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frankjorgeanas

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ai, miga

se tu é depressiva eu também sou
não adianta vir com essa cara de quem comeu e não gostou
se tu é depressiva eu também sou
me dá mais uma noite e minhas olheiras dão de dez nas tuas

se tu é depressiva eu nasci há dez mil anos atrás
além de chata, tô enfarada, então me deixa em paz
se tu é depressiva eu comprei um terreno em Quintão
vou sentar na frente da cerca e esperar que a areia me transforme em duna

se tu é depressiva eu comprei um livro do Lama
se tu é depressiva eu já fui gótica de carteirinha
se tu é depressiva eu aprecio (na praça) arnaldantunes requentados

tá, e vai pedir outra cerveja ou vai ficar me olhando com essa cara triste?




fora os aforismos, tâmo na batalha

do Bom Fim à Glória
tem muita lomba pra subir




baratos pretextos pretéritos esperando o Guima cervir a serveja

eu queria ser baterista mas tinha vergonha de quebrar o pulso
eu queria falar francês mas achava bagaceiro fazer biquinho
eu queria fazer uma omelete com casca e tudo

eu queria ter segundas intenções numa terça-feira
eu queria ser engraçadinho mas tava todo mundo vendo Caldeirão do Huck
eu queria ser sortudo mas não tenho coragem de fazer uma rima em inglês

eu queria tanta coisa que não consegui por não ter lido antes um livro de autoajuda que me ensina e conjugar os verbos dentro de uma proposta positiva, pró-ativa, prafrentex e que programa neurolingüisticamente e a soma das letras do meu nome deu 3,14159 e a pedra é ametista e a cor, amarelo.

eu queria ser esotérico mas quando eu nasci tava faltando luz e o relógio do vovô tava embaçado.




pequeno tratado das grandes pequenezas

não fosse mentira, era verdade
não fosse o medo, era a idade
não seria triste, não fosse tarde

mas brabo mesmo é quando cai o parafusinho dos óculos.

psicoesia qvantica

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depois de estourar a cabeça
na prensa da gráfica
e ver na chapa
gravados os meus miolos
como intestinos em Minion ou Garamond,

espaço duplo

descobri que a alma
é feita de esponjas
vermelhas com serifa

reproduzindo-se,
reproduzindo-se.

suspenso

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porque eu não estou aqui
e ainda que porto alegre esteja de outono

as pás girando
aquele vento morno
as pás naquela lerdeza hipnótica
girando
lentas
brisa quente
suor em mim
camisa depen
durada na janela para
secar
quarenta e seis graus lerdos e a pele fritando
os pombos morrendo no ar de fuligem
queimando
a penugem suspensa
os prédios conseguiram deter
o vento que é ainda
menos que as pás
modorras amarelas de
gordura remando imundas
pesadas de poeira
lentas nessa aragem moscando
no zumbido do motor
calor de ouvido
e ali fora pequena da
qui de cima Por
to Alegre sol laranja
efervescente cegando
no brilho do vidro espelhado
do prédio da frente
lento
quente e árido como lavoura de tijolo
respirando terra
fuligem suspensa como mosquitos
zumbindo na brisa hipnótica
caindo nos meus cabelos
suados pendurados na
janela pra secar
eu de
pendu
rado na bei
rada da mu
reta os pêlos da perna molhados
espalhados pela janela
para secar
com o vento que
sopra lento e quente no zumbido
das pás girando lentas
lá fora Porto Alegre pe
quena morrendo em perspec
tiva tão pequena daqui tão
quente
cidade carbonizada suando
até a virilha
bêbada com a bochecha
vermelha cidade puta de rabo
quente e as pás remando eu suspenso a cabeça
lenta lerda
girando hipnótica
eu de
pendurado
o cérebro morno
remando
lento
os pul
sos suan
do dependurados para secar
suando as pás suando
lerdas suspensas
voando caspa
e pêlo de gato
parados no ar fuligem
poeira morna gru
dando na pele sua
da dependura
da para se
car
eu abraçado nas pás girando
lentas lerdas e mornas me
levando pra lon
ge daqui
eu abraçado nas pás do ventilador hipnótico girando lentas e me levando em modorra pra secar bem longe daqui
eu secando suspenso abraçado à poeira do ar hipnótico
eu bêbado de bochechas vermelhas girando lento
remando em mar de mormaço lento
em vôo noturno cidade pequena
girando hipnotizado lento
torpor feito ar pesado
eu e as pás girando lento
lerdo, lento.

