vocês até podem me fantasiar, mas não significa que eu vá me divertir.
(carnaval também acontecia. consegui evitar registros fotográficos.)
índole.
não gostava da roupa típica, me sentia ridículo. e pior ainda quando vinham me fazer bigode com rolha. ficava parado a contragosto, me sentindo besta. porque diabos tenho que seguir o código -- ou mesmo estar lá? ainda não quebrava tudo, mas me negava a participar. como aquela vez em que a professora da segunda série embestou que o cartão de dia das mães tinha que ter um beijo a batom na capa, não importando que houvesse meninos na turma e que eles teriam que fazer o mesmo que as meninas. não teve protesto que as impedisse e minha única forma de resistir foi não fechar os lábios jamais, deixando uma mancha de saliva borrada em cor no papel e indo até o banheiro de boca escancarada até limpar aquela goma nojenta.
colégio de FREIRA, claro. tudo muito pedagógico.
~.~
o que me leva a Jayme Caetano Braun, e se hoje me cai bem a bombacha, é porque, já crescido, escolhi louvar avô e avó Severo, Alegrete e Bagé:
Porque na rinha da vida
Já me bastava um empate!
Pois cheguei no arremate
Batido, sem bico e torto ..
E só me resta o conforto
Como a ti, galo de rinha
Que se alguém
dobrar-me a espinha
Há de ser depois de morto!
Galo de Rinha
~.~
e relacionado/não relacionado, bereteio, pertinente:
A mimosa curvatura
Desse teu corpo moreno
É o pago em ponto pequeno
Feito com arte divina,
E o teu colo que se empina
Quando suspiras com ânsia
São dois cerros na distância
Cobertos pela neblina.
China
~.~
das identidades.






A Convenção de Genebra devia ter impedido nossos pais de nos presentearem com essa vergonha póstuma de fantasia de festa junina, que realmente só rivaliza em horror com baile infantil de carnaval.. Se ao menos tivessem nos dado um quentão pra acompanhar, talvez a nossa cara de pastel ficasse mais divertida!
Jayme Caetano Braun rules!
Leio esse excerto do Galo de Rinha e escuto mentalmente Marco Aurélio Campos declamando o poema soberbamente.. Valeu a lembrança gaudéria!!
E mesmo não sendo a bombacha minha indumentária de escolha, me lembro de Herança, do Apparicio Silva Rillo:
(...)
Por isso a cidade chegou até aqui.
Por isso estamos aqui
- netos e bisnetos desses homens,
dessas mulheres, netas e bisnetas.
Por isso um berro de boi nos toca tanto
e tão profundamente.
Por isso somos guardiões de casas velhas,
almas de sesmarias e de estâncias,
paredes que suportam seus retratos.
O músculo do boi na força que nos leva.
A barba dos avós como um selo no queixo.
O doce das avós na memória da boca
e nela este responso:
- Naqueles tempos, sim, naqueles tempos...
cara, fico solidário com o piá enfiado à força naqueles panos idiotas, mas pelo menos o trauma infantil possibilitou esse registro espetacular.. tua careta matou a pau..