Recently in bandeiras Category

junho de 2005:

Dell lies. Dell sucks : I just got a new Dell laptop and paid a fortune for the four-year, in-home service. The machine is a lemon and the service is a lie. I'm having all kinds of trouble with the hardware: overheats, network doesn't work, maxes out on CPU usage. It's a lemon. But what really irks me is that they say if they sent someone to my home -- which I paid for -- he wouldn't have the parts, so I might as well just send the machine in and lose it for 7-10 days -- plus the time going through this crap. So I have this new machine and paid for them to FUCKING FIX IT IN MY HOUSE and they don't and I lose it for two weeks. DELL SUCKS. DELL LIES. Put that in your Google and smoke it, Dell.

outubro de 2007:

Business Week Top Story Jeff Jarvis: Dell Learns to Listen The blogger who brought you "Dell Hell" and set off a firestorm of complaints about the PC maker's woeful customer service thinks Dell has come a long way *Video: Dell Learns from Customers

compraram o blogueiro, vocês pensam? os mais antigos talvez saibam que falo de Jeff Jarvis, um dos mais influentes blogueiros americanos, defensor do citizen journalism, com extenso currículo na blogosfera. e a batalha travada com a Dell não foi apelidada de Dell Hell por pouca coisa.

Jarvis se vendeu? muito provavelmente, não. a Dell agora ama os blogueiros e virou uma empresa legal? também não, e ele não tem esse tipo de ingenuidade. a blogosfera ("meia dúzia") impulsionou alterações em um mamute multinacional? pode acreditar que sim. e não tem nada de muito novo nisso. é só mais um case da blogosfera.


e o que aprendemos hoje? nada de novo, mas reforçamos a percepção de como a Comunicação vai sendo cada vez mais um instrumento, e uma necessidade cidadã. a internet traz oportunidades jamais vistas, e coerentemente inseridas em seu tempo, à Comunicação Social. tem que fincar o pé na internet e meter o punho. blog não é um 'site da internet'. é uma das ferramentas que amplifica, e valida pela Comunicação, todas as vozes dispostas a falar.

PROJETO DE EMENDA CONSTITUCIONAL - PEC - INICIATIVA POPULAR.

Artigo 1º - Os senadores, deputados federais, deputados distritais e vereadores não terão direito a foro privilegiado, sendo competente para julgar a ação o Juiz de Direito da comarca da sede do Congresso Nacional, Assembléia Legislativa, Câmara Legislativa e Câmara dos Vereadores, respectivamente;

Artigo 2º - Publicada sentença de 1º grau criminal condenatória, será suspenso de imediato o mandato parlamentar do réu, havendo a cassação definitiva do mandato no caso de condenação final.

Artigo 3º - Fica limitada a uma única reeleição os mandatos parlamentares em todo o território nacional.

petição online aqui
mais info: flavio tncd prada

Programação do V Seminário sobre Convergência Digital e Cibercultura
Auditório Phoenix – 9:30 às 11h - Universidade Fumec - Belo Horizonte, MG

Dia 29
Desafios e tendências para as empresas de mídia na rede
Tiago Dória

O papel do jornalista sentado
Ricardo Antonio Moreira dos Santos

Dia 30
As confusões entre a esfera publica e a privada nos social media
Pedro Markun

Novas narrativas para um novo jornalismo
André Deak

Dia 31
Verbeat: busca e experimentação líquido-moderna em espaços digitais
Tiago Casagrande

O que a Internet faz com você e o que você pode fazer com ela
Juliano Spyer

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honrado, agora é transformar o tema bacana em algo apresentável. fico dois dias na cidade e topo cervejas. façam contacto!

plágio de texto a gente acostumou de ver, mas de site eu fiquei surpreso. até porque não foram copiar um site qualquer, chuparam o site de um designer - ou seja, diferenciado e de identidade bem definida. ele, Francisco, é de Barcelona, e teve o seu fa-d copiado pela VedoPrint, uma agência italiana de webdesign. belo portfolio, hein?