: prólogo

De: Tiagón
Para: Gejfin

[chê... o que aconteceu ontem?]

RE: [a gente foi tomar uma ceva, e depois jogou sinuca.]

: há uma ligação telephônica.
o quórum aumentou. não serão apenas os cariocas. na dúvida, troco de tênis e faço a barba. sabe como é. hm. sabe? alguém sabe? tchu ru ru ru.

: Gejfin passa lá em casa tipo oito.
havia sede. temperatura agradável. atmosfera tranqüila. Gejfin começa a reclamar da fome. é um problema mundial, retruco. ele não ouve. não houve. hou, hou hou. e um dois e-

: chegar ao bar demora pra sempre.
efeito da sede. desvios. a Pics errada, na ida. o retorno nunca chega. a Pics certa, na volta. bump.

: o bar tem mesas disponíveis na área ao ar livre.
(todo ar deveria ser livre. lutcha pela libertad del ar!) e o vento sopra louco e lindo. as frôzinhas roxas caem por sobre nossas cabeças e roupas e tingem-nos de primavera. um momento de poesia. SOBE TRILHA BG das Quatro Estações de Vivaldi e eis-nos n'um commercial de sabonê Vinólia, se lhe apraz.

: idéias com camisetas.
primeira frase à mesa. o ambiente favorece e sinto-me propício à criação. me aplaudo. o Fundo Internacional de Fomento à Camiseta Criativa precisa nos apoiar. não posso esquecer a idéia.

: veto.
eu geralmente peço Original, e às vezes Bohemia. mas ontem o garçom passou e eu pedi: Serramalte. era exatamente o que eu queria beber. na verdade era praticamente ela que desejava me beber, espocou em minha voz com viço e certeza, tanta que até ignorei protocolo comumente respeitado de consultar o desejo da mesa. "Serramalte". aí Pics fez cara feia e resmungou alguma coisa sobre um colar, uma dor no molar, as saudades do mar e pediu uma Polar, enquanto eu olhava as luzinhas piscando. derrubaram minha Serramalte.

: mas finalmente há o que beber.
e Gejfin come pastel enquanto tenho problemas com mensagens de texto: envio-as para mim, repasso ao Gejfin, que me devolve. Pics faz ameaças pela primeira vez. Gejfin diz que o pastel é de gorgonzola. todos riem.

: oferto uma flôr a uma dama.
ela diz que vai colocar na agenda. eu acho sarcástico e respondo com uma grosseria. ela faz beiço e mastiga a flor. não, não. ela guarda a flor. (nota: flôr com chapeuzinho fica bem mais verão.)

: chegam os cariocas e W.
a mesa cresce. as crianças riem. o palhaço chora. é o fim do caminho. duas garrafas por vez. André, como de praxe, começa a apontar o banheiro dos funcionários. Tati-Rio fala "meninhoish" e eu sinto uma pontada no peito. Gejfin leva as mãos ao rosto. estamos em casa. W. se recusa a dizer o resto de seu nome.

: de quando as coisas começam a perder o rumo.
as garrafas sucedem-se. uma. atrás. da. outra. olho para a comanda. é pouco. perco os sentidos, mas eles voltam logo depois, ofegantes e inchados. noto que estou com dois olfatos e polidamente devolvo-o à moça da mesa ao lado, que reclamava da falta de sabor da sua torrada de peito de jedi com flôres roxas.

: propaganda de telefone.
a ala dissidente, formada por Tatjana e Ene, agrega Raq. recebo sms sortidos. "oi". "oi". "o". "oi". a pressão funciona e tento trocar de operadora no mesmo instante, mas a Vivo entra com recurso no STJD. mais mensagens chegam: Gejfin recebe um "ceta" e vence.

