a arte de Iberê, o museu do Siza

iberê camargo

num movimento raro da iniciativa privada em prol da comunidade, inaugurou aqui em Porto Alegre, no último dia 30, o museu Iberê Camargo. um dos mais distintos e influenciais expressionistas incategorizáveis brasileiros, e o maior artista gaúcho, hoje tem um belíssimo espaço dedicado a guardar e expor as mais de sete mil peças que produziu em mais de 50 anos de trabalho.

obras de difícil assimilação, as pinturas viscerais, carregadas de relevo e entrega, provocam sensações contrastantes por entre o concreto branco das formas geométricas e curvas suaves na arquitetura do museu. nos cinco andares de exposição, estão lá suas séries mais famosas - os carretéis/brinquedo de infância, os ciclistas da Redenção, as idiotas alheias ao mundo, vendo a vida passar. esboços e rascunhos não estão nas paredes, mas em mesas onde o artista torna-se mais próximo, e mais humano, de seu público.

museu iberê camargo

se o portoalegrense, que apenas agora pode começar a conhecer a obra de Iberê com mais atenção, fica com sentimentos divididos - os pais do ermão Gejfin o classificaram como "depressivo" -, o mesmo não acontece em relação ao espaço do museu. de fato, a obra do arquiteto português Álvaro Siza (que venceu a bienal de Veneza em 2002 com este projeto) rivaliza as atenções dos visitantes. sua proposta, de envolver em concreto branco e ripas de madeira clara as pesadas telas de Iberê, traduz-se em uma experiência quase coletiva de fruição. os andares são abertos e é possível ver quase todo o museu a partir do fosso central - e a sensação de integração entre as obras e o público é fantástica. na área de 8 mil m², encravada num morro da av. Padre Cacique em frente ao Guaíba, pequenas janelas nas rampas que ligam os andares (a exposição começa no quarto piso, e por elas se vai descendo) emolduram a paisagem, destacando-a. natureza, arte, arquitetura e público tornam-se indissociáveis e criam uma ilha reflexiva como há muito Porto Alegre não recebia. e com ingresso gratuito.

museu iberê camargo

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mais fotos? lá no flicker.

4 comentários

bom, eu gosto do iberê.
do museu, parece lindo.
as tuas fotos no flicker estão sublimes!
bises...

foda. não tinha visto essa foto da obra. pqp!

tava muito massa tudo. :)

tati

foi ótimo o passeio :) beijo!!

Ô Gejfinzão, ele pode ser depressivo, desesperado até, mas é absolutamente brilhante. De um brilhantismo tal que acabo feliz.

Acredita que eu ainda não fui conhecer o museu?

na escuta


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