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Menina, amanhã de manhã
quando a gente acordar
quero te dizer que a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens.

Na hora ninguém escapa
de baixo da cama ninguém se esconde
e a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens.

e aproveitem pra clicar, que poucas vezes haverá tanto açúcar neste blog.

A very pretty girl with a very bad mouth and even naughtier mind, Soko is an uncompromising newly-nascent songstress out of Paris. She’s a MySpace phenomenon (nearly 500,000 hits and counting) who peppers her speech with expletives and insists she couldn’t care less whether or not she’s on the airwaves. But she is, big time. Just last month she had the number one song in rotation on radio Denmark. Not impressed? Try these facts on for size: she’s unsigned, has less than a handful of songs completed, has never promoted herself and started singing just six months ago. “I’ve never tried to ‘break’ myself, to be recognised,” she says in her très adorable French accent. “I just put myself on MySpace and people responded.”

escutei três vezes seguidas e já enjoei. mas foram três seguidas incríveis.

~.~

via Fred Leal.

porque eu fico todo transbordando quando surge aquela música que é tão linda e tudo tudo que dá um aperto no peito porque a musiquinha traduz a alma da gente e todas essas coisas mais. e se agradece à capacidade e ao felicidade de fazer parte de um estilo de música tão rico, generoso, compreensivo, aberto e desafiador.

a parte chata é que não dá pra dividir com todo mundo. porque freqüentemente não vai ter beleza maior (pros meus ouvidos) do que a melodia e a harmonia abraçadas na brutalidade do metal. não é lindo ali, do jeito que se conhece - é mais profundo, envolvido em duas ou três guitarras sujas, um cookie monster berrando ininteligível, uma bateria espalhando explosões por todos os lados.

mas, e quem concorda conosco, headbangers?
que é um ofício solitário por natureza, ah.

e desde que voltei de viagem, ando todo assim: brutal technical death metal tcheco. e os 30 primeiros segundos dessa música me fazem arrepiar todos cabelos da nuca e me dizem um trilhão de coisas que só numa composição dessas podem estar contidas.

Lykathea Aflame - A Step Closer


...só pena que é tão complicado pra cantar junto.


Jealousy is degrading us from divine freedom to futile slavery

Be free and let 'em be free
Spiritual teachers we become when giving freedom and possibility of choice
Show 'em freedom and you'll be followed
it's the only way leading from the painsphere

Then we will be a step closer to home

espaço

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avenida aberta, escancarada.

upwards, textures

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deslizar nas rochas do tempo
para lembrar a serpente que fui

viver na tempestade perfeita
e lembrar quem sou

* creek *

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hup hup hup ehhhhh!
ou, então, assim.

cervejas com o irmão Gejfin na cidade natal. a casa é a de Tatjana. internet.

e eu por aqui; férias.
dias de ócio, lazer, ócio, trabalho, ócio. arrulhos no ninho e gaveteiros no banheiro. e uma panela de ferro. até paella, fiz esses dias. descobri que vendem no súper um kit com todos esses monstros escamosos cortadinhos e prontos pro uso. e fui eu, fazer paella. ah.

fevereiro dobra e chega a internet. flores a Iemanjá botam a locomotiva nos trilhos e bâmo que bâmo.

tropeçando;
feliz.

êra.

e eu pensando que havíamos escolhido a cidade de Agudo praquela viagem por acaso.

do Estadão:


A equipe de paleontologia da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) de Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, divulga a descoberta de um pequeno dinossauro que poderá mudar a compreensão da origem e da evolução desses animais.
(...) O pequeno animal teria menos de 40 cm de altura e aproximadamente 1,4 m de comprimento, pesando cerca de 5,5 kg.
(...) O fóssil foi encontrado em rochas sedimentares do período triássico da região central do Rio Grande do Sul, na cidade de Agudo, em 18 de dezembro de 2004.

~.~

formas de se dizer existem 'n' a mesma coisa de dizer formas de existem.

lim-

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e foi que hoje descobri almoçando no habib's e vendo gotas de limão arremessarem-se da fruta em trajetória oposta à direcionada (i.e. o quibe frito) e deitarem-se sobre local não percebido, para apenas mais tarde mostrarem-se como pequeninas manchas de dessaturação na camiseta verbeat azul que uso, percebi que as diversas outras camisetas condenadas ou não pelo mesmo defeito vieram, provavelmente, de alguma sessão de caipirinhas.

limão espirra. atchim.