: desvio de faixa-etária.
entro na área ao ar preso e todos olham para as tevês. é um devedê. todos cantam junto e parecem hipnotizados. reconheço a música: Sgt. Peppers Lonely Heart Etcetera. olho da fila do banheiro para a tela e reconheço Sir Macca e o U2. uma menina dança.

: aromas.
havia um cheiro de alho e óleo que ia e voltava de temps en temps (sic). não localizo a fonte. há uma pizzaria metida a besta do outro lado da rua. observo o vento e as flores voando. pergunto-me se as flores que vêm daquela direção trazem em seus pequenos copos o aroma do alimento. então acho tudo muito besta e começo a cantar Roupa Nova. mais! que a luz! das estrelas! aaaaah!"

: e bestas mitológicas.
alguém fala em dinossauros. Pics oferece dragões. eu aceito. mais tarde, dragão tatuado no braço é considerado demodê, mesmo que seja um dragão chinês. proponho dezembro, Gejfin repassa para janeiro. marco zero pontos.

: tudo é metáfora pra vida
em algum momento, falo em cristal japonês.

: of how to prove a point.
decido usar o banheiro dos funcionários, pressionado por André. digo-lhe: 'ok, agora vou usar o banheiro alternativo'. uso-o sem fila e esqueço de fechar a porta. na saída, observo à esquerda giz sobre quadro negro em seta e frase: "wc alternativo". André marca três pontos e eu fico confuso. as pessoas riem de mim às escondidas.

: sempre ele.
alguém, em algum momento, fala do anticristo.

: link direto/vivo.
Tati-Rio fala do Jobi. há chôro e ranger de dentes. Gejfin, impaciente, pede que eu pare de ranger os dentes dele. André liga para Sérgio. (impressionante como os telefones participam.) existem ameaças. há teorias sobre agentes psíquicos. Gejfin recebe a informação de que estava certo, marca mais pontos e comemora com "é!".

: que bate bate.
chega Ana T., com seus olhos faiscantes. (parece que foi um problema com o isqueiro, regulado na chama muito alta.) Ana T. conta sobre encontro com Ana G. logo depois recebo mensagem de Ana L. minha visão fica hescura e há suor nas mãos. então lembro que ainda tenho outras 23 letras no alfabeto.

: Ana L.
primeiro ela quer comer pizza no domingo, depois oferece ajuda na faxina. menos, mãe. só a pizza tá bom.

: hup hup hup grade
três garrafas por vez. não é uma mesa, é uma massa de risadas e ternura, conversas francas e amenas, amizade e alegria. por causa disso, a SMIC multa o bar.

: quem vem lá, quem vem lá.
em algum momento chegam Lisi e Xanda. mais espaço na mesa. as flores impedem novas cadeiras. a moça de Vinólia passa esvoaçando e se desintegra numa nuvem de fuligem branca. decido lavar minhas lentes de contato.

: erro.
alguém decide fazer um sorteio de amigo secreto. Gejfin escreve os nomes num guardanapo, depois os amassa em bolinhas. a combinação "bolinha amarfanhada + papel finíssimo" faz com que eu destrua o papelzinho ao tentar abrí-lo. jamais saberei quem é meu amigo secreto. no dia marcado para a entrega dos presentes vou estar na Botswana.

: enquanto isso, na Terra-8.
Ana T. me ajuda a abrir o papelzinho. observo o nome. respiro: consegui. estou inserido. [link temporal: acordo hoje, todo sujo de suco de laranja, com uma cicatriz fosforescente no rosto e o papelzinho no bolso da calça. minhas membranas dóem.]

: link direto/dormindo
Rafa na Brasília recebe nossa ligação para saber quem é seu amigo secreto. mas é despertado e por isso decide que não tem mais amigos. todos gritam. faço observações amplamente criticadas, inclusive via telefone, sobre a baliza de preço do evento. só de raiva, decido comprar 50 reais em bolinhas de isopor com cheiro de tangerina. (aromatizado artificialmente. contém gluten, fenilananina e maltodextrina.)

: you've got fucking mail
chega novo sms. é de Tatjana e Raq. elas dizem "foda-se". Raq viaja hoje rumo ao casamento do irmão, e logo em seguida para a Brasília. ela volta em uma semana, ou seja, jamais voltarei a vê-la. Tatjana é a culpada. eu choro as pitangas. dói quando passa pelo canal lacrimal, mas depois é divertido. colorido, e tals.

