Recently in Teatro do Concreto Armado Category
após a longuíssima bobagem, há um recado importante
A ação se passa numa TAVERNA medieval. Numa mesa, conversam alguns PEÕES, em tom de LAMENTO.
Natasha (chorando): Oh, happy day...
Sonja: Kreeeaaaaaak! Sei lá, na real.
Silvano: Tô me sentino assim meio, sem vontade nem de fal... Ahhh.
Guehfen de Lata: Vai sobrá tudo pro véio.
Natasha: Uen jisa uaaaal... oooô-
Guehfen de Lata: Passa a passa ali, pasfavor.
Num canto escuro da taverna TELEPORTA-SE Zerjen, conduzindo um pequeno grupo de chineses do futuro.
Zerjen: Aqui, podemos ver um belo exemplar da arte pagã do século XV. É uma natureza morta. Por favor, fiquem em fila.
Chinês do Futuro 1: Pode botar a mão?
Chinês do Futuro 2: Não vai rolar um vinhozinho?
Chinês do Futuro 3: Nossa, essa barba parece real!
Guehfen de Lata: Por São Carvalho! Tira a mão de mim, infeliz!
Zerjen: Opa. Natureza não-tão-morta. Vam'bora!
Acompanhante de Chinês do Futuro 2 (gritando para Guehfen): N-n-n-n-n-Ni! Ni! Ni!
Zerjen: Próxima parada, Galeria Cobal de Tegucigalpa. Exposição de leguminosas art-noveau de Bruno Horto. Em fila, fassavor.
Chinês do Futuro 1: Ih, acho que eu pisei numa borboleta.
A excursão de Zerjen EVANESCE
Natasha (se acalmando): Calma, zente. É natal. Vai dar tudo certo. Eles vão aparecer.
Sonja: Sinto falta de Pterodáctilo!
Guehfen de Lata: Eu só queria um coração...
Silvano: E o Autor sumiu sem me casá, sem me dá uma mulé. Ator de teatro de blog tem mais é que se f-
Guehfen de Lata (com uma lágrima): um coração... e um... prestobarba!
A trilha sonora SOBE, Guehfen LEVANTA-SE da mesa, pega da mesa ao lado uma MAÇA e inicia sua CANÇÃO
Guehfen de Lata (cantando): Eu era um síndico, um peão / Mas cresci e hoje quero um coração / Um coração e um cheiro, um axé / Me barbeia pra ver qualéquié... Oh, ye!
Entra SGTO. FERSZINSKI
Sgto. Ferszinski (apontando uma Glock): Ei, eu gosto disso!
Guehfen de Lata: Ye!
Sgto. Ferszinski (mirando a Glock): Mas está nas escrituras ... o Autor é que não gosta muito de cantoria!
Sonja: Quac! Cuidado!
Sgto. Ferszinski (descarregando a Glock): Hahahahahah! You like that, huh? Mas o qu-
Guehfen de Lata: Rá! Lata, mas impenetrável!
Guehfen de Lata arremessa a MAÇA no crânio da Sgto.
Sgto. Ferszinski (chateada): Putz. Fui defender o outro e agora vou chegar atrasada pra assistir House.
Dr. House, MD (em sonho): Eu vim te buscar.
Sgto. Ferszinski (entregando os pontos): Me leva que eu vou.
Sai Sgto., LEVITANDO.
Homem da Mesa ao Lado: Ei, minha maça!
Natasha: Acho que devíamos sair e procurá-los pela floresta.
Guehfen de Lata: Podemos procurar os Sábios da Caverna!
Sonja: É uma boa idéia, mas acaba deixando o texto muito longo.
Silvano: Mais?
Eles SAEM para a floresta. Durante o caminho até a caverna, são abatidos por uma profunda tristeza, até que o SOL surge e o que os abate é um suador dos infernos. Eles encontram a CAVERNA DOS SÁBIOS
Guehfen de Lata: Alô! Tem alguém aí?
Sábio Barbudo 1: Quem vem lá? E esse quem, torce pro Internacional de Porto Alegre?
Sábio Barbudo 2: Deixa, deixa, pode ser alguma mina!
Sábio Barbudo 1: Pô, mas eu tô ouvindo Vivaldi!
Guehfen de Lata: 'Cença? Tamo procurando um autor, um pterodáctilo e um coração.
Sábio Barbudo 1: Saco. Tá, chega de música! Te arranca, ô chato!
Johnny Vivaldi: Pô! Vim até aqui pra isso, Sábio!
Sábio Barbudo 2: Larga, larga a garrafa! Deixa o vinho!
Sai VIVALDI, tomando croques
Natasha: Será que os sábios não sabem o samba, digo, o que sucedeu ao nosso autor?
Sábio Barbudo 2: Deve estar vagando o mundo! Entregue aos prazeres do vinho e da carne! Dilatando músculos! Barbarizando geral! Ah, hahahah!
Sábio Barbudo 1: Ele ficou assim depois que começou um livro falando de hemorróidas.
Sábio Barbudo 2: Criticando, né? Bem tua cara mesmo! Olha pra ele! Fica escutando musiquinha piririm-pim-pim pararã de comercial de sabonete e vem me sacanear!
Sonja: Yeaaak! Chega! E aí, viram alguma coisa ou não?
Sábio Barbudo 1 (tentando ser solene): Eu vi uma grande sombra voando em direção a...
Silvano: Onde?
Sonja: Qual lado?
Sábio Barbudo 2: Vai dizer? Ou não vai?
Sábio Barbudo 1: ...ao mar. Procurem o mar. Vão ao mar! Vão!
Saem OS DOIS SÁBIOS
Sábio Barbudo 2: Ei, não era pra gente ficar na caverna?
Sábio Barbudo 1: É a falta do autor. Tá tudo vindo abaixo. Vamos ao mar com eles. Ao mar! Ah!
O grupo segue pela floresta, discutindo filosofia quântica durante 18 minutos, até encontrarem o MAR
Mar: Shoooooooshhh...
Natasha: Mamãe, você tinha razão! Ti lindo!
Silvano: Nuca tinha visso ess'trem.
Guehfen de Lata: Esse lugar me deixa nervoso... Oh! Vejam! Uma embarcação!
Sábio Barbudo 1: É a nau do terceiro sábio!
Sábio Barbudo 2: Oba! Mais um e a gente consegue fechar a mesa de truco!
A NAU se aproxima, e na sua proa aparece o SÁBIO BARBUDO 3
Sábio Barbudo 3: Ahoy, gentleman!
Sábio Barbudo 2: Comandante! Estavas a singrar os mares de- ah, que sede.
Sábio Barbudo 1: Não sei como é que esse barco não afunda com tanto rum estocado.
Natasha: Meu bom homem. Precisamos de respostas.
Sábio Barbudo 3: Respostas. Quem não precisa delas?
Silvano: Tem alguma aí sobrando?
Sábio Barbudo 3: Hm, deixa eu ver... três punchlines, dois numerais complexos, dois sentidos da vida... ah, tem o gabarito de geografia da UNB, também. Interessa?
Guehfen de Lata: Nós precisamos achar o Autor, urgentemente, sob risco de ficarmos presos nesta peça que já vai longe!
Sábio Barbudo 3: Entendi. Talvez a Orácula possa ajudar vocês. Orácula!
Sábio Barbudo 2: Eu vou tomar uma bereja. Alguém?
Sábio Barbudo 1 (cantarolando): Piririm-pim-pim pararã...
A ORÁCULA desce da nau e faz uma mesura ao grupo.
Sábio Barbudo 3: Conversem com ela com paciência, tá? Tripulação, turno livre! Mocinha, você fala com esse pessoal, eles querem respostas. Eu vou até a Caverna com a turma pra tomar umas geladas.
Olívia, Orácula: caploft.
Sonja: Obrigado, sábio.
Sábio Barbudo 3: Ela tem as respostas. Mas...
Sábio Barbudo 2: Vâmo nessa, ô lontra!
Sábio Barbudo 1 (pensativo): Será que ela sabe porque meu filho se afastou tanto da alma barroca da família? Quer ser ferreiro, só quer saber de metal...
Sábio Barbudo 2 (empurrando): Depois! Cerveja! Glub.
Saem os SÁBIOS
Guehfen de Lata: Orácula! Você sabe nos dizer onde está o Autor?
Olívia, Orácula: hup! hup!
Sonja: Quid?
Silvano: Onde?
Olívia, Orácula: vooosh! ~i. !
Guehfen de Lata: Não se entende nada do que ela fala! Céus!
Olívia, Orácula: ip! ip! puf!
Natasha (chorando em desespero pungente): Por favor! Por favor, nos ajude! Nos mostre onde ele está!
A ORÁCULO faz uma cara de enfaro, mas, notando o sentimento sincero dos perseguidores, faz um esforço sobre-humano para articular uma frase usando palavras
Olívia, Orácula: Se quiserem... encontrar... o autor... lhes guiarei... até lá... sigam... o meu... acento!
Todos: Oooooh!
Uma LUZ alumia o mar, que vira SERTÃO. O ACENTO da oráculo se DESPRENDE e paira no ar, como uma seta, movendo-se em direção ao zonte. O grupo parte atrás do acento
Olivia, Aliviada: cataploft.
Sai OLIVIA, Aliviada. Nossos heróis galopam em velocidade pela savana
Sonja: 'Tamerda. Já mudou de novo.
Silvano: Eu tenho medo! Medo de cabalo! Ahhh! Socorro! Odeio cavalo!
Cavalo(dizendo algumas palavras mágicas): Rinch!
Desaparece SILVANO, que incomodava o cavalo
Natasha: Estamos condenados. Sem autor, tudo virou uma bagunça.