origi.jpg

e a cópia (abaixo) não foi só do design da index - foi o html todo, e até um pedaço do logo do designer.


copia.jpg

sei disso por uma mensagem que ele enviou pelo Behance, uma rede social da qual já falei (desordenadamente) por aqui dia desses. Flavio Prada bem podia passar essa dica pra seus amigos da blogosfera italiana, eh? tem que queimar o filme de quem faz isso. seja onde for.

identidade

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afinal de contas, perguntar "quem você é" só faz sentido se você acredita que possa ser outra coisa além de você mesmo; só se você tem uma escolha, e só se o que você escolhe depende de você.
Z. Bauman

enquanto o Gejfin me sacaneia e rouba meus posts (como o abaixo, que simplesmente trocou de autor aqui no sistema), leio repercussão da mesa redonda do Estadão ontem, com jornalistas, blogueiros e afins. aqui, no Jornalirismo. (e também (e sempre) no Hermenauta.)

basicamente, o jornalão resolveu dizer "amamos os blogs!" - literalmente - e chamar um "geramos debate, que legal!". e sim, debate é legal mesmo, só que ele seria bem diferente não fosse a reação negativa. se existisse, nesse caso. pro Estadão, eu tiro a carta não mete essa.

pontualmente, discordo de tanta coisa que chego a cansar enfarar. (cansar não pode que esse verbo já tá gasto.) primeiro o João Livi, responsável pela campanha e que saiu a dizer que tinham sido incompreendidos, admitindo uma revisão nas peças: “Não tem por que não corrigir”. depois Marcelo Salles Gomes, do Meio&Mensagem, sugerindo a criação na disciplina de mídia nas escolas. mídia? puxa, mas porque não Comunicação, então, pra que as pessoas possam aprender a ter leitura crítica? aí Gilson Schwarz, da USP, diz que "Quando todo mundo se torna emissor, 'falta receptor'”, e com todo o respeito que o emérito senhor deve merecer, isso é um disparate que, caso fosse verdade, acabaria com toda a Comunicação em dez anos - sem falar na minha própria existência, seja como pessoa ou como verbeat.org. pra fechar, colega Edney, do Interney, aceita a crítica da credibilidade blogueira porque “falta o cara que vai colher [a informação] em primeira mão”, e eu lembro de Dan Gilmor chamando a blogosfera de câmara de eco, lembro de blogs de resenhas e opinião, das crônicas pop e poemadas e galerias de imagens e eu me pergunto o que é que as pessoas esperam dos blogueiros.

a confusão é grande, até por que a comunicação líquida ainda forma seus alicerces. os debatedores têm razão ao louvar as oportunidades de discussão, mas é preciso que se avance. porque estamos girando em círculos no mesmo lugar há um bom tempo, e enquanto continuarem querendo transformar a figura do "blogueiro" em algo institucionalizado e cercado de papéis, garantias e funções, vão errar. quando uma pessoa abre um blog, ela não se transforma num Blogueiro, com direitos e deveres. a segurança é a mesma que rege as nossas esferas de comunicação pessoais.

credibilidade? um blogueiro é uma pessoa utilizando um suporte de publicação online; ela é crível tanto, e concordando em gênero e grau, quanto se crê num desconhecido, ou pouco conhecido, ou camarada, ou amigo do amigo, ou alguém que conheço há anos, etc. de resto, a comunidade é o aval, ou não. é um conceito simples e que toda mãezinha ensina pras crias. caiu essa de "dono da credibilidade"; os fragmentos estão espalhados por todos os lados, como aliás sempre estiveram, e sobrepõem-se. ao invés de debater se os blogs são literatura ou jornalismo ou confiáveis como um padre, deveria-se discutir maneiras de tornar os receptores mais críticos. coisa que, aliás, os blogs fazem muito bem, pela própria natureza não-hierarquizada e pela miríade de opiniões que ecoam em espiral.