: vem que essa festa/não acaba nunca.
nunca. alguém fala sobre sinunca. sinuca, digo. Pics gosta. então leva a sério. então intima. aceitamos. só então conta que tem que ser no CheckPoint, por quê? eu acerto. porque é lá que o taco dela está guardado. então lembro de SaucerCrab ameaçando Space Ghost: "I'm here to give him the beating of his life".

: problemas com o tempo.
meu relógio marca 2h40. então lembro que não tenho relógio e sorrateiramente o jogo numa moita.

: o ápice do sujeito indeterminado. ou uh ele advérbio.
alguém levanta e decide ir embora. Lia faz um cameo e leva Ana T. embora. Lisi também vai embora em algum momento. depois todo mundo levanta e vai embora ao mesmo tempo. Tati-Rio vem conosco para a sinuca. Xanda também. André leva W. para comprar novas letras para seu nome.

: chave, mestra.
Tati-Rio precisa de chaves, e nós acordamos a velha ao esperar na frente do prédio. é um padrão: sempre que a gente bebe e pára na frente de um prédio, começa a falar alto altomaticamente. janelas batem. alguns se constrangem. André grita da janela. um gato mia e explode.

: checkpoint.
lembro que Fer mora nos arredores. meu celular fica sem bateria e ela ganha uma noite de sono tranqüila.

: play ball.
dis-cor-dar! todas as desculpas caem por terra quando o caos decide por meninos x meninas. argumento que já sou um homenzinho e por isso, francamente, vou fugir do jogo pra não apanhar de uma garota de tem seu próprio taco (sic). não consigo; subitamente descem do teto paredes de aço com 50cm de espessura e um néon luminosso: jogaremos em Pics' Steel Cage.

: embate e visão.
admito como objetivo não perder por capote. em algum momento justifico os problemas com tacadas de longa distância à miopia e ao fato de ter tirado a lente esquerda porque me incomodava ainda em casa. pela segunda vez esse ano, riem dos meus defeitos óticos. no fim das contas, 4 x 2.

: só alegria.
teve até volta olímpica das gurias em volta da mesa de sinuca. eu e Gejfin começamos a discutir quem era mais culpado, mas paramos quando Pics calculou 36 / 4 = 8. achamos que era alguma espécie de compensação e demos de ombros. peguei o meu de volta e partimos.

: para um retorno que durou horas
de cantoria de Roupa Nova no carro, como de praxe.

: deslizando no lençol espaço-temporal
hoje, meio-dia. Gejfin liga. chê, vamos almoçar em algum lugar. vamos. a comida pesa no estômago. o corpo assimila as parcas horas de sono. a vontade de morrer cresce. a piscina do Gejfin passa por nós, na avenida, pilotando um caminhão. a menina tinha uma camiseta de lembrança do Rio. a placa do carro na frente do prédio do André, ontem, era 2882. sacolinhas do supermercado Zona Sul pulam na mão do Gejfin. todos rimos.

: e assim, e agora, bem agora
encerra-se a noite do dia primeiro de dezembro de 2005, ano do Senhor.

Nesse bom final de semana,

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beibebeer.jpg

Faça como eu: Beba Beibe Beer.

modelos: raquel m., tiagón y letícia h.
foto: (provavelmente) leandro gejfin
locação: bongô bar
copo veste Original 600ml.
Todos os direitos reservados.

o espetáculo "Regurgitofagia", de Michel Melamed, que integra a programação do Porto Alegre em Cena, foi transferido para domingo.

Triema no meretrício

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O molequinho roubou uma bolsa, tirou cem pilas
Achou a puta na zona, estendeu a nota com ardor
-- Fica em casa essa noite, mãe, por favor?

Manda notícias, filho
Hoje eu fiz sete gols, um de bicicleta
Tô namorando a Priscilinha e a Vanessinha
O padre disse pra eu deixar de ser mentiroso

Triema anti-baixo astral, da economia moderna e sobre a Veruska do 201
Deu pra ti
Deu pra mim
Deu pra todo mundo, ou quase

A verdadeira Iluminação II
Ele de Ogum, ela hindu
Na cama a única reza era
Profunda penetração na alma

entra PARTICIPAÇÂO ESPECIAL, envolto num pâno sêco e rôto

É ela! é ela! - murmurei tremendo,

E o eco ao longe murmurou - é ela!