Sonja: Já estamos galopando há horas, e parecemos não sair do lugar!
Guehfen de Lata: É inútil. Somos joguetes do destino.
Natasha: Talvez se a gente desejar com força, do fundo...
Guehfen de Lata: Não!
Natasha: Você precisa querer com todo seu coração!
Guehfen de Lata: Eu não tenho um coração, estúpida! Se não fosse por isso eu não tava nessa droga! Dá pra calar a boca?
Sonja: Aéééé? Não fala assim com a minha filha!
Sonja faz um gesto hipnótico e transforma Guehfen de Lata em CORAÇÃO DE LATA
Sonja: Toma o que tu queria.
Coração de Lata: ...
Sonja: Bom, eu não sei mais o que fazer.
Natasha: Vamos parar de galopar. Não estamos indo a lugar algum.
Sai SAVANA
Natasha: Ih. Agora ficou tudo escuro.
Entra MAR AMARELO ESPUMANTE
Sonja: Yeaaaaa-blub...
Natasha: Socorro! Soc-glub...
Coração de Lata (afundando): ! ! ...
Sonja: Consegui! Natasha! Consegui me agarrar na... borda?
Entram os Três Sábios Barbudos
Sábio Barbudo 2: Mas que droga, tem uns bichos aqui no meu chope. Olha, chegou o cara!
Entra AUTOR
Autor: Falaê, gurizada.
Sábio Barbudo 1: Pô, onde é que tu andava? Tinha um pessoal te procurando.
Autor: Eu sei.
Teletransporta-se Zerjen
Zerjen: Eu já sabia também. Somos todos telepatas.
Sábio Barbudo 3: O que houve?
Autor: Vou precisar me afastar do blog por um tempo.
Sábio Barbudo 2: Qualé?
Sábio Barbudo 1: Putz!
Autor: Aqui fora, mudaram as coisas. Estou saindo do meu emprego. Vou ficar sem internet. Não vou poder postar por um tempo, blogar, escrever online, responder e-mails, essas coisas.
Sábio Barbudo 3: Vai deixar o lugar vago, vai perder o cargo!
Autor: Não, eu volto, volto em breve. Assim que descobrir onde estarei.
Sábio Barbudo 2: Claro. Pra poder voltar.
Sábio Barbudo 1: É, faz sentido.
Zerjen: E a turma que o procurava?
Autor: Deixa eles. Devem estar se divertindo.
Sábio Barbudo 1: Num texto sem sentido como esses? Escrito numa correria e sem revisão?
Autor: Afff. Tá.
Entram Sonja, Natasha, Coração de Lata Enferrujando Rapidamente e Silvano
Sonja: Yeaa-
Autor: Nem um pio!
Os quatro SILENCIAM
Autor: Vocês vão dar um tempo no Valhalla. Ano que vem a gente se encontra. Eu vou ficar afastado daqui até as coisas se ajeitarem.
Natasha: ...
Autor: Vai ficar tudo bem. Está tudo bem.
Sábio Barbudo 1: Pelo menos ajuda a coisa de lata. Coitado.
Autor: Ah, que saco. Mas, vá lá, vamos dar um final feliz pra ele, então.
Entra IEMANJAR DE CAFÉ
Iemanjar de Café: Oh! Que lindo coração de lata! Pena, todo enferrujado... O que eu posso fazer por ele?
Autor: Bem, é natal.
Sábio Barbudo 2: Hm, isso me dá fome. Alguém tem panetone aí?
Iemanjar de Café: Eu tava fazendo, mas me faltaram... (brilhando os olhos, antevendo o futuro) ...passas!
Iemanjar de Café devolve Coração de Lata à sua forma NORMAL
Gehfen Barbudo de Passa: Tô me sentindo bem melhor. E um pouco mais sábio.
Todos SAEM
Autor: Opa! Foi mal aí.
Todos SAEM menos Iemanjar de Café e Gehfen de Passa
Iemanjar de Café (meiga): Oiii...
Gehfen de Passa (bobo): Eh, eheheh, eheh. Vamos nessa.
Entra PTERODÁCTILO, que num rasante rouba as preocupações e os cílios de todos apaixonados da Terra
Pterodáctilo: Graaaack! Snif!
Autor: Putz! Devolve os meus cílios, chê! Que mania!
Pterodáctilo (usando a magia que aprendeu na cena do cavalo): Rinch!
Pterodáctilo DESAPARECE
Iemanjar e Gehfen saem em direção ao MAR, de mãos dadas
CAI O PANO, em cima da cabeça do Autor, que não pode enxergar mais nada.
~.~
Bereteando está saindo do emprego hoje, e não sabe bem o que vai acontecer ainda nesse futuro próximo. Como ficará por algum tempo afastado de internetes e quetais, avisa: se precisarem de mim, é melhor telefonar. Não usem e-mail pra nada urgente, e etc. Para verbeatices, acionem o Síndico.
Mas, estamos felizes por aqui :-)
E um 2007 heavy metal de tão bom pra todo mundo. Mesmo.
Abraços!
Tiagón
Natasha: Já é quase natal de nôvo.
Sonja: Yeaaargh!
Silvano (ameaçador): Dacapôco tem que montá os pinheirinho tudo.
Natasha: E a árvore de natal também.
Silvano: Quid?
Thom: E o presépio, por certo.
Natasha: Isso! Tinha até esquecido! Pô, acho cósmico! Presépio com todos os bichinhos! A vaquinha, o carneirinho, bezerrinho, o polvo...
Silvano: Polvo?
Natasha: ...e a arraia, e a piranha, o cavalo-marinho...
Krokus: Uma celebração assaz estranha.
Diretor: Tempo!
Natasha: ...que fugiram da água quando o Pterodáctilo roubou a estrela de Belém e ficou tudo escuro e...
Moe, o Maníaco da Manipulação: Vou pedir um nome novo pro Papai Noel. Espero que ele me atenda ou vou acabar morrerendo de fome.
Sonja: Ô, meu remedinho pros nervos acabou. Preciso de mais! Mais! Faz mais? Mais! Maaaaais!
Moe, o Maníaco da Manipulação: Dificulta de arranjar trabalho. Com um nome comprido desses, todas minhas falas precisam de quebras de linha. Nenhum autor tem paciência. Principalmente se tem indicação de tom.
Natasha: ...e chegou o Papai Noel e tchaf!, arrancou os tentáculos todos numa fincada só do tridente dele! Uuuuh!
Moe, o Maníaco da Manipulação (como se tivesse um bulbo sobre a cabeça a alumiar suas expectativas, esperanças e rancores): Ei! É isso! Tchaf! Só preciso de uma lâmina decente! Tchaf! Hahahah!
Silvano: Pra varear, vai me sobrar o papel do jegue.
Krokus: Relinchai, ordinário!
Natasha: E é por isso que a zente celebra o crissmas. Porque desde então o Papai Noel nunca anda desarmado.
Moe, o Maníaco da Manipulação (segurando um imenso machado usado para cortar abetos no Canadá, que é onde o autor localiza suas referências machadianas): Tchaf!
Sonja: Ih, tá brilhando os olhos do outro.
Natasha: ...e ele vem pra pegar as crianças que desenvolvem ventosas.
Moe, o Maníaco da Manipulação (gritando mais alto): Tchaf!
Diretor: Ok, Thom fica como o polvo de natal. Valendo.
Thom: A roupa veste bem, só acho que vou precisar de algum enchimento pros outros... waaaaaaaaaaah!
Moe, o Maníaco do Tchaf: Tchaf! Hahahahahah!
Diretor: Ei! Corta!
Moe, o Maníaco do Tchaf: Corta! Tchaf! Hahahah!
Diretor: Aaaaah! Minha cauda!
Krokus: Cuidado! O nome dele está mutando!
Natasha: ...e não diminui o nome de nenhum menino que fica decepando os colegas por aí! Hunf! Que feio!
Sonja: Ayayayaaaah! Emergência!
Num rasante, entra PTERODÁCTILO e rouba a identidade de Moe. Ele larga a arma imediatamente e assume uma expressão apalermada
****: ?
Sonja: Youza!
Silvano: Olha, o rabo do diretor tá se mexeno ainda.
Cauda Seccionada de Diretor: Plof, plof. Help. Plaf.
Krokus: Thom! Não!
Natasha: Viu? Cretino! Mamãe tinha razão! Ela disse que alguém ia acabar se machucando!
Sonja: Eu não disse nada.
Natasha: Ah, é? (pausa) Então eu devo ter lido em algum lugar.
Diretor: Ok, o cadáver do galês fica como manjedoura, e o açougueiro faz o banco de coral.
****: blub... °º°º°º°º°º°º
Krokus: Thom! Meu amigo! Honrarei-te! Depositar-te-ei um salmão sobre vosso corpo todos os dias, até o Natal!
Diretor: E Krokus fica como o tratador de golfinhos.
Krokus: Uma sardinha. Depositar-te-ei uma sardinha.
Silvano: Vai tê alguma côsa hoje, ou tá liberado?
Sonja: Alguém quer sushi?
Natasha: Preciso trocar meu absorvente.
Entra NETUNO
Netuno: Ho, ho ho! Blub! Cadê o menino que quer um nome novo?
****: ...
Natasha: Não! Ele foi malvado! Ele matou o nosso amigo! Olha ali o corpo sangrando!
Netuno: Amigo? Este octópode? Pois o homem é um herói! Concederei-lhe o desejo!
Silvano: Eu queria era vortá pro sertão. Árido. Côsa boa. Sem natal.
Netuno: Em nome do meu poder, llamar-te-arás Mombo, doravante!
Diretor: No três. Um-
Mombo, doravante: Puf! ... ffff...
