você considera o seu blog um sucesso?

participei esta noite de um grupo focal de pesquisa - do prof. Alex Primo, da UFRGS. quem passa perto da academia em Comunicação conhece o nome; é um dos mais atuantes pesquisadores dos processos contemporâneos de comunicação, parte de uma turma valorosa que inclui pessoas que admiro como André Lemos e Raquel Recuero.

a última pergunta do debate foi o título deste post. enquanto os outros respondiam, parei pra pensar no que "sucesso + blog" significava; a resposta não veio de pronto. pouco antes havia dito nunca ter pensado em conquistar fama com o blog (puf); que não tenho um contador de acessos aqui (embora dê uma xeretada quando olhando números dos verbeatblogs); que monetizar nunca foi opção. logo, sucesso em blog, pra mim, não tem nada a ver com número de nenhum tipo.

e também já havia dito que o bereteando surgiu como minha caixa de areia cerebral, um lugar de objetivos pouco definidos, de mutações por estar eu mesmo aqui. depois mostrou-se também momento de falar com os amigos, além de comigo mesmo. uma esquina conhecida em muitas ruas. e assim ele se mantem. já se vão mais de cinco anos e continua aqui, firmezito. porque eu continuo aqui.

donde fui dizer que talvez não soubesse responder à pergunta; que parecia não se aplicar. eu teria que perguntar se eu mesmo me considero um sucesso nesses últimos cinco anos, e isso acabaria misturando demais as coisas. eu mudei nesse meio tempo, e o blog junto; ofício de amadores. e sucesso de amador é mais alegria. também esse leitmotif mudou, com a blogosfera. e enquanto escrevo aqui, converso no twitter com @luciamalla e @aldurin sobre um sentimento de nostalgia de outros tempos blogueiros, de mais fluidez e descontração e menos problemáticas. que compartilho em certos dias de fatiga de multidões e ruído alto, mas também não lamento (nem eles), porque não vejo como o processo poderia ter sido diferente. e nem eu. donde.


sucesso. o tempo de sobrevivência já seria (é) motivo de orgulho próprio; e daí a pensar a trajetória deste blog, as pessoas que me trouxe - inclusive de verdade, de cerveja -, as histórias que rendeu, a cultura que absorvi, e não apenas isso mas também experimentar a renovação e a permanência de todos esses aspectos,

BUENO -


se isso não for motivo pra se classificar um blog (o berê ou qualquer) como sucesso, eu acho melhor encontrarem um termo diferente. pros outros. que esses botecos que a gente se acostumou a abrir no éter, uns mais sérios outros menos, organizados ou esparramados, quadrados ou inventivos - esses sim, são os blogs.

e o sucesso é da Comunicação e de suas ferramentas de conexão social.


~.~

numa nota parcamente relacionada, é engraçado notar que se a pergunta fosse feita em geek slang (pufff), a resposta seria diferente, e imediata.

-- Is your blog FTW?
-- HELL YEAH


~.~

updatenik: também falam sobre a questão renmero, biajoni, lucia malla e marcdoni. não deixe de ler os comentários daqui, e siga o fluxo.

13 comentários

é claro que numa perspectiva maniqueísta, a gente sempre pode polarizar as discussões e quando pouco confrontar posições antagônicas. mas num espaço de fluidez absurda como é a Internet, assim maiúscula, não dá e não pode (não cagando regras, mas percebendo a coisa) fixar limites ou tentar/querer impôr barreiras. porque, como o bereteando, atrás disso estão pessoas, que não se fixam, que não se prendem - por mais que a segurança trazida por essa idéia seja reconfortante.

de modo que, "bueno", está aí pra ser construída a noção desse "território virtual" (geograficamente desfeito, um mundo de bits e cores que apesar da aparente virtualidade, "pisa" no chão "real"). não pode, pro bem da coisa toda, haver certeza e pré-definições. há espaços - especialmente, espaços vazios. que se preenchem com as inconstâncias das pessoas.

(obviamente, me meto no que não sei.)

(pode ter surgido aqui um insight pra cientificidades.)

sabe? não vejo razão de nostalgia. mesmo.

quando "conheci" a blogosfera (em 2006; vcs falavam sobre 2005), bati de cara no muro das panelinhas... o primeiro que conheci foi o blog de guerrilha (que ainda hoje guardo um respeito); depois, gente como fábio seixas, carlos merigo e carlos cardoso. foi quando a coisa fudeu, e comecei a sacar coisas de CEO e camps... e segui um bom tempo por essas bandas.

até conhecer o João e o Bruno. daí pra frente, passei a entender como funciona a bagaça ÓBVIA que são os blogs famosos... e passei a ignorá-los. e hoje é tudo do que se trata. não é odiar, é não me importar AT ALL com a existência de alguns.

só não dá pra conhecer gente como vc, bruno, thiago, bia... e ignorar. não dá, mesmo. então, sucesso! o/

Eu compartilhei no meu GReader esse post c/ o seguinte comentário:

"O ruído é alto. Mas há bereteios, aqui, ali, acolá. Enquanto chove em certos pontos, faz sol em outros. Esse é o mundo. Blogs são lugares, além de pessoas. :D

(Viajando na maionese mode on)"

E eu gosto das ilhas, daquelas cheias de praias desertas, onde tudo se pode fazer sem precisar de carimbo de cartório. :)

Sucesso, em termos de blogs, é uma definição muito subjetiva. De minha parte, considero o blog um sucesso por estar ao lado de blogs muito bacanas - embora ultimamente não tenha aproveitado muito as áreas comuns do condomínio, e reconheça que deveria passar mais tempo na piscina, ou passeando pelos campos de golfe. :PPP

Ed

"participei agora há noite"? Santo Deus, Tiagón.

