o Träsel publicou um mini-ensaio chamado "os blogs já eram", trazendo pontos de uma palestra que ministrou recentemente. num primeiro momento, ele faz uma análise criteriosa dos principais aspectos que caracterizam o Blog (enumeradas autoria individual, publicação freqüente, ordem cronológica reversa e espaço para comentários), e mostra como elas tornaram-se onipresentes na internet. mais adiante, ele também fala sobre conteúdo e monetização.
no texto, o fim dos blogs passa pela assimilação completa de seu formato. e conclui que os blogs, hoje como os usamos, são apenas versões rudimentares de um 'lifelogging' mais efetivo, inteligente e dinâmico - e tendem a desaparecer ou ter uso muito restrito diante do eventual surgimento destas ferramentas. sua contribuição estaria dada, e finalizada.
Antes de mais nada, os blogs continuarão existindo. Ao menos, ninguém no Insanus.org pretende fechar seus veículos no futuro próximo e passar a usar outras ferramentas, ou arranjar um emprego em uma redação. Os blogs como ferramenta seguirão muito úteis, mas seu sentido de mídia alternativa revolucionária vai se perder. A maioria das pessoas passará a usar uma diversidade de ferramentas e serviços para inúmeros fins de que antes apenas os blogs davam conta. Só em casos muito específicos o formato atual continuará sendo o melhor.
grifo meu - pra fazer uma conexão com o que escreveu o Gejfin, dia desses, refletindo sobre a blogosfera no barcamp do Rio - e concluindo que ela acabou. ao citar um modelo de monetização, o compara a mídia de massa:
o texto acima serviria tranqüilamente para descrever, há uma boa centena de anos, a proposta de um jornal. isso, aquele mesmo, de papel. é uma visão que na prática não faz outra coisa senão moldar os blogs e tudo que está diretamente relacionado a eles a um formato antigo e que pressupõe a manutenção de uma série de valores que a ferramenta, ao surgir, veio confrontar.
voltando ao Träsel:
Tendência ainda mais prejudicial é a dos posts pagos (...). Infelizmente, os autores mais preocupados em ganhar dinheiro com blogs, a ponto de venderem sua alma tão barato, não percebem que estão degradando seus próprios recursos. Qualquer empreendimento que viva de informação ou opinião tem como principal ativo a credibilidade, que é construída historicamente, à medida que os leitores verificam a honestidade do autor e a precisão das informações.
em comum entre os dois posts, a visão de que os blogs vão se dissolvendo; seja deixando suas um-dia inovações marcadas na cultura web/cidadã e na mídia de massa, seja numa mudança de mentalidade propulsora.
(Jeff Jarvis nota que o TechCrunch, um dos maiores blogs sobre tecnologia dos EUA, está realizando entrevistas com os candidatos a presidente daquele país. revolucionário ou grande mídia? o blog está repleto de anúncios - embora nenhum deles pareça ter porte o suficiente para interferir numa pauta. (pareça, porque nunca se sabe quem financia start-ups 2.0.) eles precisam dos patrocinadores porque têm uma equipe contratada; são um blog profissional. no que diferem de uma revista, ou jornal, ligeiramente modificada? quase nada. blog é só a ferramenta de publicação, no caso.)
deste bunker Bereteando concorda em grande parte com essa análise. as redes sociais - o killer app idealizado pelo Träsel, uma mutação do Facebook - ou do OpenSocial, como deixou nos comentários a Olivia - já absorvem (e deverão cada vez mais) grande parte da demanda que um dia caía nos blogs. e o uso dos blogs como renda certamente não contribui com o fortalecimento do suporte, uma vez que é ferramenta só do lucro.
mas.
sobre monetização. a blogosfera foi um lugar romântico onde tudo o que podia incomodar era um banner no blogspot bem em cima do título. mas como o que se tinha antes disso eram páginas de geocities e tripod, ficava tudo bem. então houve o adsense e cobriu de poluição blogs de menor cuidado com o leitor. em meio a blogrolls, se vêem anúncios. e a ferramenta que era útil e cheia de ideais começou a se tornar uma agregado de publicidade.
porém, há práticas aceitáveis e outras não dentro de qualquer modelo que envolva propaganda. duas linhas de texto que chegam no rodapé do rss não me incomodam; imagens ou banners, sim. um anúncio único e que tenha relação com o seu blog, integrado ao template, pode ser bacana; uma coluna de adsense complica a leitura. um break de 30 segundos na programação é um refresco, uma revista feita de anúncios é ilegível.
