Rinch!
Pterodáctilo DESAPARECE
Iemanjar e Gehfen saem em direção ao MAR, de mãos dadas
CAI O PANO, em cima da cabeça do Autor, que não pode enxergar mais nada.
~.~
Bereteando está saindo do emprego hoje, e não sabe bem o que vai acontecer ainda nesse futuro próximo. Como ficará por algum tempo afastado de internetes e quetais, avisa: se precisarem de mim, é melhor telefonar. Não usem e-mail pra nada urgente, e etc. Para verbeatices, acionem o Síndico.
Mas, estamos felizes por aqui :-)
E um 2007 heavy metal de tão bom pra todo mundo. Mesmo.
Abraços!
Tiagón
na escapada
o mundo
um chapéu com flores
o mundo
um anel feito por uma flor
uma flor flor para o buquê de flores flores
uma cigarreira repleta de flores
uma pequena locomotiva com olhos de flores
um par de luvas para as flores
na pele de flores como nossas flores flores de flores
e um ovo
lindo. tza-tza, tristan. daqui.
Os maiores actos musicais do mundo! Aqui, em Bereteando, com excluivi- exclusivs- es, clu, vizi- só aqui nessa m* mesmo.
Titanocarena
Formação:
Nando Reis (baixo)
Andreas Kisser (guitarra)
Charlie Watts (bateria)
Sandy (voz)
tempo de vida estimado: 7 dias
singles: 1: "Hare harê tapetê", 3'56
álbuns: 0
vídeos: 1
versões sertanejas: 1
Charlie: Erm... "One-two-three-caipirrinha"?
Nando: Cadê o meu tapete? Não toco sem o meu, o meu tapete. Preciso sentar no meu tapete... macio e cheirosinho. Nham...
Sandy: Aaaaaaaaah! Quanto querer... Invade meu-
Andreas: Cala a boca, ô diaba. Fuma aqui, ó.
Nando: Macio... Felpudinho... A canção, a canção pode ir tipo, "Quando/A luz/Do sol/batê/no tapetê..."
Andreas: No três, então. Um dois-
Sandy: Aaaaaoooouh! Tapê-tê... Uuuh!
Charlie: Esperar. Caipirrinha, plis. Mocinha bonita caipirrinha pro véio.
Sandy: Miaaaooou! Tira a mão, tio! Pôu! Meu irmão vai te pegá.
Nando: O incenso! O incenso, sabe? O incenso tá queimando meus dedos. Dedosss.
Andreas: Chama o Malmsteen. Vou plantar uma árvore e escrever um livro.
Sandy: Iaaaaaaah! Pensando melhor, põe a mãozinha aqui, tiuô.
Nando: Ooooow! Tem cinza no meu tapetê! Hare, hare, tape, tape, tapê...
Los Lancellotis Usurpados
Formação:
Léo Jaime (sotaque)
Evandro Mesquita (chiado)
Chorão (gíria)
Otto (percussão, samplers, maple juice)
tempo de vida estimado: 11 meses
singles: 2: "Gaspargo", 2'28. "O Skate de Nassau", 12'53
álbuns: 1
vídeos: 0
versões para novela: 1
Otto: Umdoistrêsquatro mas d'um jeit' diferent', tá?
Chorão: Ei! Eu tava ali! Eu quero cantar ali!
Evandro: Yeah! Vâmo gravá 66 músicas! Yeah!
Léo: Então, você viu o jogo ontem?
Otto: Aqui, fal'qui no microfone, cara.
Chorão: Eu queria cantar ali mas é proibido pra mim! Ah!
Evandro: Yeah! Gaspar? Gaishpar, cadê você? Alô, Gaspar!
Léo: Aspargo. Eu queria saber cozinhar aspargo. Então.
Otto: Gaspargo? Hm, legal iss'. Alguém liga pro Zec' Baleiro.
Chorão: Dominô, dominô! Ueaaah!
Léo: Então, um lance meio cozinha e futebol. Eu queria ser o Silvio Lancellotti, na verdade.
Otto: Gaspargo de comprar um lancellotti a cabo, gaspargo de comprar...
Evandro: Yeah!