R: blargh! -- corrigindo e pegando o açoite!

sucesso se mede por cervejadas. sempre.

...é su-su-su-sucesso porque toca na Ci-ci-ci-cidade!

Fora isso, sucesso é isso que você falou e que os comentários complementaram. Não sou de dizer só "é isso aí (isso me lembrou o Seu Jorge + Ana Carolina)" sem questionar muito, mas neste caso é o caso.

Tiagón, disse bonito e disse verdade. Tempo de trajetória, pessoas que trouxe, trajetória, cerveja, novos amigos... Tem mais?

Eu não tenho ENVERGADURA MORAL pra escrever um comentário aqui! :)

Mas de fato, sucesso é isso, é saber pra quem ligar se, um dia, eu estiver no Rio Grande do Sul e quiser companhia pra tomar uma cerveja :)

Adorei seu post e endosso os comentários do Primo e da Lucia Malla.
Suas ponderações foram bem ao cerne da questão. Eu já ando calejada de blogosfera, sinto uma saudade absurda dos anos de 2003 e 2004, de quando podia escrever no meu blog sobre problemas com bipolaridade e internações (e dos péssimos efeitos colaterais dos remédios muitas vezes errados que os psiquiatras prescreviam) e receber 15, 20 comentários se solidarizando e dando depoimentos lindos.
Hoje se eu fizer um post assim, capaz que pensem que é post pago pela indústria farmacêutica. Enfim, tristeza.
No mais, é isso: amigos pra encontrar e dividir uma cerveja (coca light ou suco nos momentos em que estou tomando remédios, mas não importa. Brinde é brinde. =))

Sabe, é estranho. Cá estava pensando no que, afinal de contas, representa essa palavra ambígua, "sucesso". Escrevo em blogs desde 2000, os anos se passaram, vi a tal da blogosfera crescer, paulatinamente ir chamando a atenção da mídia e das agências, e fui sendo engolfado pela onda, até chegar ao ponto bizarro de, há duas semanas, me deparar com um site por aí me tachando de "blogueiro grande" e cobrando que eu só postasse sobre coisas "relevantes", como se de repente eu tivesse perdido o direito de falar das irrelevâncias nada irrelevantes que tanto me interessam. Sucesso é estar na mira dos holofotes e chegar ao ponto de se perder o direito de escrever sobre groselhas, vaga-lumes e miudezas cotidianas? É ter dinheiro pra poder pagar uma rodada de chopp pros camaradas ou liberdade pra não virar alvo incauto à revelia? Sei lá eu, seu Tiagón. Eu só sei que ainda gosto bastante de blogar, de indicar coisas bacanas que encontro por aí, de compartilhar idéias e pensamentos e da sensação de poder escrever sem ligar pra deadlines ou leads, rankings inúteis e picunhas fúteis à parte.

Eu amo blogar porque amo escrever e blogando sou lida e eu amo ser lida. Eu amo saber o que as pessoas pensam sobre que eu penso. Tenho blog desde o início de 2007. No início, era quase anônimo, não tinha fotos, não tinha meu sobrenome, nem nada. Depois comecei a me mostrar, mas só mergulhei de vez nessa onda de "blogosfera" agora em 2008. Li muito sobre blogs, segui a cartilha direitinho, comentei muito, participei de memes, mas algumas coisas eu já percebia que eram exageradas! De qualquer forma, eu considero meu blog um sucesso,sim. Porque escrever pra mim é tão prazeroso, tão importante que cada texto que eu finalizo me dá a sensação de sucesso. Cada idéia que eu consigo transmitir com clareza eu considero um sucesso.

É uma discussão muito engraçada. Eu tenho mais ou menos 3,5 leitores, o mesmo que Hermenauta alega ter, mas os meus são aferidos pelo Analytics. Meu blog, as it is, é um sucesso. Porque o objetivo não é exatamente que leiam, porque ninguém lê poesia mesmo. É escrever, publicar e esquecer, senão nunca acaba a vontade de refazer a mesma coisa. Passar adiante, andar a fila. Há uma fila.

O grande salto é que há 20 anos atrás ou eu usava um mimeógrafo e ia vender na Vila Madelena ou no Bexiga (quem não é de SP: lugares de SP onde bêbados incautos compravam livros do Plínio Marcos - pessoalmente - há 20 anos atrás) ou guardava na gaveta ou até imprimia lá 1000 exemplares e ficava dando de presente para os amigos (que nunca reclamavam de vergonha). Agora, 10 cliques e voilá, poesia ruim publicada sem gastar dinheiro nem encher ninguém.

na escuta


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