~.~

93 exemplares vendidos no lançamento: tô dizendo, tô dizendo. ganhou até relato do Biajoni. aliás, relatos do Biajoni é algo que a verbeat books vai editar um dia. junto com relatos de limões. por limões, para limões.

~.~

limom, garçom; limão, garção. alguém faça alguma coisa por uma unidade lingüística.pt.br.

:: a questão não é o tornar-se alguém melhor; é o trabalho que isso dá.

:: trabalho no sentido do esforço cáustico, de toque no trauma. não exatamente como tarefa, mas por construção; processo.

:: por outro lado, à medida em que o processo descortina-se ao agente, há o fluxo, pois há o sujeito.

:: a questão não é ser alguém melhor; é evoluir, mesmo que incivilizando alguns aspectos para melhor equilibrar o jogo de forças cerebral.

:: um ponto é fato: não é, ou há, uma escolha. o processo é a respiração, a digestão. nós somos o ínterim; e seus resultados processados e em processamento contínuo.

:: Baudelaire: "on ne détruit réellment que ce qu’on replace"; só se destrói, realmente, aquilo que se substitui.

:: rancor, temor e a preponderância da sombra: nossos restos reciclados. nosso lixo orgânico. o temor da estagnação e o temor do temor da estagnação: auto é o prefixo escolhido.

: "A minha geração não produziu nada de novo no domínio das artes. Isto não seria um grande problema se ela tivesse sabido usar produtivamente a esterilidade. Mas não foi o caso." SANTOS, 2005.

:: houvesse, e a verdade estaria no movimento inerente de autoprocessamento contínuo e transparente - o único capaz de tornar-nos nós mesmos. o tempo é o único eixo móvel.

:: fotografias e fotogramas: a âncora dos desesperados em busca de referência; um ponto fixo no tempo. mas a única referência é o próprio processo. a referência é a velocidade de convulsão. a continuidade não mais significa aperfeiçoamento.

:: o futuro não é necessário. apenas o autotempo do processo. os caminhos da vida não se tornam mais retos apenas por serem trilhados.

:: "Viajar em direção à realização dá sentido à vida do peregrino, mas o sentido que dá tem algo de um impulso suicida; esse sentido não pode sobreviver à chegada ao destino. A procrastinação reflete essa ambivalência. A coisa mais importante deixada de lado no ato da procrastinação tende a ser o fim da própria procrastinação." BAUMAN, 2001.

:: os peixes que saíram da água e criaram patas devolvem ao humano o mar. eternamente revolto em si mesmo, e o barro sedimentado e os caranguejos e as arraias; nós.

:: indo a lugar algum, mas jamais inertes. mesmo em calmaria, o constante processo. nós, líquidos.

:: mas isso a gente já sabia.

lies, I don't know that they say

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Esfiha. Aquela pasta de carne com um trigo estranho, mais cebolinha e limão, recheando a massa de sabor também estranho, mas cativante – exatamente como a cultura árabe. A superfície amarelada, que ganhou uma fina camada de gema de ovo, complica quando eu quero colocar molho de pimenta sobre ela, as gotas insistem em deslizar para as minhas mãos, de modo que a primeira mordida é a seco, e depois vem o picante, que coloco na área do recheio.

Tem escritor que começa direto na ação. “A lua estava alta e gorda quando Tommy encontrou a carteira”. Outros escrevem um parágrafo de introdução ambiental e cenográfica – “A lua estava alta e gorda, quase iluminando totalmente aquela sombria cidade chamada São Camargo, cidade cheia de esquinas, onde seus habitantes podem comer o melhor cachorro-quente de carrocinha de todo o planalto oeste”. Também há os que fazem um texto à parte no início, para depois conectá-lo ao personagem. Acho que foi o que eu fiz. Ou o que eu pretendia fazer. Não sei! Sei lá! Eu nem gosto tanto assim de esfiha. Vi a página em branco, me chamando, me seduzindo, gemendo em voz alta, eu precisava escrever alguma coisa, mas o quê, meu Deus, e o teclado magnetizando meus dedos e esfiha, esfiha, esfiha! Eu tinha que começar de alguma maneira. Pronto, foi o que eu consegui. O thaumas da esfiha. Agora a página está recheada de pequenos caracteres, como a carne moída que estufa a iguaria.