Eu a vi - minha fada aérea e pura -

A minha lavadeira na janela!

~ . ~

Álvares de Azevedo também é do cacete.

Amora

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minha cria preferida

a
ooo
a
oooor
om

existe amor
em alma impura?

no umbigo da laranja
ainda não madura?

em três cenouras
na carne com nervura?

na sua unha
numa rapadura?

oooooooem
oootodos
oooooooeles

menos no velhinho
que perdeu a dentadura

d
ooor
oa
u
oor

o que os olhos não vêem não pode ser enxergado
devolve pro Assis o Machado e volta já pra cama

meu bem

b
ooom
ooe
m
o u
ooob
oom
u
oooou

um
pedaço
liqüefeito
de beijo
é o
suco
de morango
com queijo

te amo
por isso
te deixo

oooooooà mingua passando fome pedindo esmola chorando carinho caindo
oooooooberrando lavando e escovando e ainda usando o meu creme dental

sabor ameixo (a)

x
om
i
oooa
d
ooooo2
oo!

porque preciso dizer que te amo ainda hoje, agora
ou vence o prazo de validade daquele salame italiano

oooooi
m
oooor
oa
u
oooa
oj
ooool
o

pequeninos
amores guardados
em peitos de frango

saudades
tão afogadas
em papos de anjo

demasiados
desejos detidos
de sabor tão estranho

oooa
oa
ooor
m

oooooooamor
ooooooooooooomora
ooamora


oooooooque fazer?


oooooooooooooamar
oooooooooooooora


~.~

Pra quem namora, um fim de semana de vinho, beijo e flocos de nuvem.
Pra quem não namora, também :)

Com o olhar, ela disse "por que me fazes sofrer, te odeio tanto"
Com o olhar, ela continuou "cafajeste, desgraçado, eu te amo"
Passou a noite revirando os olhinhos

~.~

Foto espetacular: João Makray.

~.~

Bereteando deseja um fim de semana enluarado pra todo mundo.

coivara

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Poesia concisa é ciência pura.

ooooooooooocomo ficar
ooooooooooooooooindiferente
oooooooooooooooooooooooooo?
ooooooooooooooooteus peitos
ooooooooooooooooestão rentes
ooooooooooooooooa fome
oooooooooooooooodos
ooooooooooooooooooooodentes.

Só conhecia de nome: mario cezar coivara. Idelber deu o link pro blog dele, fui conferir.

Êita.

Um dos componentes de "boa poesia" pra mim é quando eu leio e fico com vontade de escrever. E ah!, que largo tudo daqui a pouco!

oooooooooooescrever
ooooooooooooooooé entregar
ooooooooooooooooa
ooooooooooooooooprópria
oooooooooooooooocarne
oooooooooooooooooooooooootoda
oooooooooooooooooooooooooroída

Tiagón aplaude de pé

cinco triemas de amor

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Triema olhos nos olhos: Vergonha de usar óculos
Com o olhar, ela disse "eu te quero agora, dentro de mim"
Com o olhar, ele respondeu "3,14159"
Depois reclamava que não comia ninguém

A verdadeira Iluminação II
Ele de Ogum, ela hindu
Na cama a única reza era
Profunda penetração na alma

Triema adolescente III
Perdi o caderno
Esqueci a prova
Mas vou te amar pra sempre!

Batráquio
Imundo, asqueroso, repugnante
Nojento, nauseante, repulsivo amor
Ai de ti se não virares um príncipe!