Netuno: Hahahahah! Blub!
Dr. Pterodáctilo, dermatossauro: Cráááá! Engraçado, uma parte de mim quer falar, cortar tentáculos e desenvolver uma nova pomada anti-rugas. Kreeeeek! Aliás, o senhor não negocia um sobrenome Varella? Quero tentar um quadro no Fancrástico. Graaah!
Sonja: Vem, filha. Qualquer coisa é melhor do que estar aqui. Limpar a casa, ir no teatro, cortar as cutículas do Pterodáctilo... Aliás, vem cá! E cospe essa identidade fora! Sujo! Cacaca!
Dr. Pterodáctilo, dermatossauro: Ptui! Burp!
Natasha: Ir agora? Mas e o Papai...
Sonja: Não, ele não é o seu pai. Seu pai morreu no incidente com a escama.
Netuno (distribuindo balas do Bob Esponja): Ho, ho ho! Blub!
Diretor: Então é natal.
Mombo, doravante: Bã... °ºº°º°
Krokus: Que sera, sera.
Silvano (chupando cana): Fiu! Fiu fiu iuu!
Netuno (liquefazendo-se): Ho, hohoho, hohohoho blub... blob... blarb...
Identidade Desacoplada de Moe, o Maníaco da Manipulação (avoando): Bzzzz...
Silvano: Enchente! Corre! É cada um por todos! O troço não tem fim!
Natasha: E isso que falta um mês, ainda.
Sonja: Foda.
Com Ovo: A Morte de Pterodáctilo
Thriller psicoculinário em dois atos, para levar
com agradecimentos a Sérgio Bruno e os autistas fundadores
A ação se passa na CLAREIRA de uma FLORESTA. O firmamento tem uma cor amarelo-dourada, opaca. Há tensão no ar e o medo se espalha como um vírus
Natasha: É isso. Finalmente começou. E vai acabar logo.
Ela olha para o céu, intrigada
Natasha: Tudo está vindo abaixo.
De cima, subitamente cai SILVANO, vestindo uma malha de ginástica rosa fosforecente
Silvano: Que me pariu, mêss'!
Natasha: Tinha nada menos chamativo, não?
Silvano: Iss'aqui é pra atingir a mássma perfórsce.
Natasha: Quê?
Silvano: Perfórm... Permós... Pra corrê mais ráp'do. Senão eu não avôo.
Natasha: Tá, e então? Descobriu alguma coisa?
Silvano: Acabei baten'o numa nuve e perdi os equilíbrio. Num enxerguei nada não.
Natasha: Seu idiota! A massa está se aproximando! Nós vamos morrer!
Sem ser notado, carregando uma maleta 007, entra ZERJEN, que se posta logo atrás de Silvano
Zerjen: Sinishtro.
Natasha: Aaaah!
Silvano: Porra! Qualé, cumpadi? Dá susto ni mim não! Dá não!
Natasha: Zerjen! Você voltou! Mas... porquê está usando essa batina?
Zerjen: Não é uma batina. É o meu manto de cerimônias.
Silvano (para a platéia): Hm. Pra cerimônia eu uso véu e grinalda.
Natasha: Entendo. (olhando pra cima) Você veio por causa do céu.
Zerjen: É isso. Finalmente começou.
Silvano: E vai acabá logo.
Natasha: Tudo está vindo abaixo.
De cima, subitamente cai KROKUS, seguido por uma bicicleta, que aterrissa sobre a cabeça de Silvano. Preso à cestinha da bicicleta, há um EMBRULHO PARDO
Zerjen: Trevaish.
Natasha: Aaaah!
Krokus: Maldito bicho desgraçado!
Krokus, bastante irritado, puxa o embrulho da cestinha; de dentro dele, sai um alienígena de cabeça achatada, dezoito olhos e dentes para fora, em péssimo estado: é o ET DE VARGINHA COVER. Krokus o esbofeteia
Krokus: Maldito bicho picareta! Olha o que esse monstro fez! Olha a sujeira que eu fiquei!
ET: Há uma nuvem de lágrimas sobre meus olhos.
Natasha: Quid?
Pintinho (no bolso de Silvano): Pil?
ET: A estupidez não lhe deixa perceber...
Krokus: Devolve meus cinqüenta dinheiros! Devolve! Silvano, me ajuda com isso aqui, fassavor?
Silvano e Krokus revistam o ET que, nervoso, cantarola um pout-pourri do cancioneiro popular mineiro. Silvano encontra a niqueleira do alienígena e a entrega para Krokus
Krokus: Isso fica comigo! Agora te arranca daqui!
Zerjen (com uma risota): "Adeus, amor, eu vou partir?"
ET: Eu vou equalizar você.
ET é chutado para fora da cena
Krokus: Inferno. (tentando limpar as calças batendo as costas da mão) Bem, não consegui descobrir nada. O bicho cansou antes de atingirmos altura suficiente.
Natasha: Mamãe tinha razão! Está tudo acabado! Em alguns instantes seremos esmagados por essa massa amarela nojenta!
Silvano: Será que o sol tá derreten'o?
Zerjen (solene): Jo sé lo que se pasa, merrmão. (caminhando em direção à platéia) No início era o verbo. E verbo é essa coisa 'ação', assim, infinitivo, fazer, correr, pegar, acaba dando fome. Aí veio a costela. E então o cupim, a maminha e o entrecô. Mas o Criador não estava satisfeito, porque a carne muito próxima do osso ficava dura, seca.
Krokus: Era difícil encontrar bons assadores na Antigüidade?
Zerjen: Oh, certamente. Mas como o Criador estava estressado, faminto e já tinha cansado de comer nuggets de anjo, encontrou rapidamente outra solução. (pausa, olhando para o céu) Ele criou a gordura.
Natasha: Ooooh!
Zerjen: E a deixou tostando voltada para o fogo, coberta por sal, até que ficasse aquela casquinha crocante. E viu que era bom e pediu uma caipirinha, também. E assim passou quarenta dias e quarenta noites se fartando naquele banquete primordial, e houve rônco e ranger de dentes, porque o Criador tinha um problema de bruxismo e apagou sem usar seu protetor noturno. Por favor, em roda, crianças.
Silvano agarra os pés de Natasha, que agarra os pés de Krokus, que, num impulso, dá uma meia-lua com o corpo para trás e segura os pés de Silvano. O círculo começa a rodar pelo palco. Zerjen estica a perna e interrompe a evolução do trio, que tomba girando como uma moedinha.
Zerjen (continuando): E durante aquele sono, toda a gordura que o Criador ingeriu calcificou, ganhou alma e separou-se de seu hospedeiro. De modo que, quando o Criador finalmente acordou, sentiu um cheirinho gostoso vindo da cozinha, junto de um barulho semelhante ao frigir.
Natasha (salivando): Hmmm... bacon?
Zerjen (assombrado): Não... (ouve-se um RAIO caindo) ...Bahcon!
Do céu, cai uma enorme GOTA DE GORDURA, bem no centro da roda formada pelas personagens.
Silvano: Ara!
Krokus: Argh!
Natasha: Aaaaah!
Pela direita, entra correndo em pungente desespero SONJA, que escorrega na gordura e cai de bunda no chão
Sonja: A gente tudo sifu! A gente tudo sifu! A gente tudo... (caindo) Yawaaaargh!
Silvano: Agora nóis só percisa de uma grelha bem grande.
Sonja: Cale a boca, estrupício! (parando de cair) Que diabos... Zerjen?
Zerjen: Aê irrmãzinha!
Os dois se abraçam efusivamente, estampando marcas de gordura um no outro
Sonja: Se você está aqui, é porque o problema é mesmo grande.
Zerjen: É isso. Finalmente começou.
Natasha: E vai acabar logo, eu sei. Mas eu ainda não entendi que cazzo tá acontecendo?
Todos olham para o céu, que parece cada vez mais próximo da terra; a camada de gordura amarela baixa velozmente.
Zerjen: Cê não percebe não, ô garota? Não tá vendo não? Fodeu! Já era! Olha pro mundo! As pessoas estão destruindo o planeta, desequilibrando o universo! Tá tudo perdido!
Natasha: Mas, como? Como, mamãe, como?
Sonja: Não, não come, e esse é o problema. Os culpados são muitos. Você, por exemplo, Natasha. Desde aquele granito mal passado em 1999, você não tem mais comido a sua gordura. (em direção à platéia) Agora, passa os dias como um roedor selvagem, mascando acelga e cenouras... (irrompe em lágrimas) Weyeyaaaah!
Natasha: Mas o meu corpinho!...
Zerjen: É tudo sobre você, não é? Egoísta! Vocês viraram suas costas à gordura. As pessoas estão desconectadas das energias e substâncias que mantêm a ordem no Caos. Ao invés da chuleta, o peito de frango. Ao invés da lingüicinha frita, o tremoço. Torresminho, então, é impedido até pela Defesa Civil!
Krokus: Você quer dizer que toda essa gordura...
Zerjen (sombrio): Cê já parou pra pensar pra onde vão os triglicerídios, quando morrem?
Eles olham para a platéia, estarrecidos
Todos: Ooooh!
Zerjen: Malditos comedores de margarina!
Sonja: Bahcon está furioso conosco.
Silvano: Esse conversê tá me deixando co'u'a fôme...
Natasha: Tem barra de cereal na minha pochete, ali no... (tensa) ahem, digo, hm, tem... barra de mocotó...
Zerjen: Pecadora! Messalina!
Natasha: Não! Aaaah!
Sonja: Sua idiota! Quer matar a todos?
Krokus: Agora entendo. (com um estranho brilho nos olhos) Natasha precisa de uma purificação.
Zerjen: Zim!