Hm. Uma metáfora comparativa. Talvez esse seja um texto que trace um paralelo entre um conto e a esfiha. A culinária oriental e a literatura ocidental, seus pontos de entrelaçamento, aulas de Verissimo na mesa do Baalbek! Embora eu ache que os contos do Luis Fernando parecem-se mais com os espetinhos de kafta, crocantes por fora e macios por dentro. A iguaria quente, servida com um brasileiríssimo chope, a pimenta sobre... Droga, tô fugindo do assunto. Acho que esse conto está indo para o lado errado.

Esfiha, esfiha. Um homem. O personagem é um homem, isso eu tenho certeza. Esfiha não parece coisa de mulher. Quer dizer, é claro que mulheres podem comer esfiha, mas não se parecem com uma. Mulheres parecem quibe cru no meio do pão sírio, com hortelã. E pimenta. Mas isso é outro papo. Tá, um homem. Alto. Árabes são altos. Ele é árabe? Bom, se for, pelo menos temos um assunto bem em voga. Um conto de ação: soldado árabe luta pela esfiha de ouro, o maior tesouro do império de... Mas quem é que vai se interessar por isso, Jesus? Se bem que pode ser uma paródia, repleta de crítica social. Ou pode ser uma comédia pastelão. Não, pastelão é outra escola culinária! Se bem que a vovó fazia um pastelão de frango divino... Será que é melhor trocar de sabor?

Podre. Absolutamente podre. Ela começava a meter gordura na farinha e não parava mais. Mais óleo, mais, mais! Nem lembro quem me explicou que a massa se chamava “podre” por causa da sua consistência quebradiça e farelenta, antes e depois de assada. E provavelmente seja esse o segredo número um do pastelão mágico que a vovó fazia. O recheio, invariavelmente de frango, sem muito molho e bastante azeitona, era o segredo número dois. Ficava um tijolaço, denso, que deixava o estômago ocupado durante dias. Infelizmente era criança e nunca me dei conta de colocar molho de pimenta naquilo. Ia ficar ainda melhor. Mas o que impede que eu coma essa delícia outra vez, além da saúde da vovó, é que as tentativas de outras mulheres fracassaram por não serem a minha avó. Eu geralmente acompanhava todo o processo da magia, a transformação dos ingredientes na tigela de madeira, marrom-alaranjada, que parecia um chapéu. A grande barriga dela, que não evitava os movimento ágeis dentro da cozinha. Os dedos misturando a massa, e a voz fina que ensinava, “Quem gosta de cozinhar tem que pôr a mão, tem que se sujar, senão não fica gostoso”. E a cada receita ela lembrava, “Você é que nem o seu pai, que desde pequeno adorava cozinhar”. As mãos ajeitando a massa na assadeira, a minha honra de espalhar o recheio, cada gesto era cheio de ternura; uma autêntica nonna protetora, incapaz de ter maldade alguma no coração. Depois, um tempo interminável no forno, e mangiare!, gritava o nonno na mesa da sala, guardanapo no pescoço, talheres em punho.

É, assim parece melhor. Eu não comia esfiha na infância. Comia de tudo, é verdade, mas só lembro da comida da nonna – a pizza de sardinhas com massa alta e fofa, o bolo de aveia e a torta de bolacha com chocolate (cujo recheio eu sempre roubava um pouquinho do congelador), o pastel também cheio de azeitonas, o molho que fervia tomates desde às nove e meia da manhã, o ravióli que a família toda cortava e recheava nos domingos raros de acordar cedo. Droga, já achei o personagem. Mas pra mim é difícil escrever assim, tão de perto! Acabo pensando, travando demais, a página rejeitando meus caracteres, a influência extrema do backspace... Melhor deixar esse conto pra lá. Não vou conseguir salvá-lo de jeito nenhum.
Acho que eu não queria escrever. Só estou com saudades.

