um dos assuntos recorrentes - por motivos de força maior - da internet conectada* é a baixa qualidade do serviço oferecido pelo Twitter - o local preferido para microblogagem em rede.
por baixa qualidade, entenda-se longos e sucessivos períodos fora do ar, mensagens de erro em abundância e funcionalidades desativadas - como o uso pelo celular ou comunicador instantâneo. motivos suficientes - e que persistem - para abandonar o Twitter. de que serve uma ferramenta que funciona mal?
a chamada web2.0 se caracteriza [além de outros pontos] por uma alta proximidade entre serviço e usuário. um site como o Twitter (ou o Last.fm, ou o Wordpress, até a Camiseteria) está mais para o armazém da esquina (ou o seu sommelier de confiança, não é uma questão de qualidade - esta é subentendida) do que para a multinacional supermercadista. ao usar juntar-se a um site como os citados acima, há o forte sentimento [inclusive cultivado] de que existe um grupo de humanos trabalhando a favor do produto, da proposta, da comunidade; isso se reverte em segurança, confiança, boa vontade e fidelização. também por serem geralmente iniciativas "menores", seja no tamanho físico, no da equipe ou na aproximação, não apenas agradam a identidade líquido-moderna como distanciam-se dos "grandes impérios", seja por postura ideológica, seja pela busca de personalização.
[o blog, ferramenta, inclusive sente-se muito bem nessa conversa toda.]
e então os problemas do Twitter se agravam de uma forma que provoca seus usuários a pensarem "pô, por quê?"; e não se ouve voz do lado de lá, e então as pessoas começam a pesquisar alternativas. e o Twitter, o que faz?
amplia seus canais de comunicação e lida de forma transparente com o público.
mordendo (com vontade) a isca do (influente e muitas vezes pedante blog gringo) TechCrunch, o CEO dono do serviço respondeu a uma série de questões acerca da estrutura física e da equipe do Twitter. fez-lá seus rodeios - que acenam a um trabalho bem-feito de Relações Públicas - mas admitiu que o serviço hoje é, basicamente, fundo de quintal.
isso é ruim?
de forma alguma. os usuários do Twitter estão preocupados que o site funcione, e ponto. tem uma estrutura precária, e estão prometendo melhorias? ótimo, que seja logo e pare de queimar fidelidade com paciência. o relevante aqui é que, via blog da empresa (que é um canal adequado), houve resposta e transparência.
pode não ser verdade? pode. mas se não for, eles não vão ter outra chance. estão fritos pra sempre. o mote da comunidade interligada líquido-moderna é: você pode me enganar uma vez, mas se fizer isso, eu não apenas não volto, como vou botar fogo na tua casa e na tua família.
e o que aprendemos hoje? que as empresas estão entendendo isso, e mudando. quem fornece produto ou serviço tem que se mostrar cada vez mais tangível - se o computador coloca o éter como distância, ela se torna desprezível diante da geografia. contra-argumentos de que se trata de um caso específico serão desqualificados; em consumo, se essa especificidade atende a uma massa crítica identificável, essa mesma fatia será responsável pelo mesmo poder propagador, modificador e revolucionário de uma turba de manifestantes marchando. (tá virando livro, inclusive, sob texto de Jeff Jarvis.)
é claro - não tem a mesma graça do que queimar relógios da Globo fazendo contagem regressiva pros 500 anos do Brasil. mas em tempos de googlebomb, o que as empresas tem de melhor a fazer é rumar, cada vez mais, para a comunicação - rápida e transparente.
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*pessoas que utilizam a web de maneira social e gerando conteúdo, geralmente usuários avançados, em contraposição ao navegador passivo que apenas recolhe informações na internet. já existe, ou alguém sugere um termo melhor/mais apropriado e em português, pra isso?





Bela tacada, Tiagón. Outro texto elucidativo sobre a questão aqui:
http://www.kk.org/thetechnium/archives/2008/01/better_than_fre.php
É isso aí. O consumidor hoje está cada vez menos "fidelizável". Ganha quem oferecer (e enquanto estiver oferecendo) um serviço melhor.
"você pode me enganar uma vez, mas se fizer isso, eu não apenas não volto, como vou botar fogo na tua casa e na tua família" Kakakaka!!!
Ou tocar fogo nos 3 servidores deles hehehehe
Acho que sou o único ou um dos únicos seres virtuais que não entende o PORQUÊ se valoriza tanto esse Twitter.
Quanto aos demais temas abordados, existe uma supervalorização do universo virtual se levarmos em conta as aplicações e medições em termos de venda da análise desenfreada dos manifestantes que se opoem rigidamente ao contraponto dessa supervalização, que nem sempre se manifesta em venda real e real conteúdo de qualidade quanto ao caráter amador necessário para que a valorização dos modos de informação se aproximem de fato do que se pode esperar dessa ferramentas já que a rebimboca da parafuseta não deixa claro o seria o mundo...