Triema olhos nos olhos: Amor platônico I
Com o olhar, ela disse "eu te amo"
Com o olhar, ele respondeu "eu também"
Pena que a luz tava apagada

Convite

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oi, eu vim dizer que

-- eu quero me desfazer de todos os meus pedaços antigos, tirar esses trapos velhos e queimar na benzina, raspar as cascas dos mexilhões presos na minha carcaça e então trocar essa pele inchada por uma nova
-- eu quero é ser terreno inexplorado, sem as imundícies deixadas por andarilhos em caminhos outrora percorridos, ou ainda ter cheiro de estofado de couro de carro importado e envolver teu corpo num abraço inédito
-- eu quero lavar paranóias e delírios grotescos perpetrados num tempo distante e longínquo, para que tu me descubras sereno pendurado numa corda de varal secando ao sol e repleto de vitamina E
-- eu quero utopicamente ser resposta para essa existência em que a gente se pergunta todos os dias porque é mesmo que eu tô levantando da cama macia nessa cruel segunda-feira chuvosa e abafada
-- eu quero ser um tapete oriental ordinário para que tu me desfies, descobrindo complexas tramas de tecido em cores de tintas raras e nunca vistas, e então me tricotes em manto que beijará macia e longamente o teu pescoço
-- eu quero ser um homem de Neanderthal que retorna da caça todos os dias trazendo um pedaço de dinossauro para assar no fogo, enquanto as crianças fazem desenhos pictóricos nas paredes da caverna
-- eu quero encontrar a fé pra receber tua bênção, ser selva pra purificar teu ar, praia para teu desaguar, quero ser índio pra fazer dança ritual em tua homenagem, ser tua companhia aérea, teu jatinho particular, teu cartão de milhagem
-- eu quero transformar todos esses quereres num só neologismo, a completa palavra que encerra as angústias de desejar te transformar na mulher mais feliz dos universos, e me dói sentir que tudo o mais já foi feito e que jamais serei perfeito
-- eu quero interromper as rimas fáceis e automáticas para criar um discurso direto cheio de tremas e exclamações, dos travessões fazer baqueta e no tamborim compor-te um samba chorado, de mesa de boteco
-- eu quero ser historiador e fazer destas metáforas biografia
-- eu quero ser orquestra ou teu maestro
-- eu quero ser artilheiro e dedicar-te os gols mexendo na aliança
-- eu quero ser o astro-rei da tua galáxia

...mas se tu estiveres ocupada na terça à noite, tudo bem, fica pra próxima!

Um Gênio em Pinhal

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Foi aqui no Rio Grande
nas areias do litoral
quatro gurias muito sortudas
acharam uma lâmpada em Pinhal.

Correram pra casa apressadas
esfregaram e um gênio surgiu
as garotas todas gritaram
"Quem diria, aqui no Brasil!".

O gênio logo avisou:
"Um à Loira, outro à Morena
um grande pra Gorducha
e o último, para a Pequena".

Se assanhou logo a loirinha:
"O que eu quero é um marido
alto forte, rico belo,
e que seja pervertido".

O gênio nem titubeou
surgiu da garota ao lado
majestosa figura do herdeiro
de um árabe sultanato.

Chegada a vez da Morena
com mais calma manifestou-se:
"quero um homem por fora bruto
mas por dentro, que seja doce".

O gênio nem hesitou
fê-lo entrar pela porta aberta.
Para ela, realizou-se sonho:
recebeu um estivador poeta.

Já a gorducha saiu gritando:
"Quero é ser linda e gostosa!
que me faças à luz de Gisele
a top model mais famosa".

O gênio nem repensou
encheu de fumaça o local
soprou um vento gelado
e o que viu-se - desbunde total.

A pequena, cabisbaixa
pediu com a voz num fio:
"O que quero é ser a mulher
mais inteligente que já se viu."

O gênio achou engraçado
chegou até perguntar
"És tão baixinha! Adianta alto QI
mas homem algum conquistar?"

Pequena, enrubescida, respondeu:
"Essas burras de inveja vão morrer
quando o mundo eu conquistar
fazendo do cérebro o meu poder.

Vou esmagar os inimigos
humilhar os detratores
e se me chamarem de anãzinha
destruo a todos sem pudores."

O gênio arregalou os olhos
com o ódio ficou abismado
"Não adianta, é sempre assim
todo baixinho é complexado."

Riu na cara da pequena
nem pensou, em vespeiro mexeu
fervilhou na garota o sangue
que ato tresloucado cometeu.

Segurou nas mãos a lâmpada
tendo de raiva os olhos cheios
arremessou contra a alva parede
a redenção de seus anseios.