Ou com fome.

setembrada

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quando os ventos de setembro
aguçam o instinto das feras
e a novilhada retoça
pelo cio da primavera
covas de touro se abrem
florescem trevos no meio
e tauras travam combates
pelo poder do rodeio


- Luís Marenco, Covas de Touro

porto de primavera, vinte azuis graus solares.

o Minuano, que soprava a chama farroupilha, ameniza e dá lugar à brisa antiga que coloca o clima no tempo. é primavera; é setembro, logo o feriado do dia 20, então eleições e Feira do Livro. e a cidade que vai ficando mais densa das sensações da mais bela estação do ciclo. e da praça da Alfândega exala o cio das letras, prenhe e gorda, centro nervoso dos feromônios benfazejos que nos desentopem os sentidos.

e o frio que vai com o menino da chuva, e o tempo de guardar casacos; melhor não, que a intempérie vem dos humores, e a instabilidade é o nosso lado polar.

e a grama esverdeando brilhante à RGB, e o céu 103 anos mais azul.

e nas minhas nuvenzinhas, cristais gelados.

Porque dizem os pequenos e os médios, em sombras de grandes trovões: é ali, bem onde mora a coruja. Eia, ei-la: Dona Coruja! Coruja da corja, do capeta, da cabra, do bode, da peste negra e virulenta como remembrando la Associación del Mal_exi-cos em esperan... to.

Avenida aberta, escancarada.

A grama como esmeraldas. Brillando em si, sin sol. O limo enfatuado em água esverdeada. O limo de esmeraldas. Il Musgo della Riqueza plantado em teu ventre:

ODE,
como um caos de espécies em líquen,
osmomutando em pequenas flores de folha com pétalas abraçando o caule.

Que é assim que se derrotam Corujos exterminadores. Com proteínas em gotas de suor em palma de mão cálida. E sabor de limão. Sabe-se.

oito

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porto agosto de alegre, 8°.
depois de semana e meia, há sol lá fora, amarelo e aberto, travestindo-se de úmido a coadjuvar com a temperatura baixa.

há, lá fora. e é uma pena que seja preciso haver um lá fora para que o sol e a lua não sejam tudo que há em um mundo sem dentro.

ice ecie as árvores recendem a orvalho de ontem.
e os poodles lambem cocô velho coberto de cristais de neve.
e os vagabundos no parque, de copo de boca larga em punho, colhem folhas para gelar a cachaça.
e as crianças montam os bonecos na calçada e o sr. policial não gosta dá um zidanaço no monstro, ficando com a cabeça enterrada no peito gelado do sasquatch com nariz de cenoura.
e as árvores quebram em galhos grossos, pesados de gelo.
e o café precisa ser passado (com água adoçada) na mesa do cliente, que bebe de canudinho tão logo ele caia na xícara. os apressados, em vez de pedirem a tampa do copo, ganham um palito pra bebê-lo à picolé.
e os esquilos molhados pulam de um cabo de luz a outro criando caminhos de fios de água que enregelam quando ficam finos e etéreos demais e crispam em faísca elétrica no instante em que a ponte de gelo se forma.

há tanta coisa a 8º quanto posso imaginar. lá fora.

pequenos erros cerebrais reveladores.

ontem saía do banheiro da Caverna do Ratão, onde aliviava o terceiro chope macio, e ao abrir a porta fui surpreendido por um bolo de senhores se abraçando efusivamente. fui absorvido em breve bereteio sobre a cena, e enquanto distraído esperava espaço na estreita passagem entre as mesas, sem querer virei o pescoço para a área mais afastada à direita.

no movimento, fiz ligeiro contato visual com uma garota sentada logo ali. meus olhos naquele rosto lindo. ainda fiz a frase interna, "ei, que gatinha! urf! beeem."

microtésimos de segundo depois, os neurônios piscam, realinham-se e fazem a leitura correta: aquela é a tua namorada, estúpido!

performance invejável: da identificação do objeto de desejo a um beijo, dez passos. ontem, muito melhor que carnaval.

e ela tirando nota 10 no teste do thaumas. mini-prazeres do acaso. nem sempre meu cérebro vai me dar a oportunidade de ver minha garota como se fosse a primeira vez. e é bom que ela continue ali.