Natasha: Aaaah!
Natasha tenta fugir, mas é impedida por Silvano e Krokus, que a seguram pelos braços. Zerjen tira de sua maleta 007 uma FRITADEIRA portátil e prepara rapidamente um PASTEL DE CALABRESA COM MAIONESE
Zerjen: Abra a boca, infiel!
Sonja: Vamos, fia. Aproveita enquanto tá quentinho. Eh, heheheh.
Krokus: Isso... quentinho e pingando banha! Muhahahahah!
Natasha tenta resistir, mas é forçada a comer o pastel. Sua cara fica toda lustrosa, mas, após um instante de nojo, ela sorri e relaxa. Os homens a soltam
Natasha: Nossa, como tava bom isso. Me sinto tão...
Zerjen: ...Completa.
Sonja: ...Em paz.
Natasha: ...Engraxada! (eufórica) Porra! Se eu soubesse disso antes! Tanto dinheiro gasto com aquela droga daquele psicanalista!
Zerjen: Hm, junguiano?
Natasha: Nada! Macrobiótico!
Silvano: E o que a zente vai fazê agora?
Krokus: Sim. Como podemos reequilibrar Bahcon?
Sonja (pensativa, para a platéia): Se ainda me lembro das Escrituras, será preciso sacrificar um herói para alimentar a divindade e aplacar sua ira.
Zerjen: Você está certa. Como escrito no Cardápio VI, na passagem em que Bahcon entra em guerra com Zhoyo, "Aquele-Que-É-Feito-de-Soja", seu nêmesis. Mas, infelizmente, não existem mais heróis. Tentei contatar o último dos Escolhidos, os que conservam a taxa de colesterol acima de 750 - mas foi em vão. No penúltimo episódio, Matt Groening inscreveu Homer nos Vigilantes do Peso. E hoje, ele já está bem mais saudável.
Natasha: Mèrde! Está tudo perdido!
Sonja: Wraaaaah... Bahcon precisa ser saciado, ou vai cobrir o mundo com sua adiposidade!
Silvano: Finalmente começô.
Krokus: Todo está bajando.
De cima, subitamente desce ENTREGADOR BRENDEN, à Mary Poppins, carregando um cesto de piqueniques.
Zerjen: Pelas barbas do zim selvagem!
Entregador Brenden: Vai sacudir, vai abalar!
Natasha: Aaaah! Mamãe!
Silvano (para a platéia): Pessoal da grua dev'tá co's braço tudo em carne viva.
Sonja: Brenden? É você, Brenden?
Entregador Brenden: Certo. Nunca consegui recuperar meu corpo, então continuo usando esse entregador do Bob's como avatar.
Krokus: Que diabos é isso agora?
Zerjen tirando um cajado da maleta 007 e batendo na cabeça de Krokus): Calado, verme. Brenden é a protetora das Escrituras.
Entregador Brenden: Ó, galera. Trouxe novidades pra vocês.
Brenden tira de seu cesto de piqueniques alguns CARDÁPIOS, que distribui entre todos
Krokus: Oh, um cardápio novinho!
Natasha: Ti lindo! Ti meigo!
Sonja: É, mas... sem nenhuma novidade. Os pratos são os mesmos. Pfff.
Brenden: Então, o que isso diz a você?
Zerjen: ...Claro! Como eu não pensei nisso antes?
Silvano: Nunca fiquei tão perdido nu'a dessas peça antes. Não tô entendeno lhufas.
Zerjen: Sim, eu entendi, Brenden! Bahcon está enfarado! A saída é oferecer-lhe um novo petisco!
Brenden: Que satisfaça Bahcon e o satisfaça, para que ele possa emanar suas energias e seu cheirinho para toda humanidade outra vez.
Natasha: Mas e que lanchinho seria esse?
De cima, subitamente dá um rasante PTERODÁCTILO, roubando o queixo de Natasha, que irrompe num chôro convulsivo. Mas ao tentar ranger os dentes, Zerjen joga um MORDEDOR de látex em sua boca, deixando-a ainda mais frustrada
Pterodáctilo: Graaaaaack!
Brenden: Bem gordinho o bicho, hein?
Sonja: Menina, descobri uma ração ótima. Sabor coraçãozinho empanado com molho de dendê. Olha como deixa as placas da pele dele brilhando!
Zerjen: Você acha que Pterodáctilo...?
Natasha (sem queixo): 'Ão! 'Ããão!
Brenden: Bem, vale a tentativa, não vale? Bahcon não deve comer isso há alguns zilhões de anos.
Silvano: Ocêis vão fritá o bicho?
Krokus: Bem, isso vai depender dele, também.
Sonja se afasta do grupo, Pterodáctilo pela asa. Os dois conversam de perto, observados pelos outros. Sonja assume ar maternal e emite alguns GUINCHOS. Pterodáctilo olha para o céu, voa um pouco, volta. Ambos ficam em silêncio durante alguns momentos, e então Pterodáctilo esfrega sua cabeça pontiaguda no peito de Sonja
Sonja (solene): Brenden... precisaremos de muito ovo e farinha de rosca.
Brenden: Num instante, milady.
Zerjen: Eu estendo a toalha.
Ainda em silêncio, todos começam a preparar o sacrifício. Uma toalha xadrez azul e branca é estendida no chão. Natasha e Brenden batem os ovos, Silvano prepara duas TINAS, Krokus enche uma delas com farinha. Zerjen tira um chope de sua maleta 007 e bebe escondido. Os preparativos são terminados. As despedidas tomam lugar
Sonja: É hora, querido.
Natasha: Você roubou tantas coisas de mim esse tempo todo... até mesmo meu corassão.
Krokus: Valeu, cumpadi.
Natasha: Mas devolve meu queixo? Eu ainda vou precisar dele.
Silvano: Nóis ficô muito orrado de tê conhecido ocê.
Krokus: "Orrado"?
Silvano: Orrado, óia. De ôrra. Num é uma côsa muito boa lá nas banda de Sumpaulo? (sorrindo) Eu fiquei orrado.
Sonja: Você nos orgulhou esse tempo todo, e continuará sendo lembrado como um de nós. Da família.
Zerjen: Eu não te conheço. Sai fora. Mas boa sorte. Falei?
Sonja: Yeyawaaaaaaargh!
Pterodáctilo: Craaaaaaaaaaah!
O animal levanta VÔO e dá sucessivos rasantes no ovo batido e na farinha, até apresentar uma boa camada de cobertura. Ele voa para fora de cena e retorna com uma mochila no bico, que solta em meio aos personagens
Pterodáctilo: Graaaack... Graaaaaaack!
Ele grita e voa em direção à imensidão adiposa, sumindo por entre a gordura, sua voz ficando cada vez mais distante. Então, o SILÊNCIO. Os personagens se entreolham e voltam a fitar o céu
Natasha: Será que funça?
Entregador Brenden tira de sua cesta um imenso X-TUDO, depositando-o sobre a toalha. Todos sentam-se ao redor dele e dão as mãos
Zerjen: ...Oremos.
Zerjen entoa um CÂNTICO antigo, de lamento, até que todo mundo começa a olhar feio e ele cala a boca. O x-tudo é partido, distribuído e mastigado lentamente. Um raio de LUZ DO SOL, tímido, ilumina a refeição. As camadas de gordura começam a se DISSIPAR no céu
Zerjen: Formô!
Sonja: Yeyayayayayaaaaaaagh!
Natasha: Ti lindo! Ti emossão!
Silvano: Também quero avoar! Eu também vô! Me leva!
Em instantes, o céu está azul e claro, alguns pássaros cantam, todos respiram o ar fresco avidamente. Natasha abre a mochila de Pterodáctilo
Natasha: Meu queixo! Puxa, meus caninos também! Finalmente! Oh! Céus, e de quem será esse ombro? E olha quanta figurinha!
Zerjen: Caraca! Essa do Zubizarreta era a que faltava pra eu completar o álbum da copa de 86!
Sonja: Tudo voltou a ser como era antes.
Silvano: Minha malha tá suja.
Krokus: Me sinto um pouco deprimido. Quem sabe um ovo frito...
Brenden: Bem, acho que está tudo bem. Minha presença não é mais necessária.
Zerjen: Obrigado, Brenden. Não sei o que seria da humanidade sem você.
Brenden: Eu até que gostaria de ver Bahcon derramando-se sobre um maldito spa, mas as pessoas... elas não sabem o que fazem.
Entregador Brenden pega sua cestinha e LEVITA para fora do palco, sobrevoando a platéia e aspergindo flocos de bacon no povo
Silvano: Vô vortá pra minha masmorra. Não entendi nada, mas tá todo mun'o rindo, então eu vou me embora dess' lugar. Cença.
Krokus: Espere, eu vou com você. Estou precisando de uma hemodiálise.
Os dois SAEM
Sonja: Zerjen...
Natasha: Você vai ficar conosco dessa vez?
Zerjen: Não, eu preciso ir. A congregação precisa de mim lá em Stonehenge. Estamos terminando de instalar o fogareiro gigante por entre o círculo de pedras.
Sonja: Uau!
Zerjen: É! Vai ser a maior fritadeira do planeta!
Sonja: Você sabe que pode contar comigo, se precisar de alguma coisa.
Natasha: Adeus, Zerjen!
Zerjen: Já era!
Zerjen sai por uma sombra no fundo do palco
Natasha e Sonja se abraçam
Natasha: Será que Pterodáctilo morreu, mamãe?
Sonja: Se você desejar bem forte...
Natasha: ...ele volta?
Sonja: Não, abobada. Se você desejar bem forte é melhor usar suas fraldas. Depois daquele pastel...!