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parte chata dos blogs é fazer o upgrade.

em e-mail ao BlueBus, o diretor de criação da Talent responde às criticas que a campanha do Estadão vem recebendo. aqui: http://www.bluebus.com.br/show.php?p=1&id=78730

pelo que eu entendi (leia e tire suas conclusões), os internautas compreenderam tudo errado. tudo: a intenção, o mote, os filmes e as peças. sugere conspiração ("Tudo começou nos blogs de publicidade e nos pegou totalmente de surpresa, principalmente por que o subtexto que foi espalhado por aí, de que o Estadao é contra os blogs, nao foi colocado em nenhuma das peças da campanha", grifo meu), diz que uma só vez é citada a palavra blog - eu não tinha visto nenhuma, e não fez diferença - e, pelo que eu entendi, transforma as reclamações em carapuça: "Os sites, blogs, veículos e pessoas que frequentam o lado 'luz' da internet, obviamente nao devem se sentir atingidos por uma crítica ao lado 'escuro' do ambiente virtual, da mesma forma que um bom jogador de futebol nao deve se sentir desvalorizado por ter um colega perna-de-pau ou quebrador de joelhos".

mas a melhor parte ficou para o final. reproduzo a íntegra do último parágrafo:

"No seminário da Microsoft este ano, em Cannes, os dados apresentados levaram a uma inconteste conclusao - a de que a internet, como as regioes de uma cidade, vai se dividir em duas. Uma útil, crível, inteligente, prestadora de serviço, informativa e confiável. Outra que é como uma rua escura e sem policiamento - vai quem quer, sob seu próprio risco. Vamos sempre promover o estadao.com como parte da primeira metade. Separar o joio do trigo na internet deveria ser do interesse de qualquer cidadao de bem".

me eximo da análise, um pouco porque não tenho tempo agora, um pouco por enfaro. a luz versus a escuridão, puxa vida. "cidadão de bem". ficou pior, ficou pior do que estava. explicação em propaganda já é ruim o suficiente (mas, vai ver, somos apenas meia dúzia que não compreendemos); justificativa no maniqueísmo, então, rui antes que as palavras cheguem ao cérebro.

estadão e a cretinice

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repercute blogosfera afora o tiro no pé perpetrado pelo Estadão, em sua mais recente campanha publicitária. em resumo: um filme e três anúncios retratam blogueiros como completos idiotas, para perguntar no fecho: "por onde você anda clicando, hein?" - como quem diz, só serve a nossa informação, do nosso site. (saiba mais neste post do brainstorm#9.)

tiro no pé porque ataca a Comunicação como um todo. repitamos aos que ainda não compreendem: os blogs não são uma moda, nem uma bagunça, nem diarinho pessoal nem literatura: são uma plataforma de publicação pessoal, o suporte de um meio de comunicação. chame blogueiros, ou qualquer um que tenha feito uma página pessoal, ou colaborador de wiki, de idiota - e se estará chamando os seus próprios leitores de idiota, porque existem indivíduos por trás dessas páginas de internet. sujeitos que facilmente poderiam ser encaixados na nuvem fantasmagórica dos tais "formadores de opinião" - que qualquer veículo, pretensamente, quer ter ao seu lado.

como publicitário, eu poderia imaginar que, do briefing às peças, a intenção da campanha - desenvolvida pela Talent - possa ter sido diferente. mas não funcionou; o resultado é ofensivo, ao menos antipático. pode até ser que o Estadão não tenha pensado em comparar os blogueiros à macacos copiando e colando (como no filme), mas foi o que fez, generalizando na comparação mal-realizada com qualquer um que crie conteúdo na internet.

e é especialmente lamentável que isso ocorra num tempo em que o ranço preconceituoso da grande mídia de massa parece ter dissipado. os blogs têm sido usados de forma cada vez mais profissional, e em crescente escala, aqui no Brasil. a campanha realiza um desserviço à Comunicação ao reforçar um estereótipo cada vez mais erodido - o de que apenas uma empresa pode informar. o blog não é apenas um capricho; ele é uma porta de entrada para a liberdade de comunicação do indivíduo. e se esse indivíduo quiser praticar o jornalismo, o fará, como faz, muitas vezes com mais liberdade, imparcialidade e agilidade do que o jornalista amarrado à uma instituição midiática. e ele não será impedido, porque não se trata de uma moda - mas de um espaço democrático de Comunicação, aberto e acessível, conquistado pela necessidade social e singular de expressão.