meu amor,

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hoje constato
que entre um passo e outro
todo o vácuo

é teu espaço

de andarilho
a espantalho
já não caminho
aguardo

~.~

pra vocês também.

despedidas

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chega uma hora na vida da gente que.

porque agora eu estou sozinho. irremediavelmente sozinho. nunca estive tão sozinho antes. explico. Tati, que há muito nesse blog ganhou a alcunha russa de Tatjana e por muitos foi percebida como uma personagem de ficção, mudou-se. é. pra longe de mim. explico mais. quando a gente percebeu que era amigo, descobriu que era vizinho. e depois o tempo passou e ela se mudou e eu me mudei também pro mesmo prédio em que ela morava e eu ainda. e eu no 205 e ela no 305 e gritaria na janela. e sobe-desce de escadas e jogo de futebol e cerveja e brigas com vizinhos.

sozinho; e isso se mostra mais do que verdadeiro porque desde que eu saí de casa a Tati estava ali, sempre por perto, e assim eu nunca fiquei sozinho sozinho; ficava sozinho quando um cansava da cara do outro, ou quando visitas íntimas compareciam, ou mais recentemente por mais tempo desde que ela se amaziou com o Rafa, aquele negão gremista maloqueiro e cheio de paciência.

e agora, ela está longe. oooh.

parêntese. se tem uma cena que marca muito minha vida de homem morando solito, é a de nós dois indo na lavanderia juntos. sábado, cedo (da tarde), enchendo uma mochila e indo até a lav lev que existia na Protásio, colocando as roupas juntas na lavadora pra dividir a despesa e depois saindo pra fazer compras no súper que havia ao lado.

cervejas e futebol. nunca pensei que pudesse passar duas horas falando de futebol com uma garota.

amiga? fico reticente de chamá-la assim; além de todos os meus segredos, ela tinha as chaves da minha casa e vice-versa.

no frigir dos bacons, a mudança me deixou de herança um armário aéreo de cozinha, que não me arrisco a pendurar naqueles azulejos podres então ficou do lado do paneleiro vertical atrás da porta e agora também serve de base ao suporte do garafôn de água, e a lavadora de roupas que compramos em sociedade agora está na minha área de serviço e não na dela, e mais do que isso,

eu herdei dela sua geladeira velha.

(é velha, mas comparado ao meu cubo antártico histérico amarelo-ferrugem, é uma Lolita.)

estranho. estranho tudo o tempo todo. estranho não cerrar a porta da geladeira com um pontapé pra fechar bem a parte de baixo. estranho o fato de que, de um dia pra outro, ela produziu uma camada de gelo apenas humana, correta, ao invés do ápice apocalíptico de todo dia. estranho ter, agora, uma geladeira que funciona melhor do que eu.

estranho que as luzes da sala do andar de cima, que antes refletiam no prédio em frente e asseguravam a proximidade dela quando eu fico escrevendo, defronte ao monitor, agora estejam sempre apagadas. e na próxima vez que eu vê-las acesas, não serão da Tati.

estranho porque não é um amigo que está indo embora; é um pedacinho de mim que saiu de casa.

sozinho; nunca estive sozinho porque tinha a Tati a trinta degraus.

não triste; estranho.

não triste; mas o sentimento é do drama. o inverso, é indiferença.

enquanto isso, a velha geladeira amarela, cúmplice desde o início, tantas vezes abarrotada de cervejadas públicas e outras tantas vazia como um buraco no gelo por onde ursos pescam peixes lerdos, jaz atrás da porta de casa, à espera de um mensageiro da caridade ou do apocalipse ou algo que o valha removê-la e depená-la.

e lá em cima um silêncio cortante que me faz até sentir saudades dos gritos daquela maníaca.

engraçado sentir uma saudade profunda de algo vivido na fase adulta.

mas é isso.

na volta das férias,
depois de tantas pilhérias,
misérias

~.~

casuísmo relacionado:

depois de viver, foi pagar a conta.

~.~

produto BOLHO apropriado:

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~.~

é isso. azar. bom final de sebãna pra todo mundo. hic.