El Hearin' Dead People
Michael Jackson (voz, coral infantil)
Janet Jackson (voz, hematomas)
LaToya Jackson (voz, dildo)
Samuel L. Jackson (fuck, rattlesnakes)
Zé Jackson Pequeno (soco inglês, M16)
tempo de vida estimado: 28 dias
singles: 4
álbuns: 1
videoclipes dirigidos por Jim Jarmusch: 3
batidas da polícia: 9
Michael: Eu fão fou firar a máfcara.
Coral infantil: Depende de nós...
Samuel: Fuck you. Fuck me. Fuck fuck fuck fuck fuck-
Zé: Vô metê tudo esses feiosão.
Janet: Bate aqui, ô zé mané.
LaToya: Unh, ugh unh unnn.
Policial #1: Cana pra todo mundo.
*_\Conectamutantenados/_*
Formação:
Carlinhos Brown (tambores, zabumba, melocoton, fininfa, spray, gagagá, pifo)
Hermeto Paschoal (chaleira, sanfona, bacia, criúva, metzelder, sivuca, nhanha)
Oswaldinho (acordeon, triângulo, lampeira, biriçi, chalalá, rambitim, fu)
tempo de vida estimado: 36 dias (non-stop)
singles: 0
álbuns: 3
vídeos: 2
festivais de jazz: 8
Oswaldinho: Tá valendo, já?
Hermeto: Gunzááááá nhanganda!
Carlinhos: Electrocotomia deslinearizada com energia, tiozinho!
Hermeto: O gungá, o zunzá nhunhanhá!
Carlinhos: Ebê obá inxalá acém!
Hermeto: Finfafá! Aiaiá!
Carlinhos: De Yayá! É isso, meu branco!
Hermeto: Morena, traz meu banquinho que isso vai longe.
Oswaldinho: Pil.
The Amazing Incredibles
Formação:
Paul McCartney(baixo, voz)
Elvis Presley (guitarra, voz)
Mick Jagger (harmônica, voz)
Phil Collins (bateria, voz)
Peter Frampton (theremin, voz)
tempo de vida estimado: 18 segundos
singles: 0
álbuns: 0
vídeos vazados no youtube: 6
boatos: 468
Mick: Te conheço, rapá?
Elvis: Vem pro soco então, mané!
Phil: Agh! Meuf dentef!
Peter: Eu vou cantar enquanto eles não tão olhando.
Paul: SIR Paul! É SIR Paul, seu idiota!
Mick: Grandesmerda!
Elvis: Oba! Uma briga! Nunca me senti tão vivo!
Phil: Careca no fundo sempre se ferra.
* adaptação de uma idéia original do Yes but No but Yes. eu acho.
para Gejfin e Ander
porto de setembro, sete alegres graus anões, fritando-nos cebolas em vento gelado.
eu de sono, na tela recortando cabelos de bebê e vendo Julia, de olhinhos chineses como uma tabelinha de superstições antedeliciosas. ria-se; imagino Davi ao lado, sorriso fixo meio debochado que nem o do pai, pensando, não me enxergam aqui, venho junto, venho logo, ou venho em breve; dando a mão pra irmã em flutuações quânticas e chutando uma bolinha improvisada em energia e líquidos.
lá fora o sol (bemol), inútil diante da parede minuana que se ergue de fora pra dentro; do osso pra atmosfera. que não se disse, mas é sabido: ele sopra da alma do pampeano que lida longe da família.
e eu de sono aqui, sem saber se mais recebo ou envio o vento que faz a coriza enregelar ainda dentro do nariz. e da carona de um cheiro de erva-mate, abre-se trilha intensa de saudade mal compreendida. que o limite da geografia, devendo curvar-se diante de cada Rio de Bem-Querer que encontra, decerto aprendeu a ser sólido com algum herói farroupilha;
pois que, é setembro.
e só o vento sopra. trazendo e levando a nós, piás de merda.
assustado, arregalado: fazendo de hoje o algum dia; crescendo, e já germinando.
e a grama alta e verde, brilhando firme neste sol sob a geada.
:: tá, agora eu juro que chega: último post sobre a Copa, lá no Verbütfussballbloge. que, inclusive, fecha semana que vem. eu curti!
:: ao lado, links atualizados, depois de séculos. fucem.
