Ora, todo mundo que já falou sobre o livro do Biajoni fez trocadilho. Deixa eu fazer também.
Confesso que eu tenho uma relação de amor e ódio com o blogueiro popstar da Verbeat. Conheci-o nas caixas de comentários alheias; depois, acompanhei um levante da blogosfera anexa exigir-lhe que tivesse um blog; e logo depois, notei-o rondando nosso terreno, e quando ainda tramava o bote com o Gejfin e o Milton, ele mesmo chegou e perguntou se não tinha um cafofo disponível. Acolhemo-lo (?) com um "ok, garoto" de ar blasé, mas exultávamos, oh, o mais pedido, o mais borbulhante, o cara legal, na Verbeat!
Depois, quando ele deu o bolo em nossa passagem por São Paulo, fim do ano passado, eu fiquei meio cabreiro. Puxa! O cara vai pra tudo quanto é lado encontrar comparsas de letras (pra depois fazer relatos magníficos no blog), e na minha vez não aparece? Ciúme, claro.
Além disso, todo mundo já tinha lido Sexo Anal, o livro não-editado mais famoso e resenhado da praça - menos eu. Até pro Gejfin ele já tinha mandado! Mais ciuminho. Ah, quem quer ler essa droga? Grandes coisas. Afinal, eu já sou beta-reader da Olivia, que é muito mais legal do que aquele BERBO mala.
Mas aí dia desses ele respondeu um comentário meu, onde dizia pra ele ler André Sant'Anna. (Ah - leiam André Sant'anna. Estou devorando "O Paraíso é Bem Bacana", que ganhei da Anne de dia dos namorados. Tô achando um pouco mais do que genial.) Acho que dessa vez provoquei ciúmes, e ele me mandou o livro anexado. Pronto. Ao receber Sexo Anal de Biajoni, senti-me inserido outra vez, de volta à turma. E antes que eu faça mais um trocadilho que pode render piadinhas que terminem com "rá, rá, rá" nos comentários, chega dessa introdução (buf) cretina e desimportante.
"Sexo Anal - Uma novela marrom" vem gerando buzz na internet já há algum tempo por disseminar-se viroticamente, ter seu mérito reconhecido e, ao mesmo tempo, não encontrar uma editora para publicá-lo. Até aí, nada que já não tenha acontecido (em menor escala); chama a atenção o fato de que continua gerando burburinho (a edição que recebi é de março/2005) - provou não ser fogo de palha. O motivo?
Não vou dizer que Biajoni reinventa a prosa rápida em seu livro, porque não sei o que é prosa rápida e nem sei se ela precisa ser reinventada. Mas ele faz algo nessa linha. Quando leio um "novo autor", prefiro que ele se distancie da linguagem cansada do romance convencional; espero que me traga algo novo, diferente em sua narrativa, em sua forma. (André Sant'Anna, eu falava.) Biajoni faz isso - não pelos viéses mirabolantes da invencionice, mas pelo trote simples e preciso. Ao invés de criar quebra-cabeças, desconstrói; simplifica, enxuga. A linguagem ganha leveza e com isso, velocidade. E como tem sexo, violência e bons personagens, prende o leitor com facilidade. Ou seja: expliquei porque esse é daqueles livros que se lê numa tacada só. Sem pirotecnias, sem lenga-lenga, como uma corrida de 100 metros rasos. Sem barreira.