o primeiro projeto da verbeat, e o mais bem sucedido, fez três anos em março. dos verbeat blogs temos acompanhado, sempre do nosso viés independente, a consolidação da plataforma blog, suas mutações e avanços e defeitos. percebemos também a mudança social que eles representam e o que eles têm trazido à cultura e, obviamente, à informação. evidentemente que a campanha do Estadão não representa a verdade, e nem pode mudá-la (embora talvez eles se contentem em embaçar). mas também não é agradável quando um gigante de mídia vem dizer que o trabalho de milhares de pessoas, em anos de construção, não vale nada.


...pensando melhor, é divertido, sim. ataque, gigante sólido. vamos ver o que você pode fazer - que já não foi feito antes, ou melhor, ou de graça, ou por alguém que realmente se importa com o que escreve.

daqui da minha varanda, meu olhar cada vez mais longe, cansado do aperto na fronte pra focar e poder ver por trás do muro da Mauá, fugindo de tanto tudo a querer me alimentar e informar e comprar, vou regando o embrião de um ancestral sonho Severo de servir o mate e erguer a cabeça, pra ver o fim do mundo em azul e verde.

com vossa escusa, cada vez mais menos entendo.

desatomizarte-me-irei. rego e adubo.

mind barcode

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“Contrariamente ao que se acredita tantas vezes, a temporalidade do surrealismo não é da mesma natureza que aquelas das ditas “vanguardas artísticas” que sucederam umas às outras, depois de um efêmero período de florescimento: fovismo, cubismo, expressionismo, futurismo, dadaísmo. Ela se assemelha antes àquela, mais profunda e durável, dos grande movimentos culturais – ao mesmo tempo artísticos, filosóficos e políticos –, como o barroco ou o romantismo.

O surrealismo, como a alquimia, o socialismo ou a filosofia romântica da natureza, é um caso de tradição. Ele remete a um conjunto completo de rasuras-escrituras, documentos e rituais; à transmissão de uma mensagem esotérica, filosófica e política; à continuidade das práticas mágicas e poéticas. Do passado não façamos tabula rasa. Aquele que não sabe acender no passado a centelha da esperança não tem futuro.

Mas o surrealismo é também, como a feitiçaria, a pirataria e a utopia, um caso de imaginação criadora. Como os cangaceiros, os bandidos de honra dos sertões brasileiros, os surrealistas estão condenados a inovar: as estradas consagradas, os velhos caminhos, as trilhas batidas estão nas mãos do inimigo. Eles precisam encontrar pistas novas ou, antes, traçá-las eles mesmos no chão; é o caminhante quem faz o caminho.”


- Michael Löwy

Consideração final, no início, a título de quadro pendurado na parede cerebral
- Tiagón, cidadão algum deveria estar armado? Por quê?
- Não. Porque armas são uma merda. São usadas em situações horríveis e causam a morte. Nenhum cidadão deveria querer, ou precisar, portar uma arma.
- Mas e se mesmo assim ele quiser? Ele deve ter esse direito?
- Deve.

Segundo tratamento, versão reduzida
Eu fiz um post terminando com "acho". Aí impliquei comigo mesmo - não seria meu dever procurar dados? Então li o post do Smart, que recomendo a todos que quiserem *informação*, e descobri que é muito pior do que eu imaginava. O assunto é por demais complexo e estou muito irritado com esse referendo. Continuo votando "não", embora sem a convicção que gostaria de ter - como grande parcela de votantes (seja pra que lado for).

Primeiro tratamento
Nós na redeEm primeiro lugar: esse referendo é um grande equívoco. Pela primeira vez sinto vontade *zero* de deixar minha posição na urna.

É irônico pensar que, de tantos assuntos e projetos que poderiam ter a anuência da população, se vá perguntar sobre venda de revólver. Tanta coisa mais importante. Tanto dinheiro público jogado num troço cretino e mal-feito.