As duas RIEM
CAI O PANO
Natasha: Sabe, mamãe, eu às vezes me canso dessa vida.
Sonja: Yeaargh! Uma barata!
Natasha: Me sinto tão sozinha.
Sonja: Pterodáctilo, mata!
Natasha: Sem ninguém pra conversar.
Pterodáctilo: Fwwwraaack!
Sonja: Quê?
Silvano (de costas): Ocêis vão pegá uma friage.
Natasha: Me sinto meio invisível.
Silvano (virando de sopetão): Sentada nas laje de concreto.
Sonja: Já é quase natal de novo.
Natasha: Sei lá. Falando sozinha. Feito louca.
Silvano (berrando): Ou ficá estéril! Hein? Alô???
Krokus (na janela): Alguém quer jogar bola?
Pterodáctilo: Graaack!
Sonja: Bola?
Silvano: Tá chovêno.
Natasha: Vontade de tocar fogo em tudo.
Krokus: Bola. Jogar bola.
Natasha: Melhor voltar ao trabalho.
Sonja: Bola...
Krokus: Ééééé.
Natasha: Pelo menos eu ocupo minha cabeça com outras coisas.
Sonja: Não é tão ruim assim ser um personagem.
Krokus: Dá até pra jogar bola.
Natasha: Puxa, mamãe, mas logo personagem de blog? Tanta coisa pra gente ser e crescer...
Sonja: Isso não nos diz respeito, querida.
Natasha: Se eu pudesse ao menos...
Sonja: Mas a verdade é que eu sou uma rainha não-aproveitada de Dumas.
Silvano: Êita.
Natasha: Sabe, nem precisava ser romance, podia ser, sei lá, quadrinho, gibi...
Pterodáctilo dá um rasante e rouba as sobrancelhas de Natasha
Natasha (chorando): E ainda tem esse bicho pra me atucanar!
Silvano: Fica assim não, moça.
Diretor: Vamos, gente. Acabou a pausa.
Sonja: Já é quase natal, de novo. Vai passar.
Krokus: Você precisa de uma massagem.
Pintinho: Pil!
Natasha (limpando os olhos): Brigado, zente. Eu amo vocês.
Sonja: Pega leve.
Diretor: Então no três, ensaiando. Um, dois e-
Coral Gospel Valendo 2,4 ton.: Oh happy day, oh happy day...
Churrasco de Rena Unloaded: Tá quente! Tá quente!
Black Peter: Vam'fodê co's gordão tudo. Wheh, wheheheh.
Espírito de Natal Hippie: Aê. Bacana, luzinha.
Espírito de Natal Hippie estende uma maçã para Churrasco de Rena. Ele não consegue pegar o fruto com a boca porque o espeto está girando. Black Peter não gosta da brincadeira e derrama toda a tigela de ponche nos ouvidos de Hippie, que estertora e morre.
Sonja: Waaaah! Graaag! Warwick!
Coral Gospel Valendo 2,4 ton: When Jesus washed, oh when He washed...
Natasha: Oh, mamãe! Minhas roupas estão sujas. E minha alma também!
Sonja: A sombra da tuas rôpa tá crescendo.
Churrasco de Rena Unloaded: Tá calôooor! Ei!
Coral Gospel (berrando mais alto): Washed my sins away!
entra FRANCISCO CUOCO BIZARRO como Locutor, segurando um frasco de xarope infantil
Francisco Cuoco Bizarro: Heh. Eh, hehehe, rram hum am rr. Reh he her ha hu. Hué!
Black Peter também não gosta e quebra o vidro de xarope na cabeça de Cuoco B. Ponche e xarope se estendem por toda a roupa do Coral Gospel. A imundícia é generalizada, etc. Ao fundo, duas fileiras de freiras vermelhas usam açoites no próprio corpo.
Black Peter: Então vamo deixá essa brincadeira divertida.
Black Peter faz um gesto hipnótico e Xarope e Ponche criam vida. Eles pulam sobre o corpitcho de Natasha, lambuzando-a com seus fluidos.
Xarope: Oh! Quanto sucheirra!
Ponche: Tá tudo melecado.
Natasha: Oh! Eu sou suja! E pecadora! Ahh!
Churrasco de Rena Unloaded: Argh... eu... preciso... de luz....
Coral Gospel Valendo 2,4 ton (excitado):Oh happy day! Day! Dai! Dei! Ai ai ai ai! Em cima embaixo e puxa e-
Espírito de Natal Hippie renasce nos corações de todos os presentes, trazendo incenso e mirra, mas principalmente incenso. Coral Gospel Valendo 2,4 ton brilha como o sol. Raios verdes saem do Coral e alumiam os atores e o cenário. O palco treme.
Espírito de Natal Hippie: Neste Natal, use o novo BOLHO Sabor Fibras de Rena com Amor Perfeito, Aí. É o único sabão em pó com a exclusiva fórmula protetora GospelGuard com lipolasers - que limpa e perfuma suas roupas, sua alma e seus cabelos. Bolho!
Coral Gospel: Washed my sins away! Sabor rena! Sabor rena!
Churrasco de Rena Unloaded sorri e pisca, enquanto assa.
Espírito de Natal Hippie: BOLHO Sabor Fibras de Rena com Amor Perfeito, Aí!
Natasha: Totoso!
Diretor: Socorro.
sonja: por favor, belisque meu nariz agora
richard gere: no, no no nononononoooooooo
sonja: yeaaaargh!
pintinho: pil.
natasha: eu voltei, voltei para fincar... stab stab stab
richard gere: ow ow ow oooooow opa!
sonja: deixa isso pra lá, vem pra cá
silvano: vô comprá ocêis tudo pra fazê uns filme pra tu.
sonja: esse texto não faz sentido.
natasha: mamãe, por favor!
silvano: eu vô bota ocêis no copo da dentadura do Ratzfiner.
pintinho: pil?
sonja: Ratzinger.
silvano: Rammstein. Cardeal Rammsteinfingernails pra tu.
richard gere: du du du da da da du duuuuu hasssst! bwheheh
sonja: demente.
diretor: tempo!
extra 1 (abrindo uma garrafa): sioux city salsaparrilla
extra 2: aaaaaaaaahhhh
sonja: pterodáctilo, é a tua deixa.
natasha: ele não veio. pobremas com o fisco. físico. fissszzz-
silvano: eu vô avoá nocêis.
diretor: silvano, mais emoção
silvano: eeuu vôô avoaaaire em-no-cêys muhaha-
diretor: silvano
sonja: yeaaargh!
richard gere: do you wanna dance under the moo mu mu mi mimi
extra 1: primeira porta à direita depois do balcão de frios
diretor: esse texto não faz sentido
sonja: hmpf
pintinho: pil.
natasha: eu prefiro mariola de Santo Antônio da Patrulha
diretor: ok pack it up we're done for today
richard gere: ooooh, hohohoho
extra 2: essa peça vai ser incrível.
silvano: eu vô comê os rim dos extra tudo.
extra 1: yeaaaaargh
seu gualda: tempo!
diretor: eu disse que acabou
pintinho: pil.
~.~
No próximo bloco, como fritar um bife sem engordurar o cabelitcho.
Teatro do Concreto Armado apresenta
A Sínfise Pubiana de Natasha e outros ossos
Monólogo em duplas, melhor de três atos
A ação se passa num QUARTO FECHADO e ESCURO, na noite de natal.
Natasha canta sensualmente, besuntando creme de losna nas suas articulações - premiadas dias antes num concurso intercontinental de beleza arestética
Natasha: (cantando) Soul inis crissmas... and where have you war... Puxa, que vento frio aqui dentro do meu quarto fechado e escuro. (pára de cantar) Devia ter mandado chumbar essas venezianas.
Entra PATRICK SWAYZE
Patrick: Buuuu...
Natasha: Oh! Quem é você?
Patrick: Eu sou o Fantasma dos Natais Passados.
Natasha: Fazendo "bu"?
Patrick: Eu sou um fantasma. Dos natais passados. Pô. Buuu.
Natasha: Tá, tá. Agora eu suponho que você me levará numa jornada mágica em direção às sombras das coisas que eu criei.
Patrick: Sim. Olhe para essa foto.
Natasha: Direto, assim? Sem nem um papinho antes? Não. Não quero.
Patrick: Olha sim. Senão você vai ter que dar um beijo. Na Whoopi Goldberg.
Natasha: Tá, eu olho! Eu olho! Pronto. Ah! É meu avô, vestido como Papai Noel.
Patrick: Contorcendo-se. Por causa do cotovelaço que você desferiu. Nos bagos dele.
Natasha: Ele queria levar o meu bico!
Patrick: Nada justifica. O seu ato. Foi o fim do velho. Você matou ele.
Natasha: Oh, vovô! Eu o amava tanto!
Patrick: Você não deveria estar no telhado.
Natasha: Mas eu estava esperando pelo Papai Noel!
Patrick: E depois que você tirou a foto, ele escorregou. E despencou.
Natasha: (chorando) Sim!
Patrick: Por causa da cotovelada.
Natasha: (soluçando) Ziiiim!
Patrick: Nos bagos.
Natasha: (arrancando os cabelos) Aaaaaaah!
Patrick: Buuuu.
Natasha: (recompondo-se) É isso. Já sei o que vou fazer. Eu vou matar o meu cotovelo.
Patrick: Uêpa-
Natasha: Não consigo mais viver com essa angústia! Eu preciso de paz! Eu preciso de uma arma! Você tem uma arma?
Patrick: Tenho. (coloca uma máscara de RONALD REAGAN) Mas vou precisar dela daqui a pouquinho.
Natasha: Putz.
Patrick: Cê qué pegá onda maish tarde? Mó astral. Urru.
Natasha: Peraí, onde é que você... puf.