Com o choque, espatifou-se
a morada do gênio cortês.
"O que fizestes!", exclamou
e então em vapor se desfez.

Da mesma maneira os desejos
realizados também se perderam
a esbelta voltou a ser gorda
e os homens evaneceram.

Fitaram-se emudecidas
foi-se tudo que tinham ganhado
sobrou apenas a amizade
e vidro no chão espalhado.

E no outro dia as três afirmaram
ao delegado com cara de índio
"Não tinha inimigos a pobre Pequena,
com certeza, foi suicídio".

um plano e seus hiatos

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ataco e

me quedo
a-berto
des-
perto
em-
barco
me elevo
com-pleto
se-men-te
sem-ente
or-questro
me atrevo
per-plexo
ar-den-te
al-dente
nau-frago
me hiato
au-sente
pun-gen-te
abra-sivo
e deter-
gente
me apago
ar-ra-so
at-ras-o
in-
quieto
imper-manente
me calo
consciente
re-verso
con-tido
con-vexo
a-bis-mo
a-tri-to
sub-merso
me subscrevo
teu-vosso
seu
e-ter-na
mente

e parto

5 x 3

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A verdadeira Iluminação I
Ele cristão, ela do Lama
Jamais oraram juntos
Mas tudo era perfeito na cama

Cenas censuradas das fábulas infantis I
Rapunzel foi ao baile e fez um coque no cabelo
Demorou dois minutos e quebrou o lustre do palácio
Era bonitinha, mas não tinha a mínima noção

Triema sociológico das tendências fashion
O patricismo sobe a Rocinha
A Nêga do Cabelo Duro
Anda fazendo chapinha

Sábado, final de festa
Te quero assim, tô que é só love
(Bah, toda murcha e de peito caído!)
...Cada um se vira como pode

Triema adolescente IV
Se o meu pai descobre
Que eu fiz uma tatuagem
Me dá uma surra de deixar cicatriz!

Gotejares

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Gotejares

Chove.
E chove.
E chove.
E chove e chove.
E então, troveja;
E troveja.
E troveja.
E chove?
Chove.
Chooove.
Relampeja.
Relampeia.

DESEMPEDERNIDO VI MEUS CHEIROS FUGINDO DO MEU CORPO, tomando distância dos poros que os exalaram; COMO CASULO ABANDONADO DE VIDA tornei me branco e antigo. VEJA POR ONDE ANDAM meus pequenos invólucros repletos de sal aromático: ARREMESSANDO-SE CONTRA AS FLORES que perdem a capacidade de atrair humanos e abelhas. EM BREVE A CHUVA LAVA AS FOLHAS e meu odor é terra. DENSO despreparado FECUNDO alado RECEBO dádiva FLORESçO em TEU corpo.

E assim sou agora teu cheiro de alma lavada enxaguada e balbucio notas de alecrim petúnia e manjericão quando tocas teu corpo pensando em mim-

-e sem cheiro me dispo aqui-
-e me elevo em vapores climáticos-
-somando meu dia à nuvem de cá-

e chove.
Chove.
Chove.

Vem!

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Não, não fica em casa hoje! Vai lá pro Poetikaos! Vem tomar uma ceva com a gente! :D

***
Sim, eu vou ler produção própria também, mas tem coisas que é só pra você, leitor de Bereteando.

Sim, você aí mesmo com o boné de castor. Isso. Bacana te ver por aqui! E a Rhonda, zuzo legal? Pô, avisa ela que o Fialho comprou aquele Fuca. É. Aquele azul-calcinha. Ahn? Aula de música com o sovaco? Ah, ok. Legal te encontrar! A gente se fala. (Nunca.)

minha gramática

sentir-se
abstrato
não significa
esperar
que minguantes
luas
escrevam em
nossas
multicoloridas
mentes

sentir-se
concreto
não significa
manter
represado todo
parágrafo
que cria
nuvens
de sorrisos
ruborizados

em apenas uma frase poder conter
dois adjetivos que se anulam
uma interjeição que escorrega
e um sujeito que não é oculto -

mas simplesmente tímido

sentir, substantivo concreto
sentir, substantivo abstrato