:: depois do gatinho com duas caras, eu vou me embora. uma semaninha de férias. ahhh. ahhhdiós. ops! digo,~.~
semana que vem, como vencer o pigarro com um guaxinim e uma lata de tinta acrílica. bom começo de segundo semestre pra todo mundo.
mute.
desproporcional
inevitável
reativa
dor
mente
paraí pára-raio paranóia
só
mente
destrutivoxidante
desestruturada
des
mente
na voz do chefe da patrulha
cérebro.
P: um sonho de consumo?
R: fazer vinte e cinco quilômetros com apenas um litro de álcool. ou vodca. ou três de cerveja.
...eu também chego lá: meu projeto de dar mil entrevistas antes de encerrar a carreira segue a pleno vapor. depois de Milton Ribeiro e Mulher Mistério, el_tiagón abre seu nonsense verborrágico para Marco Aurélio Brasil, o verbeater que vale por uma nação. em pauta: russos, sexo, ornitorrincos, dinossauros e gelo, muito gelo.
Marcão entrevista Tiago Casagrande: nas terças de pupunha da TVerbeat.
~.~
e bom final de dente pra todo mundo. agh.
1. os surfistas não estão mais sozinhos: estréia Vodca, Caprichos e Libertinagem, o blog erótico feminino da Verbeat. e já começou pegando. no banheiro. ahhh.
2. coccarelli.art.br: está no ar o site do arquiteto e artista plástico carioca Carlos Coccarelli, não-coincidentemente pai da nossa Jojo. na Galeria, as pin-ups de Cocca dos últimos 40 anos, e que inspirarou uma turma fodona de colaboradores - Cardoso, Diana de Hollanda, Caco Ishak e Bruna Beber, entre outros - a escrever e compor sobre. eu, claro, tô lá no meio, com um conto sobre a pintura Syrene.
manchando de sangue rioja os véus verdes e lilases de uma noite escura e cerrada
há véus que tremulam verdes e lilases durante a noite. movidos por uma brisa suave, mas gelada como a ponta do nariz de um chihuahua. um vento marítimo carregado de pequenas partículas de sal marinho e suor de marinheiros, peixe recém descamado e madeira eternamente úmida. os véus oscilam para dentro e para fora, lambendo o pó dos móveis e trazendo para dentro do ambiente uma estranha presença de capitães de esquadra mortos já há bastante tempo, desfeitos de carne e pele em erosão contínua e misturados à maresia. havia nos véus milhares de microorganismos de alma netúnica preenchendo os espaços e os vazios e o ar pesado daquela praia.
em pequenos momentos da manhã nascente, a luz do sol torna-se azul. e da varanda, não se vê separação entre céu e mar, num horizonte monocromático sufocante. sobre o oceano azul-tranqüilo da madrugada recém desfeita e o céu atomicamente colorido da mesma forma, o sol crispa com chamas azuis as estrelas que desaparecem em direção ao futuro. não há futuro. mas há estrelas. e véus. e um copo de suco de laranja onde flutuam mínimos cristais de mel de eucalipto. e um cigarro. e cabelos negros perdidos pelo chão. e vespas rindo. elas são as primeiras a sair dos cantos da casa, tontas, buscando alguma coisa nas árvores do pátio, pequenos pontos pretos no azul da varanda, emaranhando-se por vezes nos véus e ali permanecendo presas. de tempos em tempos, os véus são recolhidos para a lavanderia, e então restos de vespas e marinheiros são derrotados por sabão em pó e amaciante.
e quando o sol se cansa de castigar pescadores e bodegueiros e cães pulguentos e pássaros lerdos, desaparece em poucos minutos, num pôr-do-sol veloz e acanhado. no verão, são esses os momentos em que o ar fica possuído de um amarelo-queimado estúpido que chamusca as múltiplas arestas dos ladrilhos coloridos. então tudo brilha demais, transformando a casa num farol a sinalizar o fim do dia. e há o retorno dos barcos para a praia, e as vespas voltam para as frestas, e os pássaros recolhem-se preguiçosamente para seus ninhos. já os bodegueiros riem e comemoram as luzes com gritos entusiasmados, saudando o regresso da noite, ligando em seus pequenos aparelhos de som portáteis música alegre em fitas cassete e preparando o gelo e as batidas. os cães ficam eufóricos, pulam em seus calcanhares e são escorraçados. mais tarde, quando todos estiverem bêbados, serão chamados para participar, ou mesmo consolar os desesperados.