Sai Patrick Swayze
Natasha: Preciso manter a calma. Eu fiz o certo. Deveria ter poupado aquele canalha? Rá! Nunquinha! Assim ele aprendeu a lição! Quando lembro de suas suas mãos imundas no meu bico! Meu bico preferido! Biltre! Torpe!
Voando entra PTERODÁCTILO, maquiado e travestido de pterodáctila
Pterodáctilo: Graaaack?
Natasha: Demorasses. A frutinha já saiu, deixando um abraço pro Wong Foo.
Num rasante, Pterodáctilo rouba o joelho de Natasha, e sai.
Natasha: Aaaaaah! Isso dói! Depois me perguntam porque eu odeio tanto o mesozóico. Foram os Anos 80 do planeta! Filho da mãe.
Entra BILLY ZANE
Billy: Buuuu...
Natasha: Oh! Você é o Fantasma do Natal Presente?
Billy: Bem, na verdade não sou bem um fantasma, mas O Fantasma. Eu sou O Espírito Que Anda. Tá ligada?
Natasha: Ahm, entendi. Vou passar o natal fazendo marcha atlética na jângal.
Billy: Naaah. É que eu vim pela empresa de serviços gerais. Terceirizado. (mostra um crachá) Parece que o Fantasma do Natal Presente teve problemas com o fisco.
Natasha: Oh! Receita Federal?
Billy: É. Parece que nas Ilhas Maurício acharam a assinatura dele numas... contas fantasma! Ah, hahahah!
Natasha: Wroooargh! Sim! Eu me arrependo! Eu me arrependo! Agora vá embora!
Billy: Tá, passou. Calmaê. Ahahaha. Vou lhe mostrar o natal de alguém que você conhece.
Billy Zane liga uma TELEVISÃO
Billy: Tem tevê por assinatura?
Natasha: Heh. É uma caixinha desbloqueada.
Billy: Boa! Passa o controle remoto!
Billy Zane coloca no canal de sexo
Billy: Um uisquinho, não rola?
Natasha: Peraí, acho que o gelo... ih, esse eu já vi. No final eles se vingam fazendo um gang bang nesse panda.
Billy: Caceta! Já contou o fim do filme! Mas que espírito de porco, hein?
Natasha: Naninana! O espírito por aqui é você!
Billy: Ah, é. (faz uma careta) "Buuu".
Billy Zane pigarreia e troca de canal
Billy: Você conhece... ele?
Natasha: Oh! É o meu joelho!
Vemos projetado num TELÃO o joelho de Natasha, rindo muito e bebendo cidra. Há conversas ao fundo, que vão tornando-se mais claras à medida em que a câmera abre seu foco
Natasha: ...Mamãe!
Sonja (na tv): Quem se importa com Natasha? Ahahah! Finalmente tenho o que sempre quis! Não preciso mais dela! Ahahah! Assim que terminar esse pornô com o panda vou trocar meu joelho pelo dela.
Pterodáctilo (na tv): Graaahahahack!
Joelho (na tv): Por sorte eles não gostam de eisbein.
Billy: Viu? Viu? Nem a tua mãe gosta de ti. Fracassada.
Natasha: Não! Não é verdade...
Billy: Até N'Ga Th'a'al, O Palhaço-Dragão Que Bufa Pelos Cantos, tem dois joelhos e uma família para comemorar os festejos! Ahahah!
Natasha: (chorando) Minha vida é horrível!
Billy: Ih, nem começa com essa espiral crescente de angústia e desespero. Olha, olha, não perde, eles estão jogando "Adivinha quem é"!
Sonja (na tv): ...coisa feia, torta, barbuda. Já foi visto num buraco escuro e fechado.
Natasha: (engolindo o choro) Sou eu... mamãe, como você pode...
Joelho (na tv): Hmm... é o pinto do Jô Soares?
Sonja (na tv): Nãããão! É o Saddam! Ahahaha!
Billy: Mas que joelho bem burro.
Na televisão, entra o comercial do grill do George Foreman
Billy: Pô, sempre quis um desses. O legal é que a gordura escorr- tá, e aí? Refletiu, ou qualé que é? Rolou?
Natasha: Minha vida é um grande engano. Tá tudo errado...
Billy: Ei, garota, não fique assim... saiba a vida ainda é bela. Ainda é tempo de mudar!
Natasha: Você acha mesmo, Fantasma?
Billy: Claro, deixa eu ver que horas sã... putz, já passa das dez e quinze. O tempo de mudar terminou há meia hora.
Billy Zane dá de ombros e sai
Natasha, engolfada pela tristeza, tenta cair de joelhos no meio do quarto, mas esquece que só tem um, perde o equilíbrio e se esborracha no parquê
Entra GASPARZINHO
Gasparzinho: Yu-huuuu! Digo, (pigarreia) booo.
Natasha: "Booo?"
Gasparzinho: Não é fácil ser fantasma assustador com essa sotaque.
Natasha: Oh, fantasma, você veio para me mostrar os natais futuros?
Gasparzinho: Da. Eu vir pra dar a golpe de misericórdski.
Natasha: Estou me sentindo miserável.
Gasparzinho: Essa ser a idéia.
Natasha: E então, o que o cáustico porvir tem reservado para esta pobre serva?
Gasparzinho: (sussurrando) Nossa, que fala estranha.
Entra Billy Zane
Billy: Decerto o Autor ficou sem imaginação e deixou essa frase a cargo de um... ghost writer! Ah, hahahahahAH!
Natasha tira uma garrucha que estava embaixo da cama e atira em Billy Zane, que EVANESCE, gargalhando.
Gasparzinho: Tem 400 anos que ele faz essas piadinhas infames.
Natasha: Odeio natais sem neve.
Gasparzinho pega de cima da mesa um filtro usado de café, e começa a remexer na borra
Gasparzinho: Vir aqui, ó. Ficar olhando aqui dentro.
Natasha: Parece o Agente 86, mas com um problema de gota!
Gasparzinho: Porra, peraí que não estar pegando direito. (esfrega palha de aço na borra de café) Ó, ó!
Natasha: É uma moça feia e barbuda... mas... ela não consegue se mexer! Parece uma tábua! Toda dura...
Gasparzinho: Chegar mais pertski. Olhar com mais atenção.
Natasha: Não... não...
Gasparzinho: Vamos... você saber que você querer... não resistir... ser inútil... chegar mais pertski...
Natasha: Oh! Oh! Oh! Sou eu! Dura como uma porta!
Gasparzinho: Daaaa. Essa ser você daqui a alguns dias!
Natasha: O que houve comigo? Por que eu não consigo... Ei, alguns dias? Não era pra ser os natais futuros?
Gasparzinho: É a data de natal no Letônia, seu burra. E esse ser seu destino. Viver sem nenhuma articulação!
Natasha: Meus joelhinhos! Meus cotovelos!
Gasparzinho: E não há nada que você poder fazer... porque nós vamos levar tudo que você ter!
Entram THE GHOST OF CYPRESS SWAMP, THE GHOST OF FAFFNER HALL, THE GHOST OF OLD MORRO, THE GHOST OF SMILING JIM, visivelmente bêbado, THE GHOST OF THE RANCHO, THE GHOST OF JOM TOAD, THE GHOST OF THOMAS KEMPE e THE GHOST OF SIERRA DE COBRE, batendo castanholas - são os THE 88 GHOSTS.
Gasparzinho: Bwhohohoh!
The 88 Ghosts: Um, dois e - bu!
Gasparzinho: Amarrar!
Natasha: Mas, Gasparzinho! Por que, Gasparzinho, por quê? Você era o fantasminha camarada!
Gasparzinho: E continuo sendo... O Fantasminha do Camarada Kruschev! Ahahah!
Gasparzinho tira a máscara e surge uma grande barba por sobre as mesmas feições. Os 88 Ghosts amarram Natasha na cama e preparam-se para remover as articulações de seu corpo, rindo muito e fazendo piadinhas em russo.
Camarada Gaspar Kruschev: Com todos esses articulações premiados, ter poder que precisar para ser declarada Rei da Leste!
The Ghost of Old Morro: Mucho triste que ya llebaran un joello.
The Ghost of Faffner Hall: Quem trouxe o óleo de bruzinka?
The Ghost of Jom Toad: Bu!
The Ghost of Smiling Jim: Liga a tevê no canal pornô. Ia passar aquele do panda, hoje.
A janela do quarto escuro e fechado se rompe numa EXPLOSÃO; entram EGON, PETER e RAY
Ray: Nossos monitores estavam certos! Olha quanto bicho!
Egon: Não são bichos. São ectoplasmas, Ray.
Ray: Ah, é? (pausa) E você é feio. (mostra a língua) Blrrrr.
Peter: Ta-rara-ra-ra-ram! Who you're gonna call? Huh, bitch?
Camarada Gaspar Kruchev: Futz. Podeu.
The 88 Ghosts: Formô! Simba! Azulai!
Os Ghostbusters, com facilidade, usam aqueles raios bacanas e capturam os espectros nos seus dispositivos de aprisionamento
Natasha: Vocês me salvaram! Meus heróis!
Peter: Nós somos soda.
Entra MENSAGEIRO
Mensageiro: Boa noite. Você tem um e-mail cantado.
Entra CARRO DE SOM, tocando "Acabou, Acabou"
Carro de som: Acabôôô, ôôô! A-ca-bô!
Mensageiro (berrando ao microfone): Atenção, senhorita Natasha! O título de Miss Articulações foi revogaaaaaado!
Natasha: Quê?
Mensageiro: Na cara, na cara na cara! Houve um erro na contagem dos votos. Você perdeu!
Natasha: Mas então... eu estou livre outra vez! Iupi!