Numa cidade do interior de São Paulo, Virgínia, loira e gostosa e repórter de um jornal sensacionalista, depara-se com dois desafios: a reportagem sobre um crime brutal, e a singular disputa por seu talento. No caso, o cu. Nesse momento, o resenhista pára e pensa: é assim que se destrói um livro! Essa sinopse, somada ao título e a temática exposta logo antes, faz a obra soar como uma tosqueira porno-anárquica adolescente-febrilesca safana. Não é. Sexo Anal tem sexo, violência, merda e cu, e é um livro cativante porque o autor soube estabelecer uma relação bastante primária, porém enterrada no mangue moral: existem pessoas, e existe o que elas fazem no mundo. Sexo Anal, evidentemente, tem sexo anal - mas o tabu fica por conta do leitor. O autor não quer provar nada, nem chocar ninguém, nem mostrar que é "avançadinho". Sexo Anal jamais será um livro sobre sexo anal - não enquanto ato. Mas não espere metáforas. Os personagens não as conhecem. O autor talvez conheça, mas não tem o desejo de revelá-las. Fica por conta do leitor. Se quiser. Se não quiser, tudo bem, que divirta-se. Sexo Anal é divertido antes de tudo; literatura pulp, que deveria servir para nos lembrar de que ler também pode ser tão divertido quanto assistir a um filme ou uma peça - e ler este livro de uma vez só (e vai fácil) tem mais ou menos a mesma duração.
A história é coesa, não surpreende, tem seus clichês; mas acima de tudo, está viva. A trama literalmente desenrola-se, resolve-se ou não; é relevante, existe, e segue autônoma - fazendo lembrar a proverbial árvore da Verdade jornalística, que todos os dias tomba na floresta. Já os personagens surgem como destaque. Virgínia, seu namorado, seu proctologista, o colega de redação, o chefe, a amiga, o colega do namorado - criaturas bem definidas, bem desenhadas, unas em si, conectadas por laços cotidianos como os nossos, se a gente prestasse atenção. E é aí onde eu queria chegar. Sexo Anal é um livro sobre as pessoas. Por pior que essa frase seja, ainda são as pessoas que nos interessam, como voyeurs e/ou como espelhos de nós mesmos. Sexo Anal é um folhetim desse início de século e deveria ser publicado em partes num jornal de grande circulação. Sexo Anal, de Luiz Biajoni, é A Moreninha do século XXI.
E agora vocês me dão licença que eu vou imprimir o livro, botar embaixo do braço e ir procurar a Bruna Surfistinha. E em posse de um prefácio escrito por ela, vou esfregar a obra na cara de algum editor "inteligente".




(eco)
voltou a funcionar aqui?
tentei comentar o dia todo de ontem.
:>/
maravilha de resenha, chefia. muito legal, entrou lá na lista das resenhas mais legais. muito obrigado mesmo, tiagón!
:>)
Pensar em sexo anal pode ser muito melhor do que o ato em si. Vai ver é por isso que as pessoas ainda não o editaram. :)
o livro do bia é fantástico mesmo. essa resenha é bem clara e correta ao dizer que o livro não quer chocar, nem é pretensiosamente avançadinho.
o livro é bom.
o livro é excelente.
o nome é perfeito.
só não é vendável numa editora tradicional.
e compartilho da idéia do prefácio da bruninha...
é isso ai
oi
Olá Tiago,
Fazendo uma pesquisa na Internet descobri este blog que contém o meu nome e um endereço residencial que não é o meu junto com meu um e-mail. Não postei nenhum comentário neste blog muito menos para esta resenha. Deve ter sido alguma brincadeira de mau gosto ou outra coisa qualquer.
Gostaria que você retirasse o comentário o mais rápido possível visto que está incorreto (pois não é minha opnião) e pode acarretar problemas para mim (e de alguma forma para o seu blog).
Conto com a sua compreensão e agradeço desde já.
Me refiro ao comentário postado em: setembro 9, 2006 4:08 PM e que traz um endereço como conteúdo.
PS. O e-mail fornecido neste comentário não é real (visto que novamente ficaria registrada uma informação indesejada)
nessabruxinha@hotmail.com
eu gostaria muito de saber o q meu email está fazendo em um site de tão baixo nível e de muito mau gosto...
mas sem problemas, pois, esse está sendo cancelado e quem o fez deve ser uma pessoa sem nenhum escrúpulo...
jamais entraria em uma porcaria dessas.
atenciosamente
nessabruxinha