pra terminar de ler o texto e ver a pintura que o inspirou, vá fuçar em cocarelli.art.br (1024x768 please). cês me acham no link "interventores", segunda página, mas não se apeguem a mim (ohh) e naveguem pelo site todo, que tá tesudaço.
com the mercury program, fragile or possibly extinct
e eu nadava em direção ao redemoinho, sentidos amortecidos, autômato, entregue, como que tivesse descoberto um destino inexorável, um destino de água, um destino de ralo, de somar-me à bilhões, de ser eu também gota, de ser também azul e verde e pedra e transparente e de ver meu sangue macular superfície alguma, da cor desaparecendo antes de tingir, de ser também aquilo que engole o pigmento, de jamais tocar outra vez, mas enfim ser tocado, ser levado, carregado, como que abraçado por um choro, engolido como lágrima em saliva, eu acre, numa corrente de volume eterno onde meu corpo é nada, é migalha, partícula, pústula, e do que era eu, e era tudo o que tinha, sou reflexo em caco de vidro, batendo compassos para encontrar-me no vórtice, para estar no fundo, para nadar no abismo, para encontrar o espelho de diamantes do solo do oceano, e rever-me luzidio como a íris de um olho já cego ainda coberto por uma camada de vida, quase firme, quase constante, ruído de medo, ouvidos entupidos, porcelana trincada, brado, gargalho e sigo meu guia, apenas um avatar da alma ali, nadando à frente, com pressa, mostrando o caminho, braçadas de vento, virando gentilmente sua aquosa face a mim, fitando e cobrindo-me de branco, de limo, de casca, replicando dentro de mim o mar inalcançável que me acolhe, dentro e também fora de mim, eu ali como um peixe-monstro, frágil ou possivelmente extinto, datado de outra era, errado, enganado, morrendo de sede, abrindo tentáculos, soltando tinta negra, descamando, desprendido, violentado, inerte.
"Nós não somos apenas sexy. Nós não somos apenas legais. Nem apenas leprechauns esquizóides à procura de grispit, tremoço e guano. A gente também se move!"
BereTours 2005/06 vai passar pela sua cidade, talvez! El_Rey & Sêo Síndico In Consert Com Peças Recondicionadas! Datas confirmadas:
São Paulo: 28 e 29/dez, no Via Funchal.
Rio de Janeiro: de 29/dez a 03/jan, no Canecão. (Dentro.)
No aquecimento para a estréia monumental do grupo Fiverbeaters, a dupla estará lançando o single Eu quero (Desse Jeito), acústico e com a orquestra filarmônica de Xanxerê. Todo mundo cantando junto no refrão:
Diz aí
É apenas uma dor nos corno
Diz aí
É apenas um engano
Diz aí
Eu nunca quero ouvir você
Eu quero desse jeitoYeah
Um espetáculo de luz e som e fúria, amor e paixão e principalmente fúria. Bobagem, gargalhadas em volume 12 e docinhos para festas. Habrimos camiños e trazemos a pessoa hamada em três dias. Você não pode perder! Mas, se perder, olha atrás do sofá. Ou dentro da bolsa. Talvez a gente esteja ali, piscando e tossindo.
~.~
No próximo bloco, como passar uma semana feliz da vida, sorrindo de faceiro.
para celso frateschi
e aquele homem ridículo não tinha medo da morte em si, mas do momento em que ela chegasse, trespassando seu corpo como um tremor inevitável, ceifando-lhe a essência como num harakiri, tirando-lhe o fôlego como uma colherada da mostarda extra-forte que se coloca sobre lingüicinhas tostadas na brasa. era um suicida e desejava morrer, mas não queria sentir; e ao fim de cada dia que alargava sua consciência, dividia-se entre o temor e o orgulho de admiti-lo.
então finalmente teve coragem; chegou em casa, abriu a gaveta e, cano na têmpora, fez questão de manter os olhos bem abertos.
- nem doeu -, dizia o bilhete encontrado na mesinha ao lado da poltrona.