Ray: E quem foi o vencedor?
Mensageiro: Pepinno di Capri.
Todos: Uuuuh.
Entram Sonja, Joelho e Pterodáctilo
Sonja: Wreaaaah! Mas que infeliz que tu é, hein? Pode pegar essa merda de volta.
Joelho: M-m-m-mamãe!
Natasha: My baby!
Joelho e Natasha choram abraçados. Joelho se aninha de volta no seu lugar
Natasha: Viva, viva! Que barato!
Sonja: Buuu.
Entra VOVÔ, esquálido, com uma roupa rota de papai noel, caminhando com dificuldade
Natasha: Vovô! Você está vivo!
Vovô: Se pelo menos UM de vocês fosse me tirar da neve, ao invés de ficar chorando!
Natasha: Eu ti amo! Eu ti amo, vovô!
Vovô: Fome... sede...
Natasha: Ai, ti lindo! Ai, ti emossão! É natal, zente! Estamos finalmente reunidos e alegres! Vamos cantar uma canssão!
Sonja: (sussurrando) Mas não tá isso no roteiro!
Natasha: Fodassi! Eu quero cantar! Eu quero amar!
Entram Patrick Swayze, Billy Zane, Camarada Gaspar Kruschev, The 88 Ghosts e SIMONE COVER
Simone Cover: Tem certeza que não vai dar poblema?
Natasha: Quéisso! Pódi vir, pódi chegá! Todo mundo encostando os cotovelos uns nos outros para celebrar o espírito de natal! O verdadeiro amor numa só voz!
Peter: Ei! Esses fantasmas não deveriam estar aqui dentro do bagulho?
Egon: Isso não é um bagulho! É um dispositivo para armazenar ectoplasmas, idiota!
Peter: Ah, é? (pausa) Pelo menos eu dei uns pegas na Scarlett Johansson. (pausa) E você é feio.
Todos, de frente para o palco, entoam as primeiras notas de "Então é Natal"
Entra AUTOR, com uma espingarda, apontando para a cabeça de Natasha
Autor: Canta. Canta pra ti ver o que te acontece.
Natasha: Mas, jefe!
Autor: Isso não é um maldito musical! Pterodáctilo!
Pterodáctilo, num rasante, rouba as cordas vocais de todos e pousa sobre a cabeça do Autor
Autor: Vamos! Cumprimentem a platéia!
Todos agitam as mãozinhas no ar
Autor: (com uma reverência) Feliz natal a todos.
CAI O PANO
Ouvem-se DISPAROS
Fim.
Um Imbroglio Indigesto
Docudrama em três pratos
A ação se passa numa IGREJA barrôuca.
Monsenhor Potemkin: E se alguém tem algo a dizer que possa...
Comissário Brannagh: Eu!
Convivas: Oooh!
Comissário Brannagh: Você precisa saber, Jack-a-roo. Sonja, ela... bem... Ela come bolo de chocolate com... maionese! Sim, maionese! E... catchup!
Jack: Catchup? Catchup??? Eca! Nooooon!
Sonja: Comissário Brannagh, seu... biltre!
Jack: Nooooooon! Yeeeaaargh!
Sonja: Porque você fez isso? Hein? Não pode me ver feliz! Pois que todo mundo fique sabendo - eu vi quando o Comissário colocou shoyo num blueberry donut!
Comissário Brannagh: Não! Não é verdade!
Sonja: Ahahah! Toma!
Convivas: Oooh!
Comissário Brannagh: Não é possível! Não pode ser... Ninguém... estava lá...
Sonja: Yahahahah! Seu tira burro! Achou que iria se safar dessa?
Comissário Brannagh tira uma garrafa de shoyo litrão do bolso interno do paletó e a quebra num pilar da igreja. Com o gargalo cortado, afasta os convivas de si.
Comissário Brannagh: Não me toquem! Eu sou um homem da lei! Eu...
Jack: O... shoyo! O shoyo de Natasha! Eu reconheceria esse cheiro em qualquer lugar!
Convivas: Oooh!
Jack: O cheiro do shoyo de Natasha... Acho que vou... chuchu com caxumba...
Sonja: Aquela vaca! Arrr!
Comissário Brannagh: O shoyo é meu! Meu... todo meu... Vocês querem? Vocês querem pegar um pedaço do rei? é? é? Nunca! Nunquinha! Lalalalalalalala-
Comissário Brannagh arremete o gargalo contra sua própria existência, via carótida.
Entra NATASHA, vestida como bávara, a tempo de ver o corpo do Comissário caindo em câmera lenta por sobre uma poça de shoyo.
Natasha: Brannagh! Brannagh querido! As cucas! Eu trouxe as cucas! Não... non...
Jack: Katherine... as cucas... Ela trouxe...
Sonja: ô Monsenhor, dá pra tocar logo essa parada aí?
Jack: Pasta de gergelim... pimentinha do reino...
Sonja: Jack, tu te acalma!
Jack (tirando a roupa): Cuca de uva com aguarrás!
Convivas: Oooh!
Monsenhor Potemkin: E se alguém tem ainda mais alguma coisa a dizer, por favor, digam. Mas não pra mim. Tô indo pra sacristia comer o meu Chandélio com rabanete.
Sai Monsenhor
Entra PTERODáCTILO. Num rasante, ele rouba os sachês de mostarda dos convivas, gerando medo e revolta. Muita revolta.
Pterodáctilo: Graaah! Aaaack!
Convivas: Buuuh!
Sonja: Wraaaah!
Natasha: Adoro essa parte.
Sai Pterodáctilo
Jack: Sonja... eu sinto buito...
Sonja: Ei, ei, onde é que cê tá indo? A gente tá casando, cacete! Cadê o padre? Hein?
Natasha: Venha, Jack... Venha pegar um pedacinho da cuca gostosa...
Convivas: Uêpa!
Jack voa por sobre o povo, até atingir o lustre da igreja.
Jack: A luz... Eu preciso da luz...
Ele se debate entre as lâmpadas, queima e cai.
Sonja: Não!
Convivas: Ooooh! Ufs!
Entra Monsenhor
Monsenhor Potemkin (irônico): Eh, eheheh. Mais alguém aí quer dizer alguma coisa?
Sonja: Ah, eu quero! Fwwwwwaaaarambaré!
Com as palavras mágicas, Sonja transforma o Monsenhor num pote de geléia de mocotó.
Sonja: Bwhahaha! Peguem, seus idiotas!
Ela arremessa a iguaria nos convivas, que disputam o Monsenhor. Uma briga começa, e logo a barbárie é generalizada; os Convivas se transformam n'A Turba. Em meio a eles, surge um LíDER.
A Turba: ão, ão, ão! Feijão com requeijão! Inho, inho, inho! Doce de leite com lombinho!
Líder d'A Turba: Simbora, gurizada! Vamos saquear geral!
A Turba: Al, al, al! Uísque com cereal!
Sai A Turba
Sonja: Tá feliz agora, desgraçada?
Natasha: Não me culpe, mamãe. Os fatos assim ocorreram porque assim o Destino quis. Esse é o melhor dos mundos. Tudo está perfeito.
Sonja: Cale-se, idiota! Mais um pouquinho e eu seria milionária! Seria a Duquesa do Sal de Frutas!
Natasha: Ora... antes sal do que má digestão!
As duas GARGALHAM
CAI O PANO
Teatro do Concreto Armado Apresenta
Justiça Sangrenta
Tragédia histórica em um ato
A ação se passa no portão da cidade de Messina.
THOM, o galês de Iansã, e KROKUS, o polonês imberbe, conversam animadamente. A PLEBE RUDE aproxima-se em direção à floresta, com foices na mão para colher vegetais.
Thom: Buona sera.
Krokus: Tem um tempestade de merda se aproximanda. There's a shitstorm a'comin.
Thom: Sim, com efeito. Bolo de laranja?
Krokus: Gravetos e folhas. Flores. Avohai.
Thom: Precisamos sair daqui. Que lugarzinho chinelo.
Plebe Rude: (cantando) As águas vão rolar, garrafa cheia eu não quero ver sobrar...
Krokus: Saca!
Thom: Saca saca!
Krokus coloca o indicador na parte de dentro da bochecha e o puxa veloz e energicamente para fora da boca, produzindo um ruído como "plop!".
Thom: Aí, maneiro!
Pela estrada vem O FLAUTISTA DE HAMELIN, seguido por uma pequena quantidade de camundongos em péssimo estado.
O Flautista: Estou vindo de, ahm, Hamelin, expulsando os ratos que acossavam aquele feudo. Mas me encontro cansado e pobre. Gostaria de pedir uma contribuição espontânea. Para um café. Quem sabe um pãozinho recheado com favas. Mmmm.
Plebe Rude: Se manca, cara!
O Flautista: (exasperado) Aé? Aaaaéééé?
Krokus: Quac! Watch out!
O Flautista: (imitando um cangaceiro) Pois eu vô soltá esses bicho tudo nocêis!
Thom: Noooo!
Plebe Rude: Mas... as nossas crianças!
Krokus: Dê-le seu money.
Plebe Rude: Tudo bem. Rufs. Pegue esses pilas.
O Flautista: Também me falta o dinheiro da passagem. Vim visitar um parente mas não o encontrei. Não tenho dinheiro para o ônibus de volta.
Thom: Isso é tudo que tenho.
Krokus: Mas não tem nada na tua mão.
Thom: Pra vós verdes.
Krokus: Aqui tem alguns sestércios. Mas dourados.
O Flautista: Gostaria também que vissem essa receita médica. Sofro de gota e lumbago, é um milagre que consiga me locomover. Preciso de remédios caros e não tenho como comprá-los. Também tenho irmão doente em casa. Qualquer trocadinho é bem recebido.
