dessas coisas que deixam a gente depressivo

:: ainda não cheguei a uma conclusão sobre o fato de os gaúchos terem votado em Yeda para governadora do estado. não sei; talvez sejamos um povo indignado pela corrupção do governo Lula, estendida para todo o PT - que, embora tenha obtido vantagem em alguns momentos do RS das últimas duas décadas, esteve longe de ser unanimidade.

:: por outro lado, o movimento das últimas três eleições, que levaram Rigotto, Fogaça e, agora, Yeda ao poder, mostra um movimento em direção ao tratamento neoliberal da política, pra usar um termo bem anos 90.

:: ou pode ser que tenha sido como disse o prefeito de Arroio do Padre, cidade que mais votou em Yeda: "Somos muito católicos, não gostamos dessa coisa de comunismo".

:: Rigotto tirou o Estado de sua trajetória para fazê-lo piada entre governadores quando a pauta é crescimento. e o Rio Grande mostrando todo seu apoio a Alckmin. venceu Lula no estado com boa vantagem.

:: Porto Alegre saiu de 16 anos de governo petista para eleger o senador e compositor Fogaça. pelo lixo que se acumula nas ruas como se não houvesse gari, se tira uma base do trabalho exercido. Porto Alegre parece um aterro.

:: ou seja: corrupção é algo que os gaúchos têm pavor absoluto. já acabar com a economia do Estado, ou mesmo não fazer nada, como o Fogaça, tudo bem. e lá vem Yeda, a musa do vôlei 1963, para animar a vida dos chargistas e inaugurar uma nova seção de trocadilhos com seu sobrenome, Crusius, para coisas como 'crisius' ou 'crúcis'.

:: Yeda e seu capacete-laquêzão à Cassandra - seja a Aracy Balabanian, seja a mítica previsora de desgraças - promete um choque de gestão no estado. ou seja: dois anos para mudar a estrutura do governo, outros dois pra reclamar dos governos anteriores. digo, quatro anos pra tudo; esse cenário que descrevi é o do Rigotto, que nem queria choque nem nada, porque ia manter o que estava bom e 'mudar sem mudar'. nem isso conseguiu: pioramos muito.

:: tem quem diga que o povo gaúcho é novidadeiro, que foi o primeiro a eleger um partido de esquerda, o primeiro a eleger um negro, e agora, uma mulher. genial. podiam ter votado na Jussara Cony, vice do bigodudo, que ficava batendo panela no CPERS e apanhando dos brigadianos, ao invés da Yeda, que é tão insossa que nem a brinquedinho do FHC chegou.

:: que nem eu disse pra minha mãe, durante embate, em tom melodramático: nunca te culpei pela minha infelicidade, mas jamais vou te perdoar por votar na Yeda! aí ela me serviu sucrilhos leninistas e ficou tudo bem.

:: aliás, tenho que tomar cuidado. Yeda deve ser amiga do Sarney, vão vir me censurar e processar aqui, que nem foi com a Alcinéa.

:: porque então o plano era ir pro Uruguai e montar uma fábrica de doce de leite com a Anne, mas ao ver a comemoração do povo em Salvador ("eu, eu, eu! O ACM se fodeu!"), tô pensando também na Bahia. será que não rola um incentivo fiscal pra gente não?

7 comentários

Cá entre nós, a Yeda é o fim.

Ela tem um jeitinho arrogante tão, tão, tão... UFRGS, não? (Fala um ex-UFRGS cheio de amigos professores de lá.)

Não dá pra agüentar. Mas talvez haja uma salvação. Olívio ganhou em Porto Alegre e a Olívia lançou um livro. Sim, há salvação.

Queres um administrador para a fábrica de doce de leite? Tô aí mesmo.

Eu também estou aqui coçando a cabeça tentando entender a decisão dos gaúchos... Esse post ficou ótimo.

Anne

putz...se eu soubesse que a Bahia tb tava em pauta tinha inscrito a gente na seleção da Ufba. mas encerraram dia 31... ;-)

Ana Luiza

bota a boca que eu garanto a mão!

ô, manjas MOONDOG?
mó lôco o velhote.
:>)

_U1


Tô indo pra Bolivia lutar junto com o Evo (e mascar umas folhas de coca é claro!)

Viva

Boa sorte, amigos gaúchos...

na escuta


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