(Apenas uma sugestão: que tal um plebiscito sobre a obrigatoriedade do voto?)

Mas já que somos obrigados, que o façamos.

De prima: voto 1. Não. Não à proibição do comércio de armas de fogo no Brasil. E agora, as pedras!

- É contra a vida!
- É a favor das armas!
- Tá do lado da Bancada da Bala!
- É o talião! Olho por olho, dente por dente!
- Violência gera violência!
- No dia que tu ou um ente querido tomar um tiro na rua, tu vai te arrepender!
- Crucifica-o!

Não é fácil. Não fico indiferente a alguns motivos elencados pelo "sim". Acho que se não se vendessem armas, algumas crianças não iriam encontrar o revólver do papai na gaveta do criado-mudo. E alguns idiotas não iriam sair disparando rua afora, como na vez em quase estivemos na mira de um desgraçado que resolveu disparar a arma contra pessoas que bebiam cerveja num bar. Não é fácil ficar contra tanta gente mais inteligente do que eu. E, pior, defender o voto de muitos boçais, energúmenos, charltonhestons e valentões de pau pequeno.

E então lembro da minha madrinha, que mora num sítio em Povo Novo, uma localidade perto de Rio Grande. O marido dela tem uma arma - e ela já limpou a barra algumas vezes. Que merda que ele precisou usar. Mas ainda bem que ele tinha. E lembro também de que proibir não é saída pra nada. Porque não se consegue fiscalizar ou controlar o que se cria ao redor de uma proibição - a transgressão, o contrabando, o comércio ilegal.

Esses argumentos, confesso, me colocam em xeque.

Mas eu preciso pensar o seguinte: estou votando para dizer sim ou não à venda de armas de fogo às pessoas comuns. Não estamos votando o desarmamento, ou a violência, ou a segurança, ou a beleza da vida! Estamos decidindo os efeitos da proibição do comércio legal de armas ao cidadão comum. E nessa querela, eu acho que proibir é pior do que deixar como está.

E como está, está uma merda. Há tanto que se fazer e que pode ser acomodado se o "sim" vencer. É preciso melhor controle dessas armas, educação, conscientização, cidadania, tudo isso que a gente tá cansado de repetir - e parece um ideal sisífico. Isso não está no referendo.

Eu gostaria que todas as armas tivessem sido devolvidas à Polícia Federal, nessa campanha do desarmamento civil. Que isso continue, que paguem bem, que digam às pessoas porque elas não devem ter uma arma. Mas não se crie um mecanismo desses.

Eu, com sinceridade, afirmo: eu gostaria de um mundo sem armas. Eu, provavelmente você, os cães, a Hello Kitty e o escambau. Sem violência. Sem crime. Voto "não", mas não sou a favor das armas. Posso estar enganado e realmente espero que algo de bom saia desse referendo, qualquer que seja o resultado. (Embora eu queira, mas não consiga, acreditar que esse troço mal engendrado tenha alguma causa benéfica.) Mas, hoje, eu acho que proibir o comércio de armas vai aumentar a criminalidade e cercear o cidadão, e não deixá-lo mais seguro.

E por isso, vou votar não, tentando não hesitar.

Nós na rede
Chega de maniqueísmo. Basta de fundamentalismo. Sejamos razoáveis e olhando os fatos, focando nos seres humanos, é preciso tomar uma posição coerente.

Chega de maniqueísmo: não se trata de ser contra ou a favor do aborto. Mas enquanto se debate sobre "quando começa a vida", a religião e os costumes, certo errado moral ética etc, tem uma menina engolindo uma caixa de Cytotec, ou tomando um chá venenoso, ou enfiando uma agulha de tricô pela vagina.

(A estimativa é de que 1 milhão de mulheres recorram ao aborto clandestino por ano no Brasil. Isso é quase 2 por minuto. Aborto inseguro é a terceira causa de morte materna no país.)

