veni, vidi, fodi

mars1

mars2


foram exatas 601 mensagens em seis meses de missão marciana.

não apenas era uma sonda espacial programada para buscar evidências de vida em nosso planeta vizinho: ela também conversava. utilizando o twitter, Phoenix Mars Lander, o robô, comunicava-se com a terra. e com meros mortais simplesmente curiosos. e numa linguagem compreensível.

falou de suas descobertas, de si mesma, respondeu perguntas. ganhou público. quando a descobri - quase certeza de que foi num tweet d'@oprimo, o que faz todo sentido -, lembro que eram em torno de 3.200 usuários seguindo os updates da sonda. hoje, são 38.515. pessoas fascinadas pelo carisma de um artefato científico tirando fotografias e coletando poeirinhas.

dependendo do ângulo em que se olha, há muita poesia nisso tudo - ou uma aula de relações públicas e um belíssimo experimento de comunicação. enquanto um robô não puder escrever dosando tão bem informação, criatividade e humor (porque que possa twittar, não duvido), o trabalho foi de Veronica McGregor, membro da equipe do Jet Propulsion Lab da NASA. ao assumir a primeira pessoa nas mensagens, fugiu do burocrático e se aninhou em uma espécie de dobra do futuro. tanto foi que, quando descobriu gelo (=água) em marte, MarsPhoenix contou primeiro no twitter.

dizendo w00t!.


sabia-se que a sonda acabaria ficando sem energia em solo marciano, e também sem energia solar para carregar suas baterias. um robô desligado; não menos do que o grande projeto de uma equipe de cientistas sortudos o suficiente para mandar um batedor ao espaço, tendo cumprido sua missão. mas também um ponto marcante, um símbolo dessas relações entre homem e máquina que povoam a imaginação de qualquer um que tenha lido Clarke, Asimov ou Bradbury.

ou assistido futurama o suficiente.


são vários os projetos da NASA com presença no twitter; a @MarsScienceLab promete ser a nova atração.

ainda assim, ao ler a mensagem informando que cessaram as comunicações entre a MarsPhoenix e a terra, também eu me senti um pouco em marte, num coma gelado e escuro, embora sorrindo, por ter visto e tocado beleza e matéria de que poucos homens se aproximaram. ou, se nem tanto, ao menos mais próximo do que eu poderia imaginar.


* o título deste post é o epitáfio da sonda, escolhido numa votação promovida pela revista Wired. pra quem não fez latim 101 como a olivia, a tradução é vim, vi, cavei.
** e então subitamente todos nós temos ainda mais uma carta pra usar em mesa de boteco.
*** a mensagem de despedida é "triunfo" (triumph), em código binário.

7 comentários

@shared: poesia da lua feita de queijo. um haikai fantástico. sem dúvida, bereteios marcianos.

coisa linda, rapaz.

Absolutamente maravilhoso, Tiagón. De trazer lágrimas aos olhos deste velho fã de FC...

é, vivemos numa época bem interessante.

moe

fantástico.

e pensar que vim aqui ver de perto as novidades (sigo no g.reader ultimamente) porque acabei de ver uma camiseta com estampa de dinossauros e lembrei de ti: http://rumplo.com/tees/tee/1313-best-friends-+-dinosaur-t+shirt

[ ]´s

Tu comentas, a gente usa: http://miltonribeiro.opensadorselvagem.org/o-efeito-mozart/

Se aquele "publicitário" te fode, avise!

Evidentemente a primeira coisa que eu fiz foi seguir a história no Twitter.

Ficção científica às vezes é realidade. Fosse em outra época teríamos centenas de matérias na televisão sobre o fato. O passado celebrou tanto o futuro com suas possíveis descobertas que quando ele chegou as pessoas pareciam acostumadas.

Virei um pouco fã da missão, seguia fielmnte a sonda no twitter.

Sonhos de infância pareciam tão próximos com a presença daquele simpático robozinho pelos pagos marcianos.

Agora acabou.

na escuta


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