tem dias em que a gente tem dia demais e gente de menos. a gente de menos. quanto menos a gente. ih. menas. zero pontos. nafs. poof. and so on.
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tava lendo hoje no uncovering um resmungo contra os rótulos da indústria fonográfica - ou, nesses dias de hoje, o quer que o valha, hooray. que é tanto nome diferente pra chamar essa ou aquela banda que seria tão mais simples a boa e velha ordem alfabética na loja de cds, ou não. e eu entendo esse enjôo de sempre estarem tentando colocar mais uma latinha na prateleira e socar goela abaixo do público. mas ao mesmo tempo eu acho que fiquei mais velho e mais nerd com essa coisa de música, e preciso admitir que os rótulos são uma grande maneira de se descobrir novas músicas. ou pelo menos falo do metal e da electronica, que é mais ou menos o meu chão. porque a internet tá toda catalogada, ou a caminho de. e uma boa tag é uma agulha no palheiro, e literalmente. brutal technical death metal? dá pra gostar de Atheretic generalizando pro grande guarda-chuva metal, situando 90% em death metal e curtindo o mesmo tanto dizendo "esse troço daí, muito foda!". não faz diferença. mas com a classificação "avançada", eu pude descobrir a banda na internet; e logo depois Lykathea Aflame, que é um lance descomunal enterrado muito longe do que eu poderia pensar em chegar. quer dizer, a morfologia cresce, mas se na prática todo mundo chama pelo apelido mesmo, não se abre mão de um método efetivo de catalogação - ao menos no terreno da internet. (passo até por bibliotecônomo em mesa de boteco.)
por outro lado, o que não precisa é entulho, pra sujar o sistema; vampiristic não é característica, é temática, e isso é outra coisa. a classificação pertinente é a da música, e não da lírica. (embora eu admita incorporar o viking ao metal, porque como todas as bandas se parecem, é quase um traço sonoro, mesmo.) tem quem goste de empilhar adjetivos pra dar na pinta de quem faz um som único, mas só acabam soando pernósticos. tem que ter um limite lógico e que abranja um número significativo de bandas (mesmo motivo pelo qual não considero Confessor uma banda de technical doom metal). e não se trata de "encaixar" a banda em um jargão, mas de situá-la tão somente no espectro sonoro, a referência de algo difícil de traduzir em palavras. não enlatar - isso continua sendo a parte das gravadoras. se bem que, na verdade, se pode dividir a música em dois grandes ramos: a mainstream e todo o resto. eu gostaria de dizer que as majors estão cada vez mais embaçadas e se enterrando na lama e cada vez menos se precisa delas, mas isso sou só eu e alguns afortunados que podem aproveitar; lá fora, as pessoas ouvem rádio. e aparentemente não vêem, digo, ouvem problema algum em escutar repetidas vezes a mesma música, quantas vezes tocar num dia, numa tarde, numa manhã úmida e maldita de segunda-feira. e os camelôs estão lá, três real qualquer coisa que se quiser. teve tempo que cd era artigo de luxo, hoje já dá pra comprar só pra tirar sarro. não dura muito, mesmo.
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sabe do que eu tenho saudades? daquele 'trac-crac-clanc' da fita cassete encaixando nas bobinas enquanto fechava a gaveta do deck. lembro exatamente do barulho, e o silêncio do plástico (zumbido no falante) fazendo um bump ao entrar na área magnética e então a música. tive mais de 350 fitas. agora a música precisa de cada vez menos física pra existir. botões que se apertavam fazendo força. tevê com seletor giratório. cápsulas le-son. dá mais uns tempos: vão relançar como "marketing sensorial-mecânico, ou algo que o valha". o primeiro microsystem a ter um leitor de cd com agulha. acompanha duas esponjinhas para limpar a superfície do disco antes de balançar. vale soprar a agulha, claro que vale. e tem gravação uma-só-tecla sincronizada com o memory card inserido no case de fita cassete. não cabe no ipod, mas funciona perfeiteitamente com este nôvo walkman modelo charger 78 reloaded!
"as borrachas das nossas geladeiras são biodegradáveis."
"este eletrodoméstico foi construído por um humano."
"presenteie com a caixa-presente-de-rivera 2.0! será que tem um dvd player, ou um tijolo? a magia dos pioneiros em sua casa. diversão para toda família."
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tem mundos que tem a gente de menos, e tem menos mundo na gente do que tentam vender por aí. e eu, cada vez menos mundo. cada vez mais gente. menos, menos.
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eu continuo usando um par de tênis por vez, até acabar com ele.




Te digo que esse barulhinho do cassete faz falta pra mim também.
Muita coisa que ouço hoje inclui, artificialmente, os "crackles" e "scratches" dos discos de vinil, só pra dar um clima antigão. Bons tempos....
Outro dia - ontem mesmo - exercitando o dedão no zapear do intervalo do jogo, deparo-me com uma daquelas vinhetas da MTV. O cara segurava uma k7 e rebobinava com uma caneta. Não faço a menor idéia do que era tratado, mas bateu uma nostalgia. Lembrei do tempo em que eu ficava, tipo John Cusack de Alta Fidelidade, imaginando qual seria a seleção e a ordem perfeitas pra uma fita praquela costela que eu cobiçava. Uyuy.