Hoje é o dia latino-americano pela descriminalização do aborto. DESCRIMINALIZAÇÃO. Não ser crime. Permitir à mulher o direito de realizar um aborto com a assistência médica adequada.

Alguém pode achar que o aborto é uma experiência altamente traumática. Certo. Outro pode achar que abortar é expulsar células. Ok. Mas não se pode admitir que o Estado vá mandar no útero de uma mulher. Que ele force uma mulher a ter um filho que não deseja - quiçá nascerá mal-formado. Não pode, e não consegue, como expõe o professor Túlio Viana, que observa do mirante jurídico:

Na prática, se a mulher está suficientemente desesperada para sacrificar a vida potencial de um filho, pouco temerá uma hipotética e improvável prisão futura.

Proibir o aborto não termina com o problema; questões sociais não acabam por decreto. Criminalizar é negar apoio, torná-lo clandestino. Pra mulher que pode pagar 3 mil reais pelo procedimento, não tem problema. Pra pobre, tem. Agulha de tricô vagina adentro.

Chega de Idade Média. Permitir a uma mulher que decida pela interrupção ou não de uma gravidez é cidadania. É dos direitos humanos. O inverso disso é defender um agrupamento de células em detrimento de uma vida. Parece frio? Frio é agulha de tricô revolvendo o que pode dar luz a uma vida.

Chega de achismo: Organização Mundial da Saúde.

(...) É preciso, portanto, que existam serviços que façam abortamento seguro, de acordo com a lei, realizado pela equipe de saúde bem treinado e contando com o apoio de políticas, regulamentações e uma infra-estrutura apropriada dos sistemas de saúde, incluindo equipamento e suprimentos, para que a mulher possa ter um rápido acesso a esses serviços.
(...) Em Beijing (4ª Conferência Internacional sobre a Mulher, 95), os governos concordaram que “os direitos humanos das mulheres incluem seus direitos a ter controle e a decidir livre e responsavelmente sobre questões relacionadas à sua sexualidade, incluindo saúde sexual e reprodutiva, livres de coerção, discriminação e violência. Relacionamentos igualitários entre mulheres e homens quanto às relações sexuais e reprodutivas, incluindo total respeito à integridade das pessoas, requerem de respeito mútuo, consentimento e compartilhar responsabilidade quanto ao comportamento sexual e suas conseqüências”(Nações Unidas 1996, parágrafo 96).
(...) Mesmo se todas as usuárias e usuários de contraceptivos utilizassem perfeitamente o tempo todo, haveria ainda perto de seis milhões de gravidezes acidentais anualmente. Portanto, mesmo com altas taxas de uso de contraceptivos, sempre ocorrerão gravidezes indesejadas que as mulheres poderão desejar interromper através de abortamento induzido.
Abortamento Seguro: orientação técnica e política para os sistemas da saúde / Organização Mundial da Saúde, International Women´s Health Coalition – Campinas, SP: Cemicamp, 2004.

Chega de tabu! ABORTOS EXISTEM. Abortos acontecem. Que sejam SEGUROS. Que cuidem da vida da mulher. Que ela não morra por isso, nem fique com seqüelas. Que permitam que ela gere uma vida quando puder, quiser, tiver condições.

Por favor, chega de maniqueísmo. Chega de fundamentalismo. É evidente que a saúde pública precisa melhorar para atender essas mulheres. É evidente que é preciso mais educação, inclusive sexual. Que contraceptivos cheguem à população mais carente. Mas não vejo nisso motivos para que o aborto continue sendo crime. Crime é permitir a morte dessas mulheres por impedir assistência médica.

Ontem a Câmara dos Deputados recebeu projeto de lei que descriminaliza o aborto nas 12 primeiras semanas e em qualquer idade gestacional quando a gravidez implicar risco de vida à mulher, ou em caso de má formação fetal incompatível com a vida. Caro político: chega de fundamentalismo. Chega de tabu. Você se julga no direito de mandar no útero de uma mulher? De transferir seu domínio ao Estado? Quem você pensa que é? Deus?

Chega de maniqueísmo. Chega de agulhas de tricô vagina adentro.