mas a capitalização da ferramenta era inevitável, e cabe aos blogueiros a manutenção do status adquirido e crescente. porque todo o poder da ferramenta blog vem da palavra. a força da palavra escrita se somou a uma capacidade de difusão jamais vista - que chega ao infinito transitando por humanos no caminho. relizado por qualquer um e sem editorialização. e é por isso que mesmo diante desse cenário acredito no blog como mídia alternativa revolucionária, mesmo diante de novas ferramentas que venham a surgir, diante da assimilação do formato pela grande mídia, e de atores da blogosfera que tenham como objetivo o lucro. ao mesmo tempo em que se agrega um vídeo, foto ou música a um post, se adiciona ao suporte da palavra; um agregador que junte a cacofonia de dados pela web em um só eficiente local ainda será uma aplicação. um blogueiro 'comprometido' ou caçador de adsense será mais lixo no google; uma blogosfera formada pensando em dinheiro será consumida como tudo de resto é - tendo vida efêmera e sucumbindo diante da próxima obsolecência planificada.
mas isso nada tem a ver com a mídia alternativa revolucionária. ela mesma, inclusive, pode fazer o papel de contraponto. ou pode coexistir sem tocar seus pares assimilados; há espaço, e o risco de diluir a força de ferramenta é anulado pelas conexões estáveis existentes nos círculos de blogueiros. blogs e suas comunidades movem-se em eixos cada vez mais curtos e focados (inclusive modificando hábitos de compra, num cenário onde a aferição por audiência vai perdendo seu sentido). a Comunicação pós-moderna é um elo que torna-se mais fraco à medida em que a distância aumenta ou a multidao cresce. que da ferramenta, nada a reclamar; o hábito de ler blogs é, até que surja algo mais inteligente, de melhor alcance e mais soberano do que a palavra escrita de outra pessoa, um suporte que não deve encontrar poder igual tão cedo.
e é preciso lembrar que a popularização da produção de conteúdo proporcionada pelos blogs ainda atinge uma parcela muito pequena. a expressão cidadã pela palavra ainda tem muito terreno a percorrer.
se tudo isso soa um pouco romântico é porque o blog, essa ferramenta generosa, se oferece a todos os intuitos, inclusive os idealistas. o blog cresceu com instinto nobre e até que a palavra caia em desuso, acho que estaremos publicando posts no éter e lendo por rss no cérebro.




ERRÊMO - o blogueiro em ritmo de feriado pede desculpas pela caixa fechada até há pouco. à vontade! :)
monetização: now a lot of edney souza wannabe.
parece-me que entocaram um discurseto de recursos humanos na blogosfera. obvious: ganhar dinheiro é bom - mim quer tocar, mim love to get the money. mas bater nessa mesma tecla, ah, faça-me o favor ... tudo ganha um ar de consultoria a la pequenas empresas, grandes negocios.
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e é incrivel: eu estou concordando com o trasel em alguns pontos. devo mesmo estar velho.
Estava comentando (mentira, eu estava é reclamando mesmo) sobre isso com amigos esses dias. Eu disse que no fim e no futuro, todos teremos algo parecido com o YouTube onde um aumenta o conteúdo iniciado pelo outro, onde os iguais se agregam num só. E os blogs... sim, eles viraram sites. Não sei se isso é bom ou ruim. Talvez seja bom se finalmente assumirem essa condição. Tem um post/reclamação no ÓticaÓtica sobre isso e o que seria o meu atual MOUSE-SONHO-DE-CONSUMO.
http://oticaotica.blogspot.com/2007/11/ad-no-sense-parania-e-poluio-visual-os.html
(E que diacho de caracteres maledetos que a gente não consegue ver pra postar um comment aqui, el tiagón, cabrón)
Bisos.
Quantas vezes já vi um modista decretando a morte de algo.
Nenhuma novidade nisso.
Convenhamos, critérios um tanto quanto frágeis os dele não?
Parece que está mais para polêmica do que para realidade (apesar de alguns acertos aqui e ali).
Se é morte ou não isso eu não sei. O que sei é que a blogosfera nasceu como fenômeno social e se morrer será da mesma maneira, não por decreto de algum expert.
eu tinha preparado um post sobre o assunto, mas por algum motivo bizarro (MORTE AO BLOGGER!) ele não foi ao ar :P
mas é tudo uma questão de perspectiva. será que em dez anos já deu para se consolidar a noção do que é um blog? ou talvez, antes de decretar a morte do modelo, seja tempo de redefinir o que é a ferramenta/espaço/whatever em discussão?
talvez o futuro seja um live streaming com tudo o que acontece na nossa vida, ao vivo, em tempo real, eliminando a mediação - vejo uma flor, e a flor aparece na lista de atualizações... mas até lá, os blogs sobreviverão :D pelo menos enquanto houver gente doida o suficiente disposta a falar/escrever e público para ler/ouvir/discutir e perpetuar conversações :D
Como blogueiro ex-remunerado (fui banido do Adsense há um ano mais ou menos), eu vejo que tem muita gente iludida com o sistema. A menos que você tenha MUITAS visitas, tipo alguma coisa acima de 700 pageviws por dia, catar moedinhas entre as almofadas dos sofás é mais proveitoso.