Plebe Rude: A-a-a-eo, a-a-a-eo!
Voando, entra PTERODÁCTILO. Ele, num rasante, rouba a flauta.
Pterodáctilo: Ffffrwaaaaah!
Sai Pterodáctilo
O Flautista: Mas o quê?!
Thom: Já era, mai bróder.
Krokus: Os ratos!
O Flautista: Fica frio. Tá na boa. Isso aí é claque.
Plebe Rude: Mas ah! Tentastes nos enganar! Pois iremos lhe esganar!
Thom: Vil! Torpe!
Krokus: Bobo! Chato! Feio!
Plebe Rude: Uh, esfola!
O Flautista: Pô, pega leve. Tô no maior perrengue. Aquelas cem peças de ouro que eu consegui pelo servicinho não duraram muito tempo.
Galopando um Corcel II, entra NATASHA.
Natasha: Enfim! Mamãe tinha razão!
O Flautista: Oh, não!
A moça desce do Corcel e agarra o pescoço do músico.
Natasha: Peguei-te, cavaquinho!
Plebe Rude: Tu sifu!
O Flautista: Ack! Gack!
Camundongos: Yes! Quiiii!
Natasha: Então pensou que poderia deixar aquele criaredo lá em casa e sair voando as tranças?
Thom: Crianças?
Natasha: Éééé. Esse corno deixou todas as crianças de Hamelin comigo.
Krokus: Então ele não praticou um infanticídio, da maneira que a História conta?
O Flautista: Hhhhhhh! HHHH!
Natasha: Isso aqui é um borra-botas. Deu um monte de balas pra piazada e levou elas tudo pra minha cabana em Biafra.
Thom: Mas então tudo não passa de uma lenda? E os escritores são farsantes?
Entram os IRMÃOS GRIMM, vestindo plumas de ganso.
Alexander Grimm: Nåø! Cømø se åtrevem?
Johnny Grimm: Falåciå!
Malcom Grimm: Åchåque!
Tião Grimm: Cåscåta!
Plebe Rude: Decepa! Esfola! Escalpela!
Justin Grimm: Nøn! É culpå dø båstårdø! Nøs nåo såbíåmøs que nå verdåde... Wrååå!
A Plebe Rude faz picadinho do quinteto. Entra o BASTARDO, com um uniforme de bombeiro.
Graham Greene: Eu tava dando consultoria, mas esses suecos não entendem nada. São uns existencialistas burros.
Thom: Sem falar no sotaque horrendo.
O Flautista: (assumindo uma coloração azul) K-kk-kkk...
Natasha: Tá. Eu solto o teu pescoço. Mas tu vai direto tirar aquelas crianças da minha casa e devolver pra cidade!
Thom: Mas Hamelin foi destruída pelos eslavos!
Natasha: Quem falou em Hamelin? Ele que solte em um vilarejo qualquer. Tô nem aí, tô nem aí.
Krokus: Pede meu dinheiro de volta.
O Flautista: Cof, cof.
Natasha: Pega teu rumo. Vai!
Sai Flautista
Thom: Então o Flautista, na verdade, não é um assassino.
Krokus: Que fracassado! Além disso, quem toca flauta, nos dias de hoje?
Natasha: Mamãe diz que ele é baitola.
Graham Greene: Båitøla, na pronuncia nórdica correta. Se me permitem, gostaria de discorrer alguns instantes sobre...
Plebe Rude: Arrã!
Camundongos: Quiiii!
A Plebe Rude transforme Greene num instrumento de sopro, com foles.
Plebe Rude: Agora vai! Taran, taran, taran, taran!
Sai Plebe Rude, marchando e cantando floresta adentro. Os camundongos os seguem.
Thom: É praticamente uma charanga.
Krokus: Alea jacta est.
Natasha: Cala a boca.
Sai Natasha, em seu Corcel.
Krokus: Preciso de folhas de olmo. Adeus.
Sai Krokus
Thom: Vou aproveitar enquanto aqueles camponeses estão na floresta e tacar fogo na cidade. Whe, eheheh.
Sai Thom
CAI O PANO
Teatro do Concreto Armado apresenta
Um Domingo no Parque Vaudeville
Tragédia erótica em 1 ato
A ação se passa no CALABOUÇO. Vemos, acorrentados à parede, SONJA e NATASHA.
Entra SILVANO, o torturador. Ele veste apenas um par de meias.
Silvano: Ó tristeza que se abate sobre minh'alma. Ó destino que aprisiona meu verdadeiro self na concha árida da ostra inerme. Se eu pudesse, deixaria este labirinto de dor e angústia para viver com o sol e com a chuva, livre como a corça, feliz como o pirilampo, risonho como o...
Pela soleira da porta, surge a cabeça do ordenança VLAD.
Vlad: Silvano, meu filho. Cê esqueceu sua rôpa de bailarina lá no vestiário.
Silvano: Caralhos.
Vlad: Vai fedê procê.
Silvano: Fuf.
Sonja: Yaaawgh! Graak!
Natasha: Mamãe, é verdade. O torturador salta pocinhas.
Silvano: Não ouseis zombar de minha força! Jamais escarneceis de minha crueldade! Toda a infelicidade de minha prisão pessoal transforma-se em ódio que descarrego sobre vós, vis seres que alimentam o horror e...
Natasha: Uia, vai subir nas tamanquinhas, é?
Sonja: Wraaaaaayaaa!
Silvano: ...eu trocava tudo por um ingresso para o Holiday on Ice.
Natasha: Quer manteiga na sua pipoca?
Silvano: Ufs.
Entra PTERODÁCTILO. Ele faz cócegas em Silvano e, quando este se descuida, tem suas meias roubadas.
Silvano: Ãhn? Quê? Saia, demônio! Be gone! Não! Cócegas, não! Ah, ahaha! Eu falo! Eu conto, eu entrego todo mundo! Ai, ai ai ai! Em cima, embaixo... e puxa e vai!
Natasha: Mamãe, eu deveria ter lhe ouvido. Se eu tivesse pulado do precipício, pelo menos não veria esse troço.
Sonja: Schlabadaaaaaargh! É o fim. Aaaack!
Vlad: Vô vomitá.
Pterodáctilo: Feito!
Sai Pterodáctilo
Silvano: Estou perdido. Nu em Tebas. E sem minha touca de banho! O que mais pode me acontecer? Não suporto mais isso! Mesmo Édipo, em sua sina cruel, tinha meias para vestir!
Vlad: Tá 'bafado aqui. Vô abrí as janela.
Silvano: Não! As janelas não!
Vlad: Vô abrí todo esse trem.
Silvano: Por Tutatis, não! Não suportarei a luz do sol!
Vlad: Tá um solaço lá fora. Tem que ver. Côsa linda.
Silvano: Ó, porque me torturais, homem?
Natasha: Abre a porra da janela duma vez.
Vlad: Ara.
Vlad abre as janelas, inundando de luz o calabouço. Silvano grita, se contorce, dança e se transforma numa fadinha de luz.
Sonja: Yaaaaaah!
Silvano: Bzz... bzz...
Natasha: Por favor, não me torturem mais. Eu conto tudo.
Vlad: Ih, óia. A fadinha avoôu pelas janela.
Entra SHE-RA. Ela usa um baguete ao invés de espada.
Natasha: Por Greyskull, She-ra!
Sonja: Uh!
Vlad: Mmmm. Rosquinhas.
Natasha: Solte-nos!
She-ra: Demorô.
Ao soltar Natasha e Sonja, o Pterodáctilo entra novamente no calabouço. Faz cócegas em todo mundo e rouba todas as meias.
She-ra: Gurias, trouxe o baguete. Mas... será que alguém tem manteiga?
Todos: Ah, ahahahah!
CAI O PANO
Teatro do Concreto Armado apresenta
Ascensão e queda do império otomano na visão de uma corça
Comédia em 1 ato
A ação se passa na FLORESTA.
Natasha: Mamãe, é verdade!
Sonja: Aaaaargh!
Older: Bucareste e Vênus são excelentes safras de lentilhas.
Economista: Flutuação é tudo nessa vida. Estou leve.
Sonja: Yeaaaaaargh!
Cunha: Wroooo! Cajado!
Natasha: Isso, assim. Hmmm. Mamãe, eu deveria ter lhe ouvido.
Gerva: Resta repetir o rastro. Tô rateando. Rufs.
Tanya: (chorando) Todos somos culpados. Todos. Um por um. Quero ir primeiro.
Sonja: Ak! Ak! Ak! Ak! Graaaaaaaaah!
Pintinho: Pil.
A Besta: Jesus Cristo chegou, vai contar pra você. Como é que se dança a dança do ylê-aiê.
Manoel Carlos: Pelo menos você tem belas gengivas.
Personal Stylist: No Nepal é sempre frio. Estolas de pele são sempre in.
Dhomini: Eu vou te lambuzar com água de côco.
Sonja: Fffff... Pfff... Pruszinsky! Yaaaaawaaaaargh!
Pterodáctilo: Mamãe!
Natasha: Eu senti as vibrações do acordeon. Eu sou o seu instrumento. Me leva que eu vou.
Borghetinho: Eu quero é mucra.
Tommyknocker: Com licença. Vou entrar no seu pâncreas.
George Jetson: Fui comprar um quilo de farinha. Pra fazer mingau.
Terêncio: Farinha láctea deixa tudo um dente só.
T.S. Elliot: To kill a dead man...
T.S. Ellen Roche: Bãããã...
Sonja: Crááááá! Crá! Crá! Dannyyyyyyy! Danny booooooy!
O Alienista: Fala, sangue bom.
