car enfin je suis philosophe; il ne me convient pas de me dédire."
Voltaire, Candide, ou l'Optimisme
se tudo que pode haver
há em seu melhor
se o que dói está vivo
se em tudo há virtude
ainda que sem alívio
se o que resta é expirar
se em breve se ajeita,
se é no andor da carruagem
se basta --
escolher esquinas
e contemplação
se há traçado
então não é solidão, é só o vento sul
então não é tristeza, é só uma inverdade mal mastigada
não é melancolia, é que essa roupa não fica bem
saudade?
soluço, música que gruda na cabeça
se determinado
então nem é existência
remete a pilha de polaroids
nem é poesia -- parece mais escrita na areia
não passa de simulacro
então deve ser cinema
se aprisionado em destino
os momentos de onirismo,
que fiquem
calcificados como anéis
nos nós
dos dedos
mas se há dúvida, duvida
se nisso tudo
interferir
vontade
melhor com alarde
até desespero
se palpitação liquefaz certeza
viver no pior dos mundos
-- tempo em tempo --
é melhor que morar na mediandade
e aguardar
da morte um exagero





belo poema.
[leitura em voz alta com o finzinho de rockets fall on rocket falls do gy!be tocando ao fundo.]
"escolher esquinas e contemplação."
Lindo, Tiagón!
Você nunca mora na mediandade, só na casagrande, ainda bem :)
Tem um sarau no blog, passa lá. Saudade de suas palavras.
bjo
MOTHERFUCKER
(...que nunca achei que fosse usar palavão como elogio)